3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

domingo, 31 de outubro de 2010

King Kong

É hora de conhecermos a 8ª maravilha do mundo!

King Kong
1933 - EUA
100 min. - preto e branco
Aventura

Direção:Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

Roteiro: James Ashmore Creelman e Ruth Rose

Musica: Max Steiner

Com: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot,  Frank Reicher, Sam Hardy, Noble Johnson.

Criador de um dos mais famosos monstros do cinema, introduziu a técninca de animação stop-motion nos cinemas. Foi seguido pelo longa O Filho de King Kong de 1933. Teve duas refilmagens em 1976 e 2005.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Me and Orson Welles

Se fosse um cantor Welles, seria daqueles de um sucesso só. Afinal nunca conseguiu repetir o feito de Cidadão Kane. Mas isso não é problema, Kane foi suficiente para torna-lo um ícone. Logo não é de se admirar que ele seja admirado, referenciado, copiado e mencionado à exaustão.

Me and Orson Welles, de 2009, com Zac Efron, Claire Danes e Christian McKay, é baseado em um livro homonimo de Robert Kaplow's. Conta a história de um jovem estudante é escalado por Orson Welles para um pequeno papel na peça Júlio César, em 1937, que será encenada na abertura do Mercury Theatre, do qual Welles é fundador. Até o dia da primeira apresentação, o rapaz aprende com Welles lições sobre a vida e o amor.

Direção: Richard Linklater
Roteiro: Holly Gent Palmo,Vincent Palmo Jr.

Sobre percepção

Segundo a Wikipédia, percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas. Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, seleção e organização das informações obtidas pelos sentidos. Do ponto de vista psicológico ou cognitivo, a percepção envolve também os processos mentais, a memória e outros aspectos que podem influenciar na interpretação dos dados percebidos.
Calma! Você não digitou errado e caiu em um blog de aulas de português. Muito menos está em um daqueles dicionários on-line. Então, porque estou começando meu texto desta semana com a definição de percepção? Simples, porque ela é mutável e isso é ótimo!

Cerca de uma década atrás, na época do pré-vestibular, assisti a Cidadão Kane. Não achei ruim, mas chato confuso e arrastado. Durante essa decada entre a primeira impressão e a segunda seção do longa aprendi que nosso gosto, ou melhor, nossa percepção sobre as coisas muda conforme o tempo e as experiências que vamos acumulando. Então fui assistir ao filme sem preconceitos, e tenho orgulho de dizer: não me arrependi! E pelo visto, devo refinado minha percepção ao longo desses dez anos.

A maior busca por um significado já vista nos cinemas, para descobrir o que é "Rosebud" e, conseqüentemente, tentar entender o quebra-cabeças que é Charles Foster Kane. Contudo, antes de chegarmos a metade longa, já esquecemos a tarefa e nos deliciamos conhecendo Kane. Um pobre homem rico que poderia ter tudo, e até teve muitas coisas, mas não manteve nada, a não ser é claro seu nome. Um mito!

Não é atoa que o senhor William Randolph Hearst, que dizem ter inspirado muitas dos detalhes de Kane, tenha ficado tão chateado com a obra de Welles. Afinal, se as semelhanças eram tantas, ele poderia ter o mesmo solitário final. Não sei como Hearst terminou a vida, mas não deve ter sido igual. Ao menos não virou um mito, nunca ouvi falar dele até esta semana.

Não consigo encaixar Rosebud aqui!
De volta ao filme. Qualidades técnicas a parte, mesmo porque sobre essas não há como ter dúvidas (mesmo a dez anos eu não tinha), a narrativa é cativante, envolvente. Apresenta um grande personagem cercado de mistérios, nos fisga com a busca pela verdade, mas nos mantém pela história. Seja do homem, ou da imprensa difícil não se interessar.

Felizmente, nós espectadores, diferente dos pobres personagens, ao fim do filme descobrimos o que é "Rosebud". E com a mente livre desse mistério maior do que, quem matou Odete Roitman?, podemos pensar nos muitos temas embutidos na história. Estes vão desde a importância dos relacionamentos, e a importância que damos (ou não) a eles, ao poder da informação.

Não sei se o consideraria o melhor filme de todos os tempos, mas agora afirmo com certeza é um ótimo filme, que gostei muito de assistir. Que bom que a percepção é mutável. Que bom que sempre podemos "conhecer" novamente coisas antigas, tirar novas impressões, redescobri-las.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Um pouco mais do diretor: Orson Welles

George Orson Welles nasceu em 6 de maio de 1915 em  Kenosha (Wisconsin) e morreu em 10 de outubro de 1985 em Hollywood. Foi casado com a atriz Rita Hayworth (o casal divorciou-se em 1948) e tiveram a filha, Rebecca.

Cineasta, roteirista, produtor e ator iniciou sua carreira no teatro, em Nova Iorque, em 1934. Órfão aos quinze anos, após a morte do seu pai (sua mãe morreu quando ainda tinha 9 anos), Welles começou a estudar pintura em 1931. Ainda adolescente, não via interesse nos estudos e em pouco tempo passou a atuar em em 1937 criou sua própria companhia de teatro.

Em 1938, produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells (o mesmo que inspirou versões homonimas de Spilberg, 2005 e de Byron Haskin, 1953). A dramatização radiofônica ficou famosa por provocar pânico nos ouvintes, que acreditaram estar enfrentando uma invasão extraterrestre. A "pegadinha" foi um sucesso e deu fama ao jovem Welles. No teatro o reconhecimento e o sucesso vieram com a montagem de Macbeth, somente com atores negros, em Nova York.

Apesar de sua reputação como ator e diretor, manteve durante muito tempo sua licença junto a Magician's Union (Sindicato dos Mágicos), além de praticar periodicamente mágicas. De acordo com Welles, assim ele poderia seguir adiante em uma carreira caso fosse impedido de seguir trabalhando no cinema.

Kane
Sua estréia nos cinemas em 1941, aos 25 anos, resultou em no filme até hoje considerado por muitos como o melhor filme da história do cinema. Inovação, coragem e dinamismo de Welles tornaram Cidadão Kane uma obra unica.

Inovação estética com técnicas até então raríssimas nas produções cinematográficas. Como diferentes ângulos de câmera (uso de plongée e contra-plongée); Exploração do campo (campo e contra-campo); Narrativa não linear); Edição/Montagem muito sofisticada para e época de sua realização, devido a não linearidade da narrativa.

Dinâmico Wellwa foi diretor, co-roteirista, produtor e ator em "Citizen Kane". O que torna a qualidade de Kane uma surpresa uma vez que o acúmulo de funções no cinema normalmente, acaba influenciando de maneira negativa no resultado final.

Coragem de retratar no longa a vida e a decadência de um magnata da comunicação norte-americana, baseado na história do milionário William Randolph Hearst. Mesmo estando pronto, Cidadão Kane quase não saiu, resultado de problemas com Hearst. Sua coragem de realizar esta obra prima acabou resultando no fechamento de muitas portas no futuro, beirando ao ostracismo no fim da vida.

Após Kane
Logo após "Citizen Kane", Welles passou uma temporada no Brasil, onde pretendia filmar o famoso carnaval carioca para acrescentar ao seguimento My Friend Bonito, do documentário It's All True. Se encantou pelo Botafogo e logo virou torcedor a ponto de ir vestido com o uniforme do Botafogo em uma entrevista coletiva.


Mas seus planos não deram certo. Sobre o fato, Welles comentou em entrevista ao crítico de cinema, André Bazin: "Era co-dirigido por mim e Norman Foster. Era uma história entre um pobre menino e seu touro. Depois fizeram outra versão, modificando todas as ideias e refazendo tudo ao modo deles. Eu tinha rodado durante três meses, mas a RKO (estúdio) me despediu. Quando retomaram a ideia não queriam saber mais nada de mim. Tampouco me pagaram nenhum tipo de direitos e atuaram como se fosse uma história original".

Esse tipo de problema iria ser uma constante na carreira de Welles. Logo após o fracasso de público de A Dama de Xangai (1948) ele raramente conseguiria realizar um filme à sua maneira, dirigindo quase sempre em condições precárias. As filmagens de Dom Quixote (1959-1972, Don Quijote de Orson Welles) duraram mais de dez anos, e mesmo assim somente a copia do filme pode ser visto (hoje já está disponível em DVD).

É um dos cinco atores que recebeu uma indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na categoria de melhor ator em uma de suas cinco primeiras aparições no cinema. Apesar de toda a sua genialidade retratada e seus filmes, Welles nunca foi o favorito das bilheteiras, lutando sempre para financiar seus filmes. Entre um projeto e outro, fazia papéis carismáticos para outros cineastas.

Tentando continuar sua carreira, ele passou as décadas seguintes aceitando papéis de ator, no qual sua presença e voz marcante, mesmo quando as participações eram pequenas, nunca passavam sem chamar atenção. Ao voltar a Hollywood depois de uma temporada na Europa, Welles atuaria como um dos co-protagonistas do premiado The Long, Hot Summer (1958), dirigiu e atuou em A Marca da Maldade, famoso por ter incluído um plano-sequência de três minutos com um desfecho impactante, e teria um de seus melhores desempenhos em cena no filme Compulsion, de 1959.

Em 1962 realizou The Trial, filme baseado na obra O Processo de Franz Kafka. Welles considerou este um dos seus mais gratificantes filmes. Na década de 70 realizou uma sátira a Hollywood chamada The Other Side of the Wind estrelada por John Huston e Peter Bogdanovich. As filmagens chegaram a ser concluídas, mas problemas legais e também na sua pós-produção impediram que fosse lançado nos cinemas;

Recusou o convite para dar a Darth Vader, de Star Wars, em 1977, e em 1979 teve um pequeno papel no filme The Secret Life of Nikola Tesla. Seu último trabalho foi dublando a voz do planeta Unicron no desenho animado de longa metragem de 1986 The Transformers: The Movie.

Sua estrela na Calçada da Fama fica localizada em 1600 Vine Street.

Orson Welles morreu de ataque cardíaco em sua casa em Hollywood, Califórnia em 10 de outubro de 1985, aos 70 anos, no mesmo dia que o astro Yul Brynner. Segundo a lenda, teria feito o seguinte comentário sobre sua profissão antes de morrer: "Esse é o maior trem elétrico que um menino já teve."



Prêmios de Welles 

OSCAR
Ganhou
1971 - Oscar Honorário pelo conjunto da obra
1941 - Melhor Roteiro Original - Cidadão Kane

Indicações
1942 - Melhor Filme - Soberba
1941 - Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator - Cidadão Kane

GLOBO DE OURO
Indicação
1982 - Melhor Ator Coadjuvante - Butterfly

BAFTA
Indicação
1965 -Melhor Ator Estrangeiro - Campanadas a Medianoche

CANNES
Ganhou
1970 - Leão de Ouro Honorário pelo conjunto da obra
1965 - Prêmio Técnico do Júri - Campanadas a Medianoche
1965 - Prêmio do 20º Aniversário - Campanadas a Medianoche
1959 - Melhor Ator - Estranha Compulsão
1952 - Grande Prêmio do Júri - Othello

TROFÉU FRAMBOESA DE OURO
Indicação
1982 - Pior Ator Coadjuvante - Butterfly

Filmografia
1992 - Don Quixote
1984 - The Spirit of Charles Lindbergh
1975 - Vérités et mensonges
1972 -  The Other side of the wind
1971 - London
1970 - The Deep
1969 - The Merchant of Venice (TV)
1968 - Vienna
         - História imortal (TheImmortal story)
1965 - Campanadas a medianoche
1962 - O Processo (Le Procès)
         - No exit
1960 - David e Golia
1958 - Portrait of Gina (TV)
         - Fountain of youth, The (TV)
         - A Marca da Maldade (Touch of Evil)
1956 - Orson Welles and people (TV)
1955 - Moby Dick rehearsed (TV)
         - Grilhões do passado (Mr. Arkadin)
1952 - Othello (TheTragedy of Othello: The moor of Venice)
1949 - Memórias de um mágico (Black magic)
1948 - Reinado de sangue (Macbeth)
         - A Dama de Shanghai (The Lady from Shanghai)
1946 - O estranho (The Stranger)
1942 - Jornada do pavor (Journey into fear)
         - Soberba (The Magnificent Ambersons)
1941 - Cidadão Kane (Citizen Kane)
1938 - Too much Johnson (curta-metragem)
1934 - Hearts of age (curta-metragem)

Curiosidades de Cidadão Kane

Cidadão Kane é considerado, por grande parte da crítica especializada, como o maior filme da história até o momento, figurando em primeiro lugar na lista do American Film Institute (AFI).

