3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 14 de abril de 2012

Os dois lados da batalha!

Ok, admito O Grande Ditador não é meu Chaplin favorito. Talvez pela temática de guerra, talvez eu prefira os longas mudos do diretor/ator/roteirista/entre outras coisas. Mesmo assim, independente do meu gosto pessoal, o filme é espetacular.

Realizado em uma época em que o mundo pisava em ovos com a ascensão de Stalin e Hitler. Chaplin faz uma caricatura irônica e bem humorada do mundo na época. Interpretando os dois lados da moeda, o ditador e o barbeiro judeu, apresenta uma visão mais abrangente da guerra que os fimes posteriores, que tentem a tomar partido de um dos lados.

Então temos as negociações e escolhas estranhas do ditador atarefado. Ele corre alucinadamente de negociações do governo, testes de armas e poses para inspiradoras obras de arte, em um ciclo cansativo e nada produtivo. Interrompido apenas pela cena clássica onde se sente o dono do mundo ao brincar com um globo inflável.

Do outro lado, um barbeiro que perdeu a memória ao lutar na 1ª GM, retorna para casa sem conhecer ou compreender (e quem entende?) a nova ordem. Tentando apenas voltar ao trabalho e talvez formar uma família.

Politizado mas sem perder a leveza, arranca rizadas sem fazer esforço, mesmo em um universo tenso. Seja através de um simples cumprimento desajustado,de uma panelada na cabeça ou no ato de lustrar uma careca. Ainda assim carrega uma forte mensagem, de esperança, de não aceitar a injustiça passivamente. Mas, principalmente, a de: que humanidade é essa? Que mundo louco e intolerante é esse que estamos construindo?

Para mim faltou um pouco mais, o que aconteceu com o barbeiro e o general após a confusão do discurso? Onde fica o ditador nessa história? E a invasão ao pais vizinho? Acho que a ideia era deixar a discussão no ar. Entretanto, eu bem que adoraria saber no que acreditava o criador.

Primeiro filme falado de Chaplin, funcionaria ainda que com cartelas no lugar das falas. Mas perderia o charme dos discursos do ditador em sua língua incompreensível. E a força do tocante discurso final. É pode não ser meu favorito, mas com toda certeza está na lista dos melhores que já assisti.

0 comentários: