3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 30 de abril de 2011

Saber demais nem sempre é bom

Foi mais ou menos assim a minha cara quando terminei de assistir ao filme...

Na hora da zona morta (The dead zone, 1983) foi uma surpresa. Não sabia o que esperar do filme porque não fazia idéia sobre o que se tratava. Então soube, e fiquei na expectativa: "cara, isso deve ser muito, muito bom! adorei a idéia!"

Pois bem, eu quase sempre acabo frustrada quando crio expectativas. Mas nem posso dizer que me sinto assim com este filme em específico. Talvez por causa de Christopher Walken, que sempre me assustou, mas que, para mim, tem um certo carisma. E Martin Sheen só precisou de 1 minuto pra me convencer que seu personagem não valia nada. Incrível. Mas... Se não decepcionou, também não me marcou. A não ser pela cena final em que o cretino do candidato a presidente se protege dos tiros fazendo um bebê de escudo.

Você não vale nada, e ninguém gosta (mais) de você

Foi tudo muito bem feito, o clima tenso na medida, as visões sinistras vindo inesperadamente, a agonia de se sentir um "e.t." por ter desenvolvido um dom (que lembra muito um maldição). Mas o filme não me empolgou. Não estou dizendo que é ruim, pelo contrário, o filme é bom. Só não foi especial. Talvez por isso eu esteja a ponto de encerrar meu post mais curto para este blog até agora. Acho que estou ficando mal acostumada a ter grandes emoções com os filmes...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quando as aparências enganam


Stephen King + David Cronenberg + Christopher Walken. Digam-me vocês: quais as chances de sair uma bizarrice (no bom sentido) dessa mistura? Pois, ao contrário do que eu imaginava, Na hora da zona morta não tem nada de bizarro. Ao contrário, é um bom drama com um leve toque de sobrenatural. Vocês vão achar que eu estou louca, mas o filme até me fez achar Walken menos estranho. Quase (eu disse quase) gente como a gente. Esse, aliás, foi o primeiro longa que assisti em que o ator tem um papel à sua altura, e não apenas um coadjuvante excêntrico. E a atuação dele me impressionou muito, hein?

Até por isso, fiquei com ainda mais peninha de John Smith, que não bastasse ter acordado de um coma cinco anos depois e descobrir que o noivado foi pro beleléu, ainda ganha fama de freak na cidade com suas visões e tem que enfrentar a curiosidade e o veneno de repórteres incrédulos (esses abutres, sempre eles). Mas é aí que o filme, para minha surpresa, ganha ares de thriller policial: depois de muito relutar, o professor finalmente decide usar seu dom para solucionar um assassinato. Não sei vocês, mas fiquei com aquela sensação de que essa parte, apesar de seu desfecho impressionante, podia ter rendido tanto, mas foi resolvida rápido demais e acabou não tendo maiores consequências para o protagonista.


Eu sei que o filme seria interminável se se demorasse demais em cada subtrama. Mas algo me incomodou na transição entre uma e outra, mais bruscas do que eu gostaria, e senti alguns problemas de ritmo. É como se, a cada visão de John, voltássemos ao ponto inicial, e o que vem daí por diante não precisasse ter obrigatoriamente ligação com a anterior. Como uma série em que cada episódio pode ser assistido independentemente dos outros. E isso afetou um pouco a minha visão do conjunto (será que eu tô vendo séries demais?).

Digo isso porque no próximo "capítulo" na vida de John nos vemos de volta ao drama, agora com ainda mais descobertas. Isolado e ainda sofrendo as consequências físicas, mentais e sociais de seus recém-adquiridos poderes, ele percebe que não só é capaz de ver o futuro, mas de alterá-lo. Esse é o ponto-chave da questão. E é aí que vamos chegando, de uma forma lenta e gradual, ao trecho mais interessante da trama, algo que você nem poderia imaginar lá atrás (e que eu não vou contar porque é spoiler!). Resumindo: mesmo que, em certos momentos, o filme pareça um tanto arrastado e até incoerente, aguente firme, porque o que vem a seguir compensa. Além, é claro, de ver Walken sofrendo por amor. Isso não tem preço.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Material para acaloradas discussões!


John Smith (o sempre perfeito Christopher Wallken) é um pacato professor que sofre um acidente de carro e entra em coma. Acorda cinco anos mais tarde. E como se os anos perdidos, somados à perda da noiva (que seguiu com a vida e se casou) não fossem tragédia suficiente, John ainda descobre um novo dom (ou maldição, dependendo do ponto de vista). Com um toque, ele pode ver coisas que aconteceram, estão acontecendo ou (a melhor parte!) que ainda vão acontecer.

Ô vidinha complicada desse rapaz! Primeiro ele tem que superar o fato de que o que foi uma soneca para ele foi meia década para os outros. O mundo mudou, as pessoas à sua volta seguiram com a sua vida. E ele continua na mesma. Apavorante isso! Precisa recuperar-se fisicamente, cinco anos sem se mexer, atrofia tudo! Ao mesmo tempo, descobre seu dom e é descoberto pela imprensa, que começa a cobrar respostas em nome do sensacionalismo. Ele também recebe pedidos de ajuda da polícia local, e de todos que acreditam nele.

Tudo isso é suficiente para o professor se isolar, mas não para o deixar longe das consequências de suas habilidades. Que além de salvamentos e vislumbres do passado, incluem uma 3ª guerra mundial e até o apocalipse. Afinal, o fim do mundo como conhecemos costuma ser brinde, quando ganhamos dons extraordinários. 


Difícil resenhar este longa sem incluir spoilers e estragar a surpresa, uma vez que a história aborda de forma interessante muitos temas e nos faz ter vontade de discutir por horas a fio. Como aquela parte do final onde... ops! Melhor mudar de assunto!

