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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Birdman - ou A inesperada virtude da ignorância

O filme já chegou em terras tupiniquins laureado com um Globo de Ouro pela (brilhante) atuação de Michael Keaton no papel principal do longa, mas posso dizer que fui surpreendida por Birdman  - ou A inesperada virtude da ignorância (Birdman - or The unexpected virtue of Ignorance, 2015). Talvez não soubesse o que esperar de Iñárritu nesse longa, mas certamente não era nada do que vi na tela.

Os bastidores da Brodway viram metáfora para a vida real: todo o elenco tem atuação espetacular
Uma crítica ácida e contundente à nossa sociedade, à sociedade do espetáculo, à nossa mania de grandeza, ao nosso desespero por querer ser amado a qualquer custo. Metaforizando a vida em arte dramática, o diretor nos leva a vê-la através da cabeça perturbada de Rigga Thomson (Keaton), um ator decadente que teve seu momento de glória quando era jovem e interpretava um famoso super-herói conhecido por Birdman. Agora, já velho para o cinema de ação, ele tenta provar para todos (inclusive a si mesmo) que é um artista e não apenas um fantasma do passado. Enfrentando problemas para a montagem de uma peça na Brodway, ele tem que lidar com problemas familiares e egos diversos para que sua peça não seja o maior fracasso da história.

Thomson (Keaton) e Shiner (Northon): briga de egos
É muito interessante a composição visual com a câmera em primeira pessoa; somada à voz do próprio Birdman assombrando os pensamentos do ator, temos a sensação de que ele também nos persegue - e no fundo, fica a sensação de "somos todos Birdman". A linha do horizonte está sempre desnivelada, o filme todo, e a montagem alucinante que faz parecer que o filme é todo um enorme plano sequência só reforçam a ideia de que algo na mente de Thompson não vai bem. Uma esperteza do diretor, que ainda conseguiu grandes interpretações de todo o elenco - com destaque para Keaton e Edward Northon, que brilham mais no elenco afinado. Emma Stone também não deixa a desejar, e (à despeito de minha antiga antipatia pela moça) mostra que está pronta para voos mais altos em termos de atuação.

Rigga Thomson (Keaton) e seu alter-ego Birdman: o anjinho em seu ombro?
Iñárritu tinha boas cartas na mão e soube usar todas elas nos momentos oportunos. Os diálogos espertíssimos e a montagem são apenas dois exemplos de bons trunfos que ele tinha, e foram genialmente orquestrados. No fim das contas, Birdman pode não agradar a muita gente por não ser uma comédia americana típica, como se poderia esperar (e acho que muita gente desavisada está esperando por isso), mas é um bom tapa na cara se você estiver disposto a se aventurar. 

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