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formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A trilha sonora de Romeu + Julieta

A trilha sonora original de Romeu + Julieta traz diversos artistas de rock e pop que faziam sucesso em 1996.

Na Austrália, terra natal de Baz Luhrmann, a trilha sonora foi o segundo álbum mais vendido do ano, chegando a platina cinco vezes.

Baz Luhrmann enviou à banda britânica Radiohead uma fita de vídeo que continha os últimos 20 minutos do filme e pediu-lhes para fazer uma canção para os créditos finais. Eles compuseram a canção "Exit Music (for a film)", que apareceu em seu álbum de 1997 "OK Computer" (o diretor disse no comentário do DVD que ele acredita que é um dos melhores temas de créditos já escritos)



Confira as faixas do álbum
"#1 Crush" - Garbage – 4:47
"Local God" - Everclear – 3:56
"Angel" - Gavin Friday – 4:19
"Pretty Piece of Flesh" - One Inch Punch – 4:53
"Kissing You (Love Theme from Romeo + Juliet)" - Des'ree – 4:58
"Whatever (I Had a Dream)" - Butthole Surfers – 4:09
"Lovefool" - The Cardigans – 3:19
"Young Hearts Run Free" - Kym Mazelle – 4:16
"Everybody's Free (To Feel Good)" - Quindon Tarver – 1:43
"To You I Bestow" - Mundy – 3:59
"Talk Show Host" - Radiohead – 4:17
"Little Star" - Stina Nordenstam – 3:40
"You and Me Song" - The Wannadies – 2:55

Na ocasião do 10º aniversário do filme, uma nova edição do CD fora lançada com faixas bônus.
"Introduction to Romeo" - Craig Armstrong – 2:07
"Kissing You (Love Theme from Romeo + Juliet) Instrumental" - Craig Armstrong – 3:33
"Young Hearts Run Free (Ballroom Version)" - Kym Mazelle, Harold Perrineau & Paul Sorvino – 3:27
"Everybody's Free (To Wear Sunscreen) '07 Mix" - Baz Luhrmann e Quindon Tarver – 7:10


terça-feira, 30 de julho de 2013

Curiosidades de Romeu + Julieta


O orçamento de Romeu + Julieta foi de US$ 14,5 milhões. O filme arrecadou apenas nas bilheterias norte-americanas a quantia de US$ 46 milhões, foram US$ 147 milhões em todo o mundo.

Ewan McGregor, Christian Bale, e John Leguizamo (que acabou ganhando o papel de Teobaldo) fizeram o teste para o papel de Mercutio antes de Baz Luhrmann decidir fazer Mercutio negro. Benicio Del Toro foi considerado para o papel de Tebaldo.

Este é o primeiro de dois filmes que o ator John Leguizamo fez com o diretor Baz Luhrmann. O outro foi Moulin Rouge - Amor em Vermelho (2001).

Leonardo DiCaprio foi a primeira escolha de Baz Luhrmann para interpretar Romeo.

Claire Danes era apenas três anos mais velha do que a personagem que ela desempenhou. Foi sua primeira experiência com Shakespeare.

Sarah Michelle Gellar, Jennifer Love Hewitt, Kate Winslet e Christina Ricci foram consideradas para Julieta. O compromisso de Gellar com All My Children interferiu, e Hewitt foi considerada muito jovem. Natalie Portman também foi considerada e até voou para a cidade natal do diretor Baz Luhrmann, Sydney, para filmar cenas com Leonardo DiCaprio. Mas ela tinha 13 anos (real idade de Julieta) e o galã tinha 21 anos. Apesar de DiCaprio aparentar pouca idade, a diferença entre os dois, deu um tom ruim para as cenas. Eis um vídeo onde a jovem Natalie explica o que aconteceu.




O filme é executado por exatamente duas horas, de acordo com o prólogo, que afirma: "É agora o tráfego de duas horas por nosso palco."

A música tocando quando julieta morre é Isolde 'Liebestod' da ópera de Richard Wagner Tristão e Isolda, onde é usada no mesmo contexto.

A versão de Leonardo DiCaprio do discurso de Romeo no esquife de Julieta foi tão boa que levou Claire Danes às lágrimas, quase arruinando a cena. No momento em que o diretor gritou "corta!" Danes bateu DiCaprio no braço e disse: "Não me faça chorar. Eu tenho que estar em coma, aqui!"

Como a maior parte da obra de William Shakespeare, os versos de Romeu e Julieta são escritos em pentâmetro iâmbico. Pete Postlethwaite, que interpreta Padre Laurence, é o único ator no filme que fala usando esse medidor.

Uma série de momentos importantes (e muito triviais) envolvem água. Quando vemos Julieta pela primeira vez ela está segurando a cabeça debaixo de água. A primeira troca de olhares entre Romeu e Julieta é através de um tanque de peixes. A cena do balcão acontece em uma varanda para a piscina. Mercutio é morto na praia, quando Teobaldo é baleado, ele cai em um lago. Quando Romeu banido vai ao quarto de Julieta, ele está encharcado da chuva, e sai na manhã seguinte, ele cai na piscina novamente.

Claire Danes usa uma peruca durante todo o filme e também tinha uma peruca aquática especial para suas cenas subaquáticas.

A estátua de Jesus que domina Verona era na verdade um efeito visual. Na realidade, tinha 2 metros de altura.

No baile de máscaras dos Capuleto, os principais personagens usam trajes que refletem suas personalidades: Romeu como um cavaleiro, Juliet como um anjo, Tebaldo como um diabo, Capuleto como um imperador, etc

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Romeu + Julieta

Você votou, e escolheu a mais trágica história de amor de todos os tempos para encerrar nosso mês inspirado por Shakespeare!
Romeo + Juliet
1996 - EUA
120 min, cor
drama

Direção: Baz Luhrmann

Roteiro: Craig Pearce, Baz Luhrmann

Música: Nellee Hooper

Elenco: Leonardo DiCaprio, Claire Danes, Zak Orth, Jamie Kennedy, Dash Mihok, John Leguizamo, Vincent Laresca, Carlos Martín Manzo Otálora, Paul Sorvino, Brian Dennehy,
Christina Pickles, Vondie Curtis-Hal, Paul Rudd, Jesse Bradford, Harriet Sansom Harris, Diane Venora, Miriam Margolyes, Pedro Altamirano, Harold Perrineau Jr., Pete Postlethwaite

Baseado em Romeu e Julieta de William Shakespeare.

domingo, 28 de julho de 2013

O desperdício de uma boa polêmica


Eu não sei vocês, mas sou daquelas pessoas que adoram teorias da conspiração. E exatamente por isso me pareceu muito interessante a proposta de Anônimo, que adota a antiga teoria que questiona a autoria de clássicos da dramaturgia mundial normalmente atribuídos a um tal de William Shakespeare. Se gente como Freud, Orson Welles e Charles Chaplin e outros estudiosos tiveram suas dúvidas, é porque deve ser uma discussão válida. Só não atentei para um detalhe: o nome de Roland Emmerich nos créditos. Diretor de filmes catástrofe como Independence day, 2012 e O dia depois de amanhã, seria esse o sinal de que viria um novo desastre pela frente? Ou a figura do autor não é mais importante do que a obra em questão? Está aí uma boa pergunta que o filme insiste em ignorar.

Segundo o filme, o Bardo não passava de um ator medíocre em busca de fama a qualquer preço. Macbeth, Romeu e Julieta, Othello e tantas outras peças que hoje fazem parte do imaginário coletivo nasceram da mente fértil e culta do conde Edward de Vere (Rhys Ifans), um nobre que não queria arriscar sua posição social e riqueza nos teatros populares da Inglaterra elizabetana. Então o verdadeiro dramaturgo pede a Ben Jonson (Sebastian Armesto) que assuma suas criações. Mas, diante da hesitação deste, devido a divergências criativas, Shakespeare (Rafe Spall) vê a oportunidade perfeita e toma a iniciativa. Deslumbrado pelo sucesso, desmancha-se a cada aplauso da multidão e age com pouco ou nenhum escrúpulo para manter o status. Em outras palavras: um fanfarrão.


Desnecessário dizer que os personagens apresentados são apenas caricaturas: o covarde, o ambicioso, o invejoso e por aí vai. A galeria de tipos aumenta com os representantes da corte: a rainha Elizabeth, por exemplo, vivida na juventude por Joely Richardson e na idade avançada por sua mãe, Vanessa Redgrave. A monarca vai de uma mulher frívola e inconsequente a uma senhora ingênua e fria em cada alternância de cenas. Os vilões, William Cecil (Jamie Campbell Bower e David Thewlis, prejudicado por uma maquiagem pouco sutil) e seu filho, Robert (Edward Hogg), que planejam manipular a sucessão do trono, não poderiam ser mais maquiavélicos.

Mas tudo seria perfeitamente aceitável se o filme tratasse da teoria com certo humor ou ironia, como uma farsa. O problema é que roteirista e diretor acreditam piamente na história, mas se perdem na hora de conduzi-la. A ambientação temporal é bastante confusa desde o início, quando se alternam períodos diferentes com uma rapidez alucinante, deixando o espectador um bocado perdido no meio de tantos personagens. Já a revelação bombástica feita ao conde no seu terço final só torna a trama ainda mais novelesca e pouco crível. 


Mas acredito que o maior equívoco do longa seja reduzir a importância de Shakespeare como criador, seja ele um nobre conde ou um ator semianalfabeto. Suas peças são tratadas como mera propaganda política (visão que culmina com uma sequência de revolta bem inverossímil) e não como obras que reverberam na cultura mundial até hoje. Por todos esses motivos e também por não admitir que é apenas uma das inúmeras versões para a verdadeira identidade do autor em discussão, Anônimo não passa de uma falsa polêmica, se torna apenas uma teoria questionável que se leva a sério demais.

Agora um poema:

Rosas são vermelhas, violetas são azuis, seria Shakespeare uma fraude?

E se o maior dramaturgo da História fosse uma fraude? E se essa fraude fosse criada para proteger um segredo ainda maior? Confesso que o filme me surpreendeu, até porque eu não sabia muito bem o que esperar dele. Não conhecia muito sobre a história do autor antes de ouvir sobre esse boato, de que o grande William Shakespeare seria, na verdade, um usurpador. Bem, se você não gosta de spoilers, favor não terminar de ler esta resenha. Porque, tenho que dizer, fiquei impressionada com a história contada nesse filme - e não sei se vou saber me explicar sem contar a grande sacada...

O filme começa com uma apresentação em um teatro, como um arauto anunciando o espetáculo a seguir: começa-se acompanhando a história como um recurso do teatro, até que imergimos na ação: um autor foge desesperadamente da polícia real e se esconde em um teatro. Tentando salvar o embrulho que tinha nas mãos, ele se esconde debaixo do palco e consegue colocar os pertences dentro de um baú enquanto os policiais incendeiam o lugar. Levado preso, começa a ser torturado para revelar onde estão as peças de Shakespeare. Então, é preciso voltar ainda mais no tempo, para explicar porque Ben Jonson (Sebastian Armesto) estava fugindo. E aí começa uma ligeira sucessão de nomes que podem confundir quem não estiver muito ligado, mas que valem a pena ligar os pontos quando, mais pro fim do filme, a grande revelação acontece.

Ben Jonson (Armesto): contar ou não contar? Eis a questão...
Jonson, na verdade, estava apenas cumprindo uma última ordem de seu benfeitor, o Conde de Oxford Edward de Vere (Rhys Ifans, excelente): ele tinha que manter a salvo aqueles manuscritos da família dele, cujo sogro era o maior conselheiro da Rainha Elizabeth (Vanessa Redgrave, quando - muito - velha e Joely Richardson quando 'novinha') e era radicalmente contra as peças, de qualquer gênero e escritor, porque as considerava obras do diabo. William Cecil (David Thewlis, ótimo em cena) acompanhava a rainha desde que ela era jovem e bela, e conhecia bem o forte temperamento da moça - tanto que a aconselhava com bastante severidade quanto as questões inglesas, uma vez que sua sucessão ao trono estava ainda incerta já que ela não tinha nenhum herdeiro direto. O que Vossa Alteza não sabia era que um de seus bastardos estava querendo se candidatar ao trono, o Conde de Essex Robert (Sam Reid) e buscava apoio na corte e fora dela para declarar seu direito ao trono. Conseguiu que o jovem Conde de Southampton (Xavier Samuel) o apoiasse na causa, mas isso desagradou a Edward, que não queria ver seu filho apoiasse o golpe (mais tarde descobrimos que ele é bastardo de Edward e Elizabeth, um amor proibido porque Edward já era casado com a filha de Cecil - mas ah!, ela era a rainha né? Ela podia tudo).

Elizabeth (Richardson) e Edward (Campbell): há algo de podre no reino da Inglaterra
Enquanto toda essa agitação política acontecia, Jonson foi colocado no centro do caldeirão quando fora resgatado da prisão (acusado de perverter a ordem com suas peças, claro) por Edward. O que o conde de Oxford tinha em mente era usar Jonson como um transmissor de suas ideias: muito afeito ao teatro e às artes em geral, em especial à poesia, Edward fora instruído a deixar de lado sua paixão pelas letras - mas manteve-se em atividade em segredo, escrevendo ricos poemas e peças inteiras. Sendo ele um conde genro do conselheiro da rainha, não podia ser pego descumprindo uma lei. Então Jonson era o testa-de-ferro perfeito para ele: um jovem e mediano autor, sem muito brilho ou renome, acabou preso a ele pela dívida do resgate à prisão. Após a apresentação da primeira peça, que fora um sucesso com o público, ambos foram surpreendidos pela interferência de um ator beberrão que, ao ouvir os gritos da plateia pedindo pelo autor da peça, se apropriou dos manuscritos e apresentou-se à frente da multidão: William Shakespeare (Rafe Spall). Aí complica, né? Ah, mas vai complicar mais ainda...

