3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

domingo, 30 de setembro de 2012

Os cavaleiros da Távola Redonda

Uma versão clássica da lenda é nossa primeira escolha iniciar nosso mês em Camelot. 

Knights of Round Table
1953 - Reino Unido
115 min, cor
Ação, aventura, drama

Direção: Richard Thor

Roteiro: Thomas Malory, Talbot Jennings, Jan Lusting, Noel Langley

Música: Miklós Rózsa

Elenco: Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, Anne Crawford, Stanley Baker, Felix Aylmer, Maureen Swanson, Gabriel Woolf, Anthony Forwood, Robert Urquhart, Niall MacGinnis, Ann Hanslip, Jill Clifford, Stephen Vercoe, Roy Russell.


Mês Rei Athur

Aproximai-vos, pois o Rei se pronuncia! O Rei Arthur e Os Cavaleiros da Távola Redonda vos convocam para um mês de batalhas, magia, banquetes e risadas! Todos os súditos devem se apresentar ao sofá munidos de um balde de pipocas! Assim falou o Rei!

Isso mesmo! Vamos passar o próximo mês assistindo diferentes versões da história do mais conhecido rei da Grã Bretanha. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Prêmios de Match Point

Confira os prêmios de Match Point:

Globo de Ouro (EUA, 2006)
Nomeado para melhor director - Woody Allen
Nomeado para melhor filme de drama
Nomeado para melhor performace para atriz secundária em filme - Scarlett Johansson
Nomeado para melhor argumento - Woody Allen

Oscar (EUA, 2006)
Nomeado para um Oscar para melhor roteiro original - Woody Allen

Prémio Filme Extra Filmink (2007)
Nomeado para melhor caracterização - Jonathan Rhys Meyers

Robert Festival(2007)
Nomeado para melhor filme americano (Årets amerikanske film) - Woody Allen

ADIRCAE Awards (2006)
  • Vencedor para melhor filme estrangeiro - Woody Allen.

Chicago Film Critics Association Awards (EUA, 2006)
Nomeado para melhor actriz secundária - Scarlett Johansson.

Cinema Writers Circle Awards (Espanha, 2006)
Nomeado para melhor filme estrangeiro (mejor película extranjera) - Reino Unido

César Awards (França, 2006)
Nomeado para melhor filme estrangeiro (meilleur film étranger) - Woody Allen (Reino Unido/EUA/Luxemburgo)

David di Donatello Awards (Itália, 2006)
Vencedor para melhor filme europeu (miglior film dell'Unione Europea) - Woody Allen

Edgar Allan Poe Awards (EUA, 2006)
Nomeado para melhor argumento - Woody Allen

Golden Trailer Awards (2006)
  • Vencedor para melhor thriller/suspense

Goya Awards (Espanha, 2006)
  • Vencedor para melhor filme europeu (mejor película europea) - Woody Allen (Reino Unido).

Online Film Critics Society Awards (2006)
Nomeado para melhor argumento original - Woody Allen

Sant Jordi Awards (Espanha, 2006)
  • Vencedor para melhor filme estrangeiro (mejor película extranjera) - Woody Allen

Troféu Chopard (2005)
  • Vencedor para melhor actor jovem - Jonathan Rhys Meyers

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Curiosidades de Match Point

É o 1º filme dirigido por Woody Allen rodado na Inglaterra.

Filme favorito de Woody Allen, de sua autoria.

É o filme mais longo da carreira de Woody Allen, 124 minutos.

A trilha sonora do filme é composta quase inteiramente por músicas de ópera do período pré-I Guerra Mundial, cantadas pelo tenor italiano Enrico Caruso.

O título no Brasil inicialmente seria apenas Ponto Final, mas este já havia sido registrado pelo diretor Marcelo Taranto para um longa-metragem que estava em processo de captação na época de seu lançamento. Com isso a Playarte modificou o título nacional para Ponto Final - Match Point.

A pintura de uma menina com um balão vermelho na parede pela qual Chris passa foi feito por Banksy, um grafiteiro de Bristol.

O musical que vêem no meio do filme é "The Woman In White" de Andrew Lloyd Webber.

Piada: Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) responde a uma generosidade, dizendo: "Thank you. Thank you very much". Esta frase exata é frequentemente associada com Elvis Presley, a quem Meyers deu vida em Elvis.

domingo, 23 de setembro de 2012

Match point - Ponto final

Jovem ambicioso quer entrar para a alta sociedade pelo jeito mais fácil: casando-se com uma moça rica. O que ele não esperava era se apaixonar pela namorada do irmão de sua noiva...

Match point
2005, EUA, Reino Unido
124min, cor, drama.

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Brian Cox, Michael Goode, Scarlet Johansson, emily Mortimer, Johnathan Rhys-Meyers, Penelope Wilton.

sábado, 22 de setembro de 2012

Manhattan em tons de cinza

Porque eu deveria me importar com Isaac Davis (Woody Allen)? Ele não é simpático, divertido ou memo irritantemente carismático. É um escritor em decadência, ex-divorciado (2 vezes), atormentado pela iminente publicação de um revelador livro sobre sua relação com sua segunda esposa (Merryl Streep, única interessante de se assistir). Namora uma doce e madura adolescente, mas não se mostra satisfeito com ela, ou com seu emprego, ou com sua incapacidade de terminar um livro. Cheio de opiniões, e idiossincrasias, não é de se admirar que tenha poucos amigos.

Se envolve com Mary (Diane Keaton) a ex-amante do amigo (casado), que apesar de ter dado "sinal verde" logo decide que a quer de volta. Nesse meio tempo também dispensa adolescente Tracy (Mariel Hemingway), no maior estilo "parte corações", e até encoraja a moça a estudar em Londres. Apenas para mais tarde, quando abandonado Mary. Alegando ter cometido um erro, tenta dissuadir a moça de partir para uma viagem que pode definir seu futuro. Mesquinho né!

