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DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Assista a O Garoto

Assim como vários filmes de Chaplin, O Garoto também está em domínio público e disponível no YouTube. Assista e nos diga o que acha!




domingo, 29 de abril de 2012

O Garoto

Algumas das imagens mais icônicas de Chaplin vieram desse filme...
A escolha dos leitores na enquete do mês Chaplin!

The Kid
EUA - 1921
68 min, preto e branco
Comédia, drama

Direção: Charlie Chaplin

Roteiro: Charlie Chaplin

Elenco: Charlie Chaplin, Edna Purviance, Jackie Coogan, Baby Hathaway.

sábado, 28 de abril de 2012

Uma atuação para deixar Chaplin orgulhoso


Para interpretar um ator como Charles Chaplin, só mesmo alguém com um talento do tamanho de Robert Downey Jr.. E isso fica evidente nos melhores momentos da cinebiografia dirigida por Richard Attenborough, que são as reproduções das criações geniais do ator e diretor. Downey Jr. é magistral ao reencarnar um dos maiores personagens do cinema, o vagabundo Carlitos. Qualquer falha seria desrespeitosa, mas ele encara a tarefa com muita dignidade e a graça que lhe é necessária. O resultado é divertido, uma verdadeira homenagem.

O brilho do ator só não é maior nos outros momentos por conta da própria estrutura do filme, extremamente longo e burocrático na maior parte do tempo. Ao tentar contar a história do artista desde a tenra infância até seus últimos dias, já exilado na Suíça, sem escolher um recorte específico, o roteiro perde em profundidade. Difícil formar uma opinião sobre o homem Charles Chaplin depois de ver o longa. O excesso de personagens secundários e a superficialidade do relacionamento do protagonista com suas mulheres e mesmo seus colegas de trabalho transforma a narrativa numa enciclopédia visual. Nem mesmo o elenco estelar, que inclui Dan Akroyd, Kevin Kline, Milla Jovovich, Marisa Tomei e Diane Lane consegue se destacar. Moira Kelly, que interpreta duas personagens, Hetty Kelly e Oona O'Neil, ambas grandes paixões de Chaplin, chama mais atenção com sua meiguice.


Quando investe mais no drama humano, a cinebiografia funciona melhor. A comovente atuação de Geraldine Chaplin, filha do cineasta, como sua avó, Hannah, comprova isso. Incapaz de criar os próprios filhos, ela serviu de inspiração para o caçula a seguir carreira artística. Mesmo num asilo, nunca foi esquecida por eles. Esse é o tipo de informação que emociona e que diz muito sobre o personagem retratado, mais do que a derradeira sequência do tributo do Oscar, feita somente para levar o público às lágrimas. 

Quanto às motivações estéticas, políticas e empresariais do artista, o filme não acrescenta muito. Não me parece justo reduzir a consciência crítica de Tempos modernos a um certo constrangimento por sua própria riqueza num período em que os Estados Unidos enfrentavam sua maior crise econômica. O grande ditador, ao menos, foi melhor contextualizado: a convicção de Chaplin em adiar ao máximo o cinema falado escapou por pouco de ser tratada como capricho.

E achei muito simpática a tentativa de recriar o clima de cinema mudo nas cenas em que Chaplin corre o risco de ter seu filme confiscado. Apesar de ser uma sequência um tanto deslocada num filme absolutamente formal (e careta, pode-se dizer), valeu o esforço de se aproximar um pouco mais da arte de um gênio. Ele merece.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Premios de Chaplin

Confira os prêmios da cinebiografia com Robert Downey Jr. como Chaplin.

Oscar
Indicado para Melhor Ator (Robert Downey Jr.), Best Art Direction-Set Decoration, Best Music, Original Score.

BAFTA
  • Melhor ator - Robert Downey Jr.
Indicado para Best Costume Design, Best Make Up Artist, Best Production Design.

Chicago Film Critics Association Awards
  • Most Promising Actress - Marisa Tomei
Indicado para Best Actor (Robert Downey Jr.)

Globo de Ouro
Indicado para Trilha sonora, ator (Robert Downey Jr.), atriz coadjuvante (Geraldine Chaplin).

London Critics Circle Film Awards
  • Actor of the Year - Robert Downey Jr.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Prazer, Charles Chaplin!

É difícil desassociar a imagem, doce e atrapalhada do pobre vagabundo e lembrar que Charles Chaplin é uma pessoa de verdade. E é isso que Chaplin (1992), lembra logo na primeira sequencia, ao mostrar seu protagonista deixando a imagem em preto e branco, tirando a maquiagem, o chapéu, a bengala e os sapatos para apresentar o homem por trás do mito. E sua vida foi tão atribulada quanto as trapalhadas de Carlitos.

Britânico de origem humilde começou a trabalhar cedo nos palcos, substituindo a mãe cantora que tinha problemas mentais. Passou por instituições de menores, conseguiu trabalho no teatro, e em uma turnê chegou aos EUA. Lá se tornou Carlitos, diretor, compositor, produtor, roteirista,....Casou-se várias vezes, mas apaixonou por aquela terra que ainda o considerava um estrangeiro. Humanista foi considerado comunista e expulso da terra do Tio Sam, para onde voltou décadas depois para ser homenageado.

À certa altura do filme (e provavelmente da vida real)  Chaplin menciona que a melhor maneira de conhece-lo é através de seus filmes. Não quero discordar de Chaplin mas, assim como não dá para se ter uma visão ampla do longa com Robert Downey Jr, pelo parágrafo anterior, é impossível conhecer uma pessoa apenas por seus trabalhos, especialmente se esta viveu 88 intensos e atribulados anos.

Tanto é impossível, que se você sabe pouco ou nada da história do artista, é muito provável que fique meio perdido com o vai-e-vem de personagens, que passam pela vida de nosso protagonista. Mas este é o único ponto fraco do filme.

Robert Downey Jr. (mais de uma década antes do Homem de Ferro),  não apenas uma entrega versão fiel das acrobacias físicas e expressões faciais das personagens mudas, mas também nos apresenta uma pessoa de verdade completamente diferente do que reina no imaginário coletivo. Ao menos da minha geração, não posso dizer nada daqueles que acompanharam sua carreira em tempo real, acompanhando as manchetes de jornal. Para quem nasceu nos anos de 1980, Chaplin = Carlitos, e pronto.

Mas ele era, teimoso, desbocado e tinha preferência por moças bem jovens. Esta última característica o filme bem que tenta justificar ao escalar Moira Kelly para interpretar dois papéis: o amor platônico da juventude e sua última esposa, com quem viveu por mais tempo, e até o fim da vida. Passando a ideia de que ele buscava por Hetty Kelly, em todas aquelas jovens, e a encontrou em Oona O'Neill. Romanceado, é verdade, mas crível, embora desnecessário. Não precisamos de ajuda para simpatizar com o protagonista.
Moira como Hetty
Moira como Oona

Chaplin também era determinado, criativo (inclua aí algumas idéias loucas), e humanista o que, somado ao seu temperamento impulsivo e ao cenário político da época foi mal interpretado. Resultado: hostilidade e exclusão do país que mais se beneficiou com suas obras - coisa feia hein "estadunidenses"!

Mas não foi só os EUA, que Chaplin fez sorrir em momentos difíceis. Ele gostava do fato dos filmes mudos serem universais, e por isso relutou muito para migrar para o cinema falado. São esses, outros detalhes das produções dos filmes que vão deliciar os cinéfilos. Entender o mundo, e as pessoas que fizeram aquelas obras, por que as fizeram, se seu impacto no mundo. Reconhecer cenas reproduzidas de filmes que conhecemos também é muito divertido.

O diretor, Richard Attenborough, ainda encontra tempo para brincar com a linguagem cinematográfica e colocar aqui e ali cenas típicas de filmes mudos. Como as sequencias bem humorada de fuga, do menino Chaplin no orfanato, ou já adulto escondendo um dos filmes que seria "confiscado" por uma de suas esposas. Trombadas, disfarces bobos, velocidade alterada, inconfundível!

Uma ótima forma de (re)conhecer quem sempre esteve em nosso imaginário e perceber que aqueles que mais nos fazem rir não tem uma vida só de alegrias? Mas tem uma vida, com problemas e bons momentos, assim como a maioria de nós do lado de cá das telas.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Smile" por Robert Downey Jr.

