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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Mad Furiosa

Imperatriz Furiosa (Theron): a verdadeira protagonista do longa
Confesso que fui assistir Mad Max - Estrada da fúria (Mad Max - Fury road, 2015) com certo receio. Curto filmes de ação em geral, mas filmes que focam em perseguições de carro ou que tenham o deserto árido como cenário geralmente não me atraem. Então, sabendo que iria encontrar basicamente isso, me preparei para o pior. E o que vi foi algo diferente, empolgante e surpreendente - para o bem e para o mal. Não estranhe se eu falar mais de outras coisa do que do próprio Max nessa resenha, há um bom motivo para isso.

Max (Hardy) e a enlouquecida missão de ser bolsa de sangue
Começamos com Max (Tom Hardy) aparentemente perdido no deserto, torturado por vozes e flashes de pessoas que se perguntam porque ele não as ajudou. Então vemos Max ser capturado e levado prisioneiro para a Cidadela, onde acaba tornando-se um valioso recurso para o exército de meio-vivos de Immortan Joe (Hugh Keys-Byrne). Ele tem o sangue perfeito para ser uma boa bolsa de sangue (!) e reanimar os Garotos de Guerra que voltam moribundos das investidas nas cidades vizinhas - estas garantem a Immortan Joe o domínio sobre a água, gasolina, plantação, seres humanos, enfim, qualquer recurso que possa ser raro e valioso. A ação se desencadeia quando uma das esposas de Immortan Joe, a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron, incrível) lidera uma das saídas do grupo para roubar mais gasolina da cidade vizinha. Mas Furiosa tem outros planos: cansada das atrocidades do marido, ela planeja fugir com as outras esposas dele para um lugar onde Immortan Joe não conseguiria pôr as mãos nelas de novo.

Immortan Joe (Keys-Byrne): correndo atrás de suas "propriedades"
Irado por Furiosa ter fugido com suas outras mulheres, Immortan Joe planeja juntar os exércitos de sua cidade com as vizinhas para uma caçada sem precedentes ao comboio liderado por ela. Quando todos os homens estão saindo para a corrida, Nux (Nicholas Holt, ainda espero que ele tenha uma boa chance em Hollywood para mostrar todo seu talento), um dos pilotos do exército de meio-vivos, decide ir para a guerra - mesmo que tenha que levar consigo sua "bolsa de sangue". E é assim que Max acaba entrando em cena.

Nem sei como tentar explicar isso aqui...
As cenas de ação são boas e nem um pouco cansativas. Apesar de algumas bizarrices (como a inexplicável banda de rock que acompanha a caravana de Immortan Joe), o ritmo alucinado da corrida é exuberante. Há um bom argumento além do debate inicial de "busca pela sobrevivência" e "mundo degradado pela ganância"; muitos temas espinhosos são citados nas entrelinhas e deixam a sensação de que o assunto não foi esgotado - na verdade, são só o rastilho de combustível para as próximas tramas (assim espero). Então, qual é o maior problema do filme? O próprio Max. Não é que Hardy tenha estragado tudo, mas a verdade é que o filme foi pensado de forma a não destacá-lo - e não sei se isso foi um acerto genial ou um erro absurdo. Foi o carisma do personagem emblemático que trouxe de volta a franquia, porém o próprio Max só vai se revelar no fim do filme. É como se esse longa fosse o prelúdio para a verdadeira estória. O foco de Estrada da fúria não é em Max, mas na luta pela vida no deserto e todas as suas consequências. Toda a ação e drama estão focados em Furiosa e as fugitivas, em como elas lutam pela liberdade, em como vencem as adversidades.

Se com um braço só ela faz isso tudo...
Involuntariamente, acaba se criando uma sensação de que Max é apenas um coadjuvante na trama. A personagem e a interpretação de Theron roubam a atenção para Furiosa, que é uma personagem fascinante: careca, sem um braço (!), cheia de poeira e graxa, ainda consegue ter esperança e ser forte o suficiente para não se intimidar perante ninguém. Charlize foi inteligente ao saber ser linda (quiçá glamorosa) para as câmeras e não carregar nas tintas de sua atuação. Furiosa podia se perder entre uma gostosona sexy que sabe pilotar muito bem uma máquina de guerra e uma mulher masculinizada que só sabe agir como um homem frustrado - e Furiosa não é nem uma, nem outra, é frágil e forte, equilibrada. Uma personagem feminina como poucas já criadas. Quem for ao cinema esperando uma overdose de testosterona e um Max mais pertinente vai sair ligeiramente desapontado, mas vai ser brindado com essa excelente mistura que é a Imperatriz Furiosa.


Nux (Holt), Furiosa (Theron) e as esposas de Immortan Joe: o foco do filme

Se tudo isso é um demérito para o longa? De forma alguma! É muito bom ver mulheres fortes em ação, não apenas como prêmio de consolação para o mocinho. E, olha, o que tem de moça valente nesse filme... Se você não quiser comer poeira, vá correndo para o cinema mais próximo, pois Mad Max - Estrada da fúria é diversão garantida. Ah, sim. E aguardemos a continuação da nova saga - porque o final deixa no ar aquele cheirinho de "vem mais coisa por aí", e que essa venha com a mesma qualidade e mais informações sobre esse novo Max (que, creio eu, é o que todo mundo realmente está afim de ver).

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