Felizmente a jovem moça é bem mais madura que ele. E propõe uma solução decente para a relação. Aliais esta é a única história com final satisfatório da trama. Já que a relação de Isaac com o filho e praticamente inexistente no longa. O problema do livro da ex, vira piada. E nunca o vêmos feliz em seu novo emprego.

A mesagem? Se arrisque, mas só um pouquinho, sem mudar muito sua rotina. Se preciso mantenha o statuos quo e sua vida miserável? Realmente espero que não seja isso, que eu não tenha alcançado o espirito do longa. Mas, posso entender porque o próprio Allen não gosta muito dessa produção.

Visualmente ver Manhattan sem cores, rende cartões postais interessantes. Assim como a composição de pretos e brancos, luz e sombra. Provavelmente carregam mensagens e percepções sobre as situações na tela. Mas diante da falta de brilho dos personagens, não desperta interesse para desvenda-los. 

Tudo bem! Ninguém pode acertar todas.

Um filme para esquecer

Jill (Streep) e Isaac (Allen): tema subaproveitado
Que os fãs de Woody Allen, os intelectuais e quem gostou desse filme me perdoem, mas não consegui gostar de Manhattan (Manhattan, 1979). A história é um tanto simples, e gira em torno de Isaac Davis (Allen), um escritor recém divorciado que está paranóico com o que a ex-mulher Jill (Merryl Streep, deslumbrante) está para publicar: tudo sobre sua vida de casado. Tendo ela se descoberto homossexual, e tendo a guarda do filho do casal, a insegurança do escritor só aumenta. Aliás, esse seria um tema interessante de ser explorado no filme, mas foi completamente subaproveitado. O enfoque todo vai para o egocêntrico (e chato) personagem de Allen. O quanto ele é infeliz no trabalho, o quanto é infeliz por ter sua vida exposta num livro, o quanto é infeliz por isso, por aquilo... A única coisa que o faz se sentir melhor é ser o mundo para a jovem Tracy (Mariel Hemingway), sua namorada. Absolutamente apaixonada, ela não se importa de sair com os amigos do namorado e ficar completamente deslocada na conversa: enquanto eles discutem intelectualidades, a jovem está preocupada em chegar em casa e dormir, porque tem prova no dia seguinte. 

As coisas complicam mais ainda quando Isaac conhece a amante de seu melhor amigo Yale (Michael Murphy), Mary (Diane Keaton). No começo eles não se dão muito bem, mas alguns encontros depois, encorajado pelo próprio Yale, eles já estão se envolvendo. A situação fica complicada demais: apaixonada por Yale (que é casado, diga-se), Mary se apaixona por Isaac, que ainda está envolvido com Tracy. Mary termina com Yale e Isaac com Tracy, e quando tudo parece ir pelo caminho certo, eis que Mary tem uma recaída por Yale. Isaac perde o chão, e quando tenta voltar para Mary, ela já está de malas prontas para ir para Londres estudar. No fim das contas, a mais madura de todos é a jovem: na última conversa com Isaac, ela fala que não pode abandonar seus estudos por ele, que foi ele mesmo quem a aconselhou a ir para lá... E o filme termina com uma careta de Woody Allen, olhando direto para a câmera, como quem diz "é, fazer o quê?". Confesso que fiz a mesma cara que ele e me perguntei a mesma coisa...

Fiz essa mesma cara ao final do filme...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Selo Torre Eiffel

Ganhamos mas um selo. E esse diz que somos tão bonitos quanto a Torre Eiffel!!!
A honraria veio do também charmosos Clássicos, não antigos da Márcia Moreira. Diferente da maioria dos selos que preza o conteúdo, este premia o visual do blog e o estilo na hora de escrever.

E claro, como todo bom selo exige indicações dos laureados. Seguem então os favoritos em estilo aqui do sofá:

É isso aí, pessoal! Carreguem o selo para seus blogs, e nos contem quem vocês acham "charmoso" na blogsfera!






quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Prêmios de Manhattan


Manhattan recebeu 18 prêmios e 19 indicações, confira algumas delas:

OSCAR
Indicações - Melhor Atriz Coadjuvante - Mariel Hemingway, Melhor Roteiro Original

GLOBO DE OURO
Indicação - Melhor Filme - Drama

BAFTA
  • Melhor Filme
  • Melhor Roteiro
Indicações - Melhor Diretor - Woody Allen, Melhor Ator - Woody Allen, Melhor Atriz - Diane Keaton, Melhor Atriz Coadjuvante - Mariel Hemingway e Meryl Streep, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Edição

CÉSAR
  • Melhor Filme Estrangeiro

PRÊMIO BODIL
  • Melhor Filme Americano

Guild of German Art House Cinemas
  • Guild Film Award - Silver - Foreign Film (Ausländischer Film) - Woody Allen

Italian National Syndicate of Film Journalists
  • Silver Ribbon - Best Director - Foreign Film (Regista del Miglior Film Straniero) - Woody Allen

Los Angeles Film Critics Association Awards
  • LAFCA Award - Best Supporting Actress - Meryl Streep (Também por Kramer vs. Kramer e The Seduction of Joe Tynan).

2° lugar - Best Actress - Diane Keaton

National Society of Film Critics Awards, USA
  • Best Director - Woody Allen (dividiu com Robert Benton de Kramer vs. Kramer -1979).
  • Best Supporting Actress - Meryl Streep (também por Kramer vs. Kramer e The Seduction of Joe Tynan).

New York Film Critics Circle Awards
  • NYFCC Award Best Director - Woody Allen
2° lugar -  Best Screenplay.Woody Allen
3° lugar -    Best Film

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Curiosidades de Manhattan

Esta foi o primeiro filme de Woody Allen, usando o formato widescreen (2.35:1) processo Panavision anamórfico.

Este é um dos poucos filmes de Woody Allen que não tem créditos de abertura.

Woody Allen detestou seu trabalho nesta produção. Ele achou tão ruim que se ofereceu para dirigir um filme de graça caso a United Artists, distribuidora do filme nos EUA, não lançasse Manhattan.

Embora esta seja dos filmes que ele dirigiu o que Woody Allen menos gosta, este foi o filme de maior sucesso comercial de sua carreira. Ele disse anos mais tarde que ele ainda estava na descrença de que ele "ficou impune".




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Woody Allen, o autor


Woody Allen não é apenas um bem sucedido cineasta. Ele também é ator, músico (toca clarinete) roteirista e escritor. Ao todo já publicou 12 livros, confira:

1967: Don't drink the water: A comedy in two acts
1969: Play it again Sam
1971: Getting Even (Para acabar de vez com a cultura)
1975: God: a comedy in one act
1975: Without Feathers (Sem penas) (Publicado no Brasil como "Sem Plumas")
1980: Side effects (Efeitos Secundários) (Publicado no Brasil como "Que Loucura!")
1986: Lunatic's Tale
1992: Prosa Completa de Woody Allen (junção de Sem Penas, Para acabar de vez com a cultura e Efeitos Secundários)
2003: Riverside Drive / Old Saybrook / Central Park West (três peças de um ato) (Publicado no Brasil como "Adultérios")
2005: Writer's Block: Two one act plays
2005: A second hand memory (a drama in two acts)
2007: Mere Anarchy (Pura anarquia)

Viu? Tocando clarineta!

domingo, 16 de setembro de 2012

Manhattan

Escritor vê sua intimidade sendo revelada em um livro pela ex-mulher ao mesmo tempo em que se apaixona por uma moça mais nova e se sente atraído pela amante de seu amigo. Complicado? Imagina...

Manhattan
1979 -  EUA - 96min
Cor, Romance.

Direção: Woddy Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Dianae Keaton, Michael Murphy, Mariel Hemingway, Merryl Streep, David Rasche, Wallace Shawn, Karen Allen, Anne Byrne.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Curiosidades e prêmios de A Era do Rádio

A atriz brasileira Denise Dummont faz uma pequena participação no filme, atuando como uma cantora latina.

Quando o tio vai a porta ao lado para enfrentar os comunistas, o homem gritando sobre a situação de "trabalhador" é Larry David.

Sally White se tornou uma repórter de fofocas de celebridades depois de sua carreira no rádio naufragar. A ideia foi é baseado na vida real da atriz que virou fofoqueira profissional Hedda Hopper.

William H. Macy aparece não só como uma voz de rádio, mas também como um dos atores de rádio durante o anúncio Pearl Harbor.

Na década de 1940, o termo "Radio Days" foi muitas vezes usado para descrever o trabalho daqueles que viviam no campo do entretenimento.

A cena em que Joe vê um barco alemão U na praia tem algum fundamento na realidade. Alguns barcos U foram enviados para a América em missões secretas, e tiveram que entrar pelo porto de Nova York, passando através das entradas de Rockaway para ir até a baía Lower New York.

Prêmios
Oscar 
Indicado nas categorias de melhor direção de arte (Santo Loquasto, Carol Joffe, Leslie Bloom e George DeTitta Jr.) e melhor roteiro original (Woody Allen).

BAFTA 
  • Melhor figurino (Jeffrey Kurland)
  • Melhor desenho de produção (Santo Loquasto).
Indicado nas categorias de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz coadjuvante (Dianne Wiest), melhor edição (Susan E. Morse) e melhor som (Robert Hein, James Sabat e Lee Dichter).

Writers Guild of America 
Indicado na categoria de melhor roteiro escrito diretamente para o cinema.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Música, câmera, ação!

Woody Allen dirige Mia Farrow: de vendedora de charutos a estrela do rádio
Eu sempre achei que vida tinha que ter trilha sonora. Acho que de tanto ver filmes já tá entranhado em meu cérebro que determinada situação deveria ter tal trilha de fundo. Acho que todo cinéfilo já saiu chutando poça d'água na rua e cantarolando "I'm singing in the rain, just singin in the rain..." O quê? Não?! Só eu? Bom... Ao assistir A era do rádio (Radio Days, 1987) eu tenho mais certeza de que não sou só eu quem faz isso (isso mesmo, verbo no presente do indicativo. É mais forte que eu, não consigo evitar.).

O longa é gracioso, com fortes influências autobiográficas do diretor Woody Allen, que tem aquela cara de filme que mais parece uma conversa de bar. É como se o próprio Woddy estivesse contando, entre um café e um pão de queijo, as lembranças que ele tem - e o que vemos na tela é o que a gente imagina que teria acontecido. Me senti exatamente assim: acompanhando as memórias dele. Um menino judeu, pobre, fala de seu herói nerd no rádio, de como era importante e fascinante ter um aparelho como aquele em casa, os programas preferidos dos personagens refletem as personalidades deles... É muito gostoso de acompanhar. Lembranças específicas, como o dia em que conseguiu o beijo da menina de quem gostava ou o dia em que a professora substituta entra na sala de aula (e ele já a tinha visto dançando nua pela janela do apartamento), e outras mais genéricas, como quando o fato histórico da apavorante narração da falsa invasão alienígena  (fato histórico, conhecido por meio mundo) estava relacionado a ele, ou de como era impossível não se lembrar do vizinho tranquilo que havia surtado ao escutar uma música - quem nunca se pegou lembrando de determinada situação ao ouvir determinada música? O filme cativa a gente exatamente por isso: é igualzinho na vida real.
Seth Green vive o pequeno Joe, provável alterego de Allen no filme

