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formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Fé, orgulho e preconceito

Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua esposa (Glória Meneses): quanto vale a sua fé?

Algumas palavras são difíceis de ser explicadas e mais ainda de serem compreendidas. Fé é uma delas. Difícil fazer alguém que não acredite em qualquer deus ou divindade entender o que move aquele que tem fé. A mão inversa também é igualmente difícil de se compreender: como algo tão simples quanto seguir com sua fé pode ser tão complicado ou até mesmo errado? É assim que pensa Zé do Burro (Leonardo Villar, magnífico!). Ele havia feito uma promessa a Santa Bárbara para salvar seu burro Nicolau, e sua intenção era agradecer a graça recebida. Seu burro havia se salvado, então nada mais justo que ele cumprir sua palavra: era só deixar sua cruz aos pés do altar-mor da igreja da santa. Volta pra casa, pro seu burro, pra sua vida normal.

Mas nada nessa vida é fácil, e Zé do Burro - mesmo acostumado com as agruras de viver no interior - não estava preparado para um dos maiores complicadores de vida que existem: a ignorância. O padre da igreja até considerou de boa fé o sacrifício do pobre homem, mas ao descobrir que a promessa fora feita num terreiro de candomblé tudo mudou de figura. Qualquer outra palavra dita pelo homem só o faziam crer que tudo aquilo era 'obra de satanás'. E Murphy tá aí pra nos lembrar que nenhuma desgraça chega sozinha, e que tudo sempre pode piorar. Os aproveitadores de plantão estavam por toda a parte: o cafetão boa pinta que se engraçava para a esposa cansada de tanto sofrimento, o repórter que precisava de uma boa manchete, o dono do bar que lucrava com o aumento da clientela que ia lá só para ver o homem que estava proibido de entrar na igreja. De uma hora pra outra, Zé do Burro passou de um humilde roceiro a um herege-'falso-profeta'-curandeiro-revolucionário-comunista-'corno-manso'. Tudo havia fugido ao seu controle. Mesmo quando lhe foi oferecida a oportunidade de trocar sua promessa, ele se manteve firme - apesar de toda humilhação, de todo sofrimento, de toda fome, dor e cansaço da viagem de 7 léguas até ali.

Cenas impactantes, questionamentos profundos: uma aula de cinema e reflexões para a vida toda

O filme inteiro é uma ácida crítica à intolerância religiosa, ao oportunismo da imprensa, à toda sorte de malandros que estão à espreita. Tudo o que o homem pretendia era seguir sua vida, realizar uma tarefa e pronto. Mas tudo o que aconteceu o levou a duvidar de todos, de tudo, de si próprio, da própria fé. A degradação do espírito de Zé do Burro é gradual, e percebemos todas essas nuances na interpretação comovente e espetacular de Leonardo Vilar. O texto e o argumento de Dias Gomes é fantástico e foi inacreditavelmente bem adaptado. O filme mostra basicamente um dia na vida na vida do casal (após o registro da promessa e da caminhada, eles chegam à porta da igreja de madrugada) e poderia ter sido muito chato. Ou pendido para qualquer lado, levantado qualquer bandeira - a fé cega do pagador de promessas, o orgulho da igreja decadente, a crítica à imprensa sensacionalista e vendida à política, a intolerância religiosa.

Zé do Burro finalmente entra na igreja e cumpre sua promessa

A fotografia em preto e branco dialoga com a cena (a igreja fica quase sempre na penumbra, deixando nas entrelinhas o arcadismo da instituição - e isso é só um exemplo), as tomadas de ângulos diferentes, as interpretações seguras e bem dirigidas (abro um único parêntese para Othon Bastos, que faz um jornalista um tanto teatral demais) são mérito absoluto do diretor Anselmo Duarte, que equilibrou com maestria todos esses assuntos espinhosos sem levantar nenhuma bandeira e sem deixar de falar nada. Acho que é por isso que o filme é tão reverenciado, aqui no país e fora: extremamente bem feito, equilibrado, com atuações marcantes e um argumento simples - os desdobramentos é que se complicam sozinhos. Assim como a vida.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Brasileiros indicados ao Oscar

Apesar da lista não ser muito extensa, um mês é pouco para conhecer todos os filmes brasileiros indicados ao Oscar. Confira a lista completa de indicados e vencedores até o ano de 2012.

1944
Melhor Canção Original - Ary Barroso por "Rio de Janeiro" do filme Brazil (indicado)

1959
Melhor filme estrangeiro – Orfeu Negro (vencedor)
Obs.: Apesar de ter sido filmado no Brasil, contar com atores brasileiros e ser falado em português, o Oscar considerou ser esse um filme francês, por conta da nacionalidade de seu diretor, Marcel Camus.

1962
Melhor filme estrangeiro – O Pagador de Promessas (indicado)

1985:
Melhor filme – O Beijo da Mulher-Aranha (indicado, co-produção americana)
Melhor diretor – Hector Babenco por O Beijo da Mulher-Aranha (indicado, argentino)
Melhor ator – William Hurt em O Beijo da Mulher-Aranha (vencedor, americano)
Melhor roteiro adaptado – Leonard Schrader por O Beijo da Mulher-Aranha (indicado, americano)

1995
Melhor filme estrangeiro – O Quatrilho (indicado)

1997
Melhor filme estrangeiro – O Que É Isso, Companheiro? (indicado)

1998
Melhor filme estrangeiro – Central do Brasil (indicado)
Melhor atriz – Fernanda Montenegro em Central do Brasil (indicada)

2001

Melhor curta-metragem – Paulo Machline por Uma História de Futebol (indicado)

2003
Melhor fotografia – César Charlone por Cidade de Deus (indicado,uruguaio radicado no Brasil)
Melhor direção – Fernando Meirelles por Cidade de Deus (indicado)
Melhor edição – Daniel Rezende por Cidade de Deus (indicado)
Melhor roteiro adaptado – Bráulio Mantovani por Cidade de Deus (indicado)

Central do Brasil
2004
Melhor curta-metragem de animação – Carlos Saldanha por Gone Nutty (indicado)

2011
Melhor documentário - Lixo Extraordinário (indicado)

2012
Canção original - Real in Rio de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown do filme Rio. (indicado)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bolão do Oscar 2012: o vencedor

Cerimônia chata, vestidos apagadinhos, nada de gafes. Ainda bem que eu tinha a contagem do Bolão do Oscar 2012, e comentário ao vivo aqui no blog, para me manter acordada. Entretanto, resolvi esperar amanhecer, e o sono diminuir para contar os votos.

A disputa foi acirrada e ficou empatada durante quase toda a cerimônia.Nenhuma categoria foi unanimidade entre os blogueiros votantes. E como no ano passado, ainda teve quem votou apenas nas categorias principais.

Os lanterninhas do nosso cinema fora a Geisy Almeida (Mundinho Pop nonsesne) e Antônio Nahud Júnior (Falcão Maltês). Embora este último tenha votado em apenas 14 das 24 categorias.

Em seguida vieram
Rodrigo Mendes (Cinema Rodrigo) - 9 acertos
Danielle Carvalho (Filmes, filmes, filmes) e Fabiane Bastos (Ah! E por falar nisso...) - 11 acertos
Paulo Neto (Palcos e Telas) e Lê (Crítica Retrô) - 14 acertos

O careca "prateado" ficou dividido com Matheus Pereira (Pipoca Net) e Giselle de Almeida (Comentar é preciso), com 17 acertos cada!

Apenas 1 acerto de diferença de 
Película Criativa
(blog homônimo)
o grande palpiteiro da noite. Ele acertou nada menos que 18 categorias! E vai receber sua grande honraria, o selo de vencedor (também conhecido como "sou melhor que vocês hehehe"), diretamente em seu blog.

Parabéns a todos, os participantes. Vocês são cinéfilos e palpiteiros de 1ª!

Até o Oscar 2013!!

P.S.:Podem pedir recontagem de votos, mas,novamente, é muito provável que eu fique com preguiça de contar tudo de novo!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Live tweet Oscar 2012

Já que fizemos um mês inteirinho dedicado ao prêmio da academia, resolvemos assistir a cerimônia de 2012  no mesmo sofá (ou quase). Realizamos um bate-papo sobre os prêmios, os vestidos, os discursos e tudo mais que passou pelo tapete vermelho.

Se você dormiu, afinal a cerimônia não foi das mais animadas, confira tudo que rolou por lá e por aqui!


A cerimônia de entrega do Oscar acontece esta noite. Os cinéfilos brasileiros podem assistir a transmissão na TNT ou metade dela na Globo.

O Pagador de Promessas

Fé, preconceito, política. Muitos são os temas polêmicos do filme escolhido na enquete do mês Brasileiros no Oscar.

O Pagador de Promessas
Brasil, 1962
95min, P&B
Drama.

Direção: Anselmo Duarte

Roteiro: Anselmo Duarte

Música: Gabriel Migliori

Elenco: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Norma Bengell, Geraldo Del Rey.

Baseado em peça homônima de Dias Gomes.

Bolão do Oscar 2012: os Concorrentes

As apostas foram feitas! 10 participantes concorrem pela extraordinária honraria de ser o melhor palpiteiro cinéfilo da blogsfera. O resultado só sai amanhã,enquanto isso confira os palpites de todos os participantes.

Clique nas imagens para ler os posts


por Fabiane Bastos
por Rodrigo Mendes
por Danielle Carvalho



por Antônio Nahud Júnior

por Paulo Neto
por Matheus Pereira


por Lê

por Giselle de Almeida
por Geisy Almeida

por Película Criativa


A cerimônia de entrega do Oscar acontece esta noite. Os cinéfilos brasileiros podem assistir a transmissão na TNT ou metade dela na Globo.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mitologia para francês ver


Antes de ver Orfeu negro, eu achava uma injustiça o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1960 ter ficado com a França, apesar de esta ser uma produção franco-ítalo-brasileira, rodada no Rio de Janeiro e falada em português. Agora posso dizer: a Academia nos fez um grande favor. Porque o longa de Marcel Camus em nada representa a cultura tupiniquim e nem faz jus à obra de Vinicius de Moraes. Melhor torcer que a estatueta venha para o Brasil com um filme, no mínimo, decente.

As primeiras cenas já indicam que o que viria a seguir: carnaval e as belezas cariocas, praticamente um vídeo institucional de turismo temperado com o que há de pior dos clichês que os gringos gostam tanto.  Segundo Camus, todos os cariocas andam alegres e saltitantes, seja para pegar o bonde ou ir a um cartório. E o pior é que não há um mísero figurante que saiba sambar de verdade... Ninguém precisa de dinheiro também, já que se pode fazer compras na vendinha com tranquilidade se a moça der um beijo no dono do armazém. A vida é uma festa. Mas a situação consegue ficar ainda pior. À parte a visão deturpada da vida nos morros e asfaltos do Rio, estrago que poderia ser minimizado com a presença de algum produtor de bom senso, sobra um fiapo de roteiro, com diálogos mal trabalhados e sem sentido, além de atuações constrangedoras. 


Na trama, baseada na peça de Vinicius e roteirizada pelo próprio Camus e por Jacques Viot, o personagem-título vivido por Bernardo Mello é um motorneiro, noivo de Mira (Lourdes de Oliveira), que se apaixona pela bela Eurídice (a americana Marpessa Dawn, mulher do diretor) num instante. Além do ciúme de Mira, os dois têm como obstáculo principal a Morte (Ademar da Silva) que persegue Eurídice sem descanso, o que leva o casal a um final trágico. Pela sinopse, pode até parecer que restou do mito original um pouco de poesia na transferência do Olimpo para o Morro da Babilônia. Mas nem isso. Creio que Orfeu e Eurídice se matariam de vergonha, isso sim.

Em meio a um elenco totalmente inexpressivo, a única exceção é Léa Garcia, como Serafina, prima de Euridície. Leve e divertida, ela faz o que pode para defender sua personagem, mesmo que o filme insista em ter um tom de musical da Disney. Pena que tanto esforço não seja suficiente para sustentar uma história sem base como essa, mas a dupla de roteiristas confia plenamente que todo o espetáculo visual garantido pelas paisagens cariocas e pelo carnaval baste. E Camus gasta tempo à beça filmando escolas de samba como Portela e Mangueira, torcendo para que o espectador esqueça que a trama não se desenvolve.


Outro "trunfo" do diretor é a trilha sonora: músicas como "Manhã de carnaval" e "A felicidade" eram o fator que faltava para transformar o longa em produto de exportação. E aqui é preciso reconhecer: talvez esta seja a única qualidade dessa produção, equivocada do início ao fim. Já no desfecho, chega a ser bonito ver dois meninos empunhando o violão de Orfeu para fazer o sol se levantar. Raro momento de real beleza no filme, que não dura mais que poucos segundos, porque logo em seguida vem um novo batuque... Para os gringos, não existe Quarta-Feira de Cinzas.

Orfeu (o remake)

Quem disse que só Hollywood pode fazer remakes? Pois Orfeu Negro ganhou uma refilmagem em 1999. Orfeu, diferente de seu antecessor tem a produção completamente nacional, e um número menor de méritos.

Orfeu
Direção: Cacá Diegues
roteiro: João Emanuel Carneiro, Cacá Diegues, Paulo Lins, Hamílton Vaz Pereira e Hermano Vianna
Música: Caetano Veloso
Elenco: Toni Garrido, Patrícia França, Murilo Benício, Zezé Motta.

Orfeu (Toni Garrido) é um popular compositor de uma escola de samba. Residente na favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece Eurídice (Patrícia França), uma nova moradora do local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos.

Baseado na peça Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes. Este por sua vez inspirado no mito grego de Orfeu e Eurídice. As imagens do desfile de carnaval foram captadas no sambódromo com a escola de Samba Unidos de Viradouro.

Foi o longa escolhido para repersentar o Brasil no Oscar, mas não chegou a ser indicado.

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO
Ganhou como Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora

Indicado a Melhor Diretor - Cacá Diegues, Melhor Ator - Murilo Benício, Melhor Lançamento, Melhor Edição

Infelizmente não encontramos o trailer do fílme on line. Segue apenas uma cena.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Prêmios de Orfeu Negro

A Academia pode até não considerar Orfeu Negro um filme brasileiro (devido ao seu diretor francês), mas a gente tem orgulho dele assim mesmo. E como nem só de Oscar vive o cinema....

Festival de Cannes 
  • Recebeu a Palma de Ouro.

Oscar
  • Melhor filme em língua estrangeira*

Globo de Ouro
  • Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro (Brasil).

BAFTA 1961 (Reino Unido)
Indicado na categoria de melhor filme em língua estrangeira (Brasil, França e Itália/produção).

*O Oscar de melhor filme estrangeiro ganho por Orfeu Negro foi dividido com outros 3 filmes: Kagi, a Ponte da Desilusão, Morangos Silvestres e Wir Wunderkinder;

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Curiosidades de Orfeu Negro


O longa é inspirado no na peça Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes. Este por sua vez inspirado no mito grego de Orfeu e Eurídice, no qual, após a morte de sua amada Orfeu usa sua lira  para invadir o submundo e convencer Hades a trazer Eurídice de volta a vida. A versão nacional transporta a tragédia para o carnaval carioca.

Também é conhecido pelo título Orfeu do Carnaval.

Curiosamente, a academia considera este longa como filme francês devido a nacionalidade de seu diretor, apesar de ser uma produção italo-franco-brasileira e ter sido filmado em português, com atores Brasileiros em terras tupiniquins.

O Oscar de melhor filme estrangeiro ganho por Orfeu Negro foi dividido com outros 3 filmes: Kagi, a Ponte da Desilusão, Morangos Silvestres e Wir Wunderkinder;

Segundo o IMDB, apesar de premiado o filme não é bem visto em sua terra natal. Aparentemente, nós brasileiros, não gostamos da representação nosso país como uma festa sem fim.

Ganhou uma refilmagem em 1999, Orfeu.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Orfeu Negro

Um dos mais aclamados e conhecidos filmes brasileiros, uma história passada num Carnaval do Rio de Janeiro. Baseado na peça de Vinicius de Moraes.

Orfeu Negro (Orfeu negro), 1959. Brasil/França/Itália, 107 min, drama, colorido.

Direção: Marcel Camus
Roteiro: Marcel Camus, Jacques Viot.

Elenco: Breno Melo, Marpessa Dawn, Marcel Camus, Fausto Guerzoni, Lourdes de Oliveira.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fugir é para os fracos

William Hurt e Raul Julia: sem esses dois nos papéis principais, provavelmente o filme não teria o mesmo efeito - e seria um crime se isso acontecesse


O beijo da mulher aranha (Kiss of the spider woman, 1985) é um filme surpreendente. Na verdade, ele não é nada daquilo que parece. Eu achei que seria um martírio assisti-lo; não foi. Achei que seria estranho ver atores brasileiros falando inglês - até porque, como justificar as pessoas morando no Brasil e falando inglês? - mas não foi isso o que aconteceu. Achei que finalmente fosse ver Sônia Braga atuando, mas também não foi - é, porque ela achou que estava atuando. Uma história com um forte conteúdo político e um teor de crítica social altamente ácido, fala só de uma coisa: amor.


Amor a uma causa, amor a uma mulher, amor ao cinema (adoro a estética do filme dentro do filme), amor não-correspondido, amor cinematográfico, amor homossexual, amor de amigo, amor de mãe e de filho, amor próprio, amor ao próximo, amor à vida, amor que não escolhe hora nem lugar, nem motivos pra fugir. Tudo isso em 2h de filme que se passam quase em sua totalidade em um diálogo entre Luis Molina (William Hurt, excelente) e Valentín Arregui (Raul Julia, excepcional) - dois companheiros de cela. Ora, se dois sujeitos estão na cadeia, há de se supor que não do tipo que falariam de amor. De cara, percebe-se que um está mais conformado com a situação do que o outro. Enquanto Molina narra a história de um filme (que, no fundo, é filme de propaganda nazista; mas ele só valorizava o enredo romântico que havia no longa para disfarçar o discurso do fürer), Valentín está num canto, ouvindo a história - mas está longe de se deixar enganar por ele e mais longe ainda de estar acomodado. Como todo bicho selvagem acuado, está sempre alerta e pensando em como sair de seu cativeiro.

Cena do filme contado por Molina (Hurt): só eu achei o Herson Capri a cara do Lucius Malfoy?

A relação entre eles vai crescendo conforme a narrativa do filme se desenvolve. A desconfiança de Valentín vai diminuindo após as constantes provas de amizade de seu companheiro de cela, a intimidade crescendo ao mesmo tempo em que a história vai chegando ao clímax e ao final trágico. A arte imitando a vida, um agente duplo que se apaixona pelo alvo a que fora destinado a delatar, a morte trágica por causa desse amor. Nesse caso, ainda mais complicada que na fictícia estória contada por Molina. Ele, homossexual preso por se envolver com um menor, apaixona-se pelo guerrilheiro apaixonado pela causa e por uma burguesa, a real dona de seu coração - mesmo que ele tivesse arrumado uma namorada. E o cara era do tipo durão, que não demonstrava sentimentos, que iria acabar morrendo antes de delatar algum companheiro durante a tortura. Improvável era o mínimo, as esperanças de Molina eram praticamente nulas. Mas ao se ver coagido (sua liberdade condicional havia sido revogada indefinidamente, mas o diretor da cadeia a oferece se ele conseguir arrancar alguma informação de seu companheiro de cela), a proximidade entre os dois aumenta e esse é um caminho sem volta.


As atuações são um capítulo à parte. Hurt e Julia são absolutamente perfeitos na construção de seus papéis: Molina é de uma leveza e sutileza sem afetamentos, bastante usuais nas caracterizações de homossexuais nas telonas; e Julia é o cara durão que não é um brucutu, com um coração de ouro. Emocionante a cena em que Molina se declara a Valentín, e este entende os sofrimentos e a necessidade de carinho do companheiro, não se negando a uma noite com ele ao perceber que esta seria provavelmente a única vez que ele teria o afeto correspondido. Porque foi mais que pura gratidão por ele ter ajudado quando Valentín estava sendo envenenado. Os outros atores brasileiros também tem participação marcante, principalmente o saudoso José Lewgoy e Milton Gonçalves, como um típico policial mal assalariado que já está de saco cheio do trabalho, mas que é obrigado a continuar investigando porque o filho-da-p*** não quer abrir o bico. Sensacional. A decepção mesmo veio com Sônia Braga.

Sônia Braga: interpretação e cabelos horrosos, porém premiados

Gente! É sério que ela tava interpretando daquele jeito e todo mundo achou lindo? Ok, pode alegar aí que ela estava interpretando dentro de uma outra interpretação ao fazer a cantora francesa lá... Mas nem teatral ela tava! Expressões faciais exageradas e tensão no corpo, movimentos pra lá de robóticos... E na hora de atuar normalmente (como Marta, o verdadeiro amor de Valentín), ela foi simplesmente apática. E a tal mulher-aranha? Prefiro não comentar. E ela ainda ganhou um Globo de Ouro por essa atuação... Ou eu sou crítica demais, ou a atuação dela é tão incrível que eu não consigo compreender... Melhor voltar pro que o filme tem de melhor. Lindo o final, apesar de trágico - e quem não esperava isso? A forma como Molina morreu, tomando as rédeas da própria vida, por amor a Valentín... O lirismo da sofrida morte de Valentín, que enfim encontrou a paz nos braços de sua amada. Um filme emocionante, tocante, que fala de amor. Para românticas incuráveis, assim como eu, é perfeito - e não é nada meloso. Um filme corajoso, sem medo de tocar em feridas abertas, sem ser piegas, de atributos técnicos admiráveis (bons ângulos e enquadramentos, fotografia inteligente, diálogos longos porém não-enfadonhos, maquiagem eficiente) e uma direção brilhante de Babenco. Bom saber que a gente não tá preso aos filmes televisivos que temos atualmente, basta a gente voltar um tiquinho no tempo (1985 nem tá tão longe assim, hein?!) e se inspirar no bom cinema brasileiro.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Curiosidades de O Beijo da Mulher-Aranha

O Beijo da Mulher Aranha foi a primeira produção independente a ser indicada ao Oscar de melhor filme.

Baseado no romance El beso de la mujer araña, escrito pelo argentino Manuel Puig em 1976, no mesmo ano em que a democracia é novamente derrubada em seu país, apenas três anos após ser reestebelecida.

O Beijo da Mulher Aranha foi produzido logo após o auge da repressão política na América Latina. Em 1979, de todos os treze países da América do Sul, apenas três – Colômbia, Guiana e Venezuela – não eram governados por uma ditadura militar. 

A história do filme traz um exemplo clássico do "filme dentro do filme". O filme, fictício, se chama Her Real Glory (em português: A Verdadeira Glória Dela) e teria sido produzido pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. 

O ator Burt Lancaster, que recebeu um agradecimento especial nos créditos finais. Foi ele quem iniciou o projeto de O Beijo da Mulher-Aranha, na época nome provisório do filme ainda era Molina. Lancaster procurava financiamento para o filme desde 1981, quando Babenco. Lancaster estava interessado em interpretar Molina, mas teve que desistir após sofrer um ataque cardíaco em junho de 1983, aos 70 anos de idade.

Após a saída de Burt Lancaster do projeto, Hector Babenco cogitou rodar o filme com  Paulo José e Chico Díaz nos papeis principais. Mas Raul Julia sugeriu o nome de um amigo, o até então pouco conhecido galã de Corpos Ardentes, de 1980, seu filme mais lembrado. William Hurt acabou ficando com o papel e por ele ganhou seu único Oscar em 1985.

Custou menos de 1 milhão de dólares e arrecadou mais de 17 milhões apenas nas bilheterias norte americanas. 

AliceBraga não sabia falar inglês na época das filmagens, e todas as suas falas tiveram que ser decoradas foneticamente.

Durante os ensaios, Hurt e Julia tiveram problemas para encontrar a química necessária entre seus personagens. Hurt sugeriu que eles experimentassem trocar de papéis. Os ensaios deram certo e Hurt sugeriu a Babenco que os atores deveriam trocar de papéis nas filmagens do filme também. O diretor não aceitou a troca.

Hurt e Julia teriam trabalhado de graça no filme, recebendo apenas o dinheiro de suas passagens e hospedagem no Brasil. 

Manuel Puig foi quem primeiro adaptou sua própria obra, no formato de uma peça de teatro. A adaptação, entretanto, só veio após o lançamento do filme.

Após o sucesso do filme, 1993 foi produzido um musical homônimo na Broadway. O espetáculo foi encenado 904 vezes no Teatro Broadhurst a partir de 3 de maio daquele ano. Recebeu quatro prêmios Tony, melhor peça musical, melhor atriz em peça musical (Chita Rivera) melhor roteiro de peça musical e melhor trilha-sonora de peça musical.

Versão nacional do espetáculo da Broadway

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Brasileiros no Oscar: os concorrentes

Mês de Oscar, mês de carnaval, resolvemos unir as duas festas e assistir à filmes brasileiros que figuraram no festa da academia (premiados ou não). Agora é a sua vez de dar pitaco, e escolher o último filme a passar pelo tapete vermelho que fica em frente ao nosso sofá!

Conheça os concorrentes e vote em nossa enquete (tá aí do lado no menu ó!).

Cidade de Deus
(2002)
Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia-a-dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infinita.


O Pagador de Promessas
(1962)
Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com oc afetão Bonitão (Geraldo Del Rey) e ao encontrar a resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em sua igreja, pela razão de Zé haver feito sua promessa em um terreiro de macumba.


O que é isso Companheiro?
(1997)
Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado em dezembro de 1968 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade, e em 1969 militantes do MR-8 elaboram um plano para seqüestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura.


Escolha seu favorito e continue acompanhando os Brasileiros no Oscar no DVD, Sofá e Pipoca.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Prêmios de O Beijo da Mulher-Aranha

O Beijo da Mulher-Aranha foi o primeiro filme independente a ser indicado ao Oscar de Melhor filme (veja o vídeo). Confira todos os prêmios da produção.

OSCAR
  • Melhor Ator - William Hurt
Indicações:
Melhor Filme
Melhor Diretor - Hector Babenco
Melhor Roteiro Adaptado

GLOBO DE OURO
Indicações:
Melhor Filme - Drama
Melhor Ator - Drama - Raul Julia e William Hurt
Melhor Atriz Coadjuvante - Sônia Braga

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
  • Prêmio especial

FESTIVAL DE CANNES
  • Melhor Ator - William Hurt

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Beijo da Mulher-Aranha

Co-produção brasileira e americana, dirigida por um argentino naturalizado brasileiro. O elenco é dos dois países. O filme da semana é ou não é uma produção "mundial"?

Kiss of the Spider Woman
Brasil/Estados Unidos, 1985
120min, colorido
Drama.

Direção: Hector Babenco

Roteiro: Leonard Schrader

Música: Michael Jary e John Neschling

Elenco: William Hurt, Raul Julia, Sônia Braga, José Lewgoy.

Baseado no livro de Manuel Puig. Vencedor do Oscar de Melhor ator, William Hurt.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Terra Nostra, Família Nostra

Confesso, não fazia ideia do que esperar de O Quatrilho. Mesmo porque, na época de seu lançamento e alardeada indicação ao Oscar, não tinha idade para prestar atenção nesse tipo de longa. E se assistir filmes nacionais recém lançados, que não sejam comédia ou biografia é complicado, imagina um drama dos anos 90?

Dois casais de imigrantes italianos do início do século XX, formam uma sociedade para conseguir a tão sonhada terra.  Vivendo sob o mesmo teto logo o marido de uma se interessa pela esposa do outro. Quando a reciproca se torna verdadeira, o casal foge deixando seus respectivos cônjuges na tão sonhada terra, sob os olhares preconceituosos da sociedade. Patricia Pillar e Bruno Campos, dão vida aos amantes Terêsa e Massimo. Enquanto Glória Pires e Alexandre Paternost interpretam os pares abandonados Pierina e Ângelo.

O roteiro é simples e lento, curiosamente não é chato. A vagareza do desenvolvimento da história parece nos envolver na rotina daqueles italianos de forma que novela global nenhuma conseguiu. Massimo leva anos para ousar chegar perto de Teresa, o que torna sua fuga desesperada verossímil e aceitável. Eles já perderam muito tempo! A torcida pelo romance é reforçada pela apatia de Pirina, que acredita que tudo dará certo se homem e mulher apenas desempenharem seus papéis. E pela preferência de Ângelo pelo trabalho, o que deixa Teresa em segundo plano.

Com a história fortemente atrelada às personagens, esta não funcionaria bem com um elenco fraco. A dedicação do elenco é visível, destaque para Glória Pires. Sua sempre contida Pirina, economiza nas expressões, mas nunca é insuficiente ao passar o que a personagem pensa ou sente.

Reconstrução histórica impecável e coadjuvantes de luxo completam a produção.Gianfrancesco Guarnieri (Padre Giobbe), Cecil Thiré (Padre Gentile) e José Lewgoy (Rocco), aparecem mais para situar o expectador na época e sociedade que a italianada vive, que para relamente fazer diferença na trama principal.

Não é um filme excepcional, nem uma história inédita. Mas é uma boa história, bem contada e sobre pessoas de verdade. Poderia acontecer com seu vizinho, parente, com você, por isso é eficiente. Como bônus, ainda apresenta um pouco da cultura trazida pelos italianos que aos poucos se integraram à nossa cultura.

E pensar que a maioria de nós aprendeu sobre imigrantes italianos nas mirabolantes tramas globais. A vida real pode ser mais simples, e mesmo assim muito interessante. Capiche!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Curiosidades e prêmios de O Quatrilho

Baseado em livro homônimo de José Clemente Pozenato. Este por sua vez foi inspirado por uma história real.

José Clemente Pozenato, autor do livro faz uma participação especial no filme. Ele é o fotógrafo que tira uma foto da família.

Segundo filme brasileiro indicado ao Oscar. O primeiro foi O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte.

Boa parte do filme foi gravada no município de Farroupilha, na cascata do Salto ventoso.Uma das locações do filme ocorreu no Caminhos de Pedra, utilizando-se de uma casa de pedra, típica da região.

Alguns membros da família do diretor aparecem em pequenos papéis, inclusive ele mesmo, como o personagem "Gaudério".

Prêmios

Indicado ao Oscar na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro"

Casa Strapazzon, cenário do longa
Festival de Cinema de Havana (Festival del Nuevo Cine Latinoamericano), vencedor:
  • "Melhor Atriz", Glória Pires
  •  "Melhor Direção de Arte"
  •  "Melhor Trilha Sonora".

APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte),vencedor:
  • "Melhor Atriz", Glória Pires

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Bolão do Oscar 2012

O mês do Oscar chegou, e com ele a nova blogagem coletiva do DVD, Sofá e Pipoca, o Bolão do Oscar 2012! Novamente vamos propor a blogueiros cinéfilos (ou só palpiteiros mesmo),que dêem sua opinião sobre o resultado do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Eis as regras da brincadeira:
  1. Os concorrentes devem escrever um post  com suas apostas, em seus respectivos blogs, até 25 de Fevereiro, o sábado que antecede a premiação.
  2. Não esqueça de levar o selo da blogagem coletiva para sua página. 
  3. Também deixe um link do seu post aqui mesmo nos comentários deste texto, para sabermos quem está participando.
O resto você já sabe. Quem acertar mais palpites ganha um selinho exclusivo atestando que é o mais nerd de cinema dentre todos os concorrentes.

Ok, admitimos o prêmio não é lá uma estatueta dourada, ou mesmo um DVD, ou poster como outros blogs oferecem. Mas é reconhecimento, e que cinéfilo não gosta de ser considerado um perito, mesmo que seja só de brincadeira? Então Participe!

Abaixo o selo do Bolão 2012. E a lista dos indicados ao Oscar deste ano, que será entregue em 26 de fevereiro.

(clique para ampliar)
Indicados aos Oscar 2012

MELHOR FILME
Os Descendentes
A Árvore da Vida
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
O Artista
Meia-Noite em Paris
Tão Perto e Tão Forte

MELHOR ATOR
George Clooney - Os Descendentes
Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
Jean Dujardin - O Artista
Demián Bichir - A Better Life
Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais

MELHOR ATRIZ
Glenn Close - Albert Nobbs
Viola Davis - Histórias Cruzadas
Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep - A Dama de Ferro
Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh -Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte - Guerreiro
Max Von Sidow - Tão Perto e Tão Forte
Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
Christopher Plummer - Toda Forma de Amor

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo - O Artista
Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
Janet McTeer - Albert Nobbs
Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento
Octavia Spencer - Histórias Cruzadas

MELHOR DIRETOR
Woody Allen - Meia-Noite em Paris
Terrence Malick - A Árvore da Vida
Alexander Payne - Os Descendentes
Michel Hazanivicous - O Artista
Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
Os Descendentes
Bridget O'Connor - O Espião que Sabia Demais
O Homem Que Mudou o Jogo

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Meia-Noite em Paris
O Artista
Margin Call - O Dia Antes do Fim
Missão Madrinha de Casamento
A Separação

MELHOR FILME EM LINGUA ESTRANGEIRA
A Separação (Irã)
Bullhead (Bélgica)
Monsieur Lazhar (Canadá)
Footnote (Israel)
In Darkness (Polônia)

MELHOR LONGA ANIMADO
Gato de Botas
Kung Fu Panda 2
Rango
Um Gato em Paris
Chico & Rita

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
As Aventuras de Tintim
O Artista
O Espião que Sabia Demais
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Man or Muppet" - Os Muppets
"Real in Rio" - Rio

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Aço
Planeta dos Macacos - A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MAQUIAGEM
Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
A Dama de Ferro

MELHOR FOTOGRAFIA
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra

MELHOR FIGURINO
Anônimo
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E. - O Romance do Século

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
O Artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Hell and Back Again
If a Tree Falls
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
God is the Bigger Elvis
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry
Blossom

MELHOR MONTAGEM
Os Descendentes
O Artista
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Homem Que Mudou o Jogo
A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR CURTA
Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic

MELHOR CURTA ANIMADO
Dimanche
The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
La Luna
A Morning Stroll
Wild Life

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Drive
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua
O Homem Que Mudou o Jogo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O Quatrilho

Indicado em 1995 a de melhor filme estrangeiro, o drama familiar no início do século passado inicia nossa lista de brasileiros no Oscar.

O Quatrilho
Brasil, 1994
120min, colorido
Drama.

Direção: Fábio Barreto

Roteiro: Antônio Calmon e Leopoldo Serran

Música: Jacques Morelenbaum

Elenco: Patrícia Pillar, Glória Pires, Alexandre Paternost, Bruno Campos.

Baseado no livro homônimo de de José Clemente Pozenato. Este por sua vez foi inspirado por uma história real.


Brasileiros no Oscar

Vinícios de Oliveira, Fernanda Montenegro e Walter Salles
no Oscar de 1999, por Central do Brasil
Fevereiro é mês de Oscar. Este ano resolvemos entrar no clima da premiação da academia assistindo a alguns filmes brasileiros que foram indicados à estatueta dourada.  Ao todo 12 produções, ou co-produções brasileiras, receberam 19 indicações em diferentes categorias.

A primeira indicação veio em 1944 e a mais recente em 2012, ambas na categoria Canção Original, e com a cidade maravilhosa como tema. "Rio de Janeiro" de Ary Barroso do filme Brazil, concorreu em 1944. Este ano é a vez de "Real in Rio", escrita por Sérgio Mendes e Carlinos Brown, para a animação Rio.

Nenhuma das canções concorrem pelo cinema nacional. Foram criadas por artistas brasileiros, para produções estrangeiras. Brazil é uma produção do Reino Unido enquanto, Rio dos é "estadunidense". A animação ao menos também tem parte do elenco e diretor brasileiro, Carlos Saldanha.

Fernando Meireles e seus
coleguinhas diretores oscarizados
Em mais de 60 anos desde a primeira indicação, apenas uma produção foi vencedora,  Orfeu Negro. Curiosamente, a academia considera este longa como filme francês devido a nacionalidade de seu diretor, apesar de ser uma produção italo-franco-brasileira e ter sido filmado em português, com atores Brasileiros em terras tupiniquins.

Gostou de descobrir detalhes das participações brasileiras no prêmio mais importante da sétima arte? Continue acompanhando o mês Brasileiros no Oscar, aqui no blog e descubra muito mais!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Uma viagem de volta à infância

Toy story é um filme que impressiona. Tecnicamente falando, por se tratar de uma animação de 1995 com tanta qualidade numa plataforma que ainda crescia no mercado e lançou a Pixar como autoridade no assunto e referência para outros estúdios. Artisticamente, por contar tão bem uma história simples de forma criativa e divertida. E emocionalmente, por transportar cada adulto que assiste a esse longa-metragem imediatamente para a infância. Mesmo em 2012.
É impossível não sorrir logo nas primeiras cenas, em que Andy usa toda sua imaginação criando as mais variadas situações com seus brinquedos de estimação. Dinossauros, caubóis, cachorros, cabeças de batata e caixas de papelão convivem perfeitamente no universo fantástico criado pelo menino. E não era assim nas nossas brincadeiras também? O mundo do faz de conta sempre foi mais interessante do que a realidade por suas infinitas possibilidades. E não deixa de ser curioso que a primeira animação totalmente computadorizada resgate o lado mais lúdico dessa fase tão especial da vida.

Aliás, essa ideia do novo tornando o anterior obsoleto é o próprio mote do filme. Woody (voz de Tom Hanks), o boneco preferido de Andy vê seu reinado ameaçado com a chegada de Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), um patrulheiro estelar que acredita realmente ser um herói do espaço. Animado com a novidade, o menino deixa os outros brinquedos um pouco de lado, o que causa um ciúme desmedido no caubói. Não demora muito para que ele perca seu lugar cativo na cama do dono e seus desenhos pendurados na parede sejam substituídos por enormes pôsteres do rival. É o fim de uma era. 

Como se não bastasse a disputa interna, os dois ainda precisam enfrentar Sid (voz de Erik von Detten), o menino que mora na casa ao lado e cujo divertimento preferido é destruir brinquedos. Aliás, os momentos que Buzz e Woody passam na casa de Sid são divertidíssimos. O quarto do garoto parece um circo de horrores, cheios de brinquedos deformados, sem cabeça, pernas quebradas e pedaços de outros objetos fazendo as vezes de membros, como Frankensteins em miniatura. O pavor do xerife só aumenta quando ele deduz que as criaturas são canibais. Ao mesmo tempo, Buzz tem o maior choque de sua vida ao descobrir que foi fabricado em Taiwan e que não pode voar.

Como se vê, o enredo não poderia ser mais simples, mas é bem amarrado e brinca muito com as situações que vão sendo criadas ao longo do caminho. Um exemplo são as criaturinhas verdes que habitam um dos jogos do Pizza Planet e que adoram "o Garra". Mas são mesmo os personagens adoráveis e esse gostinho de infância que tornam Toy story um filme especial. Porque pioneirismo nenhum no mundo nos faz querer voltar a assistir ao filme tantas vezes. Tem que ter algo mais. Criatividade, sensibilidade e inteligência contam tanto quanto competência nesse caso.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aventura com gostinho de nostalgia

Oooooooooooohhhhhh....

Quem nunca foi criança nessa vida? Exatamente. Toy story (Toy story, 1995) foi uma sacada de gênio: todo mundo já foi criança um dia e já imaginou como seus brinquedos se comportariam quando eles estivessem longe. Então, o mote do filme (como os brinquedos antigos reagem à chegada de um brinquedo novo, tecnológico) atinge a todas as pessoas e todas as idades. Os mais velhos vão lembrar de seus brinquedos favoritos, os mais novos vão ficar encantados de ver os brinquedos 'vivendo' a vidinha deles. Prêmio certo.

Andy é um garoto muito sortudo, tem os brinquedos mais legais e o seu brinquedo favorito é Woody, um caubói de pano. Eles vivem aventuras no velho oeste todos os dias no quarto de Andy e Woody é o xerife dos brinquedos: o mais popular, o cara que lidera os outros brinquedos. O quarto de Andy é o seu mundo. Então, no aniversário de seu dono, Woddy acaba sendo deixado de lado por causa de um novo, espetacular e superfuturista astronauta chamado Buzz Lightyear. O novo brinquedo chega causando alvoroço: todos os amiguinhos de Andy e os outros brinquedos parecem querer saber só do novo brinquedo, e Woody sente a mordida atroz do ciúme. Seu mundo estava caindo, seus pôsteres foram substituídos por outros do Buzz, seu dono e melhor amigo parecia ter se esquecido dele. A vida estava muito, muito ruim pra ele. Buzz, porém, não achava que aquela era sua missão na Terra (literalmente). Sua missão era derrotar o terrível vilão Zorg, e os brinquedos eram até legais, mas ele não ia ficar ali para sempre. Ora, quem ia acreditar naqueles malucos que se achavam brinquedos? Ele era um herói!

Quando Buzz acaba se perdendo de Andy em um passeio ao Pizza Planet, Woddy (que tinha ido escondido atrás dos dois) vê quando Buzz é levado pra casa pelo encrenqueiro vizinho de Andy. Esse menino é daqueles vizinhos pestes que todo mundo tem: adora quebrar brinquedos, seus e dos outros; gosta de explodir coisas e tem o tipo de personalidade que faz pensar 'o que vai ser dessa criança no futuro?' e imaginar que o pobre vai acabar preso algum dia. Woody, apesar de sentir falta de seu dono, sabe que se não salvar o 'mala' do Buzz seu dono vai ficar muito triste. Em nome dessa amizade antiga, pura e verdadeira com seu dono, Woody arruma um plano mirabolante e acaba se tornando ele o herói.
Todo mundo já teve uma amizade como a desses dois: não vai com a cara de início, mas depois se torna seu melhor amigo

Todas as personagens são cativantes: os soldadinhos extremamente competentes, o cachorro-mola, o quadrinho 'risque-rabisque' (na minha época chamava assim), os hilários e alienados alienzinhos de três olhos que eram brinde do pesque-o-seu-brinquedo (o Garra decide que vai e quem fica...), os maltratados e feios brinquedos destruídos, o próprio Buzz, totalmente tresloucado achando que é um herói de verdade (e não um brinquedo). Impossível não se emocionar vendo esse filme, não gargalhar com as situações, não se empolgar com as aventuras dessa turminha e não lembrar de nossa infância. Os gráficos são impecáveis, mesmo depois de tanto tempo (o longa já tem quase 20 anos!), a fotografia é linda, tudo é muito lúdico e nos dá vontade de ser um brinquedo e morar no quarto do Andy também. Fica aquele gostinho de 'quero mais' no fim do filme. E, lógico, o pessoal lá não foi bobo nem nada. Toy story tem duas continuações, cada uma especial a seu jeito - uma veio pra reforçar a amizade dos brinquedos e a outra veio especialmente para os fãs, que assistiram a história quando pequenos e foram em peso ver a continuação, falando exatamente do quanto é difícil crescer. Mas mesmo assim, o melhor filme da trilogia (pra mim) ainda é o primeiro. Justamente por nos trazer a esse mundo maravilhoso, nostálgico. Um dos meus favoritos: da Pixar, da Disney, da vida toda.