Foi através da série de TV O vidente, que fui apresentada a esta obra de Stephen King, e consequentemente ao filme. Mas foi apenas com o DVD, Sofá e Pipoca que pude finalmente assistir ao longa.

Enxuto, todas as peças se encaixam. Apesar de ser uma história, "com episódios", que levam ao grande final, não ficam pontas soltas. O que fica é um pouco de quero mais! Saber mais sobre o dom em si. Sobre as possibilidades que ele oferece. As consequências das decisões de Johnny, em especial a última, no mundo. Nesse aspecto a série sai ganhando uma vez que pode esticar e aprimorar a narrativa, até que se esgote o tema, ou que enojemos dele (o que acontecer primeiro).

Cenas de assassinatos, acidentes, suicídios, todas aterrorizantes. Os pequenos personagens que participam desses episódios, como o xerife, o assassino e o pai endinheirado tentando tirar o filho "da casca", embora pouco espaço, são muito bem elaborados e desenvolvidos. Ao ponto de bastar algumas cenas para os conhecermos bem. E preciso mencionar o bebê de Sarah, embrulhadinho em um macacão laranja. Parece a Maggie Simpson, naquele casaco que a deixa com formato de estrela (viagens da minha mente!).


A atuação de Chistopher Wallken é praticamente perfeita, ao nos mostrar a confusão, medo e, mais tarde, determinação e alívio da personagem. São muitas variações para um filme tão curto. A única coisa que me incomoda são "as visões", marcadas por espasmos violentos, caretas e trilha absurdamente aguda. Achei muito caricato para uma narrativa tão original.

Martin Sheen (intérprete de Greg Stillson), também impressiona pela objetividade. Basta o primeiro take do personagem para sabermos que ele não é flor que se cheire. Dispensamos até as visões futurísticas. Brooke Adams (a ex-noiva Sarah Bracknell) não agradou muito. Contudo não tenho certeza se pela atuação ou pela personagem. A moça não se contenta em ver Johnny arrasado por perdê-la, e fica com ele por uma noite (ou melhor, tarde), apenas para lembrá-lo depois que nunca poderão ficar juntos. Maldade isso!

Impossível foi não comparar o longa com a série que acompanhava. Embora o longa seja mais fiel ao livro (que, apesar de episódico e rico em detalhes, não renderia mais que uma temporada), a série se inspira e muito no longa. Um exemplo são as cenas da primeira visão de Johnny e do último comício de Stillson, marcações de câmera, cenário e até edição muito parecida. Provavelmente uma bela homenagem a um ótimo filme!


P.S.: Outra semelhança entre as obras, o péssimo título! Gente, qual o problema de traduzir o nome original. Zona Morta, apenas, era perfeito! Ah! Essas traduções...., mas isso é assunto para outro post.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O vidente


Uma vez que o nome John Smith, nos EUA, é tão comum quanto José da Silva, no Brasil não é de se admirar que exista mais de um John Smith com capacidades extraordinárias. A série The dead zone (O vidente), adapta o conto A zona morta, de King, para a TV.

Durante suas seis temporadas, a série trouxe Anthony Michael Hall (o Brian de O clube dos cinco - The breakfast club, 1985), no papel de John Smith. O protagonista sofre um acidente de carro e, após anos em coma, retorna com habilidades paranormais, que usa para solucionar crimes. O elenco também conta com Nicole DeBoer (O cubo - The cube, 1997) como a ex-noiva de John, Sara. Chris Bruno interpreta o xerife e marido de Sara, enquanto John L. Adams é Bruce, seu melhor amigo.

O vidente é exibida por aqui no AXN e no SBT. Este último ainda reprisa a série nas madrugadas. Caso esteja com insônia, não perca a oportunidade!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Curiosidades e prêmios de Na hora da zona morta

- Baseado no romance de Stephen King, A zona morta (The dead zone), publicado em 1979.

- Dez milhões de dólares foi o custo de Na hora da zona morta.

- A primeira premonição de Johnny Smith precisou ser refilmada. Na cena que mostrava o quarto de uma garotinha em um incêndio, havia um boneco do E.T. (de Spilberg, que liga para casa), e a Universal Studios, produtora do filme do alienígena, ameaçou processar o diretor Cronenberg se ele mantivesse a cena.

- Antes de sofrer o acidente que move a trama, Johnny Smith (Christopher Walken) sugere a seus alunos o livro The legend of Sleepy Hollow. Em 1999, A lenda de Sleepy Hollow (em tradução livre) foi adaptado para o cinema por Tim Burton (devidamente acompanhado de Johnny Depp). O filme  A lenda do cavaleiro sem cabeça (Sleepy Hollow) contou com o corpo (e eventualmente a cabeça) de Christopher Walken como vilão montado.


Só recomendo livros que vivo!

Na hora da zona morta tem uma modesta página no Facebook.

Prêmios

Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films

  • Melhor Filme de Terror

Avoriaz Fantastic Film Festival

  • Prêmio dos Críticos para David Cronenberg (Diretor) 

Fantafestival

  • Prêmio da Audiência para David Cronenberg no 

domingo, 24 de abril de 2011

Na hora da zona morta

Após uma diputa acirrada (chegamos a ter os três filmes empatados por mais de dois dias), o mês Stephen King chega ao fim com...
The dead zone

1993 - EUA

Cor, 130 min

Drama/thriller

Direção: David Cronenberg

Roteiro: Jeffrey Boam

Música: Michael Kamen

Elenco: Christopher Walken, Brooke Adams, Tom Skerritt, Herbert Lom, Anthony Zerbe, Colleen Drewhurst, Martin Sheen, Nicholas Campbell, Sean Sullivan.

Baseado em livro homônimo de Stephen King.

sábado, 23 de abril de 2011

Sim, terei pesadelos...

A melhor coisa que eu fiz foi ter ouvido meus instintos. Enrolei o quanto pude para assistir a O iluminado (The shining, 1980) e mesmo ouvindo de pessoas diferentes que o filme "nem assusta tanto assim", decidi esperar por uma bela manhã de sol forte e céu azul. Nunca (eu disse nunca) veria esse filme após as 18h. E fiz certo. O iluminado realmente não é um filme de sustos gratuitos, mas o terror psicológico é evidente e causa calafrios mesmo à luz do dia. Principalmente em pessoas, digamos, mais sensíveis (pra não dizer medrosas). Comecemos com o que eu sabia do filme: Jack Nicholson (bárbaro), história baseada em conto de Stephen King, filme de suspense aclamado e considerado clássico, dirigido por Stanley Kubrick, cena do machado na porta. E tudo isso já era o suficiente pra eu saber que não ia ser muito fácil dormir depois de assistir ao filme.

Pois bem, me enchi de coragem e vi. O filme é bom e é assustador sim, mesmo que você sempre saiba o que vai acontecer em seguida. A trilha sonora faz boa parte deste trabalho, aliás, sempre tensa e sempre aumentando a tensão quando o momento exige. Acho que o filme não seria o mesmo se não tivesse essa trilha. O fofo Danny (Danny Lloyd) já de cara demonstra não ser uma criança comum (ou só eu achei assustadora a voz que ele fazia quando "Tony" falava?!). Descobri que o iluminado do título se refere às pessoas que tem o dom da telepatia - e não ao personagem de Jack Nicholson, como eu julgara. E fui descobrindo mais à medida que os personagens vão descobrindo o hotel, lindíssimo por sinal.

Então veio a surpresa Shelley Duvall. Não imaginava que ela fosse durar a metade do filme, dada a fragilidade inicial de sua personagem. Sua interpretação dá o tom certo de desespero (convenhamos, não é fácil descobrir que seu marido está querendo matar a você e a seu filho) e suas caretas de pânico, apesar de exageradas, são perfeitas para a sequência final do filme. Conforme o tempo passa, ela se torna a única a ainda manter uma certa dose de humanidade, de ingenuidade e, de certa forma, imunidade a todo o mal que está no prédio. Interessante.

Aliás, o prédio em si já é um personagem. A ambientação do hotel vazio, o inverno rigorosíssimo, o isolamento, o jardim-labirinto... Dá agonia só de pensar em passar uma temporada lá. Imagina se eu ia fazer como o pequeno Danny, dando uns "rolês" pelos corredores desertos no triciclo?! A cada curva que ele fazia eu me segurava, rezando pra ele não encontrar nada. Nem todos os nosso pedidos podem ser realizados, né?


As garotinhas por si só já são assustadoras, precisavam daquele "Vem brincar com a gente!"? Talvez essa seja a frase que eu mais odeio em filmes de terror. E quando os espíritos começam a se manifestar? A mulher na banheira (eca! que nojo aquilo!), o barman que aparece do nada no bar pra servir um uísque para Jack, depois o baile no Salão Dourado, o garçom que é o zelador-assassino... Mas os piores são os que aparecem por último, para Wendy: que droga de máscara é aquela?! Morri de medo.

Receita para que um filme seja clássico, chocante, impactante: não precisa de excesso de efeitos especiais para que um filme seja bom. Uma boa história, um bom elenco, um ótimo diretor, maquiagem eficiente e uma trilha sonora perfeita para criar o clima. Lição do dia? Nunca passe uma temporada de inverno num isolado nas montanhas.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

É Jack Nicholson e mais dez


Assim com a Regina Duarte há tempos atrás, eu tinha medo. Porque eu achava que O iluminado era daqueles filmes que assustam à base de aparições, portas fechando, luzes piscando e todos os outros recursos que você já deve ter visto num suspense na vida. O negócio é: tirando um sustinho aqui e outro ali, você fica mesmo é tenso com tudo que acontece da metade pro final do longa. Juro, meu coração acelerou, e eu fiquei agoniada. E tem gente que acha que sair esfaqueando os outros (sim, estou falando de Pânico, Jogos mortais e afins) é que causa adrenalina. Tolinhos.

A história é boa? Sim, e isso, vocês sabem, já é meio caminho andado pro filme ser bom, mas Stanley Kubrick, que não era bobo nem nada, tinha um outro trunfo maior ainda na manga: Jack Nicholson. O cara é simplesmente um dos maiores atores que eu já vi. E o que é mais impressionante é que ele faz drama, comédia e suspense com a mesma facilidade e a mesma qualidade. Sério, se alguém convidá-lo pra uma ficção científica musical com diálogos em inglês arcaico, ainda assim ele vai fazer um trabalho soberbo. E seu xará, Jack Torrance, à medida que vai mergulhando na própria loucura, consegue ser mais assustador que qualquer monstrengo ou fantasminha camarada.


E o que é Danny Lloyd, né, minha gente? Aquela fofura tendo que filmar aquelas sequências assustadoras... É uma pena que ele não tenha seguido a carreira. Achei ele ótimo, e ele deve ter tido um treinamento maravilhoso, porque, apesar de ter só 6 aninhos, ele realmente construiu o personagem: introvertido, pensativo, até esquisito, mas, ainda assim, fofo. O pequeno Danny da história tinha um dom que não era dos mais fáceis de se carregar. E, no final das contas, ele se revela a pessoa mais normal da família.

Se os dois atores estavam ótimos (elenco enxuto é ótimo, né?), também não posso deixar de elogiar Shelley Duvall. No início, achei que ela parecia lesada demais, o que dava um pouco de raiva. Mas quando a ação começa a se desenrolar no Hotel Overlook, ela realmente conseguiu me convencer que estava desesperada. Também, quem não estaria? E me surpreendeu pela atitude: as cenas em que ela se dá conta de quem é o verdadeiro perigo e tem que salvar a própria pele são de cortar o coração. Seu marido ali, trancado na despensa, pedindo desculpas e falando sandices em menos de cinco segundos, é de fundir a cabeça de qualquer um.


No geral, gostei muito do filme. Só acho que o longa precisava de um pouco mais de tempo pra mostrar o efeito do enclausuramento em Jack. Não precisava ser um longa de quatro horas, mas, pra mim, acabou ficando um pouco apressado, embora não seja nada comprometedor. Outra coisa que podia ser mais explorada é o intrigante amigo invisível de Danny. Ele também me deu medo, mas, diante dos acontecimentos, acabou esquecido. O que terá acontecido a Tony? Eu gostaria de saber...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

The Shining Cuckoo Clock

Gosta de relógios cucos e de colecionáveis de filmes? Então este deve ser seu sonho de consumo: The Shining Cuckoo Clock, o relógio cuco criado pelo designer Chris Dimino, que remonta uma das cenas mais assustadoras de O iluminado.

De hora em hora, Jack Nicholson aparece na porta e fala “Here’s Johnny!” e Shelly Duval grita!


Se você já estava contando as moedinhas para poder se assustar a cada hora fechada, pode tirar o seu velocípede do corredor! The Shining Cuckoo Clock não está sendo produzido comercialmente. Mas vale a curiosidade!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não rolou medinho, mas...


Era para dar medo? Sério, não me assustou. Acho que minha primeira sessão de O iluminado sofreu de dois males cinematograficos distintos. O primeiro é a expectativa gerada pelos diversos elogios e pela importância de filme, diretor, autor e elenco. O segundo é o efeito esgotamento do tema devido ao excesso de plágios, referencias e refilmagens. Fazer o quê? Quando é bom todos querem fazer igual.

Não me levem a mal. Adorei o filme! Narrativa perfeita, cenários, fotogafias, diálogos dignos da importância que é conferida ao longa, criando todo aquele clima de suspense e medo. E a impecável atuação de Jack Nicholson faz até a gente relevar a cara de peixe morto de Shelley Duval.

Entretanto, de alguma forma, eu sabia que rumos o longa tomaria, o que iria acontecer. O único mistério era como e quando as coisas aconteceriam, e a explicação para os enigmáticos eventos. Quem assistiu ao longa já sabe: o desfecho deixa mais dúvidas que respostas. Eu até que gosto disso, possibilita a minha mente divertidas "viagens na maionese". Com isso restou apenas o quando e como as coisas acontecem, e nisso o longa é perfeito.

Jack Torrance (Jack Nicholson) aceita um trabalho de vigia de um hotel no Colorado durante a baixa temporada do inverno. Muda-se para o local com a mulher Wendy (Shelley Duval), e o filhinho Danny (Danny Lloyd), um menino com dons "iluminados". Isolado pela neve no período mais frio, o trabalho no hotel é difícil devido a síndrome de isolamento, que pode causar temperamento agressivo nas pessoas. Aparentemente é isso que acontece com Jack após alguns meses. Entretanto, as habilidades paranormais do menino nos mostram outros motivos, muito mais preocupantes, para a loucura de Jack. 

Inspiração e versão do longa: advinha quais assustam mais?
Entre cenas de marasmo e cotidiano, a narrativa nos faz esperar sustos fáceis. Entretanto, quando achamos que a trilha vai dar um salto, acompanhada de uma sequência de sustos rápidos (o tradicional "buh!"), somos aterrorizados por sequências longas e apavorantes. Daquelas de querer fechar os olhos (nunca mais verei gêmeas de mãos dadas do mesmo jeito).

Conforme as história se desenvolve, o marasmo vai diminuindo, e a tensão aumentando. Até o ponto insuportável, onde a ameaça é real e a corrida pela sobrevivência, necessária. Kubrick provou que, se quer causar medo de verdade, você não deve assustá-lo por um minuto, mas apavorá-lo por horas, dias. 

Poderia até pontuar aqui as cenas que não me assustaram na hora, mas que, com certeza, se firmaram em meu subconsciente. Se eu me deparar com algo levemente semelhante na vida real, ficaria mais apavorada que criança em dia de vacinação. Mas isso levaria horas, pois teria que citar ao menos metade do longa. Por isso afirmo: O Iluminado não dá medo, mas é assustador. Terror psicológico, todos os cinéfilos recomendam! 


Um ótimo filme que gostaria de ter curtido mais. Os diversos plágios, referencias e refilmagens, tornaram algumas coisas, previsíveis. Mesmo assim, já virei fã. Não daquelas que contam as balançadas do bastão de basebal (41), ou o número de vezes que Danny diz "redrum" (43), ou ainda quantas vezes as assombrações piscam (sim, existem fãs assim!). Mas, daquelas que topam, a qualquer momento, entrar em longas discussões sobre a foto da última cena. Ou toparia assistir a tudo novamente, tentando entender seus enigmas.

Agora vou ter que ler o livro para descobrir se é mais assustador ou apenas dá medo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Here’s Chuck!

'Here’s Chuck!"
Qualquer semelhança não é mera coincidência! 

O filho de Chuk (Seed of Chuck, 2004), quinto filme do boneco assassino, faz referências a vários clássicos de terror e suspense. O iluminado não ficou de fora: o brinquedo assassino replica com perfeição a cena em que o personagem de Jack Nicholson, arrebenta a porta com um machado e anuncia: "Here’s Johnny!"

Confira as semelhanças, do violento machado à cara ótima de maníaco, especialmente se considerarmos que bonecos de plástico não costumam ser capazes de mexer o rosto.
"Here’s Johnny!"

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Curiosidades de O iluminado




- Baseado em um livro homônimo de Stephen King, O iluminado (The shining) de Kubrick não é fiel ao romance. As mudanças, que revoltaram os leitores (e dizem, até o autor), estão relacionadas à diminuição dos sustos fáceis (Bu!), em benefício do suspense psicológico.

- O título do livro foi inspirado em uma música de John Lennon chamada Instant Karma!, que contém a frase "We all shine on…". Stephen King quis originalmente dar o nome ao livro de The Shine, mas mudou o nome quando percebeu que "shine" era gíria pejorativa para negros.

- O livro ganhou uma versão para a TV americana em 1997. O iluminado da TV foi  estrelado por Rebecca De Mornay e Steven Weber e é fiel ao romance.

- Durante a produção do filme era comum Stanley Kubrick ligar de madrugada Stephen King e fazer-lhe perguntas do tipo: "Acredita em Deus?"

- O hotel The Timberline Lodge, no Oregon, foi usado como locação do externa do longa. Os interiores foram construídos no Elstree Studios, em Londres.

- No livro, o assustador apartamento que Danny deve evitar era o 217. A pedido do dono do hotel, que serviu de locação para o longa, o número foi alterado para 237, apartamento que não existe no prédio real. O dono tinha receio de ninguém querer se hospedar no real quarto 217 caso este aparecesse no filme.
O hotel verdadeiro!
- Originalmente com 146 minutos o longa foi reduzido para 142 poucas semanas após seu lançamento. A primeira versão continha uma cena excluída - SPOILER- logo após a cena do corpo de Jack congelado. Em um hospital, Wendy descansa em uma cama, enquanto Danny brinca na sala de espera. Ullman (o gerente do hotel), conta a Wendy que o corpo de seu marido não foi encontrado. Ao ir embora, o gerente entrega a Danny uma bola. A mesma que aparece rolando no corredor antes do menino ser atacado no quarto 237. Ullman ri e vai embora. Em seguida entra a enigmática cena da fotografia. - FIM DO SPOILER!

- A cena da bola rolando em direção aos carrinhos de Danny levou 50 tomadas para sair direito. 

- As cenas de Danny andando de velocípede foram feitas com steadicam (um aparelho usado na cintura do cinegrafista onde é acoplada a câmera para que ela não trepide). O longa foi o primeiro a utilizar o equipamento.

- Falando nas cenas com o velocípede, existem milhares de especulações curiosas relacionadas ao longa. Segundo fãs mais dedicados, a abertura do desenho O fantástico mundo de Bobby faz referência a essa cena. E aí, tem semelhança???


- Quem disse que mestre não erra? Por volta de 1 minutos e 08 segundo do longa, quando o carro de Jack segue ao Hotel Overlock, é possível ver a sombra do helicóptero que leva a câmera no canto inferior direito do vídeo.

- Segundo o Livro dos Recordes, a cena onde Wendy sobe as escadas de costas carregando um bastão de baseball foi feita 127 vezes. Um recorde de takes para uma única cena. Entretanto, Garrett Brown, operador de steadicam, e o assistente de direção Gordon Stainforth, afirmam que a informação é incorreta. A cena foi filmada cerca de 35-45 vezes. Brown também diz que a cena na qual Hallorann explica a Danny sobre a iluminação teve 148 takes. De qualquer forma Kubrick é um perfeccionista obcecado!

- Novecentas toneladas de sal foram usadas para criar a neve do labirinto.

- A primeira escolha de Kubrick para o papel de Danny foi Cary Guffey, de Contatos imediatos de terceiro grau (1977). Mas os pais do garoto mudaram de ideia ao conhecer a temática do longa.

- Houve tantas mudanças no roteiro durante as filmagens que, a certa altura, Jack Nicholson parou de lê-lo. A partir daí, ele leria apenas as páginas novas que recebia todos os dias.

- A ideia de Danny mover o dedo quando falava como Tony veio do ator-mirim Danny Lloyd. O pequeno intérprete  fez isso espontaneamente durante as audições.

- Apesar da tensão há apenas uma cena de assassinato em todo o filme. 

- A imagem das duas garotas no corredor do hotel foram inspiradas na fotografia "Identical Twins, Roselle, New Jersey, 1967" de Diane Arbus.
Não é que as originais são mais assustadores que as do filme!!!

domingo, 17 de abril de 2011

O iluminado

Agora sim, um suspense!

The shining 

EUA, 1980

Suspense

Direção: Stanley Kubrick

Roteiro: Stanley Kubrick e Diane Johnson

Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd

Baseado no livro "O iluminado" ("The shining"), de Stephen King.

sábado, 16 de abril de 2011

Por trás daquelas grades também bate um coração


Podem tirar sua liberdade, podem tirar sua dignidade, podem tirar até sua identidade, mas não podem tirar seu sonho. É tão lindo isso. Pode ser clichezão, mas é impossível não se emocionar com Um sonho de liberdade. Injustiça a gente está cansado de ver, todos os dias, em todos os lados. Andy Dufresne podia ser só mais um deles. Mas, coitado, é muita desgraça para um homem só, é de partir o coração. Gente inocente não devia sofrer assim não.

O grande problema é: alguém aí acreditaria na inocência dele? Diante de todas as circunstâncias, todos os fatos, todos os argumentos, é praticamente impossível convencer alguém do contrário. O resultado são duas prisões perpétuas, uma para cada vítima. Imagina passar duas vidas em Shawshank? Dá pra entender o desespero nos olhos de Tim Robbins. O que não dá pra entender é aquela calma... Será mesmo que ele poderia se conformar e passar seu tempo ocioso lapidando pedrinhas? Quantos tabuleiros de xadrez custaria sua sanidade? Nem mesmo a maior biblioteca da América poderia confortá-lo.  

Cena emblemática de Um sonho de liberdade
Graças a Deus, na mente daquele homem enigmático existia um dos mais brilhantes planos de fuga da história do cinema. Não, o mais brilhante. O desfecho perfeito para uma enorme sequência de violências, abusos, humilhações, chantagens. Coisas que a gente já imaginava que existia. Mas alguém aí já pensou em gente que fosse sentir falta de uma prisão de segurança máxima a ponto de apelar para atitudes extremas? Eu nunca tinha visto a questão dessa forma, nem nunca tinha parado pra imaginar os efeitos que uma pena de 20, 30, 50 anos é capaz de fazer com um homem. A passagem do tempo em Shawshank é lenta. Tanto, que o velho Red já ameaça perder a esperança de voltar ao mundo lá fora.

Antes que me interpretem mal, não estou defendendo criminosos, longe disso. Mas não dá pra ficar indiferente aos dramas daqueles homens vendo Um sonho de liberdade. Porque ali eles são mais que bandidos, assaltantes, sequestradores, estupradores, assassinos. Sim, eles dizem que são todos inocentes, mas nós sabemos que não é bem assim. Só que, às vezes, esquecemos de que também são seres humanos. Ainda bem que Stephen King e Frank Darabont estão aí para nos lembrar disso com um filme tocante desses. Uma das cenas mais bonitas pra mim é aquela em que Andy dribla os guardas e coloca música no alto-falante. Foram poucos minutos, é verdade, talvez até segundos. Mas arte e beleza são tão necessários pro espírito quanto a comida é para o corpo. Empatia ainda é uma virtude.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Frank Darabont & Stephen King

Stephen King e Frank Darabont: parceria de sucesso
Com sete indicações ao Oscar (incluindo melhor roteiro) e sucesso de crítica e público, Um sonho de liberdade representou o início de uma bem-sucedida carreira cinematográfica como realizador para Frank Darabont. Roteirista de filmes de suspense/terror como A hora do pesadelo 3 - Os guerreiros dos sonhos, A bolha assassina e A mosca 2, o diretor, nascido na França e criado nos Estados Unidos, dirigiu outras três produções baseadas em obras de Stephen King. Mas, curiosamente, parece preferir os dramas do Mestre do Horror na hora de pilotar as câmeras. 

Tom Hanks e Michael Clarke Duncan em À espera de um milagre
É o caso de seu longa seguinte, À espera de um milagre (1999), também elogiadíssimo, inspirado no lromance homônimo ("The green mile" no original). Já seu filme mais recente, O nevoeiro (2008), baseado no conto "The mist", do livro "Tripulação de esqueletos" ("Skeleton crew"), teve uma recepção mais discreta. Mas provou que Darabont & King fazem uma ótima parceria também no suspense.

Thomas Jane encabeça o elenco de O nevoeiro

Só que a admiração do diretor pelo escritor começou bem antes de a fama chegar. Em 1983, o então  desconhecido Darabont filmou seu primeiro curta-metragem, The woman in the room, feito a partir do conto de mesmo nome publicado na antologia "Sombras da noite" ("Night shift"). A história é barra-pesada: um homem precisa decidir se a eutanásia é a melhor solução para aliviar o sofrimento da mãe, que sofre de uma doença terminal. Ficou curioso? Então assista ao vídeo na íntegra (cerca de 30 minutos) abaixo.

The woman in the room

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mentes ociosas de homens inocentes!



Todos são inocentes em Shawshank. Mesmo sendo uma prisão de segurança máxima todos afirmam estar lá por engano. O advogado tramou para eles!

Quando chega ao presídio em 1946, Andy Dufresne (Tim Robbins) também afirmava ser inocente da morte de sua esposa e do amante na noite em que ele descobrira o adultério. Entretanto, por vezes, temos a impressão de que o bem-sucedido banqueiro não tem muita certeza dos fatos ocorridos naquela noite.

Em sua nova rotina de prisioneiro, faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman)."Red", preso há 20 anos e com pedido de condicional constantemente recusado, controla o mercado negro do presídio.

Na prisão tudo é rotina e o homem faz de tudo para manter a mente ocupada, afinal: mente ociosa, morada do diabo! É isso que acompanhamos, o dia a dia desses homens enclausurados.

À exceção de Andy, cuja culpa é duvidosa, não conhecemos os crimes da maioria dos detentos. Sem saber quem é assassino ou sonegador de impostos, não temos como criar preconceitos por sua vida pregressa, e acabamos julgando-os por seu comportamento atrás das grades. Por esse ângulo, a maioria é boa pessoa. Os vilões são os guardas, que abusam da autoridade e tiram proveito dos presos em qualquer oportunidade.

É observando esse comportamento, e sendo mais esperto que seus vigias que Andy mantém sua mente ocupada e causa uma revolução na prisão. Não! Nada de colchões queimados, guardas reféns, etc. A revolução é comportamental e cultural. Insistente, ele melhora a relação entre os detentos, consegue melhores recursos para a biblioteca, e alguns benefícios para eles e seus amigos. Além de um pouco de justiça misturado com vingança (mas vou parar por aqui para não estragar a sessão de ninguém). Tudo a custa de muito trabalho e sua experiência com finanças.

Sob o olhar atento de Red (personagem/narrador que nos deixa a par dos detalhes da vida na prisão e até faz algumas análises para o espectador), vemos os conflitos entre aqueles homens forçados a conviver (e isso inclui os funcionários do presídio). Detentos vêm e vão de diferentes formas. Impossível não se emocionar com a saída de Brooks Hatlen (James Whitmore), que chegou à prisão em 1905 e, 50 anos mais tarde, conquistou a condicional. Saindo para um mundo que evoluiu absurdamente neste meio século que ele não conhecia, e onde não poderia se encaixar.

Liberdade = medo!
Difícil é acreditar que este seja o primeiro longa para as tela grande de um diretor. Acertar de primeira assim, só Orson Welles e seu Cidadão Kane. Felizmente, diferente do maior "one-hit wonder" da história do cinema (Kane nunca conseguiu superar ou mesmo igualar sua obra), Frank Darabont não apenas conseguiu outros sucessos, como continua na "disputa", como produtor e diretor. 

Muito bem contada, com ritmo perfeito e personagens carismáticos, a adaptação para as telas do conto Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King, empatou bonito com meu filme de prisão favorito até então. À espera de um milagre (The Green Mile, 1999), dirigido por Frank Darabont. Curioso, não?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Curiosidades de Um sonho de liberdade

Baseado no conto Rita Hayworth and Shawshank Redemption de Stephen King.

Primeiro filme dirigido por Frank Darabont;

O produtores queriam que Brad Pitt interpretasse o personagem Tommy Williams. O papel acabou ficando com Gil Bellows.

No conto de Stephen King o personagem Ellis Boyd Redding era irlandês. Este detalhe foi retirado do filme após a contratação de Morgan Freeman para interpretar o personagem;

A maior parte das filmagens aconteceu na Penitenciária Estadual de Mansfield, em Ohio, que estava desativada na época da produção. O lugar passou por uma reforma para servir ao longa.

O IMDB, The Internet Movie Database, elegeu esse o melhor filme da história com a nota 9.2/10, juntamente com O Poderoso Chefão.

Boa parte de Um Sonho de Liberdade foi rodado na Penitenciária Estadual de Mansfield, em Ohio, que estava desativada na época das filmagens. Como a penitenciária estava em péssimas condições, foi necessário que se fizesse uma pequena reforma que deixasse o local em condições para que se pudesse rodar um filme.

O Título do filme foi satirizado em um episódio da série Total Drama Action. Foi sátirazado como Um Chefe de Liberdade. Já em Todo Mundo Odeia o Chris, o criminoso Malvo achava que o longa era uma comédia.

Recebeu sete indicações ao Oscar: 
Melhor Filme, Melhor Ator (Morgan Freeman), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som.

Recebeu duas indicações ao Globo de Ouro: 
Melhor Ator - Drama (Morgan Freeman) e Melhor Roteiro.

domingo, 10 de abril de 2011

Um sonho de liberdade


The Shawshank redemption

EUA, 1994

Drama

Cor, 142 min

Direção: Frank Darabont

Roteiro: Frank Darabont

Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman e Bob Gunton

Baseado no conto "Primavera eterna - Rita Hayworth e a redenção de Shawshank" ("Rita Hayworth and Shawshank redemption"), do livro "Quatro estações", de Stephen King.

sábado, 9 de abril de 2011

Uma aventura e tanto


Conta comigo é daqueles filmes irresistíveis, que te conquistam de cara. E é a prova de que alguns elementos combinados, como personagens carismáticos, elenco bem escolhido, roteiro enxuto e direção sensível, são uma receita infalível. Como todo mundo da minha geração, vi pela primeira vez há muuuuito tempo, numa Sessão da Tarde*. Mas, confesso, já não lembrava muita coisa. E foi uma delícia rever as aventuras de Gordie, Chris, Teddy e Vern.

Não é o máximo a sequência em que eles tentam escapar de um trem em uma ponte? Ou que Gordie corre como pode para não ser modido pelo "temível" cachorro do ferro-velho? Ou o mergulho involuntário no lago infestado de sanguessugas? Ah, e o incrível desabafo de Gordie (sim, ele é o protagonista) depois que eles finalmente chegam ao destino que buscaram durante todo o filme. É de cortar o coração e chorar junto.

O que mais emociona é que estamos diante de um bando de moleques (no melhor sentido da palavra) que, aparentemente, não sabe nada da vida. Será que não sabe mesmo? Não vou aqui descambar para a pieguice das sinopses apressadas que gostam de dizer que Conta comigo mostra "verdadeiras lições de amizade" e não sei mais o quê. Filme não é pra ser didático, certo? O que a gente vê então é que a vida não espera a maioridade nem a maturidade pra te ensinar algumas coisas e que nem tudo é tão preto no branco como se imagina à primeira vista.

O delinquentezinho do colégio pode ser bem consciente e querer ser alguém na vida. O filho que conta vantagem do pai, no fundo, sabe que seu herói é só um homem de verdade. O garoto que perdeu o irmão mais velho tem que fazer um esforço sobrehumano para tentar ganhar o carinho do pai. São só um bando de garotos, mas nem por isso a vida é só um passeio pra eles. E eles sabem que o que vem pela frente também não vai ser fácil. 

Tenho que dizer que a escolha de Corey Feldman, Will Wheaton, River Phoenix e Jerry O'Connell (o gordinho, meu favorito, que pode fazer o filme que for, mas só lembro dele como o protagonista de Joe e as baratas... Surreal, né?). E olha que eu nem falei dos meus queridos, amados, salve-salve John Cusack e Kiefer Sutherland. Ok, as participações deles (John, principalmente) são discretas, mas ajudam ainda mais a gostar do filme. Bom demais.

* Já repararam como muitos dos nossos clássicos costumavam passar na Sessão da Tarde? Tenho medo do que as próximas gerações vão chamar de clássicos daqui a um tempo: filmes das gêmeas Olsen ou bichinhos falantes, pelo visto... Muito triste.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Stand By Me

Will Wheaton e River Phoenix apareceram no video da música Stand By Me de Ben E. King's, trilha sonora do longa. Confira!


Até sozinha a trilha de conta comigo é um charme. As musicas muito bem escolhidas dão o tom certo para a trama. Conheça todas as faixas:
  • "Stand by Me" (Ben E. King)
  • "Lollipop" (The Chordettes)
  • "Book of Love" (The Monotones)
  • "Everyday" (Buddy Holly)
  • "Great Balls of Fire" (Jerry Lee Lewis)
  • "Yakety Yak" (The Coasters)
  • "Let the Good Times Roll" (Shirley e Lee)
  • "Come Go with Me"
  • "Get a Job" (The Silhouettes)
  • "Rockin' Robin" (Bobby Day)
  • "Mr.Lee" (The Bobbettes)
  • "Whispering Bells" (The Del Vikings)
  • "Come Softly to Me" (The Fleetwoods)
  • "Hush-A-Bye" (The Mystics)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Saudades da minha "gangue" de infância!

Eu não lembrava de ter assitido Conta Comigo, ate assistir novamente, em uma tarde chuvosa de terça feira. Para completar a sessão flashback, a cópia que consegui tinha a dublagem das sessões da tarde dos anos de 1990.

Quatro amigos inseparáveis conseguem uma informação privilegiada e se empenham em uma missão: encontrar o corpo de Ray Brower, menino que havia sumido após sair para colher amoras, trazer de volta e tornar-se heróis. Todos na faixa dos 12 anos, tinhampersonalidades bem distintas. Entretano como deve-se lembrar, nessa fase da vida não era necessário ser "igual" para compartilhar interesses e amizades.

Chris (River Phoenix) lider nato, com fama de badboy, ninguém acha que ele vá ser grande coisa quado crescer, inclusive ele. Teddy (Corey Feldman), o maluquinho da gangue sofreu maus tratos do pai, a quem admirava como herói. Vern (Jerry O'Connell)o medroso da turma. E Gordi (Wil Wheaton) o intelectual é quem nos conta a história depois de crescido.

Um road movie (a pé sim, porque não?), daqueles em que se coleciona mais que cartões postais durante o percurso. Os meninos enfrentam seus dilemas, enfrentam seus medos, crescem. Ao fim da jornada estão prontos as coisas desagradaveis que o futuro lhes reserva. Afinal, amizades incondicionais e sem pre-conceitos, como as da infância dificilmente são conquistadas na idade adulta. E com os vai-e-vens da vida poucas são as que se mantém desde que somos pequenos.

Isso sem falar nas lições, de coragem, confiança, sacrifício, apoio e até de ética. Tudo bem apresentado, sem pieguice ou exageros. E com a simplicidade da infância. Época em que superar a morte do irmão, é tarefa tão complicada quanto descobrir que bicho é o Pateta. Difícil acreditar que consumíamos, sem perceber, tanto conteúdo na Sessão da Tarde.Ou algum de vocês achava que estava vendo algo mais que uma aventura entre amigos? Triste pensar que as crianças de hoje em dia não tem essa sorte.

Para não dizerem que não tinha novidade no longa para esta que vos excreve. Essa foi a primeira vez que percebi a presença de John Cusac e Kiefer "Jack Bauer" Sutherland. Será que encarar 24h horas de tensão todos os anos serviram para expurgar os pecados de Ace Merril (como se ter nome de sabão em pó, já não fosse castigo bastante!).

Como se o clima de sessão da tarde não fosse o suficiente para me fazer voltar ao passado, ainda tem a aventura em si. Muito familiar para quem vive em cidades do interior (sem a parte do menino morto, devo ressaltar - não éramos tão corajosos assim). Confesso, fiz muitas expedições pelo bairro, acompanhada da minha "gangue", um pouco mais numerosa e variada (tínhamos, meninas!), afinal era a vida real. Na época sabíamos quem éramos, conhecíamos muito bem nossos amigos e tínhamos certeza das nossas missões. Bons tempos!

P.S.: Só para constar, o Pateta é um cachorro.
Agora só falta descobrir porque o Pato Donald enrolava uma toalha na cintura ao sair do banho, se no resto do tempo ele andava sem calças.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Curiosidades de Conta Comigo

- Baseado no conto de Stephen King, The Body (O outono da inocência - O Corpo, presente na coletânea Quatro estações)

Quem é quem hoje? Em pé Richard Dreyfuss e o diretor Rob Reiner.
Sentados Jerry O'Connell, Corey Feldman e Will Wheaton

- Com exceção de Castle Rock, todas as cidades citadas nos filmes são  homenagens a lugares reais do estado norte-americano do Maine, onde Stephen King viveu quando criança.

- Em uma entrevista para os bônus do DVD, Stephen King revelou que a cena das sanguessugas realmente aconteceu com ele quando criança.

- Conta comigo custou 8 milhões de dólares. 

- River Phoenix fez teste para o papel de Gordie, mas Rob Reiner achou que o garoto se sairia melhor no interpretando Chris.

- Corey Feldman e o diretor Rob Reiner testaram mais de 30 risadas diferentes para Teddy Duchamp. O objetivo era parecer ao máximo com a descrição do livro.

- Vários atores foram cogitados para o papel do escritor antes de Richard Dreyfuss assumir. Um deles até chegou a gravar algumas cenas, que mais tarde foram refeitas.

Bagunça no set!
- Para continuar no personagem durante os bastidores, Kiefer Sutherland costumava implicar com Will Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman e Jerry O'Connell.

- Os meninos aprontaram bastante durante as gravações. Jogaram dentro da piscina do hotel em que ficaram hospedados os móveis de piscina que ficavam ao redor. Wheaton mexeu nos video-games do saguão para poderem jogarem de graça. Sujaram de lama o carro de Kiefer Sutherland, mas eles só descobriram a quem o veículo pertencia quando Sutherland confrontou um assustado Phoenix.

- Conta comigo foi indicado a vários prêmios, mas não faturou nenhum deles.

Oscar 1987 (EUA)
Indicado na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

Globo de Ouro 1987 (EUA)
Recebeu duas indicações, nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Diretor.

Independent Spirit Awards 1987 (EUA)
Recebeu três indicações nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

Academia Japonesa de Cinema 1988 (Japão)
Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.