Para incrementar, lembrar um pouquinho do glamour que era ser um artista da rádio, seja cantor ou ator, somos presenteados com casos de bastidores da indústria. Se hoje Hollywood é a menina dos olhos dos que aspiram a fama, nos anos 1940 e 1950 a rádio era o auge do poder, glamour e fama. E, claro, tinha suas fofocas também. E mesmo que de forma mais discreta, todo mundo queria saber o que se passavam nos bastidores. Um filme feito com carinho, um olhar romântico para uma época mais romântica e vista através dos olhos de uma criança. Aliás, foi uma surpresa pra mim reconhecer Seth Green no menino ruivinho. Ele é um desses atores 'semi-famosos' que eu curto ver na telinha. Todo o elenco parece entrar no clima de 'vamos fazer uma homenagem à uma infância feliz', e seus personagens - mesmo os mau caracteres - são fofos. Vemos de novo Diane Keaton, Diane Wiest e Mia Farrow, esta dando um show de interpretação como a desengonçada e, no fim, bem-sucedida aspirante ao sucesso Sally White. Não é novidade que o diretor trabalha com suas musas até que se apaixone novamente por outra musa, com quem vai trabalhar por outros tantos filmes. Mas aqui estão 3 das maiores inspiradoras dele numa só tacada. E todas estão ótimas - mesmo que Keaton só apareça brevemente, mas arrasando quando canta. Muito legal também é a participação de Denise Velmont cantando Tico-tico no fubá. Nossa pequena notável Carmen Miranda foi um sucesso estrondoso no rádio, inclusive no exterior. É bom a gente se lembrar disso de vez em quando, ver o quanto nossa diva tupiniquim é mal reconhecida por aqui e ter conscicência de que sua lembrança sobrevive de estereótipos.

O momento em que mais ri no filme inteiro: a incrível história da lenda  do beisebol
 
Por ter sido um filme leve, divertido, engraçado, feito com emoção, e por ter animado meu feriadão de convalescência (resfriado, por quê não me abandonas?), A era do rádio foi uma ótima experiência. Entrou pra minha listinha de favoritos por ter me deixado um sorriso no rosto por muito tempo depois de eu ter desligado a tv. E me lembra que, um dia, a rádio pode voltar a ter boa música tocando de novo. Quem sabe que músicas vão marcar nossos próximos capítulos?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mês Woody Allen: os concorrentes

Woody Allen tem uma filmografia extensa e com tantas obras fica difícil escolher apenas algumas. É por isso que voltamos a pedir a sua ajuda, caro leitor, para selecionar o filme que encerra o mês dedicado ao cineasta.

E para ajudar na escolha, confira um pouquinho de cada obra. E não se esqueça de votar na enquete (fica ali ao lado, no menu lateral).


Ponto Final - Match Point
(Match Point - 2005)
Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) é um jogador de tênis profissional que, cansado da rotina de viagens, decide abandonar o circuito e se dedicar a dar aulas do esporte em um clube de elite. É lá que conhece Tom Hewett (Matthew Goode), filho de família rica que logo se torna seu amigo devido a alguns interesses em comum. Convidado para ir à ópera, Chris lá conhece Chloe (Emily Mortimer), irmã de Tom. Logo os dois iniciam um relacionamento, para a alegria dos pais dela. Só que Chris fica abalado quando conhece Nola Rice (Scarlett Johansson), a bela namorada de Tom que não é bem aceita pela mãe dele.




A Outra
(Uma Outra Mulher - em portugal - Another Woman, 1988)
Para escrever seu novo livro, uma intelectual de Nova York aluga um apartamento que tem como vizinho um consultório de psicanálise. Através do seu apartamento é possível ouvir as confissões dos pacientes, em especial de uma paciente grávida, fazendo intensificar nela uma crise existencial adormecida.



Hannah e suas irmãs
(Hannah and her sisters - 1976)
A amizade e o relacionamento de três irmãs vivendo em Nova York. No dia de Ação de Graças, seus conflitos amorosos e existenciais são evidenciados no meio de um grupo de amigos e parentes não muito homogêneo. Lee (Barbara Hershey ) é uma velha pintora casada com Frederick (Max von Sydow ), Holly (Dianne Wiest ) sonha em ser uma escritora e Hannah (Mia Farrow) é uma famosa atriz, perfeita em tudo na vida.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Uma nostálgica volta ao próprio passado


As duas características que mais admiro na obra de Woody Allen é o fino uso da ironia para falar da condição humana e a capacidade de provocar questionamentos sobre a própria arte. Com esses dois elementos em falta na comédia episódica A era do rádio, não é de se estranhar que este não seja um dos meus favoritos na filmografia do diretor. O longa de 1987 está para o novaiorquino como Amarcord está para Fellini, uma produção essencialmente nostálgica que resgata momentos da infância de seus realizadores.

Claro que Allen é capaz de construir diálogos acima da média, escalar atores de peso e criar (ou recriar?) personagens interessantes, mas a estrutura fragmentada da produção enfraquece o resultado final. O mesmo acontece, por exemplo, em seu filme mais recente, Para Roma com amor, que peca pelos mesmos motivos, mas que contêm em um ou outro episódio os tais questionamentos a que me referi no início desse texto. No caso de A era do rádio, o espectador que deseja embarcar numa viagem às décadas de 30 e 40, quando o meio de comunicação ocupava espaço de protagonista na vida de muitas famílias, não vai se decepcionar.

