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domingo, 31 de março de 2013

Casos de Família



Ana (Portman) e Maria (Johansson), as irmãs Bolena: a disputa pelo amor de um homem e o poder
Não sei vocês, mas eu achei que essa história, além de um bom filme, dava um ótimo programa da Márcia. Sério mesmo. Vamos começar do começo: A outra (The other Boleyn girl, 2008) conta a história do rei Henrique VIII (Eric Bana, não emplaca um filme, coitado), que era casado com Catarina de Aragão (Ana Torrent) num casamento arranjado para manter a paz entre os reinos da Inglaterra e da Espanha. Mas a pobre da Catarina não conseguia ter um filho homem de Henrique, o que era um problema: quem seria o herdeiro do rei se ele não conseguia ter um filho homem? O casamento e a aliança entre os países estava por um fio quando o último bebê de Catarina nasceu morto e os médicos disseram que ela não poderia mais ter outros. Percebendo a oportunidade de obter alguma vantagem, Sir Thomas Boleyn (Mark Rylance) procura a irmã para oferecer a ela uma oportunidade: se uma de suas filhas agradasse ao rei, seria sua concubina e toda a família viveria nas boas graças do rei. Legal, né? Só que não.

O ambicioso pai das meninas já havia arrumado um casamento para a mais nova, Maria (Scarlett Johansson, tentando parecer pura e inocente) e poupado a mais velha, Ana (Natalie Portman, sempre com boas atuações) para algo mais grandioso. A mãe das meninas obviamente foi contra ter uma filha vivendo como concubina do rei, ela era muito religiosa para aceitar que sua filha vivesse em adultério. Mas eram os homens quem comandavam, e ela não teve escolha: com a visita do rei e Maria casada, Ana ficou encarregada de cair nas graças do monarca para ajudar a família a ter uma melhor posição na sociedade. Na primeira oportunidade que teve, Ana quase arruinou tudo: levando o rei para um terreno acidentado (que ela  conhecia muito bem), o rei cai do cavalo e se machuca muito. Com medo de perder até mesmo a própria vida, Sir Thomas aconselha ao cunhado que faça a outra filha a cuidar dos ferimentos do rei. Não deu outra. O rei acaba se encantando pela doçura e a beleza de Maria (optei pelos nomes em português, me fazem lembrar das aulas de história). O tio ambicioso conseguiu o que queria: levar a família inteira pra corte, ganhar boas relações com o rei e regalias, porque tinha dado um precioso presente para ele: uma de suas sobrinhas. 

Henrique VIII (Bana) e Maria Bolena (Johansson): um amor sincero, nascido por "acaso"
Aí começa a desgraça dos Bolena. Ana não se conforma de ter sido preterida pelo rei e que Maria tenha sido escolhida; justo a irmã mais nova e mais bonita, que havia se casado antes da mais velha (o que era um escândalo na época). E porque o rei não havia se interessado nela se ela conseguia chamar a atenção do homem mais bonito da corte? Cheia de raiva, ressentimento e inveja da irmã mais nova, que havia conquistado  o amor do rei (o marido? Bem, ele tinha ganhado um título, não é?), ela foge e casa secretamente com o fidalgo bonitão. Mas seu marido era prometido à outra fidalga, e como o casamento havia sido secreto, melhor seria que ele fosse desfeito e tudo seguisse como se nada tivesse acontecido. Um escândalo como esse poderia estragar a relação com o rei e a famílila cair em desgraça geral na sociedade. Abandonada pelo marido, preterida pelo rei, Ana foi forçada a passar um tempo na corte francesa até que os ânimos se acalmassem. Enquanto isso, Maria e Henrique estavam vivendo um romance lindo, ambos apaixonados, até que Maria engravidou. Como ela quase perdeu o bebê uma vez, foi-lhe recomendado repouso absoluto até o fim da gravidez. Então o medo de que Maria fosse esquecida pelo rei assombrou o pai e o tio dela. A solução que encontraram foi quase óbvia: chamar de volta Ana da corte francesa, para que ela o lembrasse sempre de sua irmã.

Mas o tiro saiu pela culatra. Ana voltou transformada da corte francesa. Sua personalidade forte e sua ambição haviam se fortalecido, e ela começou a usar sua inteligência para o mal. Ana soube como atrair a atenção do rei: mantendo a fachada de fiel à irmã e à família, atiçava a imaginação do rei passando a ideia de puritanismo enquanto o instigava e seduzia, mantendo-se inacessível. Rejeitava os presentes caros que ele lhe dava e se negava a dormir com o rei por causa da gravidez da irmã. Ora, negue duas coisas ao homem que sempre tem tudo o que quer e você consegue ficar na mente dele. O tempo todo. Logo o romance começa a ficar mais sério, uma vez que o rei não consegue mais esconder sua atração por Ana. E ela começa a jogar ainda mais sujo. Quando sua irmã finalmente vai ter o bebê, o rei procura Ana para que ela lhe dê uma única chance com ele. Nasce um menino, o herdeiro tão querido e esperado do rei e Maria tem a chance de voltar a ser o centro das atenções de Henrique, mas Ana age rápido e aceita a proposta de Henrique: ela dava esperanças a ele se ele se comprometivesse em nunca mais olhar para a irmã. Dito e feito, o rei rejeita o filho sem nem sequer olhar para a criança.


Ana Bolena (Portman) finalmente consegue o que queria: a atenção do rei (Bana)
A fúria de seu pai e tio é grande: quando eles finalmente teriam garantido toda a segurança e regalias para a família pelo herdeiro do trono ter saído de Maria, Ana estraga tudo impedindo o rei de ter contado com a irmã e a criança por um capricho dela. Então ela tem que recuperar tudo, fazer tudo dar certo. Mas como ela conseguiria isso se havia prometido ao rei que só se entregaria a ela quando fossem casados se o rei já era casado? Ana começa a incutir na cabeça do rei a ideia de romper com a Igreja católica e criar a própria igreja, com suas próprias regras. Henrique tomou a decisão: anularia seu casamento com Catarina, que era  amada pelo povo, e mudaria a igreja para se casar propriamente com Ana. Esta começou a ser odiada pelo povo, e quando veio à tona a questão do primeiro casamento de Ana, aí que quase tudo foi para o brejo. Ana soube contornar tudo: avisada que o rei iria pedir a opinião de sua irmã (que havia se mudado para o campo após o nascimento do filho), convence a ela a dar um parecer favorável à ela. E é o que Maria faz. Henrique segue adiante com o plano, desfaz o casamento com Catarina, rompe com a igreja católica e casa-se com Ana, que logo engravida. Então nasce uma menina, que ela chama Elizabeth, e a loucura toma conta dela. A paranóia por se sentir ameaçada, pelo povo e pela concorrência de outras mulheres da corte, o rei já não tem mais tanto interesse nela, Ana é capaz de tudo para manter o marido a seu lado. Quando ela engravida  novamente, uma trégua é dada. Mas a criança nasce antes da hora, e então tudo estaria perdido. Como um último recurso, ela chega a pedir ao irmão George (Jim Sturgerss) que a engravidasse sem que ninguém mais soubesse do ocorrido, então ela daria um herdeiro bastardo ao rei e ele nem desconfiaria. Indignada com o plano da irmã, Maria vai embora. Os irmãos não conseguem ir adiante, mas a ciumenta esposa de George vê às escondidas o que eles planejavam fazer e corre para contar ao tio de ambos e ao rei. Então George é executado por traição, a cabeça de Ana está por um fio, e Maria resolve voltar para interceder pela irmã. Mas o rei já havia se distanciado o suficiente de Ana para querer perdoá-la, mesmo com a irmã intercedendo por ela. Maria fica avisada pelo rei que não iria mais ser poupada se voltasse a por os pés na corte, Ana foi decapitada por ter conspirado e traído o rei e a menina Elizabeth vai viver no campo com a tia.

Uma tragédia digna do teatro grego, mas inspirada em fatos históricos. A pequena Elizabeth veio a se tornar a rainha Elizabeth primeira, revolucionária por ser a primeira herdeira mulher a assumir o trono inglês. Uma história de amor, traição, ambição, vingança, loucura. O rompimento de Henrique VIII com a igreja católica mudou para sempre a Inglaterra, que se tornou protestante anglicana e é, até hoje, a religião oficial do país. Uma história intrigante e interessante, muito bem retratada no filme. Exceto a Scarlett Johansson, que tem desempenho fraco toda vez que tenta transmitir inocência em suas personagens (acha que uma postura ingênua é cabeça baixa, bico e olhar atravessado - sempre a mesma expressão), todos os outros atores defendem bem as nuances de seus personagens, o que torna o filme ainda mais interessante. E pensar que essa história ainda tem um desdobramento histórico tão interessante quanto, ou ainda mais, quando no final fica revelado a descendência de Henrique VIII, o filme se torna uma boa versão da história. E ainda assim, seria um prato cheio pra um programa da Márcia.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Qual o problema de Henrique VIII?

Qual o problema de Henrique VIII (Eric Bana)? Não é segredo que reis sofriam de casamentos arranjados com mulheres que não seria sua escolha em outras circunstâncias. Mas também não era segredo que o rei poderia ter quantas e quais amantes quisesse. Em uma época em que os nobres conspiravam para ter benefícios, não havia um que não disponibilizasse suas filhas para o soberano de seu reino. Mesmo assim Henrique se deixou dominar pelos joguinhos de sedução de Ana Bolena (Natalie Portman).


A Outra apresenta um monarca fraco, corrompível, e que não consegue controlar seus impulsos, mesmo que o prejuízo seja grande. Mas tudo bem, o filme não é sobre Henrique afinal. É sobre Ana e sua irmã, "a outra garota bolena", Maria (Scarlett Johansson). As moças disputaram a cama do rei, que via nelas a possibilidade de ter um herdeiro, uma vez que sua rainha, só lhe dera uma menina e não poderia  mais ter filhos.

Abrangendo vários anos de história em poucos minutos, não sobra muito tempo para conhecer os personagens. Gerando uma certa confusão entre o vai-e-vem na corte. São inúmeras normas e tradições, pouco familiares a nós, e complicado ainda mais por intrigas e traições. 

Mesmo entre o trio principal, o destaque fica com Natalie Portman e sua habilidade de persuasão e de criar intrigas. O que não deixa de ser curioso, uma vez que "a outra garota Bolena" (do título original) seria Mary. Ignorada pela história a moça viu sua irmã Ana ascender ao trono ao lado do homem de quem fora amante anteriormente. O que atrapalhava e muito a relação de união das duas.

Se Portman rouba a cena, Johansson não convence tanto como coitadinha, provavelmente culpa de seu status de "sex simbol". Bana faz bem o papel de rei (por falta de palavra melhor) otário, perdido e confuso em suas belas capas peles. O figurino aliais é deslumbrante, nos faz imaginar constantemente como as pessoas conseguiam suportá-lo. E até ensaia criar uma relação entre as roupas e a personalidade das moças, mas o resultado não é muito bom.


Entretanto, apesar de romanceado, é um interessante registro histórico. Claro, apenas se o expectador se importar em descobrir mais tarde o que é considerado verdade, e o que foi exagerado por Hollywood. Verdade que Henrique fora um rei volúvel. Que rompera com a igreja para atender a seus desejos pessoais. E que se envolvera com as duas irmãs Bolena. 

Também é verdade que apesar de seus esforços para gerar um herdeiro varão, sua herdeira mais longeva fora uma menina. E não uma menina qualquer, fora Elizabeth I. Nascida das intrigas de Ana Bolena. Qual o problema de Henrique? Provavelmente foi o primeiro britânico a enfrentar o "girl power" em sua totalidade!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Um pouco mais da atriz Natalie Portman

Natalie Portman, como poucos sabem, é o nome artístico da atriz e produtora Natalie Hershlag. Poucos sabem também que ela nasceu em Israel, mas é cidadã americana por ser filha de um médico israelita e uma dona de casa (agora sua agente) americana. O que todos sabem é que Natalie é uma estrela talentosa e influente em Hollywood.

Começou cedo sua carreira, aos 12 anos, em O profissional (Léon, 1994), um filme de Luc Besson e ao lado dos grandes atores Jean Reno e Gary Oldman. Uma personagem difícil e complexa brilhantemente defendida pela jovem atriz, já demonstrava o seu talento logo em seu primeiro grande trabalho. Natalie ainda participou de vários filmes importantes, como Todos dizem eu te amo (Everyone says I love you, 1996) de Woody Allen e Marte ataca! (Mars attack!, 1996) de Tim Burton e chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por Em qualquer outro lugar (Anywhere but here, 1999), em que contracena com Susan Sarandon. Seu talento já havia sido reconhecido, mas ela só foi alçada ao megaestrelato ao decidir dar vida à Padmé Amidala, o grande amor de Anakin Skywalker na segunda trilogia de Star Wars, do diretor George Lucas. Versátil, a atriz parece querer não se rotular e escolhe papéis em diferentes áreas, atuando em filmes de comédia, como Zoolander (Zoolander, 2001) ao lado do gaiato Ben Stiller, e de temáticas infatis, como A fantástica fábrica de brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, 2007) e outros de temas mais pesados, como V de Vingança (V for Vendetta, 2006), baseado na graphic novel homônima de Allan Moore e em que teve que raspar a cabeça para interpretar a personagem Evey Hammond, e a polêmica stripper Alice de Closer - Perto demais (Closer, 2010) - além do recente blockbuster Thor (Thor, 2011), prelúdio para a megaprodução Os Vingadores (The Avengers, 2012). Indicada a alguns prêmios por suas interpretações, Natalie ganhou alguns deles em sua carreira; mas sua interpretação em Cisne negro (Black Swan, 2011) foi arrebatadora: indicada a todos os prêmios na categoria principal, levou todos pra casa.

Durante as gravações desse filme, Natalie conheceu seu futuro marido e pai de seu filho, o coreógrafo francês Benjamin Millepied. Discreta quanto à vida pessoal, Natalie nunca teve seu nome envolvido em escândalos e foca as entrevistas em sua carreira. Judia e vegan (um tipo de vegetarianismo mais radical e filosofia de vida em que o homem deve respeitar a vida animal e não explorá-la, seja para alimentação ou para qualquer outro fim), a atriz não esconde suas opiniões fortes em entrevistas e tem discurso engajado. Formada em Psicologia em Harvard, também frequentou a Universidade Hebraica e fala fluentemente 5 idiomas: inglês, hebraico, francês, alemão, japonês e espanhol. Interessado em saber mais da carreira dessa brilhante atriz? Acompanhe a lista de filmes que ela participou:

O Profissional  (Léon /The Professional, 1994)                  
Fogo Contra Fogo (Heat, 1995)
Brincando de seduzir (Beautiful girls, 1996)
Marte ataca! (Mars attack!, 1996)
Todos dizem eu te amo (Everyone says I Love you, 1996)
Star Wars: Episódio I – A ameaça fantasma (Star Wars Episode I: The Phantom Menace, 1999)
Em qualquer outro lugar (Anywhere but here, 1999)
Onde mora o coração (Where the heart is, 2000)
Zoolander (Zoolander, 2001)
Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II Attack of the Clones, 2002)
Cold Moutain (Cold Moutain, 2003)
Hora de voltar (Garden State, 2004)
Closer – Perto demais (Closer, 2004)
Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars Episode III: Revenge of the Sith, 2005)
Free zone (Free zone, 2005)
V de Vingança (V for Vendetta, 2006)
Paris, te amo (Paris, je t’aime, 2006)
As sombras de Goya (Goya’s ghosts, 2006)
A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium's Wonder Emporium, 2007)
Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited, 2007)
Um Beijo Roubado (My blueberry nights, 2007)
A outra (The other Boleyn girl, 2008)
Nova York, eu te amo (New York, I love you, 2009)
As coisas impossíveis do amor (The Other Woman, 2009)
Entre Irmãos (Brothers, 2009)
Cisne negro (Black Swan, 2010)
Sexo sem compromisso (No strings attached, 2011)
Hesher (Hesher, 2011)
Sua alteza (Your highness, 2011)
Thor (Thor, 2011)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um pouco mais da atriz Scarlett Johansson

Atriz, modelo e cantora. Parece clichê, mas é isso mesmo. Scarlett Johansson, nascida Scarlett Ingrid Johansson, é um dos nomes mais quentes de Hollywood da atualidade. De ascendência dinamarquesa, filha de um arquiteto e uma produtora, optou pela carreira artística ainda criança. Tem vários irmãos, inclusive um irmão gêmeo não famoso, e uma irmã mais velha também atriz. Mas a estrela da casa é mesmo Scarlett, que teve seu nome inspirado na personagem de Vivien Leigh, Scarlet O'hara, de E o vento levou... (que teve a honra de ser primeiro filme que a gente viu aqui no blog). Seu nome figura constantemente nas listas de mais belas e sexys do mundo, superando até mesmo aquela que parecia ser hours-concurs na categoria, a atriz americana Angelina Jolie.

Scarlett começou a carreira ainda criança no teatro, na peça off-Brodway Sophistry, ao lado de Ethan Hawke. No cinema, fez várias pequenas participações, como no filme Justa causa (Just cause, 1995), em que interpretou a filha de Sir Sean Connery, e Esqueceram de mim 3 (Home alone 3, 1996). Fez vários pequenos papéis até ver sua carreira deslanchar após uma elogiada atuação em Meninas de ninguém (Manny & Lo, 1996), que lhe rendeu uma indicação ao Spirit Award de Melhor Atriz. As oportunidades começaram a melhorar quando um filme que participou, Mundo Cão - Aprendendo a viver (Ghost World, 2000) ganhou um Oscar de melhor roteiro adaptado e sua atuação chamou a atenção dos críticos. Com o filme seguinte, a estréia de Sophia Coppola na direção e ao lado de Bill Murray, protagonizou Encontros e desencontros (Lost in translation, 2003) e ganhou o Bafta e o Globo de Ouro de Melhor Atriz - apesar de não ter ganhado sequer uma indicação ao Oscar por esse papel. Nesse mesmo ano, a atriz concorreu também por sua atuação em Moça com brinco de pérola (Girl with a pearl earring, 2003), em que interpreta a musa do pintor Veermer (interpretado por Colin Firth) na composição do famoso quadro do artista.

Por falar em ser musa, ela foi escolhida por Woody Allen para ser sua musa na década de 2000. Foram vários projetos com o diretor, famoso por trabalhar inspirado por suas atrizes favoritas. Além dos trabalhos com o diretor, Scarlett se envolveu em projetos de ficção científica, como o filme A ilha (The island, 2005), fez um filme policial noir de Brian de Palma, Dália Negra (The black Dalia, 2006), comédias românticas como Ele não está tão afim de você (He is just not that into you, 2009) e blockbusters - uma participação em Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010) e Os Vingadores (The Avengers, 2012), onde interpretou a Vingadora Viúva Negra.

Como cantora, Scarlett não obteve tanto sucesso. Com dois álbuns lançados (Anywhere I lay my head, de 2008, e Break up, de 2009), um Ep e algumas participações em álbuns de outros artistas, a atriz não obteve o mesmo sucesso e reconhecimento que obteve no cinema. Seu último single foi lançado em 2012, se chama Bonnie e Clyde e não fez nenhum estardalhaço. Maior rebuliço causou sua participação no clipe do cantor e ator Justin Timberlake, What comes around goes around, de 2006. O clipe é quase um curta metragem, de inspiração em filmes poiliciais noir, e como foi lançado no auge do sucesso do cd Futuresex/Lovesounds, causou furor a junção dos dois em cena. Nos bastidores, a atriz foi acusada de ser o pivô da separação entre Justin e sua então namorada, a também atriz Cameron Diaz. Ninguém confirmou ou desmentiu nada, e Scarlett continuou a dar ênfase em sua carreira no cinema. Anos mais tarde, ela anunciou que estava noiva do ator Ryan Reynolds, com quem se casou em 2008. O casamento durou pouco, e em 2010 eles anunciaram a separação amigável.

Aqui é o video de Falling down, single lançado em 2008.

E aqui você pode conferir a lista dos filmes em que a atriz participou, lembrando que para 2013 e 2014 estão programados a participação no segundo filme do Capitão América, a continuação do filme de Os  Vingadores e o solo da Viúva Negra (já que dos outros Vingadores, Thor, Capitão América e Hulk já ganharam os seus).


