3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Que seu 2011 seja cinematográfico!

É o que desejam as blogueiras aqui do sofá a todos os leitores do DVD (e àqueles que chegaram aqui por acidente também)!

Virada de ano pede retrospectiva! Então fiquem com esse vídeo que relembra os 50 filmes resenhados este ano, e ainda deseja um feliz ano novo à todos. Até 2011!



Feliz 2011

De tirar o chapéu


Acho que qualquer coisa que eu diga sobre Cidadão Kane corre o sério risco de se aproximar do clichê. Porque é praticamente impossível não se desmanchar em elogios à obra-prima de Orson Welles, citada em todas as listas de melhores filmes de todos os tempos. Com um roteiro original, edição primorosa e atuações perfeitas, é simplesmente impecável. Vai ver que foi a conjunção dos astros. Ou vai ver que é talento mesmo.

O filme é superbem amarrado, com flashbacks perfeitamente encaixados nas memórias dos entrevistados durante a pesquisa. A transição entre passado e presente é sempre feita de maneira deliciosa com cenas semelhantes, jogos de imagens... Algumas sequências são verdadeiras pinturas. "Rosebud", a última palavra dita pelo protagonista em seu leito de morte é o "mistério" que serve como desculpa para acompanharmos uma verdadeira viagem por toda sua vida. A morte é o ponto de partida da vida, adoro esses paradoxos cinematográficos. Para que ser óbvio, certo? 


Mas o mais legal é que o próprio filme explica por que é tão bom: logo no início vemos um documentário, aparentemente já finalizado, sobre o influente magnata. Acontece que sua vida era pública, e muitos dos seus feitos eram conhecidos de todos. Portanto, falar da excentricidade de Kane ou contar apenas sua trajetória como jornalista até se tornar o homem poderoso que era nos últimos dias de vida não acrescentaria muito a  ninguém. Dizer que ele construiu um teatro para a mulher é uma coisa. Mostrar que ele praticamente obrigou a coitada a ser cantora é outra. Reforçar que ele foi capaz de escrever a continuação de uma crítica negativa da apresentação dela para, logo em seguida, demitir o responsável é mergulhar ainda mais fundo no personagem. Mas nada supera a imagem do protagonista ao levar um tapa com luva de pelica ao se dar conta de que feriu a própria declaração de princípios. Todos estes homens são a mesma pessoa.

Para ser fiel à trajetória de uma pessoa com uma vida tão rica e dona de uma personalidade tão marcante, faltavam os detalhes que dão sabor a qualquer história, seja ela ficcional ou não. E esses detalhes, não vamos nos esquecer, são fornecidos por depoimentos de gente que conviveu com o personagem. E esses depoimentos são cheios de subjetividade e de falhas, assim como tudo na vida, que pode ser tudo, menos ciência exata. São esses detalhes que fazem a diferença das grandes reportagens para as banais, dos grandes filmes para... os outros. Contar bem uma história é uma arte, e isso é para poucos. Orson Welles era um deles. Diante deste longa, qualquer cinebiografia é um rascunho malfeito. Sorry.

Segunda chance


Terra em transe foi o primeiro filme da nossa lista que abandonei deliberadamente. Geralmente, assisto aos filmes de madrugada, no único horário que me resta, depois de um dia cansativo de trabalho. E este, definitivamente, não pode ser visto desta forma. Tem que ter foco. Pois bem: deixei a preguiça (e a má-vontade) de lado e, finalmente, parei para prestar atenção na história. E sabe que nem achei tão ruim desta vez?

Tá, não sou hipócrita de reverenciar clássicos só pra dizer que não gostei. Mas a trama política, contada de maneira mezzo realista mezzo alegórica, conseguiu chamar minha atenção. Claro que o filme não é só isso. No conteúdo, ele é político, mas na forma é poesia. Ou você achou aleatórias todas as citações explícitas a essa forma de arte durante o longa? "O país precisa de poetas. Os bons poetas, revolucionários, como aqueles românticos do passado" é uma delas. Mas outra boa também é: "A política e a poesia são demais para um só homem". Será? Pois, para mim, Terra em transe é o modo que Glauber Rocha encontrou para dizer justamente o contrário. 

Sim, as interpretações são teatrais. Sim, muitas falas são empostadas e não convencem. Sim, algumas cenas não estão ali para fazer sentido, mas para provocar sensações. Mas o filme faz você pensar. As referências religiosas a todo momento também não são gratuitas. As marcas da ditadura não foram esquecidas. O jogo de interesses é escancarado. Impressionante a disparidade entre o discurso e a ação: enquanto vemos os políticos falarem para o povo e "em nome do povo", o povo mesmo continua miserável. "Já pensaram Jerônimo no poder?".

Quer outro motivo para gostar do filme? Pois ele tem nome e sobrenome: Paulo Autran. Vê-lo em cena já justifica todo o resto, ainda mais ao lado de Paulo Gracindo, Francisco Milani, Flávio Migliaccio e tantos outros. Tá vendo só? Eu podia ter perdido isso.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Uma família... esquisita

Como água e óleo: papai Tenenbaum e os filhos gênios crescidos

Ah, mas qual família é normal? Que atire a primeira pedra se você não tem um tio/primo que bebe todas e paga mico em festinhas de aniversário, se não tem um parente que não quer ver o outro nem pintado de ouro ou qualquer outra confusão do gênero. Ninguém é lá muito normal, então não dá pra querer que uma família inteira seja normal.

E vendo os Tenenbaums assim, tão de pertinho, a gente começa a relativizar as coisas: as vezes me pareço com a Margot (Gwyneth Paltrow), calada e incompreendida, às vezes com Ritchie (Luke Wilson, ótimo), frustrado por não poder declarar seu amor, ou ainda como o próprio Royal (Gene Hackman, maravilhoso): de saco cheio de tudo, quer largar tudo pra lá - mas não consegue se desvincular da família.

Acho que essa é a grande sacada de Os excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001): você acaba se identificando com as personagens, mesmo que ache tudo uma grande loucura. É um barato acompanhar a história deles, descobrir o porque de seus traumas, suas dores, vê-los se reunindo, se reencontrando. Coisas hilárias e tristes, tão incomuns que só poderiam realemente existir num roteiro de filme, mas que soam naturais e plausíveis. E ainda dá par se encontrar em cada um dos personagens, inclusive no hilário, esquisitíssimo e obscuro Pagoda (Kumar Pallana) que é fidelíssimo amigo de Royal, mas não pensa duas vezes antes de esfaquear novamente (!) seu patrão.

Lições que se aprendem em família: amor, respeito, subversão às regras

Antes de assistir Tenenbaums para o blog, já havia tentado em outras duas oportunidades, mas nunca havia conseguido ver o filme até o fim. E minha lembrança mais hilária e antiga é de uma festa à fantasia que fui: lá havi um sujeito vestido de Richie Tenenbaum, com raquete de tênis, óculos escuros e paletó marrom. Lembro de ter identificado na hora o personagem e, quando me perguntaram "mas quem é? e de que filme ele é?", eu pensei "puxa, queria saber mais do filme e do personagem". Falei o que sabia, o nome e de qual filme, mas fui muito genérica. Quase um crime, por ser uma família tão singular e um filme tão interessante. Ainda bem que sempre há tempo para se reparar os erros cometidos em uma vida inteira. Lição aprendida com Royal Tenenbaum.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amor até debaixo d'água


Francês, preto e branco, falado, mas com jeitinho de filme mudo. O atalante tinha os ingredientes perfeitos para ser chamado de "bonitinho neste texto". Mas... não me agradou. Para vocês terem uma ideia, eu fiquei contando os minutos (foram 85!) até o final. É romântico e tem personagens secundários carismáticos e divertidos, mas nem assim despertou meu interesse. Será que eu estou ficando insensível?

A trama é bem simples, devagar até, e o que chama atenção é mesmo a personalidade das pessoas. A apaixonada e recém-casada Juliette (Dita Parlo) não é do tipo de mocinha que espera, mas faz acontecer. Entediada com a vida nova (alguém me explica como alguém pode ter uma lua de mel feliz naquelas condições?), ela busca novos horizontes. Moderna ela. Mas quem se destaca mesmo é Michel Simon, na pele de Jules, que diverte com seu jeitão diferente.


Mas o mais bonitinho pra mim (taí o que vocês queriam!) é Jean (Jean Dasté) sofrendo por amor, em especial quando ele se joga no mar, deprimido com a falta da amada e, subitamente, tem uma visão. Lembram de quando ela havia feito uma brincadeira semelhante com ele? Achei simpático. E só.

Avacalha e se esculhamba!

Quando ouvir dizer que o filme de cinema intitulado O Bandido da Luz Vermelha é livremente inspirado na vida do bandido real de mesmo nome, lembre-se: a ênfase está no livremente! A vida da versão cinematográfica é bem mais curta que a de seu inspirador, mas é tempo suficiente para contar muita coisa.

Enquanto comete seus crimes, com muito estilo (conversa com as vítimas quando está afim, elimina sem pensar duas vezes, elabora grandes fugas, sem falar no visual bang-bang de sua máscara) a polícia, a mídia e a sociedade faz um estardalhaço. 

Policiais e investigadores buscam qualquer pista. Jornalistas inventam nomes, publicam qualquer história, ou mesmo mero rumor relacionado a ele. Entre os civis, de pessoas comuns a candidatos a cargos políticos, muitos afirmam saber a real identidade do bandido. E "Luz" (um de seus muitos nomes) continua apenas vivendo sua vidinha. O "inha" é para reforçar a mediocridade de sua existência, apontada por ele mesmo repetidamente, durante todo o longa.

O cenário, um Brasil nos anos 60 muito mais movimentado que eu esperava ver no longa. Movimentos políticos, especulações, drogas, bandidos a solta e até bolas luminosas no céu, tudo devidamente exposto de forma empolgante pela narração. E como este filme tem narração! Além dos devaneios do bandido vivido por Paulo Vilaça, um programa de rádio pseudo-jornalístico nos acompanha durante toda a projeção. Apresentado por um casal, as notícias são enfatizadas pelo revezamento (!?) das vozes masculina e feminina, que dividem não apenas notícias, mas frases e até palavras.

Impossível não mencionar a narrativa, completamente desconstruida, ousada e cheia de recursos como a própria narração constante os letreiros luminosos. 1968? Foi mesmo feito naquela época?

Para o Bandido, a situação começa a mudar quando uma amante entra em cena. Rejeitada e a procura de vingança, Janete Jane acaba descobrindo seu segredo e espalhando aos sete ventos. E mesmo tendo acertado as contas com a moça (mais uma execução fria), ele até que gostou da possibilidade de receber alguma atenção. Mas nem isso, afinal ele era um boçal!

Não gosto da idéia de que "a pessoa é para o que nasce", parece um jeito bonito de afirmar a existência do destino. Entretanto pode ser verdade, se a pessoa acredita. Jorge, o bandido da luz vermelha acreditava, que não servia para nada (nem para se matar), e foi assim que levou sua vida. Sem perspectivas de vida não dava valor a nada, nem ninguém e acreditava que não poderia mudar nada. E quando não podemos fazer nada, agente se avacalha e se esculhamba.

Para a blogueira que vos escreve restaram uma boa primeira impressão do cinema marginal e algumas perguntas a serem solucionadas: Janete Jane só tinha uma roupa? Quando pararam de vender espígas de milho no cinema? Os binóculos eram 3D? Eram as bolas luminosas discos voadores? E finalmente, porque tentar se matar com tinta óleo se você tem uma arma? Não creio que consiga as respostas, mas não custa perguntar.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Impassível, nunca!

Desde o início dos tempos a história é tradicionalmente contada pelos vencedores. Na Guerra Civíl estadunidense o sul escravagista perdeu. Aprendemos isto logo na primeira semana de vida deste blog quando  E o Vento Levou foi o filme da semana. Logo é de se admirar que O Nascimento de uma Nação, tenha resistido ao tempo, ou melhor que tenha sido produzido. Mais espantoso ainda, que seja uma superprodução de 3 horas feita em 1915 (!), quando o cinema ainda engatinhava e a maioria dos filmes não passava de 60 minutos de duração.

É um filme raro (precisei de meses para encontrar uma cópia, está aí o motivo de meu atraso), mesmo em canais especializados em clássicos ele é pouco exibido. Provavelmente porque seu conteúdo polêmico não agrada a grande maioria. Some o fato que moramos no Brasil, e que o pouco que conhecemos deste conflito vem de aulas de história, em que cochilávamos, e de filmes e programas de TV feitos por nossos colegas do norte. Empatia? Já esperava sua ausência.

Aula de história segundo D. W. Griffith: Duas famílias amigas, uma do norte outra do sul, convivem amigavelmente e até ensaiam alguns relacionamentos amorosos entre seus filhos. Começa a guerra civil, aqui a principal causa da discórdia seria a libertação dos negros. Cada família une forças aos respectivos exércitos.  Embora hajam baixas de ambos os lados, o sul é que sofre mais, tem suas casas invadidas, seus valiosos pertences e conforto perdidos, e ainda perdem a guerra!

A cavalaria salva a pátria!
Ao fim da guerra Abraham Lincoln é assassinado no Teatro Ford, deixando a tarefa de reconstruir o sul para Austin Stoneman. Durante a reconstrução negros além de livres, ganham voz e voto. Conquistam lugares na Assembléia Legislativa, mesmo não tendo capacidade e postura para tal, comem, fazem balbúrdia e até tiram os sapatos durante as seções. Indignado Ben Cameron, filho mais velho da "sofrida" família sulista, noivo da filha de Stoneman, tem a brilhante idéia de criar uma força para libertar os brancos da anarquia negra. Nasce a Ku Klux Klan, e morre o romance com a moça abolicionista.

A guerra recomeça de verdade quando um negro, que tem atração por brancas,  persegue a irmazinha de Cameron até a pobre menina despencar do penhasco tentando evitar seu inusitado pretendente. Aí, vem a justiça pelas mãos da Ku Klux Klan, e a retaliação dos negros que inclui um motim, e o cativeiro de Stoneman e sua filha. Heroicamente salvos pelos cavaleiros brancos encapuzados. Estes também retomam a cidade, libertam os brancos, e desarmam os perigosos negros sem baixas em nenhum dos lados. Ufa! Muita história para justificar os longos 187 minutos do 1º longuíssima metragem da história.

Por onde começar? Os absurdos estão por toda a parte.
Pelo ponto de vista, claro! O sul escravagista está correto e foi muito, muito injusto sacrificarem seus filhos e conforto, pela liberdade dos negros. Dá para ser mais racista? 

E a Ku Klux Klan? Que nobre, nasceu para defender os fracos e oprimidos. E como podemos ver pela única morte de um negro, devidademente condenado (mas, não necessariamente culpado, por um júri por assassinato, a organização nunca foi cruel ou injusta ao praticar a justiça. Sei...

E a irmãzinha, que mesmo sabendo que não devia sair sozinha, foi passear. Quando a encrenca apareceu, reagiu como uma exemplar mocinha de filmes, escolhendo a pior opção para se safar. Uma floresta inteira para correr, alguns segundos de vantagem na corrida e ainda assim, ela escolhe pular do penhasco à ser tocada por um negro. Muito inteligênte! Morreu e condenou não apenas um homem a morte, mas uma cidade inteira a mais uma guerra e toda uma etnia a segregação por décadas.

O roteiro é sem dúvida detestável! Mas aí percebemos, o pioneirismo do longa, o trabalho que foi preciso para realiza-lo. E que por mais que as longas cenas de batalha em campo aberto sejam lentas e confusas (de verdade, eu só entendia o que aconteceu depois que aparecia a cartela), é difícil abandonar o filme. Ou seja, é uma péssima história muito bem contada!

Não faço idéia de como aconteceu, mas eu gostei, e odiei o filme, necessariamente ao mesmo tempo. É um bom filme, mas a história é um nojo. Como é possível? Ainda não descobri. Mas uma certeza ficou: O Nascimento de uma Nação é assim, amar ou odiar (ou os dois), mas ficar impassível, nunca!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Se não aguenta, bebe leite...

Não podíamos passar sem um filme de Clint Eastwood, certo?

"Sim, estremeci quando vi que haveria um filme de faroeste na lista. Não gosto desse tipo de filme porque sempre durmo com as paisagens áridas do interior dos Estados Unidos (que, perdoem-me a ignorância, mas me parecem todas iguais) e acordo assustada com os tiros dos duelos. E sempre os caubóis são carrancudos e bêbados, machões que cospem no chão e atiram mais rápido do que o reflexo do inimigo. Bah!

Mas... Que grata surpresa esse "Os imperdoáveis" (The Unforgiven,1991). Ninguém pode passar indiferente pelos sentimentos do caubói aposentado. O que se faz quando já não se é mais tão jovem para continuar arrumando briga em cada bar e os reflexos estão ficando mais lentos? Ou, como acontece com William Munny, quando se apaixona incorrigivelmente e se torna, com o tempo, um senhor com dois filhos pra criar? A vida no Velho Oeste não é mole não.

Little Whiskey: nem pense que lá é terra de ninguém

E também não acredite em quem diz que lá é uma terra-de-ninguém. Não vá pensando que você pode fazer tudo, inclusive retalhar o rosto de uma prostituta, que vai sair impune. Lá em Big Whiskey quem manda é Little Bill (Gene Hackman, soberbo), o xerife. E não tem English Bob (Richard Harris, em participação pequena - mas brilha em cada minuto em cena) que o faça perder o controle da situação. Em terra onde todo mundo quer cantar de galo, quem não fica atento perde o posto. E Little Bil não é o tipo de cara que gosta de perder..."

Isso é o que eu havia escrito logo após ter assistido ao filme, mas não tive tempo de terminar o texto e publicá-lo aqui. Já faz um tempinho que vi o filme (foi durante a semana em que o filme estava em cartaz no blog, só não tive tempo hábil de postar naquela época), porém a lembrança veio nítida aos primeiros toques do teclado quando vim escrever este post. Lembro de ter gostado do filme, apesar de achar um tanto lento. Mas confesso que não foi o suficiente para tirar minha "aversão" aos faroestes. Foi válido por ser o meu primeiro filme no Velho Oeste e por eu entender porque as pessoas aclamam tanto Clint Eastwood: ele é perfeito para o papel, taciturno, durão, boa gente, perigoso. Uma agradável experiência desse ano no blog.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Zerando a lista

Conferindo a lista!
Fim de ano, época de pagar dívidas. O desafio das três blogueiras era assistir a 50 filmes em um ano, mas algumas semanas são mais corridas que as outras, e alguns filmes ficaram pelo caminho... Então, vamos correr atrás do tempo perdido! Durante esta semana, cada blogueira vai ter a oportunidade de zerar sua lista particular. Sabem como é, dizem que deixar algo inacabado acumula energia ruim... :) 

No último dia de 2010, vamos fazer um balanço dessa verdadeira maratona cinematográfica. Mas não precisam se preocupar, ano que vem tem mais! Estamos preparando algumas novidades, mas sugestões são sempre bem-vindas. Fiquem à vontade para deixar suas opiniões aqui nos comentários, no formulário de contato, no nosso Twitter e na nossa página no Facebook.

Obrigada a todos pelas visitas, pelos comentários, pelas sugestões, pelas críticas. Ficamos muito felizes de dividir este espaço despretensioso com quem gosta de cinema. Que venha 2011!


sábado, 25 de dezembro de 2010

Quer que desenhe?


Ok, você viu e reviu o filme, leu todos os textos do blog (e da internet inteira) ainda não entendeu 2001: Uma odisseia no espaço. Não se sinta só! Milhões de espectadores ao redor do mundo ainda se perguntam sobre as questões levantadas pelo filme e são inúmeras teorias sobre o que Stanley Kubrick quis dizer com isso ou aquilo. Afinal, como disse o próprio diretor: "Todos são livres para especular à vontade sobre o significado filosófico e alegórico de 2001". 

Já que é assim, deixo com vocês uma animação que pretende explicar o filme. Se explica eu não sei, mas, sem dúvida, é uma tentativa interessante. É só visitar o site www.kubrick2001.com (tem uma versão em português). Boa viagem!

O Legado de HAL

O grande vilão de 2001: Uma Odisséia no Espaço é HAL 9000, Heuristically programmed ALgorithmic computer, em tradução livre Computador Algorítmico Heurísticamente Programado. Uma inteligência artificial avançada, instalada a bordo da nave Discovery capaz de falar naturalmente, realizar reconhecimento facial e vocálico, fazer leitura labial, apreciar manifestações artísticas, interpretar emoções, raciocinar, expressar emoções e jogar xadrez.

Cheio de vontade própria, HAL toma o controle da nave, e não mede esforços para garantir sua sobrevivência. Desde então várias máquinas semelhantes surgiram, assim como HAL, alguns resolveram ignorar as leis da robótica* e se amotinar contra os humanos. Pensando bem, computadores e robôs não são exatamente a mesma coisa, vai ver resolveram que as leis não se aplicavam a eles, mas isso é outra história....

A Super Maquina
K.I.T.T, era um dos bonzinhos, a principal arma do mocinho contra o crime. O Carrão teve duas encarnações na TV, 4 temporadas de 1982 a 1986, e em 2008 um "remake" de apenas uma temporada. Originalmente um Pontiac Firebird Trans-Am computadorizado e com uma liga molecular que o torna indestrutível, a prova de fogo e balas, além de dotado do computador K.I.T.T. (Knight Industries Two Thousand ou Indústrias Knight 2000 em português), que comanda todas as funções do carro, e que ainda fala. Na versão do século XXI, K.I.T.T. se tornou um Ford Mustang Shelby GT500 KR.


Auto Pilot (WALL-E)
O co-piloto foi criado para facilitar a vida do piloto da Axion, nave para onde a humanidade fugiu até que a Terra fosse habitável novamente, após termos poluido tudo. Mas a exemplo de HALL, ela decidiu que os homens não eram capazes de cuidar de si mesmos, e que estariam mais seguros na Axion. Então o robô em forma de leme de navio ocultou a "cura" da terra por décadas, até WALL-E e EVA revelarem toda a verdade. Referência clara a 2001, Auto faz uma bela homenagem ao clássico da ficção ciêntífica, neste longa de 2008 que também é uma obra prima.

Frank (Tempos Modernos - novela)
Quem disse que a dramaturgia nacional não tem ficção científica? Frank era o cérebro por traz do mais moderno prédio brasuca, o Titã. Outra referência clara ao longa de Kubrick, apesar de trazer inovação para as novelas nacionais, a trama de Bosco Brasil não agradou. A novela exibida em 2010 teve a menor audiência no horário das sete em anos. E Frank era considerado um fofoqueiro pelos outros personagens. Até blog ele tinha, assitam sua auto-apresentação postada em seu blog.


Lembrou de mais alguma inteligência avançada das telas? Comente!

*As Três Leis da Robótica são leis elaboradas pelo escritor Isaac Asimov em seu livro de ficção I, Robot (Eu, Robô) para regularmentar o comportamento dos robôs e evitar que coloquem os humanos em perigo.
1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Viagem no tempo e no espaço

Desde os primórdios até hoje em dia o homem ainda faz o que o macaco fazia. Eu não trabalhava, eu não sabia, o homem criava e também destruía

Eu ia começar este post com uma citação de Arthur C. Clarke, mas subitamente a música dos Titãs me veio à cabeça. E não é que encaixou direitinho? Antes de tudo, deixa só eu dizer que não tenho a menor pretensão de dizer que entendi 2001: Uma odisseia no espaço. De curiosidade, li alguns textos na internet com teorias interessantes sobre o filme (considerado a obra-prima de Kubrick), mas eu não tenho cacife pra isso. Quem faz isso são fãs que assistiram ao longa repetidamente, em alta definição, dublado, legendado, de cabeça pra baixo. Calma lá, eu estou chegando agora. Confesso que dá uma certa vontade de ir mais fundo, de achar algumas respostas para as milhares de perguntas que a obra desperta. Coisa de nerd? Pode ser. Mas os clássicos têm esse poder.

Quando avisei aos amigos que esse era o filme da semana, alguns disseram que eu ia pegar no sono. Mas não foi isso que aconteceu. Tá, a história é devagar (literalmente, já que muitas cenas são em câmera lenta) e quase não tem diálogos. Sem falar que algumas sequências, em especial as do capítulo final, são uma grande viagem. Mas em grande parte da projeção eu fiquei foi de boca aberta com os estupendos efeitos visuais (sem computador, dá pra imaginar?) e com a sensacional trilha sonora: disso ninguém pode reclamar. Quanto à trama propriamente dita, não dá para negar que é a gênese de uma discussão que perdura até hoje, a do homem versus máquina, que já gerou zilhões de livros e filmes de ficção científica. Uns brilhantes, outros medíocres. A questão é que já estamos em 2010 (quase 2011!) e ainda não temos respostas satisfatórias e/ou definitivas para o problema. Já disse aqui que sci-fi não é muito a minha praia. E mesmo não sendo especialista no gênero, consigo lembrar de relance de infinitos filmes claramente inspirados neste, não necessariamente com o mesmo requinte visual, diga-se de passagem (sério, é tão bacana que me lembrou por que eu queria ser astronauta quando crescesse). Impossível ficar indiferente a uma obra dessas - e estamos em 1968. 

Para mim, a parte mais assustadora do filme é o capítulo 3, onde entra em cena o computador HAL, bem-sucedida realização do antigo sonho humano de criar a inteligência artificial. Juro, não sei por que tamanha obsessão. Ou sou só eu que tenho calafrios toda vez que ouço um ser inanimado reproduzindo emoções humanas? Alguém duvidava que um computador que diz "eu imagino", "eu creio", "eu qualquer coisa" pudesse se tornar uma ameaça? Tenso. Até agora não consegui me decidir se a falha foi realmente um bug no sistema ou o primeiro indício de um plano maligno. Sei não, de segundas intenções o mundo já está cheio... de seres humanos.

Fora isso, o filme é metáfora pura. Desde a repetição de ciclos (o macaco e o homem, em épocas muito distantes, igualmente fascinados pelo monolito, que representa o desconhecido) até a conclusão de que as ferramentas descobertas pelos nossos ancestrais e as desenvolvidas por nós podem servir para o bem ou para o mal. Claro que tem muita coisa aí que diz respeito a alienígenas, seres superiores, vida após a morte, corpo, espírito, outras dimensões e o que mais vocês quiserem colocar em jogo. Não sei se concordo com tudo, acho que tenho o direito a ter dúvidas. Não acho que existam respostas prontas. Mas uma das teorias que me chamou a atenção é a de que o filme mostra que o homem, apesar de toda sua evolução tecnológica, ainda é uma criança no espaço. Na nave, os astronautas precisam reaprender a andar, a comer, até a ir ao banheiro (gravidade zero, lembram?). Só agora me dei conta: então a starchild, aquele bebê medonho que aparece no fim, não representaria nossa inexperiência diante deste vasto universo? Olhem bem as fotos abaixo. Será que qualquer semelhança é mera coincidência?



P.S. 1: Adoro quando um filme dá pano pra manga... Quem disse que cinema não faz pensar? Gostei tanto desse texto, do blog Saindo da Matrix, que resolvi linká-lo. Coisa de fã apaixonado mesmo, traz uns pontos interessantes sobre o filme.

P.S. 2: Feliz Natal pra todo mundo! :)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

2001: versão estendida!?

Coincidência, ou não esta semana foi anunciada da descoberta de 17 minutos de 2001: Uma Odisséia no Espaço que foram deixados de fora da versão final de Stanley Kubrick.

Enterrados em um cofre de sal (provavelmente para proteger a pelicula (no Kansas), os rolos foram descobertos por Douglas Trumbull e David Larson, enquanto procuravam por material para seu documentário sobre o longa. Os 17 minutos já editados estavam presentes na pré-estréia em 2 de abril de 1968, mas o diretor resolveu corta-las para a estreia oficial no dia 6 de abril, do mesmo ano.

Segundo a Warner a descoberta não era um segredo para o estúdio: "As filmagens adicionais de 2001 sempre estiveram nos cofres da Warner Bros. Quando o diretor Stanley Kubrick tirou os 17 minutos do filme depois de seu lançamento, ele deixou claro que a versão mais curta era sua montagem final. O filme existe hoje como Kubrick quis que fosse apresentado e a Warner Home Video não tem planos para estender ou revisar essa visão”

Quanto ao documentário de Trumbull e Larson, 2001: Behind the Infinite - The Making of a Masterpiece, foi cancelado pelo estúdio. O material coletado pelos dois será aproveitado em um livro.


Fonte: Omelete

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Filme para pensar (e muito!)

Sabe aquelas cenas onde vemos uma pessoa parada em um museu, paredes e pisos claros, observando por horas a fio um único quadro? Pouca coisa muda enquanto ele observa, embora sua mente explore as possibilidades de cada pincelada. Um número menor ainda faz sentido, mas o espectador não consegue desviar o olhar, sua mente está completamente presa ao que acontece naquela moldura. É essa a sensação ao se assistir 2001: Uma Odisséia no Espaço. E as razões para tal reação são muitas.

1968. 4 décadas! E ainda assim, o universo é de um realismo de tirar o fôlego. Além de extremamente belo, um presente para os olhos. Os cenários não ficam atráz, do hostil deserto pré-histórico, as naves minimalistas, andar nas paredes, economia de espaço, além de parecer muito divertido e futurista.

Difícil acreditar que a música não foi composta para ele, tamanha a perfeição com que imagem se som se completam, e a grandiosidade do resultado. A ponto de atualmente ser difícil separa-las. Toquem  Atmospheres composta por György Ligeti em 1961 para qualquer um que conheça um pouco se quer de cinema e este vai te dizer: é a musica de Uma Odisséia no espaço.

Então, conhecemos nossa aurora. Como descobrimos as ferramentas, deixamos de ser caça e nos tornamos caçadores, começamos a comer carne. Tem o monolito, e evoluímos. Evoluímos, até 2001. Passado para nós, mas futuro distante e cheio de possibilidades para as pessoas de 1968, em plena corrida espacial. No ano seguinte chegamos a lua, ou a um deserto estadunidense qualquer, mas isso é outra história.

Hall o primeiro PC amotinado dos cinemas!
Em 2001, viagens espaciais são rotineiras. Refeições em caixas de suco, ligações telefônicas com imagens (ei, realmente temos algo parecido com isso!), a "espaçomoça" pode elegantemente andar pelas paredes da nave. E tem o monolito. Meses mais tarde, uma missão super secreta. 6 tripulantes, 3 em hibernação, piloto, co-piloto e Hal, um computador que pode pensar e sentir como nós. Foi a primeira vez que aprendemos que dar poderes a objetos e máquinas em geral pode ser catastrófico.

Hal, apresenta defeitos, e fica bastante chateado quando seus colegas humanos resolvem desliga-lo. Onipresente e onipotente, ele resolve lutar para sobreviver. Um motim/extermínio depois, Kubrick nos mostra como somos indefesos na grandiosidade do universo. Solidão ao fim da missão, cenas oníricas que dão um vislumbre da solitária vida do único astronauta sobrevivente, Dave. Envelhecer e morrer sozinho, quem não teme isso? E para finalizar monolito! Seguido do renascimento, do que não tenho muita certeza, mas tudo bem!

O ritmo é lento contemplativo. Ação? Nem quando Dave precisa fazer uma manobra arriscada para voltar a nave. Uma cena de impacto, completamente em silêncio. Normalmente ouviríamos um estrondo, um baque, mas Kubrick sabia que o som não se propaga no vácuo. Os cineastas que se seguiram é que parecem ter esquecido e nos brindaram com espetaculares explosões barulhentas no espaco.

O Monolito: intrigante do início ao fim dos tempos!
Kubrick usa a maior passagem temporal já vista nas telas, da "pré-pré-história" até (pasmem!) nosso tempo, para nos contar uma história, que não nos conta quase nada. Entretanto abre diversos caminhos para que nós mesmos nos contemos a hiatória. Me avise se eu não estiver fazendo sentido algum!

Sinceramente, não achei que depois de dezenas de filmes o ultimo seria o mais difícil de resenhar. São tantas possibilidades de interpretação para o longa, que confesso: fiquei meio perdida, mas adorei a sensação de desorientação. E pensando melhor, é muito provavel que o objetivo fosse a busca pelo sentido, e não a explicação em si.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Que viagem!

O futuro já chegou!

Eu nunca soube o que esperar de 2001 - Uma odisséia no espaço (2001: A space odissey, 1968). Sabia que era clássico, supercultuado, obra-prima de Stanley Kubrick (há quem diga que seja Laranja mecânica, mas não vou entrar na briga). O fato é que eu sabia de três coisas: era filme do Kubrick, tinha uma cena com macacos que se tornou antológica e o enredo tinha a ver com o espaço. Perdoem minha ignorância, mas era tudo o que eu sabia. E no fim, acabou sendo melhor assim. Fiquei intrigada do início ao fim, sempre querendo saber o que ia acontecer. O ritmo lento em que o filme é narrado dá margem para milhões de especulações da nossa imaginação. Depois que você se acostuma, não dá mais pra largar o filme. Muito bom isso. Acompanhamos a história da humanidade mesmo antes dela existir. Vemos como nossos ancestrais primatas sobreviveram na nossa terra: quem vence o medo (no caso dos macacos, o estranhíssimo monolito preto), conquista; o mais forte vence. Até hoje somos impulsionados por isso, por causa dessa influência que surgiram todos os avanços tecnológicos. Observação importante, será que isso sugere que, se não houvesse uma influência extraterrena, nós continuaríamos a ser como os primatas? Hum...

Salto para o futuro, estamos em 2001 e viagens espaciais são uma realidade. Ok, lembremos que o filme é de 1968, portanto 2001 era "o" futuro. Um monolito parecido (igual? o mesmo?) fora encontrado na Lua. Ao se aproximarem, o extranho objeto emite uma onda radiofônica que vai até Júpiter. Novo corte e agora estamos em outra nave, seguindo para o planeta gigante, em busca de respostas. lá conhecemos a tripulação: 3 cientistas em estado de hibernação, 2 tripulantes e ele, Hal 9000 - o supercomputador com inteligência (e emoções?) humana, que controla toda a vida e operações na nave.

Já dá pra perceber quem vai ser o vilão. Essa história de "máquinas superinteligentes tomando o controle" já está meio "batida", mas para a época deve ter sido bastante inusitada. Mesmo assim, fico querendo saber qual encrenca Hal vai arrumar para os tripulantes. A tensão aumenta quando o computador, que nunca falha, sugere um problema em um equipamento externo e depois se comprova que não havia problema algum. O que fazer nessa situação? Estaria a máquina jogando com os tripulantes, assim como no jogo de xadrez?

Hal 9000: errar é somente humano?

Sim, meus caros amigos... A máquina tava surtando. E ainda ficou magoada ao perceber o plano dos amigos de desligá-la (mesmo sem ouvir o que diziam, Hal conseguiu fazer leitura labial). Agonia absoluta, desespero total: você sozinho no espaço, dependendo de uma máquina que não quer abrir a porta pra você? Pois é. Kubrik consegue passar com maestria a sensação de desamparo, de solidão, de nossa fragilidade diante da grandeza do universo. Imagens lindas, únicas, takes incríveis (acompanhar o astronauta fazendo jogging pelas paredes da nave é quase mágico), um enredo intrigante, um vilão invisível: tudo isso bem amarradinho e muito inteligentemente dirigido. Minha expectativa com o filme só aumenta, já estava esperando um final, no mínimo, memorável. Porém...

Aos 47 do segundo tempo, já na prorrogação, o filme decepciona. Bom, pelo menos a mim decepcionou. Tudo bem, nem tudo precisa ter início meio e fim. Mas pelo menos é preciso um propósito para a reflexão. Acompanhamos a viagem quase lisérgica do único tripulante vivo até Júpiter (bom, pelo menos eu entendi que ele sobreviveu e, depois de religar Hal, seguiram viagem até lá). Depois de vários minutos olhando para a tela colorida, paisagens infinitas, chegamos a um quarto (!) em estilo vitoriano (!!), onde nosso astronauta entra com nave e tudo (!!!). Aos poucos ele se descobre vivendo naquele ambiente, cada vez mais velho até que chega a sua hora: o mesmo monolito que apareceu para os macacos e reapareceu na Lua, agora está ao pé de sua cama. Ele é envolto em uma bola de luz e volta a ter forma de feto (um feto bem alienígena, diga-se. Volto a me perguntar, estaria o diretor tentando nos dizer que somos meio extraterrenos?). Este feto olha, sonhadoramente para a nossa Terra. E fim.

