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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Praticamente uma minissérie!

Finalmente entendi o real motivo do fracasso de Cleópatra nos cinemas. O longa de 1963 é incrívelmente longo, igualmente cansativo, e absurdamente inverossímil. Não que eu esperasse precisão histórica na visão romanceada da vida da mas famosa rainha do Egito. De fato, a apresentação do mito "Cleópatra", é bem precisa, de acordo com as lendas contadas durante séculos sobre ela. O que incomoda realmente é o visual na tela.

Em tempos, no qual as maiores críticas recebidas por "Príncipe da Pérsia", se deviam ao fato de Jake Gyllenhaal, mesmo devidamente caracterizado, passar longe da aparência de um persa, é difícil aceitar uma Cleópatra com visual de Liz Taylor. Os admiradores que me perdoem, mas simplesmente não acreditei que esta moça de pele clara, olhos incrívelmente azuis e cabelos hollywoodianos (algumas vezes escondidos sob perucas "egípicias"), cresceu no antigo Egito. Vai ver, esta era a graça de ser uma diva do cinema antigamente: como tal, a atriz bastava para interpretar qualquer papel. Não importando, idade ou caracterização.

 A história é bastante conhecida: Cleópatra, Julio Cesar, Idos de Março, Marco Antônio, serpente...
O esmero na produção salta aos olhos com seus cenários grandiosos, figurinos reluzentes, centenas de extras. Os figurinos, aliais, são uma atração a parte. Muitas das vestes de Cleópatra passariam facil por vestidos de gala em um tapete vermelho qualquer. E as roupas de Julio Cesar na cena do nascimento de seu filho? Pensei estar olhando para um jedi. Mas, isso é apenas mais um dos caminhos obscuros que minha mente toma algumas vezes.
Entretanto nenhum dos figurinos chama mais atenção que aquele com o qual a rainha adentra pela primeira vez em Roma. Na ocasião devidamente acompanhada de um desfile que faria inveja a Paulo Barros. Convenhamos Cléo sabe como entreteras multidões. Não pude evitar pensar: ela levou tanta gente para Roma, terá sobrado alguém no Egito? 

É por todo esse capricho e da boa vontade do elenco e produção que continuamos assistindo. Mesmo durante quatro longas e arrastadas horas. Sério, é muito longo! Quem tem tempo para ver filmes dessa metragem hoje em dia? Confesso que assisti à prestação, como uma minissérie da Globo.

Continuamos de olhos grudados na tela, em parte esperando o desfecho, em parte desejando ser arrebatado e amar a grandiosidade do longa. Mas, acima de tudo, tentado entender o que deu errado, e imaginando que as gerações anteriores deviam ter mais tempo para coisas mais simples e prazerosas como, assistir a um filme.

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