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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quando as aparências enganam


Stephen King + David Cronenberg + Christopher Walken. Digam-me vocês: quais as chances de sair uma bizarrice (no bom sentido) dessa mistura? Pois, ao contrário do que eu imaginava, Na hora da zona morta não tem nada de bizarro. Ao contrário, é um bom drama com um leve toque de sobrenatural. Vocês vão achar que eu estou louca, mas o filme até me fez achar Walken menos estranho. Quase (eu disse quase) gente como a gente. Esse, aliás, foi o primeiro longa que assisti em que o ator tem um papel à sua altura, e não apenas um coadjuvante excêntrico. E a atuação dele me impressionou muito, hein?

Até por isso, fiquei com ainda mais peninha de John Smith, que não bastasse ter acordado de um coma cinco anos depois e descobrir que o noivado foi pro beleléu, ainda ganha fama de freak na cidade com suas visões e tem que enfrentar a curiosidade e o veneno de repórteres incrédulos (esses abutres, sempre eles). Mas é aí que o filme, para minha surpresa, ganha ares de thriller policial: depois de muito relutar, o professor finalmente decide usar seu dom para solucionar um assassinato. Não sei vocês, mas fiquei com aquela sensação de que essa parte, apesar de seu desfecho impressionante, podia ter rendido tanto, mas foi resolvida rápido demais e acabou não tendo maiores consequências para o protagonista.


Eu sei que o filme seria interminável se se demorasse demais em cada subtrama. Mas algo me incomodou na transição entre uma e outra, mais bruscas do que eu gostaria, e senti alguns problemas de ritmo. É como se, a cada visão de John, voltássemos ao ponto inicial, e o que vem daí por diante não precisasse ter obrigatoriamente ligação com a anterior. Como uma série em que cada episódio pode ser assistido independentemente dos outros. E isso afetou um pouco a minha visão do conjunto (será que eu tô vendo séries demais?).

Digo isso porque no próximo "capítulo" na vida de John nos vemos de volta ao drama, agora com ainda mais descobertas. Isolado e ainda sofrendo as consequências físicas, mentais e sociais de seus recém-adquiridos poderes, ele percebe que não só é capaz de ver o futuro, mas de alterá-lo. Esse é o ponto-chave da questão. E é aí que vamos chegando, de uma forma lenta e gradual, ao trecho mais interessante da trama, algo que você nem poderia imaginar lá atrás (e que eu não vou contar porque é spoiler!). Resumindo: mesmo que, em certos momentos, o filme pareça um tanto arrastado e até incoerente, aguente firme, porque o que vem a seguir compensa. Além, é claro, de ver Walken sofrendo por amor. Isso não tem preço.

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