Se você achava que já tinha ouvido todas as importantes interpretações de Smile nesse post, errou.

Descubra Robert Downey Jr. interpretando a canção de Tempos Modernos. A versão foi gravada para o filme "Chaplin", em que Downey dá vida ao eterno Vagabundo. Contudo, a canção acabou ficando de fora da montagem final do longa.

Composta em 1936 por chapli, Smile ganhou letra e música de John Turner e Geoffrey Parsons em 1954


terça-feira, 24 de abril de 2012

Curiosidades de Chaplin (1992)

O título original do longa seria "Charlie", como ele era conhecido entre amigos e familiares. Entretanto os criadores Charly (1968)reclamaram título levaria a uma confusão com o seu filme, então a biografia teve que ser renomeada para "Chaplin".

Attenborough e Downey Jr.
A versão original de Chaplin tinha quase 4 horas. Mais de 200 de imagens foram filmadas.

Baseado em dois livros: My Autobiography por Chaplin e Chaplin: His Life and Art do crítico de cinema David Robinson.

Lançado 15 anos após a morte de Chaplin.

A coprodutora Diana Hawkins foi quem sugeriu a Richard Attenborough fazer a biografia de Chaplin, sabendo que ele era fã do cineasta.

George Hayden (Anthony Hopkins) é o único personagem do filme que é completamente fictício.

Jim Carrey foi considerdo para o papel de Chaplin, que acabou ficando com Robert Downey Jr.


Geraldine Chaplin
Quando Chaplin (Downey Jr.) chega à Hollywood um filme está sendo gravado. Ele se une à produção e improvisa uma cena complexa. Essa é a sequencia final de "The Adventurer".

Diferente do que é apresentado no filme Chaplin realmente teve uma filha com Mildred Harris. Norman Spencer Chaplin morreu 3 dias após seu nascimento.

Geraldine Chaplin, filha de Charlie Chaplin e sua última esposa Oona, interpreta sua própria avó no filme. Ela dá vida a Hannah Chaplin, mãe do cineasta.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Posteres de Chaplin (1992)

Não podia ser diferente. Já que os longas de Chaplin ganharam vários posteres ao longo das décadas, nada mais normal que sua cinebiografia também ganhar vários cartazes de divulgação.








domingo, 22 de abril de 2012

Chaplin

Hora de aprender um pouco mais sobre nosso homenageado, com uma cinebiografia.

Chaplin
EUA - 1992
143 min, colorido
Biografia, drama

Direção: Richard Attenbourogh

Roteiro: William Boyd, Bryan Forbes, William Goldman

Compositor: John Barry, José Padilla

Elenco: Robert Downey Jr., Geraldine Chaplin, Paul Rhys, John Thaw, Moira Kelly, Anthony Hopkins, Dan Aykroyd, Marisa Tomei, Penelope Ann Miller, Kevin Kline, Maria Pitillo, Milla Jovovich, Kevin Dunn.



sábado, 21 de abril de 2012

Longo, episódico e diferente

Não poderíamos ter escolhido obras mais distintas para nosso mês dedicado a Chaplin. Depois de assistir à leveza melancólica e cheia de conteúdo do Vagabundo e da crítica vibrante de O Grande Ditador, descobrimos este belo e triste apagar das luzes.

Luzes da Ribalta mostra um encontro de gerações. Um comediante em fim de carreira, e uma dançarina iniciante se encontram em momentos cruciais de suas vidas. Ela assutada ao ponto de desistir e ele um bebado sem perspectiva. A convivência é benéfica para cada um deles em momentos alternados, dando à Terry (Clair Bloom), a dançarina, um futuro brilhante. E à Calvero (Charles Chaplin) a merecida homenagem e despedida dos palcos.

Sem o tradicional bigodinho e de cabelos brancos Chaplin só não está irreconhecível graças a sua inconfundível linguagem corporal. Seja cambaleante pela bebida, ou em números de palco seus gestos e expressões faciais roubam a cena, sempre transmitindo mais que as falas.

