3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um pouco mais do diretor: John Ford


John Ford, também creditado como Jack Ford nasceu em 1 de Fevereiro de 1894. Ford era descendente de Irlandeses de Galway e muitos dos seus filmes têm referências à sua ascendência. Nascido John Martin Feeney passou toda a juventude sob o nome John Augustine Feeney, e em seu passaporte consta Sean Aloysius O’Feeney, pois escolhera o nome Aloysius quando fez o nome que escolheou na ocasião de sua Crisma.


Passou a juventude em Portland, e trabalhava conduzindo uma carroça de peixe, foi entregador e publicista de uma fábrica de calçados. À noite, trabalhava como lanterninha do Teatro Jefferson e no Ponto da Jóia, foi quando se apaixonou pelo teatro.Não passou no exame de admissão da Academia Naval de Annapolis, e resolveu partir para a Califórnia, onde morava seu irmão.

Iniciou sua ator em 1914, por intermédio de seu irmão, o ator-diretor Francis Ford. Incialmente usou o nome Jack Ford, que conservou até 1923, quando assumiu definitivamente o nome artístico John Ford.

O primeiro crédito como ator, sob o nome Jack Ford, foi no filme The Mysterious Hand. Após aparecer em dez filmes e três seriados dirigidos pelo irmão começou a dirigi. Seu primeiro filme foi The Tornado ("O Furacão"), em 1917, no qual também era ator.Também nesse ano, com o filme Soul Herder ("O Arrebanhador de Almas"), da Universal, ainda como Jack Ford, iniciou uma associação com Harry Carey, a qual duraria quatro anos e renderia 29 filmes.

Entre 1917 e 1919, Ford dirigiu 31 Westerns, alguns com Harry Carey, Pete Morrison e Ed Jones, todos pela Universal. Em 1920 assinou com William Fox. Em 1923, quando dirigiu Camo Kirby ("Sota, Cavalo e Rei"), é que foi creditado com John Ford. e o reconhecimento viria em 1924, com The Iron Horse ("O Cavalo de Ferro"), seu segundo grande épico da conquista do oeste. Com o filme Three Bad Men ("Três Homens Maus"), em 1926, em que estrelavam Tom Mix, George O’Brien e Buck Jones, Ford encerra sua fase de cinema mudo.

A partir de então se tornou, segundo a crítica, um dos maiores contribuidores para o desenvolvimento do cinema, em especial do gênero Western. Contudo ele se dedicou, aos mais variados gêneros, voltando aos faroestes em 1939, com Stagecoach ("No Tempo das Diligências"), filme que destacou John Wayne então em início de carreira.

Em 51 anos de carreira, Ford dirigiu a incrível quantia de 133 filmes, o último em 1965, Seven Women ("Sete Mulheres"). Ainda dirigiu ainda alguns documentários para a TV, antes de morrer de câncer, ao lado da esposa Mary McBride Smith Ford em Agosto de 1973.

É o diretor mais premiado na história do Oscar (também com 133 filmes). Sua estrela na calçada da fama fica em 1642 Vine Street.

Prêmios

Oscar
  • Melhor Diretor - O Delator
  • Melhor Diretor - As Vinhas da Ira
  • Melhor Diretor - Como Era Verde o Meu Vale
  • Melhor Diretor - Depois do Vendaval
Indicado para Melhor Filme (A Longa Viagem de VoltaDepois do Vendaval) e Melhor Diretor (No Tempo das Diligências)

Globo de Ouro
  • Globo de Ouro especial - 1955
Indicado para melhor Melhor Diretor (Depois do Vendaval)

Festival de Veneza
  • Leão de Ouro honorário - 1971
  • Prêmio Internacional - Depois do Vendaval
  • Prêmio OCIC - Depois do Vendaval
  • Recomendação Especial - A Marcha dos Séculos
  • Recomendação Especial - Maria Stuart, Rainha da Escócia

Festival de Locarno
  • Grand Prix - O Azar de um Valente
  • Melhor Diretor - Sangue de Heróis

domingo, 28 de novembro de 2010

Rástros de Ódio

De volta ao velho-oeste...

The Searches
1956 - EUA
119 min. - colorido
Faroeste

Direção: Jonh Ford

Roteiro: Frank S. Nugent

Música: Max Steiner

Com: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood, John Qualen, Olive Carey, Henry Brandon, Ken Curtis, Harry Carey Jr, Antonio Moreno, Hank Worden, Beulah Archuletta.

Baseado em uma obra de Alan Le May

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Curiosidades de O Atalante

Durante décadas O Atalante sofreu diversas, edições e  restaurações. Após uma dessas mutilações, feita por produtores, chegou a ser exibido com o título de La Chaland Qui Passe, título de uma música popular na época.

Em Portugal tem o título de A Atalante.

Após ler o roteiro de O Atalante, o diretor Jean Vigo, achou que o filme deveria ser feito por uma "escola dominical, e não por alguém com um olhar como o dele.

O russo Boris Kaufman, irmão mais novo de Dziga Vertov, foi diretor de fotografia deste longa. Mais tarde, em 1955, ele recebeu um Oscar por Sindicato de Ladrões.

Jean Vigo, nunca chegou a ver L'Atalante, terminado. Ele morreu de tuberculose em 1934, aos 29 anos. O término do filme ficou por conta de Kaufman.


Fonte: Cinética

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Simples assim!

Verde de ciúme!
Vida de casado não é fácil, é por isso que hoje em dia tanta gente "ensaia", antes de oficializar a união das escovas de dentes. Jean (Jean Dasté) e Juliette (Dita Parlo), não sabiam disso! Após uma cerimônia simples, vão direto para a seu novo lar, a embarcação conhecida como L'Atalante (O Atalante).

Se vida de recém-casados é complicada, uma vez que estão aprendendo a compartilhar, descobrir seu espaço e função na relação, imagina fazer isso em um barco. Silencioso, monótono, apertado, com uma tripulação à tira-colo, e o mais alarmante: sem válvula de escape. Não se pode simplesmente dar uma volta para arejar as idéias. É 1934, então não tem telefone para desabafar com alguém de fora. Cenário perfeito para levar alguém à loucura, ou acabar com um casamento.

Não é surpresa, que em pouco tempo Juliette comece a se mostrar irritada com a calmaria. Quando o marido, após uma crise de ciúmes, a deixa sozinha no barco ela resolve conhecer a cidade onde estão aportados. O marido verde (não fosse o filme preto-e-branco) de ciúmes, resolve partir e deixa-lá para trás.

"Figuraça!!!"
Um casal comum, uma história simples, pode acontecer com você, um vizinho, um conhecido, é por isso que nos importamos com o casal. O filme é falado, mas tem o jeitinho doce comum em filmes mudo, sem o excesso de caras e bocas. A não ser pelo marinheiro chamado Le père Jules (Michel Simon), uma "figuraça", com décadas de navegação muitas histórias para contar e souvenirs para exibir, é ele quem salva o dia.

Juliette, uma mulher forte, não fica choramingando pelos cantos, e arruma um jeito quando as coisas apertam. O papelão fica apenas por conta do marido, que depois de colocar fogo no circo, não consegue encontrar um meio de apaga-lo. Um homem pequeno, que não da o "braço-a-torcer", mas que ama sua esposa, a ponto de quase se afogar por ela (isso muito antes de Bella tentar se matar por Eduard).


domingo, 21 de novembro de 2010

O Atalante

Mais um filme francês.

L'Atalante
1934 - França
89 min. - preto e branco
Drama

Direção: Jean Vigo

Roteiro: Jean Guinée, Albert Riéra, Jean Vigo

Com: Michel Simon, Dita Parlo, Jean Dasté, Gilles Margaritis, Louis Lefebvre, Maurice Gilles, Raphaël Diligent



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Amizade não tem preço


Para mim, Os incompreendidos pode ser resumido em uma palavra: amizade. Porque, acompanhando a trajetória do pequeno Antoine (Jean Pierre Léaud), vamos descobrindo que a vida em casa pode estar um caos, você pode se decepcionar com as pessoas ou não receber o respeito que merecia, a escola pode não ser o lugar mais agradável do mundo em certos momentos, e você pode acreditar que muitos dos seus sonhos não vão se tornar realidade tão cedo, mas ter alguém com quem contar é fundamental. Quer cena mais bonitinha do que  René (Patrick Auffray) roubando comida para o amigo, escondido em sua casa? Ou saber que ele tentou visitá-lo no reformatório, mesmo sabendo que seria proibido de entrar?

O filme é melancólico, sim, do começo ao fim. Não dá pra ser indiferente às coisas que acontecem na vida do protagonista, desde o falso clima de felicidade no ambiente familiar à chegada ao reformatório. Não sem antes dividir uma cela de delegacia com criminosos que cometeram sabe-se lá o quê.  Ok, ele fugiu de casa e realizou pequenos furtos, mas era só uma criança, que precisava de atenção e um pouco de orientação. E com isso ele não podia contar.


Apesar desse clima, há algumas cenas divertidas, que ajudam a aliviar a tensão, como a de Antoine zombando do professor de inglês por ter a língua presa. Mas a minha sequência favorita mesmo é aquela em que ele acende uma vela para Balzac para tirar boa nota em redação. Vale o filme inteirinho! Para completar, quase provoca um incêndio em casa (sem querer, é verdade) e recebe uma boa bronca do pai. Tem horas que só o humor salva.

O desfecho, embora mais enigmático do que eu gostaria, é bem poético. Finalmente, Antoine conhece o mar que tanto sonhava. Mas o recorte da infância do protagonista é bem fechado, e Truffaut não dá nenhuma pista do que vai acontecer em seguida. Incomodou um pouco, vai, mas só um pouquinho. Pra mim, Antoine ali já é uma pessoa totalmente diferente, finalmente livre. Livre do reformatório, dois pais indiferentes e com um infinito de possibilidades à sua frente. Os incompreendidos mostra que, para ser um bom cineasta, é preciso sensibilidade. Quer dizer, isso a gente precisa para ser qualquer coisa, né? Pena que esteja em falta hoje em dia.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Juventude Transviada

Não podia faltar um filme sobre infância em nossa lista. E, infelizmente, infância que rende boas histórias é sempre conturbada. Antoine Doinel é (ou tenta ser) um garoto comum. Assiste a aulas chatas, é injustiçado pelo professor (incrível como isso era comum!), faz tarefas domésticas, apronta e desobedece de vez em sempre. E tem problemas em casa, muitos problemas.

O primeiro, e sempre presente, a falta de dinheiro, que obriga seu pais a passarem muito tempo fora de casa, "trabalhando". Não que cuidar do menino fosse a primeira opção de seus responsáveis. Ambos o tratam como um inconveniente. Depois de matar aula com um amigo para se divertir (aqui ainda diversão inocente, parque e cinema), ele presencia o adultério de sua mãe, ao mesmo tempo em que sua falta não justificada é descoberta pelo professor. A partir daí, é ladeira abaixo. A mãe tenta comprar seu silêncio, o "pai" cada vez o suporta menos. E ele acaba decidindo que é hora de se virar sem eles. Mas ainda é só um garoto, e mesmo com apoio de um amigo não se sai muito bem.

Em seu filme de estréia Truffaut, fala de um tema que parece conhecer muito bem. Teve infância parecida com a de Antoine. Não é atoa que se sai tão bem em mostrar o nascimento de um rebelde (com causa!). Emotivo e melancólico, mas nunca piegas.

