3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Curiosidades de Platoon

Em Portugal Platoon ganhou o subtítulo "Os Bravos do Pelotão".

O roteiro é baseado na experiência pessoal de Oliver Stone na guerra do Vietnã, e em roteiro que ele finalizou por volta de 1976.

O orçamento de Platoon foi de 6 milhões de dólares.

A arrecadação foi de 138 milhões de dólares apenas nas bilheterias estadunidenses.

As filmagens foram realizadas em seqüência e, a medida que os personagens morriam na tela, os atores eram mandados para casa.

O filme é narrado por Charlie Sheen, estranhamente ecoando a narração de seu pai, Martin Sheen, em outro filme de guerra do Vietnã, Apocalypse Now, também filmado em locações nas Filipinas.

Johnny Depp tinha 22 anos de idade na época em que o filme foi realizado e aquela foi a primeira vez que ele saiu dos Estados Unidos, as filmagens foram realizadas nas Filipinas.

Oliver Stone considerou escalar Johnny Depp para o papel principal, Chris Taylor, mas Depp era muito jovem para o papel e desconhecido na época. Stone disse que Depp um dia iria se tornar uma grande estrela.

Todos os atores tiveram de suportar 14 dias em um campo de treinamento nas Filipinas antes da filmagem começar. Os atores receberam cortes de cabelo militar, eram obrigados a ficar no personagem durante todo o acampamento, comeram apenas rações militares, não tinham permissão para tomar banho, dormiram na selva, e ainda tinham revezamento para vigia noturna.

Pacotes especiais de cigarros Marlboro foram feitos para o filme sobre a insistência de Oliver Stone, que queria a cor vermelho-cereja na embalagem de forma a corresponder as feitas durante os anos 1960.

A batalha final do filme era uma recriação de um acontecimento real que foi testemunhado por consultor técnico Dale Dye, que era correspondente de combate.

Vários dos atores escreveram mensagens em seus capacetes durante todo o filme. Capacete de Charlie Sheen diz: "Quando eu morrer, me enterrem de cabeça para baixo, para que o mundo pode beijar minha bunda". Enquanto o de Johnny Depp simplesmente: "Sherilyn", um tributo a Sherilyn Fenn, que Depp estava namorando na época. Mark Moses (Tenente Wolfe) tinha em seu capacete um desenho de revista MAD mascote Alfred E. Neuman com a frase "O que me preocupar?".

Outra referência a Sherilyn Fenn pode ser vista na guitarra de Johnny Depp na cena onde eles estão fumando maconha: as iniciais gravadas SF.

O elenco ea equipe chegou nas Filipinas no início de 1986, quase simultaneamente ao início da Revolução Edsa de 1986 que derrubou Ferdinand Marcos. Willem Dafoe disse que um dia ou dois depois que ele chegou em Manila, ele acordou para ver uma fileira de tanques rolando pelas ruas.

O poster do filme retratando Elias com as mãos no ar, é uma recriação de uma fotografia de 1968 pelo Greenspon art.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Prêmios de Platoon

Segundo o IMDB, além de 4 Oscar, Platoon ainda recebeu outros 21 prêmios e teve outras 10 indicações. Confira abaixo alguns deles.

Oscar 
Indicado para melhor ator coadjuvante (Tom Berenger e Willem Dafoe), melhor roteiro original e melhor fotografia.
Festival de Berlim 
  • Urso de Prata de melhor direção (Oliver Stone).
Globo de Ouro
  • Melhor filme - drama
  • Melhor direção (Oliver Stone)
  • Melhor ator coadjvuante (Tom Berenger).
Indicado na categoria de melhor roteiro.
Independent Spirit Awards 1987 (EUA)
  • Melhor filme
  • Melhor diretor (Oliver Stone)
  • Melhor fotografia
  • Melhor roteiro
Indicado na categoria de melhor ator (Willem Dafoe).
Academia Japonesa de Cinema
  • Melhor filme estrangeiro
BAFTA
  • Melhor direção 
  • Melhor edição
Indicado na categoria de melhor fotografia.

domingo, 27 de maio de 2012

Platoon

Vocês votaram, e a gente revisita a guerra do Vietnã, com o filme de Oliver Stone, na última semana do mês dedicado a filmes de guerra, no DVD, Sofá e Pipoca.

Platoon
EUA - 1986
120 min, colorido
Guerra, drama

Direção: Oliver Stone

Roteiro: Oliver Stone

Compositor: Georges Delerue

Elenco: Keith David, Forest Whitaker, Francesco Quinn, Kevin Dillon, John C. McGinley, Reggie Johnson, Mark Moses, Corey Glover, Johnny Depp, Chris Pedersen, Bob Orwig, Corkey Ford, David Neidorf, Tom Berenger, Willem Dafoe

Vencedor de 4 Oscar.


sábado, 26 de maio de 2012

Recado importante!

Depois de assistir à o Nascimento de Uma Nação, achei ser impossível achar outro retrato tão perfeito do lado feio da humanidade. É claro, que eu estava enganada novamente. Enquanto o longa de 1915 é desagradável por torcer descaradamente para o lado politicamente incorreto da batalha, Glória feita de sangue faz uma forte crítica ao lado errado, sem mascarar a desumanidade de uma guerra.

Quando soldados franceses da 1ªGuerra Mundial,recuam e se recusam a continuar a luta cuja morte é certa. Um general frustado pela derrota, resolve dar uma lição aos "desertores", mas como não pode matar todo o regimento, escolhe três homens para servir de exemplo. Os soldados são levados a um juri de fachada e condenados ao fuzilamento.

Como se a guerra por si só não fosse estúpida e insana o suficiente, os homens comuns condenados a lutar uma luta que não é sua, ainda precisam lidar com os egos inflados e as lógica destorcida pelas batalhas de seus superiores. Impossível não ficar com asco do general que ordena uma ataque contra as próprias tropas, para faze-las deixar a "segurança" das trincheiras.

A repulsa só aumenta quando nos damos conta que a vida de muitos homens é decidida à distancia, em salas suntuosas, com fartas refeições. Devia ser pré-requisito para tornar-se superior no exército: dar apenas ordens que você mesmo seja capaz de cumprir. Incapacidade que o diretor deixa claro logo nas primeiras cenas, quando um oficial é tomado pelo medo e toma decisões que tiram vidas.

Falando nas primeiras cenas, é nelas que reside o único ponto fraco do filme. A primeira metade é lenta e redundante, deixando pouco espaço para o real conflito do filme, a injusta execução.

Brilhante é a cena do julgamento. Com a decisão tomada antes mesmo de entrarem na sala, promotoria e juri, ignoram direitos, fatos e evidências. Além de exigir provas absurdas do único defensor dos condenados, Kirk Douglas, excepcional ao apresentar as nuances do personagem. Oficial honesto, desapontado com seus superiores, e angustiado por sua impotência.

Faltou apenas um pouco mais de tempo para observar a reação dos soldados escolhidos como exemplo. Mas não tem importância, o recado já estava muito bem dado!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Glória Feita De Sangue - Análise proffissional

Porque de vez em quando é bom uma opinião especializada, e detalhada, para aprimorar a compreensão. 

Assista aos comentários de Marcelo Janot sobre o clássico de Stanley Kubrick, no vídeo produzido para o canal Telecine Cult. O crítico aponta detalhes que podem passar despercebidos por olhos menos treinados, em vários trechos do filme.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Prêmios de Glória Feita de Sangue

Conheça os prêmios de Glória Feita de Sangue.

BAFTA Awards
  • Best Film from any Source (USA)

Italian National Syndicate of Film Journalists
  • Silver Ribbon Best Director - Foreign Film (Regista del Miglior Film Straniero)

Jussi Awards
  • Diploma of Merit Foreign Director - Stanley Kubrick

Laurel Awards
Indicado para Golden Laurel Top Male Supporting Performance (Adolphe Menjou - 4th place)

National Film Preservation Board, USA
National Film Registry

Writers Guild of America
Indicado para Best Written American Drama (Stanley Kubrick, Calder Willingham, Jim Thompson)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Curiosidades de Glória Feita de Sangue

Glória Feita de Sangue é baseado no livro homônimo de Humphrey Cobb;

O filme foi proibido na França por seu retrato negativo do exército francês.

O exército suíço censurou Glória Feita de Sangue até 1978, pelo fato do filme conter diversas informações sobre o know-how da guerra e acusando-o de ser "propaganda subversiva dirigida a França."

A Bélgica exigiu que um prólogo fosse adicionado afirmando que a história representava um caso isolado que não reflete sobre a "bravura dos soldados franceses".

Banido na Espanha pela censura sob a ditadura do general Francisco Franco, por sua mensagem anti-militar. Não foi lançado até 1986, 11 anos após a morte de Franco.

Devido a questões de bilheteria, era intenção do diretor Stanley Kubrick em forçar um final feliz, mas após várias revisões do roteiro, ele mudou de ideia e resolveu manter o final original do livro;

Durante as filmagens de Glória Feita de Sangue Kubrick conheceu Christiane (Kubrick), que viria a se tornar sua terceira esposa. É ela quem canta a música no final do longa. O diretor se separou de sua esposa, na época, para poder se casar com a cantora;

Jim Thompson, que colaborou no roteiro é autor do polêmico livro The Killer Inside Me, admirado por Kubrick, e filmado por Burt Kennedy em 1976, e em 2010 por Michael Winterbottom;

Em uma primeira tentativa de vender o projeto para um estúdio, Stanley Kubrick eo produtor James B. Harris alugaram uniformes militares e reuniram vários amigos homens para posar para uma fotografia que captura a essência de sua história. Eles afixaram a foto na capa de cada exemplar roteiro.

Stanley Kubrick, amplamente conhecido como um perfeccionista, filmado 68 takes da cena "última refeição" dos homens condenados. Como os detalhes da cena exigia que os atores pareçam estar envolvidos no ato de comer, um pato assado novo tinha que ser preparado para quase cada tomada.

Compositor Gerald Fried na verdade criou dois temas principais para o filme. Enquanto a maioria das cópias do filme apresenta o arranjo do hino nacional francês, "Marselhesa", outra versão começa com uma composição original de Fried. A última versão foi criada para alguns mercados europeus, que poderiam se ofender com utilização do hino em um filme tão crítico da liderança militar da França.

Supervisor de efeitos especiais Erwin Lange foi forçado a comparecer perante uma comissão especial do governo alemão, antes que ele ser autorizado a adquirir a enorme quantidade de explosivos necessários para as cenas de batalha. Mais de uma tonelada de explosivos foram liberados na primeira semana de filmagens.

O filme foi rodado perto de Munique, na Alemanha, e a maioria dos homens que interpretam soldados franceses eram realmente oficiais do Departamento de Polícia de Munique de folga.

domingo, 20 de maio de 2012

Glória Feita de Sangue

Hora de revisitar a primeira guerra mundial!

Paths of Glory
Reino Unido - 1957
87 min, preto e branco
Guerra, drama

Direção: Stanley Kubrick

Roteiro: Stanley Kubrick

Compositor: Gerald Fried

Elenco: Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolphe Menjou, George Macready, Wayne Morris, Richard Anderson, Joseph Turkel¹, Susanne Christian¹, Jerry Hausner, Peter Capell, Emile Meyer, Bert Freed, Kem Dibbs, Timothy Carey, Fred Bell

Baseado em romance homônimo de Humphrey Cobb.


sábado, 19 de maio de 2012

Curiosidades de Apocalypse Now

Francis Ford Coppola propôs realizar Apocalypse Now dez anos antes do livro realmente ter sido transposto para as telas de cinema. Na época o estúdio procurado não aceitou a proposta, pois achava que Coppola não tinha condições de comandar uma grande produção. Porém, após os lançamentos dos dois primeiros episódios da saga O Poderoso Chefão, em 1972 e 1974, Coppola finalmente conseguiu levar às telas o livro de Joseph Conrad;


Francis Ford Coppola ameaçou por diversas vezes se suicidar, durante as filmagens do filme;

O próprio Francis Ford Coppola teve que investir milhões de dólares de seu próprio bolso, após o filme ter comprometido seriamente o orçamento estabelecido no início do projeto;

Coppola aparece numa ponta não-creditada, interpretando um diretor de TV;

As negociações para ter Marlon Brando no elenco foram bastante complicadas. Tendo recebido antecipadamente US$ 1 milhão, Brando ameaçou abandonar o projeto ainda antes das filmagens começarem. Coppola, por sua vez, respondeu que não se importava com a ausência de Brando e que se ele realmente abandonasse o papel iria convidar Jack Nicholson, Robert Redford ou Al Pacino. Brando naquele momento estava gordo, andava frequentemente bêbado e admitiu que não havia lido nem o roteiro e nem o livro em que o filme se baseava. Mesmo depois de ler o roteiro, ainda se recusou. Após dias de conversas, Brando concordou em atuar no filme, com uma condição: de que ele aparecesse sempre nas sombras, para que o público não notasse que ele estava 40 quilos acima do seu peso normal;

Para conseguir o papel, Laurence Fishburne mentiu sobre sua idade quando a produção de Apocalypse Now teve início, em 1976. Na época ele tinha 14 anos;

O nome do personagem de Martin Sheen foi criado a partir de uma combinação dos nomes dos dois filhos mais velhos de Harrison Ford, Benjamin e Willard;

O organograma original previa filmagens de apenas 6 semanas, mas a produção terminou se extendendo para 16 meses! O motivo de tamanho atraso foi um furacão, que destruiu todos os sets de filmagens. Além de  um ataque cardíaco sofrido por Martin Sheen durante as filmagens.Coppola demoraria três anos para finalizar o filme, que foi iniciado em 1976.

Durante as filmagens a esposa de Francis Ford Coppola, Eleanore Coppola, filmou o making of, posteriormente lançado como Francis Ford Coppola – O Apocalipse de um Cineasta (1991). A que cabe a célebre frase de Kurtz: "O horror! O horror!"

Joseph Conrad esteve no interior do Congo Belga, trabalhando para uma empresa de exploração de marfim. Mas não é certo que tenha encontrado o Sr. Kurtz.

"Mistah Kurtz, he dead" é a notícia dada por um nativo, no livro de Conrad. Essa mesma frase serve de epígrafe ao poema The Waste Land, de T. S. Eliot.

O poema que o Coronel Kurtz lê, na presença de Willard, é The Hollow Men, de T.S. Eliot.

Uma tomada de câmera revela que The Golden Bough era um dos livros preferidos do Coronel Kurtz.

A canção do início do filme, com cenas de um incêndio na floresta, provocado por um ataque estadunidense de bombas napalm, sendo repetida numa versão diferente no final do filme (morte do Coronel Kurtz), é The End, um dos maiores sucessos da banda de rock The Doors.

Além de encaixar-se no contexto do filme, Jim Morrison, vocalista do The Doors, estudou com Coppola na faculdade de cinema da UCLA. Inserir a  a música dos Doors, foi homenagem do diretor. A música fez a banda ser conhecida pela nova geração de fãs.


Numa das mais famosas cenas do filme é também utilizada A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner.


Copola gravou mais de 200 horas de imagens para o longa.

a maioria dos diálogos precisou ser redublado posteriormente, já que o excesso de barulho nos sets, como o som dos helicópteros tornava impossível ouvir os atores.

As pessoas nos botes eram verdadeiros refugiados vietnamitas que chegaram às filipinas 6 semanas antes das filmagens.

Apesar da história ser situada no Vietnã, Apocalypse Now foi na verdade todo rodado nas Filipinas;

terça-feira, 15 de maio de 2012

Prêmios de Apocalypse Now

Francis Ford Coppola e sua filha Sofia no
Festival de Cannes em 1979 
Segundo o IMDB Apocalypse Now recebeu 18 prêmios e teve 32 indicações confira algumas:

Oscar 1980 (EUA)

  • Melhor fotografia (Vittorio Storaro)
  • Melhor som (Walter Murch, Mark Berger, Richard Beggs e Nathan Boxer).

Indicado pra Melhor direção de arte, Melhor filme - drama, Melhor actor coadjuvante/secundário (Robert Duvall), Melhor realizador/diretor (Francis Ford Coppola) e Melhor edição (Lisa Fruchtman, Gerald B. Greenberg, Richard Marks e Walter Murch)

Festival de Cannes 1979 (França)
  • Recebeu a Palma de Ouro 
  • Prêmio FIPRESCI.

Globo de Ouro 1980 (EUA)
  • Melhor realizador/diretor (Francis Ford Coppola)
  • Melhor actor coadjuvante/secundário (Robert Duvall)
  • Melhor argumento original (Carmine Coppola e Francis Ford Coppola)

Academia Japonesa de Cinema 1981 (Japão)
Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

BAFTA 1980 (Reino Unido)
Melhor direção
Melhor ator coadjuvante/secundário" (Robert Duvall).
Indicado para as categorias de "Melhor ator" (Martin Sheen), "Melhor fotografia", "Melhor edição", "Melhor filme", "Melhor desenho de produção" e "Melhor trilha sonora".

Indicado ao "Prêmio Anthony Asquith" para "Música de filme".

Grande Prêmio BR do Cinema Brasileiro 2002 (Brasil)
Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

Prêmio César 1980 (França)
Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

Prêmio David di Donatello 1980 (Itália)
  • "Melhor diretor - filme estrangeiro".

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Filmes de guerra: os concorrentes

Conflito, só na ficção. O quarto filme do mês será escolhido democraticamente, na maior paz, pela enquete aí ao lado. A gente só dá uma forcinha pra você se decidir - afinal, os candidatos são de peso!

Platoon
(Platoon, 1986)
Dirigido por Oliver Stone e vencedor de quatro Oscar (incluindo melhor filme), o longa acompanha a trajetória do jovem recuta Chris (Charlie Sheen), em meio à Guerra do Vietnã. Idealista, ele chega ao batalhão como voluntário. No entanto, o soldado vai parar na infantaria, uma divisão em que os conflitos entre dois sargentos (Tom Berenger e William Dafoe) levam a uma batalha interna de vida ou morte. Com o passar do tempo, Chris é obrigado a reavaliar suas convicções. 


A queda - As últimas horas de Hitler
(Der untergang, 2004) 
Por meio da narração de Traudl Junge (Alexandra Maria Lara), secretária de Hitler (Bruno Ganz, de Asas do desejo), o filme de Oliver Hirschbiegel reconstitui os últimos dias que o ditador nazista passou em um quarto de segurança máxima depois do final da Segunda Guerra Mundial, quando Berlim está tomada pelos russos, e o Terceiro Reich está com as horas contadas. Mesmo assustado, o Führer e seus principais assessores planejam ações militares para eliminar o inimigo, mesmo sabendo que a derrota está próxima.


A ponte do rio Kwai
(The bridge on the river Kwai, 1957) 
Em um campo de concentração controlado por japoneses, durante a Segunda Guerra Mundial, os oficiais britânicos são obrigados pelo coronel Saito (Sessue Hayakawa) a construir uma ponte sobre o rio Kwai, exigência que comandante dos ingleses, coronel Nicholson (Alec Guinness), se nega a atender.  Como a localização da ponte é estratégica, os aliados enviam uma força tarefa para destruí-la. Dirigida por David Lean (Lawrence da Arábia), a produção conquistou sete Oscars nas categorias de melhor filme, melhor ator, melhor direção, melhor montagem, melhor fotografia e melhor trilha sonora.

domingo, 13 de maio de 2012

Apocalypse Now

Agora é a vez de outra Guerra, a do Vietnam.

Apocalypse Now
EUA - 1979
153 min, colorido
Guerra, drama

Direção: Francis Ford Coppola

Roteiro: John Milius

Compositor: Carmine Coppola

Elenco: Martin Sheen, Marlon Brando, Robert Duvall, Dennis Hopper, Harrison Ford

Baseado no livro Heart of Darkness de Joseph Conrad. Vencedor de 2 Oscar.


sábado, 12 de maio de 2012

O lado errado da guerra

Foi apenas pesquisando sobre o filme desta semana que descobri que Cartas de Iwo Jima é metade de um projeto maior. Clint Eastwood resolveu contar a história de uma das batalhas mais sangrentas da 2ª Guerra Mundial, pelos pontos de vista dos dois lados da batalha. A conquista da honra mostra o combate pela conquista da ilha japonesa de Iwo Jima pelo lado dos americanos, vencedores. Enquanto este apresenta a visão dos japoneses. Apenas por isso a produção já tem méritos.


Entretanto, Eastwood vai além. Humaniza o inimigo - o "lado errado da batalha" tem bons homens que apenas cumprem o seu dever, tal qual os combatentes do "lado certo da luta". Assim, acompanhamos a tensa e longa preparação para a batalha, de uma tropa em número, arsenal, comida e condições físicas (já que sofriam de disenteria por causa da água ruim) inferiores às dos adversários. Através de flashbacks, dos momentos de desesperança nos escuros túneis, conhecemos seus medos e a vida que deixaram para trás. Vida de gente como a gente.

Quando percebe que não haverá reforços ou condições para suas tropas, o General Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe), toma as devidas providências para prolongar ao máximo o confronto aumentando o tempo de preparo para as outras frentes de batalha. Cava túneis no centro da ilha ao invés de trincheiras na praia, esconde os soldados em bunkers, mas sabe que a derrota é inevitável. Uma tentativa de resistência que contrasta com a (para nós) honra suicida dos japoneses. O ato de preferir morrer a fugir, desertar ou se render deixa a impressão que a honra custou um considerável número de soldados para as tropas japonesas. Impossível não se questionar: teria feito diferença?

As atitudes do general nem sempre são compreendidas por seus oficiais, gerando insubordinação e disputas internas, que apenas aumentam a tensão nos escuros túneis. E por falar em escuro, o filme apresenta uma paleta desaturada que beira o preto e branco em vários momentos. Não há cor em uma guerra. Ao mesmo tempo, os americanos são apresentados apenas nas sombras, no escuro, ao longe, o inimigo difícil de identificar, sem rosto, sem nome.

Até o momento em que um americano é capturado, e um dos oficiais lê uma carta que este carregava para os soldados japoneses. Não era uma estatégia, mas uma carta da mãe. Piegas (e muito), mas tem sua função, lembrar que nenhum deles é realmente o inimigo. Ambos os exércitos lutam uma batalha que não é de nenhum daqueles homens. Uma guerra iniciada por seus governantes, na qual só exercem o papel que aquela caótica sociedade exige.


Longos momentos de espera, batalhas e ações repetitivas tornam o filme cansativo. Mas nem de longe é um erro, já que ajuda a entender bem o sentimento de estafa mental e física dos personagens, que só aumenta ao presenciar a violência das batalhas.

Difícil não torcer pelo lado "nazista" da batalha, por aqueles homens que passamos a conhecer. Quem irá dizer que não mereciam a vitória? A causa podia até não merecer, mas seus defensores mereciam melhores chances. Um ponto de vista raro e novo para uma guerra que o cinema já cansou de revisitar.

E pensar que, na faculdade, aprendemos que a história é contada pelos vencedores!

A guerra vista de perto


"Eu quero cumprir o meu dever para com o meu general e o meu país, mas não quero morrer por nada". A frase, dita por um soldado japonês encurralado, diante da derrota iminente, resume bem Cartas de Iwo Jima. De um lado, o patriotismo que é uma das marcas mais profundas da cultura nipônica, que ganha ainda mais força com um dos principais valores desse povo: honra. Do outro, o sentimento irracional que invade qualquer representante da espécie humana ao se aproximar da morte: o medo. E esse dilema interno, como mostra o delicado filme dirigido por Clint Eastwood, pode ser tão ou mais devastador quanto as poderosas armas do inimigo.

As cenas de soldados se explodindo chocam, mas o que dá mesmo um nó na garganta é o olhar perdido de Saigo (Kazunari Ninomiya), um simples padeiro que foi arrastado para o meio do conflito antes de sua filha nascer. As sequências do ataque aéreo impressionam pela qualidade, mas o que perturba mesmo é o constrangimento do general Kuribayashi (Ken Watanabe) ao informar a seus subordinados que o Império não vai enviar reforços para impedir que eles sejam massacrados pelos americanos. As crianças japonesas cantando em homenagem aos bravos guerreiros de Iwo Jima comove, mas... e a esperança desses homens?

A opção por planos mais fechados nas batalha mostram que o interesse do cineasta é oferecer ao público um olhar microscópico sobre esse episódio, praticamente ignorado pelo Ocidente, da Segunda Guerra Mundial. De que adiantam milhares de figurantes e efeitos especiais em sequências grandiosas se aquilo não te emociona? Claro que é possível identificar alguns clichês do gênero e até alguma romantização excessiva em certos pontos, como no caso dos radicais tratamentos dados aos prisioneiros por ambos os lados. Mas, relevando-se esses pequenos deslizes, e com a ajuda de um elenco irrepreensível, roteiro e direção fazem um bom trabalho ao construir esse cuidadoso retrato de quanto uma guerra, seja ela qual for, é capaz de desumanizar todos os envolvidos.


A impecável fotografia do longa dá preferência a cores pouco saturadas, cinzentas, amarronzadas. Soldados e oficiais se misturam com uma facilidade incrível às cavernas, às rochas, ao "sagrado solo japonês". Visualmente, o que se destaca, portanto, é o amarelo do fogo, que invariavelmente significa morte, e o vermelho da bandeira nacional, que acaba simbolizando o sangue derramado por essa convicção tão arraigada.

Ao usar bastante o recurso do travelling, acompanhando a movimentação dos soldados naquele campo minado, Eastwood também nos aproxima de cada japonês que vai sendo abatido durante o caminho. Quando Saigo é cumprimentado pelo general por ter sobrevivido à queda do Suribachi, não tomamos aquilo como um elogio. Sabemos que não foi fácil, que ele teve sorte algumas vezes e foi covarde em outras situações. Ele não é um bom soldado. Aliás, cabe perguntar o que ser um bom soldado significa. Ele era apenas um padeiro, que preferia estar em casa, cuidando da mulher e da filha. Assim como tantos outros, ele estava disposto a servir seu general e seu país, mas, sem dúvida alguma, não queria morrer por nada.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Prêmios de Cartas de Iwo Jima

O diretor Clint Eastwood e seu Globo de Ouro
Segundo o IMDB, Cartas de Iwo Jima recebeu 23 prêmios e 17 indicações. Confira os principais abaixo (a lista completa aqui).

Oscar 2007 (EUA)
  • Melhor edição de som
Indicado a melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original.

Globo de Ouro 2007 (EUA)
  • Melhor filme estrangeiro
Indicado na categoria de melhor diretor.

Prêmio David di Donatello 2007 (Itália)
Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.

Prêmio Bodil 2008 (Dinamarca)
  • Melhor filme americano.

Prêmio Saturno 2007 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)
Indicado na categoria de melhor filme internacional.

Academia Japonesa de Cinema 2008 (Japão)
  • Melhor filme em língua estrangeira

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Curiosidades de Cartas de Iwo Jima

- Cartas de Iwo Jima é um filme complementar de A conquista da honra. Ambos mostram a batalha da ilha de Iwo Jima, considerada uma das maiores da 2ª Gerra Mundial, mas de lados opostos do conflito.

- Os dois longas foram produzidos simultaneamente, mas seus atores nunca contracenaram. O único membro do elenco que está em ambos os longas aparece na cena com um lança-chamas. Chuck Lindberg é interpretado por Alessandro Mastrobuono).

- O orçamento de Cartas de Iwo Jima foi de US$ 15 milhões.

- Ken Watanabe leu as cartas enviadas pelo verdadeiro general Tadamichi Kuribayashi à sua família, como forma de se preparar para o personagem.

- A história do tenente Ito que amarra minas em si mesmo e se deita entre os cadáveres para atacar um tanque é baseada na história real de Satoru Omagiri, como dito em "O sol nascente", de John Toland.

- Kazunari Ninomiya, que interpreta Saigo, é integrante da banda japonesa Arashi

domingo, 6 de maio de 2012

Cartas de Iwo Jima

A batalha da ilha de Iwo Jima é considerada uma das maiores da Segunda Guerra Mundial.

Letters from Iwo Jima
EUA - 2006
140 min, colorido
Guerra, drama

Direção: Clint Eatwood

Roteiro: Iris Iamashita

Compositor: Kyle Eastwood, Michael Stevens

Elenco: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shidou Nakamura

Vencedor de um Oscar.

Complementa o filme A conquista da honra (2006), mostrando o ponto de vista japonês da batalha.


Filmes de guerra

Segundo a Wikipédia: guerra é um confronto sujeito a interesses da disputa entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados, utilizando-se de armas para tentar derrotar o adversário. Goste ou não, está aí uma das coisas que a humanidade aprendeu a fazer desde o início dos tempos.

Logo, não é de se admirar que o gênero "filmes de guerra" também exista desde os primórdios do cinema. Contado do ponto de vista de um lado ou de outro, de ambos, de terceiros ou ainda como propaganda, "justificativa" ou incentivo para guerras foras das telas. Alguns, apenas uma coleção de explosões, tiros, golpes de espadas e outras armas, de acordo com a época. Outros, disputas fantasiosas entre personagens fictícios. Ainda há aqueles que são verdadeiras aulas de história.

No final todos servem de base para reflexões sobre nosso mundo, nossas atitudes, e como caminha a humanidade. Já assistimos a um dos primeiros grandes filmes de guerra, O nascimento de uma nação ganhou uma semana dedicada a ele em 2010. Agora vamos dedicar um mês ao gênero, à reflexão e, quem sabe, além de cinéfilas melhores, nos tornamos pessoas mais conscientes do mundo a nossa volta.

Acompanhe uma das listas mais difíceis de definir aqui no blog (existem muitos, muitos filmes de guerra). E não esqueça de nos ajudar a escolher um deles em nossa enquete!


sábado, 5 de maio de 2012

Posso levar pra casa?


Quando eu penso que o mês Chaplin não tem mais como me surpreender, lá vem O garoto para mexer de vez com meu coração de manteiga. Um filme de roteiro simples e sensível o bastante para comover sem precisar recorrer às armadilhas do melodrama. Mas nada disso funcionaria se o pequeno Jackie Coogan não tivesse sido escolhido para viver o personagem-título. Simplesmente encantador, ele soa sincero em cada cena, desde as sequências mais corriqueiras aos momentos realmente difíceis, como a brusca separação entre ele e Carlitos, seu pai adotivo. É de partir o coração.

Chaplin, impecável como de costume, parece ter encontrado seu parceiro ideal. Inocente como uma criança, o vagabundo chega a imaginar que algum desavisado poderia ter jogado aquele recém-nascido pela janela, junto com um monte de lixo. Seu instinto de andarilho o leva a tentar se livrar do bebê, mas as circunstâncias, em primeiro lugar, e a quase imediata afeição com John fazem com que os dois logo formem uma família. Não exemplar, talvez, mas feliz. 

O menino, que por vezes assume o lugar do pai nessa flexível e improvisada estrutura familiar, lembrando de alimentar o adulto e de rezar antes de dormir e das refeições, logo entende (e curte) a ideia de que precisa ajudar na sobrevivência da dupla. O malandrinho não só quebra janelas para que o pai postiço banque o vidraceiro de emergência como sabe que precisa manter distância dos policiais. Politicamente incorreto? Sim, deliciosamente politicamente incorreto (e eu nem sei se é permitido usar dois advérbios de modo justapostos dessa maneira...).

Da mesma forma, o filme também não condena a atitude da mãe (Edna Purviance), que abandona o bebê num ato de desespero extremo, mas se arrepende em seguida, quando já é tarde demais. Boa pessoa, como mostra sua disposição e sua alegria em praticar caridade, ela cruza inesperadamente o caminho do filho sem saber. Talvez fosse a forma que o destino encontrou de lhe dizer que merecia uma segunda chance. O desfecho sempre otimista dos filmes de Chaplin foi mais simplório e menos poético que de costume, mas nada que apague a sensação boa de também termos adotado esse adorável garoto, nem que seja até a cartela final.

Um pouco mais do ator: Jackie Coogan


- O garoto de O Garoto, é na verdade John Leslie Coogan. Nome artístico: Jackie Coogan, nascido em 26 de outubro de 1914, filho de artistas de vaudeville. Foi descoberto por Chaplin quando realizava shows no Orpheum Theatre e impressionou pela facilidade em imitar o cineasta.

- Em 1917 fez sua primeira aparição nos cinemas, em Skinner's baby. Mas a fama veio com O garoto, no qual interpreta o personagem-título. O papel do pequeno órfão o transformou em uma das primeiras estrelas-mirins do cinema. Dezenas de produtos foram comercializados com seu nome: a lista inclui alimentos, bonecos, acessórios e roupas.

- Em 1922, participou de Oliver Twist de Frank Loyd. Sua interpretação marcou época, e ganhou homenagem de Scotty Beckett nos filme Os Batutinhas.


- Aos 10 anos de idade foi estudar Urban Military Academy e posteriormente na University of Southern California. Estudou até 1932 quando abandonou a faculdade devido as notas baixas. Em 1935, foi o único sobrevivente de um acidente de carro que matou seu pai e seu melhor amigo, Junior Durkin (do filme Huckleberry Finn).

- Casou-se em 1937 com a também atriz Betty Grable e permaneceu com ela até 1939. Nos anos de 1940 se alistou no exército, prestando serviço como aviador na 2ª Guerra Mundial. Realizou trabalho voluntário e arrecadou milhões para os necessitados.

- O segundo casamento foi em 1941, com Flor Parry, com quem teve um filho, John Anthony Coogan. Em 1946 casou-se novamente, desta vez com Ann McCormack. Dessa união nasceu Joann Dolliver Coogan; ambos os casamentos duraram apenas dois anos. Seu quarto e último casamento aconteceu nos anos 50, com Dorothea Odetta. Tiveram dois filhos, Leslie Diane e Christopher Fenton.

- Voltou a atuar após a guerra, principalmente em séries de TV. A lista é grande, e inclui The Wild Wild West, Hawaii Five-O. O destaque fica para o personagem Fester (por aqui também conhecido por Tio Chico), da série de TV A Família Addams.

Como Fester em A Família Addams
- Morreu de parada cardíaca em 1º de março de 1984, aos 69 anos, de uma parada cardíaca. Sua história é lembrada nos livros "The World's Boy King: A Biography of Hollywood's Legendary Child Star" e "The First Male Stars: Men of the Silent Era".
Humanista - Patriota - aquele que entretém


- Primeira grande estrela infantil, arrecadou entre 3 e 4 milhões de dólares (hoje o valor equivalente seria entre 40 e 100 milhões), além de uma estrela na calçada da fama. A fortuna foi gasta por sua mãe, Lilian, e seu padrasto, Arthur Bernstein, em extravagâncias, como casacos de peles, diamantes, e carros. Coogan moveu processo contra ambos em 1938, aos 23 anos. Contudo as despesas legais fizeram com que ele  recebesse apenas 126 mil dólares dos cerca de 250 mil restantes. Foi Chaplim que lhe deu apoio financeiro em tempos difíceis.

- A batalha legal chamou a atenção para os atores-mirins e resultou na promulgação da Lei Coogan, no estado da Califórnia. Isso que determinava a reserva de 15% dos ganhos da criança em uma relação de confiança, e codifica questões como escolaridade, jornada de trabalho e tempo livre. Embora a lei não tenha evitado que a história se repetisse nos anos de 1990 com Macaulay Culkin, mas isso é assunto para outro post.


FILMOGRAFIA

Skinner's baby (não creditado, 1917)
A Day's Pleasure (1919)
The Kid (1921)
Peck's Bad Boy (1921)
My Boy (1921)
Nice and Friendly (1922)
Trouble (1922)
Oliver Twist (1922)
Papai (1923)
Dias de Circo (1923)
Viva o Rei (1923)
Um menino de Flandres (1924)
Little Robinson Crusoé (1924)

Olá, Frisco (1924)
The Rag Man (1925)
Roupa Velha (1925)
Johnny Get Your Hair Cut (1927)
A corneta (1927)
Buttons (1927)
Tom Sawyer (1930)
Huckleberry Finn (1931)
College Swing (1938)
Cowboy G-Men (1952-1953)
A Família Addams (série, 1960)
Happy Girl (1965)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Curiosidades de O Garoto

Chaplin levou quase um ano fazendo este filme, seu primeiro longa metragem.

O filme também é considerado um dos primeiros longa-metragens que realmente misturou comédia e drama, como a sua abertura já previa: "Um filme com um sorriso, e talvez uma lágrima..." (A picture with a smile, and perhaps a tear...)


Além disso foi o primeiro filme em que Chaplin permitiu dividir os créditos por um sucesso. Jackie Coogan foi, juntamente com Charles, o astro principal.

Coogan se tornou uma das primeiras personalidades infantis da história, recebendo honras de príncipes, presidentes e do próprio papa, durante sua turnê pela Europa.

O filme custou 300.000 dólares, e rendeu 2.500,00 dólares, líquidos.

Sonorizado em 1937, com música de Henry Verdun. Ganhou nova trilha composta por Chaplin em 1971.

Segundo Jackie Coogan, os métodos de Chaplin para colher uma interpretação dele eram no mínimo curiosos: para a cena em que ele precisou que o garoto chorasse (ao ser levado para o orfanato), Chaplin o levou para um canto e contou que seus pais lhe levariam realmente para um orfanato. O garoto começou a chorar. Nada didático!

Alguns atribuem o fato de o filme revelar uma sensibilidade extra na relação entre o vagabundo e o garoto ao fato de Chaplin ter perdido um filho durante as gravações.

No Brasil foi lançado em DVD juntamente com Vida de Cachorro, também estrelado por Chaplin.

Selecionado pela Biblioteca do Congresso dos EUA para a preservação no National Film Registry em dezembro de 2011 como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo".

Universal e atemporal

Provavelmente já mencionei em algum post anterior que a expectativa pode ser a maior inimiga de um filme. Normalmente tento evitar esperar algo (bom ou ruim) de qualquer filme, livro, série, mas quando se cresce observando a imagem do Vagabundo e do Garoto sentados na soleira da porta (uma das imagens mais reproduzidas do mundo), somado à fama do filme e à imagem de Chaplin no imaginário popular fica difícil não esperar alguma coisa de O Garoto.

O primeiro susto vem com a duração do filme, 58 minutos, mas aí lembramos que há uns 90 anos (!) o cinema era diferente, bobeira minha esperar um filme de duas horas. Depois veio aquela sensação de "eu já conheço essa história", afinal existe quase um século de obras que fazem referência a ele de algum modo.

Não me levem a mal. O filme é tocante! Tem uma boa história, boas interpretações. E sim faz rir e chorar de verdade, embora sejamos sugestionados a isso antes mesmo do filme começar, como se a película precisasse de ajuda. Mas depois de passar a vida inteira imaginando como seria o filme, a realidade deixou um gostinho de "Legal, mas já acabou?".

Tentando dar uma vida melhor ao filho, uma mulher pobre, sozinha e desesperada deixa seu bebê dentro do carro de uma família rica. Infelizmente o carro é roubado e os bandidos descartam a criança em um beco. O Vagabundo a encontra, mas não consegue se desfazer dela, e acaba criando o menino da melhor maneira que podia. Anos mais tarde quando o garoto fica doente as autoridades decidem que a vida que o Vagabundo oferece ao menino não é apropriada. Enquanto a mãe, em melhor situação de vida, e culpada pelo sumiço do filho faz caridade no mesmo lugar onde a dupla vive.

Tudo contado com altas doses de doçura. Alternando a beleza das  alegrias simples da vida e a melancolia das perdas inevitáveis. Mas claro é o vagabundo, então final feliz é imprescindível!

Para não dizer que nada me surpreendeu, a sequencia de sonho é hilária a ponto de entreter a criançada aqui de casa. E quem diria, minha sobrinha de quatro anos entendeu a linguagem do filme mudo como se os tivesse assistido a vida inteira, até melhor que eu, ouso dizer. Linguagem universal e atemporal, pelo visto Chaplin alcançou seu objetivo principal e foi além, também emocionou e ainda emociona muita gente!


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Chaplin e amigos

Quando vimos algumas dessas fotos na exposição Chaplin e Sua Imagem ficamos boquiabertas. Geralmente eu escreveria um texto explicando os motivos, mas como uma imagem vale mais que mil palavras....

Tirem suas próprias conclusões ou segurem seus queixos!

Chaplin e Einstein

Chaplin e Disney

Chaplin e Gandi

Chaplin e Orson Welles

Chaplin e Marlon Brando

O dia em que Chaplin nos tirou do sofá

Pois é. Esse dia foi especial. Apesar de já estarmos em nosso terceiro ano de blog, e de todas as experiências que vivemos, e tudo o que aprendemos com esses filmes maravilhosos que vimos, ainda faltava um encontro 'oficial' do trio de blogueiras.
Explica-se. O projeto inicial do blog foi da Fabi e da minha irmã, Giselle. Eu só entrei porque pentelhei pra participar, fato. Pois bem, o caso era que a Gi conhecia a Fabi, mas eu não. E eu só fui conhecer a Fabi pessoalmente agora, num sábado ensolarado de abril - o sábado em que nós fomos ao Centro Cultural Helio Oiticica, na Praça Tiradentes - centro do Rio de Janeiro, para ver a exposição sobre o gênio Charles Chaplin.

A exposição é imperdível. Recheada de fotos e vídeos, contam a trajetória de Chaplin e de seu personagem mais famoso: Carlitos, Charlot, Vagabundo. Pode chamar como quiser. São fotos de bastidores de alguns filmes, de cenas famosas, do ator descaracterizado, atrás das câmeras, o encontro com personalidades...  A que mais me marcou, nesse sentido, foi a de Chaplin com Albert Einstein. Dois gênios numa única foto. Sensacional.

Há várias citações e trechos de entrevistas de Chaplin, videos com trechos de filmes. Mas, como todo bom encontro de galera, sempre tem que ter algum recadinho de Murphy, já viu, né? No calorão do Rio de Janeiro, fomos nós para o Centro Cultural buscar refúgio no ar condicionado e... Não é que o mesmo estava em manutenção? Justo no dia que a gente foi? Pois é. E, pra completar, ficamos sem ver as projeções. Fomos avisadas que os projetores estavam sendo desligados naquele momento, em que nós pusemos os pés dentro da galeria, para evitar o superaquecimento. Acreditem.

Então, o que fizemos? Ficamos, lógico. E não nos arrependemos. Depois da foto clássica em frente ao banner da exposição (que ficou em cartaz de março a abril, exatamente o período em que tivemos nosso mês de homenagem aqui no blog - o que foi pura coincidência, diga-se), decidimos: cineminha. Lógico que lá vai ter ar condicionado. Partimos então pra ver 12 horas, um filme bem razoável, diga-se. E, lógico, faltava a foto do trio. Que lugar melhor pra tirar essa foto que dentro do cinema, ao lado do pôster de Os Vingadores? 

Mico? Isso é coisa da sua cabeça. Nós estávamos comemorando. E temos que agradecer ao Chaplin, que por essa feliz coincidência, fez com que nos encontrássemos. E a você, querido leitor do blog, que acompanha nossos pitacos, vota em nossas enquetes e nos incentiva a seguir com o projeto, mesmo aos trancos e barrancos. Que venham os próximos encontros!