Desculpa, mas o final não desceu. Talvez seja culpa do calor, me influenciando com mau humor e pouca paciência, mas não consegui "pescar" o que ele quis dizer com isso. Não tiro mérito nenhum do filme, nem do diretor, nem dos efeitos muito menos da trilha sonora (que é marcante, determinante e smoe na hora exata, deixando um vazio, um silêncio medonho). Gostei, e muito, do filme. Só o final me desapontou.

Uma experiência muito interessante, menos um filme na minha lista de "filmes clássicos que eu tenho que ver" e um ótimo jeito de fechar este primeiro ano do blog. Que venha 2011!

Tim Burton desvenda o enigma de Kubrick

Décadas após ser lançado, depois de muitas análises de fãs e estudiosos, alguém finalmente desvendou o mistério em torno do monolito de 2001: Uma odisséia no espaço.


A cena é de A Fantástica fábrica de chocolate (Charlie and the chocolate factory, de 2005) de Tim Burton. Uma das invenções de Willy Wonka (Johnny Depp), envia doces como sinais de satélite para sua TV, e coloca uma deliciosa barra de chocolate Wonka no lugar da misteriosa estrutura geológica. 

Além de uma divertida homenagem, a cena pode instigar a curiosidade das novas gerações e, consequentemente, apresentar a elas o clássico. Além de ser uma ótima oportunidade de mencionar aqui no DVD, Sofá e Pipoca, a dobradinha cinematografica favorita das blogueiras que aqui escrevem: Tim Burton e Johnny Depp. Infelizmente não tinha longa deles na lista.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Curiosidades da Odisséia

 2001: Uma Odisséia no Espaço tem 139 minutos de duração, deles apenas 40 minutos tem diálogos.

Kubrick
Baseado em duas obras de Arthur C. Clarke, The Sentinel2001: A Space Odyssey, esta última escrita simultaneamente com as filmagens. Kubrick e Clarke desenvolveram simultaneamente a história de 2001. Enquanto o diretor trabalhava em cima do roteiro, o autor escrevia o livro, a troca de idéias e opiniões durante o trabalho era constante. Clark tinha a intenção de colocar Kubrik como co-autor da história ao lançar o livro, mas o diretor não autorizou a utilização de seu nome

Posteriormente foi lançado o livro Mundos Perdidos de 2001 (The Lost Worlds of 2001), no qual Clarke conta a história do filme, a do livro e outras inéditas. O autor escreveu três outras obras baseadas no livro/roteiro original, como forma de sequência: 2010: Uma Odisséia no Espaço II, 2061: Uma Odisséia no Espaço III e 3001: A Odisséia Final.

Arthur C. Clark
Kubrick jura que é apenas coincidência, mas o nome do computador HAL parece ser uma referência indirecta à IBM, gigante do ramo de computação. Cada letra de HAL é exactamente uma anterior, em relação ao alfabeto, às letras de IBM. No livro Odisseia II, Clark coloca nas palavras do personagem Chandra que HAL significa Heuristical ALgorithm.

Douglas Rain, intérprete da voz do computador HAL, não chegou a ir aos sets de filmagem um único dia sequer.

O filme custou cerca de dez milhões de dólares, tendo arrecadado mais de 190 milhões de dólares em todo o mundo.

Kubrick pediu a seu colaborador em Spartacus, Alex North, para compor a trilha sonora para 2001. Depois de escutar o resultado, o director não ficou satisfeito e optou pela música clássica para dar vida às cenas no espaço. North só soube que sua trilha sonora tinha sido removida no dia da estréia do filme, ficando furioso. Posteriormente a trilha composta por North foi lançada em CD com o título Alex North's 2001.


Seguido por 2010 - O Ano em que Faremos Contato (2010: The Year We Make Contact - 1984). Baseado na seqüência de Arthur C. Clarck publicada 1982. Popularmente conhecido como Odisséia 2, foi dirigido por Peter Hyams e não conseguiu o mesmo impacto do original.
Foi o primeiro longa exibido na Rede Globo no ano de 2001, logo após a transmissão da "virada". Poético isso, não?!

Prêmios
Oscar

  • Melhores Efeitos especiais

Inicado para Melhor Diretor (Stanley Kubrick), Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Original

domingo, 19 de dezembro de 2010

2001: Uma Odisséia no Espaço

Uau! Chegamos ao filme nº 50!
Kubrick fecha com chave de ouro nossa própria odisséia cinematográfica.

2001: A Space Odyssey
1968 - EUA
149 min. - Colorido
Ficção ciêntífica

Direção: Stanley Kubrick

Roteiro: Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke

Com: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Leonard Rossiter, Margaret Tyrack, Robert Beatty, Sean Sullivan,) Douglas Rain, Daniel Richter.

Baseado nas obras de Arthur C. Clarke The Sentinel e 2001: A Space Odyssey, esta última escrita simultaneamente com as filmagens. Vencedor de 1 Oscar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Um retrato comovente da velhice


Num primeiro momento, o que mais me chamou a atenção em Era uma vez em Tóquio foi a formalidade das relações sociais. Tudo bem, a gente sabe que os japoneses prezam muito a disciplina e são conhecidos justamente pelas tradições. Mas, em um filme que trata do relacionamento entre os membros de uma família, não deixa de intrigar que, nem nas horas mais difíceis, as rígidas regras sejam afrouxadas. Sabe assim um aperto de mão? Muito improvável. Um abraço, então, nem pensar. Por isso mesmo, é curioso acompanhar os passos desse (fofo) casal de velhinhos que deixa sua pequena cidade natal para visitar os filhos e conhecer de perto a grandiosidade de Tóquio. 

O ritmo é bem lento, quase que no ritmo dos vovós. Os diálogos são os mais simples possíveis. As atuações, sempre comedidas (isso pra não dizer inflexíveis, já que, pra mim, todos têm o mesmo tom de voz e as mesmas expressões em todas as situações, o que me torna mais dependente das legendas do que nunca). Mas a história em si é comovente o bastante. Ou vai dizer que você também não teve vontade de xingar os filhos ingratos que estão sempre ocupados demais para dar atenção aos pobrezinhos? Não é absurdo alguém que nem é parente de sangue, a nora, ser a pessoa que tem mais consideração por eles? 

Se só isso já era o suficiente para o filme ser um bonito e triste retrato da velhice, o desfecho, então, é de uma melancolia profunda. Afinal, o final de todos nós é mais ou menos o mesmo, não é? Solidão é cruel demais em qualquer idade. Talvez a pior de todas as doenças.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Como viver uma vida feliz

Família reunida: um sonho realizado


Era um vez em Tóquio (Tokyo Story, 1953) é uma lição de vida. Sempre admirei a cultura japonesa, os modos extremamente educados e respeitosos dessa milenar cultura oriental. E não é porque os tempos são outros e a Tóquio moderna de hoje faz a Tóquio moderna do filme parecer uma cidade modesta, quase do interior, que esse costume mudou. Uma coisa que também percebi, uma curiosidade do filme, foram os atores descalços em cena. É um sabido costume japonês o ábito de retirar os sapatos dentro de casa, mas achei interessante e curioso ver tantos pés descalços em cena (a maioria das cenas tem uma casa como cenário).

O que vemos na tela emociona pela simplicidade com que o casal de isosos vê a vida. Nascidos no interior, levavam uma vida modesta. Sofreram a perda de um filho na guerra e, com o passar dos anos, seus filhos foram para Tóquio tentar uma vida melhor. Sentiam saudades, mas sabiam que não era possível vê-los com mais frequencia. Portanto, consideravam a viagem um grande evento - quando poderiam ver todos os filhos, que já não viam há anos, e conhecer a cidade grande. Aceitavam abrigo na casa dos filhos sem reclamar de nada, nem a pirraça dos netos, nem a impaciência da filha que pareceu não gostar muito de receber os pais em casa. Tocante a cena em que eles percebem que estão incomodando a filha e decidem arrumar outro local para dormir (ele vai para a casa de um amigo, ela para a casa da ex-nora, a mais dedicada e sinceramente feliz por recebê-los em casa).



As reflexões dos senhores bêbados, sobre como criaram seus filhos, sobre o que esperar deles, também me emocionou. Sempre tive o pensamento de filha, de querer ajudar, de não decepcionar. Ver que os pais realmente esperam muito de nós e que, no fundo, não querem esperar tanto, faz reavaliar nosso comportamento. O quanto somos bons e maus para eles, o quanto fazemos por eles (sem interesse, genuínamente para agradar e deixar as suas vidas um pouco mais felizes) e com eles, o mais importante. "Ninguém pode servir aos seus pais depois que estão mortos", um dos ditados que aparecem no filme (traduzido livremente: veja bem, assisti a um filme japonês com legendas em inglês!) é uma verdade cruel. Tanto que foi exposta no fim, quando a filha impaciente chora ao lado do corpo da mãe, se perguntando se não podia ter feito mais por ela. Realmente, ela podia.


Um filme simples, com uma mensagem linda, de amor à vida e aos valores familiares, que deve amolecer até os corações mais empedrados (se eles conseguirem suportar o ritmo lento, de contemplação mesmo, das tomadas). Talvez não seja um filme para ver e rever 10 vezes, mas, definitivamente, um filme que precisa ser visto ao menos uma vez na vida. Aprender a viver bem com os outros, respeitar seus limites, saber que um dia você também vai ficar velho e morrer. Será que você está aproveitando o melhor da vida? Ou vai ficar esperando uma oportunidade que talvez tenha passado e você não aproveitou? Profundas reflexões me aguardam, ainda mais nesta época de fim de ano...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Filme para contemplar!

Pai e Mãe em estado contemplativo!
Era uma vez um casal de idade avançada que vivia no interior, felizes e orgulhosos de seus filhos, que levavam uma vida bem sucedida em Tóquio. Depois de anos sem vê-los, o casal vai visita-los, e conhecer a cidade grande. Entretanto quando chegam lá a recepção não é aquela que esperavam, muito menos a que mereciam.

Atarefados com os afazeres e a rotina da cidade grande, os filhos não tem muito tempo para passar com os pais e não fazem esforço algum para encontrar esse tempo. Eles são sim ocupados, mas muito mais que suas tarefas é o egoísmo e a má vontade que os afasta de Pai e Mãe. Tratam os idosos como um fardo, algo no caminho atrapalhando a passagem.

Os netos, ainda crianças pirracentas e cheias de vontade, perpetuam o comportamento dos pais. Estes por sua vez parecem ter esquecido, que o tempo passa para todos. E que os filhos no futuro vão trata-los da mesma forma. Afinal, vivemos como nossos pais nos ensinam, na maioria das vezes.

Curiosamente, a nora do filho já falecido do casal, é a única que não mede esforços para agrada-los. Presa à memória do marido à anos, impossível saber se sua doçura e dedicação são parte de sua personalidade ou resultado de uma vida solitária. Não importa o motivo, pois ela trata bem o casal, e acaba se tornando o único alívio da viagem.

Não demora muito para o casal perceber o "jogo-de-empurra" que sua estadia em Tóquio se tornou. Por isso, resolvem voltar para casa, em seguida Mãe morre. Não posso evitar pensar que a doença que a levou fora o desgosto. E mesmo depois de perder a mãe e admitirem que deveriam ter dado mais atenção a ela, o comportamento dos filhos não muda muito. Enterram a senhora, pegam o que podem e voltam a suas vidas. Sem pestanejar, sem perceber o sofrimento do, agora, solitário pai.

1953, e o tema não poderia ser mais atual! Rotina, ela nos cega. Nos faz esquecer do que é importante, até que um acontecimento importante, e muitas vezes ruim a quebre e nos mostre o que perdemos. Mesmo assim, a maioria de nós não aprende com os erros rotineiros. Os maus tratos com os idosos, uma vergonha! Já era tema de filme à meio século e melhoramos muito pouco nosso comportamento em relação ao assunto.

Não vou negar, é um filme lento, muito lendo. As cenas são paradas, muitos diálogos, pouquíssima musica incindental, o que resulta em muitas cenas silenciosas. É um estilo completamente diferente do que estamos acostumados do lado de "cá" do globo. Um cinema sem pressa, delicado e contemplativo. Embora seja difícil se concentrar, o tom intimista e familiaridade com o tema nos mantem ligados e extremamente preocupados com Pai e Mãe. A propósito, ainda não sei direito os nomes dos personagens. E, mesmo que o soubesse, provavelmente não conseguiria soletra-lo. Gente é um filme Japonês!

Tratem bem os idosos, um dia você será um!
Falando em Japão, parte graça está em observar uma cultura tão distante. Melhor só se o longa fosse colorido. As roupas, as casas, as tradições, a forma de se movimentar (quando tiver, 68 quero joelhos como aqueles). O jeito de falar é o mais divertido, ritmo e entonação completamente diferentes, mas totalmente compreensíveis. Dr. Cal Lightman (de Lie To Me) deve estar certo, algumas coisas são universais.

Universais também, são as relações entre famílias, pais e filhos. E que não importam nossos méritos e qualidades, nossas escolhas mostram quem realmente somos. Então escolha tratar as pessoas como gostaria de ser tratado e descubra as coisas que realmente merecem sua atenção e dedicação.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Curiosidades de Era Uma Vez em Tóquio

Era Uma Vez em Tóquio, é de longe o filme mais dificil de encontrar em nossa lista. Ainda não está disponível em Blu-ray, ou mesmo em DVD. E apesar de estar em todas as listas de filmes obrigatórios, muito pouca informação sobre ele está disponível para cinéfilos brasileiros.


Os negativos originais foram perdidos logo após o filme ficar pronto, por causa de um incêndio no laboratório fotografico na cidade de Yokohama. O longa foi lancado usado uma cópia de proteção.


Yasujiro Ozu e seu colaborador de longa data gastaram 103 duas trabalhando no roteiro. Depois disso a parte de filmagem em edição foi feita extremamente rápido. A produção do filme levou apenas 4 meses!

Ozu tinha um estilo próprio de filmar, com a câmera a altura do chão. Por causa disso todos os sets tiveram que ser construídos com tetos.

Steven Spielberg pegou emprestado esterecurso de Ozu para rodar o clássico E.T. – O Extraterrestre (1982).  Mas no longa de amizade aliênígena a câmera baixa é udada para outros propósitos: traduzir na tela o ponto de vista da criança.

Yasujiro Ozu é aclamado como um dos diretores mais importantes do cinema japonês e da história do cinema. Ele era considerado o cineasta mais japonês do cinema, até pelos próprios japoneses, que o achavam “japonês” demais para o gosto ocidental – o que talvez explique a descoberta tardia deste excepcional cineasta neste lado do globo somente na década de 1960.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Era Uma Vez em Tóquio

Um drama familiar japonês muito difícil de encontrar é o penúltimo filme de nossa lista!

Tokio Monogatari
1953 - Japão
136 min. - Preto e Branco
Drama

Direção: Yasujiro Ozu

Roteiro: Kôgo Noda e Yasujiro Ozu

Com: Chishu Ryu, Setsuko Hara, Chieko Higashiyama, Kyôko Kagawa, Eijirô Tono, Haruko Sugimura, Sô Yamamura, Kuniko Miyake

sábado, 11 de dezembro de 2010

Raio-X familiar


Taí, gostei de Os excêntricos Tenembaums. Nunca tinha dado uma chance ao filme, e, confesso, não sabia muito bem por que ele constava da nossa lista de clássicos. Acho mesmo que não tem lugar para o longa de Wes Anderson na minha lista pessoal, mas tenho que reconhecer que ele tem lá seus bons momentos. Famílias desestruturadas são um tema recorrente no cinema americano, mas é bonitinho acompanhar um malandro irrecuperável (Gene Hackman, fantástico) querendo a todo custo remendar todas as falhas que causaram traumas na ex-mulher e nos filhos, nem que isso seja feito à custa de uma mentira deslavada, como um câncer terminal. Cruel, claro, mas tocar no assunto perda, tão presente na vida de cada um dos membros desta família, fez com que eles valorizassem o tempo que ainda tinham para ficarem juntos.

E o filme vai tratando, de forma leve, com um humor peculiar, quando cabível, assuntos delicados como o amor entre irmãos de criação e tentativa de suicídio. Sem falar que aqui não é Brothers and sisters, onde todos trocam ofensas horríveis numa discussão, e, num minuto depois, já estão celebrando a vida com um brinde, feito comercial de margarina. As feridas abertas pelo divórcio há mais de 20 anos, pelo vício nas drogas ou na recente perda da esposa continuam presentes no dia a dia de cada um. Nada se resolve num passe de mágica, mas num processo longo e doloroso. E, talvez, a cura nem seja definitiva.

A forma do filme conta muito: estruturado em capítulos, com o auxílio de vários recursos visuais, como as legendas, e a luxuosa narração de Alec Baldwin ajuda. Mas a escolha do elenco vale mais ainda, a começar pelas crianças da fase inicial. Não sou muito fã dos irmãos Wilson, mas não tem preço ver, quiçá, a única atuação decente de Gwyneth Paltrow em toda a sua carreira. Anjelica Huston, em muitos momentos, chega a ser uma coadjuvante de luxo, mas quem reclamaria? Sofrida e complacente na medida certa, ela comove como a centrada e devotada mãe de família. Ben Stiller, apesar de não estar em sua seara favorita, o humor escrachado, não compromete. Bill Murray, coitado, foi o único que recebeu um papel caricato em excesso.

Taí, gostei dos Tenembaums. Se eles são excêntricos, o que dizer do resto do mundo?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Um pouco mais da atriz: Anjelica Huston

Anjelica Susan Huston é uma ex-modelo e atriz premiada. Nasceu nos Estados Unidos em 1951, filha do diretor John Huston. Foi indicada ao Oscar 3 vezes, ganhou como melhor atriz por A Honra do Poderoso Prizzi. Recebeu ainda 6 indicações ao Globo de Ouro, 3 ao BAFTA, e até uma para o MTV Movie Awards, na curiosa categoria de "melhor beijo", por A Família Adams. Desde 1967 mostrando sua elegante postura, já participou de mais de 50 longas.

Mesmo com tantos feitos uma coisa é certa: pensou em Anjelica Huston, pensou em Mortícia Adams! A atriz fez parte do elenco de A Família Addams (1991) e A família Addams 2 (1993). Como matriarca desta estranha família, ela não ganhou nenhum prêmio (nem mesmo o de "melhor beijo" da MTV), mas conquistou seu espaço no gosto popular e no imaginário coletivo. Ou alguém aí, consegue imaginar outra atriz interpretando a elegante senhora de preto? O papel foi de ao menos outras três atrizes. Duas nas versões para a TV de 1967 e 1998 e a terceira no longa O Retorno da Família Addams, também de 1998.

Os Addams vem aí!
Outros fílmes bastante populares de Angélica foram o clássico do cinema em casa, Convenção das Bruxas (1990), onde dava vida a mais horripílante e cruel rainha das bruxas que já aterrorizou criancinhas em hotéis. Uma dona de uma creche nada divertida em A Creche do Papai (2003), com Eddie Murphy. A versão para o cinema do sucesso literário As Brumas de Avalon (2001). E até a madastra má da gata borralheira de Drew Barrimore em Para Sempre Cinderela (1998). Mas sua eclética filmografia incluem uma versão de Hamlet, o clássico Um Estranho no Ninho, outros trabalhos com o diretor Wes Anderson (de Os Exêntricos Tenenbaums) como Viajem a Dargeeling (2007).

Confira a filmografica completa de Anjelica Huston:

2007 - Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited)
2006 - À Procura da Vingança (Seraphim Falls)
2006 - O Fator Hades (The Hades Factor)
2006 - Material girls (Material girls)
2006 - These foolish things
2006 - Uma escola de arte muito louca (Art school confidential)
2004 - A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou)
2004 - Anjos Rebeldes (Iron Jawed Angels)
2003 - A profecia (Kaena: La prophétie) (voz)
2003 - A Creche do Papai (Daddy Day Care)
2002 - Kentucky derby, The (TV)
2002 - Dívida de Sangue (Blood Work)
2001 - Man from Elysian Fields, The
2001 - As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon)
2001 - Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums)
2000 - A Taça de Ouro (The Golden Bowl)
2000 - Time of our lives
2000 - A taça de ouro (Golden Bowl, The)
Com Bill Murray em
A Vida Marinha de Steve Sissou
2000 - Agnes Browne - O despertar de uma vida (Agnes Browne)
1998 - Para Sempre Cinderela (Ever After)
1998 - A última cartada (Phoenix)
1998 - Buffalo'66 (Buffalo'66)
1996 - Marcas do silêncio (Bastard Out of California) (TV)
1995 - Acerto Final (The Crossing Guard)
1995 - Tudo por um Sonho (The Perez Family)
1995 - As Últimas Pistoleiras (Buffalo girls) (TV)
1993 - Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery)
Transformando criancinhas em ratos
em Convenção das Bruxas
1993 - A Família Addams 2 (Addams Family Values)
1993 - E a vida continua (And the band played on) (TV)
1993 - Retratos de família (Family pictures) (TV)
1993 - Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mistery)
1992 - O Jogador (The Player)
1991 - A Família Addams (The Addams Family)
1990 - Os imorais (Grifters, The)
1990 - Convenção das bruxas (Witches, The)
1989 - Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors)
1989 - Inimigos, uma história de amor (Enemies: a love story)
1989 - Lonesome Dove

(Fonte:Adoro Cinema)