3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Metrópolis

Pensou no super-homem, né! Não, nada a ver.

Metrópolis
Metropolis - 1927- Alemanha
153min. - Preto e Branco
Ficção

Direção: Fritz Lang

Roteiro: Thea von Harbou e Fritz Lang

Com: Alfred Abel, Brigitte Helm, Gustav Fröhlich, Rudolf Klein-Rogge, Theodor Loos, Fritz Rasp, Erwin Biswanger, Heinrich George, Hanns Leo Reich, Heinrich Gotho

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Não é mais um filme sobre a máfia italiana

Nunca entendi muito bem por que O poderoso chefão ganhou esse título em português. É forte, é sonoro, remete à máfia, mas não menciona o que é essencial na saga dos Corleone: confiança e gratidão. Por isso, o original The godfather tem muito mais significado: a história dos mafiosos contada por Coppola não fala de disputa de poder, mas de uma estrutura familiar onde respeito e influência se confundem. Além disso, cria uma belíssima imagem, que é retomada ao final do filme, quando Michael batiza o sobrinho e se torna o novo padrinho, ao mesmo tempo em que assume o posto de Don da família. Sentiu a difererença?

A questão é tão importante que aparece logo na primeira sequência do filme: Vito Corleone não  se importa em perder a festa de casamento da filha para ouvir os problemas de um conhecido que vem lhe pedir um favor, mas se ofende quando ele tenta lhe oferecer dinheiro. Bastava que ele falasse em nome da amizade, que recorresse ao padrinho, que o pedido seria atentido. E tudo corre assim, como num acordo de negócios, mesmo que o favor implique o uso de força bruta, e talvez algumas mortes no fim das contas.

Afinal, falar de máfia mostrando tiroteios e violência gratuita é fácil. Difícil é transformá-los quase em cavalheiros. Entre as famílias sicilianas, tudo é tratado com tamanha civilidade que até assusta. Ou você marcaria uma reunião com o assassino do seu filho para marcar uma trégua? Mas aqui negócios e vida pessoal se misturam o tempo todo. Embora os Corleone tentem não falar sobre o assunto à mesa ou abram mão de uma vingança para evitar uma guerra, não dá para separar as duas coisas totalmente. É por isso que Don Corleone, uns segundos após receber a notícia da morte do filho Sonny, em vez de mergulhar no luto, já dá instruções para o seu consigliere agir. É por isso que o jovem Michael, que é contra os negócios da família por princípios, acaba se envolvendo e assumindo a responsabilidade que era de seu pai assim que sente o risco real de perdê-lo.

E é por isso que ficamos tão fascinados com essa história que passa longe demais do óbvio para ser só mais um filme sobre a máfia. Coppola foi extremamente feliz ao reunir um roteiro de primeira como esse e um elenco só de feras, em atuações inspiradíssimas, sem exceções. É um daqueles casos em que tudo conspira  a favor. Mas a sorte é nossa.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Encarando o Padrinho

Descobri porque nunca havia assistido além do casamento em O Poderoso Chefão. Eu tinha medo, e não é por causa das cenas violentas. O filme é um dos mais adorados, referenciados e parodiados de todos os tempos. Com tanta gente que gosta do filme, eu me sentiria mal se não gostasse da saga dos Corleone.

A história de como o caçula Michael Corleone (Al Pacino), é levado gradualmente a se tornar o novo padrinho, após o atentado a vida de seu pai Don Vito Corleone (Malon Brando) é contada de forma impecável. Isso é um fato!

É um filme equilibrado, literalmente. A cor vibrante dos momentos mais leves, em contraste com o tom mais sombrios dos cenas de "negócios". O equilíbrio entre a personalidade exagerada de Vito, e a contida de Michael, duas versões de um mesmo padrinho, é impressionante. Assim como a atuação afinada do resto do elenco. A trilha marcante, a edição, a direção, o filme é um dos melhores exemplos daquelas raras situações quando tudo parece se encaixar, ao menos para nós espectadores. 

É uma história sobre proteger a família, inclusive aquela que não tem laços de sangue. Também uma história de negócios. Como dirigir, manter e transformar uma empresa em tempos de crise. Logo a empatia com o público é imediata, afinal, todos queremos proteger os "nossos" nesse mundo capitalista cruel.

Se eu gostei do filme? É incrível, reconheço sua qualidade impecável e valor cultural. Contudo, e espero que não me crucifiquem por isso, não vai entrar na minha lista de favoritos. Fazer o que! Nunca fui fã do gênero.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Poderoso e premiado

O Padrinho não é apenas poderoso e adorado pelos cinéfilos de todo o mundo, ele também é super-premiado.

