3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 31 de julho de 2010

O nascimento de um gênero

Nunca achei que ver um filme de zumbis fosse tão divertido. Juro, pelo nome A noite dos mortos vivos, eu achava que o longa seriam 96 minutos de sangue e tripas. Ok, pode ser preconceito da minha parte, mas assistir a gente sendo comida viva não está entre os meus programas favoritos. Mas, no fim, foi uma experiência bem interessante.

 Em primeiro lugar, tenho que dizer que a fotografia do filme é incrível: o preto e branco dá um charme especial às cenas, o jogo de sombras só aumenta a tensão. O resultado é bem bonito. E vamos combinar que os mortos-vivos de George Romero eram até engraçadinhos. Uma cicatriz ou outra apareciam aqui, mas, em geral, eles pareciam até gente como a gente, só que com um andar mais desengonçado. Pra compensar, eles eram bem burrinhos. Só depois de uns cinco minutos espalmando (reflitam: espalmando, não socando) o vidro da mocinha, o monstrengo resolve pegar uma pedra para quebrá-lo? Tudo bem que Barbra (Judith O'Dea) também me decepcionou, só arrancando depois de sofrer por algum tempo e bate com o carro logo em seguida. Talvez a graça não tenha sido proposital, mas leveza é tudo.

Em seguida, para minha surpresa, o filme investe numa linha de terror mais psicológico, com uma bem-sucedida sequência de cenas claustrofóbicas e agonizantes dentro de uma casa abandonada. Isso me lembrou muito Sinais, um dos meus suspenses favoritos de M. Night Shyamalan justamente por esse clima. Agora sei em qual fonte ele bebeu. São várias coincidências: uma criança doente, as pessoas acompanhando as assustadoras notícias pela televisão... A diferença é que, em A noite dos mortos vivos, o inimigo também está dentro de casa. O irritante e egoísta Mr. Cooper (Karl Hardman) consegue provocar a discórdia num ambiente já caótico por motivos óbvios. Aliás, sacada de gênio colocar novos personagens em cena quando a gente achava que a história giraria em torno da nossa heroína, que perdeu o irmão no início da história. Sorry, Barb. E vou dizer que Ben (Duane Jones) é um dos mocinhos mais corajosos que eu me lembro de ter visto.

E quando a coisa começa a ficar meio arrastada, eis que surgem ações impulsivas que vão dando cada vez mais errado até resultar em um final tão surpreendente quanto necessário. Não dava mesmo para ser diferente, ou seria muito clichê. É impressionante o número de filmes influenciados por este clássico. Pense em qualquer filme de zumbi que você tenha visto, e vai ter algo que já estava neste longa de 1968. Tá, eu sei que em time que se ganha não se mexe, e homenagens são sempre bem-vindas, mas acho, sinceramente, que já está na hora de alguém renovar o gênero.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O mito e a cultura pop

Após sua popularização no cinema através do filme A noite dos mortos vivos (Night of the living dead), o mito dos mortos-vivos, ou zumbis, é até cult, com vários fãs ao redor do mundo - que até se organizam em caminhadas vestidos como os tais: as Zombie Walks. No cinema, outros filmes do gênero alcançaram grande sucesso e também há uma enorme variedade de mídias "infectadas": de jogos para videogame sobre eles a fantasias de Halloween, até na música eles já deram o ar de sua graça. Coisa pra nerd nenhum botar defeito.

É, ninguém escapa da maldição zumbi!

Zombie Walk é um movimento público organizado por um grande grupo de pessoas que se vestem de zumbis. Geralmente caminhando ou correndo por grandes centros urbanos, os participantes organizam uma rota através das ruas da cidade, passando por shoppings, parques e outros locais com grande público. O movimento começou em 2003, na cidade de Toronto, Canadá, com apenas 6 pessoas andando pelas ruas fantasiados de zumbis. A ação obteve tanta repercussão que, no ano seguinte, em Vancouver, já eram mais de 400 pessoas andando por um circuito de mais de 35 quadras. Vários outros países aderiram às caminhadas sinistras, inclusive o Brasil (a primeira cidade brasileira a ser invadida por eles foi Belém, no Pará). O evento é promovido via internet ou através de flyers, cartazes etc. As Zombie Walks são consideradas por muitos participantes como um evento underground. Durante o evento, os participantes se caracterizam como zumbis e se comunicam como eles nos filmes de terror, sempre grunhindo, gemendo e gritando "miolos" ou " cérebros".

E se tem um monte de gente disposta a andar pelas cidades vestidas de zumbis, é claro que isso é um nicho de mercado. Portanto, há inúmeras produções cinematográficas sobre o tema. Podemos citar, além das continuações da "franquia" Romero, Madrugada dos mortos (tanto a original, de 1978 quanto a aclamada refilmagem de 2004), A Volta dos Mortos Vivos (Dan O’Bannon, 1984), A Maldição dos Mortos Vivos (Wes Craven, 1988), Planeta Terror (Robert Rodrigues, 2007), o recente (e meio comédia) Zumbilândia (Zombieland, 2010), além de outra franquia de sucesso: Resident Evil - O hóspede maldito, 2002. O filme conta ainda com três continuações: Apocalypse (2004), A extinção (2007) e Afterlife (2010).


Milla Jovovich, protagonista dos quatro longas da série Resident Evil

Aliás, Resident Evil é uma das mais cultuadas séries de zumbis do planeta. No Japão, terra em que foi criada, existe uma infinidade de produtos da série, de gibis a bonecos. Muito influenciada pelos filmes de zumbis de George Romero e também pela série de terror para PC Alone in the dark, os jogos para videogame tem uma história mais consistente e dezenas de continuações. Existem alguns desvios do enredo do jogo nos filmes e nos livros, sendo considerados histórias paralelas.


Essa foto não está no post errado. O nome da banda? The Zombies

E como só faltou falar de música para zumbis, aqui vem a nossa referência: além de uma lembrança óbvia de bandas com "zumbi" no nome, como a brasileiríssima Nação Zumbi e a inglesa The Zombies, acho que ninguém consegue evitar lembrar de Michael Jackson e seu famosíssimo e revolucionário clipe "Thriller". É zumbi pra todos os gostos.












A famosa sequencia de dança e MJ caracterizado de zumbi

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Como todo zumbi deve ser

Daqui em diante não falo mais coisa com coisa!
Parece que pessoas que morreram recentemente estão se levantando! - É assim que o repórter na TV tenta explicar pela primeira vez as estranhas criaturas que aterrorizam os pobres mortais em A Noite dos Mortos Vivos, os Zumbis. Lentos, famintos, catatonicos e até meio patéticos, difícil acreditar que causariam medo em alguém, mas causam, e como!

Uma radiação misteriosa traz de volta todos aqueles que morreram e ainda não foram enterrados. Pessoas mordidas por eles também são afetadas, como em um vírus. Os sintomas? Lentidão, e um apetite por carne humana incontrolável. A única forma de elimina-los é destruindo o corpo ou o cérebro.

Não sei dançar Thriller!
Esqueçam os mortos-vivos que dão sustos a toda hora, espirram sangue em você, com superpoderes, ou mesmo os dançarinos (!). Nada assusta mais que um figurante cheio de maquiagem, se arrastando em direção a você em preto e branco. É assim que todo zumbi deveria ser. Não é atoa que o filme de Romero, criou um sub-gênero o "apocalipse zumbi" e definiu o visual e estilo dos filmes de mortos-vivos a partir daí.

Apesar de toda a diversão que os zumbis possam proporcionar, é com os vivos que temos que nos preocupar. Depois de assistir Barbra (Judith O'Dea, tão catatônica quantos os monstros) perder o irmãos, e encontrar Ben (Duane Jones, um dos primeiros heróis negros das telas que se tem notícia), acompanhamos a luta dos dois e outras cinco pessoas para sobreviver a uma  casa cercada pelos famintos vilões.

