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sábado, 10 de novembro de 2012

Décadas diferentes, mesmos adolescentes?

Não lembro de ter assistido Gatinhas e Gatões na "Sessão da Tarde". Sim, eu sei que é um clássico do horário, provavelmente assisti quando pequena, mas não recordava uma cena sequer. Curiosamente, ao ver o filme lembrei de um filme mais recente com Alexa Vega (de Pequenos Espiões).

No filme, já dos anos 2000, a personagem de Vega, é afim de um rapaz mais velho (platônico, claro!). Mas, não é que acidentalmente esbarra na menina, se interessa por ela, e após breve pesquisa no anuário se apaixona pela moça. Não sei qualquer semelhança é mera coincidência, mas situação semelhante acontecera com Samantha Baker (Molly Ringwald), décadas atrás!

Mas antes, vamos ao enrredo. Enquanto aqui debutamos aos 15, as boas moças estadunidenses sonham com tão esperado 16° aniversário. Infelizmente, toda a família de Sam, esqueceu o dela. Estavam atarefados com o casamento da irmã mais velha Ginny (Blanche Baker). Isso significa que a moça tem que ceder seu quarto para os avós que vieram de longe para a festa. É claro que ela poderia ter um momento de diversão, já que no dia de seu aniversário tem um baile na escola (!), mas ela tem que levar o aluno de intercâmbio que veio com seus avós Long Duk Dong (Gedde Watanabe). E aturar um nerd irritante e grudento (Anthony Michael Hall, hilário a ponto de deixar Jim Carrey com inveja) interessado nela. E ver o tal moço por quem se interessa aos beijos com sua namorada perfeita.

Acreditem ou não, apesar desse paragrafo enorme sobre tudo que a moça enfrenta, a protagonista não monopoliza o filme. Muito pelo contrário! A certa altura do filme, Sam desaparece e começamos a acompanhar o que todo o elenco de apoio faz enquanto a moça tem seu sono de beleza. O que inclui a noitada dos nerds, e de Long Duk Dong. Vários takes de Joan Cusack tentando beber coisas, uma noitada muito louca na casa de um ricaço. E claro, e a pequena pesquisa do já interessado rapaz dos sonhos sobre a pessoa de Sam.

Seguimos Sam? Abandonamos a moça e sua trama para ver um japonês andando de bicicleta hergométrica? Ou é melhor dar espaço para as conquistas nerds? Ou admiramos a figuração de luxo dos, então desconhecidos, John e Joan Cusack? O roteiro é irregular, fato! Mas também é muito engraçado ao ponto de não nos importarmos com o desvio de foco. Deixe a protagonista dormir, ela é tão mal-humorada e passiva, que melhor assistir o universo trabalhar em favor dela.

Joan Cusack:"Aproveita porque nas próximas décadas a tela é minha!"
O casamento e a noiva aliais merecem uma nota a parte. Não por protagonizar um arremedo de cerimônia, mas por ser aquele tipo de pessoa "falsamente perfeita", que adoram chamar atenção para si. Nos irritam muito quando o fazem, mas nos matam de rir depois que a raiva passa. Seja pelo ridículo da situação, pelo papel de idiota que faz, ou pelo fato das outras pessoas não perceberem que estão sendo manipuladas pelo idiota. Pode me chamar de implicante, mas quem nunca conheceu alguém assim, que atire a primeira pedra.

É aí que mora a graça do filme. É povoado de personagens absurdamente exagerados, em situações ainda mais absurdas, mas que lá no fundo te lembra alguém que teria essa cara de pau. Além disso, são os loucos anos 80! Suas roupas, seus penteados, suas músicas (alguma coisa tinha que ser boa), e sua liberdade de falar sobre qualquer coisa, sem se preocupar com o politicamente correto.

No final das contas, não dá para ter certeza se o romance de Sam e Jake Ryan (Michael Schoeffling) foi para frente. Afinal tudo aconteceu em 24h, e o casal trocou duas palavras durante todo o longa, enquanto ela vestia um daqueles horríveis vestidos de madrinha de casamento. Mas dá para ficar satisfeita com a noitada muito louca. Com o fato de as moças modernas poderem sonhar com príncipes em cavalos brancos, ou em carrões vermelhos. E perceber que 20 anos depois as garotada ainda deseja as mesmas coisas. Embora a personagem de Alexa Vega em Dormindo fora de Casa (valeu St. Google), nem em sonho poderia responder a um questionário sobre sexo. Saudades dos anos 80!
Eu sei, o vestido é cafona, agora podemos falar de outra coisa?

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