3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Trair e coçar...

Aí você abre a porta e...
É engraçado ver filmes de uma época diferente da nossa porque nos mostra como era o comportamento da nossa sociedade em um pequeno retalho do nosso tempo. O pecado mora ao lado (The seven-year itch, 1952) é um ótimo exemplo disso. Um pretexto bobo para colocar Marilyn Monroe nas telas era o suficiente para se fazer um filme.
Richard Sherman (Tom Ewell) é um homem que se orgulha de nunca ter traído sua mulher, embora, lá no fundo, ele se sentisse um tolo por não seguir uma tradição tão "boa". Depois de mandar a mulher e o filho acamparem no interior durante o verão enquanto ele ficaria trabalhando na cidade, sua tão sonhada liberdade e sua inabalável horna de marido fiel se vê ameaçada pela beleza da nova e simpática vizinha.
Quem não se atrapalharia tentando seduzir Marilyn Monroe?
Modelo de revista e visitando a cidade durante verão pela primeira vez, a garota (Monroe) é a inocente e atraente jovem que abalou as estruturas de Richard. Sozinha na cidade, sem amigos, ela acaba criando um vínculo de amizade com ele depois de quase matá-lo - acidentalmente - com um tomateiro. Ele, porém, não consegue lidar direito com aquela amizade. Lutando contra seus próprios instintos de seduzi-la, sentindo ciúmes da mulher longe de casa (já que ela encontrou um conhecido bonitão), tentado pelos amigos a trair a mulher, ele vai à loucura.
I know the feeling, amiga...
Falar de homens traindo suas esposas era tão natural e divertido, e ninguém se sentia ofendido. Aliás, o protagonista do filme é tachado de bobo justamente por não ter uma amante, quem diria! É engraçado, também, ver como a mulher era vista como uma propriedade: a que ele já tinha, não devia estar se divertindo sem ele; a que estava disponível, deveria ser agarrada antes que outro homem qualquer viesse e a declarasse posse dele. Tudo feito com bom humor? Sim, inegável isso. Os desejos incontroláveis dele eram sempre arruinados por sua consciência, fosse na forma da lembrança da esposa ou do filho, ou pela forma atrapalhada com que desenrolava seus planos de sedução.
 
Não dá para julgar o filme agora sob essa ótica, mas fica o alerta para ver o quanto evoluímos. Um roteiro assim, pensado somente para explorar a beleza (e burrice, disfarçada de ingenuidade) da mulher e no quano o homem pode ser superior ao não ceder à tentação (salvo uma bitoca ou outra), é impensável hoje em dia. Mas se não fosse assim naquela época, não teríamos a quase mitológica cena de Marilyn, de vestido branco, se refrescando com o vento do metrô (ah!, e a cena é bem mais curtinha e comportada do que eu esperava).
 
Tão fofa a "polêmica" cena...
Meu conselho para aproveitar esse filme? Relaxe e divirta-se com as trapalhadas de um homem comum tentando seduzir a maior musa de todos os tempos e tente encontrar todas as piadinhas internas do roteiro.

0 comentários: