3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Thor: Ragnarok


Do universo cinematográfico da Marvel, os filmes do Deus do Trovão sempre foram os mais "engraçadinhos". Isso fica bem evidente nesta terceira aventura solo do heroi, Thor: Ragnarok (2017). Para quem espera algo mais sombrio (afinal, o Ragnarok está associado ao apocalipse mitológico) deve estranhar o visual bastante colorido do início ao fim e o tom quase infantil de humor - nada que estrague o desenrolar do filme, mas que pouco contribui para o entendimento da trama. Apesar de alguns defeitos incômodos, como a falta de destaque para os vilões e o clima meio forçado de humor, o filme ainda é mais consistente e impactante que os dois antecessores.

Hela (Blanchett): sinistra e cheia de ressentimento no coração

Em linhas gerais, temos a trama circulando entre os herdeiros de Asgard: Thor (Chris Hemsworth), Loki (Tom Hiddlestone) - que apesar de adotado por Odin (Anthony Hopkings) é considerado por este como um filho legítimo - e Hela (Cate Blanchett), a primogênita do deus-supremo. Sim, você não leu errado: Thor e Loki tem uma irmã mais velha, e ela só é mais poderosa até que o Pai de Todos. Trancafiada por séculos, alimentou um ódio terrível pelo pai Odin enquanto ele governava os nove reinos sem ela; porém como Hela estava longe de Asgard (a fonte de seu poder), ela precisava esperar uma oportunidade de voltar. Quando Loki toma o trono de Odin ao final de Thor - O Mundo Sombrio (2013), Asgard fica desprotegida e a Deusa da Morte tem a oportunidade de voltar. Com os sonhos proféticos de Thor se tornando realidade, ele precisa correr contra o tempo para impedir que Asgard seja destruída para sempre.

Com o reino em perigo e sem Thor (Hemsworth) e Odin (Hopkins) para protegê-lo, resta a Heimdell (Elba) a tarefa de defender Asgard
Muita coisa acontece nesse meio-tempo: um encontro-relâmpago com o Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch), o mágico martelo Mijölnir é destruído por Hela, Thor acaba sendo levado como um competidor ao estilo gladiador para o planeta Sakaaran e enfrenta o Hulk (Mark Ruffalo) para delírio da plateia, uma Valquíria rebelde (Tessa Thompson) - das mitológicas filhas-guerreiras de Odin, equivalente às amazonas gregas - irá se juntar ao grupo de Thor para proteger Asgard. Aliás, é em Sakaaran que estão os personagens mais bacanas: o Grão-Mestre (Jeff Goldblum, impagável) e o lutador - e pseudo revolucionário - Korg (voz do diretor Taika Waititi) são as coisas mais legais do planeta, sendo realmente divertidos sem que haja um esforço muito evidente para o humor acontecer. Em Asgard, há ainda Heimdell (Idris Elba) liderando a resistência contra a nova rainha e o indeciso Skurge (Karl Urban), que não sabe muito bem em que lado quer ficar - mas que é capaz de qualquer coisa para salvar a própria pele. 

Grão-Mestre (Goldblum) e Loki (Hiddlestone) assistindo à luta de Thor e Hulk (Ruffalo): sequência divertida em Sakaaran
Levando em conta a diversão acima de tudo, o filme se propõe a entreter e ser assumidamente um passatempo. O elenco inteiro parece se divertir enquanto trabalha, e devo aplaudir a atuação de Blanchett. Não que eu duvidasse da capacidade dela, muito pelo contrário; mas como todo grande vilão megalomaníaco, eu temi que ela ficasse caricata. Não foi o que aconteceu (ainda bem!), mas fiquei bastante decepcionada com dois fatores: a falta de destaque para sua personagem na trama e os efeitos digitais nas cenas de luta da vilã. É tão evidente que não é um humano performando aqueles movimentos que dá até dó - custava colocar uma dublê para isso? 

Sturge (Urban) e Hela em Asgard: vilões pouco explorados
Mas, se é para falar de efeitos especiais, esse é apenas um pequeno defeito em um universo muito maior dentro do filme. As criaturas em CGI são magníficas em detalhes, e o visual geral resulta em algo espetacular. Nesse ponto, devo dar os devidos créditos ao diretor Taika Waititi: ele se propôs a fazer um filme divertido e bonito, e conseguiu os dois. Apesar de eu ter rido bastante durante a exibição - principalmente quando as piadas eram mais sutis, diga-se - eu acredito que este filme não vai ficar na memória por muito tempo. Pior, não vai ser daqueles que a gente não se cansa de rever. E também senti falta de um tom mais apocalíptico, afinal o nome nos leva a crer que haverá uma ameaça iminente pairando sobre a cabeça de Thor o filme inteiro - mas não é essa a sensação que fica. No fim, saí do cinema com uma confusa sensação de ter gostado do longa, mas não ter me empolgado tanto quanto achei que ficaria - além de achar que ele logo cairá no esquecimento.

Valkíria (Thompson) em um bar de Sakaaran: visual colorido e impactante
Ainda assim, é uma experiência digna de ver na telona. Duas cenas de ação tem a maravilhosa trilha sonora de Led Zeppelin (The Immigrant Song) e nos deixam com o coração acelerado conforme a tensão da música combina com os eventos da tela. Tem lá seus momentos de importância para o grand finale que será Guerra Infinita, mas o foco passa longe disso. Menos "drama familiar" que Guardiões das Galáxias Vol. 2Thor: Ragnarok é uma boa pedida para um cinema em família pois deve agradar desde os pequenos até os adultos fãs da franquia. 

P.s.: Algumas sequências bastante divertidas merecem destaque, além das já habituais cenas pós créditos para ficar de olho (são duas nesse filme): atenção para as cenas onde Loki aparece, em toda a parte da arena gladiadora de Sakaaran, e na hilária representação teatral em Asgard que acontece logo no início. 

0 comentários: