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formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As várias versões de Blade Runner

Blade Runner é um dos filmes mais revisados da história do cinema. Além da versão original do cinema, outras seis versões foram liberadas ao público em relançamentos, DVDs, e Blu Rays.
  • Workprint versão original (1982, 113 minutos) mostra os previews de teste público em Denver e Dallas, em Março de 1982. Ele também foi visto em 1990 e 1991, em Los Angeles e San Francisco como uma montagem do diretor sem a aprovação do diretor Ridley Scott. Respostas negativas para os previews de teste levou às modificações resultantes na versão teatral dos EUA, [2] enquanto a resposta positiva para as exibições em 1990 e 1991 levou o estúdio para aprovar o trabalho em uma versão de  diretor oficial. [3] Ele foi re-lançado como uma Ultimate Edition de 5 discos em 2007.
  • San Diego Sneak Preview mostrado apenas uma vez em Maio de 1982, que era quase idêntico ao da versão de cinema dos EUA com três cenas extras (ver abaixo) [4].
  • Versão de cinema dos EUA (1982, 116 minutos), conhecido como a versão original, foi lançada em Betamax e VHS em 1983. Permaneceu inédita em DVD até 2007, quando foi lançado como parte da edição da Ultimate Edition.
  • A Corte Internacional (1982, 117 minutos), também conhecido como o "Critério Edition" ou versão sem cortes, incluiu cenas de ação mais violenta do que a versão de cinemal dos EUA.
  • A versão de transmissão EUA (1986, 114 minutos) foi a versão EUA de cinema e editada pela CBS para atenuar a violência, palavrões, e nudez para atender restrições de transmissão para a TV.
  • Corteaprovado pelo Diretor Ridley Scott (1992, 116 minutos); solicitado pela liberação versão não autorizada em cinema nos anos de 1990-1991, Tem mudanças significativas em relação à versão de cinema que incluem: remoção de voz-over de Deckard, inserção de uma seqüência de unicórnio e remoção da cena epílogo mostrando Rachel e Deckard viajando através verdes, paisagens montanhosas. Ridley forneceu notas extensas e consulta para a Warner Bros apesar de o preservacionista filmes de Michael Arick ter  sido o responsável por criar corte do diretor.
  • Final Cut, de Ridley Scott (2007, 117 minutos), ou o "25th Anniversary Edition", lançado pela Warner Bros cinemas em 2007, e posteriormente lançado em DVD, HD DVD e Blu-ray. Esta é a única versão sobre o qual Ridley Scott teve controle artístico completo
A cena abaixo pertence à versão de cinema dos EUA. Foi criada pois o final em aberto feito pelo diretor Ridley Scott (terminando com Deckard entrando no elevador), foi considerado confuso pelos produtores, após uma sessão de testes. Logo foi feito um novo final, usando cenas de paisagem que sobraram de O Iluminado e uma narração bastante piegas de Harrison Ford. 

Ainda existe humanidade?


Um futuro decadente, sujo, escuro, com um tempo imprestável e dominado por chineses. Profecia?
 Blade runner - Caçador de androides (Blade runner, 1982) é um filme interessante. Mas, não sei dizer muito bem porque, não agradou em cheio. Eu gostei da história, gostei do modo como a trama foi conduzida e até como foi finalizada. A produção é impecável e a fotografia deixa um clima sombrio, exaltando o futuro obscuro que nos espera. Mas, como um todo, acho que o filme precisava de um pouquinho mais de ritmo - ok, o filme é uma ode aos filmes noir da década de 1950, mas essa lentidão (se assim posso chamar) tende a desestimular o espectador. O que é um crime, uma vez que o argumento exposto é fascinante. A questão humana dos seres humanos e dos androides, aqui chamados replicantes, poderia ser melhor explorada e mais discutida. Em 2019 (gente, já estamos tão perto!), o homem já tinha tecnologia para ir explorar outros mundos e criar replicantes que eram escravizados para a colonização desses novos planetas (que novidade, não?). Mas a mais nova geração, a que mais se parecia com os humanos em questões emocionais, havia se rebelado. Foram dezenas de massacres, até que fossem banidos e proibidos de voltar à Terra. Assim, surgiram os blade runners, matadores profissionais de androides.

Começamos acompanhando o blade runner Deckard (Harrison Ford) indo tomar uma yakisoba meio indigna numa carrocinha xexelenta. Abordado por um policial chinês, só consegue entender uma palavra: Bryant. É o que ele precisa saber, seu ex-chefe o está chamando de volta à ativa. Ele foi convocado para "aposentar" quatro replicantes da geração Nexus-6, a que estava causando tantos problemas, que haviam conseguido retornar para a Terra. O que intrigou Deckard foi o motivo da volta: por que eles voltariam se era tão perigoso? Vivendo em outro mundo, eles estariam a salvo. O crime que atentou para esse grupo foi o assassinato de um agente durante o interrogatório dos funcionários da empresa para possível detecção de um Nexus intruso. Ele faz parte de um grupo de quatro replicantes rebeldes que resolve retornar à Terra, apesar de ser proibido, em busca de respostas. O objetivo é chegar no criador deles para que possam aumentar seu tempo de vida, programado para apenas 4 anos por serem extremamente perigosos. Apesar de programados para serem mais fortes e mais ágeis (mais humanos que os humanos, segundo o slogan da  Tyrell Corporation), a instabilidade emocional os torna uma ameaça e precisam ser aposentados (um eufemismo sugestivo).

Pris (Hannah) e J. F. Sebastian (Sanderson): a solidão e suas estranhas engrenagens de amizade

Deckard vai seguindo as pistas deixadas na cena do crime, a gravação do interrogatório, e as poucas informações do sistema. Consegue agendar um encontro com o dono da Tyrell Corporation e lá conhece Rachel (Sean Young, etérea), uma replicante que não acredita ser uma androide, mesmo após ser submetida à um teste psicológico que garante que ela é. Apegada às memórias implantadas em sua mente para que seus instintos fossem mais controlados, ela reluta em aceitar. Após ser convencida por Deckard, ela some sem deixar rastros. Mesmo que tenha sido cativado pela replicante, o blade runner não pode abandonar sua missão. Precisa encontrar e eliminar os quatro rebeldes o quanto antes. Uma delas havia se camuflado e trabalhava como dançarina stripper (foi eliminada após uma perseguição em meio à multidão), outro quase o matou ao pegá-lo desprevenido. Deckard foi salvo por Rachel, que reapareceu misteriosamente. Afinal, ela também havia sido cativada. Sobravam os dois replicantes mais perigosos: Pris (Daryl Hannah) e Batty (Rutger Hauer, excelente). A chave para eles chegarem até o criador eram os fabricantes de peças para eles. Após algumas visitas e ameaças, chegam ao nome de J. F. Sebastian (William Sanderson, muito bem em sua pequena participação). Ele é um solitário engenheiro genético, que vive sozinho em um prédio abandonado, cercado apenas por seus brinquedos vivos - criações suas, geneticamente criados aos moldes dos andróides, porém com a finalidade de entreter e ser companhia para seu criador. Sebastian não podia deixar de ajudar a pobre moça perdida que estava à porta de sua casa, e mal sabia que ela seria a causa de sua desgraça. Pris consegue convencer Sebastian a deixa-la passar a noite em sua casa e ainda a telefonar para Batty ir para lá. Quando este chega, Sebastian percebe a situação em que se meteu. Eles tentam se fazer passar por amigos, mas tudo o que querem é poder chegar ao criador. Então utilizam Sebastian como uma chave para chegar a ele.

Percebendo a cilada e as intenções, Sebastian ainda tenta alerta-lo enquanto fala sobre um movimento de jogo de xadrez antes de subir à cobertura da sede da empresa, onde mora. Mas não consegue evitar o encontro. Ali, no primeiro diálogo entre criador e criatura, conseguimos perceber a crítica tão contundente do cineasta: o que nos faz tão diferentes assim dos replicantes se a única coisa que eles querem saber é porque não tem mais tempo para aproveitar a vida. Qual é o verdadeiro porquê de sua existência? O quê os difere dos humanos, se eles são capazes de armazenar memórias e criar laços com elas, aprender, ansiar mais do que o que tem? Porquê são condenado a viver tão pouco tempo depois de tudo o que conseguiram aprender e fazer? Se eles tem os mesmos dilemas e problemas dos humanos, porquê são uma sub-raça condenada à morte e os humanos tem o exclusivo direito de decidir isso? Tocante a cena, mas essa ainda não é a mais emocionante - Batty ainda vai nos surpreender antes do fim.

Batty (Hauer) e Deckard (Ford): seria a humanidade uma característica exclusiva dos humanos?

Enquanto isso, Deckard vai atrás do paradeiro de J. F. Sebastian e se depara com Pris, completamente letal e camuflada entre os sinistros brinquedos do engenheiro genético. Em uma sequencia mais frenética, diferente do ritmo geral do filme, a luta termina com Pris morta e Batty chegando para eliminar o caçador de androides. Após muita briga e muito choro por parte de Batty ao ver Pris morta, Batty consegue encurralar Deckard no telhado. Quase caindo, com os dedos quebrados e a incessante chuva, manter-se equilibrado no beiral parece impossível. Então Batty salva Deckard da queda. Sentados na chuva, o blade runner está completamente pasmo. Batty está arrasado. Seu fim está próximo, ele sabe disso, mas ele não gostaria de perder tudo aquilo que ele viveu, sentiu, conheceu, viu. Sua fala "e tudo o que eu vi vai passar despercebido, assim como lágrimas na chuva" (em uma tradução livre) é tão emocionante, tão humana... A angústia pelo conhecimento do fim, a constatação da fatalidade e de que nada vai mudar isso... É quase sufocante. É humano demais. E a morte do replicante ali, sentado embaixo da chuva torrencial após libertar a pomba branca que segurava com tanta ternura (ok, parte brega da cena porém simbólica, então a gente perdoa) é extremamente comovente.

Ao que parece, pelo que vimos nesses últimos meses de ficção científica e fim do mundo aqui no blog, ficou claro pra mim que, na visão dos cineastas, o mundo acaba quando já não existe a humanidade. Independente de onde ela se manifeste, ou do que quer que tenhamos transformado o mundo, se ainda houver uma esperança para que os sentimentos se manifestem nos corações então ainda há esperança. Não importa quantos mundos o homem consiga explorar e conquistar, o fim chegará quando os sentimentos não forem mais importantes. Aqui, em Blade Runner, os sentimentos estavam deslocados: os androides projetados para serem mais humanos que os humanos eram a unica especie destinada a sobreviver, uma vez que os animais todos já eram fabricados e a Terra era agora um local sucateado, abandonado pelos melhores humanos e deixado para os que eram a escória da sociedade. Um excelente filme, apesar de minha certa relutância inicial, e que vale uma revisitada de vez em quando para compreender melhor as suas nuances e sutilezas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Curiosidades Blade Runner

Blade Runner é inspirado no romance romance Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick.

Originalmenteo romance (Do Androids Dream of Electric Sheep?) se passa em 1992, embora as edições posteriores tenham trazido a data para a frente a 2021. Os cineastas decidiram inicialmente usar a data como 2020, mas mudaram para 2019 porque 2020 soava muito parecido com o termo comum para uma visão perfeita, 20:20.

O comerciante de cobras que aparece em uma das ruas de Blade Runner possui em sua testa uma tatuagem da nave Millenium Falcon, da série Star Wars. Como a tatuagem é bem pequena, apenas é possível vê-la utilizando o zoom do vídeo/dvd.

Este foi um dos primeiros filmes importantes a serem reeditados anos depois, em uma "edição do diretor" em que o diretor tinha permissão para restaurar imagens ou fazer alterações que refletem mais de perto a sua visão original. Hoje, tal "revisão" posterior dos filmes é comum.

Em 1992, dez anos após o lançamento de Blade Runner, o diretor Ridley Scott lançou uma versão pessoal para o filme, que contém cenas extras e tem um final bem diferente do exibido na versão original do filme.

Alcançou o status de filme cult em seu re-lançamento em 1992.

No Festival de Veneza de 2007 o diretor Ridley Scott lançou mais uma versão do filme, chamada Blade Runner: The Final Cut.

A sequencia final dos créditos, da versão para o cinema, contém cenas não utilizadas de O Iluminado de Stanley Kubrick. Estas eram cenas extras da seqüência inicial, embora nenhuma das cenas tenham a estrada que foi vista em O Iluminado.

A paisagem Hades na cena de abertura foi filmada usando perspectiva forçada. A miniatura em si tinha apenas 13 metros de profundidade e 18 metros de largura. Quase sete quilômetros de fibra ótica e mais de 2000 luzes foram necessárias para iluminá-la.

Quando Deckard (Harrison Ford) impede Rachael (Sean Young) de deixar seu apartamento, ele a empurra para longe dele. A expressão de dor e choque no rosto dela era real. Ela disse Ford empurrou muito forte e ela estava zangada com ele.

Joanna Cassidy (Zhora) estava à vontade com a cobra em volta do pescoço, porque era seu animal de estimação, uma píton birmanesa chamada Darling.


Ridley Scott inicialmente brincou com a idéia de estabelecer o filme na cidade fictícia de San Angeles, como se San Francisco e Los Angeles tivessem se tornado uma única e enorme população. Esta idéia foi usada em O Demolidor.


A história da aranha sendo comida viva por um exército de aranhas bebês era uma memória de Barbara Hershey, que contou a Hampton Fancher, enquanto ele estava compondo o script.

Originalmente, Tandem Productions não queria ter uma seqüência de crédito escrito no início do filme, eles queriam efeitos da chuva em uma tela preta, com os créditos narrado por Harrison Ford.

Ridley Scott sempre defendeu que o filme é uma peça de entretenimento, nada mais. Na verdade, quando ele conheceu Philip K. Dick durante o processo de pós-produção, ele disse especificamente a Dick que ele não estava interessado em "fazer um filme esotérico".

Pete Townshend foi a certa altura convidado a compor a música para o filme. Ele se recusou devido a suas experiências em Tommy.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Blade Runner, o Caçador de Andróides

Caça a replicantes no futuro (2019, ei tá pertinho!) termina nosso mês sci-fi com muita tecnologia.

Blade Runner
1982 - EUA
117 min, cor.
Ficção científica

Direção: Ridley Scott

Roteiro: Hampton Fancher, David Peoples

Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Daryl Hannah, William Sanderson, Brion James, Joe Turkell, Joanna Cassidy, James Hong, Morgan Paull

Roteiro vagamente baseado no romance "Do Androids Dream of Electric Sheep?", de Philip K. Dick.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Era uma vez ... Laranja Mecânica

O documentário analisa o impacto de Laranja Mecânica no momento de sua estreia, por meio de depoimentos dos atores Malcolm McDowell e do escritor Anthony Burgess, autor do livro que deu origem ao filme. Feito para a TV.

Era uma vez ... Laranja Mecânica
(Il Était Une Fois... Orange Mécanique, 2011)
Documentário - França - 52 min

Direção: Antoine de Gaudemar

Roteiro: Michel Ciment, Marie Genin

Fonte: Cineplayers


É preciso tempo para entender!

O seguinte aviso deveria acompanhar as caixas de DVD de Laranja Mecânica: caso for escrever uma resenha, critica ou trabalho acadêmico sobre esta obra, assista com bastante antecedência pois você precisará dispor de algum tempo para tentar entender o que viu. Aliás, provavelmente, todos os filmes de Kubrick deveriam trazer o texto acima em letras garrafais na capa. Mas, não há!
Got milk?
Logo, aqui estou eu, tentando exprimir o que absorvi do filme em pouquíssimo tempo. O adolescente Alex (Malcolm McDowell) é o líder de uma gangue. Por diversão, ele e seus "druguis", espancam, saqueiam e estupram. Adeptos da "ultraviolência", como o próprio protagonista nos conta. Mas tudo que é bom dura pouco e logo Alex é traído por seus companheiros. Na prisão aceita participar de um "programa de reabilitação" em troca da redução de sua pena.

Primeiro, temos asco por Alex e sua violência, mas quando a "reabilitação" inicia fica difícil não sentir pena do complexo protagonista. O método, que promete eliminar os instintos violentos, na verdade priva suas cobaias do livre arbítrio, causando mal estar físico intenso ao presenciar violência. Eis aí o maior dos questionamentos do longa: ter como objetivo um "bem maior" (diminuir a criminalidade, e esvaziar as super-lotadas cadeias), a lavagem cerebral/tortura cometida pelo governo em seu novo programa deixa de ser violência?

É claro que Kubrick entrega este e outros questionamentos, em um roteiro bem elaborado, inteligente, sem pontas soltas e sem defender ou endossar a violência. É tarefa do expectador decidir o que é aceitavel, o que deve ser punido, quem merece uma segunda chance. E finalmente, se é possível mudar a natureza de um indivíduo, ou mesmo de uma sociedade. 

Toda a técnica cinematográfica e o bom roteiro de Kubrick, no entanto, talvez não surtissem tanto efeito sem o elenco correto. E quando digo elenco, me refiro a Malcolm McDowell, único com tempo de tela suficiente para se destacar, uma vez que não um filme sobre personagens, mas sobre uma sociedade, tendo Alex como exemplo. O protagonista é gerador e vítima da violência e suas consequências. McDowell, se dedica às diversas fases do personagem com talento. Entregando o Alex predador, com mesma veracidade que energia que o Alex indefeso. 

Isso tudo em um futuro fictício indeterminado, bastante parecido com o nosso presente. Ignorando o fato de ter sido lançado a mais de 4 décadas, o longa continua atual. E provavelmente, ainda não teve todas as suas possíveis interpretações desenvolvidas. Afinal, novas surgem a cada reprise. Eis aí mais um aviso que deveria vir na capa: é provável a necessidade de assistir diversas vezes, embora não isso não seja certeza de compreensão total.

Logo paro por aqui, mas não descarto a hipótese de uma futura atualização desta interpretação.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Prêmios de Laranja Mecânica

Oscar
Indicado para Melhor Diretor, Edição, filme, Roteiro adaptado.

Saturn Award (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, USA)
Best DVD Collection - (Warner Bros. Pictures).
Also for Nascido Para Matar (1987), Lolita (1962), Stanley Kubrick: A Life in Pictures (2001), Spartacus (1960), O Iluminado (1980), 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), Dr. Fantástico (1964), De Olhos Bem Fechados (1999) and Barry Lyndon (1975).
For 'Stanley Kubrick: The Essential Collection'

BAFTA Awards
Indicado para melhor Direção de Arte, Fotografia, Direção, Filme, Roteiro, trilha sonora.

Directors Guild of America, USA
Indicado para Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures

Golden Globes, USA
Indicado para melhor Diretor, Filme - Drama, Ator - Drama (Malcolm McDowell)

Hugo Awards
  • Best Dramatic Presentation

Italian National Syndicate of Film Journalists
  • Best Director - Foreign Film (Regista del Miglior Film Straniero)

Kansas City Film Critics Circle Awards
  • Melhor Filme

National Society of Film Critics Awards, USA
2nd place - Best Actor (Malcolm McDowell)
3rd place - Best Director (Stanley Kubrick)

New York Film Critics Circle Awards
  • Melhor Diretor
  • Melhor Filme
3rd place - Melhor Ator (Malcolm McDowell)

Satellite Awards
Indicado para Best Classic DVD (40th Anniversary Edition)

Writers Guild of America, USA
Indicado para Best Drama Adapted from Another Medium

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Curiosidades de Laranja Mecânica

Laranja Mecânica é baseado na obra literária homônima de Anthony Burgess.

No livro, o sobrenome de Alex em momento algum é revelado. Comenta-se que DeLarge seja uma referência a um momento no livro em que Alex chama a si mesmo de "Alexander the Large".

Primeiro roteiro solo de Stanley Kubrick. Das 11 adaptações que Stanley Kubrick trabalhou em sua carreira, esta é a menos modificado a partir seu material de origem.

Excepcionalmente para um filme deste período, todos os créditos estão no final.

Basil, a cobra, foi colocada nas filmagens após o diretor Stanley Kubrick descobrir que Malcolm McDowell tinha medo delas.

Stanley Kubrick certa vez declarou que, se não pudesse contar com Malcolm McDowell, provavelmente não teria feito Laranja Mecânica.

A linguagem utilizada por Alex foi inventada pelo autor Anthony Burgess, que misturou palavras em inglês, em russo e gírias.

Stanley Kubrick propositalmente cometeu alguns erros de continuidade em Laranja Mecânica. Os pratos em cima da mesa trocam de posição e o nível de vinho nas garrafas muda em diversas tomadas, com a intenção de causar desorientação ao espectador.

O livro em que Frank Alexander trabalhava quando Alex e sua gangue invade sua casa chamava-se "A clockwork orange".

O filme foi retirado de cartaz no Reino Unido a mando de Stanley Kubrick. Irritado com as críticas recebidas, de que Laranja Mecânica seria muito violento, Kubrick declarou que o filme apenas seria exibido lá após sua morte.

Anthony Burgess originalmente vendera os direitos do filme para Mick Jagger por US $ 500 quando ele precisou de dinheiro rápido. Jagger pretendia fazê-lo com os Rolling Stones como os droogs, mas depois re-vendeu os direitos por um valor muito superior. Ken Russell foi então nomeado para dirigir porque seu estilo foi considerado adequado para o material. Ele teria lançado Oliver Reed como Alex. Tinto Brass foi outro diretor possível. Em algum momento, alguém sugeriu reescrever as droogs como meninas de minissaia ou pensionistas de idosos.

Durante as filmagens da cena de Ludovico, Malcolm McDowell arranhou uma de suas córneas e ficou temporariamente cego. Ele tambémeve costelas quebradas durante a filmagem.

Um dos dois únicos filmes x rated em sua versão original (sendo o outro Perdidos na Noite) a ser nomeado para Melhor Filme no Oscar.

O primeiro filme a fazer uso de som Dolby.

A campainha da residência Alexander, "Home", reproduz as quatro primeiras notas da "Quinta Sinfonia" Ludwig van Beethoven (mas em uma chave diferente).

Stanley Kubrick lidou com a campanha publicitária, incluindo cartazes, comerciais, o trailer, etc

O filme foi lançado pouco mais de um ano após o começo da fotografia principal, o mais rápido longa, filmado, editado e lançado por Stanley Kubrick.

Stanley Kubrick fez seu assistente destruir todas as cenas não utilizadas. Ops! Significa poucos extras para o Blu Ray???

De acordo com Malcolm McDowell (na faixa de comentários do lançamento do DVD 2007), a cena de sexo sped-up foi originalmente filmado como uma tomada ininterrupta com duração de 28 minutos.

A cena final foi realizada após 74 takes.

Malcolm McDowell está realmente urinando no vaso sanitário na cena no início do filme, quando ele vai para casa e prepara-se para a cama. Ele bebeu muito café antes de filmar a cena.

Embora ele estivesse interpretando um adolescente de 15 anos de idade (17 na segunda metade), Malcolm McDowell tinha na verdade 27, no momento da filmagem.

Um dos primeiros filmes a empregar microfones de rádio para gravar o som.

Antes da cena de estupro ser filmada, Adrienne Corri caminhou até Malcolm McDowell e disse: "Bem, Malcolm, hoje você vai descobrir que eu sou uma ruiva de verdade".

Um dos filmes de maior bilheteria de 1971 e maior filme da Warner Brothers em bilheteria no ano.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Laranja Mecânica

Um clássico de Kubrick cheio de estilo é filme desta semana no mês sci-fi!

A Clockwork Orange
1971 - Reino Unido
136 min, cor.
Ficção científica, drama

Direção: Stanley Kubrick

Roteiro: Stanley Kubrick

Elenco: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri, Carl Duering, Paul Farrell, Clive Francis, Michael Glover, Michael Tarn

Adaptação do romance homônimo de 1962 de Anthony Burgess.


domingo, 20 de janeiro de 2013

Não existe amor em Alphaville


A estética é de filme noir, e a temática é de ficção científica, mas Alphaville é, basicamente, uma declaração de amor à arte. Com uma abordagem interessante e pouco convencional, o diretor e roteirista Jean-Luc Godard constrói uma curiosa metáfora sobre um mundo supostamente futurista regido por máquinas e pela lógica, que poderia se referir tanto à Paris de 1965 quanto ao Rio de Janeiro de 2013 ou a Tóquio em 2064. A diferença mais evidente desta produção para outras do gênero (embora seja tão sombria quanto) talvez seja a de que a maior ameaça não é algo que evolui e toma o controle (como a tecnologia), mas sim a perda de algo fundamental: o amor.

A estranha aventura de Lemmy Caution (Eddie Constantine) começa quando o agente recebe a missão de destruir Alpha 60, o cérebro eletrônico que controla Alphaville, uma cidade onde todos os cidadãos são controlados, punidos se agem ilogicamente e que desconhecem o significados de palavras como "por quê", "apaixonado" e "consciência". Como afirma um outro agente, com toda sua sabedoria realçada pelo alto nível de álcool no sangue (tal qual os poetas bêbados e loucos), "provavelmente, há 150 anos-luz, havia artistas na sociedade das formigas". Hoje, elas são só operárias. 

Para cumprir sua tarefa, Caution - personagem criado por Peter Cheyney e protagonista de uma série de filmes franceses, sempre interpretado por Constantine - precisa localizar o professor Von Braun (Howard Vernon), o cientista que desenvolveu a temível máquina. Mas, por ironia do destino, a filha do professor, Natacha (Anna Karina) cruza seu caminho e, inadvertidamente, nutre afeto por ele. Ela aprende que ainda possui capacidade de desenvolver sentimentos, mesmo que não consiga (ou seja proibida de) nomeá-los. A artificialidade de Constantine em cena contrasta com a força do olhar de Anna, que faz com que a câmera se enamore dela. Os demais atores, não importa qual sua importância na narrativa, agem quase como figurantes, discretos, quase invisíveis.

Aparentemente, Alphaville é uma cidade contemporânea qualquer. Não há nenhum elemento que indique que ela fique numa galáxia distante ou aparatos técnicos superevoluídos que sugiram uma sociedade avançada e distante no tempo. Ao contrário, a grande distinção do local para a terra natal do agente é um retrocesso. Quem nasce neste lugar não conhece poesia. Mais do que isso: Natacha afirma que várias palavras das quais ela gosta deixaram de existir e foram substituídas por outras, com novos significados. 

A troca mais evidente é a troca do "por quê", que questiona, que não se conforma, que provoca, pelo "porque", explicativo, racional. Há maneira mais sutil de fazer analogia com estados totalitários que rechacem liberdade de expressão? Ao mesmo tempo, há maneira mais clara de dizer que não existem cidadãos de fato se não houver pensamento? Ao final, uma outra analogia com as formigas - absolutamente desorientadas sem a figura do líder - diz muito sobre essa fictícia Alphaville. Mas é uma questão a se pensar se a ameaça de que trata o filme não é bem mais assustadora do que a de outros do gênero apregoam. O futuro do longa de Godard é sombrio. A boa notícia é que nem tudo está perdido. Ainda

sábado, 19 de janeiro de 2013

Quando ser humano é contra a lei

Fotografia espetacular e tomadas fotográficas tornam as cenas ainda mais instigantes
Interessante esse Alphaville (Alphaville, 1965) e por vários motivos. A ideia de um futuro onde ter emoções é proibido, uma terra que ninguém consegue definir exatamente onde ou como é, as Terras Externas que são um mistério, as pessoas robóticas que tem um frágil bloqueio mental que as impede de ter emoções (leves sugestões trazem à tona a memória, e logo agentes aparecem para levar os grupos a aulas de doutrinação), espiões que não sabem muito bem o que estão investigando... São muitos pequenos detalhes que intrigam, do início ao fim. A fotografia do filme é um espetáculo à parte, e ajudam a criar a atmosfera intensa durante o filme todo: em preto e branco, trabalha com reflexos, contra-luzes e iluminação noturna (aliadas às tomadas quase fotográficas, cheias de grafismos) também aguça os sentidos e a direção de arte, com ares sessentistas, ousa parecer futurista e chique num mundo decadente.

Acompanhamos a trajetória de Lemy Caution (Eddie Constantine), que se apresenta com o nome de Ivan Jackson, chegando à Alphaville. Até então, é uma noite normal em uma cidade normal. Mas as pessoas agem estranhamente, muito polida e formalmente. Enquanto se acomoda em seu quarto de hotel e a prostituta Brigitte se prepara para o banho, o casal é surpreendido por um homem que surge, aparentemente, do nada. Enquanto os homens brigam violentamente e Levy acaba por atirar no invasor, Brigitte termina seu banho calmamente. Não há reação de histeria ou preocupação, não há emoção alguma nela. E os outros habitantes também: ninguém se sobressalta com o tiro disparado dentro do quarto 344. Porquê? O que são aquelas pessoas? O que ele procura?

Jackson (Constantine): um espião das Terras Externas em Alphaville

Descobrimos que Levy tem uma missão: ele é espião das Terras Externas e precisa entrar em contato com o doutor Von Braun (Howard Vernon) e tirar algumas conclusões. Ou matá-lo. Sua ligação seria através de outro homem, que se mostra um bêbado vivendo em um lugar decadente. Este fala a Levy um pouco do que é Alphaville. É uma cidade onde as pessoas são proibidas de ter emoção, e há o controle de Alpha 60 em todo o canto. Poucos são os que resistem, e os que fraquejam, morrem. Não sem fazer dessa morte um espetáculo. Um encontro com a filha do senhor Von Braun, Natacha (Anna Karina), que surge em seu apartamento e as evidências encontradas no quarto do misterioso bêbado (um livro com citações sublinhadas) são a chave para que ele consiga se aproximar do doutor Braun. O que Levy não contava era ter se apaixonado pela misteriosa e bela Natacha. E isso era muito perigoso.

Seguindo a narrativa, Levy vai a encontros secretos, onde os personagens são doutrinados, assiste às execuções de  transgressores (lindas mulheres assassinam com facas aos homens atirados à uma piscina, e fazem uma espécie de balé macabro enquanto a cúpula de Alphaville aplaude mecanicamente) que ousaram demonstrar emoções, é interrogado pelo computador enquanto este tenta captar se houve algum registro de emoção. Descobre-se que a cidade está prestes a ser bombardeada e destruída, e que Levy está ali mais para constatar a loucura que havia tomado conta de todos. Ao tentar conversar com o doutor Von Braun, este não aceita ouvir seus argumentos, nega que soubesse ou conhecesse o doutor Nosferatu a quem se refere (uma alusão não explicada) e é agredido por seus seguranças. Uma das cenas mais interessantes acontece aqui: Natacha nega que está chorando ao ver Levy sendo arrastado inconsciente para fora do prédio e justifica que "não está chorando porque é proibido".

Natacha (Karina) e Jackson (Constantine): a loucura que imobiliza
os habitantes de  Alphaville se eles tentam fugir

Ainda assim, é convidado a encontrar-se com outros doutores do Alpha 60, uma mistura de empresa com laboratório e QG de guerra, de onde eram lançadas as doutrinas após pesquisas minuciosas sobre o comportamento humano com o objetivo de neutralizá-lo. Tudo em nome da normalidade, uma normalidade robótica imposta aos seres humanos. As proibições são passadas à população através das bíblias, que eles leem todos os dias. Mas não são bíblias comuns: são dicionários. Se a palavra não está lá, não existe. E é proibida. Toda a humanidade estava sendo tirada dos habitantes da cidade, e não havia mais como parar as engrenagens. Sabendo que não irá conseguir novo contato com Von Braun e que a cidade está condenada, Levy procura por Natacha. A encontra em seu apartamento, e tenta fazer com que ela se lembre de algumas palavras - as que estavam sublinhadas no livro "A loucura da cidade", que ele tinha pegado com o bêbado após sua morte. Natacha não lembra de frases e palavras, ou seus significados: não sabe o que significa amor, e outras relacionadas a emoções. Instigando, Levy consegue fazer com que ela se lembre e até recite alguns trechos de poesia - coisa considerada a mais subversiva em Alphaville. Como estavam sendo vigiados, ele acaba sendo levado de volta para o prédio onde havia sido interrogado pelo Alpha 60. Consegue fugir às bordoadas e, após um frenesi coletivo (não explicado, também), salva Natacha, a levando em segurança por uma via intergalática para as Terras Externas.

Palavras proibidas: qualquer uma que envolva emoção
O filme todo é uma mistura de narrativas: terceira pessoa, com o Alpha 60 elucidando e interrogando os personagens em uma voz rouca e ritmo lento, acusador; e primeira pessoa, com os personagens olhando diretamente para a câmera enquanto interagem. Inquietante. Os diálogos meio intrincados são sempre evasivos, dão um show à parte. A gente começa com muitas dúvidas. E termina com muitas outras. E, mesmo assim, o filme agrada. As questões ficam martelando sua cabeça por um bom tempo depois que se termina de ver o filme. E as reflexões também são muitas. O que é Alphaville, na verdade? Uma cidade atual, usada em um experimento ou é o nosso futuro apocalíptico, onde estamos destinados a nos adaptar a um sistema ou morrer? O que nos levou a esse apocalipse, nossos excessos e arroubos de emoções ou nossa apatia e falta deles? Quem era o doutor Von Braun, que havia sido um estrangeiro na cidade e ali era uma espécie de governante? Porque ele tinha e queria o controle absoluto de todos da cidade? O computador Alpha 60 era realmente um programa de computador? O que são e onde ficam as Terras Externas? Sobram questões e faltam respostas, assim como na vida real. E as metáforas e analogias são usadas para uma reflexão sobre nossa realidade, sobre nossas relações interpessoais. Um futuro de pessoas próximas, porém com abismos emocionais perante si; a máquina tomando a importância do ser humano e este sendo "coisificado" - era permitido fazer ligações intergaláticas, mas era proibido chorar pela esposa falecida. Uma cidade de zumbis, praticamente, destinada à decadência. De todos os filmes que falam sobre o fim da humanidade, este é um dos mais contundentes - porque estamos caminhando (sinistramente) em marcha lenta para Alphaville. Uma pena não termos rodovias intergaláticas para fugir...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Confronto Cultural

silêncio, lógica, segurança, prudência × liberdade, beleza, verdade e amor


Essa foi a primeira coisa que me veio à mente logo nos primeiros minutos de Alphaville. Ok, admito meu cérebro às vezes faz conexões sem sentido par outras pessoas. Entretanto, não parece sem sentido opor  os ideais boêmios de Moulin Rouge, e as normas restritivas, de Alphaville. Afinal, embora ambos tenham a cara de Paris, não poderiam haver cenários mais diferentes.

Enquanto os boêmios do musical cantavam viviam suas emoções livremente à flor da pele. Os moradores de Alphaville não podem sentir nada, e são controlados pelo super computador Alpha 60. Claro, é difícil entender o que é Alphaville  a primeira vista.

Acompanhamos Lemmy Caution (Eddie Constantine), aparentemente um jornalista com uma matéria a fazer. Não demora muito para o repórter mostrar habilidades além daquelas necessárias para fazer uma boa matéria. Fica claro que ele não é quem diz ser. Pronto, fomos pegos pela curiosidade.

Sim! Apenas com muita curiosidade para acompanhar o filme. Cheio de mistérios, passagens aparentemente desconexas, e pouquíssima informação sobre aquele mundo (que aliais é intergalático!?!), o longa é um quebra-cabeça a ser montado. E mesmo para os fortes (ou extremamente curiosos) que chegam ao fim, e conseguem encaixar todas as peças, nem sempre a imagem fica clara. Está mais para um daqueles quadros abstratos em que se entende algo novo a cada vez que se olha.

Antes que digam que minha análise faz com que o filme pareça não ter "pé nem cabeça". Existe sim uma trama,  Lemmy é na verdade um agente secreto intergalático com a missão de matar o inventor de Alpha 60, desestabilizando todo o sistema.

A missão acaba por envolver a filha do inventor. É nas cenas com Natasha (Anna Karina), que residem as melhores cenas do filme. Afinal ela é nosso guia para entender aquele mundo, e descobrir novos mundos é uma das partes mais divertidas de uma ficção cientifica. 

Em Alphaville, as pessoas não sentem. sua bíblia é um dicionário do qual palavras "perigosas", como consciência, são retirada todos os dias. É nesse choque de culturas, e de gêneros (o filme une sci-fi e noir)  que está a força do longa. Confronto este, muito bem representado pelos "opostos" que apresentei no início deste post.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Posteres de Alphaville

Diferentes idiomas, formatos e épocas, veja os promocionais de Alphaville.








terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Curiosidades e prêmios de Alphaville

As filmagens ocorreram entre 4 de janeiro e 14 de fevereiro de 1965;

Apesar de Alphaville ser uma cidade futurista, foram usadas locações de Paris como sets de filmagens;

Os professores Heckel e Jeckell são uma homenagem aos pássaros de desenho animado "Heckle and Jeckle", criados por Paul Terry;

O verdadeiro nome do professor von Braun, Leonard Nosferatu, é um tributo a Nosferatu (1922);

 Em 10 de julho de 1970 foi banido de todos os cinemas paquistaneses;

Refilmado como Megaville (1990);

O orçamento de Alphaville foi de US$ 220 mil.

Jean-Luc Godard inicialmente queria que Roland Barthes interpretasse o professor von Braun;

A fala de Alpha60 que começa por "O tempo é a substância de que sou feito" (Time is the substance of which I am mad) é parafraseado do ensaio de 1946, "Nova refutação do tempo", do famoso escritor  e argentino  Jorge Luis Borges, que diz: "Nosso destino não é terrível por sendo irreal;.. que é terrível porque é irreversível e férreo tempo é a substância que eu sou feito de tempo é um rio que varre-me bem, mas eu sou o rio, é um tigre que me destrói, mas eu sou o tigre, é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo o mundo, infelizmente, é real;. que eu, infelizmente, sou Borges.

Prêmios
Ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlin

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Alphaville

Uma cidade controlada por um computador que aboliu os sentimentos dos moradores.

Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution
1965 - França/Itália
99 min, pb.
Ficção científica, drama

Direção: Jean-Luc Godard

Roteiro: Jean-Luc Godard

Elenco: Akim Tamiroff, Eddie Constantine, Anna Karina, Jean-Louis Comolli, Michel Delahaye

Baseado no livro homonimo de Michael Crichton.


Mês ficção cientifica

Já que começamos 2012, sendo oficialmente apresentadas à ficção cientifica com o pioneiro Viagem à Lua, resolvemos começar 2013 nos aprofundando no gênero.

Desenvolvida no século XIX, a ficção cientifica lida principalmente com o impacto da ciência, tanto verdadeira como imaginada, sobre a sociedade ou os indivíduos. Também conhecido por sci-fi, o gênero pode fazer um uso realista da ciência e bem detalhado dos sobre fatos e princípios científicos, ou contrariá-los completamente. Desde que seja plausível, é claro.

A ficção ciêntífica nasceu como um gênero literário. Claro que, quando o cinema foi descoberto como uma ferramenta para contar histórias, os primeiros cineastas foram beber nas fontes literárias. Logo, a lista de obras é extensa. 

Temos consciência de não há como assistir todos em um mês, por isso escolhemos três títulos. Aqueles dos quais sempre ouvimos falar, mas nunca tivemos chance de assistir.

Ok, ponta-pé inicial dado. Bem vindos a lista de 2013!!!

Os marcianos chegaram. E daí?


Podem dizer o que quiser, mas A guerra dos mundos (1953) tem uma grande qualidade: despertou em mim a vontade urgente de ler o livro de H. G. Wells. Porque não é possível um clássico como esse ganhar uma adaptação tão pobrezinha para o cinema. E nem estou me referindo aos toscos efeitos especiais, que não sou tão insensível assim. Se o visual do filme hoje é risível, com suas maquetes óbvias e tentáculos alienígenas de cabo de aspirador de pó, outras produções da época também o são. O que me choca é o fato de o longa de Byron Haskin, em nenhum momento, me convencer de que a Terra estava realmente em perigo. 

Preste atenção, sobretudo, aos coadjuvantes. Repare no momento exato em que as pessoas começam a sentir medo, pânico, desespero. A hora em que o caos se instala, e a estupidez humana transforma todos em animais incapazes de perceber que todos estão no mesmo barco. Já é quase o final do filme, e é só então que a história começa realmente a empolgar (detalhe para a cena do protagonista correndo em meio às ruas vazias, no estilo pré-Eu sou a lenda). Até então, todos passeiam pelas ruas tranquilamente, sem se importar com um grande incêndio que atinge a cidade ou com a presença do exército nas ruas. Nem mesmo a ideia de evacuar o local impede que as crianças continuem brincando. Aí você pode dizer que a culpa de tudo isso é do governo, que escondeu a presença de marcianos entre nós e mentiu para a população. Ok, é um bom argumento. Mas cadê isso explorado no filme?


A guerra busca, o tempo todo, transformar o cientista Clayton Forrester (Gene Barry) em herói. Mas o especialista acaba não tendo muita serventia, a não ser conter os ataques histéricos de Sylvia (Ann Robinson), cuja presença no meio de militares durante ações estratégicas é absolutamente inexplicada. Os seres extraterrestres, por sua vez, mostram pouquíssima inteligência ao escolher seus alvos e deixam suas vítimas escaparem com uma facilidade impressionante. Mas descobrimos que, dessa maneira aparentemente pouco organizada, elas planejam tomar toda a Terra e destruí-la. E aí vem a outra pergunta de um milhão de dólares: se eles só queriam um lugar para se instalar, já que seu lar estava ficando inabitável, por que simplesmente destruir o que os humanos haviam construído? Não seria mais inteligente aproveitar qualquer criação utilizável?

Para completar a lista de fatores que tornam o filme tão inverossímil está o desempenho do elenco. Barry, preocupado em fazer um cientista sexy, exagera nas caretas. A impagável cena em que Sylvia não reconhece Forrester porque este usava óculos (diferentemente de como aparecia na capa da revista) resume tudo: cheio de "charme", ele tira o acessório e declara "É que eu uso óculos para enxergar de longe, de perto não preciso". Ok, o texto não ajudou, mas precisava da canastrice também? Já a personagem de Ann é tão dispensável e irritante que a torcida é para os alienígenas a levarem para bem longe. Aliás, vale uma observação: não importa se a Terra estava à beira da extinção, se ela passou por um acidente ou quase foi morta por um ET, sua roupa permanecia sempre limpa e sem amarrotar, e seu cabelo estava sempre impecável. Seria esse o segredo que nossos amigos, digo, inimigos, queriam descobrir por aqui? O mistério permanece. As razões para essa produção rezar pela cartilha dos filmes B em vez de seguir alguns preceitos básicos da ficção científica da época, também.

domingo, 13 de janeiro de 2013

2012 em números

Não! O mundo não acabou em 2012, o que significa que é hora de de conferir se aproveitamos bem aquele que supostamente seria nosso último ano de vida e cinefilia. "Bora-lá" conferir tudo que rolou no projeto para formar cinéfilas melhores neste ano que passou.

Mais de 370 posts, entre curiosidades e resenas (incluindo as dívidas pagas este ano)foram publicados no terceiro ano do projeto. Tarantino foi o tema mais inspirador com cerca de 40 textos publicados. Entretanto, o post mais lido do ano foi Um pouco mais sobre o ator: Brandon Lee. O protagonista de O Corvo, morto em um acidente durante as filmagens, brilhou no nosso mês dedicado as HQs.

Tem mais fotos no fim do post!
Aliais foram as histórias em quadrinhos que proporcionaram nossa segunda excursão à sala escura. Nolan finalizou sua aclamada trilogia do homem-morceço, logo não podíamos deixar de conferir Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge nos cinemas, e deixar nossas impressões por aqui.

E essa não foi nossa única aventura longe do sofá. Aproveitamos a incrível coincidência de uma exposição de Charles Chaplin, chegar as terras cariocas, exatamente no mês em que estávamos homenageando o cineasta, e fizemos um estudo avançado sobre o artista.

Também mergulhamos de cabeça na descoberta dos pioneiros no cinema, assistindo filmes que deram o ponta-pé inicial em estilos, gêneros e tecnologias. Desvendemos mistérios de Agatha Christie. Lutamos em diferentes guerras, e até ganhamos um assento na távola redonda do Rei Arthur. Por isso estávamos prontas para qualquer que fosse o apocalipse que supostamente nos atingira, em 21/12/12.

Contudo não iríamos deixar o mundo acabar antes de admirar algumas divas da sétima arte, entender de relacionamentos com Woody Allen, e voltar à adolescência com John Hughes (não que tenhamos vivido essa fase "interessante" da vida nos anos 80, mas se tivéssemos, já sabemos como seria). E ainda tentamos compreender o Oscar, assistido longas brasileiros (ou quase isso) que passaram pelo tapete vermelho.

Tudo isso, sempre com a ajuda dos leitores que escolhiam um dos filmes de nossa lista através de nossa enquete. E nos faziam pensar com seus comentários e textos, expressados aqui ou em nossas redes sociais. Estamos no facebook, G+, Dihitt e twitter.

Entre as atividades tividades extra-curriculares, lançamos a campanha "Lança, Maurício!". O objetivo é incentivar o criador da Turma da Mônica, à lançar em DVD, Blu-ray e até no cinema (3D se possível), o clássico da animação nacional, A Princesa e o Robô.

Também realizamos a segunda edição do Bolão do Oscar. A blogagem coletiva/meme teve 10 participantes. E coroou o criador do blog Película Criativa como melhor palpiteiro de 2012. Não satisfeitas ainda fizemos um live-tweet do Oscar ao-vivo durante a transmissão da cerimônia.

Ufa! Aproveitamos mesmo 2012. E ainda bem que ele não acabou, afinal ainda estamos um pouquinho longe de saber tudo que é preciso sobre cinema. Logo, vamos começar tudo outra vez!!!

Quem vem com a gente? Recomeçando em 3...2...1....