É aí que fica evidente que a natureza humana pode ser mais feia que os monstros em decomposição. Em meio ao desespero, brigas bobas, covardia, competição para ser líder. Parece que com a ameaça dos mortos  os problemas dos vivos ficam cada vez mais evidentes. A discórdia é tanta, que chega ao ponto de dois homens perderem tempo brigando pela posse da arma enquanto os zumbis invadem a sala. Impossível, não se revoltar e resmungar com a TV - larga de bobeira e atira neles!

Um bom pai sempre alimenta os filhos
(eu sei, essa foi terrível)
O roteiro não é surpreendente, uma vez que já foi repetidamente copiado, mas ainda assim é eficiente, como nenhuma de suas cópias conseguiu. SPOILER - Agente sabe que a menina vai se transformar, antes do fim. Também sabemos que irmão de Barbra reaparecerá como zumbi. Mesmo assim, ficamos impressionados quando acontece, especialmente a cena da menina devorando os pais. Fica gravado na memória. - FIM DO SPOILER.

De volta aos zumbis, a cenas onde eles se alimentam são as mais chocantes, fazem você pensar duas vezes antes de comer bife de fígado novamente. Contudo, é impossível desviar os olhos, assim como é difícil não se importar pelos vivos encurralados. Os zumbis mostrados por Romero causam um inexplicável fascínio no público. Normalmente troco terror por aventura, musical, fantasia sem pestanejar, mas desta vez dou o braço a torcer. A Noite dos Mortos Vivos é simplesmente espetacular!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quando se cria um mito

Se hoje em dia os filmes de zumbis são um grande filão dos filmes de terror, é tudo graças a este filme aqui. Todo o mito dos mortos que revivem e são sedentos de carne humana foi criado nesse clássico de 1968: como eles surgem (uma estranha radiação alienígena reanima os cérebros dos mortos não enterrados em poucos minutos), como matá-los (através do fogo ou um tiro certeiro na cabeça, o objetivo é exterminar o corpo ou inutilizar o cérebro reanimado), o que eles querem (comer carne humana, e só), como se multiplicam (cada pessoa morta que não é enterrada/queimada se torna um deles, assim como os que são mordidos - uma espécie de contaminação viral). E assim nasce um mito.


Nem vou ter problemas pra dormir hoje...


Filmes de terror, especialmente os de mortos-vivos e de alienígenas não são o meu forte (e eu já passei por uma provação com eles para o blog, em Alien - o 8º passageiro). Também não foi à toa que eu relutei horrores pra assistir esse filme. A noite dos mortos vivos (Night of the living dead), é um filme sobre zumbis, rodado em preto e branco e sem nenhum efeito especial. O que isso interfere num filme de zumbi? Em tudo (pelo menos pra mim).


Num filme de zumbis cheio de efeitos especiais, sangue espirrando pra todos os lados, sustos gratuitos, eu ainda consigo ver alguma coisa ridícula e me prender a ela; daí começo a rir, achar o clima do filme mais ameno e não enjoar enquanto as personagens vão sendo devoradas. Acontece que, nesse original de Romero, não tem nada disso. A filmagem em preto e branco torna tudo mais sombrio, as maquiagens "toscas" dos zumbis ficam mais reais, não tem susto gratuito. Nem mesmo sangue pra todo lado: só aparecem nas horas certas, para causar mais terror.

O roteiro é ótimo e não deixa nenhuma ponta solta: a explicação para os mortos estarem voltando à vida, como afastá-los, como matá-los, como tentar se proteger. As reviravoltas são empolgantes, as personagens refletem as possíveis reações ao medo (cada um reage de uma forma diferente: uma fica catatônica, o outro quer achar um jeito de sobreviver até conseguir fugir, o outro quer se esconder em um lugar seguro até ser resgatado), o cenário é devastador (uma casa, no meio do nada, cercada por zumbis famintos). E apesar do meu medo de zumbis, meu preconceito quanto aos filmes de terror e da minha relutância em assistir... Não é que eu gostei do fiilme?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Curiosidades dos zumbis


A Noite dos Mortos-Vivos (Night Of The Living Dead), dirigido por George Romero, é um filme de terror independente de 1968 em preto-e-branco. Ben (Duane Jones) e Barbra (Judith O'Dea) são os protagonistas de uma história sobre a reanimação misteriosa de indivíduos recentemente mortos, e seus esforços, junto de outras cinco pessoas, para sobreviverem a noite enquanto presos em uma casa de fazenda na região rural da Pensilvânia.
George Romero produziu o filme com um orçamento de 114.000 de dólares, e após uma década de relançamentos cinemáticos, faturou cerca de $12 milhões domesticamente e US$ 30 milhões internacionalmente. Em seu lançamento em 1968, Night of the Living Dead foi fortemente criticado por seu conteúdo explícito. Em 1999, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos o registrou ao seu Registro Nacional de Filmes como um filme considerado "historicamente, culturalmente ou esteticamente importante".
Night of the Living Dead teve um grande impacto sobre a cultura estado-unidense da era da Guerra do Vietnã, por ser carregado de críticas à sociedade do final dos anos de 1960; um historiador o descreveu como "subversivo em diversos níveis". Apesar de não ser o primeiro filme de zumbi, Night of the Living Dead é o progenitor de um sub-gênero contemporâneo de filmes de terror chamado "apocalipse zumbi", e influenciou o arquétipo moderno do zumbi na cultura popular. Night of the Living Dead (1968), é o primeiro de cinco filmes Dead dirigidos por George Romero, e foi refeito em duas ocasiões, como Night of the Living Dead (1990), dirigido por Tom Savini, e como Night of the Living Dead 3D (2006).

Direitos autorais
Night of the Living Dead passou para domínio público uma vez que o distribuidor original do filme, the Walter Reade Organization, negligenciou a adição de uma indicação de direito autoral nas cópias. Em 1968, a Lei dos Direitos Autorais dos Estados Unidos exigiu uma notificação apropriada para um trabalho manter um direito autoral. Image Ten apresentou tal notificação nos frames do título do filme abaixo do título original, Night of the Flesh Eaters. O distribuidor removeu a afirmação quando mudou o título. Segundo George Romero, Walter Reade "nos sacaneou".
Devido ao status de domínio público, o filme é vendido em home video por diversos distribuidores. Até 2009, o Internet Movie Database lista 28 cópias de Night of the Living Dead sendo vendidas em DVD e dezenove em VHS. O filme original está disponível para ser visto ou ser baixado sem nenhum custo em websites dainternet como Google Video, Internet Archive e YouTube. Até 5 de fevereiro de 2009, foi o segundo filme mais baixado do Internet Archive, com 582.049 downloads.

Outras Noites de Mortos-Vivos

Apesar de não ser o primeiro filme de zumbi, A Noite dos Mortos-Vivos é a principal referência para filmes do gênero desde que foi lançado. De fato o longa é o criador de um sub-gênero contemporâneo de filmes de terror chamado "apocalipse zumbi", e influenciou o arquétipo moderno do zumbi na cultura popular. Logo não é de se admirar que o filme tenha várias continuações, refilmagens e mesmo referências curiosas. Conheça algumas delas!

Sequências
Despertar dos Mortos, 1978
A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968)é o primeiro de cinco filmes de zumbis dirigidos por George Romero. Após o filme de 1968, chegaram Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978), O Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985), Terra dos Mortos (Land of the Dead, 2005) e Diário dos Mortos (Diary of the Dead, 2008). Cada filme traça a evolução da epidemia dos mortos-vivos nos Estados Unidos e as tentativas desesperadas da humanidade para lidar com isso. Como em A Noite dos Mortos-Vivos, Romero apimentou os outros filmes na série com críticas específicas aos períodos nos quais eles foram lançados.

No mesmo ano que Dia dos Mortos estreou, o co-roteirista de A Noite dos Mortos-Vivos, John Russo, lançou um filme intitulado A Volta dos Mortos Vivos (Return of the Living Dead). O filme de Russo oferece uma continuidade alternativa ao filme original para se opor à Despertar dos Mortos, mas agiu mais como uma sátira do que uma sequência. O filme de Russo gerou quatro continuações. A última, Return of the Living Dead: Rave from the Grave, foi lançada em 2005 como um filme para televisão.

Refilmagens
Versão de 1990


Foram feitas duas refilmagens do clássico até hoje. A primeira, lançada em 1990. A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead) foi dirigida por Tom Savini. Romero re-escreveu o enredo do original de 1968 do qual havia sido coautor junto a John A. Russo.


Em 2006 chegou A Noite dos Mortos-Vivos 3D (Night of the Living Dead 3D). A segunda refilmangem teve roteiro de Robert Valding. Mesmo com novo roteirista apresenta poucas alterações na história, seu maior atrativo é mesmo a tecnologia 3D.

Referências Curiosas
Foi por acidente que encontrei essa divertida referência. Procurando imagens para ilustrar minha resenha do filme encontrei uma que julguei ser da mocinha catatônica Barbra.

Não era Judith O'Dea!

Qual não foi a minha surpresa ao reconhecer Patrícia Arquete nos trajes e cenários de A Noite dos Mortos Vivos, com direito a zumbí, e tudo.

A série A Paranormal (Medium) da qual Arquete é protagonista, faz referência ao clássico de Romero.  O episódio especial de Halloween, intitulado Bite Me,  foi lançado em 2009 e utiliza cenas do filme. Nele Allison DeBouis, usa seus dotes paranormais para investigar a morte de um diretor de cinema. Em seus sonhos, veículo onde as pessoas do além se comunicam com ela e a ajudam a resolver os crimes, a personagem se vê participando de um filme de terror.

Reanimated
Original
Night of the Living Dead: Reanimated é uma colaboração artística em massa que visa recriar o clássico de Romero. Artistas e animadores internacionais foram convidados a seleccionar cenas do filme, e a reinventá-las através da sua arte. Aberta a todos os estilos, materiais e processos, o projeto teve cenas recriadas de todas as formas, desde Bonecos a CGI, Animação Tradicional a Flash, Pinturas a Óleo e Tatuagens. Os trabalhos foram organizados e montados de acordo com a linha temporal do filme original, de maneira a criar um vídeo totalmente novo, inteiramente feito de arte. Visite o site do projeto e assista os trailers.

domingo, 25 de julho de 2010

A Noite dos Mortos Vivos

Esta semana apocalipse zumbi em nossos sofás. Assistam com as luzes acesas!!!

A Noite dos Mortos Vivos
Night of the Living Dead- 1968- EUA
96min - preto e branco
Terror

Direção: George A. Romero

Roteiro: John Russo / George Romero

Musica: Scott Vladimir Licina

Com: Duane Jones, Judith O'Dea, Karl Hardman, Marilyn Eastman, Keith Wayne, Judith Ridley, Kyra Schon, Charles Craig, Bill Heinzman¹, George Kosana, Frank Doak, Bill 'Chilly Billy' Cardille, A.C. McDonald, Samuel R. Solito, Mark Ricci


sábado, 24 de julho de 2010

Protagonista da própria vida


Duas coisas me chamaram a atenção em Sindicato de ladrões: a atuação de Karl Malden como o engajado padre Barry e o fato de o personagem de Marlon Brando crescer tanto diante de nossos olhos em tão pouco tempo. Juro que não sei se isso é um mérito ou um defeito do roteiro, já que, no início do filme, Terry Malloy tem uma participação tão discreta que ameaçou me decepcionar. Mas, a partir do momento em que ele se encanta por Edie (Eva Marie Saint) e começa a tomar conta de sua própria vida, passa a assumir também o posto que lhe pertencia desde o princípio: o de protagonista. Se a metáfora é intencional eu não sei, mas dá uma boa reflexão, não?

Apesar de falar de máfia e tudo mais relacionado ao tema (poder obtido através de coerção, ameaças e violência), o longa de Elia Kazan se torna cada vez mais interessante à medida que invereda pelos conflitos que só nós, seres humanos, somos capazes de criar. E não são poucos os dramas que vão surgindo pelo caminho: um jovem culpado pela morte de um inocente, uma irmã determinada a se meter com gente perigosa para descobrir a verdade, um mafioso sofrendo com a possibilidade de o irmão ser morto por falar demais.

Aliás, a cena entre Charley (Rod Steiger) e Terry no carro é emblemática e mostra perfeitamente o dilema do bandido, que deve manter sua palavra, e tenta, com muito custo, evitar uma tragédia em família. Apesar de todos os esforços, todo mundo sabe que, quando a situação chega a esse ponto, não há muita chance para um final feliz. E é a partir daí que o filme cresce absurdamente, com ótimos momentos e atuações impecáveis. E o personagem de Brando só faz se tornar mais interessante. Dominando o ódio, preferindo a justiça à vingança, adquirindo consciência sobre si mesmo e, enfim, tomando coragem. A sequência final, feita para o ator brilhar, mostra um novo Terry, bem diferente daquele lá do início, covarde e acomodado. Antes tarde do que nunca, não é?

 ***
Ah, esqueci de falar a terceira coisa que mais me chamou atenção no filme: as sobrancelhas feitas de Marlon Brando. Como eu preferiria ter ficado sem elas...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O preço das escolhas

Incrível perceber o quanto um decisão afeta toda a sua vida dali pra frente. Em Sindicato de ladrões (On the Waterfront) acompanhamos a história de Terry Malloy (Marlon Brandon, sempre fantástico), um dos capangas de Johnny Camarada (Lee J. Cobb), aceitar fazer mais um favor para o "amigo". Mas as consequências de seus atos ficaram fora de controle.

O que era para ser apenas mais um "susto" em um possível delator, acabou se transformando em assassinato. Com a morte de um inocente, que sabia demais, mas era bem-quisto na região, o pavio da dinamite foi aceso. A bela irmã do assassinado (Eva Marie Saint) e até mesmo o padre (Karl Malden) também resolveram entrar na briga, na luta por justiça. Mas para brigar com os grandes não basta só coragem: é preciso união, e unir uma classe dividida pelo medo (tanto de quem manda quanto o próprio medo de morrer de fome) não é assim tão fácil.

Se conselho fosse bom...


Conforme Terry se envolve com Eddie vai percebendo onde cada decisão errada acabou o levando, e a consciência de seus erros o faz querer acertar tudo. Mas como fazer a coisa certa sem ser um delator, ou pior, um traidor? Como trair até mesmo seu próprio irmão Charley (Rod Steiger), que cuidou dele quando órfãos e de sua carreira de boxeador, até virar o braço direito de Johnny Camarada? Por fim, ele decide fazer o que acha certo, e se torna senhor de seu destino, aceitando todas as consequências que ele sabe que virão.

Absolutamente envolvente, o filme prende a atenção do início ao fim, muito graças às fabulosas interpretações de Brando, Malden e J. Cobb: o espectador sente a angústia de um e a compaixão e o fervor ideológico de outro, além de sentir nojo daquele chefe de sindicato, que só "cresceu na vida" porque foi ambicioso, desonesto, inescrupuloso. Mais um pra minha lista de favoritos.
**Desculpem a demora em meu post, mas quase fico sem poder postar: como as locadoras não tem um filme desses em seus catálogos? Se vocês soubessem a dificuldade que foi pra achar o dvd... Mas posso dizer que o esforço valeu a pena.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Prêmios do Sindicato

Brando exibe sua estatueta
ao lado de Grace Kelly
Não, não. Não estou falando de sindicato de atores, nem de diretores, nada disso. Estamos falando dos muitos prêmios recebidos por sindicato de ladrões, a maioria em 1955. Aproveitem, não é sempre que se vê a Academia, premiar o Sindicato!