O Mundo a Seus Pés, é assim que os portugueses pedem por Citzen Kane na locadora.

Foi o primeiro filme longa-metragem dirigido por Orson Welles, considerado um rapaz prodígio, e que havia angariado fama com suas peças de teatro e narrações radiofônicas. Graças à notoriedade o diretor novato, com apenas 25 anos, recebeu da produtora RKO carta branca para dirigir e um orçamento generoso.

O filme encontrou forte oposição por parte de William Randolph Hearst, pois ele julgava que a obra denegria sua imagem. Realmente, existem muitos pontos em comum nas biografias de Hearst e de Kane. A personagem de Wellea construiu um palácio extravagante na Flórida, Hearst tinha um em San Simeon.O personagem teve um caso com uma cantora sem talento, Susan Alexander (Dorothy Comingore), lembrando o que Hearst teve com a jovem atriz Marion Davies. Enquanto o magnata da vida real comprou o estúdio Cosmopolitan Pictures para promover o estrelato de Davies, Kane comprou para Susan um teatro. Entretanto, enquanto Hearst nasceu rico, Kane era filho de uma família humilde.

Cidadão Kane marcou sua época devido às inovações, sobretudo nas técnicas narrativas e nos enquadramentos cinematográficos. O filme começa com o protagonista já morto, mudando a cronologia dos fatos. A cenografia mostra pela primeira vez o teto dos ambientes. O filme faz uso de flashbacks, sombras, tem longas seqüênciãs sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, distorce imagens para aumentar a carga dramática. A iluminação é pouco convencional, o foco transita do primeiro plano para o background, os diálogos são sobrepostos e os closes usados com contenção.

Mesmo dirigindo outros filmes após Cidadão Kane, o diretor Orson Welles nunca mais conseguiu restabelecer sua fama a ponto de ser contratado novamente por um grande estúdio de Hollywood.

RKO 281 é um  filme da HBO que retrata os bastidores e a história da produção do filme, e conflitos do estúdio e diretor com o empresário William Randolph Hearst.

Beyond Citizen Kane, documentário televisivo britânico, produzido pelo Channel 4 em 1993, inspirado em Citizen Kane, que detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas. E compara o ex-presidente e fundador da Globo Roberto Marinho a Charles Foster Kane.

Assista a baixo ao documentário dividido em 4 partes.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Filmaço

O ego e a solidão de Kane maravilhosamente retratados nesse fotograma do filme
"Uma palavra somente não pode descrever a vida de um homem". Mas se eu tivesse que (tentar) definir esse filme em uma única palavra, essa seria "genial". Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941) pode ser considerado sim o maior filme de todos os tempos. Uma história contundente, um personagem principal misterioso e carismático (apesar de não ser a mais simpática das criaturas), fotograficamente perfeito, efeitos especiais e de maquiagem simples, porém fantásticos. Uma história repleta de mistério, que te prende até o fim, como se nós fossemos os jornalistas encarregados de descobrir mais sobre a vida do misterioso Sr. Kane.

É um filme para pensar: pensar no tipo de informação que consumimos (sim, nós consumimos - ou você ainda acredita que não?), no tipo de vida que a gente leva, no tipo de pessoa que nós seríamos se tivéssemos muito mais dinheiro (adorei o diálogo em que Charlie kane afirma que poderia ser um homem melhor se não fosse tão rico), naquilo que a gente acredita, no quanto somos dedicados às nossas metas (e o quanto elas são as coisas mais importantes na vida), o quanto nosso ego pode falar mais alto que tudo, o quanto nossa infância marca nosso caminho futuro.

Um ótimo filme, esplendorosamente dirigido e muito bem interpretado - não há uma única atuação fraca - daqueles que marcam e ficam na memória. De todos os filmes que vimos até agora, somente um havia me tirado o fôlego. Seu título é O poderoso chefão e dá para ver no meu post o que eu estou falando. Era um filme sobre o qual eu sempre havia ouvido falar, mas nunca tinha visto, e a ansiedade e expectativas eram grandes - e não me decepcionei. O mesmo aconteceu com esse filme. Mais uma vez sou grata a esse blog por tantas experiências cinematográficas. Definitivamente, Cidadão Kane entrou para o meu "top 10".

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cidadão Premiado

Oscar (1942)
  • Melhor roteiro original, para Welles e Herman J. Mankiewicz
No dia 19 de julho de 2003, a estatueta do Oscar original recebida por Orson Welles foi a leilão na Christie's, Nova York. Mas imediatamente a peça foi retirada da lista de lances, uma vez que a Academia estabeleceu como regra que ela mesma poderia comprar estatuetas dos vencedores pelo valor simbólico de 1 dólar.

Mais tarde, no entanto, a mesma estatueta e mais uma série de objetos da coleção particular de Welles foram vendidas pela mais nova das três filhas do diretor por mais de 300 mil dólares.
Indicado nas categorias de melhor ator (Orson Welles), melhor direção de arte preto-e-branco*, melhor fotografia preto-e-branco*, melhor diretor, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhor filme e melhor som.