O mesmo não se pode dizer de sua co-estrela. Terry soa forçada e exagerada boa parte do tempo, Blom não possui em sua atuação a mesma graça que apresenta nas danças. O que dificulta a simpatia pela personagem, apresentada como frágil, tem um breve vislumbre de sucesso antes de se tornar uma tola teimosa. É difícil sentir algo diferente de pena da moça.

Já a narrativa é bastante episódica. O encontro, a convivência e a  despedida, se fosse assim dividido, poderia ser apresentado como uma microssérie em 3 capítulos. Embora seja um pouco longo, e com alguns trechos "arrastados" (o último grande número poderia ter metade da duração), é difícil não se importar por Calvero, vibrar e se entristecer com seus altos e baixos. E, acima de tudo, torçer para que ele consiga os holofotes novamente. 

Assista Luzes da Ribalta

O filme está disponível na íntegra no YouTube.





Prêmios de Luzes da Ribalta

Luzes da Ribalta ganhou um Oscar na cerimônia de 1972, 20 anos após seu lançamento. Isto porque a estréia do filme em Los Angeles foi adiada por vários anos devido a razões políticas e, segundo as normas, como o filme estreou na cidade, não podia concorrer ao prêmio. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estipula que um filme pode concorrer ao Oscar até 20 anos após seu lançamento, no ano em que for exibido em Los Angeles. Este foi o único Oscar ganho por Charles Chaplin em uma categoria competitiva, ele recebeu outros dois prêmios honorários da Academia.

OSCAR (1972)
  • Best Music, Original Dramatic Score

BAFTA
  • Most Promising Newcomer to Film - Claire Bloom

Indicado para Best Film from any Source - USA.

Cinema Writers Circle Awards (Espanha)
  • Best Foreign Film (Mejor Película Extranjera) - USA.

Italian National Syndicate of Film Journalists
  • Best Foreign Film (Miglior Film Straniero)

New York Film Critics Circle Awards
  • Best Actor - Charles Chaplin

Satellite Awards
  • Best Classic DVD Release

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Curiosidades de Luzes da Ribalta

Chaplin vs Keaton
Este é o 1º e único filme em que Charles Chaplin e Buster Keaton, dois astros do cinema mudo, contracenam juntos. Este é muitas vezes erroneamente citado como seu primeiro encontro na tela, mas ambos apareceram em um filme publicitário curto na década de 1920 intitulado vendo estrelas.

Charles Chaplin e Buster Keaton tiveram uma relação interessante. Há muito considerado rivais, mas sempre tendo evitado comentar sobre o outro na imprensa, Chaplin contratou Keaton para um papel em Limelight. Keaton, que estava falido na época, entrou em declínio na carreira depois de ter contratado pela MGM em 1928, o estúdio não iria o deixava improvisar, escrever ou dirigir. Ele acabou reduzido a escrever piadas - muitas vezes sem créditos - para filmes de outros comediantes. Chaplin, neste momento, sentiu pena de Keaton.Mas, Keaton reconheceu que, apesar de maior fortuna e riqueza, Chaplin foi (estranhamente) o mais deprimido dos dois. Em uma cena em Limelight, a personagem de Chaplin estava morrendo. Enquanto a câmera foi desaparecendo, Keaton estava murmurando a Chaplin sem mover os lábios, "É isso aí, bom, espere, não se mova, espere, bom, nós estamos verossímeis." Em sua autobiografia Keaton chamado Chaplin "o maior comediante silencioso de todos os tempos."

Última atuação de Edna Purviance no cinema. A atriz atuou várias vezes com Chaplin na era do cinema mudo, tendo pouco trabalhado após a década de 20.

Chaplin a manteve em sua folha de pagamento até sua morte.

Estréia de Geraldine Chaplin no cinema.

As crianças vistas com Calvero em sua 1ª cena no filme são na verdade filhos do próprio Charles Chaplin.

Pela 1ª vez desde sua participação especial em Fazendo Fita (1928) Charles Chaplin aparece em cena sem seu tradicional bigode.