Oscar
  • Melhor filme
  • Melhor diretor
  • Melhor ator para Marlon Brando
  • Melhor atriz coadjuvante para Eva Marie Saint
  • Melhor direção de arte - preto e branco
  • Melhor fotografia - preto e branco
  • Melhor edição e melhor roteiro.

Indicado nas categorias de melhor ator coadjuvante (Karl Malden, Lee J. Cobb e Rod Steiger) e melhor trilha sonora.

BAFTA (Reino Unido)
  • Melhor ator estrangeiro (Marlon Brando)

Indicado nas categorias de melhor filme e melhor revelação (Eva Marie Saint).

Globo de Ouro 
  • Melhor filme - drama
  • Melhor diretor
  • Melhor ator - drama para Marlon Brando
  • Melhor fotografia - preto e branco.
Prêmio Bodil (Dinamarca)
  • Venceu na categoria de melhor filme americano.
Festival de Veneza 1954 (Itália)
  • Ganhou o Leão de Prata 
  • E o prêmio dos críticos de cinema italianos

Indicado ao Leão de Ouro.

Festival de Veneza (Itália)
  • Recebeu o Prêmio OCIC

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Faça a coisa certa!

X9 ou não X9? Eis a questão!

Quem matou Joey Doyle?
Essa nem é uma pergunta cercada de mistérios até o fim da história, como “Quem matou Odete Roitman?” Desde o início de Sindicato de Ladrões conhecemos o culpado, não só nós mas todos os moradores da zona portuária. Mesmo assim as invetigações da polícia não evoluem. Ninguém quer ser o delator e colocar a cara a tapa.

Também sabemos desde o início sobre o envolvimento de Terry Maloy (Marlon Brando) no crime. O quase-boxeador é irmão do braço direito do chefão da máfia que comanda o sindicato dos estivadores, e presenciou o crime. Apesar de sentir culpa, só começa a pensar em fazer a coisa certa depois que uma bela moça entra na jogada, a irmã da vítima (Eva Marrie Saint) determinada a encontrar e punir os assassinos de seu irmão.

Terry está longe de ser um mocinho, é mal educado, grosso e sua idéia de romance é tomar uma cerveja em um bar sujo. É um mocinho marginal, mas não é pior que nenhum outro morador da região que assistem passivamente aos “crimes do sindicato”. Logo, sua luta interna cativa o expectador. “Me mantenho seguro ou faço a coisa certa?”

Fazer a coisa certa! Tarefa difícil no cenário em que se passa o filme, onde o delator não é visto como traidor apenas pelo bandido, mas por todos naquela sociedade.  Quem age com justiça enfrenta represálias e caras feias por toda parte, além é claro de por a vida em risco.

Criando um herói na marra!
Mas o roteiro é otimista, e diz que se tiver força de vontade e continuar fazendo a coisa certa uma hora tudo vai melhorar. Ainda resta tempo para assistirmos o “empurrãozinho” do padre para o nascimento de um herói local, daqueles que a multidão segue sem questionar. Tudo emocionalmente reforçado por uma trilha sonora forte e marcante.

Ainda não sei se é curioso ou irônico que o herói de Sindicato de Ladrões seja um delator. Uma vez que o diretor Elia Kazan foi o dedurou vários colegas comunistas em Hollywood na época da Guerra Fria. De qualquer forma é um bom filme! 

terça-feira, 20 de julho de 2010

Curiosidades do Sindicato

Sindicato de Ladrões foi inspirado em "Crime on the Waterfront", uma série de artigos publicados no New York Sun que rendeu a Malcolm Johnson o Pulitzer, em 1949.

Arthur Miller chegou a ser contratado para escrever o roteiro, mas posteriormente deixou o projeto.

Há Lodo No Cais, é assim que nossos colegas portugueses chamam o filme de Kazan.

O roteiro foi recusado pelo produtor Darryl F. Zanuck, na época o responsável pela 20th Century Fox.

Elia Kazan recebeu o salário de US$ 100 mil, mais 25% das bilheterias para dirigir Sindicato de Ladrões.

Frank Sinatra chegou a estar cotado para interpretar o personagem Terry Malloy, tendo até mesmo conversado com o diretor Elia Kazan sobre o papel. A escolha por Marlon Brando foi do produtor Sam Spiegel, acreditando no maior apelo do ator junto às bilheterias.

Brando recebeu o salário de US$ 100 mil para atuar no longa.

Este é o 3º filme em que o diretor Elia Kazan e o ator Marlon Brando trabalharam juntos. Os demais foram Uma Rua Chamada Pecado (1951) e Viva Zapata (1952).

Grace Kelly recusou a personagem Edie Doyle, tendo preferido atuar em Janela Indiscreta (1954).

Este é o último de 4 filmes em que o diretor Elia Kazan e o ator Karl Malden trabalharam juntos. Os demais foram O Justiceiro (1947), Uma Rua Chamada Pecado (1951) e Boneca de Carne (1956).

Eva Marie Saint, Pat Hingle, Martin Balsam e Fred Gwynne estrearam nas telonas neste filme..

Tony Galento, Tami Mauriello e Abe Simon eram lutadores de boxe profissionais na época das filmagens, com todos tendo enfrentado o campeão mundial Joe Louis.

É o único filme sem ser musical que teve sua trilha sonora composta por Leonard Bernstein.

O Oscar ganho por Marlon Brando pelo papel principal no longa desapareceu. Até hoje não se sabe se o ator o perdeu ou se ele foi roubado. Brando conseguiu recuperar a estatueta por acaso, graças ao contato de uma casa de leilões de Londres, que pretendia negociá-la.

domingo, 18 de julho de 2010

Sindicato de Ladrões

Esta semana junte-se a Brando em seu sindicato

Sindicato de Ladrões
On the Waterfront- 1954- EUA
108min - preto e branco
Drama

Direção: Elia Kazan

Roteiro: Malcolm Johnson / Budd Schulberg

Musica: Leonard Bernstein

Com: Marlon Brando, Karl Malden, Lee J. Cobb, Rod Steiger, Pat Henning, Leif Erickson, James Westerfield, Tony Galento, Tami Mauriello, John F. Hamilton, John Heldabrand,
Rudy Bond, Don Blackman, Arthur Keegan, Abe Simon, Eva Marie Saint, Martin Balsam, Fred Gwynne, Thomas Handley, Anne Hegira.


Inspirado em "Crime on the Waterfront", série de artigos publicados no New York Sun

sábado, 17 de julho de 2010

Quando a fantasia supera a realidade

Assisti a Blow up - Depois daquele beijo totalmente desavisada. Não sabia nem mesmo do que se tratava a história. Às vezes gosto de fazer isso. Primeiro porque muitas sinopses não fazem jus ao filme, principalmente aquelas "orelhas" dos DVDs; segundo, porque gosto de surpresas. No caso do longa de Antonioni, isso pode ter dificultado a compreensão, mas me permite mudar de opinião conforme o desenrolar da trama. Vejamos.

Logo no início acompanhamos o fotógrafo Thomas (David Hemmings) em ação, fotografando várias sessões de moda. Enquanto com a top Veruschka (como era magra!) ele demonstra bastante intimidade, com as demais ele se transforma em um verdadeiro carrasco: criticando sem parar o desempenho das moças, ele é estupido, impaciente, grosseiro. Juro que me senti vendo Brazil's next top model ali, fiquei com peninha. Mas já deu pra sentir a personalidade do cara, o que o torna ainda mais interessante. Um protagonista detestável? Adoro.

