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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mentes ociosas de homens inocentes!



Todos são inocentes em Shawshank. Mesmo sendo uma prisão de segurança máxima todos afirmam estar lá por engano. O advogado tramou para eles!

Quando chega ao presídio em 1946, Andy Dufresne (Tim Robbins) também afirmava ser inocente da morte de sua esposa e do amante na noite em que ele descobrira o adultério. Entretanto, por vezes, temos a impressão de que o bem-sucedido banqueiro não tem muita certeza dos fatos ocorridos naquela noite.

Em sua nova rotina de prisioneiro, faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman)."Red", preso há 20 anos e com pedido de condicional constantemente recusado, controla o mercado negro do presídio.

Na prisão tudo é rotina e o homem faz de tudo para manter a mente ocupada, afinal: mente ociosa, morada do diabo! É isso que acompanhamos, o dia a dia desses homens enclausurados.

À exceção de Andy, cuja culpa é duvidosa, não conhecemos os crimes da maioria dos detentos. Sem saber quem é assassino ou sonegador de impostos, não temos como criar preconceitos por sua vida pregressa, e acabamos julgando-os por seu comportamento atrás das grades. Por esse ângulo, a maioria é boa pessoa. Os vilões são os guardas, que abusam da autoridade e tiram proveito dos presos em qualquer oportunidade.

É observando esse comportamento, e sendo mais esperto que seus vigias que Andy mantém sua mente ocupada e causa uma revolução na prisão. Não! Nada de colchões queimados, guardas reféns, etc. A revolução é comportamental e cultural. Insistente, ele melhora a relação entre os detentos, consegue melhores recursos para a biblioteca, e alguns benefícios para eles e seus amigos. Além de um pouco de justiça misturado com vingança (mas vou parar por aqui para não estragar a sessão de ninguém). Tudo a custa de muito trabalho e sua experiência com finanças.

Sob o olhar atento de Red (personagem/narrador que nos deixa a par dos detalhes da vida na prisão e até faz algumas análises para o espectador), vemos os conflitos entre aqueles homens forçados a conviver (e isso inclui os funcionários do presídio). Detentos vêm e vão de diferentes formas. Impossível não se emocionar com a saída de Brooks Hatlen (James Whitmore), que chegou à prisão em 1905 e, 50 anos mais tarde, conquistou a condicional. Saindo para um mundo que evoluiu absurdamente neste meio século que ele não conhecia, e onde não poderia se encaixar.

Liberdade = medo!
Difícil é acreditar que este seja o primeiro longa para as tela grande de um diretor. Acertar de primeira assim, só Orson Welles e seu Cidadão Kane. Felizmente, diferente do maior "one-hit wonder" da história do cinema (Kane nunca conseguiu superar ou mesmo igualar sua obra), Frank Darabont não apenas conseguiu outros sucessos, como continua na "disputa", como produtor e diretor. 

Muito bem contada, com ritmo perfeito e personagens carismáticos, a adaptação para as telas do conto Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King, empatou bonito com meu filme de prisão favorito até então. À espera de um milagre (The Green Mile, 1999), dirigido por Frank Darabont. Curioso, não?

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