Shakespeare (Spall) nos braços do povo: até tu, William?
O velho Cecil morre, deixando seu filho Robert (Edward Hogg) em seu lugar como conselheiro. Este é tão rigoroso quanto o pai e continua a manter a rainha no trono, apesar de todas as tentativas de golpes contra ela. Elizabeth se sente segura quanto aos conselhos dele quanto era de seu pai porque acredita que os Cecil são extremamente leais à ela. Tanto que se manteve afastada de Edward desde o momento em que William a aconselhou a esconder a gravidez (inclusive do próprio conde) e novamente não desconfiou de nada errado quando Robert a avisou da rebelião do conde de Essex, que contaria com o apoio de Oxford. os condes de Essex e Southampton tinham sido enviados à Escócia para abafar as rebeliões católicas, mas ao retornar tinham sido impulsionados a reclamar logo o direito de Essex ao trono. Preocupado com seu filho e assustado com o sucesso de suas peças, o conde de Oxford ainda teve uma outra péssima surpresa: Shakespeare havia descoberto que Jonson as peças que ele lhe entregava do lacaio do conde, e foi lá cobrar o dinheiro extra que ele tentava extorquir de Jonson e não conseguia. Com esse dinheiro, cedido de má vontade pelo conde (que já estava indo à bancarrota), Shakespeare criou um brasão para si e aumentou o teatro (que existe até hoje) para a exibição de "suas" peças. Percebendo que suas peças atraíam a atenção do povo, Edward planejava causar comoção popular e apoio das massas para o conde de Essex através de sua peça. Mas o plano deu errado porque, cansado de ver o sucesso do falso autor e de ter que guardar tantos segredos e só se dar mal, Jonson acabou por revelar quando a peça seria encenada (mas ele não sabia da rebelião planejada por Edward). Quando a multidão inflamada foi pega na tocaia e os condes de Essex e Southampton também foram presos, acusados de traição e tentativa de assassinato da rainha, aí sim a história ganha tons tão dramáticos que nem as peças de Shakespeare (falso ou não) poderiam trazer. Ok, não vou contar o que é. Prefiro deixar minha resenha incompleta a contar le grand finale.

O conde de Oxford (Ifans): "O amor é cego, e os namorados nunca veem as tolices que praticam"
O filme tem uma produção impecável e atuações grandiosas, principalmente dos atores menos conhecidos. Sebastian Armesto faz um amargurado Ben Jonson com maestria, mostrando toda a frustração do autor menor que era e a inveja e amor que tinha pelas peças do Conde a que muito a contragosto servia, mas a lealdade e a paixão pela arte superaram as circunstâncias intrincadas em que surgiu o maior autor teatral de todos os tempos - independente de quem era. Rhys Ifans também é surpreendente, principalmente porque eu lembrava dele como o abestalhado amigo de Hugh Grant em Um lugar chamado Notting Hill. David Thewlis é outra carinha que a gente reconhece depois de um tempo - as maquiagens para envelhecê-lo dificultam um pouco, mas dá pra ver que o professor Lupin tá ali, aconselhando a rainha. Outra delícia é ver as peças do bardo sendo apresentadas como um tesouro secreto, reveladas aos poucos, pequenos trechos reconhecíveis daqueles que viriam a se tornar os maiores clássicos de todos os tempos sendo apresentados ao público como uma novidade - dá pra imaginar como seria ver uma peça de Shakespeare naquela época sem nem se dar conta de que ali era um pedaço de História sendo escrito? Um filme que não decepciona: cheio de reviravoltas, com uma produção especialmente caprichosa e atuações vibrantes, uma história intrigante e, quiçá, verdadeira. Uma boa surpresa que, mesmo que não vá parar na minha lista de filmes favoritos, pelo menos vai ficar na memória por um bom tempo.

sábado, 27 de julho de 2013

Shakespeare não existe!

Pegue o dramaturgo mais influente do ocidente, e mostre que ele na verdade não existe. Anônimo se aproveita de uma teoria que circula há mais de 100 anos, de que William Shakespeare não é o verdadeiro autor dos clássicos atribuídos à ele. Dentre os vários candidatos apontados pelas teorias de conspiração o longa de Roland Emmerich escolhe Edward de Vere o 17º Conde de Oxford.