Utilizar fatos reais que marcaram história como pano de fundo é um dos acertos do filme. Um exemplo é a famosa pegadinha pregada em 1938 por Orson Welles, que criou uma versão radiofônica de "Guerra dos Mundos", de H.G. Wells, simulando uma invasão alienígena nos Estados Unidos, causando pânico nos lares americanos. Na trama, o suposto acontecimento diverte, ao atrapalhar o encontro de Bea (Diamme Wiest) e seu pretendente. Por outro lado, o complicado resgate de uma menininha que ficou presa num poço sensibilizou todas as famílias do país.

Verdadeiro protagonista da história, o rádio aparece ainda como objeto de desejo de aspirantes a atrizes, como Sally White (Mia Farrow), fonte de entretenimento para as massas (fenômeno que serve para uma das melhores piadas do filme, logo em sua abertura) e fábrica de ilusões para as crianças da época, com o O Vingador, super-herói idolatrado pelos meninos, que nem desconfiavam que seu "alter ego" era baixinho e careca. Tudo isso diverte e entretém durante 88 minutos, mas é pouco diante do que Allen tem para oferecer.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Prêmios de Woody Allen


Segundo o IMDB Woody Allen já recebeu 110 prêmios, e 129 nomeações. Confira alguns dos prêmios

Oscar
Melhor filme
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall

Melhor diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall

Melhor roteiro original
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1986 - Hannah and Her Sisters
2012 - Midnight in Paris

Indicações
Melhor diretor
1978 - Interiors
1984 - Broadway Danny Rose
1986 - Hannah and Her Sisters
1989 - Crimes and Misdeamenors
1994 - Bullets over Broadway
2011 - Midnight in Paris
Melhor ator
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
Melhor roteiro original
1978 - Interiors
1979 - Manhattan
1984 - Broadway Danny Rose
1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo
1987 - Radio Days
1980 - Crimes and Misdemeanors
1990 - Alice
1992 - Husbands and Wives
1994 - Bullets Over Broadway
1995 - Mighty Aphrodite
1997 - Deconstructing Harry
2005 - Match Point

Woddy Allen recebendo, mas não buscando o Oscar de Melhor diretor por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
p

Globo de Ouro
Melhor filme - comédia/musical
2008 - Vicky Cristina Barcelona

Melhor roteiro
1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo
2012 - Midnight in Paris

Indicações
Melhor diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1978 - Interiors
1986 - Hannah and her Sisters
2005 - Match Point
2011 - Midnight in Paris
Melhor roteiro
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1978 - Interiors
1986 - Hannah and her Sisters
2005 - Match Point
2011 - Midnight in Paris
Melhor ator - comédia/musical
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1983 - Zelig

Woddy Allen recebendo, mas não buscando o Oscar de Melhor diretor por Midnight in Paris


BAFTA
Melhor diretor
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1986 - Hannah and her Sisters

Melhor roteiro
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1979 - Manhattan
1984 - Broadway Danny Rose
1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo
1986 - Hannah and her Sisters
1992 - Husbands and Wives

Indicações
Melhor diretor
1979 - Manhattan
1989 - Crimes and Misdemeanors
Melhor ator
1977 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa - Annie Hall
1979 - Manhattan
1986 - Hannah and her Sisters
Melhor roteiro
1983 - Zelig
1987 - Radio Days
1989 - Crimes and Misdemeanors
1994 - Mighty Aphrodite

Prêmio Bodil
Melhor filme americano
1977 -Noivo Neurótico, Noiva Nervosa -  Annie Hall
1979 - Manhattan
1983 - Zelig
1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo
1986 - Hannah and her Sisters

Festival de Veneza
Leão de Ouro - 100 anos do cinema (1995)
Prêmio Pasinetti de melhor filme - 1983 - Zelig

Urso de Prata
Conjunto da obra

Festival de Cannes
Prêmio FIPRESCI - 1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo

Prêmio César
Melhor filme estrangeiro
1979 - Manhattan
1985 - A rosa púrpura do Cairo - The Purple Rose of Cairo

Indicações
Melhor filme estrangeiro
1990 - Alice
1992 - Husbands and Wives
1993 - Manhattan Murder Mystery
1996 - Everyone Says I Love You

Outras indicações
  • Independent Spirit Award de melhor roteiro, por Bullets over Broadway (1994).
  • Recebeu uma indicação ao Grande Prêmio Cinema Brasil de melhor filme estrangeiro, por Deconstructing Harry (2000).
  • Ganhou em 1997 o prêmio Academy Fellowship, dado pelo British Academy Awards.
  • Recebeu em 1987 da Academia Americana de Comédia o prêmio de ator mais engraçado por Hannah and her Sisters (1986) e um prêmio pelo conjunto da obra em comédia.

domingo, 9 de setembro de 2012

A era do rádio

Houve uma época, não muito remota, em que o rádio era a 'tv nossa de cada dia' e tinha lugar de destaque na sala dos poucos que possuíam o aparelho. Informação e entretenimento, a era de ouro do rádio.

Radio days
1987 - EUA - Cor
88min, Comédia.

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Diane West, Mia Farrow, Jeff Daniels, Josh Mostel, Michael Tucker, Todd Field, Julie Kavner, Seth Green.

sábado, 8 de setembro de 2012

Uma comédia para nos fazer rir e pensar


Que atire a primeira pedra quem nunca apelou para a ficção para escapar da realidade, nem que seja por alguns minutos. Pois essa ideia, elevada à enésima potência, é o simpático e divertido mote de A rosa púrpura do Cairo. Woody Allen faz questão de desrespeitar as fronteiras entre real e imaginário e propõe uma reflexão nada acadêmica sobre a nossa experiência cinematográfica. Até que ponto nós nos deixamos conduzir ao entrar na sala escura do cinema? Até que ponto ativamos nossa consciência crítica? Até que ponto queremos ser enganados?