Em seguida, vem o momento-chave do filme, quando Thomas descobre, meio sem querer, um casal num parque praticamente deserto. Imediatamente, ele começa a clicar o que seriam momentos da intimidade dos dois. Pensei: agora ele vai bancar o paparazzi? Mas ele não estava atrás de um flagra, e sim de uma bela imagem. E isso se encaixaria perfeitamente no seu projeto de livro que estava em andamento. E poderia continuar sendo só isso se Jane (Vanessa Redgrave, linda e misteriosa na medida) não surgisse, perturbada e suplicante, pedindo as fotos. Gostei bastante do embate dos dois: ele, mais arrogante do que nunca; ela, completamente desnorteada, aparentemente frágil, possivelmente lamentando ter sido vista com alguém em uma situação comprometedora. Tudo nos leva a simpatizar com a pobrezinha, não é? Mas nem tudo é o que parece.

Mais tarde, ela descobre o endereço de Thomas e vai cobrar satisfações. Se ele não ficou com medo, eu fiquei. No mínimo, ele estava sendo vigiado. Mas o que era para ser uma conversa tensa foi, na verdade, uma das melhores sequências do filme, sensual até dizer chega. Mas tudo conduzido com muita elegância por Antonioni: corpos nus sem mostrar mais do que o necessário, diálogos enxutos. Depois de enganar nossa amiga, o fotógrafo percebe o quanto o material que ele tem em mãos é importante. E aí é um tal de ampliar e ampliar fotos para descobrir o que seria... um assassinato. Nossa, então o que seria um furtivo encontro de amantes era, na verdade, um crime premeditado! Tudo fazia sentido, e a história muda completamente.

A partir de então, Thomas fica obcecado em descobrir mais sobre a história. Só que tudo que era muito nítido até agora fica somente a cargo do protagonista. Ele foi o único que viu as fotos, o corpo no parque, a arma ampliada etc. etc. Conduzido até então como um filme realista, Blow up nos faz crer exatamente em tudo que foi dito até este momento como sendo verdadeiro. Quando nos deparamos com uma situação que pode ter ocorrido apenas na mente de Thomas, passamos a questionar tudo que foi visto até então. O estranhamento é inevitável.

O roteiro, que é inspirado em um conto do argentino Julio Cortázar, consegue captar uma característica literária  bastante interessante: o narrador personagem, aquele que conta e vivencia a história ao mesmo tempo. E aí, nós, espectadores, ficamos de mãos atadas, sem saber até que ponto tudo que nos foi dito realmente aconteceu ou não foi distorcido, exagerado ou omitido pela mente fantasiosa de alguém. Não vamos esquecer de que estamos falando da juventude londrina da década de 1960, embalada mais que nunca por sexo, drogas e rock'n'roll. Aliás, todos os ingredientes estão no filme, só que de uma forma tão suave, que não nos damos conta de que tudo pode ser uma grande viagem. Como diz Veruschka em uma cena do filme, ao ser perguntada se ela não deveria estar em Paris: "Mas eu estou em Paris". Alguém vai contrariá-la?


E eu não poderia deixar de falar sobre a belíssima cena final, um imaginário jogo de tênis entre dois mímicos. Poesia pura. Confesso que quando Thomas "joga" a bola de volta para a quadra e aparece um imenso The end na tela, eu exclamei um sonoro "Como assim?". Mas, depois, pensando sobre o que escrever aqui neste post, me dei conta de que a fantasia, às vezes, é bem mais interessante que a realidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Curiosidades de "Blow up" (Atualizado)

Além de ter sido o primeiro filme em língua inglesa de michelangelo Antonioni, foi também o primeiro a exibir uma cena de nudez fronta lfeminina (da cantora-atriz Jane Birkin) em um filme não-erótico e dirigido ao grande público.

Quatro mil dólares. Esse foi o preço que o produtor do filme, Carlos Ponti, gastou para comprar os direitos autorais do conto "As armas secretas", extraído do livro "As babas do diabo", de Julio Cortázar. o filme rendeu 25 milhões de dólares.

Segundo o crítico Guillermo Arias, na revista on-line de cinema "Feedback-zine", "Blow up é um filme intimamnte ligado ao tempo em que foi feito: Londres, meados dos anos 60, baseado num conto de Julio Cortázar que questiona o poder da veracidade da imagem através da história de um fotógrafo que assegura poder resolver o enigma de uma um crime a partir da análise de uma série de fotografias que ele tirou e que amplia sucessivamente".

Esse filme foi citado como a fonte de inspiração para dois filmes de Hollywood, A conversação (1974), de Francis Ford Coppola e Blow out (1981), de Brian de Palma.

A banda The Yardbrids interpreta uma canção antes do final do filme. Ganhou o Grand Prix no Festival de Cannes em 1967.

A escolha de Antonioni para a personagem Jane foi Eva-Britt Strandberg. A atriz teve uma reunião com o diretor e executivos da MGM, que não a aprovaram por considerá-la nariguda demais.

O fotógrafo David Bailey esteve cotado para interpretar o personagem Thomas. Já Terence Stamp foi o escolhido para interpretar Thomas, mas deixou o projeto duas semanas antes do início das filmagens que ocorreram entre 24 de abril e julho de 1966.

Existe uma versão com 14 minutos a menos, editada pela CBS para sua primeira exibição na TV americana.

O orçamento de Blow-Up - Depois Daquele Beijo foi de US$ 1,8 milhão.

O roteiro do filme foi parcialmente baseado no conto Las babas del diablo do argentino Julio Cortázar.

O longa foi citado como a fonte de inspiração para dois filmes de Hollywood, A Conversação (1974) de Francis Ford Coppola e Blow Out (1981) de Brian DePalma.-

Blow-Up recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Inglesa. E 3 indicações ao BAFTA, nas categorias de Melhor Filme Britânico, Melhor Direção de Arte - Filme Britânico e Melhor Fotografia - Filme Britânico. O único que levou para casa foi a Palma de Ouro, no Festival de Cannes.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Cada Momento um Flash

"Olha o passarinho!"
Uma imagem vale mais que mil palavras. Especialmente quando ela mostra mais do que você pode ver. Algumas fotografias de Thomas (David Hemmings) são assim. Não é atoa, ele liga mais para ela que para as pessoas.

Em um dia comum de trabalho, ele trabalha em seu estúdio, mas também dá uma volta por aí, procurando imagens interessantes para seu livro de fotografias. Curiosamente, ou não, ele "passa batido" por cenas que dariam ótimas fotos, como uma dezena de mímico barulhentos em um carrinho, quatro homens vestindo trajes africanos em plena Londres, ou ainda um garotinho entediado, atrás de um portão.

Quando finalmente encontra algo interessante para fotografar Thomas, segue um casal enamorado em um belo parque, e escondido os fotografa. Focado no primeiro plano, acaba sem perceber produzindo provas de um assassinato. Acompanhamos, passo-a-passo, a descobertas que o fotógrafo faz ampliando as imagens, bem como sua reação. Meio confuso e totalmente sem ação ele nos leva a situações inusitadas, que mostram como a vida pode ser estranha.

Sabe como as pessoas se comunicavam no carro nos anos 60? Com um rádio, câmbio! Mesmo assim Blow-up é um filme com pouquíssimas falas, talvez por que Thomas, esteja sempre sozinho, observando, pensando. 

Devagar, quase parando, é assim que vemos o mundo através das lentes de Thomas. É interessante e cheio de coisas que agente não entende, como os mímicos, em uma partida de tênis imaginário. Também não entendemos o objetivo de algumas cenas, e personagens, o que eles estão fazendo ali? Será o reflexo das relações vazias dos nossos tempos? 

Perguntas! O filme faz muitas, seja relacionadas a história ou ao comportamento humano. O que o fotógrafo deve fazer? Ele realmente viu o que viu? O que ele viu? Como um pedaço de guitarra pode valer tanto para alguns, e se tornar lixo ao virar de uma esquina?

Respostas! Não traz nenhuma.O final em aberto nos deixa um pouco irritados, mas a essa altura já entendemos, a estranheza do mundo que o longa quer nos mostrar. Em um longa que apenas perguntas chegamos a uma conclusão. Nos contentamos com as belas imagens, e percebemos que assim como os takes de Antonioni, a cada momento a vida pode merecer um flash

"Sorria! Acada momento um flash!"

terça-feira, 13 de julho de 2010

Quando você acha que está ficando louco...

... É porque tem alguma coisa errada. Na maioria das vezes, quando achamos que tem algo de errado, é porque estamos certos. Mesmo que ninguém acredite na gente. Mas quando você começa a duvidar de si próprio, então tem coisa errada. E é essa a sensação que fica ao fim do filme.

Blow up - Depois daquele beijo (Blow up) é um filme interessante. Extremamente visual (cada cena, se congelada, é uma fotografia), tem um ritmo característico do cinema italiano (apesar de ser o primeiro filme do diretor em inglês) e poucas falas, o que atiça a imaginação do espectador como a do fotógrafo. Você começa acompanhando um pouco da rotina do fotógrafo: trabalha no estúdio, sai um pouco, fotografa na rua, volta pra revelar os filmes e ampliar as fotos, escolhe as melhores, encontra o agente para discutir o lançamento do livro, volta pro estúdio. Então ele vê uma cena que acha interessante fotografar, um casal num parque, e resolve acompanhá-los. Descoberto, a mulher o pressiona a entregar as fotos. Mas ele não quer, porque ficaram muito boas e por não ter somente aquelas fotos no negativo. Pronto, amigo: você está enrascado.

Já diz o ditado: quem procura, acha.

Imagine que é você que vai andar por aí, só com uma câmera na mão, e de repente você chega em casa e percebe que tem em mãos a prova de um crime? E quando você volta pra investigar, percebe que era mesmo um crime, que o cadáver atrás da moita não era imaginação sua. Então sua casa é invadida, suas fotos e negativos levados embora e a única prova que você tem é o próprio cadáver, que precisa ser fotografado. Mas daí você pede ajuda pro seu amigo e ele não vai te ajudar porque tá muito doido. De enlouquecer, não?

Ressalto a cena mais diferente que eu já vi num filme: anos 60, Londres, show de rock num galpão abandonado, musicos bons e uma multidão... parada. Ninguém se movia, só ouvia. Estranhei muito. Só quando a caixa de som começa a pifar e o guitarrista se irrita e desconta nela e na guitarra a sua raiva que o pessoal mostra que está vivo. Seria a idéia do diretor mostrar como surgiu essa mitologia de que os astros do rock deveriam quebrar os instrumentos no palco pra animar o show?

O filme corre num ritmo lento, mas constante. O mais legal, pra mim, foi acompanhar os processos de ampliação das fotos. É incrível ver que uma simples foto pode esconder tantos detalhes, e que a ampliação e enquadramento fazem toda a diferença. Os filmes negativos dão possibilidades infinitas, fora o charme de se fotografar com uma analógica e ter um laboratório em casa pra fazer a revelação e ampliação das fotos (sonho de consumo, confesso).

O final é meio abrupto, mas faz a gente pensar: o quanto de importância a gente dá a coisas mínimas? Quantas coisas passam despercebidas pela gente? Será que vale a pena se preocupar com tudo? Ou às vezes é melhor deixar pra lá? Vale a reflexão.

domingo, 11 de julho de 2010

Blow-Up - Depois Daquele Beijo

O primeiro filme de língua inglesa de Michelangelo Antonioni.

Blow-Up - Depois Daquele Beijo
Blow-Up- 1966 - Inglaterra/Itália
111min - Colorido
Drama

Direção: Michelangelo Antonioni

Roteiro: Michelangelo Antonioni /Tonino Guerra

Musica: Herbert Hancock

Com: Vanessa Redgrave,Sarah Miles, David Hemmings, John Castle, Jane Birkin, Gillian Hills, Peter Bowles, Verushka, Julian Chagrin, Claude Chagrin, Jeff Beck, Susan Broderick, Tsai Chin, Chris Dreja, Melanie Hampshire, Harry Hutchinson, Jill Kennington, Mary Khal, Chas Lawther, Jim McCarty, Peggy Moffitt, Rosaleen Murray, Ann Norman, Ronan O'Casey, Jimmy Page, Keith Relf, Janet Street-Porter, Reg Wilkins.

Parcialmente baseado no conto Las babas del diablo do argentino Julio Cortázar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Um pouco de nonsense não faz mal a ninguém


Ainda não tinha visto nenhum filme dos irmãos Marx até o clássico dessa semana, O diabo a quatro. E foi uma surpresa bem agradável. Aliás, fui só eu que lembrou muito dos nossos Trapalhões ao vê-los em cena? Groucho, Harpo, Chico e Zeppo devem ter sido uma grande (se não a maior) inspiração para Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Pelo menos, foi essa a minha impressão. Acho que, para quem é da minha geração, deve ser inevitável a comparação. Aquele tipo de humor, em muitos momentos bastante infantil, me fez lembrar que às vezes um pouco de ingenuidade faz bem à comédia. Foi assim nas melhores sequências do filme, em que os diálogos são até dispensáveis.
 
Confesso que fiquei meio tensa quando começaram os números musicais (e aquele insuportável hino de Freedônia), mas me senti devidamente "vingada" na divertida cena final. O roteiro é sim uma grande sátira política: fala de totalitarismo, falsas alianças políticas, jogos de interesses e outros temas que a gente está cansado de saber. Mas a graça do longa está mesmo em certos detalhes, como Rufus (Grouxo) ser incapaz de manter uma conversa com o mínimo de sentido. Algumas piadas se perdem na tradução (quem prestar atenção ao diálogo original em inglês vai perceber isso), mas o ar nonsense se mantém do início ao fim, garantindo o charme do filme.

E não podemos esquecer do intencional ridículo bigode pintado de Rufus ou da inexplicável obsessão de Pinky (Harpo) com sua tesoura. Charuto, chapéu, bolsos, nada escapava a ele! Absolutamente sem sentido, mas engraçado. Mas a minha sequência favorita é a da briga com o vendedor de limonada aí da foto. A sequência em que Chicolini e Pink se disfarçam de Rufus também é genial, desde suas caracterizações, rápidas trocas de cena até a ótima parte em que os irmãos se encaram diante de um inexistente espelho. Ah, deu saudade de assistir a Os Trapalhões...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um pouco mais do elenco: Irmãos Marx

Zeppo, Harpo, Chico e Groucho
Chico (Leonard Marx), Harpo (Adolph Arthut), Grouxo (Julius Henry), Gummo (Milton) e Zeppo (Herbert), eram irmãos e juntos formaram um grupo de comediantes de teatro, cinema e TV conhecidos como Irmãos Marx.

Filhos de imigrantes judeus, nasceram em Nova Yorke e mostravam talento musical desde a infância. Harpo podia tocar vários instrumentos, inclusive harpa que tocou com frequência nos filmes. Chico era pianista e Grouxo tocava violão.

