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domingo, 8 de outubro de 2017

A Forma da Água

Eu só tenho a agradecer a Guillermo del Toro por esse presente. É assim como me sinto depois de assistir a essa delícia de filme que é A Forma da Água (The shape of water, 2018). O longa estreia em janeiro de 2018, porém eu tive o privilégio de assistir à primeira exibição dele durante a abertura do Festival do Rio 2017. E ele já se tornou um dos meus favoritos de todoa os tempos.

No longa, del Toro nos conta uma linda e emocionante fábula: Eliza Esposito (Sally Hawkings) é uma mulher comum que tem um problema de fala, o que não a impede de ter uma vida normal. Alternando as visitas a seu recluso vizinho e amigo Giles (Richard Jenkins) e seu turno noturno de trabalho em uma base científica secreta, ela sobrevive apesar das dificuldades. Um dia, porém, um novo projeto científico chega à base e sua vida mudará por completo. Uma criatura capturada na Amazônia foi levada para lá afim de ser estudada, e uma improvável amizade entre eles nascerá.

Sobre essa premissa, del Toro discute profundos temas como sexualidade, beleza, auto-conhecimento, humanidade e divindade, poder, racismo e preconceito - tudo azeitado com muito bom humor e delicadeza. O longa é o que eu descreveria como um poema e um sonho combinados, um surrealismo poético que emociona e alcança o público como poucos. Seus personagens são tão cativantes em suas diferentes personalidades que é quase impossível não se apegar a eles.

Todo o elenco é magnífico, e as atuações delicadas só reforçam a empatia com os personagens. Eles parecem humanos, reais, mesmo que estejamos presenciando um conto de fadas. Destaco as interpretações de Hawkings e Octavia Spencer, que fez de sua Zelda um delicioso contraponto à quieta amiga de trabalho. Michael Shannon também merece ser mencionado por dar vida ao vilão Strickland, um homem que consegue resumir em suas contradições o que há de pior em nossa sociedade.


Nem preciso mencionar o primor que é a fotografia e produção de arte, que nos mergulha (com perdão do trocadilho) no universo meio mágico, meio Guerra Fria. Um belo subtexto aqui, pois o tempo era de resistência à mudanças enquanto havia esperança de um mundo melhor, mesmo que as ações fossem regidas pelo medo e nem sempre terminassem como se esperava. Aliás, há muito o que se ler nas entrelinhas desse filme.

Uma belíssima obra, de uma sutileza e impacto como poucos filmes recentes conseguiram trazer à tela - e à tona. A Forma da Água é o que eu acredito que o cinema é: poesia e emoção, que faz pensar e repensar nossa forma de ver o mundo, de agir. Ansiosa para vê-lo novamente. Vem logo, 2018!

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