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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vamos dar uma "espiadinha"?

Desculpem, a piadinha foi inevitável. Como não lembrar de BBB assistindo a esse filme? Não duvido nada se o(s) criador(es) do formato do programa não tenha se inspirado nele para criar o primeiro Big Brother.
Devo dizer também que este é o meu primeiro filme de Grace Kelly. Estou até agora apaixonada pelos figurinos charmosíssimos e chiquérrimos que a personagem Lisa Fremont usa. Aliás, somente ela seria tão charmosa para escalar muros e subir escadas de incêndio para invadir um apartamento usando vestidos tão compridos, sem tropeçar nem perder a elegência. Não foi à toa que se tornou uma princesa de verdade.
Outra coisa que amei foi a câmera fotográfica. Inveja daquela lente gigantesca, daquelas que dá pra ver o que o cachorro andou fuçando no jardim do vizinho. E o flash? Imagina, ter que trocar a lâmpada a cada disparo dado? A vida dos fotófragos hoje em dia, mesmo com os seguranças das celebrities (e, às vezes, até as próprias celebrities) de ânimos alterados é bem menos complicada que antigamente.
Comentários bobos à parte, devo dizer que o filme é fofo. Mais uma vez me surpreendo com um filme em que esperava uma coisa e vi outra. Tanto falam que Hitchcok é o mestre do suspense que eu imaginava que o filme fosse ser eletrizante ou angustiante como os atuais. É delicioso. Tem um tom intimista, e a forma como a personagem Jeff (James Stewart) e a vizinhaça são apresentados nos faz sentir a mesma curiosidade em saber "que fim levou aquela história". Ora, quem mora em apartamento sabe muito bem o que estou falando. Não dá pra fugir da janela do vizinho, por mais que se coloquem persianas, cortinas e afins. E quem não é curioso, é mentiroso. Sua curiosidade pode até ser moderada ou concentrada em assuntos pertinentes e/ou específiicos, mas todo mundo é curioso. O diretor soube explorar isso, exatamente como qualquer um de nós teria feito. Sem alarde, só observando, juntando suspeitas que parecem absurdas... Mas, como todo bom jornalista que se preze, a curiosidade de Jeff é mais aguçada. Ele se apresenta como fotógrafo, mas é mais jornalista que qualquer outra coisa.
A vizinhança é muito interessante. A dançarina bonita que acaba por ficar com o soldado desengonçado; a vizinha artista que não faz muita coisa a não ser pegar sol e tomar conta das atividades alheias; o casal recém-casado, que chega esbanjando alegria e harmonia, mas acaba caindo na realidade antes do que eles imaginavam; a srta. Coração Solitário, que recebe visitas de pretendentes imaginários e sofre com os reais, mas que acaba desitindo do suicídio por causa do talento do vizinho músico - que envolve a todos (inclusive nós, espectadores) com sua música como "trilha sonora". Com vizinhança tão interessante, como não tentar espantar o tédio vigiando o que eles estão fazendo?
Um filme de suspense leve, charmoso, intrigante, com refinados toques de humor. O final não é surpreendente como anunciam no release do dvd, mas é perfeito. Personagens bem construídas, roteiro bem amarrado, um diretor afiado e cativante. Mais um pra minha lista dos "mais queridos".

3 comentários:

Fabiane Bastos disse...

Também fiquei pasma com o charme de Grace. Quando crescer quero ser igual a ela!

Momento Fabiane de cultura inutil: Se alguma obra inspirou o BBB, foi "1984" de George Orwell, que também já virou filme. Ao menos a expressão Big Brother (Grande Irmão), vem de lá. É assim que chamam o ditador, que tudo vê.

blogsergiochristino disse...

Tudo que é relacionado ao cinema me encanta, esta câmera era primordial nesta época para fins de detalhes em solução de crimes. Fantástico post,mas acho que não tem nada a ver com BBB

Geisy Almeida disse...

Fabi: ela é simplesmente estonteante, e as tomadas buscam sempre valorizar a sua beleza e elegância - repara só.

Sérgio: obrigada pelo elogio, faz realmente sentir que valeu a pena ter me esforçado para assistir ao filme de madrugada e ir trabalhar cedo no dia seguinte. Só relacionei o filme com BBB por ver uma semelhança: assim como foi irresistível para Jeff começar a investigar um caso na vizinhança, é quase impossível não saber/perceber que algo acontece na casa do BBB. Lá tudo é feito de propósito, para ser exposto mesmo; ao contrário do que acontece no filme - tentativa de encobertar um crime. Mas, ainda assim, a inocente primeira "espiadinha" fisga a sua atenção. No filme, leva á solução de um crime. No BBB, ainda não sei no que que vai dar, mas honestamente acho que não dá em nada mesmo.