O Anjo da Guarda (North, 1994)
Justa causa (Just cause, 1995)
Meninas de ninguém (Manny & Lo, 1996)
Lado a lado com o amor (Fell, 1996)
Esqueceram de mim 3 (Home alone 3, 1997)
O encantador de cavalos (Horse whisperer, 1998)
Pig – Uma aventura animal (My brother the pig, 1999)
O homem que não estava lá (The man Who wasn1t there, 2001)
Uma rapsódia americana (An American rhapsody, 2001)
Mundo cão – Aprendendo a viver (Ghost world – 2001)
Malditas aranhas! (Eight leggerd freaks, 2002)
Moça com brinco de pérola (Girl with a pearl earring, 2003)
Encontros e desencontros (Lost in translation, 2003)
Em boa companhia (In good company, 2004)
Uma canção para Bobby (A song for Bobby Long, 2004)
Bob Esponja: O filme (The Sponge Bob Squarepants Movie, 2004)
Nota máxima (The perfect score, 2004)
Match point– Ponto final (Match point, 2005)
A ilha (The island, 2005)
O grande truque (The prestige, 2006)
Dália Negra (The Black Dalia, 2006)
Scoop: O grande furo (Scoop, 2006)
Falsária (A good woman, 2006)
O diário de uma babá (The nanny diaries, 2007)
A outra (The other Boleyn girl, 2008)
Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, 2008)
The Spirit -  O filme (The Spirit, 2008)
Ele não está tão afim de você (He is jus not that into you, 2009)
Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010)
Compramos um zoológico (We bought a zoo, 2011)
Os Vingadores (The Avengers, 2012)

terça-feira, 26 de março de 2013

Curiosidades de A Outra

Adaptado do livro A Irmã de Ana Bolena, escrito por Philippa Gregory.

O título original é The Other Boleyn Girl (A outra garota Boleyn). Em Portugal ganhou o nome de Duas Irmas, um Rei.

Primeiro filme do diretor Justin Chadwick.

É a 2ª adaptação do livro de Philippa Gregory. A anterior foi The Other Boleyn Girl (2003), feito para a TV.

Inicialmente, o filme caracteriza Maria como inocente e moralmente correta. Ela tinha passado algum tempo na França, e tinha a reputação de ter tido diversos casos. Uma das razões de Henry querer apenas a Maria como uma amante porque ele a considerava uma prostituta.

Natalie Portman (Anne) e Scarlett Johansson (Maria) dizem que seus trajes foram extremamente vitais para conhecer seus personagens. Seus vestidos lhes dava uma boa postura, e as cores ajudaram a representar sua personalidade. Com Anne, suas cores fortes e simples mostram que ela tem um objetivo principal. Maria é mais suave e design vestido muito mais complicado mostra que ela é uma pessoa mais modesta e tenta ser ela mesma.

Elizabeth tinha cerca de 3 anos de idade, quando sua mãe foi decapitada.

A carta de amor que Maria lê para si mesma diz, "Meu coração e eu me rendo-se em suas mãos." Esta é uma citação real da carta real, mas a carta era para Anne, não Maria.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A Outra

Traição entre irmãs foi a escolha do público para encerrar o mês realeza!

The Other Boleyn Girl
2008 - Brasil
114 min, cor.
histórico, drama

Direção: Justin Chadwick

Roteiro: Peter Morgan

Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana, Jim Sturgess, Mark Rylance, Kristin Scott Thomas, David Morrissey, Duque de Norfolk, Benedict Cumberbatch.

Adaptação do livro A Irmã de Ana Bolena, escrito por Philippa Gregory

quarta-feira, 20 de março de 2013

Curiosidades de "Carlota Joaquina, Princesa do Brasil"

Primeiro filme da diretora Carla Camurati.

É considerado o marco zero da Retomada do Cinema Brasileiro, que ocorreu na segunda metade dos anos 90.

Produzido com baixo orçamento e distribuição artesanal feita pela própria diretora.

Estreou com apenas 4 cópias, e teve reações mornas em sua pré-estréia (que foi pública, com expectadores comuns, além dos jornalistas). Mas cresceu, ganhou o gosto do público e e se tornou o primeiro filme nacional da era pós-Collor a superar a barreira de 1 milhão de expectadores.

Devido ao baixo orçamento, São Luiz do Maranhão se tornou Lisboa. Planos fechados transformavam os poucos figurantes que o orçamento permitia em uma falsa multidão.

Carla Camurati
O filme faz uma sátira de personagens e acontecimentos históricos, ao retratar a vida da princesa espanhola, que se tornou rainha de Portugal, precisou fugir às pressas de Napoleão e viver durante 13 anos no Brasil. Cheio de absurdos históricos e lendas que podem (ou não) ter um fundo de verdade.

Tal abordagem da família real portuguesa, foi apresentada novamente anos mais tarde na minissérie para TV, O Quinto dos Infernos. Desta vez com conteúdo mais "picante", mas ainda assim com uma inevitável comparação.

Carlota Joaquina






Carlota em O Quinto dos Infernos (Betty Lago)

A então atriz mirim, Ludimila Dayer que viveu Carlota Joaquina na infância, recebeu o prêmio de "Atriz Revelação" da Associação de Críticos de Arte de São Paulo.
Fonte: Cinema de Novo - Um Balanço Crítico da Retomada, Luiz Zanin Oricchio

segunda-feira, 18 de março de 2013

Carlota Joaquina, Princesa do Brasil

Realeza em terras tupiniquins, porque nem só de Europa vivem os grandes regentes!

Carlota Joaquina, Princesa do Brasil
1995 - Brasil
100 min, cor.
histórico, drama, comédia

Direção: Carla Camurati

Roteiro: Carla Camurati, Melanie Dimantas, Angus Mitchell

Elenco: Marieta Severo, Marco Nanini, Ludmila Dayer, Maria Fernanda, Antônio Abujamra, Eliana Fonseca, Marcos Palmeira, Beth Goulart, Norton Nascimento, Romeu Evaristo,  Bel Kutner, Aldo Leite, Chris Hieatt,  Maria Ceiça.



domingo, 17 de março de 2013

Ana e a cantoria


Ana (Kerr) ensinando costumes ocidentais aos príncipes e princesas do Sião
Engraçado que nós terminamos o mês Musicais da Brodway, mas os musicais não querem sair daqui do blog. Uma grata surpresa que esta filmagem de O rei e eu (The king and I, 1956) tenha sido um musical baseado na montagem da Brodway para o livro de Margaret Landon Ana e o rei (que, aliás, tem uma versão não musical concorrendo como filme bônus, confere lá o post dos concorrentes). Com uma montagem altamente teatral, uma produção de figurino impecáveis, e usando de muito bom humor, o filme é bastante divertido. Um filme leve e divertido, boa pedida pra uma tarde preguiçosa, quando se quer ter uma boa desculpa pra comer pipoca.

Ainda no navio em que chega ao Sião, Ana Leonownes (Deborah Kerr, ótima em cena) e seu filho Louis (Rex Thompson) recebem um aviso do capitão: ali não será fácil de viver. Viver como o rei manda quase nunca é agradável pra alguém que não seja o próprio rei. Ana resolveu aceitar o desafio de ensinar inglês e costumes ocidentais aos filhos do rei de Sião após ter se tornado viúva. Para isso, se mudou de mala e cuia para lá, afim de continuar dando um sentido à vida. Lá chegando, o primeiro contato com a realeza siamesa é com Kralahome, o primeiro ministro do rei. Já causa estranheza que ele apareça seminu (gente, ele só tava sem camisa...), mas dava pra perceber o contraste de costumes já de início. As dificuldades de se lidar com a vaidade do rei, de ver que as promessas são cumpridas conforme a vontade dele - Ana ficou sem a casa prometida para ela, tendo que viver com o filho junto das esposas do rei - a quantidade enorme de filhos que ela teria que ensinar... Tudo era muito diferente. Ensinar que o Sião era um pequeno país na imensa Ásia uma vez que eles estavam acostumados a ver mapas que só retratavam o próprio país e o faziam parecer muito maior (questão de comparação), era bem mais complicado do que parecia. Mas aos poucos, ambos se adaptaram. Tanto Ana quanto os príncipese princesas, e até mesmo o próprio rei, se encontraram e se adaptaram. Ensinando o rei a repensar seus costumes e conquistando a todos com sua simpatia, Ana estava bem no Sião até que houve a visita de alguns diplomatas ingleses. Com ele, veio Edward, um antigo namorado e um respiro de civilização em meio a tanta estranheza de costumes. 

Tal pai, tal filho: o Rei e o principezinho
E não é que o empertigado e arrogante rei ficou com ciúmes? Carente de atenção, pediu para que ela o ensinasse a dançar e ainda queria obrigá-la a se manter com a cabeça mais baixa que a dele (Ana era ligeiramente mais alta que o rei), o que rendeu boas gargalhadas com cenas de "o-que-o-mestre-mandar". E então, surpreendentemente, o filme se encaminha para um fim trágico e melancólico. Uma das esposas do rei ainda era apaixonada por outro rapaz de sua província e tenta fugir com ele após uma apresentação de teatro organizada por ela (baseada em um livro sugerido por Ana). O casal é pego, o rapaz é morto e a moça ia ser torturada pelo próprio rei em pessoa. Num acesso de fúria, e contrafeito com a postura rígida de Ana - que o condenou por querer castigar a menina. Ele acaba por não castigá-la, mas sua alma está. Ele já não faz o que quer, não sem antes pedir a opinião de uma mulher... O rei não aguentou, e ficou doente. Aliás, isso não ficou bem explicado: o rei já tinha alguma doença antes ou ele ficou mal depois da discussão com Ana? E então temos o trágico fim, com a morte do rei. Um fim brusco e triste para um filme tao colorido e divertido, infelizmente, mas nem isso estragou o conjunto.