No Oscar de 1973 o longa recebeu os prêmios de:

  • Melhor filme
  • Melhor ator para Marlon Brando
  • Melhor roteiro adaptado

Neste ano o Poderoso Chefão foi indicado em outras 6 categorias:

  • Melhor ator coadjuvante para James Caan, Al Pacino e Robert Duvall
  • Melhor figurino (Anna Hill Johnstone)
  • Melhor diretor para Coppola
  • Melhor montagem (William Reynolds e Peter Zinner)
  • Melhor canção original para Nino Rota que tornou-se inelegível por ter plagiado a música de Fortunella, de sua própria autoria
  • Melhor som (Charles Grenzbach, Richard Portman e Christopher Newman)

Também recebeu 5 Globos de Ouro

  • Melhor filme - drama
  • Melhor diretor (Francis Ford Coppola)
  • Melhor ator - drama (Marlon Brando)
  • Melhor trilha sonora
  • Melhor roteiro adaptado

Al Pacino e James Caan receberam indicações como Melhor ator - drama e Melhor ator coadjuvante respectivamente.

1 BAFTA para Nino Rota, que recebeu o prêmio Anthony Asquith para melhor música de filme. Marlon Brando e Al Pacino foram indicados como Melhor Ator e Robert Duval como Ator Coadjuvante. O figurino também recebeu uma indicação neste prêmio.


Venceu o Prêmio David di Donatello da Itália na categoria de melhor filme estrangeiro, e
Al Pacino recebeu um prêmio David especial pela sua atuação.

Recebeu também o Grammy na categoria de melhor trilha sonora para cinema ou especial de TV.

O Poderoso Chefão - parte II

A segunda parte não fez feio, foi a primeira sequencia a ganhar o Oscar de Melhor filme, mas não parou por aí. Na cerimônia de 1974 venceu nas categorias:

  • Melhor filme
  • Melhor diretor (Francis Ford Coppola)
  • Melhor ator coadjuvante (Robert De Niro)
  • Melhor roteiro adaptado (Francis Ford Coppola e Mario Puzo)
  • Melhor direção de arte (Dean Tavoularis, Angelo P. Graham e George R. Nelson)
  • Melhor trilha sonora (Nino Rota e Carmine Coppola).

Recebeu indicações nas categorias de Melhor ator (Al Pacino), Melhor ator coadjuvante (Michael V. Gazzo e Lee Strasberg), Melhor atriz coadjuvante (Talia Shire) e Melhor figurino (Theadora Van Runkle).

No Globo de Ouro foram apenas indicações para Melhor filme - drama, Melhor diretor de cinema, Melhor ator de cinema - drama (Al Pacino), Melhor trilha sonora, Melhor roteiro de cinema, Mtor novato promissor (Lee Strasberg).

O BAFTA de 1976 deu o prêmio de Melhor ator para Al Pacino e Indicações de melhor trilha sonora, melhor edição e ator novato mais promissor em papel principal para Robert De Niro.

O Poderoso Chefão parte III, só chegou 16 anos depois e não teve tantas premiações quanto seus antecessores.

No Oscar de 1991 foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante para Andy Garcia, Melhor Canção (Promise Me You'll Remember), Melhor Montagem, Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.

Globo de Ouro o indicou nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator em Drama (Al Pacino), Melhor Ator Coadjuvante (Andy Garcia), Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção (Promise Me You'll Remember) e Melhor Roteiro.

Mas foi no Framboesa de Ouro que o filme foi premiado duas vezes. Sofia Coppola venceu nas categoria de Pior Atriz Coadjuvante e Pior Revelação. Ainda bem que ela preferiu dirigir a atuar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Inesquecível

Tanta coisa está passando pela minha cabeça agora que mal sei por onde começar a falar desse filme. Eu sabia bem pouco sobre ele, além de que é uma dos mais aclamados da história e que se tratava de um filme de Francis Ford Coppola, sobre uma família de mafiosos e com Marlon Brando no elenco. Não sabia muito o que esperar. Surpresas não me faltaram. A começar por reconhecer rostos que eu nunca vi tão novos. A primeira sensação que tive ao ver Kay, namorada de Michael, foi: "já a vi em algum lugar". Mas até fazer a ligação com Diane Keaton levou algum tempo. Robert Duvall foi outro que eu só reconheci nas últimas cenas do filme.

Mas a surpresa maior foi o próprio filme. A impressionante atuação do elenco só reforça a minha empatia. Al Pacino também está soberbo como Michael, o filho prodígio que não quer se envolver com os negócios da família, mas acaba tomando partido quando o pai sofre um atentado. James Caan faz um Sonny responsável e irritadiço, que a gente sabe que vai acabar morto por sua impulsividade. E Marlon Brando é absolutamente impecável como o pai protetor e chefe de família, que é maior do que apenas seus filhos e netos. Quando tenta recusar a entrada das drogas em seu domínio diz algo do tipo "isso é mau, vai nos trazer problemas, não é como o os negócios que fazemos que não causam mal algum".

Tudo influencia na compreensão do filme e das personagens e aonde ele vai chegar. Já nas primeiras cenas, vemos um homem que pede justiça pela filha: o ambiente é sombrio, escuro, só se consegue distinguir os rostos. Lá fora, no casamento, o sol ilumina com força a animada festança que só uma família rica e poderosa poderia dar - mesmo para um casamento. É assim o tempo todo, luzes quando o cilma é mais ameno, sombras quando estamos "falando de negócios".

Impossível falar somente sobre uma cena do filme, muitas me impressionaram. As mortes são impactantes, tanto as sangrentas como a do próprio Don, que é absolutamente linda (quando é que eu a imaginar que uma cena de morte em um filme de mafiosos ia ser linda?). A que eu acho que é mais emblática é a final, quando a gente percebe que Michael é, por direito e por mérito, o novo Don Corleone - como já havia planejado com o pai. Depois de finalmente fazer a justiça que tanto queria cuidando dos inimigos, ele mente para a esposa e mantém os negócios em segredo para ela, que ainda vê os homens pedindo a benção ao "padrinho" antes de ser colocada completamente fora da jogada.

O filme é realmente esplendoroso. O roteiro não tem nenhum furo sequer e é riquíssimo, o ritmo da narrativa é perfeito, as imagens são belíssimas. As cenas das mortes são fortes, impressionantes, mas totalmente "O poderoso chefão" não é só um filme sobre a máfia, é sobre lealdade, respeito, família, responsabilidade. Agora eu entendo porque todos diziam que "O poderoso chefão" é um dos melhores filmes de todos os tempos e porque, como o gatinho no colo de Don Corleone logo no início do filme, todos queriam tanto a sua atenção.

Desculpem meu texto confuso, mas essa foi a impressão que eu tive. Muitas coisas a fazer referência (ou seria melhor reverência?), muitas cenas entre minhas preferidas, muitas atuações perfeitas. É muita coisa pra absorver em pouco tempo. Mas de uma coisa eu sei; sem dúvida nenhuma, é um dos meus preferidos agora. Com perdão da piadinha infame, o padrinho caiu nas minhas graças. Para sempre.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Poderoso Chefão

O Padrinho dispensa apresentações, mas em todo caso...

O Poderoso Chefão
The Godfather - 1972- EUA
175 min. - Colorido - 14 anos
Drama

Direção: Francis Ford Coppola

Roteiro: Francis Ford Coppola

Musica: Nino Rota

Com: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Sterling Hayden, John Marley, Richard Conte, Al Lettieri, Diane Keaton, Abe Vigoda, Talia Shire, Gianni Russo, John Cazale, Rudy Bond

Baseado no um romance homônimo de Mario Puzo. Vencedor de 3 Oscar (melhor filme, ator para Marlon Brando e roteiro adaptado). Teve duas sequencias O Poderoso Chefão II (1974) e III (1990).

sábado, 23 de janeiro de 2010

Você sabia?

Cinéfilo que se preze adora ler curiosidades sobre filmes. Por isso, o DVD, sofá e pipoca selecionou algumas informações sobre o filme da semana, Curtindo a vida adoidado. Confira!

- O ator John Cusack foi cotado para o papel de Ferris Bueller.

- Em Portugal, o filme ganhou o título de O rei dos gazeteiros.

- Cindy Pickett e Lyman Ward, que interpretaram os pais de Ferris, se casaram após o término das filmagens.

- O diretor e roterista John Hughes escreveu todo o filme em 6 dias.

- Foi Jennifer Grey, irmã de Ferris, que sugeriu Charlie Sheen para o papel de rebelde da delegacia.

- A Ferrari do pai de Cameron, não é verdadeira. Apenas o seguro para manter uma Ferrari alugada parada no set seria mais caro que o orçamento do filme. Eles disfarçaram um outro carro com fibra de vidro.