Os comediantes britânicos Charley Rogers e Charlie Hall fazem pequenas participações em Luzes da Ribalta

Quando algumas cenas de Luzes da Ribalta foram rodadas novamente a atriz Claire Bloom não estava disponível para as filmagens. Desta forma Charles Chaplin fez com que Oona Chaplin, sua esposa, a substituísse em cena.

Em cena uma vez, Calvero (Charles Chaplin) ironiza: "É o vagabundo em mim", que é uma homenagem ao seu personagem Vagabundo, que o catapultou para a fama e fortuna em uma série de filmes mudos.

O último filme que Charles Chaplin produzido na América.

O filme foi originalmente concebido por Charles Chaplin como um romance intitulado "Footlights" (Ribalta).

Chaplin viajou para Londres para a estréia mundial em 16 de outubro de 1952, mas sua autorização de reentrada nos EUA foi revogada depois que ele saiu por causa de suspeitas de laços do Partido Comunista. Chaplin fora avisado quando já estava em alto mar, desde então escolheu viver na Suíça. Depois de apresentações de "Limelight", em Nova York e outras cidades da costa leste, um frenesi anti-Chaplin causado o cancelamento de apresentações em outras cidades.

Em 1952 Chaplin teve de responder por possíveis ligações comunistas. Seu filme, então, não pôde estrear em Los Angeles, fato este que se deu apenas em 1972 - o que permitiu concorrer ao Oscar daquele ano, sendo vitorioso e aclamado em sua volta aos Estados Unidos - de onde saíra.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Eternally" - canção tema de Luzes da Ribalta

Eternally é uma canção com música de Charles Chaplin, e letra dos Inglêses Geoff Parsons e John Turner. Composta para Luzes da Ribalta (1952) tinha o título de "Tema de Terry", e também é conhecida pelo nome do longa. O filme ganhou o Oscar de "Best Original Dramatic Soundtrack", em 1973 (ele só foi lançado em L.A, 20 anos depois, mas isso é assuto para outro post).

Já com letra Eternally foi gravada por Jimmy Young (1953), Petula Clark  (1967). Além de Legrand Michel, Sarah Vaughan, Whittaker Roger, Engelbert Humperdinck, entre outros.

No Brasil a música Luzes da Ribalta foi vertida para o português e recebeu gravação de grandes intérpretes, como Maria Bethânia

Original Instrumental

Luzes da Ribalta - Maria Betânia

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Charlie Chaplin Google Doodle

Em 2011 o Google lançou um Doodle (o logotipo temático que costumam homenagear datas e pessoas) para celebrar o 122º aniversário de Charles Chaplin.

Com aparência de player de vídeo, a imagem levava para um vídeo do YouTube, que também celebrava a data. Chaplin nasceu em 16 de Abril de 1889.  Confira!

domingo, 15 de abril de 2012

Luzes da Ribalta

Mais polêmica gerou o filme da semana, um dos últimos do cineasta.

Luzes da Ribalta
EUA - 1952
149min, Preto e Branco
Comédia, drama

Direção: Charlie Chaplin

Roteiro: Charlie Chaplin

Compositor: Charles Spencer Chaplin

Elenco: Charles Chaplin, Claire Bloom, Airton Santos, Nigel Bruce, Buster Keaton, Sydney Earle Chaplin
Norman Lloyd.

Vencedor de 1 Oscar.

sábado, 14 de abril de 2012

O discurso de 'O grande ditador'


No primeiro filme totalmente falado de Chaplin, o ingênuo barbeiro vivido pelo ator e diretor não poderia ter feito melhor uso do recurso sonoro do que nesse discurso, que encerra O grande ditador. Um manifesto contra os absurdos do totalitarismo e uma ode à igualdade. É uma cena tão comovente que merece ser revista. E, quem sabe, aplicada à vida real.



"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"

A Hitler o que é de Hitler


Se, em seu filme anterior, Charles Chaplin não tinha medo de fazer crítica social, econômica e até cultural, em O grande ditador, o ator, roteirista e diretor consegue ser brilhante com uma ácida sátira política. O fato de ser ambientado em uma nação imaginária não atenua em nada as situações cômicas que usam a figura de Hitler como base para um forte discurso contra o totalitarismo. Aqui não vale a máxima da "mera coincidência": a história da ficção não seria tão interessante se não fosse inspirada na realidade. Não fosse esta realidade tão cruel e de consequências tão terríveis, poderíamos dizer sem medo que o ex-governante alemão teve o destino que merecia. Glória? Não, virar motivo de piada mesmo.

