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DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Curiosidades de "M"

Depois que o filme policial abandonou o gênero "romance de folhetim", precisou encontrar uma fórmula que tivesse condições de agradar tanto ao público cultivado quanto aos espectadores atraídos unicamente pelo lado instigante da ação. Foi assim que a psicologia criminal se introduziu no filme policial... (Fritz Lang)

Por volta do ano de 1925 o assassino de crianças Peter Kürten, cometeu 10 crimes na cidade de Düsseldorf. É provavelmente dessa história real que o diretor Fritz Lang tirou o argumento de M -  O Vampiro de Dusseldorf.

M é o primeiro filme falado de Lang

O filme foi rodado quase exclusivamente em estúdio.

Os assassinos estão entre nós seria o nome original do longa mas, o ultra-conservador Marechal Hindermburg estava no poder e julgou desonra para a Alemanha "poderosa", conservar o título. 

O longa reflete o clima de terror que predominava na Alemanha, na época da ascensão do nazismo. Na época, o cinema alemão entrava em decadência, já notada nos últimos anos do cinema mudo. É claro existiram exceções como  Anjo azul, A ópera dos três vinténs, Senhoritas de uniforme e M - O Vampiro de Dusseldorf.

O longa foi proibido na Alemanha, pelos nazistas, em 1933.


Revelou o então ator de teatro Peter Lorre (1904-1968 - embora já tivesse participado de outros filmes, anteriormente), o homem de olhos esbugalhados, um dos maiores vilões do cinema. Seu papel é o de um assassino que abusa e mata meninas.

Para realizar M, o vampiro de Dusseldorf, o primeiro filme sonoro a estudar a mente humana, Lang revisou vários casos policiais em busca de inspiração. Internou-se por oito dias em hospital psiquiátrico para documentar aspectos da psiquiatria criminal. Estudou aspectos da técnica moderna de investigação do crime. Empregou pessoas dos lugares "barra pesada" de Berlin, o que levou a prisão de vários deles no final da produção.O resultado foi um filme ao mesmo tempo documental, e de dimensão humana.


Peter Lorre era judeu, e deixou a Alemanha logo após o término das filmage. Já Fritz Lang, que era meio judeu, saiu dois anos depois.

domingo, 29 de agosto de 2010

Prefiro o filme mudo...

Quem tem medo do lobo mau?

M, o vampiro de Dusseldorf
(M - Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931), é o primeiro filme falado de Fritz Lang. E nós, aqui do Dvd, Sofá e Pipoca já assistimos a outro clássico do diretor, Metrópolis - um dos primeiros filmes da lista. E eu adorei Metrópolis. Mas não posso dizer o mesmo de M, o vampiro.

A história é boa, mas me soa muito estranha: uma série de desaparecimentos de crianças acaba levando a população da cidade à histeria; grupos se organizam na caçada ao "monstro", polícia, e bandidos recrutam para dar cabo do assassino. Ele é descoberto pelos mendigos recrutados pelos bandidos e encurralado num prédio comercial; capturado, é levado a "julgamento" popular, onde todos votam a favor de sua morte após o homem confessar sua culpa.

O roteiro é bom e, como a maioria dos filmes em preto e branco, a fotografia e o jogo de luz e sombra tornam as cenas mais impactantes. Mas, no geral, achei confuso. A narrativa e algumas interpretações ainda estão impregnadas pela teatralidade do cinema mudo. E, apesar de ser um filme falado, não há sons externos. Portanto, em longas sequencias, fica somente o visual - sem absolutamente nenhum outro som. E o silêncio incomoda. Bom, talvez tenha sido proposital, ou apenas uma questão de ainda estar se adaptando à nova tecnologia. Mas me incomodou muito.

E o filme parece confuso também por seu final inconclusivo: após ter sido "condenado" pelos populares, foi levado a julgamento na corte. Mas sua sentença (após especulações de que poderia ser solto ou inocentado dos crimes durante o julgamento no prédio abandonado) não é mostrada. Será que ele foi mesmo preso? Ou será que foi absolvido por sua doença? Como disse a mãe chorosa ao fim do filme: isso não muda nada, isso não trará as crianças de volta. Mas bem que eu gostaria de saber o que aconteceu. A propósito: que tem a ver "vampiro nessa história?

M - O Vampiro de Dusseldorf

São poucos os nomes que figuram mais de uma vez em nossa lista. Depois da ficção futurista, Metrópolis, o alemão Fritz Lang nos traz um suspense

M - O Vampiro de Dusseldorf
M - Eine Stadt sucht einen Mörder- 1932 - Alemão
117min - preto e branco
Suspense

Direção: Fritz Lang

Roteiro: Egon Jacobson, Thea von Harbou, Fritz Lang

Com: Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut, Otto Wernicke, Theodor Loos, Gustaf Gründgens, Friedrich Gnaß, Fritz Odemar, Paul Kemp (1), Theo Lingen, Rudolf Blümner, Georg John, Franz Stein, Ernst Stahl-Nachbaur, Gerhard Bienert

Inspirado em fatos reais.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Os brutos também também sofrem


Faroeste sempre foi um gênero essencialmente masculino. Nos famosos duelos entre valentões sobra testosterona. Talvez até por isso eu tenha uma certa implicância (preconceito?) contra westerns, admito. Não faz muito meu estilo, e acho que a fórmula sempre se repete, sempre exaltando a virilidade dos caubóis (ok, Brokeback mountain é exceção, mas isso é assunto para outro post). O fato é que, provavelmente, eu nem assistiria a Os imperdoáveis se não estivesse nessa lista. Mas, para minha surpresa, o longa de Clint Eastwood, antes de tudo, é um filme com sensibilidade. Bons personagens, uma história comovente e imagens que valem a pena encarar os 127 minutos de projeção. A começar pela bela foto que ilustra este texto. É da sequência inicial, em que William Mundy (Eastwood) enterra a mulher, que acabara de perder para a varíola. Modo mais poético de começar a contar uma história não há.

Agora um pacato fazendeiro, viúvo e com dois filhos pequenos para criar, William nem de longe lembra o homem que cometeu diversos crimes no passado. Ponha na lista explodir um trem, matando mulheres e crianças. As voltas que o mundo dá... Mas sua vida mudou depois de se casar. Claudia devia ser uma santa. Conseguiu afastá-lo da bebida e da marginalidade. Amargurado depois da morte da mulher, não resta muita coisa a Bill a não ser tocar sua vidinha. Até que uma proposta tentadora o faz repensar se não vale a pena se arriscar em uma última aventura. Por dinheiro, claro, para sustentar a família. Mas por orgulho também. Por nostalgia de um tempo que parece agora muito distante. Antológica a cena em que William cai na lama, no meio dos porcos. É a perfeita tradução do estado em que se encontra o outrora temido pistoleiro do Kansas: foi-se o último restinho de dignidade.

Não deixa de ser curioso acompanhar o caubói nessa jornada: para ele, experiente, mas já fora de combate há algum tempo, até montar num cavalo é uma tarefa complicada. E é claro que a gente pode fazer uma leitura maior de tudo isso: pra mim, o personagem é uma piada do próprio Eastwood, que sabe que já não é mais nenhum garoto. Logo ele, que se tornou astro em filmes de faroeste, cavalgando e atirando como ninguém. O tempo passa para todo mundo, meus caros... Sorte que o ator e diretor é bastante espirituoso. Como contraponto, o jovem Kid, apesar de toda sua determinação, não é lá muito útil na jornada: disposto a ganhar uns trocados para matar dois malfeitores, ele não tem experiência alguma e, além de tudo, é meio cego. Adoro! 

Entre tantos tipos interessantes (e atuações excelentes, como as de Gene Hackman e Morgan Freeman), vale ressaltar aqui que as prostitutas neste filme têm um papel bastante especial. Por um lado, são tratadas como propriedade pelo dono do estabelecimento e por Little Bill (Gene Hackman), tanto que são comparadas, literalmente, a potros. Por outro, são mostradas como pessoas com direito a sentir raiva e querer justiça, como qualquer ser humano, e dignas de respeito. Talvez haja até um certo exagero quando o ex-cruel-e-perverso William conversa com a moça atacada no início da história e se comporta como um verdadeiro gentleman. Mas não deixa de ser bonito quando ele diz a ela que os dois são parecidos: "Nós dois temos cicatrizes". E quem não tem, não é mesmo? Um cadinho de sensibilidade sempre cai bem, mesmo entre os mais viris.

Apesar de todas essas considerações, sei que os meninos devem ter vibrado mesmo é com o embate final, em que vemos um pouquinho do velho William em ação. Mas ele não veio à tona por um trabalho encomendado, não foi o dinheiro que o motivou. Como nos velhos tempos, a emoção falou mais alto. E a saída, triunfal, não poderia ter sido melhor. O mito ainda está vivo, né não, seu Eastwood? Envelhecer sim, perder a dignidade, jamais.

Um pouco mais do gênero: Westerns


Filme de cowboys, bang-bang, faroeste, western. Nomes não faltam para aquele que é considerado o mais 'estadunidense' dos gêneros cinematográficos.

Apesar de outros países terem produzido faroestes, como o western spaghetti italiano, os filmes desse gênero eles foram definitos pelo crítico francês André Bazin como o "cinema americano por excelência", no seu livro O que é o cinema? Clint Eastwood por sua vez afirmou que à exceção do Jazz, os westerns são a única forma de arte originalmente norte-americana.

Western significa 'ocidental. O termo faz referência a fronteira do Oeste norte-americano durante a colonização. A região também era conhecida como 'far west' (oeste distante), é daí que vem o nosso abrasileirado 'faroeste'. Já o termo bang-bang era usado na promoção de antigas matinês e de quadrinhos. Sim, quadrinhos! Os westerns são qualquer forma de arte que represente, de forma romanceada os acontecimentos daquela região, no período histórico em questão, isso inclui escultura, literatura e até programas de tv.

Onde e quando?
A partir da linha do Mississippi  (bastante específico, não?), do período que precede a Gerra Civil, até a virada do século XX.

Temas recorrentes 
Ocupação de Terras, estabelecimento de grandes propriedades dedicadas à criação de gado, lutas com os índios e a corrida do ouro, jornadas pelo Oeste americano, ou os ataques de grupos mais ou menos organizados de bandidos que aterrorizam as pequenas cidades.

O cenário
Cercada por uma paisagen de grandes espaços abertos, as cidades do velho-oeste normalmente são composta por apenas uma rua principal, onde se encontram meia dúzia de casas, a cadeia r o saloon. Sempre há uma estrada de ferro por perto, mas nunca tão perto que dispense os cavalos e diligências. E claro, poeira muita poeira.
Só uma rua! Aqui eu não me perco.
Personagens
O respeitoso xerife, o dono do saloon e as moças que "trabalham" lá, e é claro o sempre presente cowboy solitário, que raramente são vaqueiros de verdade. No geral, são aventureiros, pistoleiros, ladrões, garimpeiros e possuem apenas o que carregam consigo, roupa do corpo, um revólver e um cavalo.

Curiosidades
O western possu sub-generos como o western épico, o "shoot 'em up" (onde a acção e os tiroteios se sucedem de uma forma irracional), os musicais, o drama, a tragédia e mesmo, algumas comédias e paródias. Depois de repensados, os elementos básicos do faroeste criaram os filmes westerns revisionistas.

Nos filmes de western predominam dois tipos de ambientação: o do Oeste selvagem e o do Oeste da passagem para o século XX. No segundo podemos ver algumas tecnologias em seu início, como os primeiros carros, telégrafos, locomotivas e até aeroplanos.

A evolução do gênero
Broncho Billy Anderson, o primeiro cowboy das telonas!
No cinema, o western mais antigo seria The Great Train Robbery, um filme mudo de 1903 dirigido por Edwin S. Porter e protagonizado por Broncho Billy Anderson. Anderson foi primeiro cowboy estrela de cinema, o que ficou comprovado nas centenas de curta-metragens em que ele depois participou.

Uma curiosidade, o primeiro filme rodado em Hollywood, em 1910, In Old California, de D.W. Griffith, foi um western.Outro filme, The Squaw Man, de 1914, em que estreava Cecil B. DeMille, seria o primeiro longa-metragem realizado na "meca do cinema". DeMille transpôs para o cinema, no mesmo ano, a obra pioneira, nos Estados Unidos, do western literário, The Virginian, e teve, mesmo, a colaboração do autor Owen Wister na elaboração do argumento.
A popularidade do gênero propiciou seu crescimento. Em 1923, James Cruze realizou o primeiro western épico, The Covered Wagon, sobre uma longa viagem pelos territórios selvagens até à Califórnia. Seria no ano seguinte que John Ford faria sucesso com The Iron Horse, sobre a construção do caminho de ferro de costa a costa.

Os estúdios passaram a produzir mais de uma centena de westerns por ano. A maior parte, formada por filmes B, sem grande peso para o gênero.. Raoul Walsh, com o seu The Big Trail (A grande jornada), de 1930, usou a película de setenta milímetros, que permitia englobar a paisagem fascinante da fronteira ocidental - além de outra aquisição importante: a revelação de John Wayne. No ano seguinte, Cimarron, de Wesley Ruggles, tornou-se o único dos clássicos do género a receber um Óscar para o melhor filme, proeza que só seria mais tarde repetida por Kevin Costner e Clint Eastwood.

A idade dourada do western norte-americano tem como expoente máximo, e de forma quase unânime, o trabalho de dois realizadores incontornáveis: John Ford, que foi o grande impulsionador da carreira de John Wayne, e Howard Hawks.

Em 1942, William Wellmann realizaria um filme que introduziria, de forma angustiante e com uma profundidade psicológica muitas vezes referida, novos temas e novas perspectivas para o género. The Ox-Bow Incident (Consciências mortas, em Portugal), ao lidar com uma das mais frequentes receitas do western: o linchamento ou a vingança feita na hora, pelas próprias mãos, e a irresponsabilidade de tais actos. É um dos filmes mais tocantes da história do cinema, aproveitando as lições de Ford e antecipando o cinema mais crítico após os anos 60. William Wyler e Fritz Lang, conhecidos noutros géneros cinematográficos, também realizaram algumas obras de referência.

Em 1954 foi lançado Johnny Guitar, que trazia mulheres em papel de destaque, disputando as atenções de um forasteiro. O filme não fez sucesso à época, mas depois entraria para a história do cinema como precursor do destaque feminino nesse gênero.


O revisionismo iniciado na década de 1960 questionou muitos dos temas e características próprias dos westerns; o que inclui maior importância ao papel das mulheres e a mudança de perspectiva em relação aos povos indígenas, que deixam de ser "selvagens" apenas para serem redimidos na imagem do "bom selvagem". As audiências começaram também a exigir argumentos mais complexos, que não se limitassem ao dualismo simples do herói contra o vilão, além de se começar a criticar o uso indiscriminado da violência como forma de imposição das personagens (porque é que o "bom" tinha de ser melhor que o "mau" no uso do revóver?). 

Os Imperdoáveis, filme da semana do DVD, Sofá e pipoca tem as caracteristicas mencionadas no ultimo parágrafo, sendo um exemplo genuíno de western revisionista

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Perdoem nossa curiosidade


Se resolver procurar pelo filme em uma locadora de Portugal peça o dvd de Imperdoável, esse foi o título dado ao longa em terras lusitanas. O original em inglês é Unforgiven.


O roteiro de Os Imperdoáveis ficou rodando de mão em mão em Hollywood por 20 anos antes de encontrar alguém que resolvesse filma-lo.

Gene Hackman recusou o papel do Xerife Little Bill Daggett após ler o roteiro. A insistência de Clint Eastwood, que fazia questão do ator para o papel, o fez voltar atrás. Eastwood tinha razão Hackman acabou recebendo, um Oscar, um Bafta e um Globo de ouro por sua atuação em Os Imperdoáveis.

Eastwood faz várias referências ao seu antigo e lendário personagem "Pistoleiro sem nome", celebrizado por Sergio Leone nos filmes da "Trilogia dos Dólares". Munny também é o forasteiro que chega a uma cidade para "acertar" as coisas. Ele frequentemente se mostra arrependido de seu passado e das várias atrocidades cometidas, que diz ter sido por efeito do álcool.

Diferentes cidades do Canadá serviram como locação para a maioria das cenas. A única cena feita na terra do tio Sam foi a sequência do trem rodada no Red Hills Ranch, Sonora, Califórnia.

O faroeste The Unforgiven (O Passado não Perdoa) de 1960, com Burt Lancaster e Audrey Hepburn, não tem nenhuma ligação com os Imperdoáveis de Eastwood.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

É mesmo um faroeste???

Já fomos maus, agora somos aposentados!!!
Que imagens vem a mente imediatamente ao ouvir a palavra faroeste? Aquele rolo de palha voando em uma rua barrenta e deserta, índios,  cartazes de procurado vivo ou morto, alguém sendo jogado através de uma porta 'vai-e-vem' de um saloon e caindo no bebedouro dos cavalos. E, é claro, um duelo ao amanhecer, (ou por do sol), dez passos para cada lado, close na arma, close nos olhos e o bang-bang.

Pois o único western da nossa lista, não tem nada disso que citei no primeiro parágrafo. Bill Munny (Clint Eastwood) é um pistoleiro aposentado. Mudou de vida após conhecer sua esposa, agora viuvo tenta criar seus filhos longe da sua velha vida. Quando protitutas oferecem 1000 dólares para quem trouxer a cabeça dos homens que agrediram uma delas, ele volta a ativa na companhia de seu parceiro Ned (Morgan Freeman) e um jovem pistoleiro,Schofield Kid (Jaimz Woolvett). Enquanto na cidade o xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman) tenta evitar a matança por recompensa e fazer valer as suas leis.
Não procure clichês no meu filme, vaqueiro!!!

Nada de bom moço, nem de donzela em apuros! Em os imperdoáveis torcemos para o protagonista pistoleiro e prostitutas em busca de justiça. E sem culpa alguma, afinal nenhum dos personagens é santo (e quem é nesse mundo?). Além do tipos já citados, ainda temos o xerife vaidoso, o escritor caça-histórias, o dono do saloon/cafetão. 

O roteiro é supreendente, mesmo assim, precisou vinte anos sem destino em Hollywood, para alguém se dispor a tornar Os Imperdoáveis, uma realidade. Para compensar quando saiu do papel para as telas, parece que tudo se encaixou. Os belos cenários, fotografia, e as incríveis atuações. 

Personagens tem mais profundidade do que costumamos encontrar no gênero. Carregam o peso do passado, os dilemas, e dificuldades em sua busca seja ela qual for. Justiça, redenção, mudança, uma boa história. Falando em história impossivel não se divertir com o patético escritor W. W. Beauchamp (Saul Rubinek),     Sempre a caça de uma hitória melhor, ele pula de bandido em bandido, mesmo sabendo que fica apavorado na presença deles. Aliais um dos bandidos 'biografados' por ele Bob, o Inglês, é interpretado por Richard Harrys (o primeiro Dumbleore), também em uma brilhante atuação.
Chuva em um bang-bang, poético isso!
Em um gênero onde costumamos ver alguém cair (literalmente, as vezes da janela do segundo andar) morto a todo segundo em meio ao tiroteio, uma obra prima mostra que matar não é tão fácil, mesmo quando se está no ramo a décadas. Não é meu gênero favorito, mas sem dúvida Os Imperdoáveis me conquistou.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Prêmios de Imperdoáveis


Gênero favorito de muita gente o Western (ou Faroeste por aqui) de Os Imperdoáveis foge dos clichês. O resultado? Muitos prêmios!


Oscar
  • Melhor Filme
  • Melhor Direção
  • Ator Coadjuvante para Gene Hackman
  • Melhor Edição
Recebeu indicações de Roteiro Original, Ator (Clint Eastwood), Fotografia, Direção de Arte e Som.


Bafta

  • Ator Coadjuvante para Gene Hackman
Indicado para Melhor filme, Direção Roteiro Original, Fotografia e Som.


Globo de Ouro
  • Direção
  • Ator Coadjuvante para Gene Hackman
Indicações para melhor Filme de Drama e Roteiro

domingo, 22 de agosto de 2010

Os Imperdoáveis

Na nossa lista não podia faltar uma aventura no velho-oeste!

Os Imperdoáveis
Unforgiven- 1992 - EUA
131min - colorido
Faroeste

Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Clint Eastwood

Musica: Lennie Niehaus

Com: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek, Frances Fisher

Vencedor de 4 Oscar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Menos é mais, sempre


Eu achava que novelas como Passione e Terra Nostra exageravam na hora de retratar as famílias italianas, mas depois de assistir a Rocco e seus irmãos, acho até que elas pegaram leve. Jura que tudo tem que ser mesmo tão exagerado e dramático? Um falou uma coisa que desagradou o outro, leva um tapa na cara. O cara quis ser um pouquinho mais ousado com a noiva, outro tapa. Gente, o que houve com os diálogos?

Fiquei um pouco assustada quando a história (longa, né?) ameaça descambar para um dramalhão, e olha que isso acontece repetidas vezes. Até Rocco (Alain Delon, lindo de morrer), que parece ser a pessoa mais "anormal" da família Parondi, de tão contido, mostra que não dá pra negar suas origens em uma sequência meio constrangedora no final. Se não fosse o áudio em italiano, eu juraria estar diante de uma novela mexicana. (Esta é a parte em que uns vão me chamar de insensível; outros, de ignorante. Fique à vontade para escolher o seu lado, caro leitor)

Agora, falando sério: a história é muito boa, e Luchino Visconti tinha ótimos personagens e um grande elenco em mãos. Annie Girardot, poderosa, encanta na pele de Nadia, uma mulher independente e descompomissada, que causa a discórdia que vai abalar de vez a estrutura dos Parondi. A cena em que Simone (Renato Salvatori) flagra sua ex-namorada com o irmão é de uma brutalidade imensa. E comove. Não só um dos belos momentos do filme, como o ponto que marca a virada dos personagens: Simone, que já era um malandro incorrigível, torna-se um homem obcecado por Nadia. Ela, inconformada com a situação, abre mão de sua antiga liberdade para infernizar a vida do ex e encher Rocco de remorsos. Este, por sua vez, sempre correto, comedido e altruísta (difícil acreditar que exista alguém assim), não luta por sua amada porque preza demais sua família. Família essa que vai desmoronando aos poucos, o que só faz tudo soar ainda mais triste... E a vida tem mesmo dessas pequenas tragédias, não é?

Na verdade, vamos admitir, Rocco foi um covarde. Dá pra entender tamanha raiva de Nadia. Amei a sequência com eles na ponte, em que ela ameaça se jogar se ele desistir dela. Apesar de todo o exagero e das atuações afetadas, essas cenas mostram bem a dualidade dos sentimentos que tomavam conta da angustiada moça. Primeiro, ela repete veementemente: "Eu te amo, te amo, te amo". Diante da negativa do rapaz, ela responde: "Eu te odeio, te odeio, te odeio". Tudo com a mesma intensidade. Amor e ódio são mesmo sentimentos que andam de mãos dadas. Em contrapartida, tudo que ela consegue dizer a Simone,  mais tarde, depois de ter tentado fazer de sua vida um inferno, tem uma temperatura bem mais fria: "Eu te desprezo". Simples assim.

Mas não é surpreendente como a história, que começou um tanto arrastada, foi encontrando seu rumo até chegar a um final forte e emocionante? Entretanto, a exagerada teatralidade me incomodou muito e, a meu ver, comprometeu até a dramaticidade das últimas cenas. E sei que a gente não deve tirar o filme de seu contexto histórico, mas hoje as falas idealistas de Rocco, que queria voltar a qualquer custo à sua vila, no sul da Itália, soam equivocadas ou, no mínimo, ingênuas demais. No fim das contas, achei um grande filme, especialmente da metade para o final, embora com algumas ressalvas. Tanto dramalhão não faz muito o meu estilo, capisce?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

É vero!

Dramalhão da melhor qualidade!
É por filmes como Rocco e Seus Irmãos que vale a pena participar deste projeto. Um filme de quase três horas de duração, do qual nunca tinha ouvido falar, e com uma sinopse um pouco melosa e exagerada. Logo pensei: não vou gostar! Felizmente, a blogueira que vos escreve não poderia estar mais enganada.

Em muitas cenas Rocco e Seus Irmãos, é sim um enorme dramalhão, exagerado como novela mexicana. O que neste caso em particular não desmerece em nada o filme. Primeiro porque, ao menos em terras tupiniquins, crescemos assistindo aos dramalhões das novelas (algumas até com o jeitão italiano de falar) logo, estamos mais que acostumados ao estilo. Além disso toda familia brasileira que conheço tem um "que" de italiana. Muitos irmãos, dividindo uma casa. Cuidando (e se intrometendo) na vida uns dos outros. Mereçam eles, ou não. Que atire o primeiro prato de massa quem não conhece, ou não faz parte de uma família assim. 

Depois de ficar viuva, a orgulhosa mama italiana Rosaria Parondi (Katina Paxinou, extremamente verdadeira no papel) viaja para capital, ao lado de quatro dos seus filhos, para morar com o filho mais velho Vincenzo Parondi (Spiros Focás), que embora com condições de sustentar a si mesmo e sua esposa, não poderia cuidar de uma família tão grande.


Um a um vamos conhecendo os irmãos Parondi. Literalmente, com direito a legendas que dedicam cada trecho do filme a um irmão, sem interromper a narrativa principal na qual, acompanhamos a luta da família para vencer na vida. Vicenzo, o mais velho, que precisou adiar os planos de casamento para cuidar da família. Simone, o complicado (real ou fictício, sempre tem um, né!), que consegue jogar fora todas as oportunidades que encontra. Rocco, que de tão honesto e dedicado aos irmãos chega a fazer papel de bobo. Ciro (Max Cartier), que só deseja fazer o certo para sua família. E o pequeno Luca (Rocco Vidolazzi).

Entretando é a história conturbada de Simone e as constantes tentativas de Rocco de salvar o irmão que ocupam a maior parte da história. Simone, o primeiro a conseguir um trabalho fixo perde tudo ao andar com péssimas companias e manter habitos ainda piores. Ele é maçã podre que estraga toda uma caixa, ou neste caso, desestabiliza toda a família. Mesmo com os esforços de Rocco para ajuda-lo, seu comportamento não melhora. Nossas mães já diziam, se "passar a mão na cabeça", ele nunca vai aprender. A coisa degringola de vez quando os dois se vêem apaixonados pela mesma mulher.  A protistuta Nadia, tem um tórrido romance com Simone, anos mais tarde encontra o amor verdadeiro em Rocco, a ponto de abandonar sua "antiga vida".


O triângulo amoroso rege a história, e é magistralmente conduzido por Visconti. Alain Delon, Renato Salvatori e Annie Girardot, respectivamente Rocco, Simone e Nadia dão um show no melhor do estilo dramalhão.  Rocco é tão nobre, que nos irrita por não deixar seu irmão aprender com os erros. E como ele erra! Simone insiste em errar, é o mal carater perfeito.

Rocco e Seus Irmãos é longo, exagerado, os diálogos em italianos parecem estar sempre falados aos berros ou aos sussurros e a história migra da celebração a alegria num piscar de olhos. Mas também é impossível não se identificar com ele. Uma história forte, atemporal e bem contada que nos deliciamos ao acompanhar.

É vero! Eu adorei.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Em busca de um sonho

Três coisas precisam ser ditas, antes de eu começar a falar do filme. Primeira: que fique registrado que este é o primeiro filme de Alain Delon que eu vejo. Já me tornei fã. Segunda: eu não sabia que o filme tinha 3 horas de duração. Mais um filme italiano longo demais. Dava pra enxugar aí pelo menos meia hora de filme. Mas, ainda assim, adorei. Por fim, ao ver a personagem de Katina Paxinou, a mamma Rosaria Parondi, não consegui pensar em outra coisa: toda mãe no mundo tem um quê de mamma italiana. Fato.
Os filhos já são grandinhos, mas a mamma faz questão de cuidar muito bem deles

Rocco e seus irmãos (Rocco i suoi fratelli, 1960) conta a história de uma família, viúva e cinco filhos, que saem do interior pobre para a cidade grande tentar ganhar a vida. O primeiro a ir é o mais velho, Vince (Spiros Focás), que já estava conseguindo algum sucesso. Na festa de celebração de seu noivado, porém, chegam sua mãe e seus quatro irmãos para viverem com ele. E as coisas começam a ir mal. Ele poderia sustentar a si próprio e à esposa, mas como sustentar toda a família? Ele já havia desistido do boxe porque não era a sua paixão, apesar de seu talento e de receber relativamente bem por cada luta. Então ele resolve à moda italiana: em família. Fica com a mãe e os irmãos em uma casa de aluguel barato e espera pelo despejo (assim poderiam viver em algum outro lugar fornecido pelo governo, sem ter que gastar com aluguel, água ou luz), arruma empregos temporários para si e seus irmãos.

A essa altura eu já me perguntava: se o personagem principal é o Vince, porque o filme se chama Rocco e seus irmãos? Então começa a narrativa da vida de Rocco, e percebe-se porque ele é o principal. Foi através de sua ida para o exército que sua família teve um pouco mais de conforto, através do seu sucesso como boxeador que a família se estabilizou, através de sua bondade e honestidade que o irmão problemático (Simone) não foi preso por roubo e teve sua carreira encerrada precocemente, de sua abdicação e devoção à família que ele implorou para o amor de sua vida (a prostituta Nadia, interpretada brilhantemente por Annie Girardot) que o abandonasse e voltasse para o seu irmão. É um personagem muito forte, à beira do surreal. Ninguém consegue ser tão bondoso quanto Rocco. Ele é a alma do filme, o cara que mantém os pés no chão, que sonha em voltar para casa com a família, que faz qualquer sacrifício pelo bem da mãe e dos irmãos - e por isso mesmo não tem medo de sonhar com um futuro melhor. Um cara consciente dos sofrimentos da vida, mas que não deixa de ter esperanças, que é bom, que tem um coração puro e generoso, que acredita no amor.


Rocco Parondi (Alain Delon) é um dos personagens mais tocantes que eu já tive o prazer de ver

Esse, provavelmente, é uma das maiores surpresas da lista para mim. Não costumo gostar de filmes italianos, acho as narrativas lentas demais (sem necessidade); em cenas de muitas pessoas falando, parece que estão sempre brigando; e as interpretações são sempre um pouco exageradas demais. Fora que eu já tenho um preconceito com o sotaque italiano por causa das novelas que insistem em carregar os diálogos de palavras e expressões no idioma, o que acaba por deixá-los chatérrimos e irritantes. Mas Rocco é mais do que um filme italiano. É universal, atemporal. Interpretações na medida, com destaque para as mulheres em cena (a mãe exagerada, a prostituta desgraçada, a esposa durona) e para Renato Salvatori, que fez um Simone perfeito; cenas memoráveis (a briga dos irmãos quando Rocco e Nadia são pegos juntos, quando Simone conta a Rocco que a matou e a cena final, de Ciro e Lucca conversando sobre o futuro, são as minhas preferidas); personagens cativantes e, o mais impressionante, tão verossímeis que poderiam muito bem ter sido reais.


Simone e Rocco: dois irmãos apaixonados pela mesma mulher. Não tinha como dar certo.

Quem não tem uma mãe como a signora Parondi, tão protetora e orgulhosa de sua prole? Quem não sonha com uma vida confortável e feliz para sua família, como Vince? Que filho não gostaria de provara para a mãe e os irmãos que poderia ser alguém na vida, como Simone fez (apesar das besteiras que cometeu)? Quem, como Ciro, não ama seus irmãos a ponto de, achar que mesmo fazendo o que parecia errado era o melhor para seu irmão? Ou age como o próprio Rocco, sempre dando um jeito de consertar as besteiras dos outros, sempre pensando na família em primeiro lugar? Fica a lição de esperança e amor, e Rocco é mais um personagem que entra pra minha lista de favoritos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Prêmios de Rocco e Seus Irmãos


Confira os prêmios conquistados por Rocco e seus irmãos.


Prêmio David di Donatello 1961 (Itália)
  • Melhor produção.
Festival de Veneza 1960 (Itália)
  • Luchino Visconti recebu os prêmios FIPRESCI e especial.
Prêmio Bodil 1962 (Dinamarca)

  • Melhor filme europeu.
Prêmio Fita de Prata, Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema  (Itália)
  • Melhor Diretor de Filme Italiano (Luchino Visconti)
  • Melhor Roteiro
  • Melhor Fotografia

Indicações

BAFTA 1962 (Reino Unido)
Indicado nas categorias de melhor filme de qualquer origem e melhor atriz estrangeira (Annie Girardot).

Festival Internacional de Veneza (Itália)
Indicado ao Leão de Ouro (Luchino Visconti)

domingo, 15 de agosto de 2010

Rocco e seus irmãos

Descobrindo a estética neo-realista.

Rocco e seus irmãos
Rocco e i suoi fratelli- 1960 - França/Itália
177min - preto e branco
Drama

Direção: Luchino Visconti

Roteiro: Luchino Visconti, Suso Cecchi d'Amico, Vasco Pratolini, Pasquale Festa Campanile, Massimo Franciosa, Enrico Medioli, Giovanni Testori

Musica: Nino Rota

Com: Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot, Katina Paxinou, Alessandra Panaro, Spiros Focás, Max Cartier, Corrado Pani, Rocco Vidolazzi, Claudia Mori, Adriana Asti, Enzo Fiermonte, Nino Castelnuovo, Rosario Borelli, Renato Terra

Baseado em episódio do romance Il ponte della Ghisolfa.

sábado, 14 de agosto de 2010

Lições de Casablanca


Casablanca é daqueles filmes do qual você gosta mais cada vez que assiste. Da primeira vez que vi, fui pega de surpresa pela história e gostei do resultado. Mas revê-lo é muito mais prazeroso, é como reencontrar velhos conhecidos. Você já conhece os segredos e fraquezas dos personagens, sabe para onde a história caminha, e, mesmo que não seja o final que você gostaria de ver, acaba concordando que é melhor assim. Taí uma lição pra vida

É ousado dizer isso, mas acho que gosto de tudo em Casablanca. A história de dois amantes separados pelas circusntâncias da vida, que se reencontram quando já é tarde demais para retomar o passado já é motivo suficiente para nos envolver. Mas tudo isso é contado com uma classe que a gente só encontra mesmo nos clássicos. É impressão minha ou os filmes antigos tinham mais charme que todos os filmes atuais juntos? Juro que eu queria tomar um drinque no Rick's qualquer dia desses.

Humprey Bogart, que não é exatamente meu ideal de galã, é de uma personalidade incrível (mérito também do roteiro, que lhe reservou umas tiradas geniais). Ingrid Bergman, linda e poderosa toda vez que surge em cena, faz a gente até esquecer que sua personagem, Ilsa, partiu o coração do pobre Rick. E Dooley Wilson, o famoso Sam, dá um show à parte, tanto no piano quanto nas impagáveis expressões do tipo "Isso não vai dar certo...". Paul Henreid como Victor Lazlo convence tanto que me contagiou a cantar um trechinho da Marselhesa também. Aliás, é impressionante como Michael Curtiz conseguiu reunir um elenco de primeira até para os papéis mais secundários, todos irrepreensíveis.

Engraçado que, revendo o filme agora, me dei conta de uma coisa que não tinha reparado antes: a cidade no Marrocos, em plena Segunda Guerra, não dá nome ao filme por acaso. O lugar, longe de ser apenas pano de fundo para uma história de amor, é também um personagem importante: lá estavam centenas de pessoas que não têm nada além de esperanças de um futuro melhor. Embora seja só um local de passagem, é o início de uma viagem rumo ao desconhecido, com a promessa de que o que quer que esteja nos esperando vai ser melhor do que o temos agora, mesmo cientes de que a única coisa concreta que temos é o aqui e o agora. Um pouco como a vida, não? Taí outra lição de Casablanca.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

As time goes by

Composta por Herman Hupfeld para o musical da Brodway Everybody's Welcome em 1931, As time goes by, ficou famosa após virar tema de Casablanca na voz de Dooley Wilson (que interpreta o musico Sam no filme).

A musica, cujo tema é recordar dos bons tempos e coisas boas da vida, é uma das mais lembradas quando o assunto é trilha sonora. A empatia com o público é enorme e seu lugar na história do cinema é garantido. Ao menos é o que prova a vinheta que apresenta o logo da Warner Bros. Pictures antes de cada longa, embalada pelo clássico.

Assista abaixo a vinheta da Warner com o tema e umas das cenasdo filme onde a musica é apresentada.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Doses perfeitas

Nunca fui muito fã de filmes de guerra, apesar de ter alguns na minha lista de "exceções". E Casablanca (Casablanca, 1943) entrou para essa minha seleta lista. Talvez eu não concorde que esse seja o "melhor filme de Hollywood de todos os tempos", mas que é muito bom, isso é. Os diálogos são realmente espertíssimos, não tem o que tirar: são limpos, necessários, eficientes, emocionantes. A interpretação de Humphrey Bogart é impecável. Richard não é nem bom, nem mau; nem frio, nem insensível. Só tem aquela casca grossa e impenetrável que os anos de fuga e um coração partido revestem o indivíduo para que ele não se machuque de novo. Absolutamente perfeito.

"De todos os bares do mundo, ela tinha que entar justo no meu?!"


Confesso também que às vezes me perco nas narrativas de filmes políticos: não consigo acompanhar quem é aliado de quem, quem é inimigo de quem, quem faz o quê pra quem. Mas nesse filme, não me perdi um minuto sequer. A trama é complicada, bem engendrada, mas é passada com clareza - aí eu dou todos os créditos às falas curtas, são essenciais. Quem me dera todo roteirista assistisse Casablanca antes de tentar fazer um filme de guerra!

E, sim, mesmo em um filme de guerra, ainda há o glamour da Hollywood de antigamente. Os close-ups de Ilsa (Ingrid Bergman, aquela que chora somente com o olho esquerdo) são sempre captados por uma câmera especial que capta um brilho difuso, um efeito lindo que faz as grandes atrizes parecerem ainda mais lindas, mais "divas". E nas cenas em que ela se lembrava de Paris, e olhava sonhadoramente para o homem que ama, ela parece ainda mais apaixonada. Clima perfeito.


Vai negar que ela não parece mais diva com essa luz?

Uma ótima experiência assistir a esse clássico. O filme é quase todo passado dentro de um bar, o Rich's Café Americáin. Lá são servidas as doses certas de romance, música, tragédia, cinismo, sutileza, inteligência. Somos brindados com essa obra, altamente recomendada (e com razão) a todas as pessoas de qualquer idade. Aprecie sem moderação.

Porque nós sempre teremos Casablanca

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Play it, Sam

Um dos grandes charmes de Casablanca, sem dúvida, é "As time goes by". A música, composta em 1931 por Herman Hupfeld para uma peça da Broadway, ficou imortalizada na inconfundível voz de Frank Sinatra, mas, como todo clássico, ganhou inúmeras versões mundo afora. Confira algumas que o DVD, sofá e pipoca garimpou.

No filme, por Sam (Dooley Wilson)



Sinatra, ao vivo, em Buenos Aires
 


Na voz cheia de personalidade da diva Billie Holiday



Por Rod Stewart e Queen Latifah (somente áudio)



Em espanhol, numa bela versão dos cubanos Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo: "El tiempo va"



Carly Simon prova que tudo sempre pode ganhar uma roupagem brega



Versão acústica, por Gal Costa

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A segunda impressão as vezes é melhor!

Batalha musical! O pessoal do ídolos podia tentar.
A primeira vez que vi Casablanca, odiei.
Pronto, falei! Se não gostou vem se entender comigo. Mesmo assim, na tentativa de me tornar uma cinéfila melhor, abri meu coração. E lá fui eu, amarradona rever o filme, na esperança que ele realmente me conquistasse. Não aconteceu, mas ao menos agora eu não o odeio mais, e até gosto de algumas cenas.

Toda vez que Sam toca As time goes by, é um deleite para os ouvidos. Sempre adorei a música, e convenhamos o longa não seria o mesmo sem ela. Não é atoa que até hoje é ela que toca quando o logo da Warner aparece antes da maioria dos filmes.

Já que mencionei música e boas cenas, não posso deixar de mencionar a batalha musical, e idealista, entre Die Wacht am Rhein e La Marseillaise. O duelo além de reforçar o clima de guerra, tensão e urgência, em que os personagens vivem, ainda revela que talvez Rick, não seja tão imparcial assim. Além de confirmar a imagem de herói de seu adversário amoroso, Laszlo.

Falando nos dois vale lembrar, Rick é o protagonista, mas é Laszlo o herói, ao menos o declarado. O protagonista até tem seus momentos de heroísmo, mas sempre as escondidas, evitando comprometimento. A não ser,  é claro, ao tramar a fuga de Laszlo e Ilsa. Não apenas salvando o casal, mas nobremente admitindo que talvez não estivesse a altura de seu heróico rival, e que sua amada estaria melhor sem ele. Trabalhar o 'desapego', está aí o ato heróico de Rick!
Rick trabalhando o desapego!

Casablanca, no Marrocos, é passagem obrigatória para fugitivos da Segunda Guerra. Uma vez na cidade pode-se levar anos para conseguir um visto e finalmente se ver livre da ameaça Nazista. Richard Blane (Humphrey Bogart), é dono de um bar em Casablanca. O americano vive imparcialmente em meio ao caos que é Casablanca. Mas a chegada de Ilsa (Ingrid Bergman), com quem teve um tórrido e mal acabado romance, acompanhada do marido Victor Laszlo (Paul Henreid), um herói de gerra, pode abalar sua imparcialidade.

As cenas do romance , e consequentemente da separação,em Paris apresentadas em um flashback, são apressadas. E apesar de responderem, o que houve entre Ilsa e Richard, não tem a mesma intensidade mostrada pelos atores nas cenas em Casablanca. Talvez apenas a menção do romance e a liberdade da imaginação de cada um alcançassem um melhor resultado para a trama.


A fotografia em preto e branco tem um charme que, nem todas as cores e profundidade do 3D, conseguiriam explicar. Qualidade que acompanhada de uma ótima musica me ajudaram a trabalhar o desapego do trauma que foi minha primeira impressão de Casablanca. Ainda bem que nem sempre é a primeira impressão a que fica!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Curiosidades de Casablanca

Humphrey e Bergman na, talvez, mais famosa cena do filme


- O roteiro é baseado em peça teatral, de Murray Burnett e Joan Alison, que nunca foi produzida.

- É considerado por muitos como um dos melhores filmes de todos os tempos.


- A estreia de Casablanca foi no Hollywood Theater de Nova Iorque, em 26 de novembro de 1942, e tornou-se rapidamente em um grande sucesso.

- Tanto Humphrey Bogart como Ingrid Bergman têm atuações extremamente carismáticas, fazendo com que este filme se torne um divisor de águas nas carreiras de ambos.
- Provavelmente é o filme com os melhores e mais memoráveis diálogos da história do cinema, muitos deles com um leve toque de cinismo. Um de seus diálogos mais famosos é entre Ilsa (Bergman) e Sam:
Ilsa: Toque uma vez, Sam. Pelos bons velhos tempos.
Sam: Eu não sei o que você quer dizer, Senhorita Ilsa.
Ilsa: Toque, Sam. Toque "As Time Goes By".

- A frase "Sempre teremos Paris"é uma das mais marcantes do filme. Outra bastante conhecida é "Esse é o início de uma bela amizade".
- O filme têm várias falhas, sendo a mais proeminente relativa às "cartas de trânsito" (letters of transit) que permitiria a seus portadores deixar o território da França de Vichy. Não é claro se as cartas foram assinadas pelo General Maxime Weygand de Vichy ou o líder da França Livre general Charles de Gaulle. Nas legendas em inglês do DVD oficial, lê-se "de Gaulle", enquanto em francês lê-se "Weygand".
- Weygand foi o general-delegado para as Colônias do Norte da África até um mês antes da estréia do filme (e um ano após o roteiro ter sido escrito). De Gaulle, enquanto líder do governo da França Livre, inimigo do regime de Vichy que controlava o Marrocos, foi condenado à prisão perpétua em corte marcial por traição em 2 de agosto de 1940. Assim, uma carta de trânsito assinado por De Gaulle não teria utilidade.

- Durante a seqüência em que o Major Strasser desembarca no aeroporto, os oficiais vistos de cima foram interpretados por anões, para que a pista parecesse maior;

- Jack Warner, presidente da Warner Bros. no período de lançamento de Casablanca, chegou a anunciar antes do início das filmagens que o elenco do filme seria composto por Ronald Reagan, Ann Sheridan e Dennis Morgan;

- Casablanca custou US$ 900 mil aos cofres da Warner Bros. Sua estréia estava inicialmente prevista para junho de 1943, mas como em novembro de 1942 os Aliados desembarcaram no norte da África e libertaram a verdadeira Casablanca, a Warner resolveu por lançar o filme imediatamente.

Indicações ao Oscar:
Melhor Ator - Humphrey Bogart
Melhor Ator Coadjuvante - Claude Rains
Melhor Fotografia
Melhor Trilha Sonora - Comédia/Musical
Melhor Edição

Ganhou os prêmios da Academia nas seguintes categorias:
Melhor Filme
Melhor Diretor - Michael Curtiz
Melhor Roteiro

domingo, 8 de agosto de 2010

Casablanca

Este figura em todas as listas dos melhores filmes de todos os tempos. Um clássico com "C" maiúsculo!

Casablanca
Casablanca- 1942- EUA
102min - colorido
Drama/Romance

Direção: Michael Curtiz

Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch

Musica: M.K. Jerome, Jack Scholl e Max Steiner

Com: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre, S.K. Sakall¹, Madeleine LeBeau, Dooley Wilson, Joy Page, John Qualen, Leonid Kinskey, Curt Bois, Louis V. Arco

Baseado na peça teatral de Murray Burnett e Joan Alison. Vencedor de três Oscar e embalado pelo tema romântico mais lembrado do cinema, As time goes by.

sábado, 7 de agosto de 2010

Para amar e odiar ao mesmo tempo!

É assim que agente se encrenca!
Não meta o nariz onde não é chamado! É sério! A curiosidade pode te matar, isso sem contar o tal do gato. 

Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachla, com maquiagem demais) não pode conter a curiosidade depois de encontrar uma orelha humana em um campo. Mesmo depois que o detetive do caso ordena que pare de procurar, ele continua e ainda inclui a filha do policial, Sandy Williams (Laura Dern), na investigação. E acaba se envolvendo com uma cantora (Isabella Rossellini), que teve filho e marido sequestrados e está sendo chantageada para mantê-los vivos.

O suspense é instigante, mas o desconforto causado pela estranheza do filme é o que fica quando os créditos começam a subir. Impossível não pensar: será que é possível existir algo assim no mundo real? Como? Aí, agente lembra das notícias nos jornais e percebe: É possivel sim! Eles têm razão é um mundo estranho.

Assistimos do drama da cantora Dorothy Vallens, e apesar da intensidade das cenas, de certa forma temos a sensação de alívio, por não passar por nada sequer próximo de uma situação como esta. Então lembramos de Jeffrey e de como ele conseguiu se encrencar tão rápido e ficamos com medo novamente. Afinal nesse mundo estranho tudo muda o tempo todo e muito rápido.

As atuações do elenco são extremas, estilo que tem seus prós e contras. Levada ao extremo, a boa moça Sandy se torna irritante. O mocinho curioso Jeffrey, passa por bobo, está vendo o perigo se aproximando mas continua seguindo em frente. A pertubada Dorothy, algumas vezes não nos convence em outras nos assusta. Mas é pelo (e para) o personagem Frank Booth, o bandidão da história que esse estilo de atuação compensa.  Dennis Hopper dá vida a um psicopara, que faria Hannibal Lecter e o Coringa (de Heath Ledger) mudarem de calçada para não cruzar com o mal caráter. Ele não é apenas frio e calculista, também é tão pertubado quanto as vítimas que tortura.
Tens medo de mim? Pois deveria!
Se era essa a intenção de David Lynch, não tenho certeza. Posso apenas afirmar que Veludo Azul, é um filme para amar e odiar ao mesmo tempo, sem nunca se decidir entre os dois. Eu estou mesmo na dúvida, mas tudo bem. Já ouvir dizer, que nesse estranho mundo o que separa amor e ódio e uma linha tênue.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Embarque na viagem de David Lynch

Assistir a um filme de David Lynch é embarcar numa viagem planejada na cabeça do diretor. No caso de
Veludo azul, partimos da ensolarada e aparentemente perfeita cidadezinha de Lamberton até o lugar mais bizarro e obscuro que se possa imaginar: a mente humana. Movidos por uma curiosidade semelhante à do protagonista Jeffrey (Kyle Mac Lachlan, bem convincente), vamos acompanhando o desenrolar da trama para tentar montar o quebra-cabeças. 

Ok, talvez eu não seja mórbida ao ponto de recolher uma orelha humana encontrada ao acaso por aí. Muito provavelmente eu não invadiria o apartamento alheio só para entender melhor um possível crime. E certamente eu me mandaria na hora ao dar de cara com um cara megaultraperturbado como Frank Booth (Denis Hopper). Eu devo ser covarde mesmo, mas achei bem legal o clima voyeurista à la Janela indiscreta. É aquela coisa, diante de uma vidinha pacata e monótona, todo mundo quer ser testemunha de algo fora do comum. Não é sempre que se tem essa chance.

Mas se o tal quebra-cabeças pode soar, por muitas vezes, inverossímil, basta uma rápida lida nas páginas policias para a gente se dar conta de que o mundo é mesmo muito estranho. E a estupenda atuação de  Hopper só faz comprovar isso. É de cair o queixo. O que só me dá mais tristeza pela afetação e canastrice de Isabella Rosselini como Dorothy Vallens. Tudo bem que a personagem não batia muito bem, mas não precisava ser tão clichê. A cena dela cantando a música-tema, "Blue velvet", é de chorar. Aliás, prezado Lynch, precisava repetir a canção tantas vezes durante o filme? Really? Criei antipatia, foi mal.

Fora esse grande abismo entre as duas realidades (reforçado no final do filme, uma bela retomada da atmosfera inicial), o restante da história se desenrola como uma trama policial convencional: uma investigação com um quê de corrupção, lei do silêncio, fica na sua que é melhor pra você. Ah, e o triângulo amoroso entre Dorothy, Jeffrey e Sandy (Laura Dern, tão sem sal que pode causar queda de pressão em alguns)? Será que podemos mesmo chamar de triângulo amoroso??? Acho que não. Por mais bizarro que seja, Frank Booth é mais interessante.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Curiosidades e prêmios de Veludo

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Considerado um filme estranho, em que a grande frase é It´s a strange world, Veludo Azul (Blue Velvet) é um suspense longa-metragem de 1986, com roteiro e realização de por David Lynch, e trilha sonora criada por Angelo Badalamenti.



Blue Velvet é originalmente o título de uma canção interpretada por Bobby Vinton, e que está presente no filme, e que serviu de inspiração para o título.

Este é o primeiro de 3 filmes em que o diretor David Lynch e a atriz Laura Dern trabalham juntos. A parceria foi repetida em Coração Selvagem (1990) e Império dos Sonhos (2006).

O papel de Jeffrey Beaumont foi inicialmente oferecido ao ator Val Kilmer, que recusou o personagem por considerar o roteiro pornográfico.

Confira os prêmios do filme em 1987

Independent Spirit Awards (EUA)
Venceu na categoria de melhor atriz protagonista (Isabella Rossellini).




Festival International du Film Fantastique d'Avoriaz (França)
Recebeu o grande prêmio.


Oscar 
Indicado na categoria de melhor diretor.

Globo de Ouro
indicado na categoria de melhor atuação de ator coadjuvante em cinema (Dennis Hopper) e melhor roteiro de cinema.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É um filme estranho

Sabe quando disem que a curiosidade matou o gato? Foi quase isso...

Antes de assistir a esse Veludo Azul (Blue Velvet), eu só havia assistido outro do diretor David Lynch: Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001). Pra ser sincera, não lembro direito da história. Mas ficou a sensação de "não gostei". Então, já fui ver o filme com um pé atrás. Resultado: ainda estou decidindo o que eu achei do filme.

O roteiro, pelo menos, chega a algum lugar: começa com a descoberta inusitada de uma orelha (já parcialmente deteriorada) por um homem comum, que resolve bancar o detetive e investigar o caso. Com a inesperada ajuda da filha do detetive da cidade, ele acaba se envolvendo com uma cantora de bar e descobre que ela teve seu marido e filho sequestrados - e está sendo chantageada para mantê-los vivos.

O suspense é bem interessante, realmente te prende do início ao fim. E, óbvio, tem aquelas cenas em que é impossível não pensar "isso não vai dar certo...", mas que acabam dando certo. As escolhas dos atores também foi acertada, apesar de não gostar da interpretação de Isabella Rosselini (Dorothy Vallens), que é a personagem central. Além da péssima dublagem nas cenas como cantora, os arroubos de loucura/desespero não foram convincentes. Mas ver Dennis Hopper (Frank Booth) atuando como o alucinado carrasco de Dorothy é um presente. As cenas de violência também são memoráveis, chocantes.

Dennis Hopper, como Frank Booth: o melhor em cena

Bom, já ouvi dizer que o diretor é conhecido como o "diretor de sonhos" e seus filmes são comumente classificados como "estranhos". Ao final do filme, minha irmã me perguntou: "E aí? O que achou do filme?" Levei um minuto e respondi: "É chato, mas é legal. Acho que gostei." Realmente, é um filme estranho.

domingo, 1 de agosto de 2010

Veludo Azul

Um filme considerado estranho, no qual a grande frase é It's a Strange world.
Esse semana David Lynch!

Veludo Azul
Blue Velvet- 1986- EUA
120min - colorido
Suspense

Direção: David Lynch

Roteiro: David Lynch

Musica: Angelo Badalamenti

Com: Isabella Rossellini, Kyle MacLachlan, Dennis Hopper, Laura Dern, Hope Lange, Dean Stockwell, George Dickerson, Priscilla Pointer, Frances Bay, Jack Harvey, Ken Stovitz, Brad Dourif, Jack Nance, J. Michael Hunter, Dick Green