De mente imaginativa e amante da arte em uma época que o teatro era mal visto na corte, o Conde Edward de Vere (Rhys Ifans), precisa deixar sua paixão e suas obras no anonimato. Quando conhece um teatro popular o nobre fica entusiasmado com a possibilidade de alcançar tantas pessoas e o poder que suas palavras podem ganhar com isso. Logo  ele descobre uma forma de tornar suas peças conhecidas, usando um "laranja". Papel desempenhado por um ator de origem humilde, um tal de Will Shakespeare.

Rainha Elizabeth e o Conde Oxford
Enquanto assistimos o impacto de suas obras na sociedade londrina, também conhecemos a vida de Edward. Circulando no alto escalão da nobreza, se envolve com a Rainha Elizabeth (Joely Richardson, quando jovem e Vanessa Redgrave em idade avançada), faz inimigos e é envolvido pelas intrigas de William Cecil (David "Lupin" Thewlis irreconhecível).

Rainha Elizabeth e o Conde Oxford
As indas e vindas entre as épocas são tantas, que não tenho certeza que podemos afirmar que o filme faz uso de flashbacks. Acho que narrativa não-linear é o termo mais apropriado. O problema com isso, é que somado ao excesso de personagens e títulos de nobreza, demora um tempo para se acostumar com o vai-e-vem e o quem-é-quem, nas diferentes épocas. Especialmente quando existe mudança de elenco e não apenas caracterização, o protagonista por exemplo, é vivido quando jovem por Jamie Campbell Bower. Melhor apresentação dos personagens ou uma narrativa mais uniforme resolveriam esta questão.

O elenco é competente, mas não há espaço para grandes interpretações. E a produção de arte é impecável, fazendo jus ao alto valor da produção. Mas tudo isso fica em terceiro plano enquanto o expectador divide as atenções entre a tentativa de compreender qual a posição de cada um no jogo da realeza. E a busca pelas referências às obras de Shakespeare na vida de Edward. As temáticas e dilemas semelhantes entre o Conde e os personagens do bardo tornam tudo mais verossímil.
Ah!!! Esse tal de Shakespeare, sempre um autor do povo....
Anônimo traz um argumento inteligente, interessante, bastante verossímil e até guarda algumas surpresas escandalosa que deixariam a corte britânica de cabelos em pé (tomara que sejam verdade!). Infelizmente, foi prejudicado por uma roteiro confuso. Mas seus erros não são uma tragédia Shakespeariana. O longa vale a locação, e talvez os problemas sejam castigo por insinuar que o dramaturgo mais influente do ocidente não existe.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Shakespeare nas telas

Mônica e Cebolinha no mundo
de Romeu e Julieta
Está curtindo nosso mês especial Shakespeare? Ótimo. Nos só vamos assistir alguns longas, mais você não precisa parar por aí!

Shakespeare é o autor mais filmado de todos os tempos, tem até sua própria página no IMDB. Com mais de 420 versões de filmes de longa-metragem de suas peças (e tem mais a caminho), além de obras que fazem menções ao autor, e até novelas, não vai faltar o que assistir quando a modesta lista deste blog/desafio terminar.

Não! Não conseguimos encontrar os mais de 400 longas, mas segue uma lista com várias produções para ajudar os amantes do bardo a encontra-lo nas telas.

Jogo de Intrigas
A Megera Domada
A Megera Domada (1967)
A Megera Domada (2005)
O Cravo e a Rosa (2001 - novela)

A Tempestade
Planeta Proibido (1956 )
A Tempestade (1979)
A Tempestade (1982)
A Última Tempestade  (1991)

Antônio e Cleópatra
Ela é o cara
À Sombra das Pirâmides (1972)

Como Gostais
As You Like It (2006)
Como Gostais (1936)

Hamlet
Hamlet (1948 )
Hamlet (1964)
Hamlet (1969)
Hamlet (1990)
Hamlet (1996)
Hamlet (2000)
A Herança (1970)
Terras perdidas
Rosencrantz e Guilderstern Estão Mortos (1990)
O Rei Leão (1994 -Hamlet)

Júlio César
Júlio César (1950)
Júlio César (1953)
Júlio César (1970)

Macbeth
Homens de Respeito (1991)
Macbeth (1948)
Macbeth (1971)
Trono Manchado de Sangue (1957)

Trono Manchado de Sangue
Muito Barulho por Nada
Muito Barulho por Nada (1993)

Noite de Reis
Ela É o Cara (2006 )
Noite de Reis (1997)

O Mercador de Veneza
O Mercador de Veneza (1973)

Otelo, o Mouro de Veneza
Jogo de Intrigas (2001)
Othello (1952 )
Shakespeare Apaixonado

Rei Lear
Ran (1985)
Terras Perdidas (1997)