Um dos grandes acertos do filme é usar com parcimônia o conhecido recurso da comédia de erros. Assim, o barbeiro judeu e o tirano Adenoid Hynkel, ambos vividos por Chaplin, coexistem pacificamente até o momento crucial da narrativa, já bem próximo ao desfecho. Embora idênticos fisicamente, os dois não poderiam estar em lugares mais opostos: o de oprimido e o de opressor. A distância entre eles é tão grande que um mal sabe da existência do outro.

O ingênuo barbeiro, outrora um soldado despreparado que sobreviveu à guerra por pura sorte, é um dos personagens que retratam a perseguição sofrida pelos judeus. É comovente como ele não parece entender, num primeiro momento, por que as autoridades querem prendê-lo a qualquer custo. Importunado sem motivo por um guarda assim que tenta voltar à vida normal, ele chega a pedir a um colega dele: "O senhor é da polícia? Prenda aquele homem!". Não é culpa dele. A ordem das coisas é que mudou radicalmente. Quanto tempo levou para as pessoas que não sofriam de amnésia se darem conta disso?

Do outro lado dessa pirâmide social, bem no topo, está Hynkel, uma piada ambulante. Inseguro, ele precisa ser auxiliado por ajudantes mais bem preparados em questões militares. Desastrado, ele transforma encontros diplomáticos em incidentes internacionais. Fanfarrão, ele protagoniza uma das cenas mais célebres e debochadas do cinema mundial ao brincar com o globo terrestre até ele explodir no seu próprio rosto. Quem tudo quer tudo perde, já diz o ditado.

Nada mais patético do que assistir a um de seus discursos. Nada mais risível do que sua disputa quase infantil pelo poder com Benzino Napaloni (Jack Oakie). Nada mais deprimente do que vê-lo dando quase nenhuma atenção à notícia de que seus subordinados tinham em mãos um gás capaz de exterminar milhões de pessoas. Aliás, pessoas não: judeus. Talvez por se tratar de uma comédia ou talvez pelo filme ter sido lançado ainda no início da Segunda Guerra, o anti-semitismo foi até atenuado na história. Hitler, devo dizer, Hynkel aparece sonhando com uma nação ariana, loura de olhos azuis, por capricho, simplesmente. As casas queimadas dos judeus são tratadas por seu general como diversão para distrair os cidadãos da própria situação de miséria. Não há ódio, ao menos na ficção.

Mas o grande momento do filme é mesmo quando os papéis se invertem, e o ingênuo barbeiro ganha, inadvertidamente, voz. E é ali que ele faz um discurso melhor do que o ditador de verdade jamais sonhou, com seu gestual exagerado e seu insistente pigarro (ótima piada de Chaplin sobre o idioma alemão e a verborragia do Füher). Seu discurso não precisa de estudo, de memória, de conhecimento político ou estratégia de guerra, ele vem do coração. A palavra esperança é o que o motiva: "Pensamos em demasia e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade". Ah, essa lição tão bonita e tão difícil...

Os dois lados da batalha!

Ok, admito O Grande Ditador não é meu Chaplin favorito. Talvez pela temática de guerra, talvez eu prefira os longas mudos do diretor/ator/roteirista/entre outras coisas. Mesmo assim, independente do meu gosto pessoal, o filme é espetacular.

Realizado em uma época em que o mundo pisava em ovos com a ascensão de Stalin e Hitler. Chaplin faz uma caricatura irônica e bem humorada do mundo na época. Interpretando os dois lados da moeda, o ditador e o barbeiro judeu, apresenta uma visão mais abrangente da guerra que os fimes posteriores, que tentem a tomar partido de um dos lados.

Então temos as negociações e escolhas estranhas do ditador atarefado. Ele corre alucinadamente de negociações do governo, testes de armas e poses para inspiradoras obras de arte, em um ciclo cansativo e nada produtivo. Interrompido apenas pela cena clássica onde se sente o dono do mundo ao brincar com um globo inflável.