A primeira impressão que tive do filme, logo aos primeiros minutos, foi a de ver uma peça de teatro encenada. Os cenários são extremamente detalhados e coloridos, usando e abusando dos contrates de cor. É tão bonito que dá pra entender porque Ana logo se encantou por lá. E obviamente existe aquele pequeno prazer de ver atuações exageradas e que hoje soam caricatas, mas que são grande parte de se ver filmes antigos. As músicas são realmente bonitas, e muitas tem coreografias muito bem executadas. O bom humor que permeia todas as cenas com o rei fanfarrão de Yul Brynner são impagáveis. O requinte é tanto que é possível assistir uma peça inteira de teatro tailandês (para os desavisados, o Sião se transformou em Tailândia) dentro do filme. A cena é tã bonita que eu não resisti a por aqui um trechinho para que vocês vissem.



Achei um pouco de exagero o filme estar entre os 25 grandes musicais americanos de todos os tempos. Mas ainda assim, considero imperdível.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Rei e eu o longa animado

Nunca ouviu falar da animação O Rei e eu? Não se espante, o filme da Warner não agradou muito, tem uma das cotações mais baixas do IMDB. O enredo é semelhante ao longa musical original.

O Rei e Eu
(The King and I)
EUA, 1999, 90 min.

Direção: Richard Rich

Com: Miranda Richardson, Christiane Noll, Martin Vidnovic, Ian Richardson, Darrell Hammond, Allen D. Hong, David Burnham, Armi Arabe, Tracy Venner Warren, Adam Wylie, Sean Smith

A inglesa Anna Leonowens que junto com seu filho de 10 anos, Louis, viaja de Londres para o exótico reino do Sião, em 1863. Contratada para lecionar as crianças do reino, Anna logo descobre que seu maior desafio será domar o obstinado e autoritário imperador de Sião. Ao mesmo tempo em que cresce a amizade entre a governanta e o arrogante monarca, um feiticeiro malvado conspira pra roubar o trono.



quarta-feira, 13 de março de 2013

Curiosidades O Rei e Eu

O Rei e Eu foi banido na Tailândia, nome que se dá atualmente ao Sião, por ter sido considerado desrespeitoso com a monarquia local.

Embora este filme foi filmado e promovido no então novo 55 milímetros CinemaScope 55, na verdade foi mostrado no CinemaScope padrão de 35 mm, com 4 canais estéreo em vez de o aparelho de som de 6 canais inicialmente prometido. CinemaScope 55 foi descartado depois de ser usado em apenas dois longas-metragens.

Apesar de Walter Lang ter sido creditado como diretor e Jerome Robbins ter ganho crédito apenas pelas sequências musicais, após o lançamento do filme Lang admitiu que grande parte do filme foi de responsabilidade de Robbins e que ele é quem deveria ter recebido o crédito de diretor de O Rei e Eu

Quem sugeriu a contratação de Deborah Kerr para interpretar a personagem Anna foi Yul Brynner, que havia ficado impressionado com seu trabalho anteriormente. Este é o 1º de 2 filmes em que Yul Brynner e Deborah Kerr atuaram juntos. O posterior foi Crepúsculo Vermelho (1959).

Deborah Kerr foi dublada em suas cenas de canto por Marni Nixon. Apesar da contratação de Marni Nixon, Deborah Kerr teve lições de canto para interpretar Anna Leonowens.

Marni Nixon fez um contrato de 6 semanas para participar de O Rei e Eu.  Ela tinha que comparecer aos sets de filmagens sempre que Deborah Kerr tivesse que rodar alguma cena musical, realizando a cena juntamente com Kerr de forma a imitar suas expressões faciais e fazer com que sua voz correspondente à situação pela qual passava a personagem.

As roupas desenhadas para a personagem de Deborah Kerr tinham de 13 a 18 quilos cada uma.

Filmado anteriormente como Ana e o Rei do Sião (1946) e refilmado como Anna e o Rei (1999). Este último é um dos concorrentes da enquete deste mês no blog.

Foi baseado na peça que estreou na Broadway com o mesmo nome na década de 1960. Ambos com músicas de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O custo de produção de O Rei e Eu foi dez vezes o valor gasto para a montagem da peça teatral na Broadway.

A cena curta em que Anna é levada pelas ruas de Bangkok para o palácio do Rei pela comitiva real exigiu 25 set em uma área de três hectares nos estúdios da Fox, sem contar os estábulos para os elefantes usados ​​na seqüência.

terça-feira, 12 de março de 2013

Prêmios de O Rei e Eu

Oscar
  • Melhor Ator - Yul Brynner
  • Melhor Direção de Arte - Colorida
  • Melhor Som
  • Melhor Trilha Sonora
  • Melhor Figurino - Colorido.
Indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Deborah Kerr) e Melhor Fotografia - Colorida.

Globo de Ouro 
  • Melhor Filme (comédia ou musical) 
  • Melhor Atriz (comédia ou musical) em cinema - Deborah Kerr
Indicado na categoria de Melhor Ator (comédia ou musical) em cinema (Yul Brynner).

Writers Guild of America
  • prêmio WGA de Musical Estadunidense Melhor Escrito

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Rei e Eu

Não. Não é um flashback do nosso mês Broadway, mas esse musical real também nasceu nos palcos.

The King and I
1956 - EUA
133 min, cor.
musical

Direção: Walter Lang

Roteiro: Ernest Lehman

Música: Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II

Elenco: Deborah Kerr, Yul Brynner, Rita Moreno, Martin Breson, Terry Saunders, Rex Thompson, Carlos Rivas

Baseado em um musical da Broadway, vencedor de 5 Oscars.


domingo, 10 de março de 2013

O rei está só

Puyi sendo coroado Imperador. E ele só queria ir embora pra casa... 
O último imperador (The last emperor, 1987) é um filme belo e incômodo como poucos. Tudo bem que eu achei um pouco longo demais, mas a demora na passagem do tempo tem sua explicação e função. E isso torna o filme grande, mais do que só bonito. Além de contar uma estória pouco conhecida, a da revolução política da China, através de uma ótica super incomum, o filme trata sobretudo de solidão. E nesse ponto, todos conseguem se identificar com o imperador, mesmo que não tenha nem um décimo da fortuna que ele teve. Uma jogada de mestre.

Bertollucci acertou em cheio ao escolher os atores que interpretariam o personagem principal, o manchu Aisin-Gioro Puyi, o último imperador da China. O carismático menininho cativa a gente desde o início, o jovem rapaz consegue passar o drama de ser o único menino na Cidade Proibida e o homem Puyi, cheio da esperança de reaver seu poder, e completamente desesperançado na prisão. A figura do imperador é a mais importante em todo o filme, que gira em torno dele como a órbita de um planeta ao redor do sol. O que significava que era o imperador na época de glória da China imperial. As metáforas são muitas, a compaixão pelo drama do imperador é quase imediata. Ninguém quer ser sozinho na vida, e ele foi obrigado a ser sozinho desde os 3 anos. E pior, foi mantido na solidão e isolamento do mundo por motivos alheios a ele. É de uma crueldade e um egoísmo impressionantes. 

Obrigado a deixar sua cidade, começa o processo de "apagar" a sua própria história
No filme vemos como o pequeno Puyi foi escolhido e mantido como o imperador enquanto o país inteiro passava por uma revolução política. Tendo em vista que um dia a revolução poderia regredir e o imperador voltar a ter o poder supremo (e, logicamente, aqueles que se mantiveram fiéis a ele teriam privilégios). Sendo negado a tudo, inclusive à informação e principalmente ao contato com outras pessoas - por medo de envenenamento ou por não ser adequado à posição de imperador, Puyi vivia só numa cidade povoada por eunucos, esposas, amas de companhia e outros tutores. Tudo estava fora do controle apesar da aparente normalidade (e, acima de tudo, da formalidade) do local. Somente com a chegada no novo tutor, o escocês  Sir Reginald Fleming Jonston (Peter O'toole) é que o jovem imperador começou a ter consciência de que havia coisas que ele não sabia. E a descobrir pequenos prazeres, como andar de bicicleta por exemplo. O cerco se fecha, e a revolução não vai voltar atrás. Sabendo disso, muitos eunucos já começavam a roubar as coisas do palácio e a vender na cidade. A sobrevivência era maior que o orgulho de pertencer aos poucos privilegiados da Cidade Proibida. Quando Puyi decide que Jonston vai ser o responsável pelas finanças e pelos estoques, os próprios eunucos puseram fogo no armazém . Então quando ele percebeu que até mesmo os que ele considerava sua família (o tinham visto crescer, e eram as únicas pessoas no mundo que ele conhecia) estavam tramando contra ele, Puyi soube que estava sozinho. 

As consequências de seus atos, em que tentava reaver o poder perdido, em que queria realmente assumir o controle sobre a própria vida, e tentava voltar pra sua terra, a Manchúria e ser imperador de seu país foram terríveis. Abandonado pelos chineses, enganado pelos japoneses, pego pelos russos, Puyi foi parar na prisão de Mao, onde ele tinha que reaprender a própria história e como a China era muito melhor sem ele. A forma como ele aprendia isso, de forma a confessar seus "crimes" escrevendo e reescrevendo a sua história até que ela se transformasse na história que a China queria que fosse verdade é deprimente. O filme, aliás, é todo costurado entre as lembranças de Puyi e a realidade na prisão e termina de forma comovente, quando acompanhamos o triste fim de um imperador deposto em prol do comunismo. Todo o luxo, riqueza e importância foram tirados dele a fórceps, e com isso, o sentido da vida de Puyi. Morrer na miséria, abandonado e esquecido pelo povo, perdendo todos os que amava (seja para a morte, para a loucura ou para a Revolução), talvez até mesmo se esquecendo de si mesmo... Para aquele que fora escolhido para ser o Imperador dos Próximos Mil Anos... É a coisa mais triste que poderia ter acontecido. E assim aconteceu. Puyi foi um menino imperador de verdade, que morreu no esquecimento de verdade. Ele cresceu só, e morreu ainda mais solitário. 

Já preso há muitos anos, sendo levado pelo esquecimento. Triste fim daquele que deveria ser reverenciado por 10 mil anos
De uma beleza ímpar, uma fotografia inteligente e sensível, atuações marcantes de todo elenco e uma história rica para contar. Tocante sem ser piegas, político sem levantar bandeiras, humano. Excelente filme para quem tiver coragem de encarar as quase 4h em frente a telinha.