Romeu e Julieta
Amor Sublime Amor (1961)
Um Candango na Belacap (1961).
O Casamento de Romeu e Julieta (2005)
Maré, Nossa História de Amor (2008 )
Romeu e Julieta (1936)
Romeu e Julieta (1954)
Amor Sublime Amor
Romanoff e Julieta (1961)
Romeu e Julieta (1968)
Romeo + Juliet (1996)
O Rei Leão 2: O Reino de Simba (1998)
Gnomeu e Julieta (2011)

Sonho de uma Noite de Verão
Sonho de uma Noite de Verão (1935)
Sonho de uma Noite de Verão (1999)

Sobre Shakespeare
Shakespeare Apaixonado (1998)
Anônimo (2011)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Prêmios de Anônimo

Oscar
Indicado para melhor figurino.

Saturn Award
Indicado para melhor figurino.

Art Directors Guild
Indicado para Excellence in Production Design Award

German Film Awards (Film Award in Gold)
  • Best Cinematography
  • Best Costume Design
  • Best Editing
  • Best Makeup
  • Best Production Design
  • Best Sound (Beste Tongestaltung)
Indicado para Outstanding Feature Film
Peter Adam e seu German Film Award por melhor edição.
Golden Trailer
  • Best Motion/Title Graphics

London Critics Circle Film Awards
Indicado para British Actress of the Year

Satellite Awards
Indicado para Best Art Direction & Production Design e Best Costume Design

Visual Effects Society Awards
Indicado para Outstanding Created Environment in a Live Action Feature Motion Picture e Outstanding Supporting Visual Effects in a Feature Motion Picture

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Galeria deAnônimo

Confira imagens dos bastidores da produção de Anônimo. Clique nas imagens para ampliar e continue acompanhando nosso mês especial sobre Shakespeare!













terça-feira, 23 de julho de 2013

Curiosidades de Anônimo

As filmagens ocorreram entre 22 de março e 18 de junho de 2010.

É o primeiro filme de grande orçamento a ser rodado usando a câmera digital Arri Alexa de alta definição.
Produção

 John Orloff escreveu o roteiro de Anônimo em 1998, mas o filme jamais tinha saído do papel devido ao lançamento de Shakespeare Apaixonado (1998).O projeto apenas voltou à tona em 2005, quando o diretor Roland Emmerich o leu e gostou da ideia.
Roland Emmerich no set do teatro
O diretor Roland Emmerich bancou do próprio bolso o orçamento de Anônimo. A opção foi para ter total controle sobre o filme, sem interferência dos estúdios.
Vanessa Redgrave e Joely Richardson interpretam a rainha Elizabeth I em diferentes fases de sua vida. Na vida real elas são mãe e filha.

O dramaturgo Christopher Marlowe, que aparece como personagem em Anônimo, já tinha falecido no período retratado pelo filme.

Ao ser questionado sobre as incoerências históricas de Anônimo, o roteirista John Orloff disse que elas foram incluídas deliberadamente, como homenagem à liberdade que o próprio William Shakespeare tomou para si ao escrever suas peças teatrais.

Os teatros Rose e Globe Theater ficavam em um único set, com um sendo modificado de forma a se transformar no outro. Para diferenciá-los o cenografia Sebastian Krawinkel deu ao Rose um toque mais rústico, com madeira e cores mais escuras. O motivo é que, na época em que a história de Anônimo se passa, o Rose já tinha 20 anos.

A construção do teatro levou aproximadamente 12 semanas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Anônimo

Teoria da conspiração, é claro que tem uma sobre Shakespeare!
Anonymous
2011 - EUA/Alemanha
130 min, cor
drama

Direção: Roland Emmerich

Roteiro: John Orloff

Elenco: Rhys Ifans, Vanessa Redgrave, Joely Richardson, David Thewlis, Xavier Samuel, Sebastian Armesto, Rafe Spall, Edward Hogg, Jamie Campbell Bower, Derek Jacobi

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Laurence Olivier como Hamlet

Ator diretor e roteirista daquela que é provavelmente a mais aclamada versão de Hamlet para as telas, o artor Britânico Laurence Olivier foi a primeira pessoa a dirigir-se e ser indicada a um Oscar de melhor ator ou atriz. A façanha spó foi repetida uma única vez por Roberto Benigni em A Vida é Bela.

Isso já seria um feito e tanto, mas um dos mais célebres ator britânico fez muito mais. Com mais de 80 filmes na carreira e dezenas de prêmios, até título de cavaleiro Sir Olivier conquistou. Não é surpresa sua estátua como Hamlet, declamando em direção ao National Theatre, teatro que ele ajudou a implantar em Londres.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Adaptações cinematográficas de Hamlet

Sarah Bernhardt como Hamlet
Um príncipe que tenta desmascarar o tio, que assassinara o próprio irmão para assumir o trono em seu ligar. Ao longo de toda a história do cinema, já foram realizadas mais de 70 adaptações de Hamlet. Confira algumas delas.

