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sábado, 11 de janeiro de 2014

Violência gera violência

Quem tem medo de Alex The Large?
Já dizia o Profeta Gentileza, famoso morador de rua aqui do Rio de Janeiro, em suas mensagens espalhadas pelos muros da cidade: gentileza gera gentileza. E aqui temos Stanley Kubrick afirmando que o oposto também é verdadeiro: violência gera violência. Laranja mecânica (Clockwork orange, 1971) não é um filme fácil de se entender e muito menos de se digerir. Trata a natureza violenta do ser humano, de jovens que agridem qualquer um simplesmente porque gostam. Em um mundo sem leis, os jovens são os donos das ruas e fazem o que bem querem. A polícia ainda existe, é claro. Mas para esses jovens, divididos em bandos - às vezes rivais - isso não importa muito. O que importa é a diversão que a extrema violência causa. Até o dia em que Alex (Malcom McDowell, excelente), líder de um grupo, acaba sendo traído por seus amigos depois que eles se deram conta de que estavam cansados de só obedecer às vontades de Alex.

Tentando sobreviver à sentença de 14 anos na prisão, Alex ouve falar de um milagroso programa de recuperação do governo, que curava completamente os violentos. Ele nem queria saber de ser curado, mas participar do programa seria a chave para sair da prisão antes de completar sua pena. O que não seria difícil, na concepção dele - já que ele estava enganando direitinho o padre da prisão. Mas o tratamento era bem mais hardcore do que ele imaginava: os médicos traumatizavam o indivíduo com os crimes que os acusados praticaram. Até a amada música de Bethoveen foi causa de dores fortes e enjoo no pós-tratamento de Alex, o que foi considerado mais do que um ótimo resultado. Assim, Alex estava curado e livre novamente. Tudo agora seriam flores. Mas não. Lembra da natureza cruel dos humanos? Então.

Rejeitado pelos próprios pais, atacado por ex-amigos (que acharam um emprego apropriado para os violentos, a polícia), emboscado por uma vítima sobrevivente... Ninguém mais parecia ter se curado da violência como Alex. Só lhe restava acabar com a própria vida. foi o que tentou fazer, mas algum tempo depois ele acordou no hospital e então, ele estava finalmente curado: todo o horror aprendido no tratamento e toda a violência nata que haviam nele foram despertadas novamente, mas agora poderiam viver confortavelmente disfarçadas sob a proteção do governo.

Bom, se o filme não é exatamente isso, foi o que eu entendi dele. Achei um filme interessante, o seu maior trunfo são a ótima atuação de Malcom McDowell e a interessante fotografia, a discussão sobre a natureza humana ser violenta e tal. Mas, me desculpem os entusiastas de Kubrick, o filme é chato. A icônica cena da lavagem cerebral a que Alex é submetido, com aqueles aparelhos todos nos olhos, e a impressionante reviravolta na vida do escritor vítima que se torna carrasco são as únicas coisas realmente legais do filme. Talvez eu esperasse muito desse filme em específico, talvez eu tenha ouvido muitos baba-ovo do diretor. Foi importante ver, para dizer que vi e poder dizer que não gostei. 

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