- A parada alemã onde Ferris canta as músicas "Danke Shoen" e "Twist and Shout" existe. Chama-se "German American Appreciation Day".

- Ben Stein, o professor de economia que faz a chamada, "Buller, Buller, Buller", é um renomado escritor e comentarista econômico, que já escreveu dezenas de livros.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Save Ferris!

Eu sempre quis ser amiga de Ferris Bueller. A impressão que eu tinha toda vez que assistia a Curtindo a vida adoidado é de que ninguém sabe se divertir tanto quanto ele. E, ainda hoje, ele continua sendo mestre. Ou você acha pouco convencer os pais de que está doente para matar aula, irritar a irmã, resgatar a namorada  na escola, passar um trote no diretor, roubar a Ferrari do pai do melhor amigo, entrar num restaurante chique com identidade falsa, entre outras coisas,  antes mesmo que o dia escureça? E o melhor: sem sofrer nenhuma consequência por isso. É ou não é o sonho de todo adolescente?

John Hughes sabia disso muito bem, e não foi à toa que ele escreveu e dirigiu tantos sucessos jovens nos anos 80 como Clube dos cinco, Gatinhas e gatões e Mulher nota 1000. E, ao contrário dos adolescentes das décadas seguintes, que tiveram que se contentar com comédias descerebradas e sem inspiração, essa geração pôde, ao menos, contar com um artista que tinha sensibilidade para falar do assunto. Seus personagens são gente como a gente, com dúvidas sobre que carreira seguir, com problemas com os pais, sem grana e com muita vocação para fazer besteiras. E ninguém precisa insultar sua inteligência para falar disso tudo, como prova Hughes.

É por isso que o personagem de Matthew Broderick (o papel vida dele, vamos combinar) é inesquecível até hoje. Com aquela carinha de bom-moço, ele é a alma do filme: irresponsável, irreverente, divertido e nem um pouco politicamente correto, graças a Deus. Mas o que seria dele sem seu parceiro de crime, o inseguro Cameron, ou a namorada cúmplice, Sloane? E ser inconsequente não teria a mesma graça se não fosse para provocar a irmã certinha, Jeanie, ou enlouquecer o diretor Ed Rooney. Levante a mão quem é que conhece pais como os de Ferris, que acreditam piamente em tudo que dizem seus filhos! E a participação de Charlie Sheen como o jovem delinquente na delegacia, que termina no maior amasso com Jeanie? Puro luxo.

Eu sempre quis ser amiga de Ferris Bueller. Vai, confessa, você também.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Twist And Shout

Quem nunca desejou estar no lugar de Ferris exatamente nesse momento? Talvez não seja possível cantar em um carro alegórico, mas da para bancar o papai Buller. Então, empurre a cadeira e sacuda o esqueleto em frente ao computador. 

Ah! Se o pessoal do escritório te olhar como se você fosse maluco, liga não. Continua e curte isso!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nosso dia de folga com Ferris

Ferris (Mathew Broderick) é o cara mais popular da escola. Com uma auto-confiança invejável só faz o que quer e sempre se dá bem. O acompanhamos durante um dia que ele considera ser perfeito demais para ser desperdiçado com a escola. Logo, ele mata aula, arrasta seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck), sua namorada Sloane (Mia Sara) e a nós reles expectadores para seu excitante dia de folga.

Ele fala com a gente, literalmente. Quebra as regras, olha para a câmera e dispara suas importantes observações sobre a vida. Um registro fiel da juventude da época, filosófica, auditiva e visualmente (óculos escuros gigantes e que levantam as lentes, cool!).

É um clássico da sessão da tarde. Difícil achar alguém que não conheça e que não tenha desejado desesperadamente "curtir a vida adoidadamente" como Ferris. Ele age como gostaríamos agir. Fala o que queremos dizer. As normas que a sociedade nos obriga a seguir, "tô nem aí!" Por isso a empatia é imediata com qualquer um que se aventure nos seus 102 minutos de diversão.

Quando crianças curtimos a aventura de um dia sem adultos. Já adultos aprendemos a apreciar os personagens comuns, e infinitamente mais reais e ricos, que cercam o protagonista. Descobrimos o contraste enorme entre a vida que real, e a que deveríamos ter. Afinal, temos um pouco de cada um deles. As neuroses e os medos de Cameron, a frustração de Jeanie (Jennifer Grey) e o desejo de desmascarar os espertinhos que tiram vantagem de tudo, como o Diretor Rooney (Jeffrey Jones ). Mas, deveríamos, e adoraríamos, ter muito mais de Ferris.

Enquanto o trio curte o dia, os outros se afogam em suas vidinhas chatas. E nós percebemos o quanto agimos como bobos às vezes. É um filme que ensina a não se levar tanto a sério e curtir mais a vida.

Pouco antes de Ferris sacudir uma avenida com Twist and Shout, Cameron e Sloane conversam sobre o futuro e logo percebem: não se interessam por nada. É disso que se trata! Ter o direito de não se interessar por nada, viver apenas o momento, mesmo que por um único dia. Coisa que Cameron é incapaz de fazer, até Ferris o resgatar de sua seriedade. Então também é um filme sobre amizade pura. Sabe? Puxar o amigo para fora da piscina quando ele está se afogando.

Quem diria que um roteiro escrito em 6 dias poderia ser tão profundo?

Ainda está aí? Já terminou. Pode parar de ler.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Julie & Julia - Globo de Ouro

Não dá para não comentar. O filme inspirador deste projeto, Julie & Julia, recebeu neste domingo um Globo de Ouro. Meryl Streep, recebeu o prêmio por sua impressionaste personificação de Julia Child, ícone culinário estadunidense de voz estanha, fala arrastada e gestos únicos.

Meryl já recebeu um total de 25 indicações para o Globo de Ouro, por trabalhos no cinema e na TV, e levou a estatueta para casa 7 vezes. Ela também é recordista no Oscar com 15 inidcações. Mesmo com tantas premiações, sua reação ao receber o prêmio é de uma principiante. Assista o vídeo, abaixo.

O longa dirigido por Nora Ephron, que tem Stanley Tucci e Amy Adams no elenco, também foi indicado na categoria "Melhor Filme de Musical ou Comédia".

Viste o site Oficial de Julie & Julia
Leia as resenhas das blogueiras
Fabiane Bastos e Giselle de Almeida

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ferris é o cara!


Antes de mais nada, preciso comentar que adoro os filmes dos anos 80: me fazem pensar que eu, por mais mal-vestida que esteja, sempre vou estar melhor do que se eu fosse uma adolescente americana na década de 80. Não dá pra não rir vendo aqueles cabelos megavolumosos e as roupas esquisitíssimas. Mas vamos ao que interessa.
É engraçado ver os filmes que eu tô acostumada a ver sempre com outros olhos. Esse, por exemplo, me deu uma noção completamente diferente da lembrança que eu tinha. Analisando criticamente, percebi que o roteiro é supersimples: Ferris é o garoto mais descolado da escola, que resolve inventar mais uma mentira para os pais displicentes a fim de faltar à escola e aproveitar para passear com o melhor amigo e a namorada. O que nos resta é só acompanhar o desenrolar desse dia.
O filme é lembrado como um clássico da rebeldia e anarquia (cena emblemática: Ferris no chuveiro, com moicano de xampu - quem nunca fez isso? - se questiona porque ir aprender sobre o socialismo europeu se ele nem quer se tornar um europeu ou se isso vai mudar o fato de ele não ter um carro pra passear), mas o ritmo é tão morno, tão lento que, juro, me dá sono. Foi um tanto decepcionante, como quando vi um James Dean tomando um porre de leite em "Juventude transviada". Pra mim, esses filmes pareciam ter mais energia. Fora a cena em que Ferris vai dançar e cantar "Twist anda shout" dos Beatles na parada é tudo muito, muito lento. Mas nada que faça o filme deixar de ser delicioso de se ver.
As melhores personagens são a irmã, que era revoltada simplesmente por ainda não ter descoberto que a adolescência é o período certo de se fazer pequenas loucuras perdoáveis; o diretor, sempre passado pra trás e devidamente massacrado, como no sonho de qualquer estudante obrigado a ir à escola para ter aulas enfadonhas enquanto o sol tá convidado para um praia; e o melhor amigo Cameron, que se cansa de sempre ser o certinho e assume a rebeldia. E, como todas as outras personagens, eu também sinto inveja do Ferris, porque ele faz qualquer coisa (errada) e dá tudo certo.
A tradução do título para o português não podia ser mais feliz: "Curtindo a vida adoidado" é atemporal. Curtir a vida não era só matar aula, era aproveitar o dia - mesmo que com coisas simples, como ir ao museu, desobedecer aos pais, passar um trote no maître, tomar banho de piscina ou andar pela cidade. Até porque a vida de verdade tá logo ali, depois da formatura, com a chegada do primeiro emprego e a ida pra faculdade. Sendo assim, porque não aproveitar os últimos dias de verão ao ar livre?
Ferris tem razão. A vida passa muito rápido, e se você não arriscar, vai perder a chance. Sair da linha, só um pouquinho, não faz mal a ninguém. Quem nunca sonhou em ser um Ferris Bueller na vida que atire a primeira pedra!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Curtindo a Vida Adoidado

Essa semana o ócio e o lazer mandam em nossos sofás!

Curtindo a Vida Adoidado
Ferris Bueller's Day Off - 1986- EUA
102 min. - Colorido - Livre
Comédia

Direção: John Hughes

Roteiro: John Hughes

Musica: Ira Newborn

Com: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara, Jennifer Grey

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Filmaço (em todos os sentidos)

Eu já tinha tentado assistir a E o vento levou algumas vezes, nas madrugadas da Globo, mas sempre era vencida pelo sono (naquela época eu ainda dormia e acordava em horários considerados saudáveis). Só conseguia chegar até a parte em que Scarlett O'Hara diz sua frase mais célebre: "Jamais sentirei fome novamente!". E depois, confesso, não fiz muito esforço para ver o filme até o final. Uma pena.

Acho que esta foi a primeira vez em que consegui gostar da protagonista. E gostar aqui não significa ter simpatia por ela, porque Scarlett é uma adolescente mimada, uma jovem fútil, uma mulher amarga e uma senhora egoísta. E é justamente isso que torna a personagem tão fascinante, tão bem construída que dá gosto de ver. Aí a gente até perdoa aquelas caretas que a Vivien Leigh faz na primeira parte da trama, porque esse momento é só parte do jogo: a coisa fica mil vezes mais interessante quando ela tem que enfrentar o mundo de verdade, uma guerra no quintal de casa, vê gente morrendo e tem que lutar pra sobreviver. É uma delícia ver a transformação dela diante dos nossos olhos: de uma hora para outra, precisa aprender na marra que precisa ser mais forte do que a etiqueta permitia a uma dama naquela época. Mas perder o nariz empinado, jamais!

Aliás, os diálogos de Scarlett com Rhett Butler também são primorosos. Vamos combinar que Clark Gable não é assim tão bonito, mas não dá para deixar de torcer pelo capitão, que se mostra tão pedante e determinado quanto a nossa mocinha. Irresistível (e mais interessante que o almofadinha do Ashley). Azar dele que ela trate os homens apenas de acordo com seu interesse. Mas, se eles tivessem ficado juntos logo no início, não poderíamos assistir a cenas como a que ela, na completa miséria, resolve fazer um vestido com as cortinas de casa para impressioná-lo e conseguir algum dinheiro, claro. O cúmulo do orgulho e da prepotência, adoro.

O filme vale por um curso de roteiro: é tão bem amarrado que transforma filmes mais recentes de fundo histórico em aula primária tatibitate. As referências são sutis, mas mesmo quem não estudou a guerra civil americana na escola consegue entender perfeitamente as consequências políticas, econômicas e sociais do conflito para aquela sociedade. Tarefa dificílima. Junte aí os figurinos lindíssimos, a trilha sonora fantástica, os ótimos personagens secundários... O final é um tanto frustrante, mas vá lá, não é nada que tire o mérito dos outros 232 minutos. Filmaço, do tipo que faz falta hoje em dia.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

E o Vento Levou 2

Enquanto procurava uma imagem decente para ilustar minha resenha sobre E o Vento Levou, encontrei um título curioso: ...E o ventou Levou 2

Não. Você não leu errado, não. Exite mesmo uma"sequencia". Tudo bem, eu disse que adoraria saber como a história continua (e a Geisy também), mas não se faz sequencia de um épico. Produzido em 1994, o título original é Scarllet (afinal desde o início é história dela), se passa logo depois do fim do original, e tem 360 minutos.

Vou procurar essa pérola na locadora. Se você já assistiu compartilhe essa experiencia conosco. Conte o que achou.

...E o Vento Levou 2
Scarlett - 1994 - EUA
360 min - Colorido
Drama/Romance

Direção: John Erman

Roteiro: Alexandra Ripley (romance), William Hanley (roteiro para a tv)

Com: Joanne Whalley, Timothy Dalton,Barbara Barrie, Stephen Collins, Sean Bean

Sinopse: ...E o Vento Levou 2 começa exatamente onde ...E o Vento Levou parou. No centro da história está a devastadora paixão de Scarlett e Rhett. Ainda separados, é Scarlett quem tenta a qualquer custo reconquistar o amor perdido, uma vez que Rhett pensa em pedir o divórcio. Socialmente isolada e abalada pela recusa de Rhett em reatarem, Scarlett viaja para a Irlanda. Lá ela acaba sendo acusada de assassinato, e sabendo que Scarlett precisa de sua ajuda, Rhett parte em seu auxílio.

Fonte: Cine Players

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Afinal amanhã é outro dia"

"Será que elas usavam mesmo essas coisas?" Não adianta! Essa é sempre a primeira coisa que me vem a cabeça quando assisto a E o Vento levou. Era muita armação, pano, e desconforto para ficar parecendo um bolinho confeitado. Felizmente isso passa depois de uns 10 minutos, o que é quase tempo nenhum perto das quase quatro horas de filme.

Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) é a filha mimada de um rico fazendeiro sulista dos Estados Unidos, que nutre um amor impossível por um homem comprometido. Voluntariosa ela tenta de tudo para conseguir o que quer, no caso Ashley (achou o nome do personagem estranho, olha o nome do ator, Leslie Howard). Desde casamentos por ciúme, interesse, falsa amizade e até caridade forçada. Para complicar um pouco mais, o cenário é da Guerra Civil estadunidense. E entre um casamento e outro (são 3!) Scarlet enfrenta a guerra, a doença, a miséria, o trabalho duro, o sucesso, a perda dos pais, amigos, filha. Volta e meia recebendo ajuda de Reth Butler (Clark Gable). Um aproveitador cujo amor declarado ela rejeita (mesmo depois de casada com ele), e só percebe que o sentimento é reciproco quando é tarde demais. (Ufa, é grande mesmo)

Em uma época cheia de regras e pudores (quando um abraço causa um dramalhão e boa moça tira soneca durante as festas), Scarlet passa por cima de tudo para sobreviver. Quando o mundo real bate em sua porta e a acorda de seu estilo de vida confortável, ela enfreta seus problemas sem hesitar. Ainda assim, ela não deixa de ser mimada e voluntariosa, seu atrevimento naturalmente irritante é por vezes sua melhor arma. Ela até aprende algumas coisas durante a jornada, a maioria quando é tarde demais. É a história dela, sua jornada em busca do deseja, seja realmente importante ou mero capricho.

E sim, tem muitas coisas que para nós soa muito estranho. Todos os negros são gentis, sem vontade própria, e tem voz engraçada. Seus donos são bons e protetores (tá!). Melanie (Olivia de Havilland) esposa de Ashley é boazinha demais, nada a tira do sério. Mas tudo passa despercebido diante do charme que só os épicos Hollywoodianos da época tem. A grandiosidade dos cenários, os belos figurinos, os closes dramáticos, as caretas e falas teatrais (Oh! Reth!), o glamour das estrelas, a musica marcante, e o ritmo nada apressado de contar uma história. Hoje em dia se o filme passa de duas horas é longo demais. Boas histórias, as vezes, precisam de mais tempo. E o Vento levou é uma dessas histórias.

O resultado da correria atual, é que todo mundo já ouviu falar, viu algum tipo de párodia ou homenagem, ou ouviu a marcante trilha de Max Steiner (alô Dona Florinda!). Mas quem hoje em dia tem tempo para realmente assitir E o Vento Levou? Sem interrupções, de uma tacada só? (se bem que em capítulos daria uma ótima novela, e esse é o pais da novela!).

Pode até ser grande, mas é uma boa história, muito bem contada. Na boa! Mesmo depois de longos 233 minutos, eu continuaria assistindo. Saber se Scarlet finalmente cansou de lutar ou conseguiu alcançar seu último capricho. Acho que ela teve sucesso. Afinal, nas palavras dela, amanhã é outro dia! Que começe tudo outra vez.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Clássico majestoso, mas não me conquistou

Prepare-se para 233min de muito, mas muito sofrimento. Scarlet é apresentada como a mais bela herdeira sulista, e pouco se importa com o que os outros pensam de si. A única coisa que lhe importa é Ashley (acho terrível essa história de nomes "unissex"), o homem dos sonhos dela. Mas a guerra chega e tudo muda: a vida como ela conhecia desparece. O filme não é sobre a guerra, nem sobre romance: na verdade a gente acompanha a vida da dondoca - o primeiro casamento (pra fazer ciúme ao amado, o que não surte efeito), a primeira viuvez (ainda muito jovem), a ajuda aos enfermos no hospital, a fuga desesperada para Tara, a miséria, a fome (e a famosa cena do juramento: "com Deus por testemunha, não sentirei vergonha se tiver que roubar, mentir ou matar; com Deus por testemunha, jamais sentirei fome novamente!"), a volta por cima (com o segundo casamento, por puro interesse, mentindo que a amada de seu marido já tinha aceitado outro convite), as mortes dos pais, o terceiro casamento (esse, por pura comodidade), a morte da filha e da amiga. Ela passa por tudo isso, mas não se deixa abater. Pra mim, soou muito "Joseph Climber" - qualquer um teria desistido, mas...

O problema é que nada disso faz com que Scarlet cresça. Tentaram me vender uma heroína corajosa, guerreira e forte, mas eu só vi uma menina teimosa, egoísta e birrenta, que faz de tudo pra não perder e que não soube aprender quando a vida tentou lhe dar uma lição. Ficou só a vingança contra a guerra, a fome, a miséria. Até o final, em que a cena deveria despertar esperança, só me mostrou o quanto ela era infantil: voltar pra casa e fazer o marido amá-la, quando ela sempre negou o amor que ele a oferecia.

Óbvio, não poderia deixar de comentar que eu adoro o estilo antigo de interpretação: as olhadas irresistíveis dos galãs, as mãozinhas na testa para demonstrar desespero, as luzes bem colocadas para destacar o que as atrizes tinham de melhor... Às vezes é até engraçado, quase canastrice. E aqui, não falta nada disso. A cenografia também, riquíssima e explêndida; os figurinos, bárbaros, com metros e metros de tecido sobre anáguas - tudo cheira a um glamour que só a Hollywood pré-blockbusters tem. Nem mesmo os filmes de época da atualidade, talvez até com muito mais requinte em suas produções, tem o mesmo charme.


A experiência foi interessante, descobri que o filme não era o romance "água-com-açúcar" que eu esperava que fosse. Mas ela precisaria de pelo menos um "...E o vento levou 2" pra conseguir se redimir das maldades que cometeu.

bjomeliga=D

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E o Vento Levou

Hora de correr para locadora meninas, vamos começar a nossa jornada. E estamos começando com classe! Confira os dados do primeiro filme. Afinal o primeiro agente nunca esquece!

E o Vento Levou
Gone with the wind - 1939 - EUA
233 min. - Colorido - Livre
Drama/Épico

Direção: Victor Fleming

Roteiro: Sidney Howard

Musica: Max Steiner

Com: Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Hattie McDaniel.

Baseado no romance homônimo de Margaret Mitchell. Vencedor de 10 Oscar.

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Lista 2010

O DVD, Sofá e Pipoca nasceu em Janeiro de 2010. Ná época inspiradas pelo filme Julie & Julia (resenhas nos blogs da Giselle e Fabiane) adotamos um livro base para selecionar os filmes. O escolhido foi o Almanaque do Cinema Omelete, escrito por Marcelo Forlani, Marcelo Hessel e Érico Borgo do site Omelete, e publicado pela Ediouro.

Além de curiosidades, histórias e informações interessantes sobre cinema mundial, o livro também traz uma lista de 50 longas importantes para a história da sétima arte. Confira agora os 50 filmes assistidos em 2010 pelas blogueiras do sofá.

Clique nos posters para ler as resenhas e curiosidades dos filmes.

              

E o vento levou - Curtindo a Vida Adoidado - O Poderoso Cherão - Metrópolis

              

Janela Indiscreta - Pulp Fiction - Tubarão - O Mágico de Oz

               

A Felicidade Não Se Compra - Alien - Quanto Mais Quente Melhor - Os Caçadores da Arca Perdida

              

Um Cão Andaluz - Vampiros de Almas - Lawrence da Arábia - 8½

                   

A Regra do Jogo - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Star Wars

                     

Touro Indomável - Branca de Neve e os Sete Anões - O Nascimento de Uma Nação - Cantando na Chuva

                      

Um Corpo que Cai - O Diabo a Quatro - Blow-up Depois Daquele Beijo - Sindicato de Ladrões

                  

A Noite dos Mortos Vivos - Veludo Azul - Casablanca - Rocco e Seus Irmãos

                     

Os Imperdoáveis - M, O Vampiro de Dusseldorf - O Exterminador do Futuro 2 - O Bandido da Luz Vermelha

                  

Tudo o Que o Céu Permite - Encouraçado Potemkin - Aurora - Terra em Transe

                      

Acossado - Cidadão Kane - King Kong - A Morte Num Beijo

                      

Os Incompreendidos - O Atalante - Rastros de Ódio - Os Excêntricos Tenembaums

      

Era Uma Vez em Tóquio - 2001: Uma Odisséia no Espaço