3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Outros pioneiros: "found footage"

Acha super moderno, A Bruxa de Blair, Cloverfield e outros filmes no estilo "filmagem encontrada"? Pois o "found footage" não é exatamente uma novidade, foi usado pela primeira vez em 1980 em "Canibal Holocausto".  O longa Italiano, dirigido por Ruggero Deodato e filmado em terras Brasileiras, é apenas para quem tem estômago forte. 

Saiba mais sobre o filme, dessa vez com profissionais que assistiram a obra, (admitimos, as blogueiras do sofá tem estômagos fracos). A equipe do site Omelete, apresentou o filme em seu programa semanal. 



Continue acompanhando os pioneiros do cinema, em janeiro no DVD, Sofá e Pipoca.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Toy Story X Cassiopéia

Apresento outro pioneiro e uma grande polêmica. Esclarecimentos abaixo da ficha...

Cassiopéia
Brasil, 1996
80 min. colorido
Animação

Atenéia é um planeta pacífico, localizado na constelação de Cassiopéia, cujos habitantes vivem em perfeita harmonia. A situação muda quando invasores atacam o planeta, na intenção de drenar toda sua energia vital. Desesperada, a princesa Lisa envia sinais de socorro pelo espaço. Chip e Chop recebem o pedido e, com a ajuda de Galileu e Leonardo, partem para salvar Atenéia.

Com: Osmar Prado, Jonas Mello, Marcelo Campos, Cassius Romero.


Porque estou apresentando outro filme bem no meio da semana de Toy Story? Pois assim como o longa dos brinquedos esta animação brasileira também é um pioneiro. A polêmica? Ambos os filmes alegam ser a primeira animação longa-metragem completamente produzida por computador da história.

Você deve estar pensando: Peraí, Toy Story é de 1995 e Cassiopéia de 1996!
De fato a animação da Pixar foi lançada antes. A alegação é que quando a produção de Toy Story teve início, mais da metade de Cassiopéia já estava finalizada. E longa dos brinquedos só foi lançado na frente graças ao empurrãozinho ($$$) que raramente produções nacionais recebem, mas que a Disney tem de sobra.

Outra alegação é que quanto ao seu status de filme totalmente gerado em computação do longa da Pixar, que criou os moldes para as cabeças dos personagens principais em argila, sendo posteriormente digitalizados com o Polhemus 3D. Enquanto a produção tupiniquim foi criado a partir de modelos inteiramente virtuais, sem uso de modelos físicos, da modelagem às texturas.

Disputas à parte ambos são pioneiros no estilo de produção. Entretanto, você já assistiu Cassiopéia? E Toy Story? Mesmo torcendo para as produções nacionais, é fato Toy Stoy foi a primeira animação computadorizada a chegar ao grande público. E isso faz toda a diferença!

P.S.: Nunca é tarde não é? Cassiopéia está inteiro no YouTube. Assista!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Toy Story

Você já imaginou o que os brinquedos fazem quando ninguém está olhando?
Finalizando o mês dos pioneiros da sétima arte, a primeira animação computadorizada da história. 

Toy Story
EUA, 1995
80min, colorido
Animação.

Direção: John Lasseter

Roteiro: Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Alec Sokolow

Música: Randy Newman

Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Don Rickles, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger

Seguido por Toy Story 2 (1999) e Toy Story 3 (2010).


sábado, 28 de janeiro de 2012

Desenvolvimento da cor no cinema

Embora esteja em inglês a página "The Development of Inexpensive Color Film Stocks", esclarece um pouco da tecnologia usada para produzir as cores de Vaidade e Beleza. A produção usada três faixas de filme para obter as 3 cores base para o longa. 

O texto ainda mostra um pouco da evolução das cores no cinema. Sempre relacionado à técnica. Veja mais aqui.


Não basta ter cor...

Como cinéfila sempre estranhei o fato de sabermos pouco sobre os primeiros filmes coloridos. Que houve dificuldade em encontrar tecnologias eficientes resistência em usa-las por décadas é sabido. Mesmo assim é curioso que os pioneiros da cor (presente em quase 100% dos filmes atuais), não recebam tantos louros como os do som, computação gráfica, novo 3D, entre outros.

Foi assim que que Vaidade e Beleza foi muito injustiçado não apenas na história do cinema, mas em sua semana aqui no blog. A única forma que consegui assistir ao longa foi com uma cópia bastante castigada. Imagem "gasta", som sujo e, como miséria pouca é bobagem, sem legendas. Claro, a Lei Murphy ainda deu sua participação interrompendo a sessão a cada 10min, com telefonemas, visitas e afins. Não importa o filme, bom ou ruim, é uma injustiça assistir nessas condições. Mas desafio é desafio...

Becky Sharp (Miriam Hopkins), é uma moça de origem pobre que sonha viver na alta sociedade. É claro, para conseguir isso no século XIX, existte só uma maneira, casando com um ótimo partido. Por isso logo que deixa a escola para moças Becky começa a agir. Com muita lábia logo se instala na casa de uma colega de escola, Amelia Sdley (Frances Dee), e tenta fazer com que o irmão da moça a proponha casamento. Quando o rapaz decide não casar com uma pobretona, logo a moça traça um novo plano. Cheia de improviso, lábia e bastante manipuladora, a moça joga suas iscas na esperança de fisgar um bom partido, em uma sociedade vaidosa preconceituosa e muito preocupada com as aparências.

Parece Orgulho e Preconceito com uma protagonista politicamente incorreta. Qualidade que pode tornar o jogo muito mais interessante, com a anti-heroína que amamos odiar e por quem ainda torcemos apesar de tudo. Contudo, as personagens do filme são as únicas que a Becky Sharp de Miriam Hopkins consegue enganar. Apesar de ter todas as armas, beleza, esperteza, francês fluente, coragem, falta à moça a simpatia para  fazer quem está do lado de cá da tela torcer por ela. Espero um dia conseguir ler o livro, ou assistir outra de suas inúmeras adaptações, para ter certeza de quem possui pouco carisma, se à personagem, o roteiro. ou a intérprete.

Sem acreditar na protogonista sobra apenas a tecnologia, que para nós não é novidade. O filme é colorido sim, mas poderia ser preto e branco, o advento da cor não acrescenta muito à história ou direção de arte (esperar muito deste último seria até maldade, eles estavam começando algo novo).Novamente, vale lembrar que assisto com os olhos de alguém de nossos tempos, com quase um século de cores em filmes de distância. Não faço ideia do impacto que Beck Sharp causou em sua estréia, se é que causou. Culpa da pouca informação disponível sobre a produção, seu lançamento e seus resultados.

Vaidade e Beleza não me conquistou, é verdade. Mas deixou uma forte sensação de injustiça com obra. Talvez, se melhor cuidada, arquivada e apresentada agregasse mais valor que apenar ser colorido.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Curiosidades de Vaidade e Beleza

Baseado no Romance Vanity Fair de William Makepeace.


O primeiro longa-metragem de três cores.Sendo o filme primeiro emTechnicolor a cor não parece muito realista; um crítico comentou que o elenco parecia "salmão cozido mergulhado na maionese".

Depois de apenas algumas semanas de filmagem, o diretor Lowell Sherman desenvolveu pneumonia e morreu. Seu substituto, Rouben Mamoulian, jogou fora seu material e começou novamente a partir do zero.

A versão restaurada está sendo preservada pela UCLA Film Archives.

A peça de Langdon Mitchell, "Becky Sharp", estreou em Nova York City, em 12 de setembro de 1899 e teve 116 performances. Ganhou 3 remontagens, a última em 1929. Outra peça com o título "Vanity Fair", de outros autores estreou em Nova York em 1911.

O público das seções de teste reclamou que o som era ininteligível. RKO re-gravou a trilha sonora inteira.

Mrs. Leslie Carter, lendária atriz da Broadway da virada do século, tem um papel sem créditos como neste filme. Cinco anos mais tarde, Miriam Hopkins iria retratar a Sra. Carter no filme da Warner Brothers Lady With Red Hair (1940).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Outros pioneiros: primeiro longa animado

Viu bossa lista de pioneiros e estranhou que pulamos direto do primeiro filme em cores para a primeira animação computadorizada? Acontece que o primeiro longa de animação tradicional já ganhou sua semana aqui no DVD, Sofá e Pipoca. Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and Seven Dwarfs - 1937), fez parte da lista de filmes de 2010, no primeiro ano do blog.

Em junho daquele ano (re)assistimos o filme chamado de "a loucura de Disney" na época de sua produção. Acreditava-se que o visual super-colorido das animações poderia fazer as pessoas terem dores de cabeça se assistido por tanto tempo (já haviam curtas de animação na época, que normalmente precediam um longa com atores), e que após 15 já se teria contado tudo que uma animação seria capaz de comportar.

Verdade, que o filme fez Disney dever até os próprios sapatos, mas também foi um sucesso. Com produção impecável, a pesar da história simples, abriu as portas e tornou-se padrão para as animações que vieram a seguir. É pioneiro ou não?

A semana dedicada a  Branca de Neve e os Sete Anões contou com as tradicionais resenhas e curiosidades, confira:

#DevoConfessarQue - por Geisy Almeida
Keep moving foward! - por Fabiane Bastos
Outras Brancas de Neve - curiosidades
O início de uma era - curiosidades
Antes tarde do que nunca - Giselle de Almeida
My Prince Will Come - curiosidades

Continue acompanhando os pioneiros do cinema, em janeiro no DVD, Sofá e Pipoca.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Vanity Fair

William Makepeace
 Thackeray
Vanity Fair, romance de William Makepeace Thackeray foi filmado uma dezena de vezes. Em 1911, 1915, 1922, 1923, 1932, 1935, 1967, 1987 e 1998. As três últimas versões foram em formato de mini-série, para a TV. Todas difíceis de encontrar.


A versão mais recente no entanto é facilmente encontrada em qualquer locadora. Feira das Vaidades (Vanity Fair - 2004), é uma produção americana estrelada por Reese Witherspoon, com direção de Mira Nair. 

Além desses títulos, e do primeiro longa colorido da história, Vaidade e Beleza. O romance também inspirou no nome da revista Vanity Fair, mas isso é assunto pra outro post. 

Versão de 2004

Versão de 1998

domingo, 22 de janeiro de 2012

Vaidade e Beleza

Já temos o som, faltava a cor para expandir nossos instintos.

Beck Sharp
EUA, 1935
84min, colorido
Drama.

Direção: Rouben Mamoulian

Roteiro: Francis Edward Faragoh

Música: Roy Webb

Elenco: Miriam Hopkins, Frances Dee, Cedric Hardwicke, Nigel Bruce, Billie Burke, Alison Skipworth, Alan Mowbray

Baseado na peça homônima de Langdon Mitchell, que por sua vez é baseada no romance de William Makepeace Thackeray's, Vanity Fair


sábado, 21 de janeiro de 2012

O poder da música



Jackie Robin demonstrando seu talento e perseguindo seu sonho

O cantor de jazz (The jazz singer, 1927) é um emocionante relato da busca de um sonho. Jackie Rabinowitz é judeu e foi doutrinado pelo pai para ser o cantor da sinagoga, assim como haviam sido seus ancestrais. Jackie, porém, tinha no coração a vontade de cantar para outros públicos - o que desgostou basteante a seu pai. A mãe entendia que seu filho tinha outra vocação que não a sinagoga, mas o pai não. Após uma surra, Jackie cumpre sua promessa de não mais retornar a casa. Anos se passaram e Jackie começa a ser reconhecido por seu talento.

Cantando em um bar, é convidad por Rose, uma talentosa corista, a se apresentar com ela. Com um bom emprego, conseguindo viver de seu talento, Jackie mantém contato com a mãe. O pai o havia desconsiderado como filho. Rose acaba sendo chamada para trabalhar em Nova Iorque e deixa a companhia, Jackie segue cantando e sua estrela começa a brilhar. Chega sua grande chance: Rose consegue uma oportunidade para ele se apresentar na Brodway. Estando próximo de sua antiga casa pela primeira vez em muitos anos, Jackie resolve visitar os pais. Sua mãe o recebe com muito amor, mas o pai se escandaliza ao chegar em casa e ver o filho cantando uma de suas músicas do futuro show para a mãe e o expulsa de casa. Magoado, Jackie promete nao retornar.

A dúvida o consome: abandonar o sonho ou partir o coração de sua amada mãe?

Quando o pai cai doente às vésperas de uma data comemorativa da comunidade judaica, um amigo da família vai ao teatro sugerir a Jackie que volte a cantar na sinagoga. Mas, às vésperas de sua grande estreia na Brodway, e ressentido pela expulsão de casa, Jackie se nega a ir cantar. Decide seguir seu sonho, o palco é onde ele pertence. Mas, ao ver sua mãe falando com ele que talvez essa seja a última oportunidade de que seu pai o ouça cantar, pois está seriamente doente, seu coração fica balançado. Ele se lembra de sua história, da história de seu povo. E a dúvida o consome. Após o ensaio principal, ele visita o pai. e após muita dúvida e discussão sobre seguir seu coração (onde estaria? No teatro, cantando para multidões? Ou na sinagoga, cantando para seu povo e honrando o nome da família?), Jackie canta para seu povo durante o grande evento. Feliz por ouvir seu filho antes de partir, o rabino o perdoa e o aceita como filho novamente. E Jackie não desistiu e seu sonho. No fim do filme, ele está no palco cantando uma emocionada declaração de amor à mãe, que sempre o compreendeu.

O show tem que continuar!

O filme é emocionante do início ao fim, e como surpresa nos revela pequenos diálogos falados. É basicamente um filme mudo, com a trilha sonora instrumental e cartelas com as falas mais importantes das personagens. Mas as canções todas são de áudio captado, ou seja, a voz dos cantores/atores é ouvida. Um diálogo inteiro é sonorizado, quando o cantor volta à casa e mostra duas músicas que cantaria no show para a mãe. Logo em seguida, quando o pai chega e se depara com a cena, voltam as cartelas. Achei o máximo! Como primeira incursão do cinema falado, é uma espécie de híbrido: a linguagem e interpretação ainda são ao estilo cinema mudo, mas a sutil introdução de canções cantadas pelos próprios atores (e não mais somente as músicas instrumentais como parte da trilha sonora) e um diálogo inteiro falado pelos atores é um passo gigantesco na história do cinema. Um marco emocionante e memorável.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Outros cantores de jazz

Jackie foi o primeiro cantor da história do cinema, mas não foi o único. O Cantor de Jazz teve dois remakes nos anos 50 e 80. Descubra um pouco sobre cada uma delas.

O Cantor de Jazz (The Jazz Singer - 1952)

Dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Danny Thomas e Peggy Lee. Traz a mesma história, mas com novas canções, em uma nova época. Um jovem de família religiosa que tenta provar ao pai que tem futuro como cantor de jazz.
Recebeu indicação ao Oscar de melhor trilha sonora.



O Cantor de Jazz (The Jazz Singer - 1980)

Dirigido por Richard Fleischer e estrelado por Neil Diamond e Laurence Olivier. Novamente apresenta a mesma história, com novas canções desta vez. O argumento foi adaptado aos tempos do rock.



Meio mudo, meio falado

Então O Cantor de Jazz ainda tem cartelas? É, foi mesmo ingenuidade minha achar que logo no primeiro filme o  som tomaria conta da projeção. O primeiro filme falado da história é na verdade cantado, uma  vez que a maioria dos diálogos é exibido ainda com as cartelas. Apenas as músicas interpretadas pelo protagonista e pouquíssimas falas saem das bocas de seus personagens. Entretanto, se colocando no lugar dos expectadores do cinema silencioso, a sincronia é espantosa!


O pequeno Jackie, é filho do cantor da Sinagoga, e desde criança está sendo treinado para ser a quinta geração da família a entoar os cantos no templo. Seu coração no entanto reside no jazz. Sonho que sua mãe (usando o penteado de coques antes mesmo da Princesa Leia sonhar viajar com ele em galáxias distantes) compreende, e ritmo que seu tradicional pai abomina. Por isso o rapaz foge de casa e faz seu nome como cantor de jazz, até que a tradição e a família o chamam de volta, deixando o rapaz divido.

O curioso é que pelas péssimas sinopses que li até hoje acreditava que o rapaz sofria preconceito por ser branco e tocar jazz. Por isso pintava o rosto de negro. Só assistindo fui descobrir que a pintura faz parte do show em que ele trabalha, e não tem absolutamente nada a ver com a desconfiança quanto a sua capacidade de cantar devido a cor da pele. Viu, tem que ver para entender.

Enquanto isso o pobre Jackie carrega o filme nas costas, com ou sem som. Carisma que só aumenta durante suas performances musicais. Não conhecemos as canções,  mas mesmo ouvindo pela primeira vez é difícil passar indiferente. Nos deixamos levar pelo ritmo.

A narrativa ainda não sabia muito bem o que fazer com o som. Ampliar o campo, criar ambientação, usar as músicas para impulsionar a história? Não. Até então havia se descoberto o potencial e as inúmeras possibilidades do áudio. Logo o filme se limita a usar o som para reforçar o que está sendo mostrado em tela. Basicamente que jazz é boa música e o o personagem ama fazê-la. E isso o faz muito bem!

Como pedir mais de um filme tão corajoso? Atualmente o Cantor de Jazz pode não ser brilhante como os grandes musicais da era de ouro. Em parte ainda é mudo. Mas sem ele provavelmente não ouviríamos o cinema, da forma que ouvimos nos dias de hoje. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Curiosidades de O Cantor de Jazz

O Cantor de Jazz é o primeiro longa com falas e  canto sincronizado (na época com um disco de acetato.

Custou 422 000 dólares, uma grande quantia para os padrões da Warner, e foi um enorme sucesso de público.

O filme já deus as caras no blog. Em Cantando na Chuva, história fictícia inspirada por vários casos reais, ele é grande revolução que ameaça estúdios e atores com voz ruim, assim como foi na vida real. Nascia aí a era dos "talkies".

Como a maioria das salas ainda não estavam preparadas para a projeção de filmes sonoros, o filme foi inicialmente exibido fora das grandes cidades em uma versão silenciosa. Apenas no ano seguinte este filme foi exibido nacionalmente em sua versão falada e cantada.

O minstrel ou minstrel show, no qual se fundamenta a interpretação musical de Jolson neste filme, é um tipo de teatro norte-americano de variedades que surgiu em 1830, onde alternadamente são apresentados dança, música, esquetes cômicos, atos variados, por atores brancos, de descendência européia, com a cara pintada de negro, tentando personificar de forma caricatural os negros norte-americanos. Depois da guerra civil, os atores eram frequentemente negros pintados de negro. No minstrel os negros são retratados como ignorantes, preguiçosos, supersticiosos e musicais. Sobreviveu como divertimento interpretado por atores profissionais até 1910, continuando de forma amadora até 1950. Em 1960 com as primeiras vitórias nas lutas pelos direitos civis e contra o racismo nos Estados Unidos, esta forma perdeu totalmente a sua popularidade.

Em 1998, o filme foi escolhido pelo American Film Institute como um dos melhores filmes norte-americanos de todos os tempos

Vencedor do Oscar Especial pela excelente produção, pioneira dos filmes falados, e que revolucionou a indústria cinematográfica. Foi um dos primeiros filmes a ganhar o Oscar, dividindo a premiação especial com O Circo, de Charlie Chaplin.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Cantor de Jazz

Demorou, mas quando aprendeu a falar o cinema já fez isso cantando, boa música e afinadinho!

The Jazz Singer
EUA, 1927
88 min, preto e branco
Drama, musical.

Direção: Alan Crosland

Roteiro: Alfred A. Cohn

Elenco: Al Jolson, May McAvoy, Warner Oland, Eugenie Besserer, Otto Lederer, Bobby Gordon, Richard Tucker 

Baseado na peça homônima de Sanson Raphaelson. Vencedor de um Oscar honorário pela produção revolucionária na indústria cinematográfica.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Plunct Plact Zum pioneiro

Para Raul Seixas era preciso ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado e a taxa era alta. Para Meliés, entretanto, bastava uma bala de canhão oca para viajar pelo universo. Para nós pode até parecer um tanto nonsense, mas é provavel que pensem o mesmo dos plugs de Matrix, daqui à um século.

Então é simples assim, um conselho de cientistas que se vestem como magos em suas reuniões, escolhem a melhor maneira. Com muita pompa, festa e moças de roupas indecentes (para 1902!) eles embarcam em um implausível mais, extremamente eficiente meio de transporte, para desbravar a Lua (sim com L maiúsculo, pois é uma Sra Lua!).

Não encontram dragão nem São Jorge, mas ainda assim um lugar incrível. Espécimes de cogumelos de crescimento acelerado que só serão vistos novamente na Fantástica Fábrica de Chocolates. Estrelas com faces. E os Selenitas (incríveis acrobatas, que mais tarde fundaram o circo de solei, brincadeira hehehe), um povo com cultura e hierarquia próprias. Pena que o tempo para conhece-los é pouco, afinal é um curta!

Cheios de efeitos especiais revolucionários para a época, ação não falta. Guarda-chuvas capazes de explodir cogumelos e alienígenas. Perseguição, fuga e até um cientista herói que ficou para traz para salvar os outros (viu Bruce Willis!). E ainda tem gente que acredita que cinema, preto e branco e mudo é chato.

Viagem a Lua, tem 110 anos, e ainda assim para quem der uma chance é muito divertido. E apesar de não ter efeitos de última geração como Avatar, trama mirabolante com fundo científico como X-Men, naves incríveis como de Star Wars, mas é genuinamente um pioneiro da ficção-ciêntifica. Tudo isso sem burocracias, protocolos, apenas com um: Boa Viagem, até outra vez!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um grande passo para a humanidade

Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu? Epa! mas eles não estão na Lua?

Ok, essa frase famosa não vem do filme, apesar de ter a ver com a Lua. O autor foi Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar veridicamente em solo lunar - e a frase completa é "Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade". Mas bem que se aplica a este filme pioneiro: uma idéia louca e improvável àquela época, criatividade absurda pra tornar ao menos visível essa idéia e, voilà!, temos um filme de aproximadamente 10min que revolucionou a indútria cinematográfica.

Sem esta pequena 'travessura' há 110 anos, hoje você não teria assistido a filmes como Matrix, Alien - o oitavo passageiro (que a gente já assistiu aqui no blog) nem A origem. Sabe porquê? Porque são idéias aprimoradíssimas - e não há aperfeiçoamento se não houver um pioneiro que tenha feito algo antes. Imagine você, em plenos anos 1900, imaginando como seria viajar à Lua? Hoje, com tecnologia, é muito fácil pensar nisso.

Então para ir à Lua era necessario um canhão gigante que fosse capaz de transportar uma superbala de canhão que carregaria 6 humanos adultos. Nada de roupa especial, reserva de oxigênio, comida em pílulas, falta de gravidade. Os ilustríssimos (e de nomes esquisitíssimos) cientistas escolhidos pelo presidente da comissão eram estilosos: chapéu, sobretudo e guardachuva. E chegando lá...


Os selenitas me lembraram muitos os Maias... Em 2012 é bom fazer essa associação?


Bem, o que esperar quando se chega à Lua? Olhar para a Terra e vê-la azul? Não, não dava pra saber. Então vamos imaginar que lá seja um país muito, mas muito distante. Tem intempéries (coisa mais poética as estrelas fazerem nevar na superfície), tem uma fauna exótica (cogumelso gigantes, quase o País das Maravilhas) e, lógico, uma civilização. Selenitas. De longe, meus aliens favoritos! Acrobatas por natureza, explodem só de atacá-los com uma sombrinha! Devem ser os alienígenas de filmes mais fáceis de se matar de todos os tempos (seguidos de perto pelos aliens de M. Knight Shyamalan em Sinais). E como pode haver uma civilização sem organização política? Não, os selenitas não eram selvagens... Eles tinham um rei - e a morte dele foi absolutamente hilária! Revoltados, os selenitas caçam os cientistas, mas eles conseguem voltar sãos e salvos para a Terra.

Convenhamos, o roteiro não tem pé nem cabeça e passa longe do plausível. Mas tem toda a graça dos filmes mudos (atuações exageradas, cenários esmerados) e uma genialidade que não faz parecer tosco nem risível os efeitos especiais utilizados. Não há muita variação de planos de câmera, mas as sobreposições de imagem na cenas das estrelas é algo espetacular. Os alienígenas sendo pulverizados também impressiona pela rapidez e o sincronismo. Eu adoro a cena em que o rei é pego pelos colarinhos e arremessado, e então explode. Uma sequencia simples, mas muito bem sincronizada!

O ano começou com uma experiência única: falar de ficção científica com poesia e fantasia é para poucos. Louros para Georges Méliès, que criou essa pérola e possibilitou que outros depois dele pudessem voar ainda mais alto. Afinal, o céu nunca foi o limite.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A Lua de Méliès


Mesmo quem nunca viu Viagem à Lua provavelmente já se deparou com a imagem de uma lua com uma bala de revólver cravada em um dos olhos. Provavelmente o primeiro ícone pop do cinema a lua com rosto de Meliés é referência há mais de 100 anos.

Quadros, camisetas, buttons, animações, outros filmes... E aí, onde você já viu essa lua? Confira algumas aparições desse astro do cinema (literalmente)!

Fazendo dueto com Ewan McGregor em Moulin Rouge...


Frejat se apaixona por ela na citação tupiniquim, a ponto de topar uma aventura (com direito a plano de vôo mirabolante) digna de Méliès.

Figurante na animação Futurama

Amor cinéfilo!
Amor cinéfilo menos radical!
Amor cinéfilo para toda hora!

Em forma de troféu. Alguém sabe de que prêmio?
Ou será um peso de papel sofisticado?

Em lego só para ficar mais nerd

Arte moderna

Dramática!
Colorida
Grafitada!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Assista a Viagem à Lua

- O filme mais famoso de Méliès tem 110 anos e está em domínio público há algum tempo. É possível baixar uma cópia Internet Archive, ou simplesmente assistir à obra no YouTube.

- Apenas não se espante com as variadas metragens do filme. Ao longo dos anos, trechos foram perdidos e encontrados, criando as variações de duração. Se for persistente em sua busca, pode até assistir à cópia colorida a mão encontrada em 1993 em Barcelona.

- Assista a uma cópia legendada (embora o filme seja mudo, rs) em português. Uma versão com narração em áudio explicando o que acontece em cena, já que a narrativa cinematográfica primitiva pode confundir alguns. Veja a versão com narração sem legendas e, abaixo do vídeo, um trecho da versão colorizada.


Versão colorizada

domingo, 8 de janeiro de 2012

Viagem à Lua

A primeira ficção científica, o provavelmente o primeiro filme a tratar de seres alienígenas. O curta-metragem é o mais famoso de George Méliès e usou recursos inovadores de animação e efeitos especiais.

Le Voyage dans la Lune
França, 1902
8min, preto e branco, mudo
Aventura, Fantasia, ficção científica

Direção: George Méliès

Roteiro: George Méliès

Elenco: Victor André, Bleuette Bernon, Brunnet, Jeanne d'Alcy, Henri Delannoy, Dominique Delpierre, Farjaut, Kelm Astrônomo, Georges Méliès 

Baseado nos livros Da Terra à Lua, de Julio Verne, e Os Primeiros Homens na Lua, de H. G. Wells.

Pioneiros

Pioneiro - s.m. Explorador de sertões; aquele que primeiro abre ou descobre caminhos através de regiões desconhecidas.
Fig. O que se antecipa na adoção ou defesa de novas idéias ou doutrinas; precursor.

Auguste e Louis Lumière, 
os pioneiros entre os pioneiros
No primeiro mês de 2012, o projeto para formar cinéfilas melhores vai (re)descobrir os pioneiros. Os primeiros, aqueles filmes que abriram as portas para alguma novidade na sétima arte. 

Verdade alguns deles já circularam pro aqui, e não foram poucos. A primeira animação longa-metragem, o primeiro vampiro, o primeiro blockbuster, o primeiro longuíssima metragem, a primeira atriz de Hollywood a receber US$ 1 milhão por um único filme.

Ainda assim, muitos "primeirões" ficaram de fora. Logo, aproveitamos não apenas para conhecer e celebrar aqueles que começaram uma nova fase na história do cinema, mas para descobrir tudo o que não teríamos caso eles não tivessem arriscado. 

Então aproveite o clima, e não seja o último a garantir um lugar em nosso sofá!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Uma comédia romântica infalível

Elvis dirigindo um carro de luxo ou pilotando uma moto na estrada, cabelos ao vento, entoando uma uma canção de refrão facilmente memorizável. A cena lhe parece um lugar comum? Pois O barco do amor não  tem o menor pudor de ser um clichê - desde que Presley e seu indefectível topete estejam lá, representando um galã-cantor que vá atrair o público feminino. Se for um pobre menino rico que sofre por amor, então, o tiro é certeiro. Nada muito original, como se vê, mas o resultado é simpático e bem agradável para uma "Sessão da tarde".
Desde o início fica bem claro que o jovem milionário Scott (Elvis Presley) não liga muito para a fortuna do pai. Na primeira oportunidade que ele encontra de viver uma vida comum, sem ser julgado por sua conta bancária, ele troca de lugar com o atendente de posto de gasolina Tom Wilson (Will Hutchins) e se passa por um humilde instrutor de ski num hotel em Miami. Como num passe de mágica, a bela Dianne (Shelley Fabares) cruza (literalmente) seu caminho e o usa para fazer ciúmes no piloto bom partido J. J. Jamison (Bill Bixby). É um pulo para Scott se apaixonar e passar o filme todo com aquela cara de cachorrinho que caiu da mudança enquanto sua amada vive la vida loca com o ricaço.

Como só o tempo vai fazer a mocinha perceber que seu grande amor é o falso pobretão (ah, vai dizer que você não sabia!), os roteiristas criaram uma competição de barcos para dar aquela enrolada básica antes do final feliz e, quem sabe, garantir um pouco de emoção à história quando nosso herói entra na briga totalmente desacreditado, mas determinado a provar sua confiança. Aliás, esse deve ser o único motivo para justificar aquele constrangedor número musical com as crianças, que fica totalmente perdido na história, sem falar na desnecessária letra de auto-ajuda.
As canções se encaixam muito melhor nos momentos de romance entre Elvis, sedutor como de costume, e Shelley, incrivelmente fotogênica e carismática, que formam um casal interessante. Mas o que sustenta o filme mesmo são suas tiradas de humor, que garantem a leveza necessária à produção, em especial ao seu terço final. É divertido quando o pai de Scott descobre que seu filho havia trocado de identidade com outra pessoa, mas é mais legal ainda perceber que fomos poupados de um final meloso e desinteressante se a reação de Dianne ao saber toda a verdade não fosse tão graciosa. Não é ótimo saber que um filme chamado O barco do amor pode surpreender positivamente?

Ficou devendo na emoção

Pedofilia, homossexualidade, travestismo. Não é segredo para ninguém que questões envolvendo a sexualidade humana são caros para a cinematografia de Almodóvar, e não é diferente em Má educação. Mas os temas incomuns, em especial quando são tratados em conjunto, não estão reunidos apenas para chocar ou retratar caricaturas. A identidade sexual é um aspecto que lhe interessa, mas poderíamos dizer que a condição humana e tudo que a cerca - desejo, culpa, frustração, repressão, realização - é que é sua verdadeira matéria-prima.

Mas não se engane: apesar de falar de coisas simples, essenciais, o cineasta gosta mesmo é de um roteiro intrincado, cheio de curvas e pontos de interrogação, feito um novelo que vai se desenrolando dentro de um labirinto. Neste caso, a história começa com Ignacio (Gael García Bernal), um ator, procurando Enrique (Fele Martínez) um cineasta, propondo que este conte a história da infância dos dois, que se conheceram numa escola católica ainda na infância, quando se apaixonaram um pelo outro e quando Ignacio passou a ser assediado com frequência pelo padre Manolo (Daniel Giménez Cacho).

Tais acontecimentos não só provocariam a separação entre os dois meninos, já que o jovem foi expulso do colégio, como determinariam também uma mudança radical em sua vida: já adulto, ele viraria travesti. Ignacio agora precisa enfrentar a desconfiança de Enrique e seu ceticismo em relação ao projeto. Ao mesmo tempo em que os dois se aproximam, vários fantasmas desse passado nebuloso vem à tona, desvendando aos poucos essa trama mais complicada do que aparenta à primeira vista.

Como de costume, Almodóvar foi muito feliz com a escolha de seu elenco, desta vez predominantemente masculino, que nos brinda com ótimas atuações. Bernal, que se divide entre vários personagens cheios de nuances e mistérios, não decepciona em nenhum momento e dá conta de tamanha responsabilidade, e é bem amparado pelo elenco de apoio. Mas se há tantas qualidades num filme que ousa desse jeito na temática e é bem realizado, por que ele é um dos menos celebrados da filmografia do diretor? Porque nem só de apuro técnico vive o cinema, e quando se fala de um trabalho de Almodóvar se espera um pouco mais de emoção, de identificação com os personagens. Afinal, é isso que torna seus filmes tão especiais.