Fragilidade e força,se é dificil para um ator adulto migrar de uma ponta a outra, o jovem Jean-Pierre Léaud não parece ter tido muitos problemas. Morremos de pena quando ele é injustiçado em classe, pensamos "que peste!" quando ele apronta. E não nos contentamos de satisfação quando na supra-citada cena da conversa com o psicólogo percebemos que talvez consigamos compreende-lo. Compreensão nem tanto, mas na interpretação o menino da um show!


Impossível não e simpatizar com o pobre garoto, principalmente nos dias de hoje, onde não apenas ainda encontramos crianças nessa situação, mas também completamente o oposto. Com muitas leis, normas, fórmulas e conselhos para educar e proteger as crianças esses jovens muito bem tratados se rebelam por nada. Agridem colegas, professores, não conhecem limites.

O final indefinido incomoda um pouco. Será que não há nada à frente para Antoine, ou as opções são tantas que não há melhor maneira de descreve-las que o vasto horizonte? Dúvida que deve ser sanada, nas sequenias. Sim! Existem mais histórias sobre a vida de Antoine Doinel.

Truffaut contou histórias de outras fases de sua vida em mais quatro filmes, em um período de vinte anos. Sempre com o talentoso Jean-Pierre Léaud como protagonista. Antoine e Colette (1963), Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e O Amor em Fuga (1979).

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Curiosidades e prêmios de Os Incompreendidos

Truffaut nas filmagens de Os Incompreendidos
Os Incompreendidos é o filme de estréia de François Truffaut como diretor.

O título original é uma referência à expressão francesa "faire les quatre cents coups". Que no Brasil pode ser livremente traduzido como "pintar o sete"

Quando estiver em Portugal e quiser ver o filme, peça Os Quatrocentos Golpes na locadora.

As filmagens ocorreram entre 10 de novembro de 1958 e 5 de janeiro de 1959.

O diretor François Truffaut aparece em uma pequena ponta, como um homem fumando um cigarro.

O filme foi financiado com ajuda do sogro de Truffaut, que produziu uma história quase autobiográfica, inspirada em suas próprias experiências entre o final da infância e o início da adolescência.

O personagem principal (Antoine Doinel, vivido por Jean-Pierre Léaud) é tido como alter-ego do diretor. Les 400 Coups é o primeiro dos cinco filmes com o personagem, retomado em outras fases da vida nos filmes L'amour à vingt ans (1962), Baisers volés (1968), Domicile conjugal (1970) e L'amour en fuite (1979).

Prêmios

Prêmios Bodil - (Copenhaguen, Dinamarca)

  • Melhor Filme Europeu


Festival Internacional de Cannes (França)

  • Melhor Direção (François Truffaut)
  • Prêmio OCIC (François Truffaut)


Sindicato Francês dos Críticos de Cinema

  • Melhor Filme


Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York (EUA)

  • Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro


Indicações

Oscar 

  • Melhor Roteiro Original


 Academia Britânica de Cinema e Televisão, BAFTA (Inglaterra)

  • Melhor Filme
  • Melhor Revelação Masculina (Jean-Pierre Léaud)


Festival Internacional de Cannes, França

  • Palma de Ouro (François Truffaut)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A vida é dura


Antoine, o incompreendido: história para amolecer corações de pedra

Mais um filme francês de nossa lista, Os incompreendidos (Le quatre cent coups, 1959) está longe de ser "mais um filme francês". Tudo bem que é de nouvelle vague que estamos falando, mas esse filme conseguiu prender minha atenção, sem ficar cansativo em nenhum momento. Aqui acompanhamos a triste história de Antoine, um menino muito pobre que vive encrencado na escola e que tem um lar perturbado. Um dia, enquanto cabulava aula com seu melhor amigo, encontra sua mãe na rua aos beijos com outro homem. Isso muda dramaticamente sua vida.
Se antes ele saía com seu amigo para passar a manhã num parque de diversões, como qualquer criança já fez (ou sonha em fazer), agora ele tem a idéia fixa de que seu lar nunca mais será o mesmo e que ele precisa sair de lá. Para isso, passa a cometer pequenos furtos. E nós acompanhamos a transformação na vida desse menino, que levava uma vida dura e triste, e que agora é um rebelde. Enquanto a mãe tenta comprar sua confiança e manter segredo sobre a sua infidelidade, ele arquiteta com o melhor amigo um jeito de se virar sozinho. Ao roubar uma máquina de escrever (e não conseguir vendê-la), acaba sendo preso e condenado ao reformatório.
O filme é triste, imaginar a solidão em que o menino vivia é de cortar o coração. Mérito do pequeno Jean-Pierre Léaud, fantástico como o pretagonista angustiado. As cenas que mais me marcaram, em sua interpretação, são quando Antoine está sendo levado para o reformatório e chora ao ver a cidade iluminada por trás das grades e a do interrogatório, já no finalzinho do filme. A direção é segura, apesa de ser um filme de estréia de diretor (Truffaut não é considerado mestre à toa) e as tomadas são lindas e inteligentes, contrastando com a brutalidade do que se vê em cena. Não sei se acontece com todo mundo, mas ainda fico chocada quando vejo cenas de escolas em filmes antigos, quando os alunos eram humilhados na frente da classe inteira e saber que essa era uma realidade, o respeito adquirido pelo medo. Devo frisar que não concordo com a realidade atual, onde os alunos se acham no direito de agredir professores - acho que deve existir respeito mútuo, os alunos devem ser vistos como seres humanos e futuros cidadãos e professores devem ser admirados e respeitados por seu conhecimento.
Mais uma vez não compreendi o final. Esperava ao menos uma indicação do que aconteceria com Antoine. Ele manteve o coração bom e puro apesar da violência sofrida, merecia, ao menos, o caminho da redenção. Não que eu esperasse ver um final de conto-de-fadas, mas algo mais definido. Dá para perceber que ele não pararia, até atingir seu sonho (a metáfora é clara, ele foge e corre até ver o mar, o que ele mais queria). Mas... Qual era o sonho de Antoine? Infelizmente, para mim, faltou isso para que ele deixasse de ser um incompreendido.

domingo, 14 de novembro de 2010

Os Incompreendidos

O filme de estréia de François Truffaut .

Les Quatre Cents Coups
1959 - França
99 min. - preto e branco
Drama

Direção: François Truffaut

Roteiro: François Truffaut e Marcel Moussy

Música:Jean Constantin

Com: Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Georges Flamant, Patrick Auffay, Daniel Couturier, François Nocher, Richard Kanayan, Renaud Fontanarosa, Michel Girard, Henry Moati, Bernard Abbou, Jean-François Bergouignan, Michel Lesignor.

Baseado em história de François Truffaut.

sábado, 13 de novembro de 2010

A dúvida pede carona

É por isso que ninguém mais dà carona hoje em dia. Se já nos anos 1950 dar carona a uma indefesa moça no meio da estrada podia lhe trazer enormes problemas imagina hoje? Mike (Ralph Meeker) comete esse erro e dá carona a, então, desesperada Christina Bailey (Cloris Leachman).

É assim que Mike "testemunha" o assassinato da moça, e fica com a "pulga atrás da orelha". Quem era ela? E por que a queriam morta? Perguntas irresistíveis para um cidadão comum, imaginem para alguém que vive de desvendar mistérios? Pasmem, Mike é um detetive particular. Incapaz de deixar por isso mesmo, ele começa a investigar. A cada nova descoberta menos ele descobre, e nós vamos com ele, ávidos por resolver o quebra-cabeças.

Os personagens ambíguos, fazem com que fiquemos na dúvida todo o tempo. Nos questionando quem é bandido, quem é mocinho? Mesmo o protagonista é meio mau caráter. Vive as custas de casais desarmoniosos, e usa sua parceira/quase namorada, em seus flagrantes.

O fato do grande segredo girar em torno de um objeto mítico, não me incomoda. E por ter lido as resenhas de minhas colegas de sofá, antes de conseguir por os olhos em uma cópia do longa me prepararam para o final aquém da trama. É claro que ainda acho que o vilão merecia um desfecho melhor, e também fiquei com cara de "é isso!?!" ao fim da exibição, mas posso viver com isso.

Misterioso desde que escrevemos a ficha. Além de não ter ouvido falar do filme antes de conhecer a lista, existe pouquíssima informação disponível, ao menos em nossas fontes usuais. O que só aumentou ainda mais o suspense em torno da trama. Afinal, que filme é esse?

A Morte num Beijo é um ótimo filme. Apresenta personagens únicos e uma história instigante. Desde que tenham mais apreço pela jornada do que expectativa por um final surpreendente, os espectadores vão desfrutar de duas agradáveis horas, brincando de detetive.
Relaxe e curta a viagem!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Eu só mudaria o final...




Eu fico imaginando a reação das pessoas ao saírem do cinema depois de A morte num beijo. Eu sairia revoltadíssima. Pelo menos foi assim que me senti ao terminar de ver o filme. E se eu já tinha achado o desfecho bem decepcionante, imagina quando resolvi conferir o tal "final alternativo" prometido no DVD (na verdade, o final original, da versão do diretor, exibido nos cinemas) e descobri que era ainda mais frustrante. Como é que puderam fazer isso com um filme tão interessante?

Antes que me entendam mal: A morte num beijo é um filme noir delicioso. Tem mistério na medida certa, personagens instigantes, uma fotografia fantástica e um roteiro capaz de prender sua atenção o tempo todo. Impossível não ficar curioso diante da morte nebulosa de Christina Bailey (Cloris Leachman). Ainda bem que Mike (Ralph Meeker) não decide voltar à sua vida de golpes e se empenha em resolver o crime, porque sua obsessão é a nossa chance de conseguir algumas respostas. E, como o ser humano é curioso por natureza, vamos nos interessando cada vez mais em chegar à origem de toda a história, mesmo que isso tenha alguns efeitos colaterais (leia-se eventuais mortes que estavam na cara que iriam acontecer, né?). E aí alguns personagens vão se revelando nem tão inocentes como aparentavam ser, e a trama vai ganhando complexidade e não perde o ritmo em nenhum momento. Tudo isso só vai aumentando a tensão e, consequentemente, o nosso interesse.


Só que não dá pra simplesmente aceitar que todos os males do mundo (ok o motivo do crime) estejam ligados a... (tá bom, esse filme é um clássico, mas não vou estragar pra quem não viu ainda) um simples objeto. Muito menos que um dos personagens mais interessantes da história tenha se arriscado tanto por isso sem saber do que se tratava. E aí, é morro abaixo. E não me venham com esse papo de "Ah, é por causa do clima de incerteza gerado pela Guerra Fria e blá blá blá". Custava fazer um final à altura do filme? Custava respeitar o espectador que ficou lá sentado, bonitinho, esperando algumas respostas? Quer ter uma visão de mundo apocalíptica, tudo bem (também não sou lá das mais otimistas), quer fazer metáfora política, beleza. Mas o clima e a estrutura do filme são tão bons que fazem o desfecho não ser outra coisa a não ser decepcionante.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bom, até os 44 do segundo tempo

Sequencia incial arrasadora, pena que o filme perde o pique na reta final


Olha, vou te contar... Primeira decepção da lista. A morte num beijo (Kiss me deadly, 1955) tinha tudo para ser um filmaço, inesquecível, irretocável. Sabe aquela sensação de "ah, que droga! já descobri tudo"? Isso não se aplica a esse filme. O filme é bom, prende a atenção, o mistério parece inssolúvel - mas a sequencia final é frustrante. O pior de tudo foi ver que o final alternativo (disponível no dvd, chamado de "versão do diretor") não acrescenta nada.

A sequencia inicial é ótima, o filme já começa com a angustiada Christine, fugitiva de um manicômio, correndo descalça numa rodovia, arriscando a própria vida para conseguir uma carona no meio da estrada deserta. Dali já dá para perceber que ela está numa encrenca danada e que o pobre do motorista vai "entrar de gaiato" na história. Acompanhamos a morte dolorosa da vítima (aliás, fantástica a cena de tortura: você vê tudo sem ver nada), seguimos a investigação e nunca descobrimos nada. As mortes se acumulam, os problemas só aumentam, ninguém sabe de nada, as pistas parecem não fazer sentido... Até o próprio detetive se aborrece e banca o Jack Bauer (bate e atira primeiro, depois pergunta o nome e a que veio), na busca desesperada por informações que solucionem o mistério e por uma pista sobre o paradeiro de sua parceira.


O filme segue num crescente de tensão, suspense... E o final é frustrante. Quando a gente finalmente vê o rosto do homem do sapato preto, que aparece em todas as cenas de crime, ele morre de maneira brusca e sem charme. E é a partir daí que a vaca vai para o brejo. Nunca imaginei que o que quer que estivesse naquela maleta seria algo de sobrenatural (o detetive Hammer podia ter pedido a ajuda dos irmãos Winchester, quem sabe tivesse mais sorte?). Toda a sequencia depois disso manda pelo ralo todo o ótimo trabalho criado no decorrer do filme. Sério, a mim parece até que foi outra pessoa quem dirigiu a parte final.


É tão frustrante que chega a ser risível. Ao terminar o filme, fiquei com aquela cara de "é isso? Acaba assim?", e comecei a rir. Infelizmente, esse filme deixou (muito) a desejar. Não esperava muita coisa de início, acabei ingressando na trama seduzida pela intrigante rede de segredos e mentiras, pelo mistério, pela direção segura e pelas interpretações perfeitas. Um tremendo balde de água fria.

domingo, 7 de novembro de 2010

A Morte Num Beijo

Um brilhante filme Noir!

Kiss Me Deadly
1955 - EUA
106 min. - preto e branco
Policial/Suspense

Direção: Robert Aldrich

Roteiro: A. I. Bezzerides

Com: FJack Elam, Cloris Leachman, Ralph Meeker, Paul Stewart, Albert Dekker, Nick Dennis, Wesley Addy, Gaby Rodgers, Juano Hernandez, Jack Lambert, Jerry Zinneman, Marian Carr, Maxine Cooper.

Baseado no clássico bestseller de Mickey Spillane "Kiss me Deadly"

sábado, 6 de novembro de 2010

É tosco, mas é de coração


Dá pra entender perfeitamente por que King Kong já ganhou dois remakes até agora. Para um cineasta, a tentação deve ser enorme de recontar a clássica (e triste) história do gorila gigante com os novos recursos tecnológicos que estão à sua disposição. A versão de 1976 (que vi, acredite se quiser, numa Sessão da Tarde da vida), ainda deixa a desejar nesse quesito. Mas Peter Jackson, que já havia dado banho com o seu Gollum de O senhor dos anéis repetiu a bem-sucedida técnica e o ótimo ator Andy Serkins para dar vida a um Kong praticamente perfeito, não só nos movimentos como nas expressões. O original, óbvio, era bem limitado, duro, bem tosco. O efeito do stop motion chega a causar graça involuntária. Era pra ser assustador: uma criatura gigante, com uns dentes enormes... Só que ele tinha uns olhinhos tão meigos que nem dá pra sentir medo. Mas a gente tem que lembrar que a iniciativa é louvável (já falei que o filme é de 1933?). Ah, vai, é tosco, mas é de coração.

Pelo que eu me lembro, a versão de Jackson valorizava mais os atores, até porque tinha grandes nomes no elenco, como Jack Black, Adrien Brody e Naomi Watts. Esta, aliás, tem um ar de diva que não deixou nada a dever à Ann Darrow de Fay Wray, excelente como a típica mocinha em perigo (já a atuação afetade de Jessica Lange me incomodou um pouco). Mas o longa de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack não perdeu tempo com vaidades e foi direto ao ponto: embora o elenco esteja bem afiado, o protagonista, sem dúvida, é Kong. Seja roubando sua musa, literalmente, na mão grande, lutando bravamente com um Tiranossauro Rex ou qualquer outra criatura que ameaçasse chegar perto dela, ou causando pânico nas ruas de Nova York, ele é o centro das atenções. Isso faz com que o filme seja bastante ágil. Talvez até um pouco curto (a primeira versão tem 100 minutos, enquanto a segunda, 134, e a terceira, 187!), mas sem enrolação.

No mais, gosto bastante de King Kong alfinetar a indústria do cinema e a nascente sociedade do espetáculo. Logo no início da trama, Denham mete o pau nos críticos: "Eu me mato para fazer um filme e reclamam que faltou romance!". Haha. Ambicioso toda vida, ele encontra a heroína que precisava e não mede esforços para ir até uma ilha desconhecida e misteriosa para filmar no cenário exótico ideal. Claro que várias vidas se perderam no caminho devido à sua insistência e sua teimosia, mas que importa? Ele não conseguiu exatamente o que queria, mas voltou para casa com a "oitava maravilha do mundo". E aí, coitado do nosso gorilão, que estava lá quietinho no canto dele e foi trazido à força para uma selva de pedra, e, ainda por cima, sofrendo com um amor não correspondido. Humanos são uns insensíveis mesmo. Aí, nesse final, senti um pouco de falta de romantismo no filme original, vou confessar. Ann Darrow continuava aterrorizada com a horrenda criatura, que morreu como um monstro solitário. No filme de 2005, pelo menos, rolou um sentimento com Naomi Watts, não foi? Ih, acho que eu é que estou sensível demais...


O Kong quebrando tudo e correndo, desesperado, atrás da mocinha chega a ser hilário. Coitada da moça que ele achou primeiro... Mas a cena que entrou para a história, dele escalando o Empire State e sendo alvejado por uma saraivada de balas é de partir o coração. Com ou sem avançadíssimos efeitos tecnológicos. Clássico é isso, minha gente.

