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quarta-feira, 28 de março de 2012

Beatrix é o cara

A Noiva (Uma Thurman) agora tem nome: Beatrix Kiddo
A Noiva (Uma Thurman) finalmente tem seu nome revelado: Beatrix Kiddo. E sim, ela é o cara. Ela sobreviveu ao treinamento de Pai Mei (Gordon Liu, inesquecível com seu trejeito de alisar a barba e soltá-la), a um tiro na cabeça, aos quatro anos de coma, aos quatro maiores assassinos de Bill (David Caradine, perfeito), aos 88 Loucos - que eram bem mais que 88 - de O-Ren (Lucy Liu), a ser enterrada viva e, o maior golpe de todos, descobrir que sua filha estava viva. O filme é de tirar o fôlego, apesar de não ter tanta ação quanto o primeiro volume. Aqui, Tarantino quis explicar como tudo aconteceu: o ensaio do casamento, como Beatrix era perigosa (sobreviver ao treinamento duríssimo era coisa pra gente muito, mas muito 'casca grossa'), de onde vinha a obstinação de Beatrix, porque Bill quis matá-la... Um arremate das pontas soltas do outro filme. O maior mérito é ser quase 'didático' nesse sentido e não ser enfadonho. Muito pelo contrário.


Pai Mei: um mestre muito, mas muito esquisito...
Quanto mais vai se descobrindo sobre o passado (nas belas cenas em preto e branco na igreja de El Paso, onde tudo começou), mais você quer ver como isso vai acabar. É claro que ela vai em busca da sua vingança, e tanto Bill quanto seu irmão (!) Budd (Michael Madsen, que embarangou horrores) parecem conformados com a morte certa que virá pelas mãos de Beatrix. "Ela merece essa vingança. E nós merecemos morrer." Nem por isso ele vai desistir sem luta. Com uma espingarda e balas de sal grosso, ele consegue o que parecia impossível: parar Beatrix. Imobiliza, amarra, encaixota e enterra a mulher viva. Pra quem não dava mais nada por ele, até que ele foi bem bizarro na hora de escolher como matar uma assassina top de linha. Mais bizarro que isso, só a sua morte: mordido por uma mamba negra, uma das cobras mais venenosas (se não a mais) do mundo, ele morre envenenado no chão do seu trailler imundo, com uma divina e poderosa Elle Driver (Daryl Hannah, perfeita: linda, perigosa e louca) lhe contando calmamente os efeitos do veneno da cobra - ela havia pesquisado no Google sobre a peçonhenta.

Mas é lógico que o embate do filme, quiçá do século, ainda estava por vir. Relembrando seus ensinamentos duríssimo com o orgulhoso e tinhoso Pai Mei, Beatriz conseguiu sair do túmulo e foi atrás de seus inimigos (pausa para a hilária cena em que ela chega imunda numa lanchonete e pede, candidamente, um copo de água). Elle x Beatrix. As duas discípulas de Pai Mei. As mais perigosas das Víboras Assassinas. Duas katanas Hanzo Hattori. Um trailler minúsculo. Era óbvio que o embate seria épico. E foi. Foi brutal também - ou só eu achei crueldade máxima arrancar o outro olho da Elle? O mais impressionante de tudo é que não dá nem pra ter pena da Elle nem pra condenar Beatrix. E, no fundo, a cena tensa é hilária. Cortesia do diretor.
Elle Driver (Hannah) e Beatrix Kiddo (Thurman): duelo de víboras

Seguindo sua lista, finalmente chega a vez do acerto de contas com Bill. Mas ele não facilitaria. Usou a filha como um escudo o quanto pôde. Utilizou dardos tranquilizantes para imobilizar Beatrix até que estivesse satisfeito com sua parte da história. O quê? Vilões também tem sentimentos, e os dele foram feridos... Bom, pelo menos foi o que ele disse. B. B. (Perla Haney-Jardine, fofíssima) dormindo depois de ver Ninja Assassino (?!), hora do embate final: os dois últimos discípulos de Pai Mei viventes e suas H. Hanzo. Quem venceria? A única pessoa a quem Pai Mei ensinou o seu golpe mais fatal, o legendário golpe em 5 pontos que explodem o coração. E ele havia ensinado a Beatrix. Ela, finalmente, saboreia a vingança. E tem sua filha de volta, e a vida que ela sempre sonhou ter desde o dia em que descobriu que estava grávida. Fim.

Bill (Carradine) e Kiddo (Thurman): o doce sabor da vingança
Bom, pra quem conhece a obra do diretor, o fim não se encaixa muito bem com o seu estilo. Final feliz? Sem mais nada? Acho que é por isso que reza essa lenda de que o filme vai ter continuação. Até porque, se a Noiva mereceu ter sua vingança, a pequena filha de Vernita Green (Vivica Fox) no Volume 1 também merece a dela. E, como ele mesmo diz, a vingança é um prato que se come frio. Honestamente, acho que a história está inacabada, ainda vai aparecer alguma surpresa por aí. Mas mesmo assim, com um final um tanto 'feliz demais', eu gostei muito do resultado. Valores aprendidos literalmente na base da porrada, muito sangue, muita perspicácia, diálogos poderosos e sucintos, belíssima fotografia. Definitivamente, um dos meus filmes favoritos.

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