Prêmio NYFCC  (New York Film Critics Circle Awards, EUA, 1941)
  • Venceu na categoria de melhor filme.
__________________________________________________
*A chegada da cor nos cinemas bagunçou bastante as categorias do Oscar.

O prêmio de Direção de Arte, que até 1946 se chamava Decoração de Interiores, foi entregue a filmes em preto-e-branco e coloridos separadamente de 1941 a 1957. Em 1958 a categoria voltou a ser um único prêmio. E foi dividida novamente de 1960 a 1968.

O Oscar de Melhor Fotografia, entregue desde 1929, também foi dividido para filmes coloridos e preto-e-branco. Em 1958, excepcionalmente ela foi unificada, mas passou a ser um prêmio apenas definitivamente em 1967.

Outra categoria que sofreu com a chegada das cores foi a de Melhor Figurino. Quanto Mais Quente Melhor, recebeu um desses prêmios dividos. De 1948, quando o prêmio foi entregue da primeira vez, até 1967, haviam duas sub-categorias para premiar os modelitos do filme: melhor figurino preto-e-branco e melhor figurino colorido. Durante o período de 19 anos apenas em 1957 e 1958, essa distinção não foi feita.

domingo, 24 de outubro de 2010

Cidadão Kane

Muitos o consideram o melhor filme da história do cinema. E você?

Citizen Kane
1941 - EUA
119 min. - preto e branco
Drama

Direção: Orson Welles

Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles.

Musica: Bernard Herrmann

Com: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead, Ruth Warrick, Ray Collins, Erskine Sanford, Everett Sloane, William Alland, Paul Stewart, George Coulouris, Fortunio Bonanova, Gus Schilling, Philip Van Zandt, Georgia Backus, Harry Shannon.

Inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst. Vencedor de um Oscar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Sem lenço, sem documento

Então, fica combinado assim: nesse post, não vou chamar Godard de gênio, dizer que Acossado é um marco do cinema mundial e todo esse blábláblá sobre a Nouvelle Vague, porque nem tenho cacife pra isso. Na verdade, tudo que eu tenho a dizer sobre o filme é irrelevante: invejei o corte de cabelo, as roupas e os óculos escuros de Jean Seberg, não entendi muito bem o que a personagem dela, Patricia, via no tal Michel, adorei a trilha sonora incidental, e, nossa, como eles fumam!

Quem leu o post de curiosidades que a Fabi preparou sabe que o roteiro foi bem improvisado. E isso é nítido na tela. Os grandes diálogos (meio nonsense às vezes), a movimentação dos atores em cena, sem grandes marcações, tudo isso dá uma leveza incrível à história. E a gente vai acompanhando aqueles dois, um mais perdido que o outro, pra ver onde isso vai dar. Deve ter sido assim que Godard filmava. Pelo menos essa é a impressão que eu tive.


Mas, no quesito trama policial, ficou devendo. O protagonista fugitivo da polícia era meramente um pretexto para unir o casal, que, eu esperava, se tornasse uma espécie de Bonnie e Clyde. Ou, como Patricia diz no filme, Romeu e Julieta. Seria poético. Mas ficou só na promessa, e fiquei um pouquinho frustrada com o final. Pra mim, o que valeu mesmo foi a resposta do entrevistado quando a jornalista pergunta qual era a ambição dele na vida: "Quero me tornar imortal, e depois morrer". É, bonito isso.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um pouco mais da Nouvelle Vague

A Nouvelle Vague (Nova Onda) foi um movimento artístico do cinema francês que se insere no movimento contestatário próprio da década de 1960. Entretanto, a expressão foi lançada por Françoise Giroud, em 1958, na revista L’Express, ao fazer referência a novos cineastas franceses.

Os primeiros filmes conotados com esta expressão eram caracterizados pela juventude dos seus autores, unidos por uma vontade comum de transgredir as regras normalmente aceitas para o cinema mais comercial e sem grande apoio financeiro.

Com a decadência, logo após a Segunda Guerra Mundial, do realismo poético francês (escola cinematográfica em que o roteirista ganha muito destaque em detrimento do papel do diretor), alguns jovens cinéfilos e críticos de cinema se reuniram para restabelecer o conceito de cinema de autor que vigorou na França até o início da década de 1930. O filme Nas garras do vício (Le beau serge, 1958), do diretor Claude Chabrol é considerado o marco inicial do movimento.

Logo em seguida, surgiram filmes que se tornaram clássicos como Acossado (À bout de souffle, 1959) e Alphaville (1965), de Jean-Luc Godard, e também Os incompreendidos (Les quatre cents coups, 1959, que também figura na lista do DVD, sofá e pipoca) e Jules et Jim (1962) de François Truffaut.

As características mais marcantes deste estilo são a intransigência com os moldes narrativos do cinema estabelecido, através do amoralismo próprio desta geração, presente nos diálogos e numa montagem inesperada, sem concessões à linearidade narrativa.

Os autores desta nova forma de filmar detestavam muitos dos grandes sucessos caseiros do cinema francês. Votaram ao anátema as obras de Jean Delannoy, Christian-Jacque, Gilles Grangier, Aurenche e Bost (argumentistas). Ao mesmo tempo elevaram à divindade os mestres do film noir americano, Jean Renoir, Robert Bresson, Jacques Tati e Jean Vigo.

De fato, foram essencialmente os colaboradores da revista Cahiers du cinéma que, depois de teorizarem sobre a sétima arte e as exigências de um cinema de autor,  postulando a importância decisiva do realizador na autoria do filme, se lançaram na criação do que consideraram ser o cinema.

Os cineastas mais relevantes desse movimento são Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer. Muitos era críticos de cinema na revista Cahiers Du Cinéma.

Atualmente Godard continua o seu cinema difícil e muitas vezes pretensioso, experimental até à exaustão: sempre tocando nos limites do que é o cinema. Truffaut segue pelo caminho de um classicismo que lhe grangeia uma grande quantidade de admiradores. Alain Resnais, vai se consolidando como um guru respeitável, autor de alguns dos mais importantes filmes de sempre, no que diz respeito a esse tão desejado título de "cinema de autor".

A Nouvelle Vague influenciou a cinematografia mundial. Mesmo nos Estados Unidos, os realizadores da "Nova Hollywood", como Robert Altman, Francis Ford Coppola, Brian de Palma, Martin Scorsese, George Lucas renderam homenagem à vaga que começou a frutificar com o Bonnie and Clyde de Arthur Penn, prolongando-se esta influência do final dos anos sessenta até aos anos setenta. 

Muitos dos cineastas, que iniciaram este novo estilo, reuniam-se em cineclubes para discutir as obras americanas e assim terem base para a forma antagonica que iriam aplicar em seus trabalhos. Os cineastas da Nouvelle Vague eram conhecidos como os novos turcos, geraram também a ruptura com o cinema totalmente de estúdio, que imperava na França da década de 1940. Incorporaram estilos e posturas da pop art ao teatro épico, textos de Balzac, Manet e Marx. Havia em seus, um questionamento novo, um erotismo pungente e até um romantismo tragicômico.

Fonte: Wikipédia

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Muito filme, pouca história

Eis a sinopse de Acossado no site CinePlayers: Homem rouba um carro e mata um policial antes de seguir para Paris. Lá, ele se esconde na casa de uma mulher, que tem o desejo de ser engravidada por ele. Quando ele perde a consciência e comete alguns pequenos delitos, dá também a brecha para os policiais o acharem e darem início a sua perseguição final.

Curtinha, não é?!? Acredite ou não, o que está descrito acima é praticamente toda a história do longa de Godard. Todo o tempo que resta (que não é pouco) está focado nos detalhes da complicada relação entre o bandido Michael Poiccard e Patricia, uma americana "certinha", apesar de atípica.

Tédio!
Embora eu reconheça as contribuições da Nouvelle Vague para a sétima arte, em especial nos aspectos narrativos, e a qualidade deste longa em particular, não posso colocá-lo em minha lista de favoritos.

Seja-lá o que as longas conversas "filosóficas" do casal pretendiam provocar no espectador, não provocaram nesta blogueira que vos escreve. A não ser que sono estivesse na lista. Muita coisa poderia ser simplificada, cortada ou resolvida mais rápido, mais aí não seria Nouvelle Vague. Os detalhes da história não seriam tão marcantes, e o filme seria mais um entre tantos,

Talvez daqui a alguns anos eu esteja mais preparada para compreender o estilo. Por enquanto, restou a sensação de que não havia história suficiente e completaram com enrolação. E apesar de aqui a arte de enrolar seja incrivelmente bem aplicada, irrita, desinteressa e causa sono nos espectadores mais (por falta de expressão melhor) objetivos. E, ainda, deixa a sensação de que faltou alguma coisa.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

DR de um amor bandido

Patricia e Michael: o amor e suas desavenças...

Foi isso o que eu consegui absorver do filme. Acossado (À bout de souffle, 1959) conta a história de Michael Poiccard, um fugitivo da polícia que não pensa em outra coisa a não ser ir para Roma, de preferência com sua amada Patricia. Os dois são aquele arquétipo dos "opostos que se atraem": ela é doce e delicada, ele é bruto e prático. Não dá para entender como eles conseguem ficar juntos, mas separados eles não podem ficar.

Filme típico da Nouvelle Vague, achei bem cansativo. Ficar pensando e repensando sobre o amor, sobre a vida, sobre o papel da mulher na sociedade e não chegar a lugar nenhum me incomoda. Principalmente porque já sou assim na minha vida real, e acabo esperando que ao menos nos filmes os problemas se resolvam, de um jeito ou de outro.

Talvez minha experiência tenha sido mais legal pelo fato de ter visto o filme em francês com legendas em inglês. Percebi que não estou tão mal assim nas duas línguas, como imaginava. Devo ter perdido alguma coisa, mas deu pra acompanhar. Interessante foi notar que a atriz principal era uma americana falando francês (e isso eu percebi pelo sotaque!). Acho que estou pegando o jeito, e isso é bom sinal.

A impressão que ficou do filme foi que, definitivamente, não sou fã da Nouvelle Vague. Dar voltas e terminar de um modo evasivo não é muito a minha praia, prefiro algo mais conclusivo. E pelo jeito, acho que ficou bem claro que não sou assim, digamos, tão cult quanto deveria. Aliás, eu deveria ser cult? Mais uma questão para parar e refletir. Céus, eu não tenho jeito!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Curiosidades e prêmios de Acossado

Versão made in USA.
Foi o primeiro longa-metragem de Jean-Luc Godard.

Seu roteiro foi inspirado em uma história de François Truffaut.

O filme foi rodado em menos de quatro semanas.

O diretor Jean-Luc Godard conduziu o filme sem um roteiro concluído. Ele escrevia as cenas pela manhã para que fossem filmadas depois.

Para que os atores atuassem de forma mais espontânea, Goddard só lhes entregava as falas à medida que as cenas eram realizadas.

Em 1983 foi realizada nos Estados Unidos uma refilmagem, que recebeu o título de A força do amor, e que foi estrelada por Richard Gere.


Prêmios
Festival de Berlim 1960 (Alemanha)
Recebeu o Urso de Prata na categoria de melhor diretor.
Indicado ao Urso de Ouro


BAFTA 1962 (Reino Unido)
Indicado na categoria de melhor atriz estrangeira (Jean Seberg).

French Syndicate of Cinema Critics 1961 (França)
Venceu na categoria de melhor filme.

domingo, 17 de outubro de 2010

Acossado

Representante francês no DVD, sofá e pipoca. Um drama policial de Jean-Luc Godard.


À bout de souffle

1959 - França

Policial

Direção: Jean-Luc Godard.

Roteiro: Jean-Luc Godard.

Musica: Martial Solal

Com: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger, Jean-Pierre Melville, Henri-Jacques Huet, Van Doude, Claude Mansard, Jean-Luc Godard, Richard Balducci, Roger Hanin.


Baseado em história de François Truffaut.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cópia ruim!

Ah, o cinema nacional de antigamente!!! Décadas antes da retomada, antes do extermínio do cinema tupiniquim pela era Collor. Ouve-se muito falar, mas raramente assistimos a algo de verdade. À exceção dos Trapalhões, é claro. Sobre Glauber Rocha, então, mesmo o mais alienado cinéfilo já ouviu falar. Logo, não é de se admirar que um de seus longas esteja em nossa lista.


Entretanto tudo que consegui de Terra em Transe, o filme em questão, foi uma cópia ruim. Claramente gravada de um VHS antigo a péssima qualidade apenas tornou mais evidente a dificuldade que é entender esse filme.

Engajado, político o retrato de uma época. Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência. Produzido (e censurado) em plena ditadura militar, mostra a realidade do Brasil pré-ditadura, sob o disfarce do país fictício Eldorado.

Um filme difícil e que, embora atemporal, representa a época em que foi lançado. E provavelmente causou mais impacto nessa época, com as pessoas que viviam aquela realidade. Confuso, e um pouco fora da realidade desta blogueira que vos escreve. Mas, com certeza, uma aula de história e uma ótima oportunidade conhecer um cinema nacional, do qual apenas ouvimos falar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Curiosidades de Terra em Transe

Um filme alegórico, Terra em Transe enfrentou, na época, problemas com a censura estabelecida no Brasil, ao mostrar um fictício país latino-americano, denominado Eldorado, governado pelo déspota Diaz. Em abril de 1967, o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja. Mais tarde foi liberado com a condição de que desse um nome ao padre interpretado por Jofre Soares.

O longa foi relançado nos cinemas brasileiros em 2005.

Apesar do que se pensa, a cidade onde toda a trama se passa, Alecrim, não é a capital de Eldorado, como se pode constatar no diálogo em que Vieira apresenta Sílvia a Martins, logo ao início do filme.

Porfirio Díaz foi o nome de um ditador que governou o México por 31 anos.

Luiz Carlos Barreto, Carlos Dieguse, Raimundo Wanderley e Glauber Rocha foram produtores associados no filme.

Prêmios

Festival de Cannes 1967 (França)
  • Glauber Rocha recebeu os prêmios Luis Buñuel e Fipresci;

Festival de Havana 1967 (Cuba)
  • Prêmio da Crítica
  • Melhor Filme.

Festival de Locarno 1967 (Suiça)
  • Glauber Rocha recebeu o prêmio Grand Prix.

Festival de Cinema de Juiz de Fora (Brasil)
  • Melhor Filme
  • Melhor Diretor
  • Melhor Ator (José Lewgoy)
  • Melhor Atriz (Glauce Rocha)
  • Menção Honrosa (Luiz Carlos Barreto).

Prêmio Governo do Estado de São Paulo (Brasil)
  • Melhor Atriz (Glauce Rocha)
  • Melhor Argumento (Glauber Rocha)
  • Melhor Fotografia (Dib Lutfi)
  • Melhor Montagem (Eduardo Escorel).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Então...

"O povo é imbecil! É nisso que dá deixar o povo falar!"


Todo mundo sabe que começar uma frase, um argumento, um discurso por "então..." não é nada animador, que nada promissor vem daí. Pois é. Esse post aqui não vai fugir à regra. Não tenho absolutamente nada a acrescentar sobre o filme. Até porque esse é um filme dificílimo de entender, e somente poucos o entendem e gostam. Infelizmente, não faço parte dessa minoria, digamos, felizarda. Deixo a árdua tarefa de ficar horas discutindo sobre política e o sistema para quem gosta - ou para quem gosta de parecer que gosta.


Alegórico de corpo e alma, Terra em transe representa o Brasil pré-ditadura, e cada um de seus personagens corresponde a um dos personagens reais da época: o idealista, o político ambicioso, o todo-poderoso, o povo excluído. Eldorado é o país tropical assolado pela pobreza e dirigido por corruptos milionários etc.. Impossível disassociá-lo de seu tempo, onde todos eram engajados e lutavam contra a repressão (não esquecer que o filme foi rodado em plena ditadura, e foi inclusive censurado e tachdo de "subversivo"). Não que eu esteja dizendo que o filme é datado, muito pelo contrário: é até ridículo ver que o cenário político atual é tão parecido com o de meio século atrás.


Minha impressão do filme? Chato, barulhento, confuso, mal editado. Mas interessante. Atuações soberbas de Paulo Autran, Pauolo Gracindo e Flávio Miggliaccio, este em participação curtíssima, mas impactante. Enfim (outro recurso que empobrece o discurso, o bendito "enfim"), o tipo de filme que você não gosta de assistir, mas que é imprescindível que veja. Talvez não seja a melhor opção para um feriadão ensolarado, mas vale a reflexão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Terra em transe

Mais um filme tupiniquim na nossa lista, um filme histórico para o nosso país. Censurado à época de sua exibição, em plena ditadura militar, por ser considerado subversivo - hoje é um marco do cinema brasileiro.
Terra em transe, 1967, Brasil. Drama, preto e branco, 106min.
Direção e roteiro: Glauber Rocha
Elenco: Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Que noite!!!

Aos 47 minutos do segundo tempo, já na prorrogação conseguir assistir a Aurora. Adivinhe onde? No YouTube! Sim, o longa já é de domínio público e está disponível, em 9 partes (!), no site. Logo é de se espantar que um filme tão admirado seja também tão desconhecido dos cinéfilos. Digo isso baseada no fato de que nenhuma das três blogueiras do DVD, sofá e pipoca ouviu falar dele antes do projeto. 

É quando encontramos surpresas como esta que nos orgulhamos do projeto. Simples, doce e cheio reviravoltas, que, embora não tão surpreendentes, depois de 80 anos de comédias românticas e referências, ainda prendem a atenção do inicio ao fim.

Um fazendeiro aceita a sugestão da amante de vender a fazenda, matar a própria esposa e viajar para a cidade (não necessariamente nessa ordem). Mas não consegue tirar a vida da mulher com quem casou, redescobre seus sentimentos por ela, e quase a perde novamente. Tudo tão bem contado que dispensa a presença de falas. 

Efeitos especiais surpreendentes para a época e até algumas piadas. Porcos em escorregas e completamente bêbados. Quanta diversão a sociedade protetora dos animais extinguiu do planeta, hein!

Ainda não entendi como como o fiel cachorro da fazenda sabia quais as verdadeiras intenções do marido. Ou por que, quando prestes a cometer um assassinato, o rapaz começava a caminhar como um dos zumbis de Romero?

Não importa. Aurora é ótimo de qualquer forma. Em apenas uma noite leva o protagonista do inferno ao céu, e de volta para baixo antes de terminar no paraíso. E o espectador vai junto, completamente cativado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Simplesmente encantador


"Como eu nunca havia ouvido falar desse filme"? Era a única coisa que eu conseguia pensar enquanto assistia a Aurora. Ainda bem que existe o DVD, sofá e pipoca para sanar minha ignorância cinematográfica, porque o longa de F. W. Murnaut é encantador. Tem todo aquele charme dos filmes mudos e alguns recursos bem modernos para a época, mas o melhor mesmo é a história, contada com simplicidade e delicadeza.

Nosso protagonista sem nome, casado e pai de família, se deixa envolver pelos encantos de sua amante e planeja a morte da esposa. Se isso lhe causa horror, imagina à pobre mulher, que descobre da pior maneira possível que o marido não é bem quem ela imagina. Quando o plano dá errado, ele se arrepende, e passa a fazer de tudo para reconquistá-la. Nessa longa caminhada para recuperar a confiança perdida, um dos momentos mais bonitos é quando o casal entra na igreja na hora em que está acontecendo um casamento. Ouvir os votos dos noivos no altar funciona como uma espécie de epifania: "O que foi que eu fiz?". Lindo, lindo.


A partir daí, vamos acompanhando de perto a reaproximação do casal (é, eles não têm nome) é alternada com momentos ternos e românticos, com outros muito bem-humorados, como a sequência do porquinho bêbado e da escultura quebrada. Reparou? O filme reúne ingredientes tão diferentes como tragédia, drama, romance, comédia... E tudo muito bem costurado, uma habilidade para poucos. Está lá também a semente para várias histórias de amor que assistimos repetidamente no cinema, com os encontros e desencontros dos protagonistas até o tradicional final feliz. Parece simples demais? Às vezes, a simplicidade é a melhor qualidade que uma obra pode ter.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Curiosidades de Aurora

"o maior filme jamais produzido"
John Ford


Adaptado a partir do conto Viagem a Tilsit, do escritor alemão Herrman Suderman, pode-se também encontrar no roteiro de Aurora vários elementos do romance Uma história americana, de Theodore Dreiser, lançado dois anos antes e o sucesso comercial literário d época nos Estados Unidos.


O longa foi o mais caro lançamento da Fox Film Corporation, até então.

Em 1989 recebeu a classificação de significância histórica, estética e cultural pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e foi selecionado para preservação pelo British Film Institute. Em 1967, a revista Cahiers du Cinéma escolheu Aurora como "a maior obra-prima da história do cinema".
"filme mais belo do mundo"
François Truffaut
Assim caminha a humanidade, filme estado-unidense de 1956, dirigido por George Stevens, faz refenrencia direta a uma cena. A passagem marcante que ocorre na igreja, quando o casal, ao presenciar uma cerimônia de casamento alheia, recupera sua identidade matrimonial. Outros filmes notáveis sofreram forte influência dessa técnica cinematográfica primorosa, como O delator, rodado em 1935 por John Ford, e Cidadão Kane, filmado em 1941 por Orson Welles.

Seus efeitos especiais eram inovadores para a época. A reexposição do filme a novos takes, com o objetivo de formar imagens soprepostas, e o efeito Schüfftan, que emprega espelhos para inserir a imagem de atores em cenários em miniatura, ambos também utilizados no ano anterior por Fritz Lang em sua obra-prima Metrópolis, abriram muitas possibilidades para o cinema mundial, permitindo a exploração de temas antes inalcançáveis.
Entre os dez filmes da vida do cineasta português João César Monteiro, Aurora ocupa todas as dez posições!
Foi a primeira grande produção cinematográfica com som ambiente sincronizado, captado pelo sistema Fox Movietone. A técnica já havia sido testada naquele mesmo ano no curta-metragem They're coming to get me. Também foi o primeiro a ter trilha musical incorporada, composta por Hugo Riesenfeld.

Lançado originalmente em 1927, Aurora filme só teve sua primeira exibição pública em cinema brasileiro no dia 19 de outubro de 2008, por ocasião da Programação Poemas Visionários: O Cinema de F. W. Murnau, ocorrida no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro em homenagem aos 120 anos de nascimento do diretor alemão.
Para Martin Scorsese, Aurora não é um filme, e sim como um "poema visual"!


Prêmios de Aurora! 
Oscar
Melhor produção cinematográfica única e artística, prêmio nunca mais concedido novamente, uma espécie de consolação pelo segundo lugar na disputa pelo Oscar de melhor filme laureado a Asas, de William A. Wellman

Melhor atriz – Janet Gaynor (por sua atuação em Aurora, O anjo da rua e Sétimo céu)

Melhor cinematografia - Charles Rosher e Karl Struss

Indicado para Melhor direção de arte - Rochus Gliese

Kinema Junpo Awards
Melhor filme em língua estrangeira – F. W. Murnau


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ah, o amor...

Sabe aquele ditado que diz :"só se dá o devido valor às coisas quando se perde"? Então...

O homem era bem casado e feliz com sua esposa, mas acabou se deixando levar pelos encantos de uma mulher da cidade, e a felicidade de sua esposa foi para o brejo. Indo à falência, sua amante sugere que ele venda a fazenda e assassine a esposa, para poder pegar o dinheiro e ir morar com ela na cidade. O plano seria perfeito se... a consciência não pesasse. Ele não consegue matar a esposa, e ainda fica desesperado que ela o rejeite. Corre atrás dela, implora por seu perdão, demonstra o quanto está arrependido, e procura fazê-la feliz, retomando a felicidade que eles tiveram por uma vida em algumas horas. Lembro de não me conter aqui em casa e dizer "ah! mas se o cara tenta me matar e depois vem pedir perdão, ia ser difícil perdoar..." Aí me lembro, o filme é do início da década de 1920, os costumes eram outros. Não posso condená-la por isso.

Tudo ia bem até a volta pra casa, uma tempestade aparece e o casal se perde na tempestade. Acreditando que a esposa não conseguiu se salvar, ele cai em desespero. Mas, com a ajuda de um experiente pescador, a jovem esposa é resgatada e chegamos ao final feliz. Parece clichê, mas funciona. E, a bem da verdade, é sim. Mas esse filme é um dos primeiros romances do cinema, portanto, dá pra arriscar dizer que os clichês vieram deste filme. E o que seria da Meg Ryan e da Julia Roberts sem os clichês românticos?

Efeitos especiais bem feitos completam as cenas: quem precisa de diálogos?

Com um roteiro bem agitado, e com cenas lindas e outras impagáveis (o cachorro que corre para o barco e o porquinho bêbado são as mais legais), o filme cativa do início ao fim. As interpretações são tão expressivas, quase sem ser caricatas (quase padrão para os filmes mudos do início do século passado) que nem dá para sentir falta de diálogos. Fora os efeitos especiais, avançados para a época - muito bem feitos e até poéticos.

Adorei Aurora. E apesar de não concordar que é "o mais belo", com certeza ele tem seu charme. Um pouco de romance para adoçar uma tarde nublada, mesmo se você estiver sozinha.

domingo, 3 de outubro de 2010

Aurora

Considerado "o mais belo filme do mundo" por ninguém menos que François Truffaut, Aurora (Sunrise - A song of two humans) chega ao nosso sofá. Preparem os lencinhos!


Sunrise - A song of two humans, 1927, EUA. 95 minutos, preto e branco, drama.

Direção: F. W. Murnau

Roteiro: Carl Mayer

Música: Hugo Riesenfeld

Elenco: George O'Brien, Janet Gaynor, Margaret Livingston, Bodil Rosing, J.Farrel McDonald

sábado, 2 de outubro de 2010

Nem só de técnica vive o cinema


Eu confesso: tive que vencer a preguiça para rever O Encouraçado Potemkin. Não me levem a mal, é que não este não é exatamente o tipo de filme que gosto de ver diversas vezes. Claro que consigo reconhecer as qualidades da obra, mas... ainda assim, acho que só o fiz mesmo por causa do blog, já aos 30 do segundo tempo. Ah, vai, pra um filme mudo, russo, de 1925, até que não fui tão preconceituosa assim.

Lembro de ter visto o longa pela primeira vez na escola. Minha professora de História tinha essa ótima mania de levar filmes para as aulas, sempre relacionadas ao tema em questão. E este clássico foi o escolhido quando o assunto era Revolução Russa. Já não lembrava muito da estrutura, entretanto. A primeira coisa que me vinha à mente era aquela horrenda carne podre servida aos marinheiros, o que deu origem a todo o conflito da história de Eisenstein. Nem cachorros merecem ser tratados dessa maneira, imagina a que nível de degradação aquelas pessoas eram submetidas. 

Isso sem falar nas sequências do massacre, que ficaram eternizadas no cinema, e com razão. A força dramática das cenas é impressionante. Também chama a atenção o número de atores e figurantes. Deve ter dado um trabalhão coordenar todo mundo e conseguir um resultado daqueles. E vocês já devem saber que o filme de Eisenstein, um dos cineastas soviéticos mais importantes de todos os tempos, é conhecido pela  inovadora técnica da montagem, um marco cinematográfico na época. Mas como cinema não é só técnica, o que ficou pra mim foi sua mensagem política. Podem chamar de panfletário, mas se está contra barbaridades como as mostradas no filme, eu apoio.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Motim

Ninguém segura esse bebê!
Um carrinho de bebê (com um bebê dentro) descendo alucinadamente uma escadaria imensa. Era a imagem que vinha a minha mente quando ouvia o nome “Encouraçado Potemkim”. Também me lembrava de não ter gostado muito do filme, quando o assisti ainda na época da escola.

Entretanto tenho consciência de que nossa percepção do mundo, bem como nossos gostos mudam com o passar dos tempos. Logo, fui animada assistir ao filme desta semana. Dessa vez eu iria gostar.

O que gosto de ver em filmes antigos é o ambiente. As pessoas, as roupas, objetos, tudo parece tão distante da nossa realidade que é difícil acreditar que tudo era assim décadas atrás. Inacreditável também é a revolta em si.

Baseado em um massacre real, é de assustar a crueldade com que os oficiais lidam com a revolta, “uma guerra permitida”. O motim, uma vez que se inicia no mar, mesmo após aportar tem proporções tão pequenas que a alcunha de manifestação lhe cairia bem melhor, que revolta ou revolução.

Nas seqüências de ação (se é que posso chamá-las assim), a montagem é rápida e surpreendente. Como nas seqüência em que três estátuas de leões, com expressões diferentes nos levam a enteder o estado de espírito da população, da calma a histeria. Intercalar imagens diferentes para melhorar a comunicação de uma idéia. Se hoje em dia é comum foi graças a “Encouraçado”.

Apesar de compreender melhor a qualidade e importância da obra, infelizmente ainda não gostei de verdade. Não me levem a mal, mas parece que meu cérebro, criado à base de vídeo-clips, não acompanha bem o ritmo do filme. A montagem que permite observar a noite tormentosa por cinco minutos faz com que eu me distraia e me encontre perdida em meus pensamentos quando a cartela seguinte aparece.