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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Vai entender...


A sinopse de não é lá essas coisas: cineasta atormentado que não consegue ter uma ideia para o seu próximo filme. O que torna o longa de Fellini tão diferenciado é... Fellini. Quem já viu algum filme do diretor sabe que uma de suas características mais marcantes é seu gosto pelo clima onírico, pela força das memórias, por um apelo menos racional. E, sim, tudo isso pode ser muito confuso. Eu não sei vocês, mas acho mais fácil acompanhar os flashbacks, flashforwards e flashsides de Lost que embarcar nessa viagem pelo imaginário do diretor. É difícil, mas não deixa de ser um exercício interessante.

Primeiro, preciso explicar que eu fiz o caminho inverso de muita gente. Antes de ver o original, assisti à sua recente adaptação cinematográfica, Nine - na verdade, a versão para a telona de um musical da Broadway inspirado em . E comparar as duas obras talvez me faça ver mais qualidades no longa italiano. Isso porque o filme de Rob Marshall consegue destruir toda e qualquer sutileza e (por que não?) poesia da história, juntando todos os ingredientes disponíveis na trama sem chegar a lugar algum. Interpretações, diálogos, músicas, tudo vira uma gororoba pra lá de indigesta (leia mais aqui).

Por tudo isso, não me aborreci ao ver o galã Marcello Mastroiani em cena na pele de Guido ou Anouk Aimée como Luisa, duas das interpretações mais impressionantes do filme. Aliás, o casal em crise é uma das poucas constantes do longa, que alterna inúmeras personagens (principalmente femininas) sem se prender a nenhuma nem se preocupar em explicar de onde elas vêm. Elas simplesmente giram em torno de Guido, sejam elas reais ou imaginárias. E se perder nesse meio é fácil, fácil, e, às vezes, irritante. Minha diversão era tentar achar a correspondente do filme americano: quem é a Fergie, a Nicole Kidman, a Penélope Cruz.
 
O que cansa é a duração do filme: 138 minutos de devaneios e delírios foi demais para mim. No mais, adorei as cenas sobre o filme propriamente dito: desde a atriz que fazia todos os testes possíveis mas não tinha ideia de qual seria seu papel até o momento em que Guido discute com seus produtores sobre alguns fiapos de ideias que surgiram depois de muito sofrimento. A resposta era algo do tipo: "Ninguém quer ver coisas que não entende!". Bota autobiográfico nisso, hein, seu Fellini? Provocação pura! Por ironia (ou vergonha da ignorância?), o ininteligível virou cult. Vai entender...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

8 curiosidades e ½

Seguem agora oito curiosidades e meia sobre o filme 8½ de Frederico Felini.

1 - é autobiográfico, com muitas cenas retiradas da vida do próprio diretor, algumas até mesmo de seus sonhos.

2 - O título faz referência a carreira do diretor Federico Fellini. Até então ele havia dirigido 6 longa-metragens, 2 episódios de filme e co-dirigiu outro longa.

3 - Certa vez Felini declarou que escolheu o título provisório no início da produção, mas como não pensou em nome melhor acabou por mantê-lo.

4 - Fellini chegou a cogitar a possibilidade de escalar Laurence Olivier como o protagonista, papel que acabou ficando com Marcello Mastroianni.

5 - fez sua estréia oficial no Festival Internacional de Cinema de Moscou, e acabou levando o prêmio máximo do evento.

6 - Um numeral e meio como título, nem sempre é a melhor solução. Não é de se admirar que , possa ser encontrado com tantos títulos alternativos: Fellini 8½, Federico Fellini's 8½, Otto e mezzo ou ainda Oito e Meio.

7 - O filme inspirou um musical da Brodway. Nine 9 de maio de 1982, com Raul Julia (o Gomes de A Família Adams) interpretando Guido Contini. Foram fetas 729 apresentações e receberam cinco prêmios Tony. Em 2003 uma nova versão estrelada por Antônio Banderas, que teve 283 apresentações recebeu outros dois prêmios Tony.

8 - O musical por sua vez inspirou um longa-metragem. A versão homónima para o cinema de Nine estreou em 2009 com um elenco estelar (Daniel Day-Lewis , Penélope Cruz , Marion Cotillard , Nicole Kidman , Judi Dench, Sophia Loren, Stacy "Fergie" Ferguson, Kate Hudson). Contudo a recepção do publico e crítica não foram boas.

- O longa tem 140 minutos de duração.

Ok! Admito que essa última não foi grande coisa, mas precisávamos de algo para contar como meio, não é!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Confusão e apatia

Quando embarquei no desafio de assistir 50 filmes esse ano, eu já sabia que não gostaria de todos. Não imaginei no entanto que sentiria uma vontade louca de abandonar um deles pela metade. Assisti a até o fim, mas precisei de muita força para manter a narração nas mais de 2 horas de filme.

O cinema adora falar dele mesmo. Neste filme assistimos o diretor Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) enfrentar a maior crise de inspiração de sua vida, enquanto dezenas de personagens entram e saem de cena, fazendo exigências, e perguntas sobre seu próximo filme. A confusão do cineasta é tanta que ele começa a misturar sonho e realidade deixando o que já era complicado, impossível.

Peraí, quem é essa mesmo? A amante ou a estrela? - Perdi as contas de quantas vezes me fiz perguntas similares. Culpa do constante entra e saí de personagens. São tantos que mal podemos decora-los, imagina então simpatizar com eles. Todos falam muito alto. As falas são corridas e sobrepostas, ou seja, todo mundo fala ao mesmo tempo, gerando um tumulto irritante em cena. E depois de uma longa e difícil narrativa entre cortada por sonhos, Felini nos entrega o final em aberto. Afinal o que Guido fez?

A salvação são as cenas oníricas onde vemos os delírios e o passado de Guido. Em especial a sequência do motim feminino, onde o personagem enfrenta todas as mulheres de sua vida, ao mesmo tempo. O pesadelo de qualquer homem.

Confuso e apático, se era o objetivo do diretor ou eu ainda não tenho maturidade para entendê-lo, não consegui descobri. Quem sabe daqui a alguns anos? Uma pena, eu queria muito gostar de 8½.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Premios de 8½

Nada agrada mais as premiações que um filme difícil de interpretar. Será que eles entendem mesmo, ou só estão fazendo pose? Conheça os prêmios recebidos pela exposição dos pensamentos conturbados de Guido.

Oscar (1964)
  • Melhor filme estrangeiro
  • Melhor figurino - preto e branco (não conhece essa categoria? Clique aqui!)
Recebeu ainda outras três indicações, nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro original e melhor direção de arte - preto e branco.

BAFTA (1964)

Recebeu uma indicação na categoria de melhor filme.


Festival de Moscou (1963)
  • Ganhou o Grand Prix.
Prêmio Bodil (1964 Dinamarca)
  • Melhor filme europeu.

Prêmio NYFCC (1963)
  • Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

E agora, José?


Voando alto com os pensamentos e as angústias de Guido


Devo dizer que este post será breve: não consegui me concentrar nesse filme; portanto, para não dizer abobrinhas, vou falar o menos possível.
Sei que o filme fala sobre um diretor que já tem tudo pronto para fazer um filme: atriz principal, locação, patrocínio, produção... Só falta uma coisa: a história. O que é um filme sem uma história?! E, como se não bastasse, ele ainda tem que enfrentar uma séria batalha com seus medos e traumas de infância, e ainda rola uma "DR" pra completar. Nem dá pra julgar mal o personagem quando ele começa a viajar assim que as conversas ficam um pouco mais enfadonhas - quem quer ouvir que as coisas estão indo mal quando você tem plena consciência disso, e ainda está fazendo de tudo ao seu alcance para sair dessa, mas não vê resultado? Muito (mal) resumido, foi isso o que eu apreendi.
Das coisas que gostei: a fotografia e o jogo de câmeras - o preto e branco super contrastado é lindíssimo e os enquadramentos e jogo de luz são superinteligentes e nos proporcionam imagens belíssimas; a história em si - o dilema do personagem em encontrar a história a ser filmada, a procura por elementos reais e a dificuldade de se livrar de seus traumas; a maneira como a realidade e os sonhos de Guido (Mastroianni, ótimo) são mostrados, uma mescla sem fim.

Das coisas que não gostei: o início é confuso, levou tempo demais até eu conseguir associar que ele estava em busca da história para o seu filme. E depois, levou tempo demais para "finalizar" a problemática - que, aliás, não ficou finalizada para mim: ele decidiu fazer o quê? Cancelar as filmagens simplesmente? Ou levou a cabo a filmagem de seu passado? Ou tudo aquilo foi um sonho, o mais estranho que ele já teve?
É óbvio que o filme não é confuso a ponto de não se entender nada, mas dá pra fazer confusão entre quem é a esposa, a amante, a atriz famosa sem papel no filme sem história, a prima da amante do melhor amigo... Acho que foi muita informação e muito sonho para pouca explicação, algumas pontas soltas. Talvez eu esteja acostumada demais a filmes com "início, meio e fim", mas gosto das coisa pelo menos um pouco mais explicadas. Divaguei nos sonhos de Guido e achei a realidade bem confusa. Talvez eu tenha sentido a mesma coisa que o personagem; talvez tenha sido essa a ntenção do diretor. No fim das contas, eu gostei do filme. Mas acho que ainda tô muito "crua" para entendê-lo realmente.

domingo, 25 de abril de 2010

Será que Guido vai conseguir uma idéia para nosso próximo filme.

8½- 1963 - Itália
140min. - Preto e Branco
Drama

Direção: Federico Fellini

Roteiro: Ennio Flaiano / Tullio Pinelli / Federico Fellini / Brunello Rondi

Música: Nino Rota

Com: Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Anouk Aimée, Sandra Milo, Rossella Falk, Barbara Steele, Madeleine LeBeau, Caterina Boratto, Edra Gale¹, Guido Alberti, Mario Conocchia, Bruno Agostini, Cesarino Miceli Picardi, Jean Rougeul, Mario Pisu

Vencedor de dois Oscar, é um filme auto-biográfico, com muitas cenas retiradas da vida do próprio diretor. Em 2009 ganhou uma versão em musical, Nine.

sábado, 24 de abril de 2010

Uma guerra particular

É preciso disposição para encarar quase quatro horas de filme: eu bem que tentei, mas só consegui assistir a Lawrence da Arábia em duas etapas. É lento sim (espere por muitas cenas de areia, deserto, e mais areia, e mais deserto pela frente) e não é dos mais fáceis de se assistir, mas temos que reconhecer que é uma superprodução com muitas qualidades, a começar pelo roteiro e pela direção. É uma história bem contada sobre um protagonista que não cai no lugar comum, com direito a belas imagens. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: imagina filmar no meio do nada, com aquela quantidade imensa de figurantes! Deve ter dado um trabalho e tanto (e é bom lembrar que o filme é de 1962!).  

O principal tema do filme (como se pode deduzir pelo título) não é a guerra propriamente dita, mas seus efeitos em um homem. Lawrence é um personagem e tanto: um inglês no meio de uma guerra que não era sua, que conseguiu convencer muita gente a segui-lo fazendo falsas promessas de liberdade. Não podemos acreditar que ele fosse tão ingênuo, certo? Mas o efeito mais devastador de toda essa história foi sua fama repentina, seu reconhecimento entre os árabes e no próprio exército britânico. De uma hora para outra, o sucesso subiu-lhe à cabeça, e ele passou a acreditar que podia tudo, que seu nome valia mais que dinheiro para motivar os soldados a seguir em frente. Até mesmo que "só uma bala de ouro poderia matá-lo". E, de repente, a vida dos oponentes não têm mais tanto valor.  Transformado em herói também pelas reportagens de um jornal americano cheio de segundas intenções (uma boa cutucada na imprensa), não é difícil entender por que ele chega a admitir: "Ok, eu sou extraordinário". Viu só o perigo? O fim não poderia ser mais perfeito: antes da volta para casa, onde ele volta a ser um homem como outro qualquer.

Por tudo isso, preciso dizer aqui que fiquei  bem decepcionada com a interpretação de Peter O'Toole, afetada demais em certos momentos, beirando até a canastrice. Não é todo dia que se tem um personagem desses nas mãos! Mas vamos dar um desconto, era o primeiro grande trabalho dele no cinema. Cabia então ao diretor David Lean aparar as arestas. Já o restante do elenco, que inclui  Omar Sharif, Alec Guinness e Anthony Quinn, é um luxo só: todos estão impecáveis. 

Fora as questões técnicas, vai dizer que você também não ficou impressionado com Lawrence voltar sozinho para buscar um homem que ficou para trás, quando os próprios homens do seu povo nem se importaram em seguir em frente? E quando ele volta, e é aclamado como um verdadeiro árabe? Ou quando o inglês é obrigado a matar um de seus empregados porque "não deixamos feridos para os turcos"? É interessante ver uma guerra diferente para nós, acostumados aos tanques, mísseis e caças das batalhas ocidentais, só para variar. Um filme que fala também da real dificuldade de se unir o que nós chamamos de um mesmo povo. Os "árabes" no filme não passam de uma identidade imaginária: as várias tribos são tão diferentes entre si, e levam isso tão a sério, que às vezes parecia mais fácil eles se unirem aos ingleses ou aos turcos do que chegarem a uma união de verdade. Isso faz a gente pensar um pouco que as coisas são muito mais complexas do que aparentam.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um homem perigoso

Lançado em 1990, Um homem perigoso (A dangerous man: Lawrence after Arabia), sequência de Lawrence da Arábia, tem Ralph Fiennes como protagonista. Feito para TV, pode ser encontrado com diferentes títulos, como Lawrence da Arábia II - Missão de risco e Lawrence da Arábia - A última missão.

Um Homem Perigoso
A Dangerous Man: Lawrence After Arabia - 1990 - Inglaterra

107 min - Colorido

Drama

Direção: Christopher Menaul

Roteiro: Tim Rose Price

Música: Michel Sanvoisin

Elenco: Ralph Fiennes (T.E. Lawrence), Alexander Siddig (Feisal), Denis Quilley (Lorde Curzon), Nicholas Jones (Lorde Dyson), Roger Hammond (Valence), Peter Copley (Maitland), Paul Freeman (Dumont), Polly Walker (Madame Dumont), Gillian Barge (Gertrude Bell), Jim Carter (Meinertzhagen), Michael Cochrane (Winston Churchill), Robert Arden (Wilson), Arnold Diamond (Clemenceau), Bernard Lloyd (Lloyd George), Keith Edwards (Fleischmann), Ray Edwards (Chauvel), Adam Henderson (Lowell Thomas).

Sinopse: Após o término da 1ª Guerra Mundial, Lawrence (Ralph Fiennes) vai a Paris em companhia de Feisal (Alexander Siddig). Ele luta pela união das tribos árabes, e pede que os ingleses respeitem o acordo feito com Feisal e deixem a Síria em poder dos árabes, que conquistaram Damasco. Mas, como existem interesses britânicos em não entrar em choque com a França, que também tem interesse na região, uma série de medidas são proteladas.

fonte: Adoro Cinema 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Curiosidades do deserto

Thomas Edward Lawrence, também conhecido como Lawrence da Arábia, Aurens ou El Aurens, existiu de verdade. Arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata e escritor, o britânico tornou-se famoso pelo seu papel como oficial britânico de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. Especialmente após a publicação de uma reportagem sobre a revolta escrita pelo jornalista americano Lowell Thomas e por seu livro autobiográfico Os sete pilares da sabedoria (Seven Pillars of Wisdom).

Todos os homens sonham, mas não da mesma forma. Os que sonham de noite, nos recessos poeirentos das suas mentes, acordam de manhã para verem que tudo, afinal, não passava de vaidade. Mas os que sonham acordados, esses são homens perigosos, pois realizam os seus sonhos de olhos abertos, tornando-os possíveis. - T.E. Lawrence, Os sete pilares da sabedoria
- Lawrence da Arábia recebeu do site IMDB a 27ª colocação na lista de melhores filmes de todos os tempos.

- Quando Lawrence da Arábia estreou, continha 222 minutos, mas devido às reclamações dos donos dos cinemas, o filme foi cortado em 35 minutos. Com "apenas" 187 minutos, poderia haver mais de uma exibição diária. Os 35 excluídos só foram recolocados no filme em 1989, em uma restauração que incluía cenas de bastidores e tomadas alternativas, foi realizada por Robert A. Harris.

- Apesar de ser um filme com quase quatro horas de duração, não tem nenhuma atriz. Todos os atores principais, o elenco de apoio e até os figurantes são do sexo masculino.

- Albert Finney foi a primeira escolha para dar vida Lawrence, papel que acabou ficando com Peter O'Tootle.

- Inicialmente, a trilha sonora seria composta por três compositores, que, depois de ver um trecho do filme,  pularam fora. Maurice Jarre acabou ficando com todo o trabalho de composição da trilha, pela qual ganhou um Oscar.
David Lean na direção de seu épico

- Enquanto preparavam o material para rodar as cenas da sabotagem do trem, todas elas rodadas em locações, a equipe do diretor David Lean terminou encontrando destroços da sabotagem verdadeira, realizada por T. E. Lawrence.

- Omar Sharif passou uma noite inteira no deserto treinando como tirar água do poço para a cena que filmaria no dia seguinte. O ator também perdeu cerca de 9 kg sob o sol do deserto e as roupas escuras de sua personagem.

- Na cena de invasão a Aqaba, Omar Sharif teve receio de cair de seu camelo e ser pisoteado pela cavalaria de 1000 figurantes que os seguiam, já que a poeira impediria que os outros o vissem no chão.  Então,  ele decidiu amarrar-se à cela. Peter O'Toole caiu, e, curiosamente, seu camelo se posicionou sobre ele impedindo que fosse pisoteado pelos cavalos. 

- Em 1990, foi lançado Um homem perigoso (Lawrence after Arabia), sequência do longa de 1962. Você vai poder conferir mais detalhes sobre esse filme ainda essa semana no DVD, sofá e pipoca.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

No ritmo do deserto

Bem acomodada no sofá, para começar a ver o filme da semana. Ué!? O DVD pifou?? Cade a imagem? Ao menos a música é boa.

Só mais tarde fui descobrir que David Lean planejou que a música fosse executada sozinha, sem projeção, na abertura, no intervalo e no fim do filme. E a cópia em DVD a qual estava assistindo respeitou o desejo do diretor. Creio que o objetivo era criar uma atmosfera adequada. Se isso não é o exemplo perfeito de outros tempos, não faço ideia do que seja. Uma época onde se deveria ter tempo para ver o filme e acompanhar a história em seu próprio ritmo. Admito, a maior dificuldade ao ver Lawrence da Arábia, foi encontrar 4 horas livres e contínuas em um mesmo dia para assisti-lo.

O ritmo é lento (um pouco demais para meu gosto), para ampliar a experiência de acompanhar a saga de Lawrence, aproveitando cada detalhe cada paisagem deslumbrante do deserto. Artificio que funciona! Podemos admirar o deserto em sua magnitude e conhecer sua crueldade a ponto de sentir sede mesmo estando do outro lado da tela.

Aceitar uma missão, crescer com ela, subir tão alto a ponto de a queda ser inevitável, e após isso se reerguer, encontrar e aceitar a batalha no qual entrara. Só por isso a história merecia ser contada. Descobrir que T. E. Lawrence realmente existiu, só torna a personagem e sua jornada mais interessantes. Alguém passou mesmo por algo parecido!!!

A interessante descoberta do mundo árabe, e os mistérios do deserto, só encontram rival na descoberta do próprio Lawrence. Aos poucos vemos um soldado entediado se tornar um líder, se adaptar a uma nova cultura e criar novos objetivos, sem no entanto nos dizer o que ele realmente procura. Talvez nem ele soubesse.

Lawrence da Arábia é uma história de uma vida interessante, bem contada, rica em detalhes e belas imagens. Contudo, essa riqueza confere ao épico, um ritmo ao qual cinéfilos pós Star Wars e Matrix, não estão muito acostumados, especialmente na primeira parte do longa. O jeito é se acomodar bem, superar o desconforto e abraçar o ritmo do deserto. Faça isso e vai poder apreciar um tipo de cinema que não se faz mais nos dias de hoje.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os prêmios de Lawrence

Quase quatro horas de filme, um herói que existiu de verdade, locações perdidas no meio do deserto, roupas quentes sob sol de rachar. Muito esforço para um filme, não é à toa que foi bem reconpensado. Confira agora os prêmios de Lawrence da Arábia.

Oscar (1963)
  • Melhor filme
  • Melhor diretor
  • Melhor edição
  • Melhor direção de arte - a cores
  • Melhor fotografia - a cores
  • Melhor som
  • Melhor trilha sonora.
Também foi indicado nas categorias de melhor ator (Peter O' Toole), melhor ator coadjuvante (Omar Sharif) e melhor roteiro adaptado.
Bafta (1963)
  • Melhor ator britânico (Peter O'Toole)
  • Melhor filme britânico
  • Melhor roteiro britânico
  • Melhor filme de qualquer Origem
Indicado na categoria de melhor ator estrangeiro (Anthony Quinn).
Prêmio David di Donatello (1964 - Itália)
  • Melhor filme estrangeiro
Globo de Ouro (1963)
  • Melhor fotografia colorida
  • Melhor filme drama
  • Melhor diretor
  • Melhor ator coadjuvante (Omar Sharif)
  • Ator novato mais promissor (Omar Sharif).
Indicado na categoria de ator novato mais promissor (Peter O' Toole).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O poder dos seus desejos

O'Toole e Sharif: amizade, aliança, guerra e sangue no deserto


Areia, vento, mais areia, sol escaldante, tempestade de areia, sede, mais areia... Incrível como a personagem Lawrence (Peter O'Toole) fica fascinada por isso. Um soldado culto, refinado, sem gosto para a guerra, acaba se envolvendo nela por seu interesse na política e tédio no Q.G. onde trabalhava. Antes ele tivesse ficado quieto por lá. Mas ele não poderia ficar mais ali, ele queria mais. Desejava estar no deserto, fazer algo grande e significativo. Ele fez. Mas pagou muito caro por isso.


Já dizia o ditado que se deve tomar cuidado com o que se deseja. Lawrence desejava fazer algo bom, mas acabou tomando outro caminho. Apesar de sua inteligência privilegiada e de sua astúcia, não pode fugir das consequências terríveis que ele previra. Sabia que teria que enfrentar o mar de areia e a terra seca a perder de vista; que, se provocasse na medida certa as tribos, elas se uniriam; mas não contava com o que ele ia encontrar no deserto: enfrentar seus próprios demônios no calor infernal do deserto, com pouca água e uma obstinação absurda. E o que ganhou em troca foi uma arrogância que só aumentava a cada vitória - nem mesmo seu amigo e admirador Ali (Omar Sharif, em interpretação emocionante) o reconhecia mais.

A gente sempre fica na dúvida sobre o que Lawrence realmente quer. Ele está a favor de quem? O que ele quer? Está enganando a todo mundo ou só a si mesmo? Ele quer ser reconhecido ou é realmente um cara obstinado e humilde, simplesmente? Queria ele ser herói ou foram as circunstâncias que o levaram a ser reconhecido? Mocinho ou bandido? Oficial ou árabe?

A personalidade enigmática de Lawrence é o fio condutor do filme, e como tal, o próprio filme tem altos e baixos. A história é ótima (ainda mais interessante depois que descobri que é baseada em uma biografia, ou seja, Lawrence realmente existiu e fez todas essas coisas e ainda mais), mas o filme é lento demais. Acredito que seja para reforçar a idéia da vastidão do deserto e da desolação que dá viver numa terra tão árida, tão perigosa, tão solitária. Algumas sequências são lindas, épicas, mas outras eu acho desnecessárias. Talvez a versão exibida em 1963, com 35 minutos a menos de duração, fosse mais interessante e menos cansativa. Peter O'Toole faz um Lawrence convincente, mas bastante teatral. Antony Quinn está no tom perfeito com Auda abu Tai, o líder da tribo que decide tomar Aqaba "não porque Lawrence disse que ele teria, mas porque foi sua vontade". E o mais melhor em cena, apesar de aparecer pouco, é Omar Sharif - líder temerário, torna-se amigo de Lawrence e confia em seu julgamento, interessa-se por política por acreditar em seu sonho. Ele acompanha de perto as mudanças que o deserto fez em Lawrence. Tenta ajudar o amigo a suportar a dor de perder seus ajudantes, mas sente por tê-lo visto se transformar em um homem amargurado, quase louco, à beira do colapso.

A vida não é fácil pra ninguém, mas me parece pior para aqueles que tem que viver em situações tão adversas quanto sobreviver no deserto. Almejar algo melhor é bom e importante, e não dá para medir as consequências de seus atos com precisão. O tenente Lawrence descobriu isso da pior maneira possível. Todos querem paz (até mesmo os generais), mas não cabia a ele consegui-la. Como o próprio Príncipe Faiçal diz ao final do filme, os jovens fazem a guerra e os velhos acertam os detalhes. Para mim, ninguém ficou satisfeito: nem a Inglaterra, nem a França, nem o Príncipe, nem arábes, nem turcos. Todos saem perdendo.

domingo, 18 de abril de 2010

Lawrence da Arábia

Separe o protetor solar, vamos precisar para acompanhar T.E.Lawrence no "épico dos épicos" do cinema.

Lawrence da Arábia

Lawrence of Arabia - 1962 - Inglaterra
216min. - Colorido
Drama/ Aventura/ Guerra

Direção: David Lean

Roteiro: Robert Bolt, Michael Wilson

Música: Maurice Jarre

Com: Peter O'Toole, Omar Sharif, Alec Guiness, Anthony Quinn, Claude Rains, Jack Hawkins.

Baseado na biografia de T. E. Lawrence (1888-1935), descrita em seu livro Os Sete Pilares da Sabedoria. Vencedor de 7 prêmios Oscar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais perguntas que respostas


Santa ignorância: quando eu vi o nome Vampiros de almas na lista, não liguei o nome à pessoa. Só depois de ler o título em inglês me dei conta de que era o original de Invasores, aquele filme com a Nicole Kidman, que eu não assisti, mas que a crítica toda detonou. Mas para que essa romantizada toda?  Acho que os alienígenas que invadiram Santa Mira não estavam muito interessados em sugar almas, não... Aliás, eles estavam interessados em que mesmo?

A premissa é ótima: roubar a mente (e as lembranças) dos seres humanos e usar seus corpos por aí seria o disfarce perfeito para uma invasão gradual e totalmente insuspeita. Quem iria acreditar em uma pessoa que afirma que sua mãe não é a sua mãe? "Tem alguma coisa estranha...", "Ah, jura? Ou não é você que está ficando louca?". É a estratégia mais bem-sucedida que eu já vi, coisa de gênio mesmo. Deviam fazer uma campanha de marketing disso em Marte.

Mas o tempo todo eu ficava me preparando para um assassinato em massa, tomada de poder ou algo parecido... que nunca aconteceu. De novo, não custa perguntar: qual era o objetivo dessa invasão? Estudar o ser humano? Conquistar território? Destruir o mundo? Acho que a gente nunca vai saber. E fui só eu que achei muito bizarro os clones ETs surgirem dentro de plantas gigantes?

À parte toda referência política do filme, feito em plena Guerra Fria e durante a caça aos comunistas infiltrados na sociedade americana, não dá para deixar de notar certos "buracos" no roteiro. Em várias passagens do filme, os personagens descrevem os invasores (ou possuídos) como pessoas sem emoção, olhares vazios. Tá, e a gente percebe isso como? Acreditando na palavra deles, ora, já que não deu tempo de ver nada disso. Parêntese: para não dizer que estou de má vontade, amei a cena em que Bennell diz para Becky arregalar os olhos e fingir que não tinha emoção nenhuma, para conseguirem escapar. Sorte deles que o guarda era bem burro...

Na boa, apesar de ser um bom suspense, o filme de Don Siegel deixa mais perguntas do que respostas. Além de todas as já citadas, a que mais me intrigou: o que aconteceu com Becky? O doutor Bennell nunca mais voltou a ver sua amada? E os outros caminhões? Chegaram ao seu destino final ou foram impedidos a tempo? Se as plantas alienígenas fossem destruídas, as pessoas voltariam ao normal? Poxa vida, para que tantos remakes? Vampiros de almas merecia era uma continuação! Ou virar uma série, já imaginou? Spin-off já!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Outros Vampiros de Almas

The Body Snatchers escrito por Jack Finney e publicado originalmente na Colliers Magazine em 1954, foi base para o roteiro de Vampiros de Almas. Embora tenha sido o primeiro o filme de Don Siegel, não foi o único a adaptar a história para a tela grande.

Conheça as outras adaptações do texto.

Invasores de Corpos 
Invasion of the Body Snatchers - 1978 -EUA - 115min - colorido  
Direção: Philip Kaufman
Roteiro: W.D. Richter
Música:Denny Zeitlin
Com: Donald Sutherland, Brooke Adams, Jeff Goldblum, Veronica Cartwright, Leonard Nimoy.

Sinopse:São Francisco. Um inspetor do serviço de saúde, Matthew Bennell (Donald Sutherland), e uma colega de trabalho, Elizabeth Driscoll (Brooke Adams), começam a reparar que as pessoas à sua volta estão se comportando de forma bem estranha. Gradativamente descobrem que alienígenas com exatamente a mesma aparência estão tomando os lugares dos humanos, quando estes dormem. 


Invasores de Corpos
Body Snatchers - 1993 - EUA - 87min - colorido 
Direção: Abel Ferrara 
Roteiro: Stuart Gordon, Dennis Paoli e Nicholas St. John
Música: Joe Delia
Com: Gabrielle Anwar , Terry Kinney , Billy Wirth , Christine Elise , R. Lee Ermey 

Sinopse: Chegando de Washington, a jovem Marti Malone (Gabrielle Anwar) está se mudando com seu pai Steve (Terry Kinney), sua madrasta Carol (Meg Tilly) e seu meio-irmão Andy (Reilly Murphy) para uma base militar, onde seu pai investigará possíveis problemas ambientais e ecológicos. Antes de chegarem eles param num posto de gasolina, onde Marti vai ao banheiro. Lá um militar com olhar ensandecido diz: "te pegam, quando você está dormindo". Marti foge e pede socorro, mas o autor de tão estranho aviso tinha desaparecido. Na base Marti flerta com um piloto, Tim Young (Billy Wirth), e faz amizade com Jenn Platt (Christine Elise), a filha rebelde do general Platt (R. Lee Ermey), o comandante da base. Logo Marti descobre que as pessoas estão sendo substituídas por cópias perfeitas de si mesmas vindas do espaço, mas sem nenhum sentimento, que invadem o corpo delas quando estão dormindo. 

Invasores
The Invasion - 2007 - EUA - 93 min - colorido
Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Dave Kajganich, baseado em livro de Jack Finney
Música: John Ottman 
Com: Nicole Kidman , Daniel Craig , Jeremy Northam , Jackson Bond , Jeffrey Wright  

Sinopse: A colisão de um ônibus espacial faz com que algo alienígena penetre em seus destroços, sendo que todos que entram em contato mudam de maneira inexplicável. A psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman) e seu colega Ben Driscoll (Daniel Craig) descobrem que a epidemia alienigena ataca suas vítimas quando elas estão dormindo. A epidemia não altera fisicamente suas vítimas, mas faz com que as pessoas fiquem insensíveis e sem qualquer traço de humanidade. À medida que a epidemia se espalha fica cada vez mais difícil saber quem está infectado. Para sobreviver Carol precisa ficar acordada o maior tempo possível, para que possa encontrar seu filho.

Fonte: Adoro Cinema 

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paranóia e aflição

Coisas estranhas acontecem em Santa Mira! Depois de uma temporada fora o Dr. Miles Bennell (Kevin McCarthy) retorna a sua cidade, a pedido de sua secretária. Nas ultimas duas semanas muitas pessoas estiveram a sua procura no consultório. Curiosamente quando chega, ninguém mais se sente mal, mas algumas pessoas se queixam: seus parentes não parecem ser eles mesmos. Aos poucos pistas criam uma suspeita, mais tarde uma certeza. Há algo de errado com as pessoas de Santa Mira.

Eu pensei que 'estadunidenses' eram paranóico na época da Guerra Fria, (época em que se passa a história e em que o filme foi feito) mas como pode? Uma cidade apresenta sinais de uma epidemia histérica e ninguém nos arredores percebe? Talvez seja a falta da velocidade da informação a que estou acostumada. Hoje em dia, se algo estranho acontece, cinco segundos depois todos sabem. Mas em 1956, demorou para alguém perceber, mas quando finalmente perceberam...

Desde que vemos o pequeno Jimmy (Bobby Clark) correndo pela estrada a tensão aumenta e não diminui mais. Aflição, essa é a palavra que impera. Primeiro estamos aflitos para entender o que se passa, depois sair o mais rápido dali. Eu disse estamos, pois o longa nos captura de tal forma que entramos de cabeça junto com os protagonistas. 

Vampiros de Almas é "o filme de gênero", aquele que delimita como filmes com tema semelhante devem ser, daí por diante. Realmente perdi a conta de quantos filmes com mote semelhante já assisti, poucos porém tinha força suficiente para que eu lembre de seus nomes. Além das três refilmagens (que terão um post especial esta semana aqui no DVD, Sofá e Pipoca), o único cujo nome me veio a mente foi Prova Final de Robert Rodrigues. 

Impossível não imaginar como seria horrível viver onde qualquer um pode ser o inimigo. Evitar a paranóia, e por consequência o total desespero que acaba por alcançar Bennell é ainda mais dificil. Contudo acho que a minha ainda é maior. Na boa, no lugar do Dr. Bennell, assim que o moleque entrou no consultório contando a mesma história estranha de  Wilma Lentz (Virginia Christine), eu já teria me encaminhado para a Área 51 para pedir ajuda.  

A única coisa que realmente me irritou foi a fragilidade da mocinha. Impossível Becky Driscoll (Dana Wynter) ser mais fraca. Na minha opinião ela desistiu muito fácil, vai ver por isso o primeiro marido a deixou. A falta de porte atlético da moçoila acabou resultando em um clichê (talvez só tenha virado cliche depois desse filme): Se está acompanhado em um filme de perseguição, não se separe. Nunca, mesmo! 

Ao final uma pulga fica atras da orelha. Será que vão conseguir combater os invasores? A humanidade vai mudar para sempre? Ou os supostos aliados que Dr. Bennell encontra são apenas mais um truque, para que o ultimo habitante original de Santa Mira relaxe e finalmente caia no sono? Simplesmente adoro a dúvida. O final em aberto dando margem para imaginarmos os mais mirabolante desfechos.   

Paranóias a parte, a Guerra Fria já acabou logo, se alguém que você conhece anda agindo de modo estranho. Não perca o sono, provavelmente é só a puberdade ou a crise de meia-idade!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Curiosidades dos Vampiros de Almas

É sério? A gente não sabia disso!
- Adaptado da obra The body snatchers, de Jack Finney, publicado originalmente na Colliers Magazine em 1954.

- As filmagens ocorreram entre 23 de março e 20 de abril de 1955.

- Vampiros de almas custou 417 mil dólares, sendo que 15 mil foram usados na produção dos efeitos especiais.

- Sam Peckinpah (1925-1984), diretor de filmes como Sob o domínio do medo e Pistoleiros do entardecer, faz uma pequena participação como ator. Ele trabalhava com Siegel desde Riot in Cell Block 11 (1954). Durante anos ele reclamou o crédito por participação no roteiro de Vampiros de almas. Segundo o resto da equipe, se Peckinpah fez alguma modificação no roteiro, estas teriam sido em poucos diálogos.

- A cena do túnel foi rodada na caverna Bronson, em Griffith Park. O local ficou bastante conhecido por ser também o cenário da Batcaverna.

- Em uma fala, um alienígena afirma que em sua raça todos são iguais. A frase é interpretada como uma referência ao comunismo. O filme se passa em plena Guerra Fria.

- Uma versão de 1976, sem o prólogo e o epílogo com Whit Bissel e Richard Deacon, foi lançada pelo estúdio em 1979.

- Também existe uma versão colorida por computação gráfica, lançada pela Republic Pictures.

- Vampiros de almas é a primeira de quatro versões do livro de Jack Finney.  Invasores de corpos (Invasion of the body snatchers, 1978), Invasores de corpos (Body snatchers, 1993) e Invasores (The invasion, 2007) são as outras adaptações da obra para a tela grande.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Bem-vindo ao seu pior pesadelo

Sabe aquela sensação de "tem alguma coisa errada..."? Pois é. Imagine chegar à sua cidade natal, depois de algum tempo fora, e perceber que as pessoas que você conhece há anos não são mais as mesmas. E não simplesmente porque você mudou ou porque os anos passaram e, como tudo na vida, mudou um pouco. Mudou completamente porque essas pessoas não são mais elas mesmas - são recriações perfeitas delas mesmas, mas sem emoções.

Em Vampiros de almas (Invasion of the body snatchers) nós acompanhamos o relato de uma história fantástica, absurda, de um homem completamente transtornado. A princípio, tomado por louco, ninguém acredita nele. Somente quando um psicólogo é chamado e lhe dá atenção, ele enfim conta sua impressionante história. Afirma não ser louco, e que é importante que ele seja ouvido com atenção. Relata, então, as mudanças ocorridas na pequena Santa Mira, onde pessoas se curam sozinhas e rapidamente, sem ajuda de medicamentos, e de uma suposta histeria coletiva que faz com que pessoas não reconheçam seus familiares e amigos. A coisa fica ainda mais intrigante quando um corpo, aparentemente sem identificações nem marcas que indicassem sua causa mortis aparece na casa de um amigo. Instigados a solucionar a situação, o dr. Bennell (Kevin McCarthy), Becky Driscoll (Dana Winter e os amigos Jack (King Donovan) e Teddy Belicec (Carolyn Jones), os únicos na cidade que parecem não ter sido acometidos da tal histeria coletiva se unem e começam a desvendar o mistério.



A cidade inteira correndo atrás dos últimos humanos da cidade

É angustiante acompanhar o desenrolar dessa história fantástica. Você fica sem saber o que acontece, chega a pensar que só está realmente acompanhando a história de um louco ou bêbado. Mas aí vem a revelação: as pessoas estão sendo substituídas por réplicas delas mesmas, mas sem emoções. Seus corpos são reproduzidos por sementes alienígenas, que podem reproduzir qualquer coisa que esteja por perto, mas os corpos produzidos não possuem memória. Como proceder? Simples, espera-se que os originais durmam e roubam-se as mentes. Agora imagine que você descobriu isso e a cidade toda está no seu encalço, e você está morto de cansaço - mas não pode dormir, ou perderá a guerra - e sua namorada e seus melhores amigos não conseguiram resitir por muito tempo, então você tem que contar pra todo mundo que todos estão em perigo, mas ninguém te ouve... Parece ou não um pesadelo? Pra mim, é um dos piores. E, com certeza, foi ruim também pro pobre dr. Bennell.

Fiquei com essa sensação, enquanto assistia ao filme, de querer acordar pra ver que tudo era só um pesadelo. E também achei que o doutor sentiu a mesma coisa. Sabe aquela história de "repetir uma mentira tantas vezes até que ela vire verdade"? Acho que ele passou por isso, porque ninguém acreditava nele. Por isso entendi o alívio que o dr. Bennell sente, na cena final do filme, ao ver que nada daquilo era um sonho ou loucura, mas era verdade e que ele tinha conseguido. Conseguido resistir, sobreviver, alertar o mundo, manter a sanidade, manter a humanidade. Aliás, interessantíssimo o ponto de vista que nos diferencia das outras coisas do mundo por uma única razão: temos sentimentos. Mesmo se forem os piores sentimentos, são eles que nos fazem ser humanos - e não réplicas moldadas numa semente leguminosa alienígena. Sensacional.

É por isso que eu procuro não julgar o que é estranho ou não. É óbvio que há coisas estranhas "demais da conta", mas acho muito mais estranho ser tudo muito normal. Ser normal é legal, mas normalidade demais é muito estranho. Fica a pergunta: se ser diferente é normal, e ser normal é muito estranho, como diferenciar o que é estranho e o que é normal?


*Não pude resistir à piadinha infame, mas aposto que, depois de assistir a esse filme, muita gente vai deixar de contar pras crianças que elas nasceram de uma sementinha...

domingo, 11 de abril de 2010

Vampiros de Almas

Tem certeza de que realmente conhece a pessoa no sofá ao seu lado?

Vampiros de Almas
Invasion of the Body Snatchers - 1956 - EUA
80min. - Preto e Branco
Ficção científica

Direção: Don Siegel

Roteiro: Jack Finney, Daniel Mainwaring, Richard Collins

Música: Carmen Dragon

Com: Kevin McCarthy, Dana Wynter, Larry Gates, King Donovan, Carolyn Jones, Sam Peckinpah.


Adaptado da obra The Body Snatchers de Jack Finney, publicado na Colliers Magazine em 1954. Teve três refilmagens Invasion of the Body Snatchers (1978)
Body Snatchers (1993) e The Invasion (2007).
Em 1958, foi lançado I Married A Monster From Outer Space, que trazia um roteiro similar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Surrealismo sim, por que não?

Queria muito dar uma de intelectual e dizer quais são as referências que encontrei em Um cão andaluz, seus significados e o que os diretores quiseram dizer com tais e tais cenas, blá blá blá. Mas eu também não entendi muita coisa da história. Aliás, muitas vezes, não entendo nem os meus sonhos! O último que eu tive, aliás, foi bem surrealista: a minha mão se dividia em duas partes, que não se encaixavam, teriam que ser grudadas com cola ou coisa parecida. Descrever é meio difícil, mas daria uma ótima imagem, não?

Pois, para mim, surrealismo é isso. Apesar de, como minhas colegas de blog, adorar uma história bem contada, umas pitadas de irreverência e criatividade fazem muito bem ao cinema, sim senhor. Lembro que já havia visto o curta antes, mas uma cena específica tinha me marcado: a da navalha nos olhos. É forte, é chocante, e é inesquecível. Quantos filmes você tem visto ultimamente que tenham tido alguma imagem tão única? 

Já reclamei disso no meu outro blog, a respeito dos filmes de animação, de que muitos filmes atuais têm pecado pela caretice. Gente, cinema é o lugar onde você pode pirar à vontade! E se Buñuel conseguiu tal feito em 1929, o que dizer hoje, com tantos efeitos efeitos especiais e recursos tecnológicos? Será que o máximo que conseguimos fazer com o chroma key é reproduzir um cenário que poderia existir de verdade?

Não me entendam mal, adoro histórias certinhas e realistas, curto um diálogo divertido, trilhas sonoras moderninhas, finais felizes. Mas acho que nem todo filme é para ser devorado junto com um balde de pipoca. Transgredir também é necessário, faz bem ao cinema.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Curiosidades de Um cão andaluz

- Um pouquinho de história da arte. Fazer do instinto um ponto de partida para uma nova linguagem artística. Era o que pretendia o menifesto surrealista assindado por André Breton em 1924. Um cão andaluz (Un chien andalou), lançado cinco anos mais tarde, foi impulsionado por esse movimento. É até hoje considerado o maior representante do cinema experimental surrealista.

- O filme foi escrito e dirigido em parceria de Luis Buñuel e Salvador Dalí. Ele mesmo, o cara que pintava relógios moles.

- Muitas das cenas como as da nuvem cortando a lua como se cortasse um olho, e a mão rastejante, com formigas, foram inspiradas em sonhos de Buñuel e Dali. A lógica dos sonhos e conceitos da psicanálise de Freud, como o subconsciente e as fantasias, também compões o curta. 

- A parceria de Bruñuel e Dali aconteceu apenas em dois filmes, Um cão andaluz e A idade de ouro (L'âge d'or, 1930). Depois do segundo Dali se prefiriu buscar mais lucro, deixando as amizades de lado.
Luis Buñuel e Salvador Dalí

- Na cena onde o olho de uma mulher é cortado, o homem com a navalha é interpretado pelo próprio Buñuel.

- Acredita-se que a cena onde formigas saem de uma mão é uma alusão à expressão francesa fourmis dans les paumes (formigas nas mãos), que significa "um grande desejo de matar". 

- Em 1929, no lançamento de Um cão andaluz, Buñuel encheu seus bolsos de pedras por medo da reação do público. Para sua surpresa, o público adorou o filme e ele teve que descarregar os bolsos discretamente. 

- A frase “sou ateu, graças a deus” é atribuída a Buñuel. 

Fonte: Blog EmFormação 

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Não era para entender mesmo!

Sei que meus sonhos não são lá essas coisas, mas se Luis Buñuel e Salvador Dalí viam esse tipo de coisas adormecidos, não quero nem tentar imaginar o que eles pensavam acordados. Pensando melhor, até dá para imaginar, sim. Ele pensavam: esse mundo é  chato, uma droga, tá tudo errado! Vamos dar uma chacoalhada nele. E pelo visto, tinham completa consciência de que a melhor maneira de fazer uma pessoa se mexer é incomodá-la.

Um cão andaluz não apenas incomoda, gera estranheza, choca, perturba, nos enche de perguntas. nos deixa desconfortáveis, mais pela tentativa fracassada de compreendê-lo, que pelas imagens desagradáveis. E põe desagradáveis nisso.

Ô tarefinha difícil encontrar uma imagem para ilustrar este post. Mesmo estáticas, a maioria causa desconforto, e as demais não ilustram tão bem o curta. Não o fazem bem, pelo simples motivo que são as imagens mais fortes que marcam. Lembro de tê-lo assistido em uma aula, mas juro que não lembrava das cenas mais "calminhas". Quando mencionavam o filme, tudo que eu lembrava era de navalha nos olhos, insetos e animais mortos.

Se há 81 anos a idéia era, gerar questionamentos na sociedade cheia de regras da época, contestar os valores burgueses. Atualmente, "na era do tudo pode!", ele continua a causar a mesma reação. Talvez, para não esquecermos de tudo que aprendemos, da pior maneira possível na primeira metade do século passado cheio de guerras, não apenas entre as nações, mas entre os valores da sociedade.

Concordo com a Geisy, em duas coisas. Uma é que a gente não entende realmente o conceito de surreal até ver esse curta. E a outra é que a graça do cinema está em histórias bem contadas. Um cão andaluz não conta nada, mas abre caminho para imaginarmos muita coisa. Seja tentando encontrar lógica no caos, entender o que se passava na cabeça dos autores, o compreender o contexto e as idéias do movimento, ou ainda se dar por vencido e admitir: Não era para entender mesmo!

Eu não entendi. 

terça-feira, 6 de abril de 2010

Assista a "Um cão andaluz"

O filme desta semana no DVD, Sofá e Pipoca,  Um cão andaluz, é um curta-metragem de aproximadamente 17 minutos. Ele está disponível em duas parte no YouTube. Então nada mais natural que publicá-lo na íntegra. Assista e comente com a gente!


Um cão andaluz (Un chien andalou, 1929)

Parte I

Parte II


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Surrealismo na veia

Buñuel se preparando para a temida cena do vazamento de olho


Confesso que eu não fazia idéia da real conotação da expressão "é surreal!" até ver este filme. Com roteiro, direção e atuação de dois mestres do movimento surrealista, Buñuel e Dalí, é lógico que não dava para esperar uma lógica na narrativa (com perdão do trocadilho).

O filme é curto, com várias imagens aparentemente desconexas - mas que deviam ter algum tipo de lógica para eles - e que você não entende como começa e muito menos o que aconteceu no final. Não tenho vergonha de falar, não entendi nada do que vi. E fiquei chocada com a cena do vazamento do olho, que, para mim, foi de longe a mais desconexa. Acho que eu reagi como a audiência da época: fiquei perplexa, chocada, não entendi nada e não gosti do que vi. Outras cenas também são chocantes, como ver o rapaz vibrar ao assistir à morte da moça que, em estado de choque, não desviou do carro que a tropelou. Ou a cena mais estranha, a que o homem começa a puxar a parede dela saem um piano, dois soldados e um animal (que me pareceu ser um burro) morto, por cima do piano.


Já falei que, para mim, bons filmes são boas histórias, bem contadas, dirigidas e interpretadas. Não consigo ver uma história, nem mesmo achar um sentido. E o filme é exatamente isso. Uma rápida jogada no Google e uma luz é jogada nas idéias, mas nem assim dá pra compreender. Como qualquer obra surrealista, não dá pra se racionalizar o que se vê. As imagens são reproduções de fragmentos de sonhos de Buñuel e Dalí, imagina se há lógica nisso?! Mas ser um expoente do movimento não quer dizer que vá agradar. E, convenhamos, acho que eles não estavam nem um pouco interessados em agradar. Respeito a estética, mas foi, de longe, o filme mais louco que eu já vi na vida. Literalmente, "surreal".

domingo, 4 de abril de 2010

Um Cão Andaluz

Melhor cancelar a pipoca antes de assistir esse aqui.
Bem vindos ao cinema experimental surrealista!


Um Cão Andaluz
Un Chien Andalou - 1929 - França
16min. - Preto e Branco
Drama/Fantasia

Direção: Luis Buñuel

Roteiro: Luis Buñuel, Salvador Dalí

Com: Simonne Mareuil,Pierre Batchef, Luis Buñuel, Salvador Dalí, Robert Hommet, Marval, Fano Messan, Jaime Miravilles

sábado, 3 de abril de 2010

Obrigado, Indiana!

Se existe um personagem tão adorado quanto Indiana Jones em os Caçadores da Arca Perdida, este é a enorme pedra rolante que persegue o herói na primeira sequência de ação do filme. Admita quem nunca se amarrou na ameaçadora bola gigante que atire a primeira pedra (com o perdão do trocadilho!).

O que muita gente não sabe foi o bem que essa cena fez a toda comunidade rochosa da sétima arte. Duvida? Dê uma olhada nesse criativo comercial onde uma pedra agradece a Indiana Jones por tê-la ajudado a deixar o anonimato. Depois de os Caçadores ela virou uma verdadeira rockstar!


Promo Saga Indiana Jones, Telecine Pipoca.
Texto/Letra: AlexMendes
Direção de Arte/Animação: RodrigoLeme
Music: Dudu

Um pouco mais do diretor: Steven Spielberg

Diga rápido o nome de um diretor de cinema! Respondeu Spielberg, né? Normal, o diretor é o primeiro que vem à mente de muita gente que responde sua pergunta. Não é para menos, o inventor dos blockbusters é sinônimo de grandes bilheterias. Ou seja, todo mundo já viu ao menos um filme de Steven Spielberg.

Steven Allan Spielberg, nascido em 18 de dezembro de 1946, em Cincinatti, sempre foi fascinado por cinema fez vários filmes caseiros durante sua infância e adolescência. Em 1961, aos 14 anos, venceu seu primeiro concurso com um curta sobre guerra com cerca de quarenta minutos, intitulado Fuga do inferno (Escape to nowhere).

Amblin, a história de um casal de jovens que se encontra no deserto de Mojave de 1968 tinha 24 minutos e foi exibido no Festival de Filmes de Atlanta., chamando a atenção dos estúdios para o jovem diretor.

Após alguns trabalhos para TV, Spielberg já estava pronto para seu primeiro longa, também para  a telinha: Encurralado (Duel, 1971), um suspense de perseguição na estrada. Louca escapada (The Sugarland Express, 1974), seu filme seguinte, e primeiro para o cinema, foi um fracasso de público, mas foi o primeiro com música de John Williams, que se tornaria um parceiro constante do diretor.

Em 1975, Spielberg dirigiu aquele que seria a maior bilheteria dos cinemas até então, e é considerado o inventor dos blockbusters. Tubarão faturou alto, recebeu três Oscar, além da indicação para melhor filme. (Tubarão está na lista do DVD, sofá e pipoca, clique aqui para ver todos os posts sobre o filme).

Contatos imediatos de terceiro grau (Close encounters of the third kind), de 1977, lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar de melhor diretor. Depois veio, 1941 - Uma guerra muito louca (1941), uma comédia passada na Segunda Guerra. 


A segunda indicação veio em 1981, com Os caçadores da arca perdida (Raiders of the lost ark), que recebeu um total de 9 indicações e levou 5 estatuetas para casa. (A primeira aventura de Indiana Jones, também está na lista do DVD, sofá e pipoca, clique aqui para ver todos os  posts sobre o filme).

Em 1982 encantou plateias do mundo inteiro com E.T. - O extraterrestre (E.T. - The extra-terrestrial). O doce visitante de outro planeta recebeu quatro Oscar e foi indicado a outros cinco, e devolveu ao diretor o posto de maior bilheteria, que havia sido superado em 1977 por Star Wars. No ano seguinte ele co-dirigiu No limite da realidade (Twilight zone: the movie, 1983) com Joe Dante, John Landis e George Miller.

Depois, dirigiu a sequência Indiana Jones e o templo da perdição (Indiana Jones and the temple of doom), em 1984. Em A cor púrpura (The color purple, 1985), Spilberg mostrou que sabia fazer filmes "para adultos". O drama que falava de discriminação foi indicado para 11 Oscar, mas não levou nenhum e Spielberg sem sequer foi indicado como diretor.

1987 trouxe outro drama: Império do Sol (Empire of the Sun), que foi seguido pela terceira aventura do arqueólogo, Indiana Jones e a última cruzada (Indiana Jones and the last crusade) e Além da eternidade (Always), ambos de 1989, e  Hook - A volta do Capitão Gancho (Hook), de 1991, sendo que os dois últimos foram considerados decepcionantes pelo público e pela crítica.

Em 1993, Spilberg voltou ao topo com Jurassic Park - O parque dos dinossauros (Jurassic Park), blockbuster campeão de bilheteria e cheio de efeitos especiais. E A lista de Schindler (Schindler's list), o drama em preto e branco sobre o holocausto ,foi indicado a 12 Oscar: recebeu sete, incluindo melhor filme e melhor diretor.

Parece que o diretor tomou gosto pela dobradinha blockbuster/drama e em 1997 lançou a sequência O mundo perdido - Jurassic Park (The lost world: Jurassic Park) e Amistad. A segunda estatueta de melhor diretor veio em 1998, com O resgate do soldado Ryan (Saving private Ryan).

O século XXI trouxe os não tão bem sucedidos A.I. - Inteligência artificial (A.I. Artificial Intelligence, 2001) e Minority report - A nova lei (Minority report, 2002). Também em 2002 , Spielberg dirigiu a adaptação Prenda-me se for capaz (Catch me if you can), com Tom Hanks, com quem voltou a trabalhar em 2004 em O terminal (The terminal).

Em 2005, ele volta com a dobradinha blockbuster/drama com Guerra dos mundos (War of the worlds) e Munique (Munich). Este último rendeu mais uma indicação ao Oscar de melhor diretor. Dirigiu ainda Indiana Jones e o reino da caveira de cristal (Indiana Jones and the kingdom of the crystal skull), de 2008, quarta aventura do arqueólogo, quase 20 anos após o terceiro filme. Atualmente, o diretor está trabalhando na refilmagem do cult de ação coreano Old Boy.

Além do trabalho de diretor e Spielberg ainda realizou vários trabalhos como roteirista e produtor. Foi condecorado com o título de Comandante cavaleiro do império britânico (Honorary knight commander of the British Empire), em 29 de janeiro de 2001. E é o dono do trenó Rosebud original, do filme Cidadão Kane (outro filme que também está na lista do DVD, Sofá e Pipoca).

Veja no quadro abaixo os filmes que ele produziu:
I Wanna Hold Your Hand (Febre de Juventude, 1978), Used Cars (1980), Continental Divide (1981), Poltergeist - O Fenômeno (Poltergeist, 1982), Gremlins (1984),  De Volta para o Futuro (Back to the Future, 1985), Os Goonies (The Goonies, 1985), O Enigma da Piramide (Young Sherlock Holmes, 1985), Um Conto Americano (An American Tail, 1986), Um Dia a Casa Cai (The Money Pit, 1986), O Milagre Veio do Espaço (*batteries not included, 1987), Harry and the Hendersons (1987), Viagem Insólita (Innerspace, 1987), Te Pego Lá Fora (Three O'Clock High, 1987), Em Busca do Vale Encantado (The Land Before Time, 1988), Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit, 1988), De Volta para o Futuro Parte II ((Back to the Future Part II,1989), Dad (1989), Arachnophobia (1990), De Volta para o Futuro Parte III (Back to the Future Part III, 1990), Gremlins 2 - A Nova Geração (Gremlins 2: The New Beach, 1990), Joe Versus the Volcano (1990), An American Tail: Fievel Goes West (1991), Cabo do Medo (Cape Fear, 1991), We're Back! A Dinosaur's Story (1993), Os Flintstones - O Filme (The Flintstones, 1994), Gasparzinho (Casper, 1995), Balto (1995), Twister (1996), MIB - Homens de Preto (Men in Black, 1997), A Máscara do Zorro (The Mask of Zorro, 1998), The Last Days (1998) O Príncipe do Egito (The Prince of Egypt, 1998), The Haunting (1999), Evolution (2001), Jurassic Park 3 (Jurassic Park III, 2001), Shrek (2001), MIB - Homens de Preto II (Men in Black II, 2002), A Lenda do Zorro (The Legend of Zorro, 2005), Memórias de Uma Gueixa (Memoirs of a Geisha, 2005), A Casa Monstro (Monster House, 2006),  A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, 2006), Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006), Paranóia (Disturbia, 2007), Transformers (2007),  Controle Absoluto (Eagle Eye, 2008), Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, 2009), Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, 2009).
*Spilberg também produziu vários trabalhos para TV, como os desenhos dos Animaníacs, Band of Brothers, Taken e United States of Tara. Veja a filmografia completa aqui.
Prêmios:
Oscar (1993) - Melhor Diretor e Melhor Filme - A Lista de Schindler, 1998 - Melhor Diretor - O Resgate do Soldado Ryan
Prêmio Irving G. Thalberg (1987) - concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Globo de Ouro - Melhor Diretor, (1994) - A Lista de Schindler, (1999) - O Resgate do Soldado Ryan
Prémio Cecil B. DeMille (2009) - Pelo conjunto da obra
Palma de Ouro - Melhor Roteiro, (1974) - Louca Escapada
Prêmio César - (1995) - prêmio honorário por seus serviços prestados ao cinema

Os prêmios de Indy

Nem toda estatueta que Indiana Jones adquiriu veio de uma tumba escura e úmida. Confira os prêmios que Os caçadores da arca perdida recebeu em 1982.

Oscar

  • Efeitos especiais

  • Efeitos sonoros

  • Som

  • Edição

  • Direção de arte
Recebeu indicações em outras quatro categorias: filme, diretor, trilha sonora e fotografia.


Globo de Ouro
Recebeu uma indicação na categoria de Diretor - cinema.


BAFTA (Reino Unido)
  • Vencedor na categoria de direção de arte.
Recebeu também indicação nas categorias de fotografia, edição, filme, som, e ator coadjuvante para Denholm Elliott.


Prêmio César  (França)
Indicado na categoria de filme estrangeiro.


Grammy
  • Vencedor na categoria de melhor álbum de trilha sonora - cinema.

Prêmio Eddie (American Cinema Editors)

  • Vencedor na categoria de melhor edição.

Prêmio Saturno (Academy of Science Fiction, Fantasy, Horror Films, EUA)

  • Melhor ator: Harrison Ford

  • Melhor atriz: Karen Allen

  • Melhor diretor: Steven Spilberg

  • Melhor filme - fantasia

  • Melhor música

  • Melhores efeitos especiais 

  • Melhor roteiro
Indicado nas categorias de figurino e ator coadjuvante (Paul Freeman).

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Indy, o Clark Kent da ciência

A primeira e única vez que conheci um arqueólogo na vida foi na pós-graduação. Quando o colega de classe se apresentou e disse qual era sua formação, foi inevitável fazer a piadinha: "Igual ao Indiana Jones!". Isso porque sou fã de Indy antes mesmo de saber o que significava arqueólogo, e, na minha infância, eles acabaram virando sinônimos. E só muito depois fui descobrir que a vida desses pesquisadores não era tão perigosa e cheia de aventuras como a do nosso herói. Que triste, né? Ia ser muito mais divertido!

Sempre gostei da história de jones ser uma espécie de Clark Kent da ciência: na maior parte do tempo, ele é um sóbrio professor (de óculos e tudo) que faz as alunas suspirarem em sala de aula. Olhando assim, ninguém desconfia, mas ele se transforma em Super-Homem assim que pega o chapéu e o chicote e fica praticamente invencível na sua busca por relíquias históricas. Sua única fraqueza (kriptonita?) não deixa de ser hilária: um inexplicável pavor por cobras.

Falar que as cenas de ação são incríveis é chover no molhado. Adorava todas aquelas armadilhas perigosas que Indiana enfrentava (e das quais sempre sobrevivia), das cenas de luta, das explicações históricas com um pé na realidade e alguma ficção. Mas eu gostava ainda mais do humor do personagem. Se não me falha a memória, nos filmes seguintes, ele vai ficando mais convencido e arrogante, o que só o deixou melhor ainda. Ah, eu já disse que achava Harrison Ford charmoso? Pronto, falei.

Revendo o primeiro longa da série não dá para ter saudade de quando o arqueólogo ainda tinha boas desculpas para assumir sua identidade secreta. A história se passava em 1936, e a relíquia em questão, uma arca milenar capaz de deixar qualquer exército indestrutível, estava na mira dos nazistas. Pensa bem: existe vilão melhor do que Hitler? Insuperável. Só me incomoda um pouco o final, quando o segredo da arca é enfim revelado. Eu abriria mão daqueles efeitos especiais todos (que, na minha opinião, são um pouco constrangedores) para deixar o mistério no ar. Ia ser muito mais legal se o objeto fosse destruído antes de ser aberto.

Mas não dá pra evitar a sensação de que a última continuação (Indiana Jones e o reino da caveira de cristal) não deveria nunca ter saído do papel. Além de 30 anos mais velho, nosso protagonista ainda teve que encarar um roteiro ruim de doer, uma vilã deslocadíssima (e olha que eu adoro a Cate Blanchett) e um final bobo. Vergonha alheia é pouco. Certos heróis deveriam ser como as relíquias de Indiana Jones: intocáveis. É melhor deixá-los quietinhos, no canto deles. Abrir a arca tira todo o charme...