Impressionante como uma comédia leve como essa consegue conter tantos questionamentos e, ao mesmo tempo, construir um panorama tão realista da vida da protagonista, Cecilia, interpretado com delicadeza por Mia Farrow. A lista de problemas é imensa: em plena Depressão, quando a crise econômica nos Estados Unidos atinge níveis alarmantes, ela sustenta o marido, Monk (Danny Aiello), com seu parco salário de garçonete. Ele, por sua vez, gasta seu tempo com jogos e amantes, em vez de procurar trabalho. Como se a situação não pudesse piorar, o sujeito bebe em excesso e a agride, verbal e fisicamente. Não poderia haver pior cenário para ela, que só encontra o mínimo de conforto na ilusão que o cinema proporciona.

De tanto ver A rosa púrpura do Cairo (o filme dentro do filme), Cecilia desperta a atenção de Tom Baxter (Jeff Daniels), o explorador da história. Seria uma história de amor proibido perfeita se ele... existisse. A princípio, nenhum dos dois parece se importar com esse detalhe, mas a confusão causada pela fuga do personagem repercute tanto que eles precisam reavaliar a insólita situação. A inocência do explorador emociona quando ele é levado por Emma (Dianne Weist) a um bordel. Seu romantismo idealizado, embora sincero, fazia suspirar as prostitutas assim como as mocinhas que assistem a seus filmes. Existiria um homem como aquele no mundo real ou o discurso do amor eterno é mesmo só ilusão? É emblemático o que ele diz a Cecilia durante seus encontros furtivos: "De onde eu venho, as pessoas não lhe desapontam. Elas são confiáveis e você pode contar com elas". Seria essa uma sentença que opõe os dois mundos? Não se pode contar com ninguém na vida real?

Mas a ingenuidade de Tom também garante momentos impagáveis: ele, que não sangra nem se desarruma, estranha quando os carros não ligam automaticamente ou quando um momento romântico não termina com o clássico "fade out", dentre as muitas referências que o longa faz a  práticas comuns no cinema, cheias de uma deliciosa ironia. A maior delas está em Gil Shepherd, também vivido por Jeff Daniels com maestria. O estereótipo de ator de ego inflado ("Fui aclamado pela crítica" é uma de suas frases favoritas) também serve para questionar o papel da criação no cinema, essa arte que é essencialmente coletiva. Gil se refere o tempo todo a Tom como criação sua, até que é questionado por Cecilia: "Mas não foi criação do escritor?". Pausa. Silêncio. Acho que alguns atores devem ter entendido a mensagem mais que direta de Allen....

Alheio a toda essa discussão, Tom Baxter enuncia diversas vezes seu desejo maior: liberdade. Ele, que não conheceu seu pai, morto antes do filme começar, quer fazer suas próprias escolhas, quer sair do script, quer a incerteza. Cecilia quer justamente o contrário, a repetição, a segurança, o final feliz com garantia. Curiosamente, mesmo não sendo de carne e osso, Tom é capaz de modificar a vida de Cecilia. Somente a partir do inusitado encontro, ela toma atitudes até então impensáveis, como mentir para o marido e enfrentá-lo, quando ele usa de toda sua "autoridade". É bonito de ver como toda essa ilusão, que logo se revela passageira, consegue fazê-la repensar sua vida e criar coragem de agir. O cinema sempre foi o refúgio da garçonete, que se ampara naqueles breves momentos de felicidade (do outro, repare) para esquecer tudo aquilo que lhe oprime. O melancólico final, que poderia ser encarado como um balde de água fria nos mais otimistas, é bastante realista. Será que estamos dando à arte sua verdadeira função, de servir de projeção para nós mesmos e de provocar reflexão? Ou mais uma vez vamos voltar para nossa vidinha de sempre sem nos deixar modificar depois que o "The end" aparece na tela?  

É por isso que amamos o cinema!

Não só o cinema, mas qualquer forma existente de contar histórias que nos faça viajar. Abandonar o mundo real e viver, mesmo que por poucas horas, grandes aventuras, romances tórridos e mistérios insolúveis. Válvula de escape de muita gente como Cecília (Mia Farrow, adoravelmente frágil).

Vivendo uma das piores fases do século XX, a depressão após a queda da bolsa de valores de 1929, a moça está presa a um marido, que finge procurar emprego. Interessado apenas em jogos de azar o mau-caráter (Danny Aielo), ainda bate na esposa e torra o pouco que ela consegue em seu emprego como garçonete. Trabalho no qual a moça não tem muito futuro. Os únicos momentos agradáveis na vida de Cecília eram aqueles em que ela ai ao cinema, e se admirava com as vidas dos personagens.

Após um dia extremamente ruim, Cecília foge para o cinema. Em uma época pré-blockbusters era possível pagar um ingresso e simplesmente ficar na sala, o dia inteiro, assistindo o filme repetidamente. E foi o que ela fez. Qual não foi a surpresa quando lá pela quinta sessão o heroico Tom Baxter (Jeff Daniels, perfeito mocinho de filmes de outrora), percebe sua constante presença, resolve sair da tela para conhecer tão ardorosa fã.

Vai dizer que você cinéfilo ou não, nunca sonhou com isso? Conhecer seu personagem favorito, que abandonou, seu filme, livro ou novela só para ter o prazer de te conhecer. O fato de o mocinho ser bem apessoado e se apaixonar perdidamente por você é só um bônus.

Logo Cecília que se sentia solitária, encontra não uma, mas duas pessoas que dizem amá-la. Já que o acontecimento sem precedentes de um personagem deixar a tela causa comoção na indústria cinematográfica, ao ponto de o intérprete de Tom, Gil Shepherd (também, Jeff Daniels), aparecer na cidadezinha de Cecília.

Aliáis, diversão à parte, é observar os personagens à espera do coadjuvante para terminar o filme. O tal coadjuvante descobrindo o mundo real (onde depois do beijo não há o fade-out para levar o casal para um local reservado onde podem namorar, sem 300 expectadores assistindo). E o mundo real tentando entender, e resolver, essa balbúrdia.

De volta a Cecília, seu dilema impossível é na verdade para lá de real. Ok, personagens não saltam da tela, mas sim, a vida é quase sempre horrível. Quem nunca desejou deixar tudo de lado, e viver com a cabeça na ficção.  Aliais o advento da internet criou ainda mais uma forma de escapar da realidade, a vida virtual.

Woody Allen apresenta não apenas bem, mas de forma delicada, doce e melancólica, os dilemas simples do dia-a-dia. Tão real agora, quanto em 1985, e provavelmente na década de 1930. A vida na maioria das vezes não é como desejamos, e a ficção é infinitamente melhor e mais empolgantes.

É claro que cedo ou tarde aparece aquele sentimento de culpa por preferir um mundo imaginário ao nosso. Então voltamos ao mundo real apenas para descobrir que ele ainda é o mesmo. Cheio de decepções e problemas. Mas, talvez, a gente esteja diferente.Mudando um pouquinho a cada filme, descobrindo novas formas e reforçando antigas de tornar a cruel realidade mais suportável. Mesmo que seja apenas escapando por duas horas em uma sala de cinema, só para ver Fred Astaire dançando no paraíso.


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma história de amor diferente, divertida e surreal

Tom e Cecília, na cena do beijo: 'não vai ter fade out?'
Que atire a primeira pedra aquele que nunca se apaixonou perdidamente por um personagem de filme! Se eu tiver que listá-los aqui... Rende um post só disso. Essa é a sacada genial do diretor Woody Allen: ele pega uma situação absolutamente comum (e ridícula, convenhamos), a que qualquer mortal está sujeito a passar e pensa: 'e se acontecesse mesmo?'. Então ele nos presenteia com a história de Cecília (Mia Farrow, extremamente delicada em sua composição da frágil personagem), uma garçonete casada com Monk (Danny Aielo, perfeito) um homem rude e que só quer saber de ter uma mulher em casa para lhe dar comida quando ele termina de perder todo seu pouquíssimo dinheiro em jogos e apostas. Romântica ao extremo, seu refúgio são os filmes que ela vai assistir toda semana no cinema. E sua vida vira de ponta cabeça quando estréia 'A rosa púrpura do Cairo'. Fascinada com o filme, ela vai repetidas vezes até o cinema para ver o mesmo filme. Está apaixonada pelo personagem Tom Baxter (Jeff Daniels), um explorador que está buscando essa flor tão rara e que simboliza o amor do faraó por sua rainha. O inusitado acontece na quinta vez em que ela vai ao cinema.


No meio de uma fala, Tom Baxter vira-se para a platéia e começa a falar diretamente com Cecília. E mais que isso: ele resolve sair da tela e vir para o mundo real. Está completamente apaixonado pela moça que tantas vezes foi vê-lo, está cansado de falar as mesmas falas sempre, quer saber como é a vida de verdade. Começa a loucura. Ele foge correndo da sala com Cecília enquanto os outros atores em cena ficam indignados, sem saber o que fazer. Os produtores são chamados para dar conta do rebuliço, o ator Gil Shepherd (Jeff Daniels) se vê obrigado a corre atrás de seu personagem antes que sua carreira em ascensão se torne um desastre, outros personagens Tom Baxter em outras películas também estão querendo ver a vida do lado de fora da telona. Enquanto isso, os dois vão viver dias de aventura e romance como somente os filmes são capazes de produzir. Porém, essa situação não pode se prolongar... E é quando Cecília tem que decidir se fica com a realidade ou se vai viver de sonhos.

Cinema em polvorosa: o que fazer quando um de seus personagens resolve fugir  do filme?


A rosa púrpura do Cairo (The purple of Cairo, 1985) é um filme divertido e melancólico ao mesmo tempo. São hilárias as cenas em que um embasbacado e apaixonado Tom Baxter descobre o mundo. Quando ele espera o fade out para poder fazer amor com sua amada, ou quando ele tenta dirigir o carro somente por sentar-se no banco do motorista... É pra rir com gosto! Mia Farrow é muito feliz na construção de sua Cecília: frágil, sonhadora, delicada, apaixonante. A perfeita mocinha romântica. O restante do elenco do filme preso no cenário também rende boas risadas. A crítica sutil aos grandes egos está ali, nas piadinhas mordazes sobre 'como acabamos presos aqui por causa de um personagem secundário?'. Genial. Danny Aielo está ótimo como o marido acomodado e violento, e Jeff Daniels fez um bom trabalho num trabalho duplo: a ingenuidade de Tom e a cafajestagem de Gil são bem defendidas por ele. Algumas das melhores cenas dele, apesar de eu achar que as melhores tiradas são da empregada Delilah (Annie Joe Edwards) e da condessa (Zoe Caldwell). A melancolia vem exatamente com o fim do filme - a volta à realidade. Talvez se o filme estivesse só ali, na decepção da Cecília ao descobrir que foi abandonada por Gil, o filme não fosse tão triste. Mas quando ela decidiu ir ao cinema de novo e se encantou novamente com Fred Astaire dançando elegantemente na telona, e conseguimos ler na expressão do rosto dela que ela encontrou um novo 'amor', isso me deixou meio mal. Não sei explicar porquê, mas ficou um gosto amargo ao ver que ela ia voltar a sofrer tudo de novo: o marido que a maltrata, para o desemprego e a Depressão e, ainda assim, ela se apaixonaria de novo por um outro personagem fictício e sofreria de novo após o filme sair de cartaz.  Mas nem por isso o filme perde seu mérito, muito pelo contrário: só mostra o quão bom Allen é ao retratar coisinhas cotidianas e tirar delas ensinamentos, ridículos e esperanças que sempre nos rodeiam.

P.s.: é com muita honra que termino esse post, o nosso milésimo postado. Agradeço às amigas blogueiras, Giselle e Fabiane, por terem me incluído na trupe, e a você leitor, que tem nos prestigiado nesses 3 anos de vida do Dvd, sofá e pipoca.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Prêmios de A rosa púrpura do Cairo

Confira os principais prêmios de A rosa púrpura do Cairo:

Oscar 1986 (EUA)
Recebeu uma indicação na categoria de melhor roteiro original.

Globo de Ouro 1986 (EUA)
  • Melhor roteiro.
Indicado nas categorias de melhor filme - comédia/musical, melhor atriz - comédia/musical (Mia Farrow) e melhor ator - comédia/musical (Jeff Daniels).

BAFTA 1986 (Reino Unido)
  • Melhor filme
  • Melhor roteiro original.
Indicado nas categorias de melhor atriz (Mia Farrow) e melhores efeitos especiais.

Festival de Cannes 1985 (França)
  • Prêmio FIPRESCI.

Prêmio César 1986 (França)
  • Melhor filme estrangeiro.

Prêmio Saturno 1986 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)
Indicado nas categorias de melhor atriz (Mia Farrow), melhor diretor (Woody Allen), melhor filme de fantasia e melhor roteiro.

Prêmio Bodil 1986 (Dinamarca)
  • Melhor filme não europeu.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Woddy Allen e suas musas

Em cada fase de sua extensa carreira Woody Allen foi inspirado por diferentes musas. Conheça suas parcerias com as atrizes inspiradoras.

Mia Farrow (13 filmes)
  • Sonhos eróticos de uma noite de verão (A Midsummer Night's Sex Comedy)
  • Zelig
  • Broadway Danny Rose
  • A rosa púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo)
  • Hanna e suas irmãs (Hannah and Her Sisters)
  • A era do rádio (Radio Days)
  • Setembro (September)
  • A Outra (Another Woman)
  • Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors)
  • Contos de Nova York (New York Stories)
  • Alice
  • Neblina e Sombra (Shadows and Fog)
  • Maridos e Esposas (Husbands and Wives)

Diane Keaton (7 filmes)
  • O Dorminhoco (Sleeper)
  • A Última Noite de Boris Grushenko (Love and Death)
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall)
  • Interiores (Interiors)
  • Manhattan
  • A era do rádio (Radio Days)
  • Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery)
Dianne Wiest (5 filmes)
  • A rosa púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo)
  • Hanna e suas irmãs (Hannah and Her Sisters)
  • A era do rádio (Radio Days)
  • Setembro (September)
  • Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway)

Judy Davis (5 filmes)
  • Alice
  • Maridos e Esposas (Husbands and Wives)
  • Descontruindo Harry (Deconstructing Harry)
  • Celebridades (Celebrity)
  • Para Roma com Amor (To Rome with Love)

Scarlett Johansson (3 filmes)
  • Match Point
  • Scoop - O Grande Furo (Scoop)
  • Vicki Christina Barcelona

Penélope Cruz (2 filmes)
  • Vicki Christina Barcelona
  • Para Roma com Amor (To Rome with Love)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Curiosidades de A rosa púrpura do Cairo

Originalmente, seria Michael Keaton quem interpretaria os personagens Tom Baxter e Gil Sheperd. O ator chegou a gravar algumas cenas como o personagem, mas como o diretor Woody Allen não gostou do resultado, resolveu substituí-lo por Jeff Daniels.

O diretor Woody Allen já declarou por diversas vezes que A Rosa Púrpura do Cairo é, entre os filmes que fez, o que mais gosta.

Depois de uma prévia, falaram para Woody Allen que se ele mudasse o fim, o longa seria um grande sucesso. O diretor negou, dizendo que o final é um dos motivos que fez com que ele filmasse esta história.

Em uma entrevista pela Esquire, Woody Allen foi perguntado por que ele não fez um final feliz para o filme. Allen respondeu: "Esse *foi* o final feliz."

Jeff Daniels abriu um teatro em sua cidade natal, Chelsea, Michigan chamado "The Purple Rose."

Viggo Mortensen, o Aragorn de O Senhor dos Anéis teve um pequeno papel no filme, mas acabou cortado da versão final.

Em uma entrevista de uma revista belga, Viggo Mortensen, disse que estava muito orgulhosa de ter desempenhado um papel pequeno no filme durante um momento difícil de sua vida. Quando ele orgulhosamente levou toda sua família para uma sala de cinema para vê-lo, ele foi extremamente desapontado ao descobrir que todas as suas cenas foram cortadas do filme

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Já vimos: Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Woody Allen não é um novato em nosso sofá. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa ganhou uma semana inteira de posts em Maio de 2010. Aproveite o mês dedicado ao diretor e (re)leia tudo sobre o filme.
Continue acompanhando o mês Woddy Allen aqui, no DVD, Sofá e Pipoca.

domingo, 2 de setembro de 2012

A rosa púrpura do Cairo

Começamos nosso mês Woody Allen com uma de suas obras mais conhecidas. Uma garçonete maltratada pelo marido vê o ator principal de seu filme preferido sair da tela e transformar sua vida.

The purple rose of Cairo
1985. EUA. Cor
81min. Comédia.

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aielo, Edward Herrman, Van Johnson, Stephanie Farrow, Zoe Caldwell, Debrah Rush, Eugene J, Anthony.

Mês Woody Allen

Queridinho entre cinéfilos, dedicamos um mês inteirinho a um dos grandes nomes do cinema atual. Ator, diretor e roteirista, Allen costuma falar sobre a vida cotidiana e se autorretratar em seus personagens. Pode preparar a pipoca, que a sessão vai começar!