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domingo, 16 de junho de 2013

É terror ou comédia?


Não sei se demorei demais a ver Poltergeist - O fenômeno, mas o fato é que achei mais divertido do que assustdor. E a culpa não é só dos hoje desatualizados efeitos especiais ou da boa premissa perdida em soluções capengas mas também pelo humor impregnado na própria narrativa (a árvore lutadora, uma criança arremessada para espíritos!). Acredito mesmo que, se não fosse a maldição atribuída ao filme (coisa comum no gênero), talvez ele não tivesse virado cult por tanto tempo.

Há coisas boas? Sim, a começar pela protagonista Carol Anne, vivida com impressionante naturalidade pela fofa Heather O'Rourke. S´´ério, como pode alguém daquele tamanho interpretar tão bem cenas tão difíceis? Milagres do cinema. Ouso arriscar que a atuação dela e de JoBeth Williams, como Diane, é que sustentam a  trama até o fim. A improvável história da garotinha aprisionada (na casa? numa outra dimensão? no limbo? nunca vamos saber) devido à presença de espíritos vingativos ganha força realmente graças ao desempenho das duas atrizes, que traduzem o desespero de mãe e filha separadas por um universo de distância. 


É uma pena que o fenômeno do poltergeist seja tratada de forma ligeiramente leviana aqui. A explicação dada pela parapsicóloga, que difere a manifestação de uma assombração corriqueira, não encontra respaldo no roteiro. Sem contar que a presença de sua equipe me fez sentir saudade dos Caça-Fantasmas... A cereja do bolo foi a chegada da misteriosa velhinha, que dá início a um ritual bem pouco ortodoxo para resgatar a garotinha. Tinha um quê de religioso, mas sem se aprofundar no assunto. Tudo assim, muito genérico.

Para completar a coleção de referências, o cemitério, referência que faz parte do imaginário coletivo de várias lendas urbanas de massacres e tragédias, dá o toque final de moral da história: a ganância tem seu preço. Uma ideia válida, se não fosse desperdiçada numa sequência  final apressada, com direito a uma calmaria cuidadosamente desenhada para enganar o espectador. E por que não funcionou? Respondam com sinceridade: você ficaria mais um minuto dentro de uma casa assombrada depois de quase ter perdido sua família e sua vida? Colocaria seus filhos para dormir mais uma noite no quarto onde tudo começou? Isso foi além da conta, ofende um pouco nossa inteligência. E ainda acho que tudo seria diferente se aquela TV tivesse dado uma piscadinha no final...

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