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formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Overdose dançante!

Sinfonia de Paris começa promissor. Logo no início, somos apresentados aos personagens com sua própria visão de si mesmos. A divertida narração deixa claro que aquelas pessoas de vida simples sabem viver a vida e se divertir com o que têm.

Jerry Mulligan (Gene Kelly) é um pintor desconhecido que mal consegue sobreviver com sua arte. Ele escolheu viver na Paris dos artistas, para aprender e se inspirar pelos encantos da cidade. Por isso, apesar de falido, vive relativamente feliz. Em um golpe de sorte, o rapaz arruma uma patrocinadora. Milo Roberts (Nina Foch) tem claras segundas intenções com Jerry. O rapaz percebe, mas, com seu sonho sendo oferecido em uma bandeja de prata, ele é incapaz de resitir.

Ao mesmo tempo, ele se apaixona perdidamente por uma moça que vê em um bar (tipico!). Lise Bouvier (Leslie Caron), uma moça comprometida, que se faz de dificil por pouco tempo. Logo temos um casal apaixonado onde ambos estão comprometidos com outras pessoas. E claro, ambos têm medo de perder a pessoa amada caso a verdade seja revelada. Para complicar mais um pouco, Jerry e o noivo de Lise se conhecem através de um amigo em comum. Chegam até a trocar conselhos amorosos. Daqui em diante, você pode imaginar o que acontece.


O problema é que o longa demora muito para dizer a que veio. Quando a trama finalmente é formada já estamos cansados de tentar adivinh[a-la. O tempo perdido foi gasto com personagens secundários e numeros de dança que repetem o que a cena anterior havia deixado claro. Ja vimos Jerry deixar a loja feliz da vida, precisava mesmo de cinco minutos de sapateado sobre isso? E eu sou do tipo que adoro quando as pessoas dançam sem motivo.

A estreante Leslie Caron tenta, mas ainda não tem carisma ou experiência para acompanhar Kelly, e acabou se tornando a mocinha mais sem graça entre as parceiras do ator. Aparentemente a escalação da moça visava mais seus dotes na dança, onde ela é perfeita.

Os numeros musicais são deslumbrantes, alguns até divertidos como a sequência "I got rhythm", na qual Kelly consegue ficar mais charmoso ao dançar rodeado por criancinhas fofas. Entretanto, a maioria empaca a história, que fica em pausa para vermos como Kelly e Caron dançam bem.

A megalomania dançante tem seu desfecho na sequência onírica onde Jerry se perde em suas pinturas. O conceito é interessante. A execução, perfeita, ao criar cenários e figurinos que pareçam estar dentro de obras de arte. Mas, 17 minutos! Desculpe, Kelly, mas por mais que adoremos vê-lo dançar, tudo que é demais enjoa e perde o charme.

Sinfonia de Paris tem um argumento promissor. Mas, ao apostar no exagero musical/dançante, acaba oscilando entre o tédio e bons momentos. Diverte, mas poderia ter uns 30 minutos a menos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Kelly e Jerry (e Stewie?)

Curioso! Sempre imaginei o Jerry menor.
Donald O'Connor, Cyd Charisse, Fred Astaire, Frank Sinatra. Gene Kelly teve incríveis parceiros de dança nas telas, mas nenhum tão inusitado quanto Jerry, o rato (esse mesmo, o arqui-inimigo de Tom).

No auge do sucesso, Jerry fez uma participação especial em Marujos do amor (Anchors aweigh, 1945). No filme ele conversa, canta e dança ao lado de Kelly. Confira a sequência!


E do século XXI, onde tudo se copia, altera, adapta, ou se faz referência, a versão com o pestinha Stewie, do seriado Uma família da pesada (Family guy).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Curiosidades e prêmios de Sinfonia de Paris

- Sinfonia de Paris ocupa a 9ª colocação na lista dos 25 maiores musicais de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI) e divulgada em 2006.


- Cyd Charisse descobriu que estava grávida durante a pré-produção do filme. Leslie Caron a substituiu no papel de Lise Bouvier. Foi o primeiro filme de Caron, descoberta por Gene Kelly, ao assisti-la em um balé em Paris, quando estava de férias.

- Gene Kelly dirigiu toda a sequência de "Embraceable you". Vincente Minnelli estava se divorciando de Judy Garland, além de ter outros compromissos como diretor. Com a agenda apertada, por várias vezes deixou Kelly a cargo do longa, embora o crédito pela direção seja só dele. 

- O clímax do filme é uma sequência de dança de 16 minutos, que custou a bagatela de meio milhão de dólares.

- Os últimos 20 minutos e 25 segundos do filme não têm uma única fala.

- Genne Kelly queria rodar o filme em Paris, mas, apesar de seus inúmeros pedidos, o longa foi filmado em um estúdio da MGM. Foram construidos 44 cenários na Califórina. Segundo o estúdio, era mais fácil (e mais barato) que lidar com as despesas e empecilhos da viagem.

- Aos 38 anos, Kelly tinha o dobro da idade de sua parceira de cena. Caron tinha 19. No ano seguinte, em Cantando na chuva, a diferença entre mocinho e mocinha subiria para 21 anos! Debbie Reynolds tinha apenas 18. Coroa com tudo em cima, não?

Prêmios

Oscar 
  • Melhor filme  
  • Melhor roteiro
  • Melhor trilha sonora 
  • Melhor fotografia colorida
  • Melhor direção de arte colorida
  • Melhor figurino colorido
Indicado nas categorias de melhor diretor e melhor montagem.

Globo de Ouro
  • Melhor filme - comédia/musical.
Indicado nas categorias de melhor diretor e melhor ator de cinema - comédia/musical (Gene Kelly).

BAFTA

Indicado na categoria de melhor filme de qualquer origem.

Festival de Cannes

Indicado ao Grande Prêmio do Festival.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Filmografia Gene Kelly

Gostou dos passos de Kelly? Quer ver mais? Confira os trabalhos deste artista completo, dentro e fora das telas.

Cinema  - Ator
1994 -  Era uma vez em Hollywood 3 (That's entertainment! III)
1993 - The Young Girls Turn 25 (documentário)
1989 -  Action U.S.A.
1986 -  Pecado original (Sins)
1985 -  North and south
1985 - Quando Hollywood dança (That's dancing! - narrador e produtor executivo)
1981 - Reporters (documentário)
1980 - Xanadu (Xanadu)
1977 - Viva Knievel! (Viva Knievell)
1976 - Isto também era Hollywood (That's entertainment, Part 2)
1975 - The Lion Roars Again (pequena aparição)
1974 - Era uma vez em Hollywood (That's entertainment!)
1974 - Just One More Time (pequena aparição)
1973 - 40 quilates (40 carats)
1967 - Jack and the beanstalk (TV)
1967 - Duas garotas românticas (Les demoiselles de Rochefort)
1964 - A senhora e seus maridos (What a way to go! - também coreógrafo)
1960 - O vento será tua herança (Inherit the wind)
1960 - Adorável pecadora (Let's make love)
1958 - Something for the girls
1958 - Até o último alento (Marjorie morningstar)
1957 - Les girls (Les girls)
1957 - Todos a Paris (Happy road, The)
1956 - The Magic lamp  (voz)
1956 - Convite a dança (Invitation to the dance - também coreógrafo)
1955 - Motion Picture Theatre Celebration (pequena aparição)
1955 - Dançando nas nuvens (It's always fair weather -também coreógrafo)
1954 - Bem no meu coração (Deep in my heart)
1954 - Crest of the wave
1954 - A lenda dos beijos perdidos (Brigadoon - também coreógrafo)
1952 - Council of Europe (pequena aparição - narrador)
1952 - O diabo, a mulher e a carne (Devil makes three, The)
1952 - O melhor é casar (Love is better than ever)
1952  - Cantando na Chuva (Singin'in the Rain - também coreógrafo)
1951  - No palco da vida (It's a big country)
1951 - Sinfonia de Paris (An american in Paris)
1950 - Casa, comida e carinho (Summer stock)
1950 - A mão negra (Black hand)
1949 - Um dia em Nova York (On the town)
1949 - A bela ditadora (Take me out to the ball game - também coreógrafo)
1948 - Minha vida é uma canção (Words and music)
1948 - Os 3 mosqueteiros (Three musketeers, The)
1948 - O pirata (The Pirate  - também coreógrafo)
1947 - Vida à larga (Living in a big way)
1946 - Ziegfeld follies (Ziegfeld follies)
1945 - Marujos do Amor (Anchors Aweigh - também coreógrafo)
1944 - Férias de Natal (Christmas Holiday)
1944 - Modelos (Cover Girl)
1943 - A cruz de Lorena (Cross of Lorraine, The)
1943 - A filha do comandante (Thousands cheer)
1943 - Du Barry Era um Pedaço (Du Barry Was a Lady)
1943 - O piloto nº 5 (Pilot #5)
1942 -  mi (For me and my gal)


Cinema - Diretor
1949 - Um dia em nova Iorque (On the Town - com Stanley Donen)
1951 - Sinfonia de Paris (An American in Paris - diretor da sequência introdutória)
1952 - Cantando na Chuva (Singin' in the Rain -com Stanley Donen)
1955 - Dançando nas nuvens (It's Always Fair Weathe - com Stanley Donen)
1956 - Convite a Dança ( Invitation to the Dance)
1957 - Todos a Paris (The Happy Road - também produtor)
1958 - The Tunnel of Love
1962 - Gigo
1967 - A Guide for the Married Man
1969 - Hello, Dolly!
1970 - The Cheyenne Social Club (também produtor)
1976 - That's Entertainment, Part II (diretor de algumas sequências)

Teatro - Ator
Leave It to Me (1938) - One for the Money (1939) - The Time of Your Life (1939) - The Time of Your Life (1940 - segunda temporada - também coreógrafo) - Pal Joey (1940).


Teatro - bastidores
Best Foot Forward (1941 - coreógrafo), Flower Drum Song (1958 - diretor), Coquelico (1979 - produtor)

Televisão
Going My Way (1962-1963), Gene Kelly: New York, Boston (1966), Jack and the Beanstalk (1967 - também diretor), The Funny Side (1971 - show cancelado em 4 meses), Gene Kelly: An American in Pasadena (1978), North and South (1985 - minissérie), Sins (1986 - minissérie).

Achou pouco? Kelly ainda serviu na Marinha dos Estados Unidos, durante a 2ª Guerra Mundial e foi consultor de dança de Madonna em sua turnê Girlie Show, realizada em 1993. Versatilidade, seu nome é Gene Kelly!!!

domingo, 26 de junho de 2011

Sinfonia de Paris

Vocês votaram, e decidiram que  nos depediremos do mes Gene Kelly com, Sinfonia de Paris. Será que teremos fôlego para um numero musical de 16 minutos, após 1 mês inteiro sapateando? Kelly tem.

An American in Paris
EUA, 1951
113 min - Cor
Musical/Romance

Direção: Vincent Minnelli

Roteiro: Alan Jay Lerner

Música: George Gershwin

Elenco: Gene Kelly, Leslie Caron, Oscar Levant, Georges Guétary, Nina Foch

Vencedor de 6 Oscar.

sábado, 25 de junho de 2011

Um simpático conto de fadas

A lenda dos beijos perdidos é o mais fantasioso dos filmes do mês. Some-se a isso o fato de os dois  anteriores não terem me conquistado de verdade. A expectativa era zero e, acho que por isso mesmo, funcionou: em tom de fábula e com números musicais impecáveis, com destaque para a linda parceria entre Cyd Charisse e Gene Kelly, o longa não chega a concorrer a um lugar entre os melhores do gênero, mas desperta simpatia.

Vamos deixar bem claro que a obra é altamente contra-indicada para quem não é fã de musicais. A história é um fiapo: dois caçadores americanos encontram por acaso um povoado no interior da Escócia que sequer está listado no mapa. Em dois minutos, a trama fica muitíssimo clara: o jovem, bonitão e rico Tommy Albright (Kelly) está em dúvidas em relação aos seus sentimentos por sua namorada. Por outro lado, Fiona Campbell (Charisse) decidiu que só vai se casar quando encontrar o amor verdadeiro. Um doce para quem adivinhar o que vem a seguir...

Depois de trocar algumas palavras, já sabemos que ambos estão apaixonados. Mas qual seria o empecilho? Um grande mistério em torno do lugar onde vive a mocinha, Brigadoon. Todos se vestem tão anacronicamente, reagem de forma estranhíssima à presença de estrangeiros e comemoram um tal milagre que ninguém se dá ao trabalho de explicar. E o que é uma grande bênção para alguns é considerado uma maldição pelo amargurado Harry (Hugh Lain). Não demora muito para percebermos que há algo de errado. O problema é que o suspense é bem melhor do que as respostas: a verdade por trás de tudo isso não deixa de ser um tanto decepcionante, no fim das contas.


Sim, a história é tola como um conto de fadas. Mas é fácil entrar no clima. E, com algum esforço, até acreditar na história de amor eterno quase instântanea - afinal, não é nada que você não tenha visto antes. Alguns coadjuvantes chamam atenção, como é o caso de Jeff (Van Johnson), que faz o contraponto racional, cético e sarcástico do amigo o tempo todo. É ele quem não nos deixa esquecer que o clima de vida perfeita em Brigadoon parece uma loucura para alguém de uma cidade grande, com compromissos e relacionamentos sérios. Nem mesmo quando uma moça local (avançadinha para a época, temos que reconhecer) tenta conquistá-lo, numa divertida sequência, ele se deixa levar. Aquele não é mesmo seu mundo.

Quanto ao casal principal, não há grandes diálogos ou grandes atuações que nos façam torcer por um final feliz. Mas não há como negar que tendemos a concordar com a escolha do protagonista. Numa interessante cena, Tommy, num restaurante barulhento, esfumaçado e apinhado de gente reclamando da própria vida, simplesmente desliga do que a namorada diz ao se lembrar da experiência em Brigadoon. Lá não existem problemas nem preocupações, lembram? "Todos são felizes". E, mesmo que você não acredite nisso, acaba torcendo para, pelo menos, Kelly e Charisse dividirem mais uma dança. 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Só o charme não sustenta...

Quando a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar...

A lenda dos beijos perdidos (Brigadoon, 1954) é um filme chato. Desculpem, mas é. E olha que eu gosto de musicais, daqueles que os atores começam a cantar do nada, e saem dançando pela rua e mexedo com todo mundo sem que ninguém ache isso estranho... Mas aguentar esse filme foi triste.

As coreografias de Gene Kelly são lindas, muito fluidas. Ele dançando é um charme que só. A leveza de (Fiona) também me impressionou, ficaram lindos os duetos com Kelly. O porém está no tamanho dessas cenas. São muito longas, acabam ficando cansativas. As músicas também não agradam... E quem foi que teve a brilhante ideia de acrescentar à história uma sequencia inteira ao som de uma orquestra de gaita de foles?!

Além disso, a história é batida e sem graça: um lugar que não existe no mapa é encontrado por acaso. As pessoas que lá vivem não podem sairou todas morrerão, a cidade vai desparecer. Então é óbvio que o mocinha vai se apaixonar pela moça mais linda da cidade, que por não por acaso, é solteira e está louca por arrumar um marido. Eles se apaixonam, mas ele decide voltar para a cidade ao ver que seu amigo precisa dele. Tudo se vai, eles volta para a cidade grande, mas então Tommy já não se sente mais em casa. Até que ele decide dar um basta: precisa saber se tudo foi um sonho ou se foi verdade ter conhecido aquela cidade, aquela garota. Volta e encontra a cidade, elavem correndo para os seus braços e "happy end". E a lição? "Se você ama profundamente, nada é impossível". Lindo, romântico e brega. Eu adoro, mas a única reação que tive ao final do filme foi "aaff!". Muito blablablá, eu te amo,e ada de verdade acontece. Nada que abale meu amor por Gene Kelly, mas esse filme é pra esquecer... Tomara que o próximo filme seja mais bacana.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Vou-me embora pra Brigadoon...

De forma bem poética amanhece na pitoresca cidadezinha de Brigadoon. Nada estranho a não ser a cara de felicidade descansada dos moradores ao deixar suas camas. Os rapazes colocam seus kilts, as moças seus longos vestidos e todos saem para o centro da vila animados, vai haver um casamento! Até aí, nada demais também.

Dois caçadores americanos estão perdidos na floresta, quando de repente avistam a cidade que por alguma estranha razão não haviam notado antes. Espera! Esses dois estão com roupas e armas modernas (para 1954), e aquele relógio de pulso? Houve passagem de tempo mal sinalizada? Foi erro de figurino? Nada disso. Tommy (Genne Kelly) e Jeff (Van Johnson) deram a sorte (ou azar) de encontrar a encantada cidade de Brigadoon.

Aqui tudo é encantado, até o céu e as montanhas são de faz de conta!
Digo encantada, mas seus moradores acreditam ser um milagre, que as noites em Brigadoon durem um século. Quando seus moradores vão dormir, a cidade é envolta pela névoa e desaparece por 100 anos para o mundo, enquanto os moradores encaram apenas uma boa noite de sono, antes de mais um dia comum. Maldição ou bênção, a "magia" tem suas regras bem específicas, a pior delas: niguém pode deixar a cidade ou ela deixará de existir.

É claro, que não contam nada disso logo na primeira cena, nem na segunda. Informações desconexas são liberadas aos pouquinhos, para o expectador e os forasteiros. Aguçando a curiosidade e criando aquele clima gostoso de mistério. Quando já estamos gritando com a tela por uma explicação, Tommy finalmente faz a pergunta: "Qual é a dessa cidade?" (em tradução muito livre). Quando descobrimos a resposta, o interesse pelo filme diminui. Primeiro porque a parte mais interessante do filme passou. Segundo, porque mesmo sendo parceiros de dança perfeitos, Charisse e Kelly, com quem devíamos nos preocupar a partir daqui, não demonstram muita química. 

Como de costume, Tommy se apaixona rapidinho por uma moça que provavelmente não verá outra vez. Fiona (Cyd Charisse) é irmã da noiva, e adepta da ideia de que havia alguém especial para ela. As sequências de dança do casal são incríveis, a ponto de não nos importamos, com sua longa extensão. Mas o romance é frio, sem graça. Talvez a culpa não seja dos atores, mas da falta de closes, que nunca nos deixam ver de perto o que as personagens estão sentindo.

Já Jeff, o outro caçador, parece estar na história apenas pelo fato de que ninguém vai caçar sozinho. Depois de dispensar uma tentativa de romance que dura apenas duas cenas, ele até tem uma participação na sequência em que a cidade está ameaçada. Nada significativo, uma vez que tudo se resolve no minuto seguinte. A ameaça à cidade, aliáis, poderia render mais do que a gicantesca cena de "pique-pega", que se tornou. É baseada em uma injustiça causada pelo "milagre", que impede uma personagem de seguir em frente. 

Talvez eu esteja esperando muito de um musical, mas como aceitar o básico depois de pensar nas inúmeras possibilidades que a ideia de uma cidade como Brigadoom traz? Assim como a divertica "pane", no cérebro (ou seria no coração) de Tommy que faz qualquer palavra lembrar a cidade, minha mente viajou nas inumeras hitórias que poderiam surgir dali. Por hora, posso apenas dar uma opção caso os moradores se cansem de suas caras descansadas após longuissemas noites de sono. Deixem a cidade todos ao mesmo tempo!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Prêmios Gene Kelly

Ator, dançarino, cantor, produtor, diretor e coreógrafo. Não é de se admirar que nosso homenageado do mês tenha conquistado vários prêmios e indicações. E claro uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 6161 Hollywood Boulevard.

Prêmios
  • Oscar (1952) - Prêmio Honorário em reconhecimento a sua versatilidade como ator, cantor, diretor e dançarino, e especialmente por sua bilhante contrinuição a arte coreografica no cinema. 
  • Urso de Ouro, Festival de Berlin ( Juri Internacional por Invitation to Dance - 1956)
  • Locarno International Film Festival (1964) - Silver Sail - Best actor por What a Way to Go! (1964).
  • Emny Award (1967)- Outstanding Children's Program por Jack E os Feijões Mágicos (1967 -TV - NBC).
  • Globo de Ouro (1981) -  Prêmio Cecil B. DeMille.
  •  American Filme Institute ( Life Achievement Award - 1985)
  • Pied Piper Award (ASCAP Film and Television Music Awards - 1989)
  • Screen Actors Guild Awards (1989) - Life Achievement Award

Gene e seu Oscar
Indicações
    Oscar (1946 - Melhor Ator por Marujos do Amor).

    Directors Guild of America Award (Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures  por Alô, Dolly! - 1962 -  e Cantando na Chuva - 1952. Este último ao lado de Stanley Donen).

    Golden Apple Awards (Male Star of the Year - 1957).

    Globo de Ouro (Best Director - Motion Picture por Alô, Dolly! - 1969. Best Motion Picture Actor - Comedy/Musical por Sinfonia de Paris -1951).

    Laurel Award (Golden Laurel - Top Male Musical Performance por Les Girls - 1958).

    terça-feira, 21 de junho de 2011

    Curiosidades de A lenda dos beijos perdidos

    A lenda dos beijos perdidos, no original Brigadoon, é ma adaptação de um conto alemão de Friedrich Gerstacker. Inicialmente adaptada paraa Broadway por Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, em 1947.

    - O conto original é sobre a mitica aldeia de Germelshausen, amaldiçoada por uma magia. Entretando em 1947 as recordações da Segunda Guerra Mundial ainda eram fortes demais para que o público aceitasse um musical da Broadway com tema alemão.Lerner, então adaptou a história para a Escócia.

    - Na Austrália existe um lugar chamado Brigadoon, subúrbio de Perth. Lá também é realizado também, o pouco conhecido The Brigadoon Festival, uma celebração da cultura e tradição escocesa e céltica, em Bundanoon, New South Wales.


    - Segundo Cyd Charisse, entre os vários filmes que realizou com  Gene Kelly A lenda dos beijos perdidos era seu favorito.

    - Howard Keel e Jane Powell estavam previstos para estrelar o filme, mas tiveram que desistir devido a outros compromissos.

    -  Minnelli e Gene Kelly queriam fazer locações na Escócia, mas os estúdios MGM não autorizaram.

    - Para compensa r o cenário era tão realisra que alguns pássaros reais migrarm para o set.

    - Em 1966 a rede de TV americana ABC produziu uma versão de Brigadoon para a televisão. A duração foi reduzida e o enrredo alterado. Os dois caçadores foram substituidospor pilotos, cujo carro apresenta um defeito nas proximidades de Brigadoon. Essa versão recebeu vários premios Emmy.

    Prêmios 

    Oscar
    Indicado nas categorias de melhor direção de arte colorida, melhor figurino colorido e melhor som.

    Globo de Ouro
    • Melhor fotografia colorida.

    domingo, 19 de junho de 2011

    A lenda dos beijos perdidos

    Vamos unir música e fantasia essa semana...

    Brigadoon
    EUA, 1954
    108 min - Cor
    Musical/Fantasia

    Direção: Vincent Minnelli

    Roteiro: Alan Jay Lerner

    Música: Frederick Loewe

    Elenco: Gene Kelly, Van Johnson, Cyd Charisse, Elaine Stewart, Barry Jones, Hugh Laing, Albert Sharpe, Virginia Bosler, Jimmy Thompson, Tudor Owen, Owen McGiveney, Dee Turnell, Dodie Heath, Eddie Quillan.

    Adaptação de um conto alemão de Friedrich Gerstacke.

    sábado, 18 de junho de 2011

    Comédia ingênua e divertida


    Não espere grandes números musicais de Um dia em Nova Iorque. O filme, o primeiro dirigido por Gene Kelly (junto com Stanley Doney), tem muita cantoria, com letras nem tão inspiradas assim, e poucos realmente bons momentos de dança. Alternando bastante entre altos e baixos, no entanto, o resultado é divertido. Justamente porque, quando envereda pela comédia, o longa funciona melhor.

    Os marinheiros Gabey (Gene Kelly), Chip (Frank Sinatra) e Ozzie (Jules Munshin) têm apenas 24 horas na Big Apple e querem aproveitar até o último minuto: ver todos os pontos turísticos possíveis e, por que não?, encontrar uma companhia especial. As novaiorquinas são tão bonitas... Mas Gabe nem imagina que Ivy Smith (Vera-Ellen), a Miss Catraca que ele julga ser uma celebridade, vem da mesma cidadezinha que ele. Parece bobo que um homem passe seu único dia em terra atrás de alguém que ele nem conhece quando podia ter qualquer garota à sua disposição. E é. Ah, os anos 40! Amor à primeira vista num vagão de trem lotado parece até possível.

    Mas vocês conseguem imaginar que é essa busca desenfreada que move todo o filme? O tempo todo não pude deixar de pensar que essa trama era frágil demais para sustentar os 98 minutos de projeção. Realmente, a sensação é de que, até o encontro dos protagonistas, tudo não passava de uma grande introdução. Mas, acreditem, o casal nem empolga tanto assim. O grande mérito do filme é mesmo a ingenuidade de Gabe, que acredita até o último minuto que a amada é alguém importante. É divertidíssimo quando Brunhilde (Betty Garett) e Claire (Ann Miller) resolvem alimentar a fantasia do marinheiro, subornando garçons. Quase como os pais que se vestem de Papai Noel para não decepcionarem os filhos. Muito bonitinho. Mas o melhor mesmo ainda estava por vir, já bem próximo do final, quando os três marmanjos se vestem de dançarinas para fugir da polícia. E o discurso das garotas, capaz de amolecer o mais insensível dos corações? Ainda mais sensacional. 



    E se todas as personagens femininas foram criadas com um toque de humor - o que nem sempre funciona, vide o caso da taxista, que parece forçado a maior parte do tempo, em parte graças ao texto, em parte graças à interpretação da atriz -, não podemos esquecer de uma coadjuvante em especial: Alice Pearce, a intérprete da impagável Lucy Schmeeler. Em pouquíssimas aparições, ela foi a responsável pelos momentos mais divertidos do filme. Adorei essa cena, em que todos dançam juntos e parecem realmente estar se divertindo ao gravá-la. Afinal, musical não é para ser divertido?


    Já na parte musical, o longa fica devendo letras mais elaboradas e coreografias de encher os olhos, como sabemos que Gene Kelly executa como ninguém. À parte a sequência do Museu de Antropologia, faltou charme e graça aos números musicais. E isso ficava mais evidente ainda quando Vera-Ellen era a única parceira de Kelly. Ela até se saiu bem na divertida sequência em que Gabe imagina Ivy como uma atleta, mas não se destaca mais. Aliás, toda aquela encenação da "peça" "Um dia em Nova Iorque" era realmente necessária? Fiquei na dúvida. Soou para mim como uma grande repetição do que havíamos visto até então, só que sem diálogos. Talvez intercalar essas cenas na narrativa tivesse um efeito melhor. Porque, vocês sabem, sutileza também é fundamental.

    sexta-feira, 17 de junho de 2011

    Muito para um dia!

    Gene Kelly tem o péssimo hábito de se encantar por moças que ele provavelmente só verá uma vez. E depois precisa revirar a cidade para vê-las novamente. Foi assim quando Don conheceu Katty em Cantando na chuva. E é assim que Gabey (Kelly) "disperdiça" seu único dia em Nova Iorque.

    Três marinheiros Gabey (Gene Kelly), Chip (Frank Sinatra) e Ozzie (Jules Munshin), ganham um dia de folga ao aportar na "grande maçã". Com tantas opções e tão pouco tempo, os rapazes parecem um pouco perdidos sobre o que conhecer. Seu itinerário ganha forma quando ao pegar o metrô, Gabey se vê obcecado pela Miss Catraca (isso mesmo roleta!), do mês. Depois de um breve encontro com a moça, os três saem em seu encalço, tendo como pista apenas um cartaz publicitário.

    Durante a busca conhecem vários pontos da cidade e, claro, mais duas moças. Afinal 3 casais fazem coreotrafias mais elegantes que  uma moça e três marmanjos. Não demora muito para encontrar Ivy, mas agora temos que nos preocupar com o fato da moça fingir ser outra pessoa, com a polícia que persegue o grupo e a inevitável partida do trio pela manhã. E sim o longa tem apenas 98 minutos, e longos números musicais.

    Como eles conseguem contar tanta coisa em tão pouco tempo? Ora, nada inicia tão rápido uma amizade, ou acelera um relacionamento, tão bem quanto um número musical. Extensos, bem coreografados e com musicas vibrantes. Incríveis! Embora um deles, tenha apenas a função de resumir a história até ali (em prol de quem precisou ir al banheiro durante a seção?). E outro nos faz ter certeza de que americanos não sabem a diferênça entre homens da pré-história e índios.

    No roteiro um ótimo exemplo de situação que a evolução dos meios de comunicação eliminou: nos dias de hoje: nunca um marinheiro (distante da civilização por semanas) acreditaria que alguém é uma estrela apenas por ter uma foto no metrô. TV e internet nos deixam bem a par de quem é ou não celebridade, apesar da efemeridade da situação hoje em dia. É essa inocência que faz o filme ser tão adorável. 

    Os rapazes, deslumbrados pela cidade grande, são facilmente identificaveis pelos "nativos". Da mesma forma que identificamos gringos no Pão de Açucar. Não tem coisa mais divertida e "non-sense" que assitir a três homens adultos saltitarem felizes pelo Central Park. Situação que normalamente seria alvo de inúmeras piadas, e críticas. Mas na tela, em um filme musical, tudo bem! A gente acredita.

    Já suas pretendentes são o completo oposto, decididas, objetivas e idependentes. Elas tomam as rédeas da situação. Seja nas atitudes, elas literalemente se jogam nos rapazes, e sua com sua "lábia" resolvem (e causam) muitos problemas. Ou figurino deslumbrante e com cores fortes, que nos fazem pensar, como três rapazes de uniformes brancos (inocentes e puros) poderiam resistir a elas?

    Como se todo o drama e caçada romântica e música fosse pouco para se resolver em apenas 24 horas, ainda tem uma perseguição policial. Causada por um acidente com um esqueleto de dinossauro no Museu de História Natural (o mesmo do Ben Stiller). Acho que por isso, que até os dias de hoje é proibido sapatear em museus nova-iorquinos!

    Apesar das semelhanças que mencionei no primeiro parágrafo, não é um Cantando na chuva. Mas ainda sim é muito divertido!

    P.s.: Acho que decobri que (me perdoem!) High School Musical 3, faz referência a esse longa. Se for, menos mal! Mas aviso, assiti ao longa tarde da noite, e redigi esse texto mais tarde ainda. Existe portanto uma enorme possibilidade de eu estar "viajando na maionese".

    quinta-feira, 16 de junho de 2011

    Onde está Cantando na chuva?

    Como assim? Vocês estão fazendo um mês Gene Kelly e Cantando na chuva não está na lista? Nem ao menos entre as opções da enquete? Que tipo de cinéfilo comanda essa balbúrdia???

    Calma, caro leitor!!!

    Você tem toda a razão Cantando na chuva é o filme! Por isso mesmo, ele já figurou em nosso sofá há cerca de um ano. Foi o 25º filme que assitimos por aqui (é sério, nós contamos!). Durante a semana dedicada ao maior musical de todos os tempos, segundo o American Film Institute (AFI), postamos as tradicionais resenhas e muitas curiosidades musicais.

    Leia (ou releia) todos eles:

    Continue acompanhando o mês Gene Kelly no DVD. Não se esqueça de votar em nossa enquete e ajudar a escolher o último filme do mês.


    quarta-feira, 15 de junho de 2011

    Curiosidades de Um dia em Nova Iorque

    - Um dia em Nova Iorque foi inspirado no musical de Robbins ballet intitulado Fancy Free,  que estreou em NY na primavera de 1944. 

    - O filme ocupa a 19ª colocação na lista dos 25 Maiores Musicais Americanos de todos os tempos, do American Film Institute (AFI), divulgada em 2006.

    - Foi o  primeiro musical filmado em locações. Na época, era comum rodar musicais inteiros em estúdio, mas Gene Kelly insistiu para que algumas cenas fossem feitas em Nova Iorque. O Museu Americano de História Natural, a Ponte do Brooklyn e o Rockefeller Center receberam as filmagens. 

    - A popularidade de  Frank Sinatra atrapalhou muito as filmagens nas ruas de NY.

    - Frank Sinatra era muito magro, por isso tinha que usar próteses para preencher o uniforme.

    - É o filme de estréia de Stanley Donen, Carol Haney e Bea Benaderet.

    - Alice Pearce repetiu o mesmo papel que fez na Broadway.


    Prêmios

    Oscar
    • Melhor Música.
    Globo de Ouro
    Indicado para melhor fotografia colorida.

    segunda-feira, 13 de junho de 2011

    Mês Gene Kelly: os concorrentes

    Todo mês pedimos que você, caro leitor, escolha um de nossos filmes, e o mês Gene Kelly não é exceção. Se ainda não sabe em quem votar a gente dá uma ajudinha e apresenta os longas para você!

    Depois não se esqueça de votar, na enquete aí do lado (isso no topo da barra lateral, achou? Vote!)

     A senhora e seus maridos
    (What a way to go!, 1964)

    Tudo o que Louisa May Foster (Shirley MacLaine) deseja é um homem para amar... que fique vivo! Mas, por mais que tente, ela só encontra maridos que enriquecem e morrem logo depois. Indicado em duas categorias do Oscar em 1964 (Direção de Arte Colorida e Figurino - Em Cores).



    Sinfonia de Paris
    (An american in Paris, 1951)

    Jerry Mulligan (Gene Kelly) é um pintor norte-americano que tenta a sorte grande na charmosa e imortal Paris. Jerry tem seu talento "descoberto" por uma rica mulher, que tem muito mais interesses em Jerry do que apenas em seus quadros. Ao mesmo tempo, ele se apaixona por Lise (Leslie Caron), uma jovem comprometida francesa. Vencedor de seis Oscar: Melhor Filme, Direção de Arte, Fotografia, Roteiro Original, Trilha Sonora e Figurino.


    Os Três Mosqueteiros
    (The Three Musketeers, 1948) 

    D'Artagnan, um jovem provinciano, chega a Paris com o intuito de se tornar um mosqueteiro. Ele encontrará muitos obstáculos, ação, amor, ódio, o rei e a rainha. E ainda Richelieu e sua impetuosidade, que deixará D'Artagnan envolvido em tramas políticas. Mas, contra tudo e todos, ele se junta a Athos, Porthos e Aramis. D'Artagnan terá, além do mais, que se desdobrar para manter seguro o seu amor pela encantadora Constance Bonacieux sem indispor a apaixonada Milady De Winter, uma agente secreta do Cardeal.

    domingo, 12 de junho de 2011

    Um Dia em Nova Iorque

    Já era a hora de a cidade mais filmada do mundo dar as caras por aqui. Vamos gastar um dia inteirinho em New York, Neeewww Yoooorrrkkkkk!!!!!

    On the Town
    EUA, 1949
    98 min - Cor
    Musical

    Direção: Gene Kelly, Stanley Donen Vidor

    Roteiro: Betty Comden e
    Adolph Green

    Música: Betty Comden e Adolph Green.

    Elenco: Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen, Betty Garrett, Ann Miller, Florence Bates, Alice Pearce.

    Adaptação da peça musical de Leonard Bernstein

    sábado, 11 de junho de 2011

    Fofo e só

    Gene Kelly e os coadjuvantes salvam o filme

    Esperava bem mais de Modelos (Cover Girl, ). Os nome de Gene Kelly (Danny) e Rita Hayworth (Rusty) chamam a atenção e criam expectativa, mas confesso que fiquei decepcionada com a atuação de Rita. Gene kelly aparece muito pouco, é mais um coadjuvante de luxo. E como a protagonista não sustenta o posto com propriedade, é ofuscada pelo brilho de Kelly.

    Sim, sou fã dele desde que assisti a Cantando na chuva aqui para o blog, e relacionando um filme com o outro, este Modelos perde de dez a zero. Apesar de pinceladas de humor bem dosadas [a assistente mau-humorada que tem que escolher as modelos para a capa da revista é uma sacada de gênio], a história é muito confusa. Como assim o dono da revista tinha sido apaixonado pela avõ de Rusty? Muito forçado. E os números musicais são chatinhos, não empolgam. A não ser o deslumbrante número em que Gene Kelly dança com ele mesmo - efeitos especiais "bobinhos", mas eficientes e técnica perfeita de dança e sapateado. O melhor número do filme todo. As coadjuvantes também são boas e pareciam mais naturais que Rita ao dançar. Muita pose de estrela para pouco carisma. Me passa a impressão de que ela já era diva, e tinha se acostumado com isso, então nem precisava se esforçar para estar ali. Uma pena.


    Rita Hayworth: muito diva e pouco carisma

    A história é bobinha, corista sonha em ser uma estrela, mas não pensa em largar o namorado e o local de trabalho onde é feliz com os amigos. Até que um dia aparece um concurso para ser a capa de uma revista famosa. Ela se inscreve e acaba sendo escolhida. Vai parar na capa da revista, e a fama vem com tudo: fotógrafos, flores, festas... Ela acaba ganhando tudo o que sempre quis, mas perde tudo o que tinha conquistado. A felicidade se foi, mas ela ficou rica. Porém, no dia do casamento, uma lembrança trazida por um amigo, uma pérola encontrada entre as ostras no bar do Joe, a fez desistir da fama, do casamento, do dinheiro só para poder voltar a ser feliz.

    Então, todo mundo sabia que ia acabar assim, né? Porque não fazer com charme, pra gente poder defender o filme? É, esse não deu não.

    sexta-feira, 10 de junho de 2011

    Um musical decepcionante


    Eu confesso, fiquei mal acostumada com Cantando na chuva. Assisti a Cover girl esperando ver um grande musical, com números bem executados e perfeitamente encaixados, boas atuações e roteiro bem construído. Não pude evitar a decepção. A história até cresce do meio para o final, mas já não é suficiente para desapontar quem gosta de um filme do gênero bem feito.

    Em primeiro lugar, fiquei muito sentida pela condição de coadjuvante de Gene Kelly. Não que ele seja um ator estupendo, mas funciona bem. A questão é que a presença dele, em especial nas coreografias, faz toda a diferença. É dele a melhor sequência disparada do longa (e, não à toa, a que ele dispensa seus parceiros): a que ele dança consigo mesmo. O efeito do duplo é curioso, mas não é tudo. A precisão dos movimentos, a postura e a quase perfeita sincronia entre Danny e Danny nos faz lembrar o tempo todo de que estamos diante de um dançarino de verdade.


    O efeito contrário acontece quando Rita Hayworth está em cena. A atriz pode ser graciosa e tal, mas não é capaz de convencer dublando as músicas ou dançando (se é que aquilo pode ser chamada de dança). Até aí, temos um problema, já que se trata de um musical e ela ocupa o posto de protagonista. O mínimo que se pode exigir é alguém que cante e dance bem. Mas a situação só piora, já que ela também não convence atuando. Sua Rusty Parker precisava passar por uma grande transformação do início ao fim da trama, e isso nunca se concretiza de verdade. 

    A menina que vai fazer despretensiosamente o teste para a garota da capa de uma revista é (ou deveria ser) muito diferente da mulher que se julga mais importante que o pequeno teatro onde começou a carreira a ponto de abandonar tudo e partir o coração do homem amado. Fiquei esperando essa transição o tempo todo, mas Rita Hayworth não chega nem perto disso. Talvez parte da culpa se devam ao roteiro e à direção, amenos demais. Umas falas mais agressivas nao fariam mal nenhum... Seria para não destruir a essência romântica e ingênua do filme? Não duvido. No entanto, se a parte musical não podia melhorar, a dramática, certamente, tinha salvação. Mas eu queria mesmo que alguém me explicasse por que cargas d'água Rusty tinha que ser a cara da avó. Uma dançarina ruim na família não era suficiente?

    quarta-feira, 8 de junho de 2011

    You can't always get what you want...

    Vida de artista não é facil! Rusty Parker (Rita Rayworth) é prova viva disto. A moça canta, dança, tem um belo sorriso, a capacidade de trocar de figurino em segundos dividindo o camarim com outras sete moças e ainda sim só conseguiu trabalho em uma "espelunca" (no melhor sentido da palavra). Mas a vida não é tão ruim assim, ela tem um belo namorado, Danny (Gene Kelly) com quem divide o palco, e um fiel amigo, o divertido Genius (Phil Silvers). Juntos, dão força um ao outro na busca por uma vida melhor.

    Em Cover gril, aspirantes a artistas em busca de uma vida melhor existem aos montes no Brooklyn. Logo, quando aparece um concurso para se tornar a garota da capa de uma famosa revista, a moçada se anima. Mesmo indo mal nos testes (como sempre, graças a uma "mui amiga"), a moça conseque e aceita o trabalho, apesar dos instintos de seu amigo Genius berrarem o contrário.

    Se você tem um amigo chamado Genius, devia ouvi-lo. Ele tem esse nome por alguma razão! A ascensão meteórica pode ser muito perigosa. Centrada nos holofotes, logo a moça perde o rumo e as coisas que realmente importam.

    Comédia romantica do estilo "o poder subiu a cabeça", já repetida à exaustão durante esses 70 anos. Embora, neste longa, a protagonista não pareça tão deslumbrada assim com a fama.O grande problema foi causado, na verdade, por uma péssima administração de agenda, somada aos ciúmes de Danny. Novos trabalhos trazem novos compromissos, leva um tempo para organizar-se novamente.


    Rita Rayworth não me encantou, sua interpretação pareceu meio engessada pela responsabilidade de dar vida à garota da capa perfeita. Salvo a cena de embriaguez e a tentativa de explicar uma fuga de um  casamento, pérolas de um roteiro mediano. Mesmo sem muita quimica entre o casal, ver Kelly dançar já vale o ingresso. Seu amigo Genius parece uma versão piorada do Cosmo (Donald O'Connor) de Cantando na chuva. Os longas tem uma década de diferença, e ambos possuem Gene Kelly como mocinho. Impossível não imaginar: terá Genius sido um ensaio para Cosmo???

    Falando em imaginar, diversas outras obras me vieram a mente enquanto assistia à Cover girl. De Marry Poppins (na sequência "Poor John") ao videoclipe de "Billie Jean" (no número das vitrines). Se referências reais, mera coincidência, ou meras viagens da minha mente, nunca irei descobrir. 


    Um musical da Era de Ouro, com cenários e figurinos, impecavelmente coloridíssimos, além de belas e extensas coreografias produzidas com esmero. O único problema é a falta de objetivo de algumas músicas. Boa parte das apresentações em palcos não impulsionam a história. Estão lá apenas para lembrar que as personagens, são artistas, trabalhadores, e mais um longo dia de trabalho está em curso. Nesse caso, poderiam ser mais curtas para não congelar a narrativa e correr o risco de perder o interesse do espectador.

    Talvez seja também culpa do exagero musical e coreográfico que o desfecho tenha recebido pouco tempo. Em menos de 10 minutos, as personagens resolvem o que não conseguiram nas duas horas anteriores. E, claro, terminam tudo dançando e cantando.

    Esta é uma comédia romântica musical, logo você já deve suspeitar qual é o final, assim que olha a ilustração da capa. Mas tudo bem! Esse filme não é sobre grandes surpresas, mas sim sobre uma jornada de aprendizado. A lição? O grande filósofo Sir Mick Jagger já gritou aos quatro ventos no microfone: You can't always get what you want, but if you try sometimes, you just might find you get what you need!

    terça-feira, 7 de junho de 2011

    Curiosidades e prêmios de Cover girl

    - O roteiro teve como base uma história de Erwin S. Gelsey.

    - Cover girl é o segundo de quatro filmes em que o diretor Charles Vidor e a atriz Rita Hayworth trabalharam juntos. Os outros trabalhos foram O protegido de papai (1940), Gilda (1946) e Os amores de Carmen (1948).

    - A Columbia Pictures deu a Gene Kelly total controle sobre a produção. Muitas de suas ideias foram responsáveis pelo sucesso da obra. O truque de fotografia que torna possível que o ator dance com ele mesmo foi sugestão do ator.

    - Rita Hayworth não cantou no longa. Ela dublou músicas interpretadas por Martha Mears.

    Prêmios

    Oscar
    • Melhor trilha sonona
    Indicado para Melhor Fotografia Colorida, Melhor Som, Melhor Canção Original ("Long ago and far away") e Melhor Direção de Arte Colorida.

    domingo, 5 de junho de 2011

    Modelos

    O nome em português do longa é tão sem graça que aqueles que o conhecem o chamam apenas pelo título original. Muito glamour, música e dança para a garota da capa na primeira semana do Mês Gene Kelly.

    Cover Girl
    EUA, 1944
    107 min - Cor

    Comédia/Musical/Romace

    Direção: Charles Vidor

    Roteiro: Marion Parsonnet, Paul Gangelin e Virginia Van Upp

    Música: M.W. Stoloff

    Elenco: Genne Kelly Rita Rayworth, Lee Bowman, Leslie Brooks, Eve Arden, Otto Kruger, Anita Colby, Phil Silvers, Jinx Falkenburg.

    Baseado em história de Erwin S. Gelse. Vencedor de 1 Oscar.

    Mês Gene Kelly

    Faz cerca de um ano que ele deu seus primeiros passos aqui no blog. Foram passos tão bem elaborados que ele encantou a ponto de ganhar um mês só dele em nosso sofá. Abram espaço para o charme e a dança de Gene Kelly!

    Eugene Curran Kelly nasceu em Pittsburgh, EUA, em 1912, e é geralmente lembrado por seu trabalho como ator e dançarino. Entretanto, Gene Kelly, como é conhecido mundialmente, também era cantor, diretor, produtor e coreógrafo.

    Estimulado pela mãe, Gene começou a fazer aulas de dança ainda pequeno, ao lado de seus quatro irmãos. Teve vários trabalhos durante a crise econômica nos anos de 1920. Quase duas décadas mais tarde, iniciou uma carreira na Broadway participando do espetáculo Leave it to me, em 1938. Em 1940 chamou atenção ao interpretar o protagonista do musical  Pal Joey.

    Em 1941, mudou-se para Hollywood para trabalhar com cinema. Lá começou a combinar movimentos de câmera com passos de dança em seus trabalhos, destacando-se na Era de Ouro dos musicais, em filmes como  Marujos do amor (1945) e Um dia em Nova York (1949).

    Sinfonia de Paris (1951) levou seis Oscar. O longa rendeu a Kelly um prêmio especial por sua versatilidade (ator, cantor, diretor e dançarino) e por sua brilhante contribuição para a arte da coreografia no cinema.

    Cantando na chuva (1952)
    Ao lado de Debbie Reynolds e Donald O'Connor, trabalhou naquele que seria considerado o maior clássico dos musicais. Cantando na chuva e suas belas sequências musicais chegaram aos cinemas em 1952. O longa ocupa a primeira colocação na Lista dos 25 Maiores Musicais Americanos de todos os tempos, idealizada pelo American Film Institute (AFI) e divulgada em 2006.

    Após o sucesso, Gene Kelly passou uma temporada na Europa. Lá, dirigiu e coreografou Convite à dança. Continuou a trabalhar em filmes bem-sucedidos dos Estados Unidos nas décadas seguintes. Foi agraciado com a Legião de Honra do Governo Francês em 1960. Sua carreira começou a entrar em declínio nos anos 1980. Mesmo assim, Gene continuou trabalhando e recebendo prêmios pelo conjunto de sua obra.

    Casou-se três vezes, teve três filhos e morreu em 1996, aos 83 anos.

    Quer saber mais sobre este astro versátil? Continue acompanhando o mês Gene Kelly no DVD, sofá e pipoca. Você ainda pode escolher o ultimo longa do especial em nossa enquete. Participe!

    sábado, 4 de junho de 2011

    Essa família é muito unida...


    Casamento grego tem tudo aquilo que garante o sucesso de uma comédia romântica: uma mocinha carismática, um mocinho interessante, situações divertidas e bons personagens secundários. No caso, a imensa família grega e barulhenta de Toula Portokalos, nas palavras da própria. E hilária, eu diria. Gente, o que são a impagável tia Voula (e sua total falta de noção) e o sr. Portokalos (e seu inseparável Windex)? Muita coisa ali é caricatura? É, tanto quanto uma novela da Globo com núcleo italiano, indiano ou muçulmano. Mas o fato de Nia Vardalos (protagonista e roteirista da história) ter mesmo ascendência grega lhe dá uma certa propriedade para falar do assunto. O estereótipo, nesse caso, é só uma desculpa para rir de si mesmo. Às vezes é bom não se levar tão a sério, não é?

    A trama do patinho feio é batida? Sim, mas não dura tanto tempo assim para incomodar. A feiosa, desajeitada e desprovida de autoestima garçonete logo decide valorizar o visual, ao mesmo tempo em que toma coragem para controlar a própria vida. Notem que não foi preciso que ela se apaixonasse pra isso. Acho positivo isso. A mudança externa foi mesmo o efeito de um processo de autoconhecimento e amadurecimento, e não uma tentativa de conquistar alguém. Por outro lado, nunca saberemos se Ian Miller (o gato John Corbett) daria uma chance a Toula se ela continuasse uma baranga...


    O encontro dos dois não poderia ser mais bonitinho. Não bastasse ser charmoso e inteligente, o professor é fofo até não poder mais ao entender todas as neuras da namorada e restrições da família. Imaginem vocês uma mulher de 30 anos que não pode contar para os pais que namora um não-grego? Gostei muito dessa versão mais light de amor impossível, sem todo o drama do estilo Romeu e Julieta, mas suficientemente complicada para garantir umas boas risadas até o fim do filme. Ou vai dizer que você também não se divertiu com as ótimas cenas do jantar em que os pais dos noivos se conhecem? De um lado, os sóbrios americanos que confundem gregos com guatemaltecos, e, de outro, os expansivos, dançantes e comilões Portokalos, que acham que a filha só será bem-sucedida quando casar e tiver filhos. Parecem mesmo incompatíveis. E são.

    Por tudo isso, dá para entender a vontade súbita de Toula de fugir para Vegas, depois de tanta chantagem emocional do pai. E não dá para não achar a coisa mais linda do mundo Ian se batizar na Igreja Grega (numa piscininha de plástico!) só para não matar os futuros sogros de desgosto. É uma história fofa demais, com espaço para ótimas piadas, elenco afinadíssimo e roteiro enxutinho. E o fato de Nia Vardalos ser um rosto desconhecido e não seguir o modelo de beleza de Hollywood também ajudou muito, atrai pela novidade. Pena que a atriz teimou em se repetir nos filmes seguintes e não emplacou mais nenhum sucesso. Um raio não cai no mesmo lugar duas vezes.

    quinta-feira, 2 de junho de 2011

    Casamento grego - A série!

    Logo após o sucesso do longa, Nia Vardalos aceitou trasnformar a história em série de TV. My big fat greek life estreou em fevereiro de 2003 nos Estados Unidos, com quase todo o elenco do filme. A exceção foi John Corbett, que deixou o papel de noivo para Steven Eckhold. 

    A história continua logo após a lua de mel de Toula e mostra o di-a-dia da família Portokalos. Entre as novidades, estava a participação da produtora Rita Wilson (senhora Tom Hanks), como uma prima que veio de longe.

    Entretanto, algumas obras são peças únicas. O que deu certo nas telonas funcionou mal  na telinha. O programa teve apenas sete episódios antes de ser cancelado devido ao enorme fracasso de audiência. A série pode ser encontrada em DVD caso você deseje conferir esta pérola televisiva.

    Será que só agrado na tela grande????

    quarta-feira, 1 de junho de 2011

    Opa!!!

    Opa! Acho que sou meio grega. Não que minha tia me obrigue a comer olhos de carneiro porque faz ficar inteligente (pensando bem, ela estranha o fato de eu não gostar de pés de galinha). Mas no sentido de que faço parte de uma família grande, barulhenta, intrometida e comilona. No bom, e algumas vezes, no mau sentido também.

    A família de origem grega de Fotoula Portokalos (Nia Vardalos) é assim, meio sufocante. Talvez por isso, e por algumas outras coisas, Toula tenha chegado aos 30 sem grandes perspectivas. Trabalhando no restaurante da família, até então não havia feito  muita coisa para não decepcionar os planos do patricarca, que esperava que a moça casasse com um bom grego e produzisse vários gregrinhos.

    Chega um dia que a moça consegue dar um bastanaquele marasmo, convence o pai a deixá-la estudar informática. A moça se descobre, sente-se bonita e até descola um pretendente. Mas Ian Miller (John Corbett) não é grego. Logo, quando o namoro chega ao conhecimento da família, o caos se instala. E o rapaz, perdidamente apaixonado, aceita enfrentar um longo e complicado processo de aceitação, da família da moça, que culminará no grande e gordo casamento grego. Fofo!

    Já que pertenço a uma dessa exêntricas famílias, enquanto a maioria das pessoas acha graça dos hábitos exagerados dos gregos, é a apatia dos Miller, os pais do noivo, é que me surpreende. O divertido e inteligente contraponto à família numerosa de Toula é tão insosso que nos faz questionar: como Ian foi concebido e se tornou um cara legal, com pais como aquele? Mas também entendemos de cara porque ele topou se aventurar naquela enorme família.

    Essa é a parte divertida do filme. A parte edificante fica por conta da transformação de Toula, de pessoa sem perspectivas a uma mulher cheia de vida, literalmente apaixonante. E da forma como acontece, de dentro para fora. O makeover vem depois do crescimento pessoal, do aprendizado, da descoberta do mundo. Diferente das dezenas de transformaçãos cinematográficas onde a mocinha só cresce após se sentir visualmente bela.

    Mama sabe resolver!!!!
    Resta ainda minha parte favorita: a força de um pescoço. Segundo a mãe da protagonista, o homem pode até ser a cabeça da casa, mas a mulher é o pescoço. Na melhor demonstração de "housewife power" do cinema, a dona de casa exibe exímia perícia em virar a cabeça de seu marido para o lado que deseja. Felizmente a manipulação sempre coloca seu estressado marido grego no caminho certo. Avalia se esse poder cai nas mãos erradas!

    Se ainda assim, você não se divertiu com nada que mencionei acima, ainda pode se deliciar com as tradições e costumes gregos. Que vão da bizarra cuspida para dar sorte à calorosa recepção quando te aceitam. 

    Adorável tia Voula!
    O destaque aqui fica com Tia Voula (Andrea Martin). A senhora nos recepciona naquela estranha comunidade ao mesmo tempo que nos choca com estranhas histórias de seu passado. Adoro a cena na festa de casamento onde ela serve de "intérprete de habitos" para os Miller. Um ato acolhedor e adorável da tão estranha personagem!

    Mesmo sem a tradicional quebra de pratos, comum em festas gregas (nem uma ceninha!), Casamento grego é diversão durante todo a projeção e ainda termina com uma enorme festa!