3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vou-me embora pra Brigadoon...

De forma bem poética amanhece na pitoresca cidadezinha de Brigadoon. Nada estranho a não ser a cara de felicidade descansada dos moradores ao deixar suas camas. Os rapazes colocam seus kilts, as moças seus longos vestidos e todos saem para o centro da vila animados, vai haver um casamento! Até aí, nada demais também.

Dois caçadores americanos estão perdidos na floresta, quando de repente avistam a cidade que por alguma estranha razão não haviam notado antes. Espera! Esses dois estão com roupas e armas modernas (para 1954), e aquele relógio de pulso? Houve passagem de tempo mal sinalizada? Foi erro de figurino? Nada disso. Tommy (Genne Kelly) e Jeff (Van Johnson) deram a sorte (ou azar) de encontrar a encantada cidade de Brigadoon.

Aqui tudo é encantado, até o céu e as montanhas são de faz de conta!
Digo encantada, mas seus moradores acreditam ser um milagre, que as noites em Brigadoon durem um século. Quando seus moradores vão dormir, a cidade é envolta pela névoa e desaparece por 100 anos para o mundo, enquanto os moradores encaram apenas uma boa noite de sono, antes de mais um dia comum. Maldição ou bênção, a "magia" tem suas regras bem específicas, a pior delas: niguém pode deixar a cidade ou ela deixará de existir.

É claro, que não contam nada disso logo na primeira cena, nem na segunda. Informações desconexas são liberadas aos pouquinhos, para o expectador e os forasteiros. Aguçando a curiosidade e criando aquele clima gostoso de mistério. Quando já estamos gritando com a tela por uma explicação, Tommy finalmente faz a pergunta: "Qual é a dessa cidade?" (em tradução muito livre). Quando descobrimos a resposta, o interesse pelo filme diminui. Primeiro porque a parte mais interessante do filme passou. Segundo, porque mesmo sendo parceiros de dança perfeitos, Charisse e Kelly, com quem devíamos nos preocupar a partir daqui, não demonstram muita química. 

Como de costume, Tommy se apaixona rapidinho por uma moça que provavelmente não verá outra vez. Fiona (Cyd Charisse) é irmã da noiva, e adepta da ideia de que havia alguém especial para ela. As sequências de dança do casal são incríveis, a ponto de não nos importamos, com sua longa extensão. Mas o romance é frio, sem graça. Talvez a culpa não seja dos atores, mas da falta de closes, que nunca nos deixam ver de perto o que as personagens estão sentindo.

Já Jeff, o outro caçador, parece estar na história apenas pelo fato de que ninguém vai caçar sozinho. Depois de dispensar uma tentativa de romance que dura apenas duas cenas, ele até tem uma participação na sequência em que a cidade está ameaçada. Nada significativo, uma vez que tudo se resolve no minuto seguinte. A ameaça à cidade, aliáis, poderia render mais do que a gicantesca cena de "pique-pega", que se tornou. É baseada em uma injustiça causada pelo "milagre", que impede uma personagem de seguir em frente. 

Talvez eu esteja esperando muito de um musical, mas como aceitar o básico depois de pensar nas inúmeras possibilidades que a ideia de uma cidade como Brigadoom traz? Assim como a divertica "pane", no cérebro (ou seria no coração) de Tommy que faz qualquer palavra lembrar a cidade, minha mente viajou nas inumeras hitórias que poderiam surgir dali. Por hora, posso apenas dar uma opção caso os moradores se cansem de suas caras descansadas após longuissemas noites de sono. Deixem a cidade todos ao mesmo tempo!

0 comentários: