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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Curiosidades de Os Crimes do Alfabeto

Mais misterioso que os crimes, são os detalhes da produção de Os Crimes do Alfabeto. Confira algumas:

Baseado no romance The A.B.C. Murders, de Agatha Christie.

Foi o último filme de Austin Trevor.

É a primeira produção do cinema onde aparece o personagem Poirot.

A certa altura da produção Seth Holt foi escalado para dirigir este o filme  Zero Mostel daria vida a Poirot. Mas a escalação mudou devido ao atraso na produção causada pela oposição de Agatha Christie ao roteiro. 

O filme difere significativamente do romance e enfatiza a comédia .

Nos créditos de abertura, quando Poirot, em Londres, está sendo seguido em seu caminho para o alfaiate, os carros estão estacionados de frente para a mesma direção em ambos os lados da rua, indicando uma via de mão única - mas o tráfego em movimento vai na direção oposta.

O romance ganhou outras versões:
Agatha Christie's Poirot: The ABC Murders (1992)
Les petits meurtres d'Agatha Christie: Les meurtres ABC (2009)

domingo, 24 de junho de 2012

Os Crimes do Alfabeto

Poirot retorna para encerrar o mês Agatha Christie e de quebra ainda desvendar crimes. O filme foi escolha dos leitores!


The Alfabeth Murders
1965. Inglaterra
Suspense, drama, policial.

Diretor: Frank Tashlin

Roteiro: David Pursall, Jack Seddon

Music: Ron Goodwin

Elenco: Tony Randall, Robert Morley, Anita Ekberg, Maurice Denham.

Baseado no romance The A.B.C. Murders de Agatha Christie.

sábado, 23 de junho de 2012

Nem tudo é o que parece


Perdoem-me os fãs mais ardorosos de Agatha Christie, mas a escritora me parece avessa a sutilezas. Testemunha de acusação é mais uma prova de que suas tramas, embora consigam prender nossa atenção por bastante tempo, seguem sempre a mesma fórmula: mistério pontuado por várias pistas falsas, que mais parecem cascas de banana, solucionado com uma mirabolante reviravolta final. No caso das adaptações cinematográficas, o diretor tem duas opções: tornar-se cúmplice do espectador (como foi o caso de Guy Hamilton em A maldição do espelho) ou da escritora. Esta parece ter sido a escolha de Billy Wilder.

Mas tal posicionamento não seria tão eficaz sem a excelência de seu elenco. Tyrone Power e Marlene Dietrich estão soberbos em cena, cada um em seu estilo. Ele, na pele de Leonard Vole, suspeito de um assassinato, não poderia ser mais carismático. Ela, que interpreta a mulher do acusado, Christine, consegue ser mais do que enigmática, como o roteiro sugere. Uma pedra de gelo talvez despertasse maior empatia do público (e, sim, isto é um elogio). Assim como o corpo de jurados, que não possuem evidência do crime, mas devem emitir um parecer com base nas atuações de cada um dos envolvidos no tribunal, somos obrigados a formar opinião sobre os personagens sem o respaldo de informações mais concretas sobre o tal crime. O jogo é interessante, embora o espectador esteja fadado a ser enganado.

Mas a dúvida entre quem é o vilão e quem é o mocinho muitas vezes fica em segundo plano, graças a Charles Laughton, o divertido Wilfrid Robarts. O advogado, à beira de um novo infarto, consegue deixar o clima mais tenso e, ao mesmo tempo, mais leve com sua mania de irritar a enfermeira Plimsoll (Elsa Lanchester) ao descuidar da saúde. Impressionante como ele consegue ser uma criança mimada e um brilhante advogado de defesa, não só por seu raciocínio rápido como por sua alta sensibilidade. Não fosse por ele, Testemunha poderia ser apenas mais um bom filme de tribunal.  

Perjúrio!

Bem que o título desse filme poderia ser o mesmo que o do título desta resenha. Mas isso entregaria muito do roteiro de Testemunha de Acusação. E já que os próprios produtores do filme pedem em um anúncio ao final do longa, que não revelem aos amigos que não viram seu desfecho, vou tentar parar com os spoilers por aqui.

Eis as provas informações que posso revelar: Sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton) é O advogado, mas teve um derrame e deve deixar a profissão para preservar sua saúde. Ordem que não pretende seguir, mesmo diante dos protestos de sua dedicada enfermeira srta Plimsoll (Elsa Lanchester). Ao chegar em casa, logo pega um caso, Leonard Stephen Vole (Tyrone Power) está sendo acusado de matar uma senhora rica e solitária.


O caso vai sendo desenrolado através de depoimentos e flashbacks, até o momento do julgamento, onde aparentemente todas as peças estão no tabuleiro. O réu, sua estranha e enigmática esposa Christine Helm Vole (Marlene Dietrich), a ranzinza empregada da vítima e os advogados de defesa e acuzação. É aqui que a coisa começa a ficar interessante.

Sim, a primeira hora é arrastada e não avança muito com a história, mas é necessária. É na metade inicial que vamos "conhecer" o caso. Descobrir como vítima e réu se conheceram, sua relação, a reação daqueles que o cercam, ao mesmo tempo que tentamos descobrir o quanto da história de cada um é verdade.

Conhecidas as supostas circunstâncias, podemos partir para a metade divertida do longa. Um julgamento cheio de reviravoltas, que se intensificam com a chegada do desfecho, tanto quanto a péssima condição de Saúde de Robarts. É nas atuações vistas ali que está o brilho de Testemunha de Acusação.

O envolvimento do advogado de defesa, que arrisca a vida para encerrar esse caso. A forma como organiza suas perguntas e argumentos para arrancar das testemunhas as respostas necessárias para defender sua causa. A afirmação veemente de inocência do acusado, seu desespero a cada novo depoimento. Os divertidos comentários da inteligente, porém inconveniente, enfermeira. E claro, a dubiedade da esposa  vivida por Marlene Dietrich. A atuação é incrível, mas a certeza que a atriz tinha na época de que seria indicada, era total falta de modéstia. Deselengante!

Desfecho surpreendente e boas atuações, o que mais podíamos pedir? Declaro esse filme, um ótimo exemplo do gênero filmes de tribunal.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prêmios de Testemunha de Acusação

Apesar do sucesso e das muitas indicações os prêmios foram poucos

Oscar 
Indicado nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Charles Laughton), melhor atriz coadjuvante (Elsa Lanchester), melhor edição e melhor som.

Globo de Ouro 
  • Melhor atriz coadjuvante (Elsa Lanchester).
Indicado nas categorias de melhor filme - drama, melhor ator de cinema - drama (Charles Laughton), melhor atriz de cinema - drama (Marlene Dietrich) e melhor diretor de cinema.

BAFTA
Indicado na categoria de melhor ator estrangeiro (Charles Laughton).

Prêmio Edgar 
Indicado na categoria de melhor filme.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Quando as estrelas trabalham para o filme

Dietrich e Laughton: atuações memoráveis
O filme não seria a mesma coisa se não fosse a espetacular atuação de Charles Laughton no papel do carrancudo advogado Wilfrid Robarts. Entendam, o filme é ótimo, e levando em consideração minha falta de paciência para filmes de tribunal, esse prendeu minha atenção do início ao fim. Mas boa parte da minha atenção se deve à brilhante interpretação de Laughton, que fez um admirável trabalho de composição de personagem. Não posso fazer comparações com o personagem do livro porque não li, mas a caracterização dele foi cuidadosa e extremamente bem executada. Charles dá vida ao advogado rabugento e estressado Wilfrid, excelência em casos criminais. Ao retornar às atividades de seu escritório, estava proibido por seu médico de atender aos casos que mais gosta (assim como beber e fumar charutos). Mas seu parceiro aparece com um cliente e uma história estranha demais, um caso para especialistas: uma senhora muito rica foi encontrada morta por um homem, Leonard Vole (Tyrone Power), que havia pouco tempo se tornado seu amigo. Todas as evidências levavam à acusação dele, enquanto ele jurava inocência. Ele havia se tornado o único herdeiro de toda a fortuna dela, portanto era bastante óbvio que ele se tornasse o principal suspeito. A única testemunha que poderia salvá-lo da acusação era sua esposa Christine (Marlene Dietrich, soberba), uma mulher dura e que estava ciente da condição delicada do marido. Mas ela, ao que tudo indica, sentia ciúmes da relação do marido com a senhora, e parece muito disposta a defender o marido a qualquer custo - afinal, ele havia tirado da Alemanha e salvado sua vida.

Com medo de que eu testemunho pudesse ser de má influência aos jurados (uma mulher extremamente devotada ao marido faria e diria qualquer coisa para inocentá-lo, certo?), Wilfrid decide não chamá-la para o julgamento. No entanto, ela aparece e é sua principal testemunha... De acusação. Com sua mão sobre a bíblia, ela jura contar toda a verdade e relata o que de fato aconteceu: seu marido havia chegado mais tarde no dia do assassinato, com os punhos do casaco manchados de sangue e dizendo que havia conseguido, que tinha se livrado dela. Uma reviravolta e tanto no caso. A frágil saúde do sr. Robarts dá sinais de não aguentar muito mais novidades no caso, mas ele insiste em se manter à frente da defesa. Quando tudo parecia perdido, uma testemunha, de última hora, faz uma misteriosa ligação para o escritório e diz ter provas contra a esposa de Vole - ela teria um amante, e estaria armando para que o marido fosse preso para que ela fugisse com a fortuna dele. Mais uma reviravolta.

Srta. Plimsoll e o (nem tão) paciente sr. Robard: doses de humor em meio ao "climão"

Confrontando novamente acusado, a esposa e as novas evidencias, chegamos ao final surpreendente. Um roteiro intrincado, cheio de reviravoltas, de detalhes, como toda boa história policial. Uma boa dose de humor, principalmente na relação enfermeira-paciente de Robard e a srta. Plimsoll (Elsa Lanchester, ótima), interpretações grandiosas de Laughton e Dietrich, a direção segura de Wilder e o desfecho inesperado. Personagens cativantes, história envolvente. Deixou um gostinho de "quero mais".

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Curiosidades de Testemunha de Acusação

 Testemunha de Acusação é baseado na adaptação teatral feita pela própria Agatha Christie de seu conto, porém foi muito ampliada. As cenas cômicas entre Sir Wilfrid e a enfermeira Plinsoll, que não fazem parte da peça, foram acrescentadas ao filme quando os roteiristas souberam que  Charles Laughton e Elsa Lanchester (casados na vida real) contracenariam. 

Embora publicado originalmente como uma história curta em 1925 com o título "Traitor's Hands". Foi rebatizado por Agatha Christie, como "Testemunha de Acusação", quando foi reeditado em 1930 e 1940 em publicações britânicas e americanas. 


Ao fim do filme, à medida que os créditos passam pela tela, uma voz anunciava:
"A administração deste cinema sugere que, para que seus amigos que ainda não viram o filme possam melhor desfrutá-lo, você não divulgue para ninguém o segredo do final de Testemunha de Acusação."
O que condizia com a campanha publicitária do filme; um dos seus pôsteres anunciava:
"Você vai falar sobre ele, mas por favor, não conte o final."
O estúdio onde as filmagens aconteciam tinha um acordo pendurado do lado de fora que todos os que entraram tinham que assinar, prometendo não revelar o final surpreendente.

Nas pré-estréias, membros da platéia recebiam, e foram solicitados a assinar, cartas que diziam, "Eu  juro solenemente que não vou revelar o fim de Testemunha de Acusação".

Os esforços para manter o segredo do final não pouparam nem o elenco. O diretor Billy Wilder não deu aos atores as últimas dez páginas do roteiro até o dia em que aquelas cenas fossem ser filmadas. Especula-se que o segredo possa ter custado a Marlene Dietrich um Oscar, já que a United Artists não queria chamar atenção ao fato de que Dietrich estava praticamente irreconhecível como a mulher cockney que fornece as cartas incriminadoras à defesa.

Marlene Dietrich tinha tanta certeza de que seria nomeada ao Oscar por sua performance como Christine Vole que gravou uma nova introdução para a Las Vegas mostrar mencionando a sua nomeação. Ela não foi nomeada.

Este foi o último filme de Tyrone Power, que morreu logo após conclusão.

Una O'Connor foi o único membro do elenco original da Broadway a repetir seu papel no filme.

Há uma conexão com  A Noiva de Frankenstein, tanto Elsa Lanchester e Una O'Connor co-estrelaram o clássico de monstro.

Foi refilmado para a TV americana em 1982.

domingo, 17 de junho de 2012

Testemunha de acusação

Um advogado se vê às voltas com um caso em que seu cliente é acusado de assassinato e que seu único álibi, sua bela esposa, se torna sua testemunha de acusação...


Witness for the prosecution
1957. Eua, preto e branco
Suspense, drama, policial.

Diretor: Billy Wilder

Roteiro:Billy Wilder, Harry Kurnitz

Música Original: Matty Malneck

Elenco: Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton,  Torin Thacher, John Williams.

Baseado em conto de Agatha Christie.

sábado, 16 de junho de 2012

É ele. É ela. É ele...tenho certeza!!!

É exatamente assim que reage o Sr. Bianchi, dono da companhia férrea, a cada depoimento dos passageiros da primeira classe do Expresso Oriente. Não que o personagem seja volúvel e mude de ideia sem critério algum, mas porque nesta adaptação do romance de Agatha Christie todos são suspeitos até que Poirot prove o contrário.

Assassinato no Expresso Oriente, o nome é bastante auto-explicativo. Ocorre um assassinato no trem de mesmo nome que levava de Istambul à Londres. O(s) Assassino(s) não contava apenas com dois detalhes, a presença do famoso detetive Hercule Poirot (excentricamente interpretado por Albert Finney), e uma inconveniente barreira de neve que impede a chegada do trem em seu devido tempo. E proporciona o tempo suficiente para o detetive colher pistas e desvendar o misstério.

Entretanto, para um filme que gira em torno de um assassinato, este demora bastante a acontecer, quase meia-hora. O motivo? Antes somos devidamente informados sobre outro crime aparentemente sem conexão com o mistério do trem, o sequestro e posterior assassinato da menina Daisy Armstrong. É claro que há ligação.

A vítima do trem Ratchett (Richard Widmark), é na verdade o mandante do sequestro da menina. E como se não fosse suficiente, Poirot ainda nos informa das terríveis consequências da morte da pequena. O resultado: uma certa simpatía pelo assassino oculto, afinal Ratchett teve o que merecia.

O estranho (para aqueles que como eu não conheciam o personagem) detetive, investiga a cena do crime, encontra pistas espalhadas por todo o vagão, interroga todos os passageiros. Todos tem motivos, e muitos tem  meios para matar o vilão. Logo é bastante justificável, que o Sr. Bianchi acuse veementemente cada um deles.

Nesse meio tempo, encontramos vários rostos conhecidos, e grandes interpretações vindas deles. Uniforme e sem tropeços o elenco não decepciona. O destaque fica com a pomposa e desagradável princesa interpretada por Wendy Hiller, a assutada beata vivida por Ingrid Bergman e o inconfundível Sir Sean Connery em eficiente e explosiva participação relâmpago.

O expresso em si é um personagem. Luxuoso, e claustrofóbico ora parece oferecer pouco espaço e muito tumultuado para encontrar qualquer pista.  Ora parece encurralar seus suspeitos em suas estreitas cabines. Especialmente na cena da grande revelação, onde onde o espaço parece reduzido propositalmente, ao espaço de um corredor, para deixar tudo muito mais tenso.

Com todas as peças na mesa, literal e figurativamente, resta ao detetive montar o quebra-cabeças. E a nós meros mortais, tentar acompanhar com frágil ilusão de que também poderíamos descobrir por conta própria.

E embora a explicação de Poirot seja incrível, para mim faltou uma explicação para que esta fosse completamente coerente.  Peço ajuda a você caro leitor para me explicar: se o assassinato ocorreu da maneira  que o detetive esclareceu (versão longa), como a porta da cabine da vítima estava trancada por dentro com a corrente? Teria o(s) assassino(s) retornado à cena do crime (dizem que eles sempre voltam, né), acorrentado a porta, e saído pela janela, que não abre? Ou o falecido teve um espasmo pós mortem que miraculosamente colocou a corrente no trilho? 

Quem souber por favor, acalme minhas noites insones com esta dúvida. Se não houver explicação eventualmente, vou aceitar e voltar a dormir em paz. Afinal, assassino que mata assassino...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Uma dúzia de suspeitos (literalmente)

Antes de mais nada, preciso dizer que amei esse filme. E por um fato bem simples: eu consegui acompanhar a história. Entendam, eu tenho certa dificuldade em entender histórias de mistério porque eu sou meio desatenta aos detalhes. Na verdade, eu fico procurando pelo em casca de ovo, quase sempre erro. E na hora da solução final, eu já esqueci o que tinha acontecido no início; e quando tem reviravolta é pior ainda: cadê que eu consigo associar rapidamente quem fez isso ou aquilo e quem está ligado a quem? Ok, sou dessas que gosta de uma certa regularidade (já falei inúmeras vezes aqui no blog que gosto de histórias com início meio e fim, não importa em que ordem elas apareçam), mas o fator surpresa é fundamental. Não gosto de rotina.
Poirot (Linney) e os 12 suspeitos: a hora da verdade

Portanto, essa adaptação cinematográfica de Assassinato no Expresso Oriente (Murder on the Orient Express, 1974) é fantástica. O filme começa com o noticiamento de um sequestro seguido de morte de uma garotinha, aparentemente desconexo com o restante da história. Após o crime ser descoberto, entendemos porque dessa ligação - um crime está relacionado ao outro. Todos os personagens são introduzidos da forma correta: sem muita informação, olhares suspeitos, outros que são figurantes (mas que podem ser o elemento surpresa no fim do filme), o ambiente quase hostil do trem (apertado, sem espaço nem na primeira classe), um homem ameaçado. Uma viagem longa, de Istambul até Londres, passando por diversas cidades... Terreno perfeito para um crime perfeito, não acham? Para a sorte do Sr. Bianchi (), dono da companhia férrea, o estranho, belga e inteligentíssimo detetive Hercule Poirot (Albert Finney, fantástico na caracterização do personagem) estava a bordo. Quem solucionaria tal crime de forma tão brilhante (e dramática, também, convenhamos...)?

Vamos por partes: primeiro, quem morreu? O sr. Ratchett (Richard Widmark), mas esse era um nome falso - ele escondia a sua verdadeira identidade, sr. Cassetti, o mandante do sequestro (e posterior assassinato) da pequena Daisy Armstrong. Esse crime teve consequencias graves: a mãe da menina morreu ao dar à luz um bebê prematuro (natimorto), o pai suicidou-se ao saber da morte da esposa, e a babá também se suicidou ao ser acusada injustamente de participação no crime. Segundo: quem são os suspeitos? Praticamente todos os passageiros do carro Calais, a primeira classe. Como Poirot se envolveu no caso? O próprio Ratchett o havia convidado a fazer sua segurança, pois estava sendo ameaçado. Logo após a recusa da oferta, o magnata foi encontrado morto em sua cabine no trem. Se Poirot havia recusado trabalhar para ele porque o caso não era deveras interessante, acho que ele encontrou motivo suficientes para investigar agora... Ainda mais com a pressão do sr. Bianchi!

Bergman: ainda linda e excepcionalmente inspirada

Pois bem, aí começa a genialidade da história. Mérito total ao intrincado jogo de pistas criado pela escritora Agatha Christie, onde todos parecem ter um álibi e, ao mesmo tempo, ter culpa no cartório. São as sutilezas que vão delineando quem é o assassino, um quebra-cabeças daqueles gigantes. O diretor Sidney Lumet manteve um ritmo linear, sem muitos sustos. O foco era o detetive coletando as informações para solucionar o caso - e foi justamente isso o que me manteve atenta. Para alguns, isso pode ser enfadonho. As interpretações do elenco estão ótimas, com destaque para Ingrid Bergman (Oscarizada por esse desempenho), Wendy Hiller (como a múmia falante e com um quê de drag queen, a princesa Dragomiroff) e  Finney, memoráveis. Aliás, o elenco cheio de estrelas é ótimo. Lauren Bacall como a sra. Hubbard também está impecável. Irritante, chata e majestosa como só as viúvas ricas sabem ser. Reconheci o sorriso de Vanessa Redgrave, mas acho que realmente nunca a tinha imaginado com menos de 40 anos. E Sir Sean Connery? Em participação minúscula, disse a que veio. Ele é tão fantástico que logo na primeira cena, enquanto ele luta com um bando de ovelhas (?!) para poder chegar à barca que o levaria até a estação de trem, eu reconheci - pelo seu porte e andar majestoso. Sensacional.



Bisset e Bacall: elenco de peso marcou presença
O final surpreende também. A explanação teatral de Poirot chega ao clímax: uma resposta, mais simples e vidente, obviamente é a errada. Então ele desenha toda a trama, a motivação de cada personagem, desmascara álibis, joga a suspeita sobre cada um dos possíveis assassinos. E no fim, revela: todos são os assassinos. Todos! Eu acho que nunca havia visto um filme em que todos os suspeitos eram os assassinos! É genial! Mais brilhante ainda foi o desfecho - sim, porque solucionar o problema não era o fim. Qual seria a decisão do sr. Bianchi? Que relatório ele deveria apresentar à polícia? A fim de evitar escândalos e manchar a reputação de sua empresa, ele pede a Poirot que entregue à polícia a versão mais simples do caso; afinal, todos tinham álibis, eles estavam de posse de todos os objetos pertencentes ao 'assassino', todas as evidências estavam ali. Um suspiro de alívio varreu o carro do trem. Poirot ainda solta uma pérola: "Vou me recolher para lutar contra a verdade e meus princípios quando a polícia chegar" (ou coisa que o valha). A cena final? Os assassinos brindando à morte do assassino e à liberdade. Espetacular.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Curiosidades de Assassinato no Expresso Oriente

Em Portugal o filme ganhou o título de Um Crime no Expresso do Oriente.

História de Agatha Christie foi inspirada pelo famoso seqüestro e posterior assassinato do bebê Lindbergh em 1932, filho do famoso aviador Charles A. Lindbergh e Anne Morrow. Charles A. Lindbergh morreu três meses antes do filme foi lançado.

Em 1929, um trem Orient Express no sentido oeste foi preso na neve durante 5 dias, em Tcherkesskeuy, ha cerca 130 km de Istambul. Esse incidente inspirou o cenário do livro e filme.

Os verdaderos trens Orient Express já não estavam em circulação na época da filmagem. No entanto, uma verdadeira maquina Orient Express foi usada no filme embora não pudesse viajar muito longe. Apenas partes dos carros ainda existiam em museus, principalmente na Bélgica, e por vezes tiveram que ser recriados a partir de partes reais emprestadas.


Uma Agatha Christie de 84 anos de idade, participou da estréia do filme em novembro de 1974. Foi a única adaptação para o cinema durante sua vida da qual estava completamente satisfeita. A estréia seria a sua última aparição pública: ela morreu quatorze meses depois, em 12 de janeiro de 1976.

Depois de várias adaptações para o cinema decepcionantes, Agatha Christie inicialmente se recusou a vender os direitos de filmagem de mais um de seus livros, mas presidente da EMI Nat Coleman contou com a ajuda de Lord Louis Mountbatten para persuadir Christie a permitir a filmagem de seu romance de 1934.

A galeria de fotos no DVD alemão por Kinowelt inclui uma foto sugerindo uma cena não usada no filme. Ele mostra Bianchi em sua cama no trem com Pierre de pé a seu lado.

Praticamente todo o desempenho Ingrid Bergman vencedora do Oscar está contido em uma única cena: seu interrogatório por Poirot, capturado em um take único e contínuo, cerca de cinco minutos de duração.

A cena final, em que Poirot compartilha sua solução do caso, exigiu mais tomadas e ângulos de câmera que poderia ser capturados em um único take no set apertado. O elenco teve que filmar a cena várias vezes, já que o número de câmeras não caber em um espaço tão pequeno. Isto foi especialmente difícil para Albert Finney, cujo monólogo tinha oito páginas.

Gravado Peter Handford pioneiro no uso de microfones de rádio em um filme com esta produção. Os microfones foram ocultados em acessórios de mesa.

A comida de luxo que é inspecionado e levada a bordo do trem no início do filme havia sido roubada do set pouco antes das filmagens. Todo o alimento teve de ser comprado, novamente, no meio da noite, em locações em Paris.

Há duas referências a A Dama Oculta de Alfred Hitchcock: Ratchett desaparece em um túnel, e (mais tarde) uma inicial é desenhado em uma janela embaçada.

Há duas referências musicais à filmes de Shirley Temple. No restaurante onde Bianchi e Poirot jantam, um trio toca "On The Good Ship Lollipop". E mais tarde Poirot canta duas linhas de "Animal Crackers in my sopa".

terça-feira, 12 de junho de 2012

Prêmios de Assassinato no Expresso Oriente

Conheça alguns dos prêmios e indicações recebidos pelo suspense:

Oscar
Indicado nas categorias de melhor ator (Albert Finney), melhor roteiro adaptado, melhor fotografia, melhor figurino e melhor trilha sonora - drama.

BAFTA
  • Melhor ator coadjuvante (John Gielgud)
  • Melhor atriz coadjuvante (Ingrid Bergman)
  • Melhor trilha sonora
Indicado nas categorias de melhor filme, melhor Diretor, melhor ator (Albert Finney), melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor edição e melhor figurino.

Writers' Guild of Great Britain
  • Best British Screenplay (Paul Dehn)

National Board of Review
  • Top Ten Films

Grammy Awards
Indicado para Album of Best Original Score Written for a Motion Picture or Television Special (Richard Rodney Bennett)


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mês Agatha Christie: os concorrentes

Tão grande quanto qualquer mistério de Agatha Christie é o último filme que iremos assistir no mês dedicado à autora. Cabe a você, caro leitor, desvendar esse mistério votando em nossa enquete! Para dar uma mãozinha na sua escolha, oferecemos algumas pistas sobre cada longa.


Morte Sobre o Nilo


(Death on the Nile, 1978)
m um cruzeiro pelo Nilo, uma rica herdeira é morta. Por coincidência quase todos os passageiros têm motivos diversos para matá-la. Enquanto no próprio navio as investigações têm início, novas mortes acontecem com o intuito de encobrir a verdade.




Os Crimes do Alfabeto


(The Alfabeth Murders, 1966)
O detetive belga Hercule Poirot investiga uma série de assassinatos em Londres, em que as vítimas são mortas de acordo com suas iniciais.




O Vingador Invisível


(And Then There Were None, 1945)
Dez personagens com culpa no cartório se encontram num castelo situado numa remota ilha da costa inglesa. Eles não sabem porque estão lá, até que os convidados começam a morrer, um a um, de maneira misteriosa.

domingo, 10 de junho de 2012

Assassinato no Expresso Oriente

Uma misteriosa morte em um trem transforma em suspeitos todos os passageiros.

Murder on the Orient Express
Inglaterra, 1974
Suspense, policial

Diretor: Sidney Lumet

Roteiro: Paul Dehn

Música: Richard Rodney Bennett

Elenco:Albert Finney, Lauren Bacall, Martin Balsam, Jean-Pierre Cassel, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Sean Connery, John Gielgud.

Baseado no livro homônimo de 1934, escrito por Agatha Christie. Vencedor de um oscar.

sábado, 9 de junho de 2012

Um tranquilo quebra-cabeças

É vergonhoso, mas eu admito: nunca li Agatha Christie. Não tenho nada contra o gênero, nem a autora nem nada, apenas aconteceu de não me deparar com nenhum de seus romances durante minha pouco exemplar vida de leitora. Olha aí! O projeto para formar cinéfilas melhores, também criando leitoras melhores. Bastou um filme, para eu já ficar na maior vontade de conhecer suas obras.

Descobrindo Miss Marple, uma senhorinha com percepção aguçada que deixa todos os "CSI" no chinelo. Apenas com depoimentos, atitudes e compreensão da natureza humana ela consegue desvendar misteriosos crimes.

Em A Maldição do Espelho, uma fã é envenenada enquanto falava alegremente com seu ídolo. Logo surgem as suspeitas de que o veneno era na verdade direcionado para a famosa atriz (ídolo em questão). Apenas através de relatos colhidos por seu sobrinho, detetive da Scotland Yard, a velinha desvenda todo o ocorrido. Com direito a epifania que só viria a se repetir com Dr. Gregory House.

Simples, com muitos diálogos e flashbacks, o longa poderia até ser confundido com um telefilme, não fosse as várias estrelas no elenco. A começar pela diva do cinema (personagem e vida real) Liz Taylor. Também dão as caras Tony Curtis (de Quanto Mais Quente Melhor), Rock Hudson (Assim Caminha a Humanidade e Tudo o que o Céu Permite), Geraldine Chaplin (filha de Charlie  Chaplin ), Pierce Brosnan (não creditado) em início de carreira.

Pierce Brosnan fazendo figuração

Além, claro, de Angela Lansbury. Dando vida a personagem guia, mas não à protagonista (embora ela oficialmente o seja). A sensação que temos é que a incomum Miss Marple é na verdade o ponto de apoio, o elo para as "histórias de detetive", o caso e seus personagens é que são as estrelas. Incomum e elegante.

No final das contas, é um simpático quebra cabeças, montado sem pressa e que consegue sim surpreender. Chato mesmo só a dificuldade em encontrar uma cópia. Uma pena!

Suspense que não ofende a inteligência do espectador


Eu confesso. Gostei de A maldição do espelho. Digo isso porque minha primeira experiência no universo agathachristieriano não foi das melhores. Há alguns anos resolvi ler "Assassinato no Expresso do Oriente" e me senti feita de idiota (mas isso é assunto para o próximo post...). Já neste longa, pude conhecer a simpática Miss Marple, que parece ser uma companhia adorável para os leitores de Christie, e tive a impressão de que toda a reviravolta na trama é bastante sincera. Talvez, no livro, a história tenha sido um pouco diferente, mas no longa de Guy Hamilton, o mistério fica no ar durante boa parte da projeção, mantendo o interesse da plateia, mas o desfecho não ofende nossa inteligência.

Desde o início da história, fica claro que o misterioso assassinato de Heather Badcock não tem uma solução simples. A simples reconstrução da história é complicada: as testemunhas precisam buscar elementos no fundo da memória, em busca de detalhes que podem ser fundamentais para a investigação. E esse processo é falho, assim como a própria memória humana, seja por distração, questões emocionais ou, simplesmente, dissimulação. Portanto, os flashbacks, aparentemente repetitivos (embora sejam cada vez mais reveladores), conseguem se justificar. A fã tagarela teria simplesmente aborrecido a grande estrela Marina Gregg (Elizabeth Taylor)? Seria Lola Brewster (Kim Novak) tão fria a ponto de inventar uma entrada triunfal enquanto tentava matar a rival em sua própria festa?

Como em toda boa história de suspense, há vários suspeitos para o crime, cada qual com seus motivos. Mas sempre paira no ar a fatídica sensação de que há algo mal contado nessa história. Pelos próprios personagens, que fique claro. E aí, é só juntar as peças, mas talvez você não tenha tanto conhecimento quanto Miss Marple (quem tem, aliás?). Uma pena esse ter sido o único filme em que Angela Lansbury interpreta a famosa detetive! Gostaria muito de ver outras aventuras dessa senhorinha.

E o elenco foi mesmo acertadíssimo. Liz está perfeita como a atriz que tanto pode ser uma coitadinha ou uma cobra peçonhenta. Kim Novak irrita cada vez que aparece em cena, sinal de que achou o tom exato da personagem. Rock Hudson, mesmo grisalho, mantém a pose de galã e convence como o marido apaixonado que faz tudo pela esposa. Geraldine Chaplin, que conheci no mês Chaplin aqui no blog, é mesmo uma intérprete impressionante. Quem merecia mais espaço nesse elenco estelar (surpreendente para uma produção modesta como essa, que, em muitos momentos, lembra um telefilme) é Tony Curtis. Martin N. Fenn não é mais do que um coadjuvante de luxo. Pouco, muito pouco para um intérprete como ele.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Miss Marple rouba a cena

Miss Marple: uma saudável curiosa da condição humana
Confesso que mesmo sendo uma grande fã de leitura e de já ter ouvido falar (e muito) de Agatha Christie, eu não conhecia essa obra dela. E não, nunca li um livro dela. É um crime, eu sei. Mas nada muito grave - dá pra resolver isso em dois tempos. Ainda mais agora que eu assisti a A maldição do espelho (Mirror crack'd, 1980) e gostei. A trama é um suspense leve, e Miss Marple, a simpática e sagaz senhorinha vivida pela atriz Angela Lansbury rouba a cena. Logo no início do filme vemos um filme dentro de outro (adoro quando isso acontece!), que é interrompido no momento da revelação do assassino por causa de um defeito na fita. Porque esperar que se resolva o problema pra saber o final do filme se ela já tinha adivinhado quem era o assassino? Miss Marple me ganhou ali, naquele momento.

Só então começa a verdadeira história do filme. Uma famosa, belíssima porém decadente atriz (Elizabeth Taylor, ao que me parece ela melhorou muito a sua forma de interpretar com o passar do tempo - estava muito melhor em cena) está com a saúde mental fragilizada e precisa voltar à cena para recuperar o status e a autoestima. Seu marido, o diretor Jason Rudd (Rock Hudson, lindo como sempre) é quem está tocando o projeto e pede a ajuda do produtor Martin Fenn (Tony Curtis, em participação pequena). Só que, a reboque, ele traz para o projeto a rival de Marina, a srta. Lola Brewster (Kim Novak, divertidíssima). Uma fã de Marina morre envenenada logo após a chegada destes convidados (a cidade toda estava presente, pois seria sede do novo filme da estrela de Hollywood). Com todos em cena, começa a especulação: quem matou a jovem srta. Babcock? E principalmente, por quê? Então, ao coletar informações de sua empregada, que trabalhou como garçonete no dia do evento, Miss Marple descobre que o plano é ainda maior: a vítima principal era a diva do cinema, e a pobre fã só estava no lugar errado, na hora errada.

Tony Curtis e Rock Hudson: piadinhas Hollywoodianas

O filme segue bem o estilo literário (apesar de não ter conhecimento da obra em si, a adaptação do roteiro deixa bem claro que veio de um livro), apresentando todos os personagens antes de começar realmente a história. As interpretações de todos os personagens dão margem à duvida: será que foi ele? Isso é interessante, e não deixa o filme ficar maçante. Senti uma certa falta de ritmo, mas o ritmo do livro/filme é outro mesmo. Afinal, um livro escrito em 1953 e adaptado para as telonas na década de 1980, com certeza não tem o mesmo ritmo de um filme feito no pós-2000. Além do mais, há elementos engraçadíssimos, típicos do legítimo humor inglês, como as alfinetadas entre diretores e produtores de cinema e a briga de egos das duas atrizes - que se odeiam, mas na frente dos outros são só elogios (com uma pitadinha de veneno) uma pra outra. Atentem também para as impagáveis tiradas de Miss Marple e a engraçadíssima cena em que ela resolve o caso - acordando, num pulo, e já partindo pra ação.



Kim Novak está hilária como a tresloucada rival de Liz Taylor

No fim das contas, descobre-se que não há nenhum assassino. O que houve era somente um jogo da mente desequilibrada de Marina: para chamar a atenção, ela se mandou cartas anônimas em que se ameaçava de morte, e causou a morte da pobre moça e de sua empregada (que julgava haver descoberto o plano, mas estava a ameaçar a pessoa errada) para poder provar a si própria que ainda podia atuar. No fim das contas, sua última grande atuação foi fora dos palcos ou do cinema. Ela atuava para todos e, cansada disso, resolveu fazer um desfecho triunfante para sua própria (medíocre?) vida. Para mim, ficou a sensação de 'filme eficiente', contou a história exatamente como deveria ser. Não há nada além disso, apesar dos nomes de peso como Taylor, Curtis e Hudson. Foi um bom incentivo a procurar a leitura de Agatha Christie, e uma ótima pedida pra uma tarde chuvosa. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um pouco mais da personagem: Miss Marple

Uma velinha comum, tricota, cuida do jardim, poderia ser sua vizinha, não fosse uma das personagens mais populares Agatha Christie, e claro, fosse capaz de desvendar crimes apesar de toda sua fragilidade.

Jane Marple, popularmente conhecida como Miss Marple é uma anciã solteira que vive no vilarejo de St. Mary Mead. Dona de uma inteligência aguçada e de uma grande experiência de vida, o que inclui um profundo conhecimento da natureza humana, ela consegue desvendar grandes mistérios. Quase sempre relacionados a crimes, assim como em A Maldição do Espelho.

Miss Marple apareceu pela primeira vez em 1930 no romance The Murder at the Vicarage (Assassinato na Casa do Pastor). Desde então esteve presente em 12 livros, e vários romances.

No cinema teve duas encarnações ambas britânicas. Margaret Rutherford interpretou Marple pela primeira vez em 1961. A série teve quatro filmes e é o papel ao qual a atriz é mais associada. Aos 70 anos,ela insistia em usar suas próprias roupas para aparecer no filme e seu marido apareceu ao seu lado.

Angela Lansbury, deu vida à personagem em 1980 em A Maldição do Espelho, filme da semana no DVD, Sofá e Pipoca. Depois disso, Miss Marple relegada a uma série de telefilmes a partir de 1983.

Em 2011 surgiram rumores de uma adaptação da Disney, com a personagem rejuvenescida e interpretada por Jennifer Garner. Feliz, ou infelizmente (voto na primeira opção) os rumores pararam por aí.

Confira os todos os livros em que Miss Marple aparece:

Assassinato na Casa do Pastor (The Murder at the Vicarage) (1930)
Os Treze Problemas (The Thirteen Problems) (1932)
Um Corpo na Biblioteca (The Body in the Library) (1942)
A Mão Misteriosa (The Moving Finger) (1943)
Convite para um Homicídio (A Murder is Announced) (1950)
Um Passe de Mágica (They Do It with Mirrors) (1952)
Cem Gramas de Centeio (A Pocket Full of Rye) (1953)
A Testemunha Ocular do Crime (4.50 from Paddington) (1957)
A Maldição do Espelho (The Mirror Crack'd from Side to Side) (1962)
Mistério no Caribe (A Caribbean Mystery) (1964)
O Caso do Hotel Bertram (At Bertram's Hotel) (1965)
Nêmesis (Nemesis) (1971)
Um Crime Adormecido (Sleeping Murder) (escrito por volta de 1940, publicado em 1976)
Miss Marple's Final Cases (escrito entre 1939 e 1954, publicado em 1979)
Julia McKenzie, Angela Lansbury, Geraldine McEwen e Joan Hickson, Marples da  TV e Cinema

Ela também aparece em alguns contos:

Estranha Charada
O Crime da Fita Métrica
O Caso da Empregada Perfeita
O Episódio da Caseira (presentes em Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias)
Miss Marple conta uma História (presente em Um Acidente e Outras Histórias)
A Extravagância de Greenshaw (presente em A Aventura do Pudim de Natal)
Santuário (presente em Poirot Sempre Espera e Outras Histórias)
Outros treze contos de Miss Marple estão presentes em Os Treze Problemas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Curiosidades de A Maldição do Espelho

Baseado no romance The Mirror Crack'd from Side to Side de Agatha Christie.

Estréia de Pierce Brosnan no cinema.

Último filme de Anthony Steel, Charles Lloyd Pack e Dinah Sheridan.

Embora a personagem de Angela Lansbury seja apresentada como idosa e os homens de renome, como só de meia-idade, Tony Curtis e Rock Hudson nasceram no mesmo ano que ela - 1925.

O departamento de publicidade cometeu um erro grave ao emitir uma nota à imprensa ao afirmar uma das estrelas do longa interpretaria um assassino pela primeira vez em sua carreira. Revelando a identidade do assassino,

Miss Marple diz a seu sobrinho que ela conhece drogas e venenos de seus "dias de Bridgehampton hospital durante a guerra". Agatha Christie aprendeu sobre venenos trabalhando no dispensário do hospital Torquay durante a primeira guerra mundial.

O título do longa faz referência ao celebrado poema de Alfred Lord Tennyson, "The Lady of Shalott":
"Out flew the web and floated wide;
The mirror crack'd from side to side;
'The curse is come upon me,' cried
The Lady of Shalott."

O retrato mostrado na escadaria Salão Gossington é realmente uma cópia/interpretação de "Madonna and Child" obra de arte de Giovanni Bellini, conforme especificado no romance de Agatha Christie.


domingo, 3 de junho de 2012

A maldição do espelho

Uma fã de uma famosa atriz morre envenenada depois de tomar a bebida preparada para a estrela. Quem teria planejado o crime? Esse é um caso para Miss Marple.

The mirror crack'd
Inglaterra, 1980
Suspense


Diretor: Guy Hamilton


Roteiro: Jonathan Hales, Barry Sandler


Elenco: Elizabeth Taylor, Kim Novak, Tony Curtis, Angela Lansbury, Edward Fox, Rock Hudson, Geraldine Chaplin, Pierce Brosnan.

Baseado no livro homônimo de 1962, escrito por Agatha Christie.

Mês Agatha Christie

Dame Agatha Christie
Esse mês nós vamos reverenciar uma das maiores romancistas de todos os tempos. Dame Agatha Mary Clarissa Malloway, mundialmente conhecida como Agatha Christie, criou personagens inesquecíveis como Hercule Poirot e Miss Marple em seus romances policiais. Aqui no DVD, veremos algumas das adaptações de seus romances para as telonas. 

Crime, mistério, investigações. Mais alguém aí está morrendo de vontade de acompanhar as blogueiras do DVD, Sofá e Pipoca na solução desses casos?

sábado, 2 de junho de 2012

Quem sai ganhando?

Taylor (Charlie Sheen): "A guerra vai estar sempre com você"

Todo o mundo sabe que a Guerra do Vietnã é o calcanhar de Aquiles dos americanos. A guerra que eles não ganharam. Tocar numa ferida dolorida não é uma tarefa fácil, e expor uma opinião tão forte é mais que um ato de coragem. Platoon (Platoon, ) é marcante por essa postura, por mostrar pra todo mundo que guerra é parte da natureza humana, e que o inimigo nem sempre está do outro lado da trincheira. Mais do que qualquer coisa, guerra é imunda, injusta, cruel e leva qualquer um à loucura.

Porque atirar em inocentes e ameaçar crianças não parece ser terror suficiente...