Cidadão do imaginário coletivo

Vai Kong, derruba eles!!!
King Kong, eis aí um cara de quem todos já ouviram falar. Não sei vocês, mas desde pequenininha  conheço o enorme primata ao ponto de reconhecer referências a ele em outras obras. O que é muito estranho, uma vez que apenas em 2005, com a nova versão do longa, que realmente conheci a história de Kong. Acredito que seja isso que significa "fazer parte do imaginário coletivo".

O Sr. Peter Jackson que me desculpe, mas quando assisti a sua versão de King Kong achei meio sonolenta. Visualmente deslumbrante, mas longo e arrastado demais para meu gosto. Faltou algo no filme de Jackson. Depois de assistir ao original esta semana, finalmente descobri: faltou charme!

Para nós, espectadores pós tecnologia de captura de movimento, Kong pode parecer meio "paradão". É exatamente aí que está o charme. Infelizmente não sei como explicar porque é tão divertido assistir ao enorme macaco, sacudir um galho cheio de homenzinhos lutando para se segurar, mas é! E sim, eu torci por Kong a maior parte do tempo! 

Colorido incomum!
Simplesmente adorei, a mistura entre a animação e parte com atores. Os trechos onde os personagens das diferentes tecnologias interagem nos faz pensar no trabalhão que deve ter dado para sincronizar tudo, com a técnologia disponível na época. Vale sempre lembrar, o filme é de 1933, na época do "cinema a lenha", sem computadores, equipamentos sofisticados ou mesmo cor. 

E por falar em cor, como o filme é daqueles difíceis de encontrar, tudo o que consegui foi a versão "colorizada", que não tem o charme do original em preto-e-branco, mas tem um tom vibrante que apenas as cores podem dar. Além disso é divertido o resultado, em que as cores ficam meio amareladas e dá a impressão de terem esquecido de "pintar" tudo que é cinza.

Querem dinossauros? Esperem Spilberg!
A música é grandiosa, intrigante e as vezes (ou melhor, sempre que necessário) assustadora. Não senti muito o amor de Kong pela atriz. A sensação era a de uma criança defendendo seu brinquedinho favorito. Mas quem foi que disse que a criança não ama aquele brinquedo? Um amor diferente, quem sabe? Já o romance dela com seu pretendente humano, surpreende pela simplicidade com que é desenvolvido.

Uma coisa passou em minha cabeça enquanto assistia à aventura na remota ilha. Dinossauros, monstro do lago Ness, insetos gigantes, tanta concorrência e os homens ambiciosos só pensavam no enorme gorila? Isso é que é carisma hein!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

King Kong versão... Lego?

Sim, acredite! Enquanto procurava por uma versão integral do filme na internet (confesso que foi difícil achar o dvd na locadora), acabei encontrando essa versão curiosa desse clássico. Detalhe: é uma versão em preto e branco, com carinha de filme feito em 1933 também. Uma homenagem curiosa, bem feita e superfofa.

Aqui vocês podem conferir o trailler. O filme completo está dividido em várias partes no site, é só seguir os links. O mais legal é que o filme em Lego é fiel à versão original (e a que nós estamos assistindo).

Aproveite sem moderação.

A bela e a fera

"Quando viu a Bela, a Fera parou a matança. E ali começou a morrer."

Não, eu não errei de filme. Nós estamos mesmo assistindo King Kong (King Kong, 1933). Mas essa frase é tão falada no filme e é tão verdadeira que eu não podia começar meu post de outra forma. E para mim é impossível não fazer um paralelo entre esta versão e a do diretor Peter Jackson (em seu primeiro trabalho pós-trilogia O Senhor dos Anéis). Lembro de ter me apaixonado pelo filme, mas que eu sabia que não era o tipo de filme que se assiste mil vezes depois. É muito triste testemunhar o amor impossível de Kong pela bela atriz, imaginar viver anos na solidão, lutando pela vida a cada minuto, e depois ser humilhado na cidade grande - um lugar estranho, muito longe de casa, e ser alvejado enquanto tentava fugir dali. É uma tragédia sem fim.

Sério, sempre fico comovida com esse filme. Nessa versão, fiquei ainda mais impressionada. A carinha do Kong é tão assustadora quanto infantil, parece um bichinho assustado às vezes. E, na verdade, ele era um "bichão" assustado. Aliás, elogios sinceros aos efeitos especiais desse longa. Tudo bem que soa tosquíssimo o chroma key usado nas cenas (lembrem-se que eu tenho em mente uma versão de Peter Jackson pós-Senhor dos Anéis como referencial), e o stop motion também fica bem evidente, mas imaginar que tudo foi pensado e realizado em 1933, o resultado é louvável. As cenas na selva, em que dá para perceber a maquete, são ótimas. Ver Kong lutando com o Monstro do Lago Ness e um T-Rex, não tem preço. Não há efeito especial moderno que dê mais gosto de ver a cena do que assisti-la no original.

A trilha sonora é precisa nos momentos de tensão, e quando Kong tem que parecer assustador, ele é - e muito. E os atores também foram muito bem nas interpretações, mas nada muito espetacular. O astro é o Kong, sem dúvidas. E nem precisava colocar holofotes sobre ele (me dá uma dor no peito vê-lo amarrado no palco, tão humilhado... até vibro quando ele se solta e começa a quebrar tudo que vê pela frente).

King Kong, assustador ou assustado?

Fica uma melancolia inexplicável toda vez que eu revejo o filme. A solidão, a forma como ele se "apaixona" pela bela, a coragem que ele teve de ir enfrentar o mundo para reavê-la, a dor de ser capturado, a humilhação sofrida e a morte tão brutal do rei da selva me deixa perturbada. Bons filmes fazem isso com a gente, mexem com os sentimentos, nos fazem repensar nosso modo de viver. Por isso digo, com todas as letras: amei King Kong.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mais curiosidades de Kong

Sorria, você ganhou uma semana inteira no DVD, Sofá e Pipoca!
Inicialmente Kong foi batizado de The Beast (A Fera). "King Kong" receberia mais três nomes antes do batismo final: "The Ape" (O Macaco), "Kong" e "The King Ape" (O Rei Macaco).

Em pleno início dos anos 30, "King Kong" era um investimento incerto, já que seu orçamento era alto para viabilizar toda a técnica que o roteiro exigia. Mesmo concordando em bancar a produção, orçada em quase 700.000 dólares, os representantes da RKO Radio Pictures, totalmente desacreditados e à beira da falência, acabaram interferindo na produção e atrapalhando o andamento das filmagens

No lançamento o filme rendeu US$ 90.000 nos três primeiros dias (a maior cifra do cinema norte-americano pra época). Mais tarde, chegaria a casa dos US$ 1,75 milhão só nos EUA ( uma arrecadação monstruosa ) e salvando a RKO Radio Pictures da falência.

A produção e as filmagens de "King Kong" duraram aproximadamente 16 meses. A pressão sobre os produtores e diretores; a dificuldade de confeccionar os cenários; os ataques de estrelismo de Fay Wray e as exigências da RKO, transformaram o filme em uma grande dor de cabeça.


Mesmo assim, Merian C. Cooper queria o máximo de perfeição em seu longa, e para isto utilizou-se dos mais inovadores efeitos especiais da época, como pinturas sobre painéis de vidro, animação em stop-motion, réplicas e maquetes de prédios e efeitos de projeções de imagens pré-gravadas sobre uma tela de fundo, recurso que seria muito usado em futuras produções de hollywood.

A maior preocupação do estúdio era o próprio Kong. Ele precisaria parecer real. Para isto, a equipe convocou o especialista em animação Willis O'Brien, que aproveitou seus modelos de animais criados para "Creation", uma produção que acabou não acontecendo. O'Brien criou vários modelos de King Kong, todos de massinha e com 40 centímetros de altura. A pressão que a RKO derramava sobre a equipe, fez com que o filme não tivesse o cuidado que merecia e, com isso, os defeitos de animação e acabamento se tornaram muito visíveis. Além dos produtores, os representantes da RKO também sentiram-se inseguros e tentaram, de todas as maneiras, cancelar todo o trabalho que fora realizado até ali, por acharem que o público iria rejeitar o filme.

A história de King Kong é extremamente rica em detalhes, "King Kong" tornou-se uma produção singular até então por ter usado efeitos sonoros mixados, o que acontecia pela primeira vez na história do cinema e também por ser um filme que utilizou muitos efeitos especiais.Todos esses elementos, fizeram de King Kong uma surpresa agradável.

King Kong estourou nas bilheterias e a RKO, aproveitando o grande sucesso, relançou-o quatro vezes, entre 1933 e 1951, sempre com cortes de uma cena ou outra.

Anos mais tarde foi promovido um mega evento que prometia um lançamento de uma cópia totalmente restaurada.O público lotou os cinemas, encantados com a descoberta de um mundo habitado por dinossauros, caçadores e um gorila gigante dotado de personalidade e sentimento. Um visual nunca visto nos filmes. O sucesso de Kong era tanto que deu origem a uma série de filmes e continuações. O Filho de Kong (The Son of Kong, 1933), King Kong vs.Godzilla (Kingu Kongu tai Gojira, 1962).

Para a história do cinema, King Kong tornou-se um divisor de águas. Muitos outros filmes seguiram as técnicas usadas na produção de King Kong. Ray Harryhausen usaria e aperfeiçoaria as técnicas de animação e efeitos especiais.


Na época, a atriz Jean Harlow recusou o convite para viver a protagonista. O papel acabou ficando com Fay Wray.

O filme de 1933, foi produzido em preto e branco e só recentemente teve sua cópia tratada e colorizada digitalmente. Hoje pode-se encontrar as duas versões em DVD.

A ultima versão do filme a ser lançada (2005), foi muito fiél ao original de 1933, e algumas cenas usaram o mesmo enquadramento e referências de cenário.


Fonte: Mania de Colecionador

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reencarnações de Kong

Carismático como ninguém, o enorme primata conhecido como Rei Kong conquistou as platéias logo em sua estréia. Tamanho sucesso gerou uma seqüência que chegou aos cinemas no mesmo ano, além de várias refilmagens, conheça todas elas!

O Filho De King Kong
The Son Of Kong
1933- EUA
Direção: Ernest B. Schoedsack
Com: Robert Armstrong, Nils Helstrom, Hilda Peterson...

Sinopse: A história começa aproximadamente um mês após o dramático final, de King Kong, no filme Original de 1933. Seguem-se as aventuras do filmmaker Carl Denham, agora com graves problemas jurídicos pela destruição feita por Kong. Denham sai de Nova York no navio Venture, do capitão Englehorn. Um marinheiro vendeu para Denham um mapa com a localização da ilha da caveira, onde acreditavam existir um tesouro escondido. Também no navio viaja uma bela jovem, que treinou macacos para um show de circo. Eles retornam a ilha da caveira, encontram um filhote albino de King Kong/Kiki, que os salva, tornando-se assim amigos.

Curiosidades: Foi produzido e lançado ainda em 1933, para aproveitar o sucesso. Um fato interessante é que em 1933, quando foi lançado o filme, gorilas albinos eram desconhecidos no mundo; só em 1966 com 3 ou 4 anos de idade, foi capturado, na guinea equatorial o primeiro e único gorila albino do mundo Floquet de Neu / Floquinho de Neve, que viveu até 2003, no Zôo de Barcelona.
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King Kong vs. Godzilla
Kingu Kongu tai Gojira
1962 - Japão
Direção: Ishiro Honda
Com: Michael Keith, Harry Holcombe, James Yagi, Tadao Takashima, Kenji Sahara, Ichiro Arishima..

Sinopse:O maior monstro de todos os tempos, Godzilla, emerge de um iceberg para enfrentar o poderoso King Kong. Este capturado em uma pequena e esquecida ilha no sul do Pacífico onde enfrenta um polvo gigante. Agora, frente a frente, os dois maiores montros do cinema se enfrentam em uma batalha espetacular. Esta superprodução foi dirigida pelo diretor Inoshiro Honda, que realizou o clássico Godzilla King of the Monsters. E os efeitos especiais criados pelo mestre Eiji Tsuburaya, usando maquetes gigantescas e, em parte, animação em "stop motion". King Kong vs. Godzilla tornou-se um dos mais cultuados filmes de monstros de todos os tempos.

Curiosidades: Este é o primeiro filme colorido do Godzilla e do King Kong. O diretor Ishiro Honda queria usar animação stop-motion em vez de bonecos de vestir usados em seus filmes. No entanto, o orçamento descartou o uso de stop-motion. Ainda assim, Honda usou stop-motion na cena em que Oodako pega o aldeão e o joga no ar, e na outra em que Godzilla pula pra cima do Kong.
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A Fuga de King Kong

Kingukongu no gyakushu
1967 - Japão
Direção: Ishirô Honda
Com: Rhodes Reason, Mie Hama, Linda Miller, Akira Takarada, Eisei Amamoto, Paul Frees.

Sinopse: Macaco gigante causa pônico numa megalópole quando escapa de seu cativeiro.

Curiosidades: A forma como King Kong mata o Gorosaurus é igual ao modo como ele mata o tiranossauro, no clássico de 1933: rasgando suas mandíbulas.
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King Kong
1976 - EUA
Direção: John Guillermin
Com: Jeff Bridges, Jessica Lange, Charles Grodin, John Randolph

Sinopse: Um gigantesco gorila é encontrado numa ilha do Pacífico pela tripulação do navio de uma companhia petrolífera. Na ilha vivia uma tribo de nativos que oferecia mulheres em sacrifíco ao gorila. Os tripulantes salvam Dwan, uma sobrevivente de um naufrágio, prendem o gorila, e o levam para ser exposto em um espetáculo em Nova Iorque. Porém, ao chegar em território americano, o gorila se mostra cada vez mais agressivo e escapa, provocando terror e pânico na cidade, acabando por subir nas Torres Gêmeas com Dwan, por quem havia se afeiçoado.

Curiosidades: Ganhou um Oscar especial pelos efeitos especiais.A Ultima exibição do filme na Rede Globo foi em Dezembro de 2005, o motivo da tal exibição foi a versão de 2005 esta sendo lançado no Cinema
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King Kong 2
King Kong Lives
1986 - EUA
Direção: John Guillermin

Sinpose: Continuação da versão de 1976, que é um remake da 1933. Aqui, os milagres da medicina moderna trazem de volta o gorila gigante e dão a ele o que pode ser o amor de sua vida: Lady Kong.

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King Kong
2005 - EUA
Direção: Peter Jackson
Com: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Colin Hanks, Jamie Bell, Andy Serkis.

Sinpose: Conta a história de um gorila gigante chamado Kong que vive na fictícia Ilha da Caveira, onde é tratado como um deus. Com a chegada de ambiciosos cineastas americanos e uma bela atriz de bom coração, Kong passa a sofrer grandes mundanças.

Curiosidades: Recebeu 3 Oscar, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som. Bastante fiel ao original, a ponto de repetir ângulos de câmeras. Animação em stop-motion, tecnologia revolucionária no original de 1933, dá lugar à captura de movimento também uma técnica revolucionária em 2005.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Curiosidades de King Kong

 A história do macaco gigante arrancado de uma ilha onde era venerado por uma civilização primitiva e levado para Nova York é baseada em um romance de Delos W. Lovelace, publicado na revista Mystery Magazine no mesmo ano.

Elenco de King Kong
King Kong arrecadou US$ 90 mil em seu fim de semana de estréia, sendo a maior abertura do cinema norte-americano em todos os tempos até então. O sucesso do filme nos cinemas foi uma das causas que evitou a falência da RKO Radio Pictures, produtora do longa-metragem.

O rugido de King Kong no filme era na verdade uma combinação feita com os rugidos de leões e tigres.

A maioria das cenas do gorila gigante foram feitas com a técnica de animação stop-motion.

O monstro King Kong tinha 15 metros de altura, mas os modelos usados no filme para dar vida a ele mediam apenas 40 centímetros.

As cenas da floresta foram rodadas no mesmo set de filmagens de The Most Dangerous Game (1932)

A cena em que King Kong escala o Empire State Building foi rodada com um homem vestido de macaco escalando uma torre em miniatura, idêntica à original.


Na época das filmagens de King Kong tanto o Empire State Building quanto o prédio da Chrysler estavam sendo construídos em Nova York. Inicialmente o roteiro previa que Kong escalaria o prédio da Chrysler, que seria o prédio mais alto do mundo. Porém uma mudança nos planos de construção do Empire State Building fez com que ele se tornasse o prédio mais alto, fazendo também com que fosse o escolhido pelos produtores para a escalada de Kong no filme.


A 8ª maravilha do mundo, o Rei Kong
A ponte construída para os sets de filmagens de King Kong foi destruída na filmagem da cena do incêndio em Atlanta, de E o Vento Levou (1939).

Foi lançado 4 vezes nos cinemas norte-americanos entre 1933 e 1952, sendo que a cada relançamento novas cenas eram incluídas no filme.

Em 1991, o filme foi considerado como 'cultural, histórica e esteticamente significante', e selecionado para preservação nos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso. Em abril de 2004, a revista Empire, um das mais importantes publicações britânicas sobre cinema, o considerou o 'maior filme de monstros' de todos os tempos.