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sábado, 14 de julho de 2012

Relações conturbadas!

Ah! O sempre confiável Tom Hanks, mesmo quando bandido, nunca é vilão. Assim é Michael Sullivan, pai de família e matador de aluguel por consequência. O protagonista de Estrada Para Perdição.

Acolhido pelo chefão irlandês ligado à Chicago de Al Capone, John Rooney (Paul Newman), desempenha o papel e serve a seu "pai" postiço sem questionar. Até que Connor (Daniel Craig), filho verdadeiro de Rooney faz uma burrada, que é assistida por acidente pelo filho de Sullivan, Michael Jr. (Tyler Hoechlin). Logo, toda a família do matador vira alvo dos "caras maus de verdade", e Sullivan vai fazer o que for preciso para salvar o que restou dela.

A primeira grande questão é: "uau, isso é mesmo baseado em quadrinhos?" Não é todo dia que encontramos esse tipo de temática na nona arte. Muito menos uma adaptação livre, e eficiente de material tão singular. 


O roteiro não foca as peculiaridades da máfia ou seu funcionamento, mas as conturbadas relações dentro delas. E como estas podem ser radicalmente alteradas com uma única ação. Assim presenciamos o afastamento de Sullivan de seu protetor Rooney, ao mesmo tempo acompanhamos sua aproximação com seu próprio filho Michael Jr. Enquanto isso, Rooney (em assustadora atuação e eficiente sem excessos de Paul Newman) sustenta seu próprio dilema. Proteger o filho, em detrimento de seu protegido, mesmo sabendo que ele é o errado na história. 

Michael Jr. é um caso a parte. Aos doze anos precisa lidar com a culpa de causar a destruição de sua família. Se acostumar com seu novo "estilo de vida". Ao mesmo tempo que passa por aquela fase em que os pais caem dos "pedestais" em que os colocamos, para talvez subir novamente, mas de forma diferente. Tudo muito bem defendido pelo jovem Tyler Hoechlin.


Mencionei que também existe um terrível assassino de aluguel em busca dos Sullivan, pai e filho? Jude Law incorpora um nojento matador, com uma queda por fotografias. Em alguns instantes um pouco caricato, especialmente na sequencia em que dirige o carro, perseguindo Michael e o filho. Admito me fez rir. Mas nem de longe este deixa de ser uma ameaça.

Ainda vale mencionar o sempre eficiente Stanley Tucci, em papel pequeno, mas marcante. E um Daniel Craig pré 007, vivendo um detestável "filhinho de papai" do submundo.

Para completar a composição ótimos, embora moderados, tiroteios. E a oscarizada fotografia, com cenas marcantes como as chegadas à Chicago, e a casa à beira mar vistas através de reflexos nas janelas. Além do supra-mencionado tiroteio na chuva.  

Não é segredo que filmes de gangsters e máfia nunca foram meus favoritos, basta ler minha resenha de O Poderoso Chefão (cuja qualidade admiro, mas o blu-ray não comprarei). Entretanto Estrada Para Perdição me agradou e muito, não é espetacular, mas já é um de meus favoritos neste gênero em particular. Será verdade que mesmo sem uma atuação brilhante, Hanks é sempre confiável?

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