O diretor Oliver Stone explora a humanidade numa guerra. Os tipos diferentes de soldados, com suas histórias precedentes, suas culturas pessoais tão distintas entre eles, e como eles se posicionam perante as dificuldades enfrentadas. Racismo, classicismo, religião, ideologias. Quem acreditava que isso ficava pra trás quando se tinha um inimigo em comum viu no relato do recruta Taylor (Charlie Sheen, ótimo e surpreendendo em um papel sério) que não é bem assim que a banda toca. A única hora em que os soldados são uma coisa só é quando estão mortos. Chocante a cena no fim do filme, em que os tratores levam centenas de corpos para serem enterrados no buraco criado no chão por uma bomba aérea. Todos viram uma massa indefinida de corpos mutilados e queimados, o sangue e a lama grudados aos farrapos dos uniformes camuflados... 



Cena clássica, a morte do Sargento Elias (Dafoe): traição e briga de egos, o inimigo estava do seu lado da trincheira
O horror da guerra não é só pelo resultado final, pela quantidade de baixas. As personalidades transformadas, o estresse, as brigas de ego, as dificuldades enfrentadas, as baixas dos amigos de pelotão, a saudade de casa, a consciência de que ninguém, na verdade, gostaria de estar em guerra. Taylor, por ter tido a oportunidade de estudar em uma faculdade (uma condição mais privilegiada que os demais colegas recrutas), ainda demora um pouco mais pra perder a humanidade. Tanto que cai no choro após ter humilhado um aldeão deficiente - coisa que só fez pra extravasar o medo e a angústia que sentia - e chega a defender as meninas vietnamitas do estupro de seus colegas. Mas ao ver que o Sargento Barnes (Tom Berenger, excelente) matou o mais centrado Sargento Elias (Willem Dafoe, também excelente) por puro egocentrismo, o véu da 'união do time' caiu por completo e sua revolta (por sua escolha em ter se voluntariado, por causa da morte de Elias - que ele poderia ter evitado, por conta da guerra inútil) teve, enfim, a válvula de escape. Numa outra circunstância, ele teria pensado duas vezes antes de atirar em um homem moribundo. Mas ali era guerra, e as regras são outras. E só quem sobrevive a uma é capaz de entender o drama e a dificuldade de se manter vivo - e íntegro - no meio do caos. Um filme emocionante, duro, que mostra de forma crua a estupidez e a crueldade que é uma guerra. A mensagem é muito clara:  numa guerra, ninguém sai ganhando. 

Uma estupidez sem tamanho


Estupidez. A única palavra possível para definir uma guerra é a que dá o tom crítico e tão incisivo a Platoon. Do início ao fim do clássico de Oliver Stone não há margem para dúvidas: vencedores ou perdedores, isso é o que menos importa. Porque a nação que sai "vitoriosa" leva para casa tantos corpos quanto seus oponentes. Porque seus soldados perdem toda e qualquer noção de humanidade diante da possibilidade da morte. Porque tanta atrocidade não fazem realmente nenhum sentido. Porque conflitos políticos, econômicos ou religiosos entre governantes engravatados não podem depender de tantos sacrifícios.

E o brilhantismo do roteiro é justamente questionar esses valores fictícios de idealismo e patriotismo romântico, que motiva jovens como Chris (Charlie Sheen, quando ainda prometia ser um ator sério), um americano branco nascido em boa família, que resolve abandonar a faculdade para se alistar como voluntário na Guerra do Vietnã. Os outros recrutas, negros e menos afortunados, não conseguem entender tal decisão: tudo que eles querem é voltar para as suas namoradinhas e viver uma vida tranquila. Antipatriótico? Não, humano. E Chris aprende da pior maneira possível que seus 365 dias ali serão insuportáveis. Isso, se ele aguentar aquele inferno, como ele mesmo diz, logo na primeira semana.

Mas não é só a rotina puxada, de poucas horas de sono, muito esforço físico e comida ruim, que o incomoda. Não demora muito para que ele perceba que um descuido significa uma vida perdida. Que o poder entra pela porta enquanto o respeito foge pela janela. Que, dia a dia, esses homens perdem um pouco de sua sanidade e, em casos mais extremos, sua humanidade. Torturar, matar, estuprar, roubar, mentir passam a ser encarados como parte do jogo. Mas quem é que move os peões mesmo? 


A sequência mais aterradora do filme é a que o pelotão americano chega a uma aldeia de vietnamitas. Escondidos em buracos, como animais, os pobres coitados são humilhados, interrogados e feridos pela simples suspeita de que possam dar abrigo aos vietcongues. "Esse arroz serve para alimentar um batalhão inteiro", diz um soldado. Motivo suficiente para queimar toda a comida estocada dessa gente, destruir suas casas e aterrorizar suas famílias, certo? O nível de irracionalidade, prepotência e loucura que acomete o sargento Barnes (Tom Berenger, excelente) e alguns de seus homens assusta. É deprimente ver o quão pouco é necessário para a involução da espécie.

Nesse cenário de horror, o único capaz de enfrentá-lo, sargento Elias (Willem Dafoe, impecável como de costume), parece mais um recurso de ficção para nos fazer acreditar que nem tudo está perdido - Chris ainda tem em quem se espelhar, mesmo estando tão desacreditado, tão abatido, tão perturbado. E, embora a cena que tenha ficado eternizada de Elias seja aquela com os braços estendidos para o alto, como quem espera alguma ajuda divina, é em outra sacada genial de Stone que o personagem se revela mais. A tomada é simples: um plano bem fechado dos olhos de Dafoe, quando seu personagem reconhece Barnes no meio da mata. Em poucos segundos, o sorriso de quem tem esperança se desfaz. É ali que ele toma consciência de que o inimigo está mais próximo do que ele imagina.

Platoon é um manifesto. Stone, que combateu no Vietnã, fez de Chris seu alter ego, e é por isso que o filme emociona. As palavras finais do protagonista adquirem um novo significado quando atentamos para esse detalhe. Soa sincero. Soa humano. E nos lembra que o cinema tem essa função também: de provocar, de levantar questões, de promover a reflexão. Um estupidez absurda como uma guerra não pode viver de estátuas de heróis, quando quem deu seu sangue terminou numa vala qualquer. Numa guerra, não existem vencedores.