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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Reviravoltas, barbaridades e o bom uso da metalinguagem

Reviravoltas. Esse devia ser o subtítulo de Má educação. Amodóvar nos apresenta uma trama cheia de metalinguagem, e personagens em conflito cuja verdadeira natureza conhecemos apenas ao fim do longa. Embora esse conhecimento ainda mantenha algumas dúvidas.


Em meio a uma crise criativa, um diretor de cinema recebe a visita de um velho amigo de escola, um ator em busca de trabalho. Enrique (Fele Martínez) encontra seu possível próximo filme em um roteiro autobiográfico escrito por Ignácio. A história de Sahara (Gael García Bernal), travesti que retorna ao colégio de padres que frequentava quando criança (então Ignácio), para chantagear o padre que abusava dele. Entra aqui a parte autobiográfica, na qual o menino foi separado de seu amor de infância, Enrique, por um enciumado e possessivo padre. 

Infelizmente, uma história de abuso mais que comum nos dias de hoje (de ontem também, só que muito mais encoberto). Mas lembre-se essa é a história do filme, dentro do filme. O que realmente interessa são os motivos de cada personagem envolvido, as experiências por que passaram que os torna "eles", e que resultou na história Ignácio e na vontade de Enrique em contá-la. Mas devo parar por aqui, pois os spoilers apenas tornariam a experiência menos interessante. 

O filme apresenta uma história forte, que oscila entre o rude e o sensível, de forma crua e verdadeira. Seja com o teste dos limites de um ator na adulta, ou e a delicada descoberta da sexualidade entre os garotos, rudemente atropelada pelo padre possessivamente apaixonado. Das barbaridades que influenciaram sua formação, às barbaridades que você é capaz de cometer ou suportar intencionalmente. Os limites do ser humano. O que inclui uma parte mais policial (ou seria criminal?), já na segunda metade do longa.

A metalinguagem, garante o suspense sobre a identidade e os motivos de cada personagens. Em um jogo que nos confunde sobre o que é real, e o que faz parte do filme de Ignácio e Enrique. E o elenco mantém esse ritmo incerto, como se em alguns momentos nem eles mesmos soubessem onde as personagens vão levá-los. Especialmente Bernal, cuja personagem que oscila tanto que ao fim não sabemos se torcemos a favor ou contra ele. Um trabalho de equipe excepcional.

Existe muito mais para falar sobre Má educação, mas é difícil fazê-lo sem mencionar as "surpresas" do longa. Como não quero estragar a sessão de ninguém, paro por aqui. Quem sabem não discutimos o filme, suas nuances e "reviravoltas", nos comentários que podem ser facilmente ignorados por quem ainda não assistiu o filme?

P.S.: Só eu achei o Gael García Bernal travestido a cara da Julia Roberts?

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