Começaram no teatro vaudeville, onde seu tio al Shean atuava, como parte da dupla Gallagher and Shean. Groucho estreou em 1905 como cantor. Dois ainos depois ele e Gummo formaram um trio junto com Mabel O'Donnell, The  Three Nightingales. Em 1908 Harpo se tornou o quarto Nihtingales, que siginifica rouxinol em português.The Four Nihtingales se tornou The Six Mascosts, em 1910, quando incluiu mamãe Marx e a tia Hannah.

Certa noite, em um teatro de Nacogdoches, Texas a apresentação foi interrompida pelos gritos vindos de fora por causa de uma mula descontrolada. A platéia correu para fora a fim de ver o que estava acontecendo e quando retornou, Groucho, enfurecido com a interrupção, disse que "Nacogdoches está cheia de baratas" e outras coisas. Em vez de se enfurecer, a platéia gargalhou. Foi aí que a familia percebeu uma nova possibilidade artistica para a trupe, a comédia.

Com o tempo as aprensentações de canto com um pouco de comédia evoluiram pra um esquete passado em uma sala de aula. Groucho era o professor e os outros seus alunos. Achou que o professor Girafales e o professor Raimundo eram os pioneiros, né!


Gummo foi lutar na Primeira Gerra Mundial, e Zeppo o subistituiu nos ultimos anos do teatro vaudeville, na Brodway e nos filmes da Paramout. Nessa época os irmãos, agora conhecidos por The Four Marx Brothers começaram a desenvolver seu peculiar tipo de comédia e a desenvolver seus personagens. Groucho começou a usar seu bigode pintado; Harpo, a usar buzinas de bicicleta e nunca falar (ele não era mudo), Chico, a falar com um falso sotaque italiano.


Na década de 1920, os Irmãos Marx se tornaram um dos grupos teatrais favoritos nos Estados Unidos. Seu aguçado e bizarro senso de humor, satirizava instituições como a alta sociedade e a hipocrisia humana. Sob a gerência de Chico e a direção criativa de Groucho, o vaudeville dos irmãos os tornou famosos na Broadway.

Quando Hollywood fez a mudança do cinema mudo para o cinema falado, os espetáculos dos Marx se tornaram pupolares. Eles fecharam contrato com a Paramount e começaram uma nova fase em sua carreira, a dos filmes. Horse Feathers (Os Reis da Pelota) de 1932, no qual satirizaram o sistema universitário americano, foi o filme mais popular até então e ganhou uma capa na revista Time.

O último filme na Paramount, Duck Soup, ou O Diabo a Quatro em português,  de 1933 (o filme da semana no DVD, Sofá e Pipoca) dirigido por Leo McCarey, é o único na lista dos filmes do século do American Film Institute. Na época o público não foi receptivo à sátira aos ditadores e as guerras. Depois desse filme, Zeppo declarou que não faria mais filmes.

Os três remanescentes se mudaram para a Metro Goldwyn Mayer, e seguindo a sugestão do produtor Irving Thalberg alteraram a fórmula dos filmes seguintes. Misturaram romance e numeros musicais, não cômicos a sua comédia. Os cinco primeiros são considerados geniais em sua forma. Entretanto, com a morte de Thalberg em um tiroteio em 1936 o grupo ficou sem quem os protegesse e ajudasse na MGM.
Chico, Groucho e Harpo em 1948

Após uma curta experiência na RKO (Room Service, 1938), os Irmãos Marx fizeram três filmes razoáveis antes de sair da MGM, At the Circus (1939), Go West (1940) e The Big Store (1941). Outros dois filmes foram feitos para saldar as dívidas de jogo de Chico, A Night in Casablanca (1946) e Love Happy (1949), ambos produzidos pela United Artists.

Eles trabalharam juntos depois, em cenas diferentes, em um filme considerado ruim, The Story of Mankind (1957). E em 1959 em um especial de televisão, The Incredible Jewel Robbery em 1959. Chico e Harpo fizeram algumas aparições teatrais juntos. Enquanto Groucho começou uma carreira de apresentador, de 1947 até meados dos anos 60, no programa You Bet your Life. Tambem escreveu livros autobiográficos: Groucho and Me (1959) e Memoirs of a Mangy Lover (1964).

Em 16 de janeiro de 1977, Os Irmãos Marx colocaram seu nome na Calçada da Fama.

Confira abaixo a filmografia irmãos Marx.

Filmes com os quatro irmãos:

Humor Risk (provavelmente de 1921), nunca lançado, possivelmente perdido
The Cocoanuts (1929), Paramount
Animal Crackers (1930), Paramount
The House that Shadows Built (1931), Paramount
Monkey Business (1931), Paramount
Horse Feathers (1932), Paramount
Duck Soup (1933), Paramount

Filmes somente com Harpo, Chico e Groucho:

A Night at the Opera (1935), MGM
A Day at the Races (1937), MGM
Room Service (1938), RKO
At the Circus (1939), MGM
Go West (1940), MGM
The Big Store (1941), MGM
A Night in Casablanca (1946), United Artists
Love Happy (1949), United Artists
The Story of Mankind (1957)

Fonte: Wikipédia.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bravos e livres???

Freedonia, terra dos bravos, livres e anarquicos non-sense
Participando deste projeto, já viajamos aos lugares mais distintos. Estivemos, no deserto, em mar aberto, em galáxias distantes e até em algum lugar além do arco-iris, mas ouso afirmar: não há lugar como Freedonia, terra dos bravos e livres!

Bravos e livres, é?... Tá mais para anárquicos non-sense.

O pequeno país está em uma crise financeira. Para conseguir dinheiro aceitam as exigências da milionária senhora Teasdale (Margaret Dumont, pompa e postura digna de filme mudo) e tornam Rufus T. Firefly (Groucho Marx) seu soberano. Ele não leva jeito algum para o cargo e logo aparecem planos de golpe vindo do país vizinho. Sylvania contrata dois espiões para coletar informações sobre Firefly, Chicolini ( Chico Marx), que além de espião também trabalha como vendedor de amendoim e Pink (Harpo Marx).

O filme é curtinho, pouco mais de uma hora, e acredite se quiser a enorme sinopse acima não conta tudo (até porque não teria graça!). Ainda tem muita história cujo desenrolar é, no mínimo,  inusitado, não pela história original, mas por como ela é contada, com diálogos sem sentido ditos por personagens de acuidade mental duvidosa.

Em matéria de insanidade, os irmãos Marx, dão um show. O que torna ainda mais estranho o fato de poucos conhecerem seus filmes.  Físicas ou verbais suas piadas são impagáveis. Destaco a cena do espelho. É boba, mas por alguma razão me fez rir a beça. E anoto uma frase para usar mais tarde: Bem, em quem você vai acreditar, em mim ou em seus próprios olhos?

Ainda sobra tempo para cenas sem função alguma na trama, como as das barracas de amendoim e limonada. E e grandes e bem coreografados números musicais. Afinal, não existe nada mais non-sense que sair cantando e dançando, sem razão aparente em meio a uma conversa séria. Muito apropriado para contar a história de Freedonia, terra dos bravos, livres e anárquicos non-sense.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Confusão à vista

Os quatro Marx na cena da guerra: até disso eles fazem piada

O diabo a quatro (Duck soup) é um dos felizes casos de tradução de títulos: ficou perfeito, porque os irmãos Marx aprontam de tudo! É muito engraçado de ver. São 68 minutos de situações criadas especialmente pra fazer o público rir - sem nem ligar muito por roteiro. Humor puro, simples, ingênuo e, aos mesmo tempo, sagaz. As situações criadas especialmente para a risada às vezes não se encaixam tão bem no roteiro, mas nada que atrapalhe o charme do filme (dá pra chamar de longa?).

A história começa com a Sra. Teasdale se negando a doar mais dinheiro para o governo do quase falido e fictício país Freedonia. Para tanto, ela pede que o Primeiro Ministro seja substituído e em seu lugar, entre o ilustríssimo (e esquizofrênico, devo dizer) senhor Rufus T. Firefly (Groucho Marx). É o bastante pra virar de pernas pro ar a vida no país, que vai até parar numa guerra por causa das confusões armadas por Firefly. Acho que nem vale a pena contar aqui todas as trapalhadas - o filme é tão curtinho e tão gostoso de assistir que até estragaria algumas surpresas contar as situações aqui.

O filme é uma grande sátira aos filmes musicais. A cena final, inclusive, representa o que todo o mundo que odeia musicais (os da época e os atuais) gostariam de fazer quando a cantoria começa do nada. E, confesso, até eu queria pegar aquelas frutas e atirar na cabeça dos figurantes quando começava o hino da Freedonia. É inegável o talento dos irmãos para a comédia física (em especial para a dupla que interpreta os espiões Chicolini e Pinky, Chico e Harpo) e o tempo reduzido do filme ajudam a dar o ritmo certo (quase frenético) para o desenrolar da história. Pode parecer ignorância minha, mas eu nunca tinha ouvido falar antes dos irmãos Marx. Me pergunto: o que foi que eu perdi até agora?

domingo, 4 de julho de 2010

O Diabo a Quatro

Comédia das antigas com os irmãos Marx!

O Diabo a Quatro
Duck Soup- 1933- EUA
68min - Preto e branco
Comédia

Direção: Leo McCarey

Roteiro:  Graham Greene

Com: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, Margaret Dumont, Raquel Torres, Louis Calhern, Edmund Breese, Leonid Kinsky, Charles B. Middleton, Edgar Kennedy.

sábado, 3 de julho de 2010

Curiosidades vertiginosas



Deteriorados pelo tempo e pela má conservação, os negativos originais do filme, considerado a maior obra-prima do mestre Hitchcock e um dos maiores filmes de todos os tempos, foram restaurados completamente em 1996, a um custo de um milhão de dólares, por Robert Harris e James Katzos, os mesmos laboratoristas que recuperaram os originais de Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, que a gente já comentou aqui no blog) e Minha bela dama (My fair lady).


Hitchcock queria a atriz Vera Miles para o papel de "Madeleine", mas ela ficou grávida e não pode atuar no filme. O diretor aparece no filme aos onze minutos, vestindo terno cinza e caminhando no estaleiro.

Barbara Bel Geddes, que interpretou a ex-namorada do detetive, tornou-se mundialmente famosa e conhecida do público não-cinéfilo muitos anos depois, ao interpretar a matriarca Eleanor Ewin, na popular série de televisão Dallas, nos anos 70 e 80.

Uma das coisas mais legais do filme é o efeito de câmera que dá a sensação de vertigem (título original do filme: vertigo = vertigem). O filme criou um efeito pioneiro no cinema que, mais tarde, seria usado largamente. O efeito foi tão original que um de seus nomes é Vertigo effect. O efeito Vertigo se propõe a destorcer o cenário, aproximando o que está em primeiro plano e aumentando o que está em segundo plano. Também é conhecido por outros nomes: dolly out, Hitchcock effect.


A figurinista Edith Head e Alfred Hitchcock tinham por intenção dar um visual não-convencional Madeline Elster, personagem de Kim Novak. Deste modo, escolheram uma roupa cinza para Madeline, por achar que seria estranho ver uma mulher loira totalmente vestida desta cor.

O filme foi baseado no livro "D'Entre les Morts", da dupla Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Este foi escrito especialmente para Hitchcock após os autores tomarem conhecimento de que o diretor tentara comprar os direitos de adaptação para o cinema de seu livro anterior, "Diabolique".

Apesar dos créditos indicarem o roteiro como de autoria de Alec Coppel e Samuel A. Taylor, Coppel não escreveu uma palavra sequer da versão final do roteiro. Seu nome apenas apareceu nos créditos por questões contratuais, já que Taylor desenvolveu o roteiro final baseando-se apenas nos relatos de Alfred Hitchcock, sem ter lido nem o script original nem o livro em que a história foi baseada.


Um Corpo Que Cai esteve inacessível ao público em geral durante décadas. Isto porque Hitchcock comprou de volta os direitos de 5 de seus filmes e os deixou de legado para sua filha. Estes filmes receberam o apelido de "os 5 filmes perdidos de Hitchcock" e apenas estiveram novamente ao alcance do público em 1984, quando foram relançados nos cinemas, com uma distância de quase 30 anos desde seu primeiro lançamento. Os demais filmes do pacote eram Festim Diabólico (1948), Janela Indiscreta (1954), O Homem Que Sabia Demais (1956) e O Terceiro Tiro (1955).

Na época o filme foi recebido pela crítica com reservas. Hoje , porém, é considerado a obra-prima de Hitchcock.

Vertigo em videoclipe

No clipe da música "Last cup of sorrow", a banda Faith no More faz diversas referências a Um corpo que cai. Entretanto, elea parecem ter escolhido trocar o suspense pelo bom humor.

Locações, cenários, figurinos e takes, eles imitam tudo direitinho, até resolverem bagunçar tudo. A atriz Jennifer Jason Leigh interpreta Madeleine Elster. Quanto à qualidade da música, vai depender do gosto de cada um.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Brincando com a plateia

Pra mim, o melhor de Um corpo que cai é que são dois filmes em um. É delicioso perceber que, na sua primeira metade, Hitchcock brinca com a plateia nos fazendo crer que se trata de um drama psicológico, bem perto de resvalar para... uma novela mexicana. Aí olhamos intrigados para a tela, nos perguntando: estamos vendo o filme certo? Porque a trama de uma jovem que está sendo influenciada pelo fantasma de uma antepassada e tenta cometer suicídio como ela não se encaixa muito no perfil de um suspense tradicional. E pode dizer que você também estava começando a pensar que tudo fazia sentido...

E é nesse ponto que ocorre a jogada de mestre: em determinado momento, descobrimos que tudo não passa de um plano maior, e que fomos tão enganados quanto o protagonista. Claro que ser feito de bobo não é das sensações mais agradáveis, mas se tratando de cinema, é algo que eu adoro. Só assim percebemos o quanto somos atraídos por falsos detalhes e nos deixamos envolver pela narrativa com uma facilidade incrível. Claro que tem gente que prefere assistir a filmes tentando achar defeitos, adivinhar o assassino, matar a charada antes da pessoa ao lado. Mas eu adoro ser espectadora! Quero mais é que me surpreendam! E Hitchcock faz isso muito bem.

E olha que a fase "sobrenatural" do filme deixa muito a desejar. Parecia mais trama de um romance barato. John Ferguson leva apenas cinco minutos para se apaixonar perdidamente pela mulher de seu amigo! Tanto que entra na aparente loucura da moça, e fica mentalmente perturbado quando ela morre. Um tanto forçado, né? Mas é isso que dá a graça quando acontece a reviravolta na trama.

As sacadas do roteiro (tudo começou por causa do medo de altura de John, lembram?) e as boas atuações ajudam muito. Dá peninha ver a obsessão dele por sua antiga paixão, e do jogo que ele faz com Judy, querendo transformá-la em  Madeleine a qualquer custo. Ao mesmo tempo em que é cruel, a gente pensa: bem que ela merecia! E o final não poderia ser mesmo muito diferente...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hitchcock para os pequenos

É de pequeno que se aprende! Confira essa curiosa homenagem de Maurício de Souza a Alfred Hitchcock. 

O especial é apresentada por Alfredo Hichcocker, e traz o Bidú interpretando os personagens principais dos melhores filmes do mestre do suspense, inclusive, Um Corpo que Cai e Janela Indiscreta, ambos presentes na nossa lista.

E sua mãe achava que ler gibis era perda de tempo!

Para ampliar as imagens basta clicar sobre elas.