A primeira data de 1900, tem cinco minutos onde Sarah Bernhardt,apresentava a cena da competição. Depois disso fora realizadas versões mudas em 1907, 1908, 1910, 1913 e em 1917.

Asta Nielsen encenou Hamlet como uma mulher que gasta sua vida disfarçada de homem, em 1920. Uma das primeiras versões sonoras foi produzida em 935, Khoon Ka Khoon, foi realizada na Índia em urdu.

Hamlet de Laurence Olivier foi a primeira versão com som produzida na Inglaterra. A versão russa Gamlet chegou às telas em  1964, baseado na tradução de Boris Pasternak e estrelando Innokenty Smoktunovsky no papel do príncipe. A performance arrancou elogios de Laurence Olivier. Enquanto John Gielgud e Kenneth Branagh, dois experts de Shakespeare, os consideram a versão definitiva do conto trágico de Shakespeare.

A versão mais curiosa que quase todos já assistiram, mas muita gente não faz ideia de se tratar de uma adaptação de Shakespeare é O Rei Leão da Disney. Lançado em 1994 a animação musical é inspirada principalmente na peça e na história bíblica de Moisés.

 Kenneth Branagh adaptou, dirigiu e estrelou uma extensa versão de 1996, que continha todas as palavras da peça shakespeariana, combinando o material das diferentes versões conhecidas da peça. O filme tem 4 horas de duração.

Em 2000, Michael Almereyda adaptou a história para os tempos contemporâneos, onde ela se passa em Manhattan, e Ethan Hawke encena um Hamlet que estuda cinema.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Prêmios de Hamlet

Ilustração de Olly Moss
Foi o primeiro filme não-americano a ganhar o Oscar de Melhor Filme.O primeiro filme a ganhar tanto o Prêmio da Academia para melhor filme e o Leão Ouro do Festival de Veneza de  de melhor filme.

Com este filme, Laurence Olivier se tornou a primeira pessoa a dirigir-se e ser indicado a um Oscar de melhor ator ou atriz. Roberto Benigni em A Vida é Bela é o único outro ator a conseguir esta façanha. Mesmo assim, Sir Laurence Olivier não compareceu à cerimônia do Oscar em que ele ganhou dois Oscars já que estava se apresentando em uma peça de teatro em Londres na época com sua esposa, Vivien Leigh.

Óscar (EUA)
  • Melhor filme
  • Melhor ator (Laurence Olivier)
  • Melhor direção de arte - preto e branco
  • Melhor figurino - preto e branco (Roger K. Furse)
Indicado nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Jean Simmons), melhor diretor (Laurence Olivier), melhor trilha sonora original (William Walton)

BAFTA  (Reino Unido)
  • Melhor filme de qualquer origem.
Indicado na categoria de melhor filme britânico.

Festival de Veneza  (Itália)
  • Melhor filme (Leão de Ouro).
  • Melhor atriz (Taça Volpi - Jean Simmons)

Globo de Ouro (EUA)
  • Melhor filme estrangeiro.
  • Melhor ator (Laurence Olivier).

Prêmio Bodil  (Dinamarca)
  • Melhor filme europeu.

Bambi Awards
  • Best Actress - International - Jean Simmons - Also for The Woman in the Hall (1947).

Cinema Writers Circle Awards (Espanha)
  • Mejor Película Extranjera

terça-feira, 16 de julho de 2013

Curiosidades de Hamlet


Foi o primeiro filme não-americano a ganhar o Oscar de Melhor Filme.O primeiro filme a ganhar tanto o Prêmio da Academia para melhor filme e o Leão Ouro do Festival de Veneza de  de melhor filme.


Com este filme, Laurence Olivier se tornou a primeira pessoa a dirigir-se e ser indicado a um Oscar de melhor ator ou atriz. Roberto Benigni em A Vida é Bela é o único outro ator a conseguir esta façanha.

Sir Laurence Olivier não compareceu à cerimônia do Oscar em que ele ganhou dois Oscars como ele estava se apresentando em uma peça de teatro em Londres na época com sua esposa, Vivien Leigh.

É o segundo filme dirigido por Olivier e também o segundo dos três filmes baseados em Shakespeare que ele foi o diretor.

Grandemente influenciado pelos efeitos de câmera inventivos que Orson Welles e Gregg Toland pioneiros em Cidadão Kane, e pelas releituras psicológicos da peça que estavam surgindo na época.


