3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Confiar desconfiando

Atenção detetives, apaixonados obsessivos e bisbilhoteiros em geral! Se sua técnica de espionagem consiste em ficar a 5 metros do alvo em um carro enorme e chamativo, e mesmo assim a vitima nem sequer desconfiou, é melhor você começar a desconfiar.

Se John 'Scottie' Ferguson (James Stewart), tivesse esse bom senso talvez não tivesse se envolvido em uma das tramas mais instigantes da sétima arte. Policial aposentado após ver um companheiro de trabalho cair do telhado, Scottie tem vertigens sempre que enfrenta algo mais alto que um banquinho. Mesmo assim aceita o trabalho proposto pelo amigo Gavin Elster (Tom Helmore). Ele deve seguir Madeleine Elster (Kim Novak), esposa do tal amigo que supostamente possui estranhas tendências suicidas estimuladas pelo fantasma da bisavó louca.

Algumas cenas misteriosas e algum trabalho de detetive depois, a moça pula na bahia de São Francisco. Forçando a aproximação de John, e abrindo espaço para um romance arrebatador. Daqueles que só é possível em filmes antigos. Mas nesse ponto aos mistérios já são muitos, e a história vai se complicando cada vez mais.

Só que não vou escrever nada disso nessa resenha. Afinal, perderia toda a graça para quem ainda não viu. Além do mais, as reviravoltas da trama ficam muito mais apetitosas com o suspense elevado ao máximo.

E como tem reviravoltas! Cheguei a pensar comigo mesmo - Peraí, vai com calma! Assim não vai dar tempo de encerrar a história nos 128 minutos que o filme tem. Mas o roteiro é agil! Tanto que além de se resolver muito bem, ainda sobra tempo para as brincadeiras da curiosa Midge (Barbara Bell Geddes). Não entendi direito a necessidade dela na trama, (talvez uma ligação de John com o mundo real), mas me diverti as pampas com sua presença. E para um pesadelo psicodélico, que não era visto desde que Dumbo ficou de pileque. 

Boa trilha sonora e  figurino completam a obra prima. Só a maquiagem que deu uma escorregada (que sombracelhas, hein, Kim!).

Dois filmes! Foi tudo que precisou para eu aprender duas coisas. Primeira, Hitchcock é o cara! E segunda, nunca guarde souvenirs de um assassinato.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Por que Um Corpo que Cai?

Para os leitores que ainda não sabem, a seleção de 50 filmes a que devemos assistir neste desafio vieram do Almanaque do Cinema Omelete. Escrito pelos "cozinheiros" do site Omelete, que fala de cinema música quadrinhos...

A idéia era imitar o desafio de Julie Powell (que resolveu cozinhar todas as 524 receitas do livro de Julia Child, durante um ano e registrar toda a experiência em um blog), então precisávamos de um livro base.

Mas é verdade, não gostamos de todos os filmes. Aliais isso seria impossível, e como todo bom blogueiro as vezes discordamos com alguns títulos da lista. O que não é o caso do filme da semana (ao menos para a blogueira que vos escreve). Mesmo assim aproveitamos que os "caras" que escreveram o livro fizeram uma indicação em vídeo, no OmeleTV (é eles tem um programa!), e publicamos aqui o vídeo que deve explicar, porque todo cinéfilo deve assisitir, Um Corpo que Cai.

P.S.: O final do vídeo tem uma parte de video-games, bem legal.

Érico Borgo, Marcelo Hessel, e Marcelo Forlani, explicando: Porque, um corpo que cai???

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quase um caso para os irmãos Winchester

Madeleine e o malfadado quadro de sua bisavó Carlotta

Hitchcok sabia prender a atenção do espectador. Já falei aqui nesse blog que eu sou fã de boas histórias, principalmente se elas são bem contadas. É o que acontece neste Um corpo que cai (Vertigo). Apesar do sono que eu sentia quando fui assistir, não consegui abandonar o filme. Mais que isso, despertei. Fiquei curiosa, queria saber o que ia acontecer. Adoro filmes assim.

Uma pequena sinopse: o detetive John Ferguson (James Stewart) se aposenta por sofrer de acrofobia (começou quando seu amigo morreu por tentar salvá-lo de cair de um prédio enquanto perseguiam um bandido). Um amigo que não via há muitos anos o propõe então um trabalho: seguir sua esposa Madeleine (Kim Novak), pois ele acreditava que ela estava sendo possuída pelo espírito da bisavó dela, Carlotta (?!). Mesmo sendo cético, ele aceita o trabalho e percebe que a esposa de seu amigo realmente tem um comportamento muito estranho, inclusive com tendências suicidas. Ainda assim, ele se apaixona por ela. Mas a loucura dela só aumenta, o que a leva a cometer suicídio. Ele ainda tenta impedir, mas não consegue salvá-la por não conseguir superar seu medo de altura. Um ano se passa até que ele consiga voltar para uma vida normal, até que ele encontra uma mulher extremamente parecida com sua amada. Começa então a se relacionar com Judy, mas sempre pedindo que ela fique cada vez mais parecida com a falecida. Apaixonada, ela aceita. Mas ela guarda um segredo: sabe de toda a história - fora contratada para enganar o detetive e fazê-lo crer que a morte de Madeleine fora suicídio, e não assassinato.

Eu acredito muito nessa história de que o mundo dá voltas, e que tudo tem um motivo e uma razão de ser. Também acredito que o destino conspira para a verdade. Posso ser ingênua ou fatalista, e aqui é só um roteiro de um filme, mas gosto quando consigo trazer as experiências que vejo nos filmes para a vida fora da telona: identificar-se com personagens, ver semelhanças entre casos reais e histórias criadas para entreter (ou fazer pensar). Se acontece mesmo, então funciona bem no roteiro. Acredito que a verossimilhança é o que faz a gente se comover com a história.

E o filme é cheio dessas "realidades", das paranóias que todos temos, dos medos tão reais e ridículos, das crenças no sobrenatural, das coincidências inexplicáveis. Não foi à toa que seu antigo colega o contratou para que seguisse a sua mulher. Ele sabia de seu medo de altura, sabia que era só criar o contexto certo para que seu crime fosse encoberto perfeitamente. Só não contava com a paixão que surgiria entre a atriz contratada e o detetive, e que eles se encontrariam novamente. Muito menos que o detetive conseguiria superar seu medo e desvendar o mistério, afinal. E aposto que ninguém que assiste o filme pela primeira vez espera a cena final do filme. Ah, sim. Tem outro ditado muito comum que eu também acredito muito: "aqui se faz, aqui se paga".

domingo, 27 de junho de 2010

Um Corpo que Cai

Poucos podem figurar mais de uma vez em nossa lista. É claro que Hitchcock é um deles!

Um Corpo que Cai
Vertigo- 1958- EUA
128min - Colorido
Suspense

Direção: Alfred Hitchcock

Roteiro: Alec Coppel e Samuel A. Taylor

Musica: Bernard Herrmann

Com: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones , Raymond Bailey, Ellen Corby, Konstantin Shayne, Lee Patrick, Isabel Analla, Jack Ano, John Benson, Margaret Brayton, Paul Bryar, Jean Corbett.

Baseado em um livro de Pierre Boileau e Thomas Narcejac.

25!

Parece até que foi ontem que topamos o desafio. Assistir 50 filmes clássicos durante o ano de 2010 e aproveitar a oportunidade para descobrir detalhes da produção, curiosidades, influências. O objetivo? Nos tornar cinéfilas melhores.

Metade do ano já passou (rápido!) e por incrível que pareça cumprimos a agenda. Assistimos a 25 filmes, de diferentes épocas e gêneros, e publicamos um total de  179 posts, entre resenhas, curiosidades, perfis, vídeos e até textos de convidados. Ultrapassamos 13.000 (!), visitas e conquistamos dezenas de seguidores via, Twitter, Facebook, Orkut, Dihitt e Google Friend.

O especial Semana do Orgulho Nerd, protagonizada por Star Wars bateu recordes de posts para comemorar uma data que nasceu graças ao cinema. Mas o post mais popular pertence a uma criatura deste planeta. Mitos de Tubarão recebeu 4.338 visitas.

Ufa! Quanta Coisa!

Mas foi só metade do caminho. Meninas, mãos a massa ainda faltam 25 filmes.

Confira a baixo, tudo que já rolou no DVD, Sofá e Pipoca, um projeto para formar cinéfilas melhores!


E o Vento Levou
Classico majestoso, mas não me conquistou, por Geisy Almeida
"Afinal amanhã é outro dia", por Fabiane Bastos
Filmaço (em todos os sentidos), por Giselle de Almeida
E o Vento Levou 2, curiosidades

Ferris é o cara!, por Geisy Almeida
Nosso dia de folga com Ferris, por Fabiane Bastos
Save Ferris!, Giselle de Almeida
Twist and Shout, vídeo
Você sabia?, curiosidades



O Poderoso Chefão 
Inesquecível, por Geisy Almeida
Encarando o padrinho, por Fabiane Bastos
Não é mais um filme sobre máfia italiana, por Giselle de Almeida
Poderoso e premiado, curiosidades



Metrópolis
Curiosidades de Metrópolis
Jura que foi rodado em 1927?, por Geisy Almeida
Radio Ga Ga, curiosidades
Conhendo a Metrópole, por Fabiane Bastos
Carnaval na Metrópole, curiosidades
Bastidores de Metrópolis, por Daniel Caetano
Cinema (mudo) é a maior diversão,, por Giselle de Almeida

Janela Indiscreta
Olhando pela janela, por Fabiane Bastos
Outras Janelas, curiosidades
Vamos dar uma espiadinha, por Geisy Almeida
Cheia de Graça, curiosidades
Viver a vida... dos outros, por Giselle de Almeida
Janela para uma época, por Daniel Caetano


Pulp Fiction
Reflexão também rima com diversão, por Geisy Almeida
You Never Can Tell, curiosidades
Banalidades, por Fabiane Bastos
You Never Can Tell - Versão Russa, curiosidades
Tarantino em sua melhor forma, por Giselle de Almeida


Tubarão
Suspense que não fica no óbvio, por Giselle de Almeida
Mitos de Tubarão, curiosidades
May day! May day!, por Geisy Almeida
Curiosidades de tubarão
Sem medo, mas com cautela, por Fabiane Bastos
Mandíbula premiada, curiosidades
Tubarão Trapalhão, curiosidades


Mágico de Oz
"Well... I guess we are not in Kansas anymore, Toto", por Geisy Almeida
Uma longa estrada de tijolos amarelos, curiosidades
Seguindo a estrada..., por Fabiane Bastos
Curiosidades de Oz, curiosidades
Inspirados em Oz, curiosidades
Recomendado para menores, por Giselle de Almeida
Além do arco-íris..., curiosidades
O lado sombrio de Oz, curiosidades







Lawrence da Arábia
O poder dos seus desejos, por Geisy Almeida;
Os prêmios de Lawrence, curiosidades;
No ritmo do deserto, por Fabiane Bastos;
Curiosidades do deserto, curiosidades;
Um homem perigoso, curiosidades;
Uma guerra particular, por Giselle de Almeida


E agora, José?, por Geisy Almeida;
Premios de 8½, curiosidades;
Confusão e apatia, por Fabiane Bastos;
8 curiosidades e ½, curiosidades;
Vai entender..., por Giselle de Almeida


Processo seletivo - bastidores do projeto, como escolhemos os filmes?

A Regra Do Jogo
Todo mundo mente - por Fabiane Bastos
Curiosidades do Jogo - curiosidades
Hipocrisia pouca é bobagem - por Giselle de Almeida
Um pouco mais do diretor: Jean Renoir - curiosidades
Terapia em grupo - por Geisy Almeida





Luzes da Cidade
Um pouco mais do diretor: Charles Chaplin - curiosidades
Simplesmente charmoso! - por Fabiane Bastos
Curiosidades em meio às luzes da cidade - curiosidades
Alegria e sutileza - por Geisy de Almeida
Uma comédia irresistível - por Giselle de Almeida
O que você não viu em Luzes da cidade - curiosidades

Semana do Orgulho Nerd -semana especial no DVD, Sofá e Pipoca!

Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança
Um pouco mais do compositor: John Williams - curiosidades
O começo do fim - por Geisy de Almeida
Colecionáveis: brinquedos - curiosidades
Dia do orgulho nerd - curiosidaes
Entendendo Star Wars - curiosidades
A Força persiste - por Fabiane Bastos
Colecionáveis: utilidades e decoração - curiosidades
Curiosidades estelares - curiosidades
C-3POscar!?! - curiosidades
É só o começo - por Giselle de Almeida
Colecionáveis: versões alternativas - curiosidades
Star Wars em imagens - curiosidades
Star Wars em vídeos - curiosidades

Touro Indomável 
Um pouco mais do ator: Robert de Niro - curiosidades
Ninguém é de ferro - por Geisy Almeida
Temperamento forte - por Fabiane Bastos
Violência gera violência - por Giselle de Almeida



Branca de Neve e os Sete Anões
#DevoConfessarQue - por Geisy Almeida
Curiosidades de Branca de Neve - curiosidades
Keep moving foward! - por Fabiane Bastos
Branca de Neve Reloaded - curiosidades
Outras Brancas de Neve - curiosidades
O início de uma era - curiosidades
Antes tarde do que nunca - Giselle de Almeida
My Prince Will Come - curiosidades

O Nascimento de uma Nação
A primeira superprodução americana - Geisy Almeida
Curiosidades de uma Nação - curiosidades
Mais tendencioso, impossível - Giselle de Almeida
Dificuldade Cinéfila - por Fabiane Bastos

Cantando na Chuva
Dont worry, be happy - por Geisy Almeida
Curiosidades de Cantando na Chuva - curiosidades
Carismático e Irresistível - por Fabiane Bastos
Bom dia do Burro - curiosidades
Um pouco mais do gênero: Musicais - curiosidades
Um musical de primeira - por Giselle de Almeida

sábado, 26 de junho de 2010

Um musical de primeira


Adoro quando Hollywood fala sobre Hollywood. Não só por curiosidade, já que, cada vez que isso acontece, os filmes mostram um pouquinho da história do cinema. Mas também, e principalmente, por causa da grande quantidade de ironia que acompanha histórias como a de Cantando na chuva. Vai dizer que a sequência inicial já não é demais? O grande Don Lockwood, agora um grande astro, contando seu glorioso começo na carreira, quando vemos que tudo não passa de um monte de mentiras. Ah, claro que biografias ficam muito mais charmosas quando certos detalhes são levemente melhorados, certo? O que vale no showbiz é mesmo a aparência.

E essa é só a primeira das muitas alfinetadas em estrelas com ego maior do que o talento, o peso que a publicidade tem na vida das pessoas, inventando até mesmo falsos relacionamentos, o preconceito do próprio meio para quem não é cria do teatro... Está tudo lá, muito bem costurado no ótimo roteiro. No número Make them laugh, a mensagem é ainda mais direta: "Você pode estudar e ser da elite, encantar os críticos e não ter nada para comer. Apenas escorregue numa casca de banana e terá o mundo a seus pés". Mas a melhor defesa do cinema, para mim, foi a sequência em que Don leva Kathy até o set e lhe mostra os truques fundamentais da sétima arte. É tudo mentira, sim, mas são só artifícios que garantem a magia do cinema. Lindo.

E os personagens não poderiam ser mais carismáticos. O primeiro diálogo de Don e Kathy, arrogante até o último fio de cabelo, é simplesmente delicioso. E já ali sentimos que os dois nasceram um para o outro. Não dá para torcer por um final diferente. Ainda mais quando descobrimos que, além de insuportável, Lina Lamont tem também uma hilária voz de pato rouco, e nem se dá conta disso. As cenas dela fazendo aulas com uma fonoaudióloga são divertidas, mas eu chorei de rir mesmo foi com O cavaleiro duelante, o filme dentro do filme. Ótima sacada mostrar o quão ridículo ficaria simplesmente colocar voz em um longa-metragem mudo, com aquelas atuações afetadas. Simples e muito eficiente. Ah, um parêntese: a sequência de Don e Lina trocando insultos enquanto simulavam uma cena romântica é ótima!


Não, eu não esqueci que se trata de um musical. É que, ao contrário de muitos exemplares do gênero, a história de Cantando na chuva é realmente boa. Mas os números de dança são espetaculares: Debbie Reynolds era graciosa, mas Gene Kelly e Donald O'Connor são de deixar qualquer um babando. Triste pensar que não temos mais atores/dançarinos assim hoje em dia. Mais um motivo para a gente rever este clássico um milhão de vezes. Coisa boa não envelhece.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um pouco mais do gênero: musicais

Cantando na Chuva pode até ser o mais famoso, mas não é o único musical da história. Aliás, nem mesmo o único da nossa lista. O mágico de Oz, de 1939, e Branca de Neve e Os sete anões, 1937, já figuraram nos post do blog e também se encaixam no gênero. Saiba mais sobre ele.

Presentes nas telonas desde que o cinema aprendeu a falar, os filmes musicais logo encontraram seu espaço na sétima arte. Não é de se admirar que o primeiro filme falado da história seja um musical. O Cantor de Jazz, de 1927, conta a história de um aspirante a cantor que sofre preconceito de outros artistas do jazz por ser branco.

A "era de ouro", dos musicais no cinema começou logo após a 2ª Gerra Mundial  e durou até os primeiros anos da década de 1960. As produções mais grandiosas e bem sucedidas do gênero, são dessa época,  inclusive Cantando na chuva. Nos anos seguintes, a produção diminuiu gradualmente. Nos anos de 1990, a maioria dos musicais eram filmes animados. 

Lançado em 2001, Moulin Rouge, foi o primeiro musical a ser indicado ao Oscar de melhor filme depois de 23 anos de jejum. O último musical indicado para melhor filme fora All that jazz - O show deve continuar, em 1979. O último a receber o prêmio foi Oliver, de 1968.

Moulin Rouge não levou o prêmio de melhor filme (venceu nas categorias direção de arte e figurino). No ano seguinte, Chicago faturou o prêmio, que um musical não recebia desde 1968. Desde então os musicais recuperaram seu espaço nas salas de cinema. Não tão grande quanto em sua época de ouro, mas significante o suficiente para receber uma homenagem na cerimônia do Oscar de 2009.

O anfitrião daquele ano, Hugh Jackman (o Wolverine), recebeu a ajuda de Beyoncé, Zac Efron, e Vanessa Hudgens (o casalzinho de High School Musical), Amanda Seyfield e Dominic Cooper (de Mamma Mia!), para apresentar um número homenageando os musicais. Em mais de 5 minutos, podemos ouvir trechos de canções de musicais de todas as épocas, com números de dança e uma quantidade de bailarinos que só mesmo Hollywood seria capaz de organizar.

Confira o vídeo abaixo, e veja quantas musicas consegue reconhecer.


Bom dia do Burro!

A lembrança mais antiga que tenho relacionada a Cantando na Chuva é do Cebolinha (da Turma da Mônica) sapateando como Gene Kelly, em uma chuva de moedas. Lembro que assistia em VHS, mas nunca entendi porque a água fora substituída pelo vil metal.

Procurando uma imagem da cena para ilustrar esse post descobri que o vídeo era na verdade uma propaganda da Caderneta de Poupança Haspa (tá explicado porque moedas!). E que poucas pessoas lembram do vídeo, por isso não existem vídeos ou imagens estáticas disponíveis.

Contudo, deu para perceber os poucos que se lembram, encontrados em fóruns na web, o tem como primeiro contato com o filme da semana. Será esse o segredo da longevidade do longa, ensinar a gostar desde que somos crianças?

Nesse caso faço a minha parte e deixo o primeiro contato para futuras gerações, com um representante de peso! O Burro de Shrek mostra como se deve dar bom dia, com sua própria versão de Good Morning (meu favorito). Logo abaixo a versão do filme.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Carismático e Irresisitível

Diversão até cansar!
Aprender assistindo filmes é muito fácil. E melhor, é divertido também. Cantando na Chuva se passa em uma época importante da história do cinema, quando os filmes aprenderam a falar. Os "talkies" (os filmes falados), chegaram desacreditados pelos donos de estúdios. Logo em seguida, encantaram as platéias causando uma correria nos estúdios para produzir a novidade.  Problemão para os atores, antes meros mímicos, agora tinham que decorar bons textos, falar bem e até cantar.

Don Lockwood (Gene Kelly), e Lina Lamont (Jean Hagen) são as maiores estrelas do cinema mudo da Monumetal Pictures, e também precisam "começar a falar". Entre problemas técnicos e de sincronia o maior deles é a falta de talento de Lina. Aula de cinema melhor impossível!

Achou pouco? Don se apaixona pela adorável e talentosa Kathy Selden (Debbie Reynolds). Muito bem acompanhado por ela e seu fiel e hilário amigo Cosmo (Donald O’Connor) ele consegue superar todas as diversidades dançando e cantando, na chuva se preciso!

E como dançam! Números grandiosos e bem coreografados. Músicas gostosas de ouvir, e de cantar junto. Difícil crer que foram escritas na década de 1920. Mas sou suspeita para falar. Adoro musicais! Pessoas cantando e dançando, em qualquer lugar, sem motivo aparente? O mundo real devia ser mais assim.

Musica de graça: a história congela para a cena
Romance, diversão e música e dança, só com isso o filme já seria divertido. Combinado com o esmero da produção para recriar os anos de 1920, o charme de Gene Kelly, a carinha de boneca e o jeitinho doce de Debbie Reynolds, fica impossível resistir ao longa. E ainda  sequer mencionei o show de atuação, do elenco de apoio. Estou falando da diva criada por Jean Hagen para a Lina e para o divertidíssemo e irônico Cosmo de Donald O’Connor. 

A combinação tem tanto carisma, que nem nos importamos de perder longos minutos assistindo a longa cena da Broadway. A trama simplesmente congela para que possamos assistir uma luxuosa sequência do filme, dentro do filme. Alguém se aborrece? A ansiedade para saber o filme da história passa, assim que nos encantamos com as cores, a dança...

Tá chovendo lá fora: vou aderir!
Voltando para o século XXI. Em tempos de 3D invadindo as telonas, impossível não comparar nossa época com a transição dos mudos para os "talkies". Será que daqui a alguns anos todos os filmes serão em terceira dimensão? Ou é só modismo?

Cantando na Chuva pode até ser lembrado pelo número de Gene Kelly cantarolando e sapateando feliz em um temporal, mas está longe de ser um filme de apenas um número. Tem romance, comédia, muita música, aprendizado e de quebra ainda nos faz sentir bem, a ponto de pessoalmente nos arriscamos na chuva.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Curiosidades de Cantando na Chuva

Cantando na Chuva ocupa a primeira colocação na Lista dos 25 Maiores Musicais Americanos de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI) e divulgada em 2006.

Trilha sonora, guarda-chuvas e capas de chuva do filme podiam ser comprados na época do lançamento, que também envolveu muita publicidade tudo para recuperar os 2 milhoes e meio de dólares que o filme custou. Apenas com a bilheteria da época o longa faturou 7.7 milhoes.
Apenas duas músicas foram especialmente compostas para o filme: “Moses” e “Fit as a Fiddle”. Todas as outras canções, compostas por Arthur Freed, já haviam sido usadas em produções da MGM. “Singing in the Rain” já havia aparecido no filme “The Hollywood Revue” de 1929.
 
O roteiro foi escrito para se encaixar as músicas, compostas por Arthur Freed durante a década de 20, logo os produtores do filme decidiram que o filme também devia se passar nessa época.
 
Falando no roteiro o original não incluía a cena onde Gene Kelly cantarola feliz na chuva. Originalmente a música seria apresentada, pelo trio Don Kathy e Cosmo logo após o fracasso do filme de Don. Alguns ajustes depois e a cena recebeu a musica "Good Morning". Deixando “Singin’ in The Rain” livre pra o solo de Gene e para se tornar uma das sequências mais famosas do cinema.
 
A água que cai da chuva, na sequência de “Singin’ in The Rain” foi misturada a litros e litros de leite. A intenção era dar maior destaque a chuva, fazendo dela um personagem importante na filmagem. Antes da gravação desta cena, Gene Kelly estava com 38 graus de febre, mas resolveu ir adiante depois de fazer uma sessão de acupunctura com o Dr. Victor Carneiro(o que teria supostamente resolvido o problema).

O primeiro ator cogitado para o papel de Cosmo Brown foi Oscar Levant, mas os produtores queriam um dançarino, Donald O'Connor foi perfeito para o papel. Seu solo "Make them laugh", foi totalmente inspirado em "Be a Clow", musica de outro filme da MGM. Foi inserido apenas para dar espaço para Donald mostrar todos os truques que aprendera desde a infância.

Debbie Reynolds, tinha apenas 18 anos na época das filmagens. Ela precisou de 3 meses de ensaio para aprender os números do filme, não era dançarina. Inexperiente esfregou cebola nos olhos para a cena final onde precisa chorar. Anos depois ela afirmou que não precisava mais do truque. Estudou e aprendeu a chorar.

Cid Charisse, a dançarina que divide a cena com Don nas filmagens do filme, dentro do filme, aprendeu a fumar especialmente para a cena do bar. Depois de 2 ou 3 takes, disse chega e nunca mais pôs um cigarro na boca.

Falando do filme, dentro do filme. Para o final da cena de dança moderna em Hollywood foi usado um estúdio maior que 2 campos de futebol.


Jean Hagen não foi a primeira escolha da MGM para interpretar Lina Lamont. Com ela rouba a cena cada vez que aparece, sua interpretação lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1953.

Falando em prêmios. Indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz Coadjuvante, para Jean Hagen, Cantando na Chuva, não recebeu nenhum. Mas, levou o Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia/Musical para Donald O'Connor, o Cosmo.

A senquência musical onde Cosmo encontra Kathy, apresenta um pequeno desfile de moda. Este foi incluído para "exibir o trabalho de Walter Plunkett, figurinista de grandes filmes da MGM.

Algumas das roupas utilizadas em Cantando na Chuva foram utilizadas posteriormente em outro filme, Deep In My Heart, de 1954.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Don't worry, be happy.

Sabe aquela história de que 'se uma coisa vai mal, ela pode piorar'? Então. Cantando na chuva (Singin' in the rain) é um filme que te ensina a não se desesperar. Não importa se o seu trabalho não é reconhecido hoje, amanhã ele será mais importante do que nunca. Não importa se hoje você tem que sair de um bolo para animar festas de aniversário, amanhã ocê será a grande estrela. Não importa se hoje você foi desmoralizado em sua arte, amanhã você vai provar que tem talento e que é realmente grande. Cada um tem um papel a cumprir, uma função a exercer e todos são necessários para o sucesso. Uma bela lição de esperança.

Uma das cenas mais lindas (e menos lembradas) do filme


Com certeza esse é um dos filmes mais deliciosos de se assistir de todos os tempos. Tudo encanta: os cenários grandiosos, o roteiro simples e eficiente, a aula sobre cinema e sobre como eram feitos os filmes mudos e a transição para os filmes falados, as atuações, as danças, as músicas. O clima leve vai do início ao fim, pitadinhas de sarcasmo se misturam a um lirismo tocante das cenas românticas, o vigor dos números musicais. Adoro!


A estrela Lina Lamont sendo dublada pela desconhecida e talentosa Kathy Selden


A história do filme é basicamente simples: conta os percalços da transição do cinema mudo para o falado, com todos os problemas que essa adaptação causava - principalmente na vida dos grandes astros Don Locwood (Gene Kelly, maravilhoso) e Lina Lamont (Jean Hagen, ótima). Até então, para ser ator de cinema, não era necessário ter boa voz ou dicção. Nem mesmo o texto dos atores precisava ser caprichado. Por isso atrizes como Lina eram grandes estrelas: ela era linda, e isso bstava. Uma alfinetada de mestre, não acham?


Cosmo Brown (Donald O'Connor) e sua sequencia hilariante

Minha sequencia preferida é uma das primeiras, em que Cosmo (Donald O'Connor, hilário) canta "Make them laugh". É de rolar de rir. Outra que também me encanta é a clássica dança na chuva. É tão característico essa felicidade boba, que faz a gente querer sair dançando na chuva, quando a gente está apaixonado... E quem nunca teve vontade de sair pulando em poças d'água quando era criança? Acho que é por isso, por essa felicidade genuína que Don transmite que essa cena é tão memorável. E o que falar de Debbie Reynolds? Com aquela carinha e voz de anjo é impossível não se encantar por sua Kathy Selden, a moça sonhadora e batalhadora que se faz de difícil, mas que não resiste ao charme de Don Locwood (também, quem resistiria?).

A cara da felicidade! Que vontade que dá de sair dançando assim na rua!

Quem nunca cantou ou dançou na chuva realmente não sabe o quanto é bom fazer isso. Pode estar o dia mais quente e ensolarado do verão, mas, se chover, vá para a rua dançar e cantar, o mais alto que puder. É legal. E se olharem para você com a quela cara de "esse cara tá doido", diga que você viu o filme e está recriando umas das mais belas cenas do cinema americano. Ou, simplesmente faça com Don, que olha para o guarda e justifica cantando: 'só estava cantando e dançando na chuva'.

domingo, 20 de junho de 2010

Cantando na Chuva

Diga rápido o nome de um filme musical!
Aposto que falou o nome do nosso filme da semana.
Preparem as capas de chuva, as galochas e os guarda-chuvas, para o musical mais famoso de todos.

O nosso 25º filme! Metade da lista já foi.

Cantando na Chuva
Singin' in the Rain- 1952 - EUA
103min - Colorido
Musical

Direção: Stanley Donen e Gene Kelly

Roteiro: Adolph Green e Betty Comden

Musica: Nacio Herb Brown e Lennie Hayton

Com: Gene Kelly, Donald O'Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen, Millard Mitchell, Cyd Charisse, Douglas Fowley, Rita Moreno, Dawn Addams, John Albright, Betty Allen, Sue Allen, Marie Ardell, Bette Arlen, Jimmy Bates

sábado, 19 de junho de 2010

Dificuldade Cinéfila

Essa não! Não consegui ver o filme da semana!!!
Sentiu falta da minha resenha essa semana? Pois é! Demorou mas finalmente aconteceu. Fiquei de fora do sofá e não consegui assistir O Nascimento de uma Nação.

Diferente de minhas colegas de blog que vivem na Cidade Maravilhosa, a blogueira que vos escreve mora em uma cidade mais modesta. Nas locadoras de Magé filmes como Coraline e o Mundo Secreto e O Labirinto do Fauno, são considerados desnecessários. Ao menos são conhecidos, quando pedi A Viagem de Chihiro, o atendente me mandou ir a farmácia. Imagina encontrar um filme de 1915! (Pessoalmente desisti quando descobri que não tinham Tubarão, TUBARÃO!)

Procurei nas cidades vizinhas e até em meios menos recomendáveis ou mesmo lícitos (É! Tentei baixar na Internet. Não gosto mas, fazer o que!). Tentei de todas as maneiras possíveis e imagináveis, mas não teve jeito. É meu, o primeiro "bolo" no desafio!

Admito minha derrota, mas vou continuar procurando o longa (sabe onde encontrar? Me conte!), e prometo uma resenha atrasada. Ao menos meu fracasso serviu para evidenciar os dois maiores problemas enfrentados por cinéfilos:

O primeiro é o domínio dos blockbustes no mercado. Comum em locadoras de pequeno porte, e mais grave ainda em cidades que só contam com locadoras assim. Homem-Aranha, Sr. e Sra. Smith, sempre chegam com múltiplas cópias. Contudo se você curte um Watchmen ou Oito Mulheres talvez você precise comprar sua cópia. O lema é: se aluga pouco, não vale a pena ter cópia.

Quando o filme é novo dá-se um jeito. Compramos, emprestamos, alugamos... Mas e quando o filme é antigo? O segundo problema afeta até quem mora em grandes cidade com uma infinidade de locadoras a disposição.

Filmes antigos, são difíceis de encontrar! Se o título for nacional então...
A Internet ajuda, mas a qualidade das cópias muitas vezes é ruim, assistir no pc não é tão legal quanto no confortável sofá da sala. E o bom cinéfilo, ainda fica com a pulga atrás da orelha, é pirataria!

Como culpar os pirateiros se esse é o único modo de ter acesso a alguns filmes? Os autores que me perdoem, não estou fazendo dinheiro as suas custas, e nem prejudicando vocês. Apenas quero conhecer, as obras que tanto defendem. Ufa! Desabafei.

E você, caro leitor cinéfilo? Quais as dificuldades que encontra para exercer sua cinefilia?

Prometo uma boa resenha para o próximo filme, que além de comemorar uma data importante aqui no blog, já está muito bem acomodado em minha estante. Não tem como eu faltar! Ficou curioso? Volte amanhã  e descubra o filme da semana e o que ele comemora!

Até!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Mais tendencioso, impossível

Confesso que ainda estou chocada com O nascimento de uma nação. Embora há que se reconhecer seu pioneirismo, essencialmente técnico - e por este motivo, está nesta lista de clássicos -, o conteúdo chega a ser nojento de tão racista, tendencioso e manipulador. O pior é pensar que ele não apenas refletia o pensamento preconceituoso da época, mas deve ter ajudado a reforçar essa visão torta da história americana por algumas gerações. E sabe o que é mais impressionante? Não consegui abandonar o interminável longa de D. W. Griffith antes do final. E o negócio ia ficando cada vez pior. Era tanto assunto para o blog, que passei a anotar num caderninho. É bom escrever sobre o que te agrada, mas é melhor ainda sobre o que você detesta...

"Se conseguirmos transportar os horrores da guerra para suas mentes, este trabalho não terá sido em vão. A chegada dos africanos à América trouxe a primeira semente da discórdia". Pretensioso, né? Além de parcial desde a primeira cartela (o texto inserido nos filmes mudos): em  outras palavras, os negros são a causa de todos os males. Afinal, uma das principais questões da Guerra Civil americana envolvia justamente a escravidão, permitida no sul do país. É só a primeira farpa, já que descobrimos, a seguir, que os coitadinhos dos brancos foram os que mais sofreram. Através da família Cameron, acompanhamos o drama deles: além de mandarem seus filhos para morrer nas batalhas, ainda perderam tudo que tinham: "A última de suas estimadas posses será vendida por uma causa perdida". É o que lemos quando a irmã mais nova tem que se desfazer de seu vestido mais bonito e passa a se vestir com farrapos.

E aí, o que vemos são negros invadindo casas e destruindo cidades. Aliás, atores brancos pintados de negros, o que torna tudo ainda mais ridículo. Além de forçar os lábios para que eles parecessem maiores, eles ainda falavam errado. Todos os erros da linguagem apareciam na cartela correspondente, claro, só pra reforçar a mensagem de que eles eram mesmo inferiores. Daí pra frente, é um panfleto político: se Griffith fosse vivo hoje, ninguém lembraria do Duda Mendonça na hora de fazer uma campanha presidencial. É um tal de "Abraham Lincoln, o grande coração" pra lá, "a generosa caridade do Norte" pra cá. Eca.

Só dou minha mão à palmatória ao diretor pela coragem de tentar fazer cenas de batalha. Tudo bem que era meio improvável que um sujeito segurando a bandeira da União ficasse lá parado no meio do fogo cruzado, mas imagina trabalhar com aquele monte de figurantes, uma única câmera sem muitos recursos, em 1915... O resultado é bem precário, mas foi um começo.
No segundo DVD (!), comecei a suspeitar que a parte ruim tinha terminado e que agora o filme penderia para o romance chaaaato entre Elsie, a filha do parlamentar Stoneman, e o coronel Cameron. Se fosse assim, eu só teria que reclamar das péssimas atuações de alguns dos atores, mas a situação fica ainda mais grave. Neste momento da história, os negros conquistam os mesmos direitos dos brancos, e ganham lugar inclusive na Assembleia Legislativa. Mais uma alfinetada, mostrando os novos livres como gente sem modos, tirando os sapatos em plena sessão. Óbvio que os brancos não gostam nadinha... 



E é aí que surge a trama mais revoltante de todo o filme: o coronel tem a brilhante ideia de criar a Ku Klux Klan, que serviu para "salvar o Sul da anarquia dos negros". Oi? É, isso mesmo que você leu. A KKK não era uma seita de assassinos racistas e sanguinários, mas um grupo que pretendia manter a ordem. É por isso que o único negro que vemos morto por eles em todo o filme não é simplesmente executado: acusado da morte da irmã do coronel, ele passa por um "julgamento" e sua morte serve de aviso aos demais negros. Em primeiro lugar, ele não foi responsável pela morte da jovem. Depois, usar isso como atenuante para seus crimes é como se justificássemos o julgamento do tráfico, que manda para o micro-ondas quem desobedece suas leis. Deu pra entender o absurdo da situação?

Quando eu acho que já chegamos ao máximo da manipulação, vem a pior parte: a sequência final é de embrulhar o estômago, mostrando os cavaleiros da KKK literalmente como heróis. São eles que resgatam a mocinha, o amor do coronel, dos braços do vice-governador mulato, que queria uma esposa branca. E são eles que resgatam a família Cameron, presa em uma cabana, sob a ameaça de dezenas de negros armados e enfurecidos. Atenção para o detalhe: nenhum massacre, nenhum derramamento de sangue, nenhum negro assassinado. Segundo Griffith, os negros foram somente desarmados pelos nossos nobres cavaleiros, defensores da paz. Simples assim. Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo.

Apesar de discordar do filme do começo ao fim, acho que assistir ao longa é uma experiência válida. O nascimento de uma nação é daqueles exemplos de como não fazer cinema, ou qualquer outra arte. Senso crítico é fundamental e não faz mal a ninguém.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Curiosidades de uma Nação

Griffith usou o livro The Clansman de Thomas Dixon como base para o roteiro. Ele concordou em pagar US$10 000 pelos direitos autorais da obra, mas acabou ficando sem dinheiro e pôde pagar apenas US$2 500 do prometido ao autor. Foi então que ele ofereceu a Dixon 25 porcento do lucro do filme nas bilheterias. Dixon aceitou relutantemente e mais tarde se tornou o autor mais bem pago pela adaptação de uma obra em filme da história. Chegando a receber mais de 3 milhões de dólares.

Até o lançamento de The Big Parade em 1925, O Nascimento de uma Nação foi o filme mais lucrativo de todos os tempos, conseguindo mais de 10 milhões de dólares americanos nas bilheterias do mundo todo (o que seria mais de 180 milhões de dólares dos dias atuais).

O orçamento inicial era de US$40 000, mas o filme acabou custando US$110 000 (US$2 000 000 em 2006). Como resultado, Griffith se pôs constantemente a procurar novas fontes de capital para terminar a produção. Um tíquete para o filme custava o preço recorde para a época de US$2 (US$36 em 2006). No entanto, o filme se permaneceu o mais rentável de todos os tempos até o lançamento de The Big Parade em 1925.

Foi o 1º filme na história a ultrapassar os 100 minutos de duração.

Pioneiro em várias técnicas como o close-up facial, a focalização profunda, fundamentais para a arte de fazer cinema. Também contém várias inovações cinemáticas, efeitos especiais, e técnicas artísticas, incluindo uma sequência colorida no final.

Apesar do filme fazer uso de alguns atores afro-americanos, a maioria dos negros foram interpretados por atores brancos com as caras pintadas de preto. Qualquer personagem negro que dividisse uma cena com uma atriz branca tinha que ser um ator branco com a cara pintada de preto. 

O uso excessivo de bombas de fumaça teve o objetivo de tornar obscura a maior parte do campo de batalha.

Os diretores John Ford e Raoul Walsh possuem pequenos papéis no filme.

Em Los Angeles foi lançado com o título "The Clansman", semelhante ao livro que serviu de base.

Devido ao seu conteúdo racista, O Nascimento de uma Nação foi banido em várias cidades importantes dos Estados Unidos, como Los Angeles.

Foi o 1º filme a ser exibido na Casa Branca, para o na época Presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson.

Em 1921 e 1927 foram lançadas nos cinemas novas versões do filme, refletindo mais as questões políticas da trama. Já em 1931 foi lançada uma versão menor, com 169 minutos, que possuía também uma trilha sonora tocada por uma orquestra.

Por estas e outras razões, entrou no número 44 na Lista dos Maiores Filmes Americanos de Todos os Tempos do Instituto Americano de Cinema (o AFI) em 1998.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A primeira superprodução americana

Desespero na guerra: heroísmo ou loucura?

Fiquei impressionada ao ler um pouco mais sobre o filme de D.W. Griffith e descobrir que esta foi a primeira superprodução americana. O filme é realmente grandioso, produção supercaprichada. Mas não é um filme fácil de agradar. Eu identifiquei três motivos pra "justificar" o meu parecer de "não gostei".

Primeiro: o filme é chato porque fala de um tema totalmente alheio a nós, brasileiros - a Guerra Civil americana, sulistas versus nortistas, blablabla. A gente já tem que aguentar muitos filmes americanos patriotas passando quase todo dia na telinha (vide a quantidade de vezes que Coração Valente passa na "Sessão de Sábado"), então confesso que não tenho mais paciência para o tema. Tudo bem que hoje a gente pode dizer que o tema está "batido", mas nos Estados Unidos de 1915, não era (e eu entendo isso). Mas, mesmo assim, assisti. De má vontade.

Segundo motivo: a trilha sonora, instrumental, não "casa" muito bem com as cenas em certas sequencias e, pra mim, é absolutamente irritante. Na época os filmes eram mudos, mas isso não quer dizer que a trilha necessite preencher todos os espaços. E, infelizmente, é isso o que acontece no filme.

E terceiro: o filme tem um viés raivoso, preconceituoso até a raiz dos cabelos. A família do sul é retradada sendo levada à bacarrota, destruída pela guerra - não com aquele ar de "olha o que a luta entre 'irmãos' fez com as famílias americanas", mas como se os sulistas tivessem razão e não fosse justo que eles tivessem perdido. Apesar de não gostar muito do tema, é óbvio que a gente aprende um pouco sobre a guerra civil - seja na escola ou no filme do Mel Gibson - e sabe que os sulistas eram contra a libertação dos escravos, um dos motivos para o início da guerra. Então, não dá pra engolir que, depois que o Norte ganha e o Sul é devastado, a Ku Klux Klan vai instaurar a ordem e a paz na região.

Mas eu tenho que ser justa com um filme de tal magnitude. Eu fui antipática desde o início, quando vi que se tratava de um tema que não gosto e por achar (no mínimo) estranho o argumento do diretor. Mas achei interessante alguns recursos usados, como as cenas de guerra serem vermelhas e dor que as fortes cenas de morte e corpos dilacerados transmitem (gente, era um filme de 1915!). Como o próprio diretor afirma, se ele conseguisse transmitir todo o horror que a guerra causou, então ele estaria satisfeito e o filme teria feito a sua parte. Além do mais, se não fossem essas primeiras grandiosas cenas de guerra, não haveria nenhum "Senhor dos Anéis" na história do cinema.