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sábado, 8 de junho de 2013

O personagem título não dá as caras!

O personagem título não dá as caras! Sim, estou dando um spoiler sem aviso no título (e no paragrafo inicial) da minha resenha. Me processem! Mas tenham em mente que só faço isso pois tenho certeza de que não diminuiria em nada o impacto do filme.

Rosemary (Mia Farrow) e Guy (John Cassavetes) encontram o lar dos seus sonhos. Um antigo e grande apartamento que fora divido em vários apartamentos menores. Dividir uma parede com vizinhos não é problema, certo? Aliais, a maioria acharia ótimo ter companhia nas solidão das grandes cidades. Mas cuidado se seus vizinhos forem meio excêntricos, intrometidos ou prestativos demais. Eles podem estar tramando alguma coisa. E leva tempo para Rosemary perceber que há algo errado, praticamente sua gestação inteira.


Uma gestação aliais muito da estranha. (Isso mesmo "crepúsculetes", gestação sofrida é assim viu!) E apesar dos estranhos efeitos colaterais, que incluem dores terríveis, palidez e enjoos, a mãe de primeira viagem não desconfia de nada. E os poucos que o fazem misteriosa e coincidentemente passam a estar indisponíveis para a moça. O que deixa toda aflição e preocupação para o expectador impotente do lado de cá da tela.

Sim, o terror aqui é sutil e psicológico. Dispensando sustos (estilo "BU!"), e imagens bizarras e nojentas. Mesmo os confusos sonhos da "mãe do protagonista" são mais fantasiosos que assustadores, mas não menos estranhos.

Brilhantemente construído, ainda encontra espaço para a ambiguidade. Mesmo com todos as atitudes dos personagens apontando em uma direção, em alguns momentos fica a dúvida: não será tudo coisa da cabeça de Rosemary? O que não seria possível sem a atuação dedicada do elenco, desde o marido (Cassavetes) e suas sutis, embora mal disfarçadas mudanças de comportamento. Passando pela assustadoramente intrometida e oscarizada vizinha (Ruth Gordon, comendo bolo me deu arrepios). Até a física e psicologicamente frágil, embora cheia de força de vontade Rosemary. Todos cheios de nuances perfeitamente transmitidas na tela.
Me chamem de louca, mas o que me deu mais medo foi ver essa senhora devorando um pedaço de bolo!
É verdade, eu não fiquei com medo. Mas não acho que a intenção de Polanski era nos fazer dormir com a luz acesa. Ele queria que você suspeitasse, se preocupasse, e da próxima vez que encontrasse seus vizinhos no corredor se descobrisse com uma pulga atrás da orelha. Será???

Depois disso tudo, quem se importa de não ter visto o tal bebê.

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