Olivier quis que Hamlet fosse feito em preto e branco, oficialmente por razões artísticas. O verdadeiro motivo, como ele admitiu mais tarde, foi a de que ele estava na época insatisfeito com o tecnicollor.

É também o primeiro filme sonoro sobre a peça, realizado na Inglaterra. A versão sonora de 1935, Khoon Ka Khoon, foi realizada na Índia em urdu.

Laurence Olivier tinha 41 quando Hamlet foi lançado. Eileen Herlie, que interpretou a mãe de Hamlet Gertrude, tinha 28 anos.

O longa é objeto de controvérsia, com os "puristas" da obra de Shakespeare criticando as alterações de Olivier para condensar a peça de quatro horas em duas horas de filme. Na narração de abertura do filme, Olivier inclui uma frase com sua interpretação pessoal da peça, objeto de críticas: "This is the tragedy of a man who could not make up his mind". Olivier também retirou os elementos políticos do texto (cortou os personagens Fortinbras, Rosencrantz e Guildenstern) e deu ênfase à psicologia dos personagens. Olivier também ressalta o Complexo de Édipo com Hamlet beijando sua mãe nos lábios muitas vezes durante o filme.

Este é o primeiro filme de Peter Cushing e Christopher Lee. Cushing interpreta o engraçado Osric, e Lee interpreta um soldado.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Hamlet (1948)

Sim, colocamos o ano de produção junto ao título do filme. Esta peça do bardo é uma das que mais tem adaptações para o cinema
Hamlet
1948 - Inglaterra
155 min, P&B.
drama

Direção: Laurence Olivier

Roteiro: Laurence Olivier

Elenco: Anthony Quayle, Basil Sydney, Eileen Herlie, Esmond Knight, Felix Aylmer, Harcourt Williams, Jean Simmons, John Laurie, Laurence Olivier, Niall MacGinnis, Norman Wooland, Patrick Troughton, Peter Cushing, Russell Thorndike, Stanley Holloway, Terence Morgan, Tony Tarver

Baseado na peça homônima de Shakespeare. Vencedor de 4 Oscar.

sábado, 13 de julho de 2013

Tenta ser épico, falha com estilo

Ó enfadonho longa de Michael Radford, tentas com tanto afinco ser um épico, mas falha veementemente em tal tarefa.  Como podes falhar com enredo tão interessante é difícil dizer? Por certo não é culpa de sua trama, habilmente enredada pelo bardo. Muito menos de seu elenco estelar que se esforça para parecer verossímil um modo tão antigo de falar.

Estas aí o problema mais evidente, um modo de falar nada convincente. Tais personagens declamam as frases como se estivessem no palco, o que para o expectador pode soar um tanto quanto falso. Principalmente aqueles que, como eu, conseguiu apenas uma cópia dublada. E olha que não sou daquelas que implica com a versão a brasileirada. Para mim soou cansativo e arrastado, por isso preciso perguntar aos meus colegas que conseguiram assisti-lo legendado: deu melhor resultado?

Seja qual for a resposta, contudo, a produção não posso culpar por errar em uma tarefa em que também acabei de falhar. Caramba é difícil escrever em "Shakesperês", então é melhor eu parar!

Brincadeiras à parte. Este é mesmo o grande problemas de O Mercador de Veneza. Bem produzido, o filme tem belas locações e figurinos. O elenco de grandes nomes também cumpre sua tarefa. Mas a transposição completa do texto de Shakespeare para a tela, causa estranhamento, soa artificial e cansativo, espantando o expectador.

O jovem Bassanio (Joseph Fiennes) e o mercador Antonio (Jeremy Irons) pegam um empréstimo com o judeu Shylock (Al Pacino), para poder cortejar a bela Portia (Lynn Collins), herdeira do rico Belmont. Mas o relacionamento entre cristãos e judeus na veneza do século XVI, não é das melhores. Judeus são excluídos e hostilizados pela religião que escolheram. Shylock aproveita a oportunidade para finalmente se vingar de um dos cristãos que cuspiram (literalmente) nele. Exigindo o pagamento da dívida, um pedaço da carne do mercador.

Qual é a dessas duas?
Soma-se aí, uma moça judia que quer casar com cristão. O difícil teste para merecer a mão de Portia. E o uma dupla de esposas cheias de artimanhas para descobrir a verdade sobre seus marido. Tornando tudo mais complexo e interessante. Como se as questões morais que a trama central levanta por conta própria não fossem o suficiente.

Uma adaptação fiel e bem feita, apesar do excesso de pompa que sua linguagem enfeitada carrega. Uma pena que por causa disso não vá agradar a maioria.