Do outro lado, um barbeiro que perdeu a memória ao lutar na 1ª GM, retorna para casa sem conhecer ou compreender (e quem entende?) a nova ordem. Tentando apenas voltar ao trabalho e talvez formar uma família.

Politizado mas sem perder a leveza, arranca rizadas sem fazer esforço, mesmo em um universo tenso. Seja através de um simples cumprimento desajustado,de uma panelada na cabeça ou no ato de lustrar uma careca. Ainda assim carrega uma forte mensagem, de esperança, de não aceitar a injustiça passivamente. Mas, principalmente, a de: que humanidade é essa? Que mundo louco e intolerante é esse que estamos construindo?

Para mim faltou um pouco mais, o que aconteceu com o barbeiro e o general após a confusão do discurso? Onde fica o ditador nessa história? E a invasão ao pais vizinho? Acho que a ideia era deixar a discussão no ar. Entretanto, eu bem que adoraria saber no que acreditava o criador.

Primeiro filme falado de Chaplin, funcionaria ainda que com cartelas no lugar das falas. Mas perderia o charme dos discursos do ditador em sua língua incompreensível. E a força do tocante discurso final. É pode não ser meu favorito, mas com toda certeza está na lista dos melhores que já assisti.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Genial

Ditadores? Mais pareciam duas crianças birrentas. Oh, wait...
Não havia outra palavra em meu vocabulário que definisse melhor este O grande ditador (The great dictator,1940) e o artista por trás desse espetáculo: Charles Chaplin. Eu confesso que não sou muito fã de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial (exceto por A lista de Schindler, Bastardos inglórios - que a gente viu mês passado aqui no blog - e essa obra-prima de Chaplin) justamente por causa do tom politizado que sempre cerceia o olhar dos diretores. Ou endemonizam um lado, ou o outro. Não quero entrar no mérito da questão, só me incomoda que nunca existe um equilíbrio. Numa guerra desse nível, pra mim, todos que arquitetam são vilões, e todo mundo é vítima.

E o que esse filme traz de diferente? A risada, muitas vezes involuntária. Chaplin é da época do cinema mudo, expressão corporal é tudo. Ele é capaz de arrancar risos de qualquer um, só com um andar torto, uma pisada em falso, um troca-troca infinito de cadeiras, cumprimentos que não se acertam (quem nunca?). Os trejeitos do ditador Hynkel (Charles Chaplin) são memoráveis, e a adição de som foi só um plus: o que seria da gente só imaginando os resmungos do ditador? E o soluço com tilintar de moedas? Chaplin soube introduzir o som em seus filmes sem que eles se tornassem mais importantes que o restante da história. Pare e analise, se tirarmos o som e acrescentarmos cartelas de falas, o filme não vai funcionar do mesmo jeito?

O Barbeiro: sequências tão memoráveis quanto a do ditador Hynkel
Além disso, ele não deixou de ser político. Criticou tanto a um quanto a outro, fez referências claras a Stalin e Hitler, aos campos de concentração. E ainda assim encontrou um jeito de fazer graça, de fazer rir. A melhor comédia é a inteligente, e o filme é repleto da mais fina ironia, do sarcasmo mais apurado. E o filme é tocante (quem não se emociona com o discurso lindo e inflamado do Barbeiro [também interpretado por Chaplin] ao final do filme?), hilário, histórico, político. Genial talvez nem seja a palavra certa...


Com os personagens Hynkel, o ditador tresloucado e megalômano, e o Barbeiro, um humilde trabalhador que só queria voltar a trabalhar (e, quem sabe, arrumar uma namorada), Chaplin nos fez ver que todos somos os dois lados da moeda. Somos mocinho e vilão, loucos e normais, causadores do caos e lutadores em busca de paz. Vai direto pra lista dos filmes favoritos mais queridos de todos os tempos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Posteres O Grande Ditador

Minimalistas, exagerados, em preto e branco, super-coloridos, em diferentes línguas, da época de seu lançamento, relançamento, do DVD, Blue Ray, é absurda e impressionante a quantidade de posteres criados para promover O Grande Ditador.