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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ninguém é inocente!

O mundo é pequeno. Só assim para explicar os encontros e desencontros de Carne Trêmula.Victor (Liberto Rabal) nasceu em um ônibus, e recebeu, ainda bebê, algumas honrarias por sua "pressa de chegar a Barcelona". Os primeiros 20 anos do rapaz passam voando, mas sua vida adulta seria tão o ou mais complicada que seu nascimento. É aqui que começam os tais encontros que mencionei anteriormente.

Após ter sua primeira noite com Elena (Francesca Neri), Victor fica obcecado pela garota que nem ao menos lembra dele. Sua insistência infantil, acarreta em uma briga, que chama a atenção dos vizinhos. Entram em cena os policiais David (Javier Bardem) e Sancho (José Sancho). Este último um alcoólatra violento, no momento extremamente alterado pela bebida. O resultado do encontro, muda suas vidas radicalmente. Mas o improvável acontece, e anos mais tarde o re-encontro dessas pessoas, por acaso, ou não, deve mudar tudo novamente.

Inicialmente pensamos ser Victor o causador deste grande mal entendido, afinal são suas ações, movidas por desejo que impulsionam a trama. Entretanto, aos poucos, vamos descobrindo que cada um tem sua parcela de culpa nas tragédias que os cercam, seja através de ações ou da simples omissão de fatos. O longa nos apresenta uma complexa e profunda analise da mente humana, da vida a dois, e em sociedade. Tudo abordado de forma simples e sem restrições. No fim percebemos: ninguém é inocente, e todos estão armados.

Mais uma vez, Almodóvar une uma sequência de acontecimentos improváveis, mas não impossíveis, que se torna possível, pelas personalidades envolvidas. Todas muito bem desenvolvidas pelo roteiro, e executada pelo sempre bem conduzido elenco.

As personagens masculinas aqui tem mais peso que na maioria dos longas, do diretor, mas como de costume o destaque fica com Elena. Francesca Neri, entrega um confuso e determinado objeto de desejo para Victor e David (Javier Bardem, perfeito). Que ao disputarem a moça esquecem de um importante detalhe: ela não é um objeto de verdade. É da moça a última palavra.

Como se demonstrar as complexidades e singularidades da mente humana fosse fácil, Almodóvar ainda encontra espaço para fazer uma sutil, mas bem sucedida crítica política. O contexto, que incia e encerra o filme também fecham o ciclo de foma quase poética. Reforçando a idéia de que a vida nada mais é que uma sucessão de acontecimentos que se repetem em um ciclo eterno.

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