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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Acertando o Passo


Acertando o passo (Finding your feet, 2017) é uma comédia romântica tipicamente britânica, com pitadas de humor ácido e reflexões sobre a vida. Mas o que poderia se afundar num clichê doloroso e esquecível é transformado em uma experiência única ao se mudar um simples detalhe: a idade dos protagonistas. Fosse "Lady" Abbott uma mulher na casa dos seus 30 anos, a dinâmica seria outra. Mas quando a personagem tem que encarar uma grande reviravolta na vida às vésperas do que seria o início da "última etapa" de uma tranquila e bem-sucedida jornada de vida, as perspectivas são muito diferentes. 

Sandra (Staunton) e Bif (Imrie): cena hilária de uma discussão pesada no restaurante
Sandra Abbott (Imelda Staunton) vive em uma linda casa e prepara a festa de aposentadoria do marido, Mike (John Sessions), que acaba de receber um título real. Durante a festa, porém, ela descobre que ele tem um caso com sua melhor amiga, Pamela (Josie Lawrence), há cinco anos. Transtornada, ela resolve buscar abrigo com a irmã Bif (Celia Imrie) até que a poeira baixe. Mas as duas irmãs não podiam ser mais diferentes: enquanto Sandra é organizada, rígida e extremamente ligada aos padrões, Bif é desorganizada e mais leve de espírito. Depois de anos afastadas, as duas vão redescobrir como se ajustar.

Sandra vai ter que rebolar (com trocadilho) para se adaptar à nova vida
O elemento chave nessa reconexão é a dança. Bif faz parte de um animado grupo de dança de salão para a terceira idade, onde fez grandes amigos como o faz-tudo Charlie (Timothy Spall), o recém-viúvo Ted (David Hayman) e a advogada Jackie (Joanna Lumley). Sandra começa relutante a acompanhar a irmã nas aulas, mas aos poucos vai se permitir conhecê-los - e também a si mesma. Agora é hora de acomodar-se na poltrona e acompanhar a divertida montanha-russa emocional que Sandra enfrenta. 

A mensagem de "nunca é tarde para recomeçar" é explicada de forma simples e divertida. Há momentos realmente emocionantes, onde é quase impossível segurar as lágrimas, mas a mensagem final é sempre positiva. O trio principal, formado por Staunton, Imrie e Spall é fenomenal e inspirador. As nuances tão sutis de seus personagens ganham força e brilho com atuações precisas, tornando Sandra, Bif e Charlie pessoas - quase tão reais quanto qualquer conhecido ou familiar nosso. Méritos também para o diretor Richard Loncraine, que soube extrair o melhor dos atores - até mesmo os personagens secundários tem seus momentos de brilho - e do roteiro.

Sandra e Charlie (Spall): muitos contratempos até pararem de se estranhar
Se tenho uma ressalva para esse filme, é para a parte técnica - principalmente a caracterização. O figurino, de Jill Taylor, em geral parece um pouco datado e beira o clichê (idosos se vestem como "velhos", cheios de camadas de roupas que não combinam entre si), e o cabelo da personagem Sandra ficou estranho nas duas caracterizações que marcam sua mudança. Vaidade é uma das características importantes dela, não poderia jamais ser mau caracterizado. Esse, porém, não é um detalhe que chega a comprometer o filme. O roteiro de Nick Moorcroft e Meg Leonard é um bom exemplo de como transformar clichês de gênero em uma experiência agradável e até surpreendente: mesclando pesados dramas pessoais das personagens com situações-comuns de comédias românticas, ganhamos um filme leve, emocionante, inspirador e deliciosamente divertido.

Acertando o Passo é uma grata surpresa. A mensagem positiva é universal, e, com emoção e diversão na dose certa, o filme é uma ótima pedida para toda a família.

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