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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Blade Runner 2049


Sabe aquele medo de ver uma sequência que estraga o original? Pois esqueça. Blade Runner 2049 (2017) é daqueles filmes que vão agradar aos fãs mais fervorosos e ainda deve arrastar mais um monte de gente para o universo futurista e decadente dos androides. Denis Villeneuve homenageia o original de Riddley Scott, mas não perde o foco quase dissecador em seus protagonistas. Assim, o questionamento iniciado no primeiro longa é ampliado: o que é ser humano?

K (Ryan Gosling) é o melhor caçador de androides em atividade e está em seu ambiente de trabalho. Procurando pelos últimos exemplares dos Nexus rebeldes (androides que se recusavam a ter prazo de validade), ele encontra uma pista que poderá mudar para sempre a História. Pressionado por sua chefe a eliminar evidências antes que o caso se espalhe, acaba sendo vigiado pela empresa que fabricou os androides com "defeito": eles tem outros planos para a descoberta que K fez.

K (Gosling) e Joi (de Armas): um amor complicado
O longa tem um ritmo diferente dos atuais filmes de ficção científica: contado de forma linear, de modo a deixar o público captar as entrelinhas das cenas ao invés de bombardeá-lo com informações e palavras difíceis de entender. As longas pausas entre diálogos nos mergulham na paisagem caótica e na emoção dos personagens, o que para mim foi um acerto enorme. Essa forma mais lenta, noir, de narrativa pode cansar o espectador mais ansioso por ação. Superada essa barreira, o filme é um prato cheio para conversas pós-sessão.

Metalinguagem na fotografia: homenagem ao original, porém mudando ligeiramente o foco

Eu senti como se o universo tivesse se expandindo: questionando os questionamentos, a dúvida é a única certeza. O que é verdade naquela rede de informações? Como androides podem ser tão ou mais humanos que os humanos? (aliás, ainda existem humanos na Terra ou todos já abandonaram o planeta arruinado para a nova espécie?) Metáforas profundas e belas sobre relacionamento, sentimento, a angustiante busca pelo verdadeiro conhecimento de si próprio. Tudo isso em diálogos curtos e longos takes de tirar o fôlego: a fotografia é soberba, mesclando luz e escuridão, dia e noite; detalhes incríveis e desfoques intencionais - como se nos dissesse "você não tem uma visão clara da situação". No mínimo, vai ser impactante.

K e Luv (Hoetz): criaturas indo encontrar seu criador
O elenco está ótimo, com todos os atores entregando atuações primorosas - com destaque para Dave Bautista (conhecido por ser o Drax de Guardiões das Galáxias, prova que não é só músculos e piadas em sua pequena porém importante participação), Ana de Armas e sua apaixonada Joi (uma holograma), e Sylvia Hoeks, que faz de sua androide Luv uma das melhores coisas desse filme. A exceção é Jared Leto. Pode parecer perseguição ou implicância minha, mas Leto não acertou o tom (de novo) como um vilão. Quem já o viu em Réquiem Para um Sonho ou Clube de Compras Dallas sabe que ele é melhor do que o que apresentou. Mas nem isso atrapalha o andamento do filme, que sabe segurar bem os ases nas mangas e soltar na hora certa a bomba (atômica) no colo do espectador.

Jared Leto como Niander Wallace: trejeitos ficaram artificiais, porém não comprometem o personagem

O mais interessante de Blade Runner 2049 é que ele funciona para quem é fã do primeiro longa, mas também para quem nunca viu o original. Fica bem claro que ele foi feito para (e por) apaixonados pelo longa original e pelo livro que o inspirou, mas ele se permite ser acessível para quem não os conhece. É fato que alguns detalhes vão passar despercebidos, mas o entendimento geral da estória está claro para todos - até porque o questionamento "Quem sou eu? De onde eu vim? Qual é a minha missão?" é universal. Mais do que recomendado, ele chega às telonas com status de OBRIGATÓRIO na lista de qualquer cinéfilo que se preze. 

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